Atlas escolar municipal de



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UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA - UNESP

REDE SÃO PAULO DE FORMAÇÃO DOCENTE - REDEFOR

CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GEOGRAFIA


ATLAS ESCOLAR MUNICIPAL DE ITAPEVA-SP : UMA CONTRIBUIÇÃO

AO ESTUDO DA GEOGRAFIA DO LUGAR

FÁTIMA APARECIDA DA SILVA FARIA GALVÃO DOS SANTOS



Orientador: Msc. ADEIR ARCHANJO DA MOTA

PRESIDENTE PRUDENTE, SP

2011
RESUMO

Este trabalho pretende discutir brevemente sobre a importância de material didático/cartográfico que mostre as características do lugar onde o aluno vive. Muitos pesquisadores interessados em estudos acerca da alfabetização cartográfica com crianças de séries iniciais têm se preocupado em elaborar material didático que desenvolvam noções de proporção, escala, localização, orientação, representação e legenda, noções estas que articuladas, contribuem para a construção do conhecimento geográfico/cartográfico do aluno, auxiliando-o na compreensão da leitura dos mapas, das paisagens e da realidade em que vive. Muito embora reconheçamos as contribuições de grandes autores de livros didáticos e de atlas escolares, ainda nos falta algo muito importante para complementar uma parte relevante da alfabetização geográfica/cartográfica, o Atlas Escolar Municipal. Neste sentido, procuraremos discorrer sobre algumas contribuições, já existentes que contribuem enormemente para travarmos algum debate profícuo referente à cartografia do lugar. Entre os trabalhos realizados, um é bastante significativo para esta cursista que aqui procurará também contribuir com a discussão, apresentando alguns temas tratados no ATLAS ESCOLAR MUNICIPAL DE ITAPEVA-SP, parte do produto final da Dissertação de Mestrado, realizada na FFLCH- Geografia Humana – USP, concluída em 2007.


Palavras-chave: Atlas Escolar, Alfabetização Cartográfica, Geografia Escolar, Atlas Municipal de Itapeva (SP), Prática Docente.
INTRODUÇÃO
Este trabalho pretende instigar uma reflexão voltada para a importância da elaboração de Atlas Escolar Municipal para alunos das séries iniciais dos Ciclos I e II do Ensino Fundamental, como um material de apoio para prosseguir com o desenvolvimento de habilidades que possibilitem ao aluno a compreensão das formas que a sociedade organizou em seu espaço de vivência, que estão diretamente relacionados a partir do bairro, do município, do estado, do país e do mundo, contribuindo para que os alunos entendam as relações de condições e conexões que o lugar onde vive proporciona-lhe.

O interesse pelo tema surgiu a partir do momento em que começamos a aprofundar leituras acerca da Cartografia Escolar e numa oportunidade de releitura dos PCNs de História e Geografia do EF, volume 5, observamos uma importante contribuição onde nos apontava que o estudo da linguagem cartográfica tem cada vez mais reafirmado sua importância, desde o início da escolaridade. Contribui não apenas para que os alunos venham a compreender e utilizar uma ferramenta básica da Geografia, os mapas, como também para desenvolver capacidades relativas à representação do espaço (Brasil, 1997, p. 118).

A importância do estudo da localidade está contemplada nos currículos escolares, tanto do Ensino Fundamental como nas de Ensino Médio.

No caso deste trabalho, iremos focar nosso debate nas considerações voltadas para o Ensino Fundamental, respectivamente nos Ciclos I e II, onde a fundamentação teórico-metodológica do tema embase-se nos Parâmetros Curriculares Nacionais, que colocam a Geografia, neste nível de ensino, como uma das abordagens, na qual fundamenta-se a percepção espacial, que parte do que está mais próximo ao lugar mais distante.

De acordo com os PCNs de Geografia, “A Geografia, ao pretender o estudo dos lugares, suas paisagens e território, tem buscado um trabalho interdisciplinar, lançando mão de outras fontes de informação” (BRASIL, 1997, p.117).

Para se ensinar a Geografia com vistas à interdisciplinaridade faz-se necessário que o professor tenha claro que ele pode não encontrar material suficiente e satisfatoriamente didático para tratar os diversos assuntos que envolvem esta disciplina, atravessada por outras áreas do conhecimento. Porém, nada impede que o docente faça um bom trabalho realizando parcerias com os professores de outras áreas do currículo escolar.

É o caso do trabalho realizado em parceria com professores de geografia, história, ciências e arte, numa escola estadual no município de Itapeva-SP, na qual professoras decidiram juntar-se para elaborarem através de estudos, coletas de dados e materiais como documentos históricos, informações atualizadas, fotos, imagens e a elaboração de mapas temáticos inéditos sobre o município (para atender especialmente alunos do Ensino Fundamental), feitos por pesquisadores da Universidade de São Paulo, a partir de mapas bases do município.

A dificuldade em encontrarmos material apropriado para o desenvolvimento do estudo da localidade, até a deficiência em desenvolver metodologias de ensino dos mais diversos conteúdos levou-nos a buscar parcerias, também além do espaço escolar, isto é, fomos nos informar e buscar mais conhecimentos sobre o nosso município, em lugares como a Casa da Cultura, a Biblioteca Municipal, Secretaria da Educação, Diretoria de Ensino, Igreja Matriz, Secretaria de Obras, Secretaria da Agricultura, Secretaria do Meio Ambiente, sites, etc., a fim de coletarmos a maior quantidade possível de informações, para a seleção dos conteúdos que iríamos contemplar no tão desejado Atlas Geográfico, Histórico e Ambiental para o município.

Para uma orientação mais sistematizada em como produzir uma Atlas Escolar para o município de Itapeva-SP, buscamos orientações acadêmicas, junto ao Departamento de Geografia Humana da USP, na pessoa do Prof. Dr. Marcello Martinelli, o qual nos adotou, incentivou e orientou durante todo o período da pesquisa da Dissertação de Mestrado, até o término da pesquisa.

