Atividade com gabarito sobre Iracema Texto I – Iracema – José de Alencar (fragmento)



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Atividade com gabarito sobre Iracema
Texto I – Iracema – José de Alencar (fragmento)
“Verdes mares bravios de minha terra natal, onde canta a jandaia nas frondes da carnaúba; Verdes mares que brilhais como liquida esmeralda aos raios do sol nascente, perlongando as alvas praias ensombradas de coqueiros; Serenai, verdes mares, e alisai docemente a vaga impetuosa para que o barco aventureiro e manso resvale à flor das águas.”
1. O trecho apresentado no texto 1 pertence ao início da obra Iracema, de, José de Alencar. Baseado no trecho, assinale a opção correta:
(a) Iracema é uma lenda criada por Alencar para explicar poeticamente as origens das raças indígenas da América.

(b) As personagens Iracema, Martim e Moacir participam da luta fratricida entre os tabajaras e os pitiguaras.



(c) O romance, elaborado com recursos de linguagem figurada, é considerado o exemplar mais perfeito da prosa poética na ficção romântica brasileira.

(d) O nome da personagem-título é anagrama de América e essa relação caracteriza a obra como um romance histórico.

(e) A palavra Iracema é o resultado da aglutinação de duas outras da língua guarani e significa “lábios de mel”.
2. O trecho inicial do romance Iracema é:
(a) exemplo do descritivismo ultrarromantico, que idealiza a paisagem rude e agreste do sertão brasileiro.

(b) remete o leitor para as paisagens brasileiras, sem que haja interferência do narrador e de seus pontos de vista.



(c) revela característica essencialmente românticas como a idealização da paisagem brasileira.

(d) embora essencialmente descritivo, revela a parcialidade do narrador, de modo a tornar falsa a apresentação da paisagem brasileira.

(e) revela um narrador extremamente presente, que caracteriza a paisagem brasileira somente sob seu ponto de vista.
3. Sobre a obra Iracema são feitas três afirmações:
I – Alencar apresenta o colonizador enaltecido que, pela força, aculturou e dizimou o índio.

II – O índio é visto por Alencar como elemento formador do povo brasileiro e da língua falada entre nós, que se diferencia da forma substancial do português de Portugal.

III – O Brasil apresentado no romance é selvagem e primitivo e, por isso, deslumbra o colonizador que vê nas paisagens exóticas uma forma de sobrepujar-se e de enriquecer-se, sem ter a efetiva consciência de que é necessário colonizar e catequizar.
Segundo as afirmações, a(s) é/são:
(a) apenas as afirmações I e II

(b) apenas as afirmações II e III

(c) apenas as afirmações I e III

(d) apenas a afirmação II

(e) apenas a afirmação III


4. Em Iracema, José de Alencar mescla em certas oportunidades, informações factuais (obtidas de fontes documentadas) com fatos fictícios (criados por sua imaginação). Há um motivo sensato para isso:
(a) O autor não possui dados concretos o suficiente para escrever um romance verossímil.

(b) Sempre há coincidências involuntárias entre uma criação artística e o “mundo real”.

(c) O intuito de Alencar era criar uma lenda, um mito plausível sobre a formação do Ceará. Sei projeto teve de mesclar, desse modo, toques de realidade (para parecer verossímil) com toques de imaginação (para parecer grandioso).

(d) Por ser antimonarquista, o autor idealiza a gênese de um Brasil mais próximo de suas raízes indianistas. Daí a tentativa de dar um “sabor local” á nossa história.

(e) Na verdade, essa mescla é um defeito estrutural que prejudicou grande parte dos romances históricos. São poucos os escritores brasileiros que conseguiram retratar nossa formação sem o uso desse recurso.
5. Em um poema escrito em louvor de Iracema, Manuel Bandeira afirma que, ao compor esse livro, Alencar:
(...) escreveu o que é mais poema

Que romance, e poema menos

Que um mito, melhor que Vênus.”
(a) Alencar parte da ficção literária em direção à narrativa mítica, dispensando referencias a coordenadas e personagens históricas.

(b) o caráter poemático dado ao texto predomina sobre a narrativa em prosa, sendo, por sua vez, superado pela constituição de um mito literário.

(c) a mitologia tupi está para a mitologia clássica, predominante no texto, assim como a prosa está para a poesia.

(d) ao fundir romance e poema, Alencar, involuntariamente, produziu uma lenda do Ceará, superior à mitologia clássica.

(e) estabelece-se uma hierarquia de gêneros literários, na qual o termo superior, ou dominante, é a prosa romanesca, e o termo inferior, o mito.
6. O próprio José de Alencar afirmou que sua obra se divide em três fases:
1. A primitiva, que se pode chamar de aborígine, são as lendas e os mitos da terra selvagem e conquistada; são as tradições que embalam a infância de um povo.

