Assunto: os institutos históricos na atualidade



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Jornal A Tarde, sexta-feira, 24/02/1978

Assunto:


OS INSTITUTOS HISTÓRICOS NA ATUALIDADE


Os Institutos Históricos foram, no Brasil, desde o século passado, os órgãos aglutinadores dos estudiosos da História e das ciências afins, particularmente a Geografia, a Arqueologia a Etnologia, a Genealogia. Algumas das últimas assumiram certo grau de autonomia sem que os Institutos deixassem de se interessar pelas mesmas; no campo da historiografia, entretanto, é que têm prestado seus melhores serviços. Comprovam-no os Congressos levados a efeito e o conteúdo de suas revistas, de tal maneira que não é possível organizar bibliografias nem desenvolver qualquer pesquisa naquela área sem consultar esse acervo. Todavia, é preciso reconhecer que a criação dos cursos superiores de História e das ciências humanas conexas afetaram de algum modo as funções tradicionais dos Institutos estaduais e do nacional, desde quando se criaram novos centros, novas associações, novas publicações para a investigação histórica e se atribuiu a esta um caráter profissional. Poder-se-ia supor que, em conseqüência, os institutos perderam sua razão de ser. Não sou dos que pensam assim. Disse-o por ocasião da posse na presidência da diretoria do Instituto Geográfico e Histórico, a 26 de janeiro.

A condição para que aqueles beneméritos organismos possam continuar vivos e atuantes é que se ajustem ao presente, fazendo-se também núcleos vigorosos de História, da Geografia e das disciplinas que cabem em seu amplo espectro de interesses. O isolamento como redutos fechados é que os pode marginalizar. Outra condição é que se abram à perquirição das novas teorias e filosofias da História, indagando das contribuições que as mesmas podem trazer à elucidação dos fatos, dos eventos, dos movimentos que perpassam pela vida nacional e regional. O acolhimento também de modernas técnicas como a História Quantitativa, a Demografia Histórica, a análise sociológica dos dados históricos e não somente a colaboração da Sociologia mas da Economia, da Política. A pesquisa nas ciências humanas exige hoje, de tal modo, um esforço sistemático, uma elaboração teórica, uma fixação de quadros de referência e de hipóteses que o trabalho individual costumeiro só tem a lucrar em entrosar-se com os métodos, as técnicas, os recursos variados que dão atualidade e eficácia científica a tais estudos. E que se realizam, necessariamente, nos centros universitários e nos núcleos de pesquisa voltados para a administração, o planejamento, a previsão das tendências políticas e sociais. É preciso aceitar a idéia de que o saber, ademais de sua intrínseca nobreza como aprofundamento da verdade e como exploração da realidade, destina-se a servir aos homens do presente apontando-lhes, sempre que possível, os rumos do futuro.



Continuando, por certo, seu papel de intérpretes da História ao grande público e de salientes participantes das comemorações cívicas, os Institutos têm sobretudo a responsabilidade - que é tão bem definida no Estatuto do I.G.H. Bahia – “de promover o estudo, o desenvolvimento e a difusão dos conhecimentos" das ciências que constituem seu objeto. Suas bibliotecas, seus arquivos, suas pinacotecas, seus museus, suas hemerotecas hão de ser laboratórios à disposição dos investigadores seriamente credenciados, tanto os seus associados quanto os que, tendo projetos científicos consistentes, necessitem utilizar tais recursos. Isto não importa em duplicar as funções dos cursos universitários ou das entidades interessadas em buscar no passado a explicação do presente e as pistas para o porvir. Importa, sim, em superar a historiografia como passatempo e como esforço individualista. Este programa não colide com o de outras instituições e só tende a revitalizar os Institutos. Esse foi, a seu tempo, o plano que lhes traçaram os fundadores. Segui-lo é uma exigência de fidelidade e de persistência nos fins desenhados pelos seus maiores.


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