Para a fundamentação teórica acerca do tema "Cartografia Escolar", foram utilizados trabalhos já realizados por pesquisadores renomados como: (ALMEIDA & PASSINI, 1994); (LE SANN,1995); (MARTINELLI, 1999); (OLIVEIRA & ALMEIDA, 2000); (CASTELLAR, 2005) e muitos outros, que contribuíram significativamente tanto em estudos teóricos, como nos direcionamentos em relação em como nós professores podemos desenvolver e até produzir materiais didáticos, que ajudem os alunos a entenderem melhor o lugar onde vivem.

Tal como Castellar (2005, p.70), entendemos, também que quando se encaminha na escola para o letramento cartográfico, inicia-se a formação de conceitos e, portanto, o desenvolvimento cognitivo.

A partir de algumas reflexões, corroboramos também com Castellar (2005.p.70) que a intenção acerca das noções básicas da cartografia escolar, é mostrar que aprendizagem não é apenas uma técnica de identificar símbolos para perceber a localização dos lugares nos mapas (grifo nosso), mas de utilizá-los nas ações do cotidiano e na leitura da realidade, ampliando a sua visão em seu espaço geográfico (CASTELLAR, 2005, p. 70).

Nesse sentido, acreditamos que através da visualização das relações entre os atributos dos mapas poderemos utilizá-los na leitura da realidade com o fim de propor ações planejadas.

O escopo de elaboração de um Atlas Municipal Escolar não é o de colocar nas mãos do professor, apenas mais um recurso didático, mas sim, apresentar-lhe possibilidades de poder trabalhar a Geografia, concatenada à outras disciplinas, usando como apoio, um Atlas Escolar que traga informações básicas sobre o município.

Para Bueno (2008):

O Atlas Escolar Municipal valoriza o espaço local, o regional; auxilia na ruptura disciplinar e age como um gerador de atividades. Auxilia no desenvolvimento dos Referenciais Curriculares, levando-nos a pensar numa proposta de alteração da proposta curricular dos cursos de formação inicial de professores, com a inserção da disciplina Cartografia Escolar e com uma maior discussão sobre a alfabetização cartográfica. O Atlas permite a integração disciplinar, um trabalho contextualizado, uma maior autonomia ao professor, a desvinculação do livro didático. O Atlas traz consigo a possibilidade do “aprender fazendo”, o que caracteriza, a nosso ver, um processo de formação continuada (BUENO, 2008, p.136).


Na busca de maior entendimento acerca da contribuição do Atlas Escolar Municipal para alunos do Ensino Fundamental, nos apoiamos em Oliveira (1978, p. 49) que nos convence ainda mais sobre a importância da participação do mapa na construção do conhecimento humano. Assim, analisamos o ensino pelo mapa e não o ensino do mapa, que deve ser preparado para entender mapas para o conhecimento geográfico, lembrando sempre que esse recurso pedagógico geralmente é empregado de maneira empírica e para alcançar objetivos imediatos, esse uso empírico se refere ao mapa como recurso visual, quando o mapa poderia ser usado pelo professor de maneira racional, como forma de comunicação e expressão, participando primeiro da construção da noção do espaço e depois da sua representação, onde se inclui o aprendizado de sua linguagem, uma Alfabetização Cartográfica.

Por conta da necessidade de conhecer com maior aprofundamento as diversas áreas do conhecimento, destacamos aqui a contribuição dada pela Geografia e pela Cartografia, por sua relevância no ensino, especialmente nos ciclos I e II – do Ensino Fundamental, portanto elaboramos um protótipo de Atlas Municipal para o município de Itapeva-SP, no qual a dissertação compôs-se de seis capítulos, no qual os três últimos aparecem na pesquisa como contribuidores numa breve análise sobre a importância de se elaborar um material didático sobre e para o lugar.

Para Pezzato e Passini (2003), o estudo da Geografia da localidade, que considera a experiência vivida pelos alunos e a observação e análise de conceitos sistematizados pela Geografia, pode representar um salto de qualidade na formação do sujeito em interação no cotidiano escolar (PEZZATO & PASSINI, 2003, p.2).

Concordamos com a autora acima citada quando nos esclarece que:
A leitura do espaço vivido busca criar significados, abrir um espaço em que a dúvida e o questionamento possibilitam o surgimento do interesse pelo saber. O surgimento de um espaço de comunicação possibilita o estabelecimento da articulação do conhecimento meramente empírico onde contempla as análises integradoras do particular com o universal e vice-versa (PEZZATO & PASSINI, 2003, p.2).
Podemos considerar que esta concepção pode ser perfeitamente concatenada ao que se propõem os conteúdos da Geografia escolar que propomos ensinar.

Outro autor que segundo Pezzato e Passini (2003,p.2), vem contribuir com o ensino da Geografia, quando o assunto é Cartografia, é Bertin (1993), que nos afirma que as noções de Cartografia suscitam que esta é uma linguagem que compreende um sistema semiótico complexo que requer o conhecimento de categorias formais específicas, merece destaque, pois, conforme o grau de domínio de seu sistema linguístico, poderão contribuir para a interpretação dos conteúdos selecionados pela Geografia escolar (BERTIN,1973 In: PEZZATO & PASSINI, 2003, p.2).

Sendo assim, podemos entender que através da aprendizagem significativa desta área do saber, é necessário que o tratamento dos conteúdos das diferentes disciplinas seja de forma consciente, integrados ao domínio das diversas linguagens constituintes do universo comunicativo, havendo a necessidade de se desenvolver constantemente um trabalho interdisciplinar no interior da escola.

No Atlas Municipal podemos contemplar diversos aspectos da localidade, abordando temas como: localização geográfica; processo histórico; clima; vegetação; geologia, tipos de solo; hidrografia; cobertura e uso do solo; turismo; etc., aproveitando-se da seleção dos conteúdos próprios da Geografia, agregando outros conhecimentos prévios ou específicos de outras áreas do saber, que lidem com as questões do espaço vivido pelos alunos da comunidade escolar local.

Este trabalho justifica-se pela necessidade de refletir acerca da importância de se elaborar e produzir Atlas Municipal Escolar para uma alfabetização cartográfica do lugar, com maiores significados para o aluno.

