Atividade 2 – Enunciação e heterogeneidades discursivas Nesta segunda atividade da Agenda 2



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Encontro02.08.2016
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Atividade 2 – Enunciação e heterogeneidades discursivas


Nesta segunda atividade da Agenda 2, vamos continuar refletindo sobre os modos de produção de sentidos na linguagem e a relação entre discursos.
Para isso, vamos analisar dois textos:

1) uma versão da história de Chapeuzinho Vermelho, que circula na internet;

2) e uma propaganda das sandálias da marca Melissa, que faz alusão ao conto.
Com base nesses dois materiais, responda às questões abaixo em seu Portfólio Individual. Esta atividade vale 40 pontos.
Não se esqueça de associá-la à avaliação.
Bom trabalho!


  1. O texto “Chapeuzinho Ver-Melhor” reconta a história de Chapeuzinho Vermelho em uma versão politicamente correta. Para isso, uma das estratégias utilizadas é a substituição de palavras e expressões presentes no conto tradicional por outras consideradas politicamente corretas. De forma geral, essas substituições são acompanhadas de comentários, como “no entanto isto não significa...”. Identifique no texto ao menos duas dessas substituições e diga que palavra ou expressão elas substituem. Considerando o que temos estudado sobre heterogeneidades discursivas, que efeitos você acha que essas substituições comentadas produzem?

A preposição “mas”. Chapeuzinho faz uso da mesma toda vez que precisa inferir aos cuidados da mãe relacionando ou argumentando sobre as questões que a ela eram polêmicas e mereciam serem vistas com devida cautela para que não ferisse ou desrespeitasse os direitos de outros (Chapeuzinho questiona a mãe quanto ao fato de “ela” transportar os alimentos para a “avó”).


Uso da palavra “ porém”. Quando Chapeuzinho advertiu ao lobo de que este fazia uso de uma intimidade a que ambos não tinham; tanto quanto o lenhador, ele faz uso da mesma preposição para chamar a atenção de Chapeuzinho com relação a sua função de protetor da “natureza”.


  1. No texto “Chapeuzinho Ver-Melhor” há vários discursos (outros dizeres), que não se encontram no texto tradicional, e que são trazidos para a história. Selecione partes do textos que mostram ao menos três desses outros discursos e explique quais são eles.


“ Mas, mãe, você não está me oprimindo com esta ordem?”

Chapeuzinho questiona sobre a opressão que as mulheres sofrem pela sociedade , fugindo do foco da história original onde ela era figura obediente dócil e prestativa.

Assim como nos contos de fadas ex: (Cinderela, Bela Adormecida) passam a idéia de que a mulher deve ser boazinha, submissa, meiga e prestativa, com o objetivo de encontrar um príncipe encantado que a livre da possibilidade de tornar-se uma “encalhada” no “caritó”. A questão demonstra um discurso feminista, quando fala da opressão sofrida pela mulher, ambiental quando trata de questões relacionadas a floresta e geracional quando trata de questões do caráter de adolescente de Chapeuzinho.

“Chapeuzinho Vermelho partiu pela floresta”. Chapeuzinho vai pela floresta onde todos temiam porém, ela a via como local onde de podia transitar normalmente uma vez que seu objetivo não era o de alguém que vê a floresta um lugar apenas para comércio extrativista e sim, um local contemplativo para curtir a paz e a harmonia entre “seres humanos” e natureza.


Quanto a questão da advertência que tanto a mãe quanto a avó fazia à Chapeuzinho, ela estava convicta de que cada um deve viver segundo suas regras e costumes defendendo e sendo responsáveis por seus atos e ações.

  1. Agora faça uma comparação entre o texto “Chapeuzinho Ver-Melhor” e a propaganda das sandálias Melissa, que também apresenta uma imagem da Chapeuzinho. Que elementos presentes no texto são retomados pela propaganda? Ainda comparando os dois textos, que elementos da história politicamente correta de Chapeuzinho Vermelho são deslocados na propaganda da Melissa?

Em “ Chapeuzinho Ver-Melhor”, Chapeuzinho tinha suas convicções e acreditava nelas defendendo-as com argumentações convincentes. Na propaganda da “Melissa”, Chapeuzinho comporta-se como a maioria das adolescentes deslumbradas, o “lobo” apresenta-lhe pinta de alguém forte, másculo, com sua moto poderosa e incrementada. Nesse caso, Chapeuzinho não foi capaz de observar o que estava por trás da imagem que o “lobo” exibia observando apenas as aparências que a ela eram visíveis.