2. O histórico, que representa o consórcio do povo invasor com a terra americana, que dele recebia cultura, e lhe retribuía nos eflúvios de sua natureza virgem e nas reverberações de um solo esplêndido. (...) É a gestação lenta do povo americano, que devia sair da estirpe lusa para continuar no novo mundo as gloriosas tradições de seu progenitor.”


3. A terceira fase, a infância de nossa literatura começada com a independência política, ainda não terminou. (...) Neste período, a poesia brasileira, embora balbuciante ainda, ressoa não já somente nos rumores da brisa e nos ecos da floresta, senão também nas simples cantigas do povo e nos íntimos serões da família.”
Com base nessas informações, responda:
a) A qual das três fases pertence Iracema?

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Gabarito: Iracema faz parte da primeira fase da literatura de José de Alencar.
b) Cite o nome de um livro de cada fase:

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Gabarito: 1ª fase – Iracema, Ubirajara. 2ª fase – O Guarani, As minas de prata, 3ª fase – O tronco do Ipê, O Gaúcho.
7. Não raro encontramos no livro diversas notas explicativas do próprio autor. Muitas delas explicam algum termo indígena relacionado à nossa fauna e flora ou a costumes estranhos mesmo àquela época. Pode-se dizer que isso tem um valor didático. Mas com que intuito, afinal? Que tese, que ideia Alencar está defendendo?

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Gabarito: O romance de José de Alencar, assim como grande parte da literatura da primeira geração romântica, valoriza bastante o indianismo por acreditar que nossas verdadeiras raízes – isto é, aquilo que nos distingue da metrópole lusa – residam na cultura ameríndia. Daí os esforços em tornar acessíveis ao leitor os mais diversos elementos da cultura.
8. Muito se diz que, em O Guarani, Alencar traça a gênese do brasileiro, junção do português (Cecília) com o índio (Peri). Pode-se dizer o mesmo de Iracema? Justifique sua resposta:

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Gabarito: Sim, embora as perspectivas adotadas sejam diferentes – em O Guarani a união é sugerida e simbólica e em Iracema ela é real, consumada – em ambos os livros pode-se dizer que Alencar traça a gênese do brasileiro a partir da união entre português (Cecília / Martim) e o índio (Peri / Iracema).
9. Explique que relação há entre os personagens e seus respectivos nomes:
a) Martim – nome de origem latina, procedente de Marte (deus da guerra).

b) Iracema – lábios de mel em guarani.

c) Moacir – filho do sofrimento em Tupi.
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Gabarito: Martim, português, exerce a função de guerreiro, seja a favor dos tabajaras contra a aldeia vizinha, seja no final do livro, quando surge como um dos guerreiros brancos que viriam colonizar a região. Iracema, a virgem dos lábios de mel, a mais bela filha de Tupã. Moacir, a criança que nasceu de Iracema quando esta sofria ausência do esposo.
10. Leia , a seguir, a letra de uma canção de Chico Buarque insperada no romance de José de Alencar, Iracema – Lenda do Ceará.
Iracema Voou – Chico Buarque
Iracema voou

Para a América

Leva roupa de lã

E anda lépida

Vê um filme de quando em vez

Não domina o idioma inglês

Lava chão numa casa de chá

Tem saído ao luar

Com um mímico

Ambiciona estudar

Canto lírico

Não dá mole pra policia

Se puder, vai ficando por lá

Tem saudade do Ceará

Mas não muita

Uns dias, afoita

Me liga a cobrar:

-É Iracema da América.


in: BUARQUE, Chico. As Cidades. Rio de Janeiro: Marola Edições Musicais, 1998.
a) Que papel desempenha Iracema no romance de José de Alencar? E na canção de Chico Buarque?

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Gabarito: No romance, Iracema – típica heroína romântica – é impelida pelo amor e mostra-se submissa a ele, isto é, ela sacrifica tudo (família, religião, a si mesma, etc.) em nome desse grande amor. Na canção de Chico Buarque, a personagem revela-se mais ativa, isto é, Iracema quer estudar, é ambiciosa, senhora de seu próprio destino.
b) Uma das interpretações para o nome da heroína do romance de José de Alencar é de que seja um anagrama de América. Partindo dessa interpretação, explique o que distingue a referência à América no romance daquela que é feita na canção.
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Gabarito: Iracema, no romance, personifica a natureza do Novo Mundo: patas de gazela, cabelos negros como as asas da graúna, talhe de palmeira, hálito de baunilha, etc. Assim, ela é grandiosa, como grandiosa é a natureza americana. Já na musica, a América idealizada de Alencar cede lugar a necessidades mais pragmáticas, isto é, Iracema vê-se impelida a deixar a América natal (Ceará) para tentar uma vida melhor na América (EUA), mesmo como clandestina.





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