Pelo fato de um Atlas escolar municipal possibilitar o desenvolvimento de um trabalho metodológico em que cada conjunto de conteúdos pode envolver propostas de atividades ou exercícios que promovam a investigação, a observação, a descrição, a correlação dos elementos vividos com os contemplados pelo currículo oficial, é que nos apoiamos mais uma vez nas ideias de Pezzato e Passini (2003, p. 3), que nos dão maior segurança para afirmarmos sobre a importância do desenvolvimento de projetos de elaboração de Atlas municipais, que além de contribuírem com a produção de materiais didáticos destinados as escolas de Ensino Fundamental e Médio do país, tais projetos mostram-se importantes para o desenvolvimento de trabalhos acadêmicos. Alguns já mostraram grande potencial de integração de diversos projetos de pesquisa ligados à produção de Atlas escolares.

Para pensar nos diversos temas que são selecionados para construir o conhecimento sobre o local e coletar textos, fotos, documentos e as diversas informações que ajudarão na montagem dos temas, deve-se sempre contar com a contribuição das disciplinas de História, Ciências, Arte e outras em colaboração com a Geografia, num trabalho interdisciplinar que certamente culminará, portanto, na tentativa de elaborar-se um atlas geográfico, histórico e ambiental, trazendo conteúdos referentes às questões da organização político-administrativa, social e espacial do município.

Muitos professores e pesquisadores têm elaborado atlas local, inclusive itapeva-sp, que em breve poderá contar também com um atlas escolar, que venha atender parte das necessidades de pesquisa do local, que tanto se necessita nas salas de aula no curso do ensino fundamental.

Repensar nossas práticas de ensino nesta área e compreender melhor os processos cognitivos relacionados ao ensino e aprendizagem de mapas pelos alunos de ensino fundamental, desde as séries iniciais até o 9º ano, utilizando-se de Atlas Escolares Municipais para tornar o aprendizado mais significativo.
REVISÃO DA LITERATURA E METODOLOGIA
Buscou-se fundamentação teórica em pesquisadores como MARTINELLI (1993, 1997, 1998, 2003, 2005); ALMEIDA E PASSINI (2005), CASTELLAR (2000, 2005), CALLAI e CASTROGIOVANNI (2005), visto que as obras encaminham os professores à várias formas de conhecimentos e mostram que faz-se necessário conhecer os processos metodológicos aos quais os docentes se embasam e através dos quais encaminham os alunos à uma aprendizagem mais significativa.

A abordagem utilizada na pesquisa, foi a qualitativa, como opção metodológica mais adequada aos objetivos propostos desde o início da mesma.

As professoras que participaram da pesquisa foram selecionadas após entrega de questionário sobre o que sabiam sobre a Geografia, História e Meio Ambiente do município, onde após terem respondido às questões, foram as que aceitaram participar da pesquisa, disponibilizando seus tempos além dos seus horários de aulas, para aplicarem as atividades com seus alunos.

O referencial teórico da pesquisa está relacionado com a evolução dos processos e procedimentos de ensino específicos da didática da Geografia e da Cartografia, a exemplo de OLIVEIRA e ALMEIDA (2000), assim como nas discussões acerca dos saberes e a formação docente NÓVOA (1992) e PERRENOUD (1993) e outros.

A seguir, iremos discorrer brevemente acerca de conceitos mais elementares que tratam da importância do mapa no ensino da geografia nas séries iniciais do Ensino Fundamental, assunto este muito valorizado entre pesquisadores e que também teve atenção especial nos escritos da dissertação de mestrado de SANTOS (2007), que encampou de maneira exaustiva, estudos junto a professores e alunos do município de Itapeva/SP, durante o período da pesquisa.
O MAPA E OS ESCOLARES

Mapa, um constructo humano

Os mapas são representações gráficas do espaço constituídas pelos elementos básicos: simbologia, localização/orientação, escala e projeção. Resultam de uma aquisição acumulada e sistematizada de informações, conhecimentos e técnicas desenvolvidas por uma sociedade.

Para Oliveira (1978):

No ensino do mapa, três aspectos devem ser analisados: os tipos de mapas escolares utilizados e disponíveis para o uso nas diversas escolas: seleção de mapas e suas funções em sala de aula; e por último, mas de forma não menos importante, o preparo dos professores no tocante aos mapas ( OLIVEIRA, 1978, p.45).
Oliveira (1978, p. 45), o mapa é inerente ao trabalho do geógrafo, e por extensão ao do professor de Geografia de qualquer nível de docência. Para a autora, o mapa é definido, em educação, como um recurso visual a que o professor deve recorrer para ensinar Geografia e que o aluno deve manipular para aprender os fenômenos geográficos.

Simielli (1986), em sua tese de doutorado intitulada "O mapa como meio de comunicação: implicações no ensino de geografia do 1º grau", nos coloca novos componentes para uma eficaz leitura de mapa. Discute o novo papel do mapa como meio de comunicação, chamando a atenção para possíveis ruídos que impediriam a comunicação de uma informação clara através dos mapas. Após pesquisa realizada com alunos do Ensino Fundamental, a autora concluiu que “para o aluno ler um mapa, é necessário que o mesmo tenha orientações claras do professor, de como usar o alfabeto cartográfico, caso contrário, certamente ocorrerá a perda da informação contida nesse material” (SIMIELLI,1986).

Rufino (1996) também contribui com o debate apresentando-se como uma das maiores referências ao desenvolver pesquisa nesta linha e em sua tese de doutoramento intitulada "Noção de Espaço e Representação Espacial", na qual confirmou a necessidade de se trabalhar a informação espacial desde as séries iniciais, explicando os conceitos cartográficos, essenciais para a confecção e leitura de mapas.

A autora acima citada, vem novamente corroborar com a ideia de que a cartografia é considerada uma linguagem, um sistema de código de comunicação imprescindível em todas as esferas da aprendizagem em Geografia, articulando fatos, conceitos e sistemas conceituais que permitem ler e escrever as características do território (CASTELLAR, 2007, p.45).