Os elementos deslocados da história de Chapeuzinho politicamente correta para a propaganda da Melissa, é o comportamento da personagem que em ambos os casos, demonstra comportamento de uma adolescente no primeiro caso como ágüem que sempre está questionando, argumentando ordens e no segundo caso age como alguém que é dona de seu próprio nariz retratando atitudes dos adolescentes de hoje.

Elementos do discurso de classe onde no texto 1 Chapeuzinho defende a classe dos trabalhadores em transportadoras e texto 2 imagem mostrada retrata meio ambiente pela cena se passar na floresta.




  1. Tanto o texto “Chapeuzinho Ver-Melhor” como a propaganda da Melissa recontam a história de Chapeuzinho Vermelho, utilizando recursos como a paródia, a ironia, além de outras formas de heterogeneidade mostrada. Que elementos da história tradicional de Chapeuzinho permitem as releituras apresentadas pelos dois textos analisados?

No texto 1, “Chapeuzinho Ver-Melhor” : O discurso de Chapeuzinho com sua mãe taqnto quanto com a avó é de alguém que fala como adolescente de nossa época; de mulher para mulher, ironizando o texto original onde Chapeuzinho é uma figura dócil e meiga.

No texto 2, “Chapeuzinho e a propaganda da Melissa”: retrata chapeuzinho adolescente deslumbrada com a aparência do “lobo mau” e o que este lhe aparenta; “poder”, boa pinta, em uma moto incrementada retratando bem o comportamento de muitos jovens de nossa época “irreverência”.Não observam os “valores” e ironizam o que é de bom do “ser humano” o rapaz bonzinho nesse caso, se passaria por “babaca ingênuo” vencendo o que mostra o “ter” e não o “ser”.

Além das aparências existe uma essência humana que Chapeuzinho nesse caso não foi capaz de enxergar.

Elementos do discurso: parodia e ironia.

Ambiente- floresta onde retrata a cena e os conhecimentos prévios da história original.



TEXTO 1


Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Loup1.jpg.

CHAPEUZINHO VER-MELHOR

Era uma vez uma jovem chamada Chapeuzinho Vermelho, que vivia à beira de uma grande floresta com árvores e plantas exóticas, num belo exemplo de integração entre utilização natural dos recursos e urbanização.

Chapeuzinho Vermelho vivia com sua progenitora, a qual ela tinha o hábito de chamar como “mãe”. No entanto, a utilização deste termo não implicava que ela trataria com menos respeito outras pessoas com as quais ela não tivesse uma grande ligação biológica. Da mesma forma ela não pretendia denegrir ou menosprezar os valores tradicionais das estruturas familiares. De qualquer forma, Chapeuzinho insiste em registrar que lamenta se alguma destas impressões pejorativas possam ser deduzidas desta estória.

Um dia, a mãe de Chapeuzinho Vermelho pediu que ela transportasse uma cesta de frutas sem tratamento químico e água mineral para a casa de sua avó.

“Mas, mãe, tal iniciativa não seria roubar o trabalho de pessoas sindicalizadas que lutaram anos a fio pelo direito de exercer sua atividade profissional na qualidade de transportadores?” A mãe de Chapeuzinho garantiu-a que todas as formalidades já haviam sido providenciadas junto ao sindicato de transportadores e o formulário autorizando esta missão autônoma já estava devidamente carimbado.

“Mas, mãe, você não está me oprimindo com esta ordem?” A mãe explicou-lhe que é impossível que uma mulher oprima outra mulher, posto que todas as mulheres são igualmente oprimidas por uma sociedade machista.

“Mas, mãe, não deveria ser o meu irmão, na sua condição de opressor, que deveria se encarregar desta tarefa no intuito de aprender a condição de oprimido?” A mãe lembrou-lhe que seu irmão estava participando de uma passeata pelo direitos dos animais, além disto, a tarefa em questão não poderia ser considerada uma típica tarefa feminina, mas sim uma atitude que visa o sentimento de comunhão e companheirismo entre mulheres.

“Mas, mãe, não estaríamos então oprimindo vovó através da mensagem subliminar que ela está velha demais para garantir sua própria subsistência?” A mãe lhe assegurou que vovó não estava doente nem incapacitada nos planos físico e mental, ainda que nenhuma desta condições implique que alguém possa ser considerado inferior a pessoas ditas saudáveis.

Convencida e segura de seus atos, Chapeuzinho Vermelho partiu pela floresta. Várias pessoas consideram a floresta como um lugar perigoso, mas Chapeuzinho sabia que este tipo de medo irracional está baseado em paradigmas culturais impostos por uma sociedade patriarcal, que encara a natureza como um conjunto de recursos a serem explorados, e por esta razão acredita que predadores naturais são adversários.