Nesse sentido, seguimos a linha do pensamento da autora, considerando que a cartografia escolar é uma opção metodológica, o que implica utilizá-la em todos os conteúdos da Geografia, quando identifica e conhece não apenas a localização dos países, mas entende as relações entre os países, os conflitos e a ocupação do espaço, a partir dos específicos da interpretação e leitura dos códigos específicos da cartografia, acreditamos também, que tais assertivas contemplam também as questões mais próximas da realidade do aluno, quando fatos e fenômenos ocorrem em lugar de vivência .

Comungamos também com a teoria de que a interpretação dos fenômenos geográficos ganha significado quando a criança e também o jovem entende a diversidade da maneira como se dá a organização dos lugares, quando compreende o conceito de território. Por isso Castellar (2007, p. 46) reafirma que a leitura de mapas e a elaboração de mapas cognitivos são imprescindíveis para a compreensão do discurso geográfico.

Certamente que a contribuição do uso correto do mapa desde a infância, só poderá facilitar sobremaneira a vida do usuário deste recurso gráfico. E é na escola que este constructo irá se desenrolar, através do seu estudo, nas aulas de Geografia. Assim, a Cartografia Escolar será um saber essencial para esta construção, a dos conhecimentos geográficos.

Sobre essa questão, a do ensino e do aprendizado do mapa é que iremos discorrer no item a seguir.


O MAPA NO ENSINO E APRENDIZAGEM DA GEOGRAFIA

No ensino e aprendizagem da Geografia para os escolares, o trabalho de Cartografia deve ter destaque, pois ele revela como se processa a apropriação, construção e reconstrução do espaço geográfico no indivíduo. O mapa é uma simplificação da realidade, composto a partir da seleção de elementos representados por símbolos e signos apropriados para tal leitura, favorecendo a conscientização do ser humano de seu papel enquanto sujeito que se relaciona com o mundo. Almeida e Passini (1992) afirmam que, no entanto, isso só ocorrerá se o aluno participar ativamente do processo de construção (reconstrução) do conhecimento, através da prática escolar orientada pelo professor (ALMEIDA e PASSINI,1992, p. 13).

Sabemos que a cartografia é de suma importância no ensino da Geografia, porém por falta de domínio e pela sua intrínseca complexidade, ela é utilizada como recurso visual, ilustrativo, para a aula e não como instrumento auxiliar do ensino propriamente dito.

Para entendermos melhor, a real proposta para o ensino e aprendizagem da Geografia auxiliado pelo mapa, buscamos nos Parâmetros Curriculares Nacionais de Geografia e História, onde o documento oficial nos aponta que o estudo da linguagem cartográfica, por sua vez, tem cada vez mais reafirmado sua importância, desde o início da escolaridade. Contribui não apenas para que os alunos venham a compreender e utilizar uma ferramenta básica da Geografia, os mapas, como também para desenvolver capacidades relativas à representação do espaço” ( PCNs, 1997, p. 118).

Pensamos ser de extrema necessidade dimensionar a relevância dos mapas e sua função representativa no que tange ao entendimento do espaço, através de metodologias que favoreçam condições de o aluno realizar uma compreensão valorativa da Cartografia na Geografia Escolar. Assim, para atingir seus objetivos, o professor pode propor atividades de observação, registros, mapeamento, comparação e interpretação.

O docente pode ainda, realizar estudos em grupos de verbalização e observação, oficinas, aulas expositivas dialogadas, após uma aula passeio no entorno da escola ou ainda, em local mais distante, como no centro da cidade, por exemplo, utilizando-se de uma gama de recursos, com o intuito de dinamizar o processo de ensino e aprendizagem na Geografia.

Assim, pensamos que os mapas devem ser vistos como instrumentos que auxiliem na compreensão e apreensão do espaço e cabe ao professor, nesse processo, ser o instrumentalizador e viabilizador na construção do conhecimento sobre os mapas e que traga em suas metodologias uma propriedade teórica, no sentido de fazer com que o aluno dê conta de perceber a importância dos mapas como o contexto histórico em que foram confeccionados, a função político-estratégica para as delimitações territoriais, sendo visualizado também como indubitável instrumento de poder.
O ENSINO DO MAPA

O ensino do mapa congrega dois processos interligados, a apreensão e construção da noção de espaço pelo escolar e respectiva representação.

A apreensão e construção da noção de espaço, dá-se através de uma série de operações espaciais que o indivíduo opera desde o nascimento e que vai amadurecendo de forma contínua, principalmente quando orientado por uma educação adequada.

Oliveira (1978), mostra-nos, com base nos estudos de Piaget, que antes de entrarmos diretamente no mapa é necessário ver como se processa o desenvolvimento mental da noção de espaço no indivíduo. “Ele processa-se como uma construção na qual há interação entre percepção e representação espaciais. Mas convém destacar que o desenvolvimento do espaço, como não poderia deixar de ser, é coerente com o desenvolvimento mental da criança como um todo” (OLIVEIRA, 1978, p. 51).

Conforme Castrogiovanni (2008), a evolução da forma de apreensão do espaço segue três etapas essenciais, que são apresentadas a seguir: a etapa do espaço vivido, a do espaço percebido e a do espaço concebido (representado) CASTROGIOVANNI (2008, p.24).

A partir de sua inclusão no espaço em que vive, o ser humano desenvolve aos poucos conforme seu desenvolvimento físico e mental, o estágio do “aqui”, onde o espaço vivido é o espaço físico. A criança vivencia o espaço a partir do movimento, da locomoção.

Com as atividades de movimentos, ele começa a etapa da apreensão do espaço e consequentemente, passa a percebê-lo. Por fim, após experimentar, observar e analisar o espaço, por volta dos doze anos, conforme Piaget (1981, In: Castrogiovanni, 2008, p.24) a partir do espaço percebido, a criança está cada vez mais preparada a lidar com o espaço concebido, espaço esse que trata do espaço mais abstrato.

Podemos então, dizer que já está preparado para lidar com a representação deste espaço em planta ou mapa.

É nesse estágio que o ser humano passa do conhecimento espacial corporal, para aquele formado pelos sentidos, chegando, assim a um conhecimento espacial construído pela reflexão.

Piaget e Inhelder propõem basicamente que as relações espaciais utilizadas por um indivíduo podem ser descritas por uma geometria, e que entre as geometrias possíveis, a que melhor exprime os primeiros comportamentos da criança são a topológica, depois a projetiva e a euclidiana. Os pesquisadores afirmam que, em um espaço de ação, que deverá estar construído ao redor de dois anos de idade, é acrescido de um espaço representativo, sendo elaborado ao longo dos dois aos doze anos de idade (PIAGET e INHELDER, 1979 In: OLIVEIRA, 1978, p.58).

Oliveira ( 1978, p.59), nos indica que na construção e apreensão do espaço, Piaget mostra que num primeiro estágio, a criança reconhece os objetos familiares, o que a leva a reconhecer as formas topológicas. Em um segundo estágio, reconhece as formas projetivas passando progressivamente para as formas euclidianas, mas é somente neste estágio que se realiza uma coordenação operatória, em termos espaciais.

Nos confirma também que Piaget e seus colaboradores procuraram estudar a percepção e a representação das relações espaciais mediante uma série de experimentos, utilizando o método clínico. O espaço topológico foi estudado através das relações topológicas: proximidade, separação, ordem ou sucessão espacial, inclusão ou envolvimento e continuidade (OLIVEIRA, 1978, p. 59).

Para Piaget, as relações espaciais topológicas são as primeiras a se constituírem em operações mentais. Depois, operam-se as relações espaciais projetivas.

Assim, a representação espacial geográfica, como no caso do mapa, se inicia pela percepção e representação das relações espaciais topológicas locais, para depois passar às relações projetivas e euclidianas. Da percepção e representação local, a criança passaria à representação geográfica de toda a Terra (OLIVEIRA, 1978, p. 62 ).

A representação do espaço apreendido pelo escolar terá sucesso se o mesmo participar ativamente do processo de construção e reconstrução do conhecimento por meio da prática escolar, orientada pelo professor.

Em relação à representação do espaço, Oliveira (1978) ainda nos chama a atenção para entendermos que, para que o mapa seja encarado como representação espacial, torna-se necessário realizar investigações sobre como as crianças constroem seus mapas. Em outras palavras, é preciso pesquisar os mecanismos cognitivos e perceptivos em que a criança recorre para mapear o seu espaço, estudar o desenvolvimento intelectual em termos de mapeamento e observar as condutas das crianças colocadas em situações de atividades de mapeamento” (OLIVEIRA, 1978, p. 39).

Na representação do espaço, os alunos devem ser orientados pelo professor de Geografia para após ter descoberto e experimentado o espaço, passarem a conhecer as noções que envolvem a construção do símbolo, a localização e orientação, a escala, a projeção e a linguagem cartográfica. Através destas etapas, o aluno constrói e interpreta os mapas, localiza-se, orienta-se e estabelece uma correspondência entre a representação cartográfica e a realidade.

Quanto à relação entre a realidade e sua representação, podemos iniciar com a seguinte proposição de construção de símbolos:



Aspectos da realidade se manifestam em




Símbolos para a representação do mapa

Ponto



Itapeva


Linha

Rio Taquari-Mirim

Área

Mata do Carmo



Quadro elaborado por Fátima A S F G Santos - 2007

De acordo com estudos pertinentes, um dado poderá ser representado no mapa por um ponto, onde os dados espaciais são selecionados para aparecerem independentes da escala escolhida, normalmente para pontos notáveis, cidades, ou para qualquer outro ponto que mereça destaque, ou quando ainda a informação representar uma grandeza hierárquica. Se o dado for uma manifestação linear como rios, rodovias, etc, no mapa aparecem em forma de linhas. Por fim, um dado também poderá ser representado no mapa por um polígono (área ou superfície), informando, por exemplo, a presença de vegetação, a densidade demográfica, etc. (SANTOS, 2007, p. 73).

Quando o dado for uma manifestação em área, e que se apresenta como uma realidade ordenada deve-se utilizar uma representação por meio de uma ordem visual. Seja o caso do mapa geológico: as rubricas da legenda seguem em ordem cronológica, desde as unidades mais antigas até as mais recentes, que receberão cores que vão das mais escuras às mais claras.

Para o caso do tema “Uso e cobertura do solo”, com um entendimento desta realidade em áreas, por exemplo, como feita de oposições entre o espaço natural e o produzido pela sociedade humana, tentando captar a idéia de que a relação do homem com a natureza vai mudando com o tempo, havendo movimento como fruto da história, as áreas serão coloridas com duas ordens visuais opostas, das cores frias às quentes (SANTOS, 2007, p. 73).

Assim como Popp (2001) em seu artigo “Ensino à Distância de Cartografia para professores de geografia do Ensino Fundamental", também acreditamos que o desenvolvimento das habilidades e aptidões em leitura de mapas, permite que o educando, não só conheça o espaço terrestre e a vida dos homens sobre a Terra, mas também que ele se situe neste espaço, compreendendo seu papel para o equilíbrio (ou desequilíbrio) da sociedade e do meio ambiente e permitindo que tome atitudes mais conscientemente nesse mesmo espaço (POPP, 2001, p.4).

A autora defende ainda, que assim um leitor crítico do espaço será aquele capaz de "ler" o espaço real e a sua representação - o mapa e, através dessa leitura, apreender os problemas desse espaço e, ao mesmo tempo, conseguirá pensar as transformações possíveis para o mesmo. A partir dessa constatação, é fácil compreender a importância cada vez maior de se formar indivíduos que tenham desenvolvido sua capacidade de ler e entender as diversas formas de representação do espaço geográfico.

Também nos aduz que são inúmeras as pesquisas sobre como se dá a construção do processo de representação espacial nos indivíduos, e estas têm sido desenvolvidas por profissionais de diversas áreas como psicólogos, pedagogos, além de geógrafos e cartógrafos, que têm buscado descobrir as bases do processo de construção dos conceitos espaciais pelo indivíduo.