Outras pessoas evitavam a floresta por medo de ladrões e marginais, mas Chapeuzinho acreditava que numa sociedade justa e não hierárquica todas as pessoas poderiam exercer seu direito de viver segundo suas próprias regras, sem serem taxadas como “marginais”.

No caminho, Chapeuzinho passou por um lenhador e observou algumas flores, porém, momentos após ela se viu frente a um lobo. O lobo perguntou-lhe o que ela carregava na cesta. Chapeuzinho, lembrando-se que sua professora havia recomendado a prudência quando estranhos tentassem falar com ela, hesitou. No entanto, segura de si e consciente de sua sexualidade, decidiu responder ao lobo. “Eu estou levando mantimentos saudáveis para a minha avó num gesto de solidariedade.”

O lobo então comentou que não era seguro para uma menina passear pela floresta sozinha. “Eu me sinto completamente ofendida pelo seu comentário sexista, apesar disto eu decidi ignorá-lo por causa do seu status social de excluído. A pressão da sociedade é a verdadeira responsável pelo desenvolvimento deste seu ponto de visto alternativo. Agora com licença, pois vou retomar o meu caminho.”

O lobo, provavelmente devido à sua condição de excluído, pode adotar um pensamento não-linear fora dos padrões ocidentais e da moral judaico-cristã que o levou a utilizar um caminho alternativo para chegar antes de Chapeuzinho à casa da vovó. Lá chegando, devorou (lato sensu) a vovó, numa ação afirmativa de sua condição de predador desprovido de escrúpulos.

Então, movido por noções rígidas e tradicionais de comportamento, o lobo vestiu a camisola da vovó e deitou-se na cama, cobrindo moralisticamente todas suas partes que poderiam denunciá-lo (anatomicamente falando).

Chegando à casa da vovó, Chapeuzinho sentenciou:

“Vovó, eu lhe trouxe um lanche gratuito para saudá-la em sua condição de sábia e madura matriarca!”

O lobo respondeu suavemente: “venha cá, minha netinha, para que eu possa te ver ...”

“Nossa! Vovó, que olhos grandes que você tem!” “Você esquece que eu tenho certas deficiências visuais totalmente compatíveis com minha idade, apesar disto não afetar em nada minha capacidade ou qualificação como ser humano produtivo e válido para a sociedade”.

“E vovó, que nariz enorme você tem...”. “Naturalmente, eu poderia ter mudado isto, mas resolvi não ceder às pressões sociais da estética e do consumismo.”

“E vovó, que dentes afiados você tem...”.

Nisto o lobo, não aguentando mais o proselitismo da discussão e numa típica reação de seu meio social, saltou da cama, pegando Chapeuzinho, e abriu sua bocona...

Chapeuzinho, porém, retorquiu: “Eu creio que você está esquecendo de me pedir a permissão para aumentar o nosso nível de intimidade.” O lobo surpreso ficou sem ação e, neste momento, o lenhador entra pela porta, agitando seu machado: “Não se mexa!”

“O que você pensa que está fazendo?”, perguntou Chapeuzinho. “Se eu lhe deixo me ajudar agora, eu estarei expressando uma falta de confiança em mim mesma e em minhas capacidades, o que causaria uma tremenda falta de auto-estima que poderia se refletir inclusive no meu desempenho escolar.”

O lenhador, porém, não se intimida e responde: “Última chance baby, afaste-se desta espécie protegida, eu sou um agente credenciado do IBAMA.”

Como Chapeuzinho não considerou fundamentada a imposição imperialista e policial, o lenhador, num movimento seco, deu uma machadada certeira na contraventora.

“Ainda bem que você chegou a tempo!”, disse o lobo aliviado. “Esta jovem e sua avó haviam me capturado nesta ideologia de violência.” “Não”, diz o lenhador. “A verdadeira vítima aqui sou eu, que tive que lidar com minha raiva profunda e encarar de frente todos os meus fantasmas. E ainda vou ter que lidar com o imenso trauma de ter tido contato com uma parte violenta da minha essência para a qual minha formação pessoal não estava preparada a afrontar.”

“Eu sinto sua dor”, condescendeu o lobo.

Os dois se abraçam fraternalmente.



Alexandre José V. Jordao

TEXTO 2

CHAPEUZINHO – CAMPANHA MELISSA

Fonte: http://charlinger.files.wordpress.com/2008/05/chapeuzinho-vermelho.jpg


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