Entendemos neste sentido que os conceitos espaciais são, ou deveriam ser apresentados na fase escolar, de maneira a dar oportunidade para que os alunos explorassem e desenvolvessem suas múltiplas habilidades e inteligência, consideradas em sua concepção moderna e apresentadas principalmente na obra de Gardner (1995), ao classificar entre as inteligências múltiplas, a inteligência espacial, que segundo ele se manifesta geralmente no potencial de reconhecer e manipular os padrões de espaço, em áreas mais refinadas, como as utilizadas por cirurgiões, pintores, etc." (GARDNER, 1995 In: POPP, 2001, p.4).


O ENSINO PELO MAPA

O ensino pelo mapa visa promover o conhecimento do mundo pelo escolar, a partir da inclusão e da continuidade espacial, do próximo vivenciado e conhecido – o lugar ao distante desconhecido – o espaço mundial, porém com possibilidade de ser apreendido pela sua representação, sendo capaz de raciocinar sobre tal contexto em mapa, sem tê-lo conhecido antes (ALMEIDA; PASSINI, 1992, p. 27).

A noção de espaço em áreas mais distantes da vida do aluno deve tratar da noção de exterioridade, à qual nos leva a situar um objeto com relação a outros com os quais mantenha certas relações espaciais.

As relações espaciais topológicas elementares não envolvem referenciais precisos de localização, porém, elas são a base para o trabalho sobre o espaço geográfico e cartográfico. É a partir delas que se desenvolvem as noções de limites político-administrativos entre municípios, estados e países e suas fronteiras: área urbana e rural, etc (ALMEIDA; PASSINI, 1992, p. 33).

Para que o escolar compreenda bem os exemplos sobre as relações topológicas elementares, é fundamental que ele se aproprie dos conceitos geográficos. Porém, a localização geográfica constrói-se à medida que o aluno torna-se capaz de estabelecer relações de vizinhança (o que está ao lado), separação ( fronteira), ordem ( o que vem antes e depois), envolvimento ( o espaço que está em torno de ) e continuidade ( a que recorte do espaço a área considerada corresponde), entre os elementos a serem localizados.

Para Almeida e Passini (1992, p. 33), é difícil até mesmo para alunos mais adiantados do Ensino Fundamental, realizar estudos geográficos de áreas isoladas, descontextualizadas.

É preciso que o professor elabore atividades significativas, que tratem das relações entre a sua região e outras que ele já conhece. As autoras nos esclarecem que, num primeiro momento, essa relação pode- se dar através de sua localização – posição que ocupa tanto em relação às regiões conhecidas quanto em relação a toda a área do país ou continente.

Em se tratando do ensino pelo mapa, podemos relacionar três aspectos que devem ser analisados, e que devem fazer parte do conhecimento do professor de Geografia, são eles: os tipos de mapas escolares utilizados e disponíveis para o uso nas diversas disciplinas escolares; a seleção dos mapas e suas funções em sala de aula; e por último, mas de forma não menos importante, o preparo dos professores no tocante aos mapas.

Em relação aos mapas escolares, que aqui é o que mais nos interessa discutir em relação aos recursos materiais que o professor mais necessita para tratar dos diversos temas em suas aulas de Geografia, podemos considerar aqueles que o professor e os alunos têm possibilidade de manipular. Dentro desta concepção ampla, estão incluídos: os mapas murais, os mapas dos Atlas escolares, o próprio globo terrestre, as imagens, como fotografias aéreas, imagens de satélite, imagens de radar, sejam em formato impresso ou digital, e demais materiais.

Podemos classificar para maior entendimento, os mapas murais físicos, políticos e temáticos. Os mapas físicos representam aspectos naturais da paisagem, como o relevo, hidrografia, vegetação, solo, formações geológicas. Os mapas políticos representam os territórios sob controle governamental, com suas fronteiras naturais e artificiais, e as localizações das capitais, cidades principais, portos, etc. Já os mapas temáticos são aqueles utilizados com fins especiais, como o uso da terra urbana ou agrícola (OLIVEIRA, 1978, p.43).

Todos esses tipos de mapas, geralmente, por experiências vividas por grande parte dos professores de Geografia, são empregados em sala de aulas, onde de um modo geral, são colocados pendurados em uma parede e de maneira a permitir consultas pelos alunos e demonstrações pelos professores.

O globo é excelente instrumento de trabalho, pois coloca o mapa da Terra inteira sobre uma superfície esférica, tida como modelo reduzido do Planeta.

Dentre as imagens destacam-se as fotografias aéreas, pois trazem a realidade de um espaço limitado com todos seus detalhes, vista de cima.

Cabe ao professor, encaminhar os alunos para sua decodificação e interpretação.

Castellar (2007) aponta-nos que os conteúdos da Geografia escolar deveriam ser trabalhados na perspectiva das mudanças conceituais – dos conceitos do senso comum para conceitos científicos, estimulando o professor a trabalhar na direção que o aluno possa passar de um estado de menor conhecimento para um estado de maior conhecimento, como afirma Jean Piaget em seus estudos, fato esse que seria necessário ocorrer em todos os graus de escolaridade (In: CASTELLAR, 2007, p.44).

Diante de todas essas afirmações, ficamos convencidos, portanto que o caminho mais acertado, em relação ao desenvolvimento do ensino dos mapas, é realizar um trabalho na perspectiva sócio-construtivista, estimulando e refletindo sobre o papel do professor com uma postura de mediador e orientador, atuando com atividades que problematizem e estimulem o raciocínio, para que o aluno possa, a partir do seu conhecimento prévio, criar e resolver situações-problema, transformando o conhecimento de senso comum em conhecimento científico (SANTOS, 2007, p.77).

Concordamos que não há fórmulas prontas e acabadas. Existem sim, possibilidades de se ter êxitos saindo do imobilismo e atuando na perspectiva de utilizar estratégias diversificadas ao abordar conteúdos, exercitando o pensamento, dialogando e ampliando conhecimento já adquiridos e construindo, assim, novas situações de aprendizagem

Castellar (2007) considera que ensinar Geografia e com esta a Cartografia Escolar (grifo nosso) é mais do que passar informação ou dar conteúdos desconectados, é articular o conhecimento geográfico e cartográfico na dimensão do físico e do humano, superando as dicotomias, utilizando a linguagem cartográfica com o intuito de valorizar a Geografia como disciplina escolar, é tronar a Geografia escolar significativa com a finalidade de compreender e relacionar os fenômenos estudados (CASTELLAR, 2007, p. 49).


O LUGAR E SUA CARTOGRAFIA

Para quem trabalha a Geografia na sala de aula, é quase um consenso a relevância de se estudar a localidade, a realidade dos alunos no entorno da escola no Ensino Fundamental, através de uma metodologia que venha ao encontro de teorias e/ou conceitos nos quais os conteúdos sejam sistematizados de acordo com o estágio escolar dos alunos de 1º ao 9º ano do Ensino Fundamental.

A importância do estudo da localidade vem sendo repensada por boa parte dos professores da Geografia, por diversos pesquisadores e exposta em documentos oficiais, voltados para o ensino da Geografia, como os Parâmetros Curriculares Nacionais – PCN's- e também no Currículo de Geografia da SEE/SP.

Estudar o espaço local, concatenado à sua historicidade e ao seu ambiente, é o mesmo que relacioná-lo aos “temas transversais” como sugere os PCN's, visto que o estudo da localidade oportuniza ao professor realizar trabalhos interdisciplinares, como registra o documento acima citado: “A Geografia, ao pretender o estudo dos lugares, suas paisagens e território, tem buscado um trabalho interdisciplinar, lançando mão de outras fontes de informações” (BRASIL, 1997, p. 117).

Ainda podemos contar com mais uma contribuição importante do documento oficial citado, quando nos confirma que “a Geografia tem, entre seus objetivos, reconhecer nas paisagens locais e no lugar em que se encontram inseridas as diferentes manifestações da natureza e a apropriação e transformação dela pela ação de sua coletividade, de seu grupo social” (BRASIL,1997, p. 130).

Relevantes contribuições temos encontrado no meio daquelas que nos direcionariam à fundamentação teórica para nossa dissertação, ao desenvolvimento e à produção de materiais didáticos, para o estudo do lugar, como os Atlas escolares municipais, por exemplo.

Ao se pretender estudar o lugar, onde se dá maior ênfase às experiências vividas pelos alunos, à observação e também à análise de conceitos sistematizados pela Geografia mais próxima dos alunos, pode-se perceber um avanço de qualidade na formação do sujeito em interação com seu cotidiano escolar.

Para ilustrar com maior clareza essa ideia, transcrevemos abaixo uma contribuição importante de Callai (2008) assinalando-nos que:


Compreender o lugar em que vive, permite ao sujeito conhecer a sua história e conseguir entender as coisas que ali acontecem. Nenhum lugar é neutro, pelo contrário, é repleto de história e com pessoas historicamente situadas num tempo e num espaço, que pode ser o recorte de um espaço maior, mas por hipótese alguma é isolado, independente. "Cada lugar é, ao mesmo tempo, objeto de uma razão global e de uma razão local, convivendo dialeticamente". (Santos, 1996, p. 273). Do entendimento desta relação, dos movimentos que são contraditórios, inclusive, encaminha-se à compreensão do mundo. Estudar o lugar, portanto, passa a ser um desafio constante para as nossas aulas de Geografia (CALLAI, 2008, p.86-87).

O aluno deve ir aos poucos, observando, refletindo e representando inclusive o espaço estudado, seu lugar de vivência, pois, ao ter a necessidade de fazer mapas, o aluno não precisa conhecer todos os existentes, mas, buscar experiências que o encaminhem a compreender a realidade em que ele se situa e participa de sua construção.

À luz de algumas contribuições mais recentes, percebemos que tratar de temas referentes ao lugar de vivência dos alunos, requer um trabalho da parte do professor, que ao fazer parcerias, buscando novos conhecimentos, possa trazer para a sala de aula questionamentos que envolvam conhecimentos significativos para os alunos. Esses conhecimentos devem perpassar o universo geral das áreas do saber, pois é de fundamental importância o envolvimento dos alunos e dos professores na participação coletiva.
UM EXEMPLO DE TRABALHO EM COLABORAÇÃO

O Atlas Escolar Municipal de Itapeva – SP: algumas colocações


Para a elaboração do Atlas Municipal de Itapeva, entre outros assuntos foram construídos alguns mapas temáticos inéditos para o lugar. Os temas selecionados pela pesquisadora (SANTOS, 2007) e o orientador do mestrado Prof. Dr. Marcello Martinelli – FFLCH – Geografia – USP procuraram contemplar as necessidades apontadas por professores de Geografia através de entrevistas realizadas em Orientações Técnicas ofertadas pela Diretoria de Ensino de Itapeva/SP, à época.

Apresentaremos alguns mapas temáticos elaborados para o lugar, após as referências bibliográficas deste trabalho, que virão como anexo.

Para fundamentar o estudo sobre o lugar–"O município de Itapeva"– recorreu-se inicialmente, à contribuição de Callai (2000). Ela nos convida a refletir que “muitas vezes sabemos coisas do mundo, admiramos paisagens maravilhosas, nos deslumbramos por cidades distantes, temos informações de acontecimentos exóticos ou interessantes de vários lugares que nos impressionam, mas não sabemos o que existe e o que está acontecendo no lugar em que vivemos” (CALLAI, 2000, p.85).

Além dos mapas temáticos, o trabalho complementa-se também de imagens antigas, fotos recentes do lugar, bem como contribuições de artista do lugar, na tentativa de mostrar ao leitor do Atlas, as diferentes formas de se apresentar o município.

De acordo com Martinelli (1984):

Os Atlas reúnem de maneira cômoda, num único conjunto ou volume, uma série de mapas, convenientemente organizados e ordenados, com o fim de colocar à disposição do usuário informações atinentes aos aspectos de dimensão temporo-espacial dos fenômenos, cuja especificidade e profundidade variam de acordo com os propósitos conferidos a cada tipo de Atlas (MARTINELII, 1984, p.11).


Para Santos (1996) “Cada lugar é, à sua maneira, o mundo (...). A história concreta do novo tempo repõe a questão do lugar numa posição central”. Assim, entendemos também que a globalização e a localização, fragmentando o espaço, exigem que se pense dialeticamente esta relação. Pois pensamos que estudar e compreender o lugar, através da Geografia, significa entender o que acontece no espaço onde se vive para além das suas condições naturais e humanas (SANTOS, 1996, p. 152 In: CALLAI, 2008, 86).

Muitas vezes as explicações podem estar fora, do âmbito local, sendo necessário buscar motivos tanto internos quanto externos para se compreender o que acontece em cada lugar, suas condições e conexões com o mundo.

Ao trabalharmos as questões municipais, temos que ter em mente que o espaço do município foi historicamente produzido por pessoas que ali residiam, trabalhavam, estudavam, criavam cultura, etc, e que assim se repete constantemente. Além de levarmos em conta também, que este está diretamente ligado a outros lugares geográficos, e que muitos dos acontecimentos ali havidos podem estar relacionados a motivações vindas de lugares próximos ou distantes.
RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os primeiros resultados analisados a partir de encontros e cursos realizados com professores das séries iniciais do Ciclo I, bem como alguns do Ciclo II do Ensino Fundamental, apontam que muitos apresentam dificuldades para o desenvolvimento de atividades com sequências didáticas específicas com o uso de Atlas Escolares Municipais, devido ao desconhecimento sobre conceitos cartográficos elementares e necessários para a leitura e elaboração de mapas, como as noções sobre escala, legenda, orientação, plano de visão e representação gráfica, notamos também que o uso de mapas na escola está ainda muito preso como um material ilustrativo que pouco serve para explicar e informar fenômenos geográficos da realidade próxima.

Estamos percebendo também que apesar das dificuldades dos professores com elementos cartográficos, as temáticas dos mapas municipais e o consequente estudo da localidade e município têm favorecido para um processo de ensino e aprendizagem mais significativo, já que se trata de aspectos do lugar vivido pelos alunos e professores, mesmo com as dificuldades com os elementos cartográficos, os docentes apresentam identificação com o lugar que ensina isto se configura como um saber valioso para o professor no processo de ensino sobre o município, um conhecimento que se constrói através da experiência vivida no lugar.
CONSIDERAÇÕES FINAIS

Consideramos que há urgência em que se disponibilizem para os alunos do Ensino Fundamental, especialmente das séries iniciais, recursos didáticos que tratem das questões locais, como o Atlas Escolar Municipal, por exemplo, para que se oportunize através das aulas ou projetos interdisciplinares, desenvolver-se o verdadeiro processo de Alfabetização Cartográfica, utilizando-se de informações e atividades que envolvam como referencial a lateralidade, as dimensões topológicas elementares, projetivas e euclidianas, as variáveis visuais, etc., e assim, possam caminhar para iniciação cartográfica e possível leitura do espaço geográfico local representado, seja num mapa, numa maquete, num croqui, ou em qualquer outro recurso visual. Pensamos que ainda faltam muitos detalhes a considerar a respeito da produção do Atlas Escolar, porém acreditamos que aos poucos, seja através de um artigo, uma apresentação em Encontros, Colóquios, Congressos e Seminários que tratem do tema, em HTPCs – Horas de Trabalho Pedagógico Coletivo- e Orientações Técnicas aos professores, construiremos um canal de comunicação que envolva os mais diversos interessados em pesquisar e aplicar conhecimentos cartográficos junto aos alunos durante toda a Educação Inicial até o término da Educação Básica.

Uma certeza nos conforta e anima, é o fato de sabermos que existem muitos professores que têm interesse em desenvolver um trabalho significativo em sala de aula, além de aprender muito com esse tipo de pesquisa.

Portanto, fica aqui uma abertura para que futuros trabalhos venham a ser realizados com o intuito de complementar esta pesquisa, que aqui tem somente a intenção de contribuir com estudos sobre o lugar, sem, porém esgotar o assunto, mesmo por que, a Geografia, a História, as Ciências, a Arte ou qualquer outra área do conhecimento, jamais se esgotarão em suas essências e ciências.


AGRADECIMENTOS
Aos colegas do grupo 52 do curso de especialização em Geografia do REDEFOR/2010, bem como a todas e todos que conseguiram chegar até o final do curso com dificuldades de toda ordem, seja da parte técnica em lidar com a máquina computador e o ambiente da plataforma do curso, além da corrida contra o tempo tanto para estudar e trabalhar, quanto para estudar e cuidar da casa e da família. Não foi fácil, mas penso que valeu a persistência, pois acredito sempre que todo o desafio que nos chega deve ser experimentado.

A realização deste trabalho só foi possível graças à colaboração direta de muitas pessoas. Manifestamos nossa gratidão a todas elas e de forma particular a todos os tutores do curso de Especialização do REDEFOR/2010.

ABSTRACT

This paper discusses briefly about the importance of teaching materials mapping that shows the characteristics of the place where one lives, since we know that there are few school atlas designed especially for searches where the students live. Many researchers interested in studies of cartographic literacy with children in lower grades have been preoccupied with preparing teaching materials to develop notions of proportion, scale, location, direction, representation and legend, these notions articulated that contribute to the construction of geographical knowledge mapping of the student, helping them with reading comprehension of maps, landscapes and the reality they live. Although we recognize the contributions of major authors of textbooks and school atlas, we still lack something very important to complement a very important part of literacy geographic cartographic Atlas Hall. In this sense, we aim to discuss some contributions, already contributing greatly to catch some useful discussion on the mapping of the place. Among the work carried out is a very significant here that this course participants will seek to contribute to the discussion, with some topics covered in ATLAS OF MUNICIPAL ITAPEVA-SP, part of the final product of MA thesis, undertaken at FFLCH- Human Geography-USP completed in 2007.


Keywords: School Atlas, Cartographic Literacy, School Geography, Atlas City Itapeva (SP), Educational Practice.
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AneXOs
Os mapas a seguir foram selecionados entre outros que compõem a parte dos mapas temáticos do ATLAS ESCOLAR MUNICIPAL DE ITAPEVA-SP.

1- Mapa Político

2- mAPA tURÍSTICO




3- mAPA DA vEGETAÇÃO

4- mAPA DO rELEVO

5- mAPA DE GEOLOGIA E RECURSOS MINERAIS



6- Mapa de Uso e cobertura da terra




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