Atos do governo do poder executivo



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PREFEITURA DE JUIZ DE FORA
DIÁRIO OFICIAL ELETRÔNICO DO MUNICÍPIO DE JUIZ DE FORA
ATOS DO GOVERNO DO PODER EXECUTIVO

ANEXO ÚNICO
PLANO MUNICIPAL DE CULTURA DE JUIZ DE FORA - PLANO DECENAL - VIGÊNCIA 2013-2023 – SUMÁRIO - 1. JUIZ DE FORA E O PLANO MUNICIPAL DE CULTURA; 2. TEXTO SUPERINTENDENTE DA FUNALFA; 3. TEXTO PRESIDENTE DO CONSELHO; 4. O PROCESSO DE ELABORAÇÃO DO PMC; 5. INTRODUÇÃO; 6. HISTÓRICO DA CULTURA EM JUIZ DE FORA; 6.1. Um recorte das origens até a metade do século XX; 6.2. Cultura e Cidade: breves reflexões sobre a identidade juiz-forana (1950/2010); 6.3. O papel do poder público na promoção da cultura; 6.4. Instituições ampliam acesso à formação e fruição cultural; 7. DIRETRIZES PRIORITÁRIAS PARA A CULTURA DE JUIZ DE FORA; 8. DIRETRIZES GERAIS DO PLANO MUNICIPAL DE CULTURA; 9. ARTES CÊNICAS; 9.1 Histórico; 9.2 Diagnóstico; 9.3 Diretrizes; 10. ARTES PLÁSTICAS; 10.1 Histórico; 10.2 Diagnóstico; 10.3 Diretrizes; 11. AUDIOVISUAL; 11.1 Histórico; 11.2 Diagnóstico; 11.3 Diretrizes; 12. CARNAVAL; 12.1 Histórico; 12.2 Diagnóstico; 12.3 Diretrizes; 13. CULTURA POPULAR; 13.1 Histórico; 13.2 Diagnóstico; 13.3 Diretrizes; 14. ETNIAS; 14.1 Histórico; 14.2 Diagnóstico; 14.3 Diretrizes; 15. LITERATURA; 15.1 Histórico; 15.2 Diagnóstico; 15.3 Diretrizes; 16. MÚSICA; 16.1 Histórico; 16.2 Diagnóstico; 16.3 Diretrizes; 17. PATRIMÔNIO; 17.1 Histórico; 17.2 Diagnóstico; 17.3 Diretrizes; 18. FICHA TÉCNICA.

1. JUIZ DE FORA E O PLANO MUNICIPAL DE CULTURA - Traçar um plano de ação é o ponto de partida para o sucesso de qualquer empreitada e se faz ainda mais necessário quando os objetivos envolvidos são múltiplos. Juiz de Fora é palco de diversas manifestações culturais e é indispensável que o Poder Público acompanhe esse crescimento para projetar a cidade no cenário nacional e melhorar a qualidade de vida da população. É por meio da FUNALFA que a Prefeitura de Juiz de Fora executa e amplia o investimento nos diferentes campos culturais aqui presentes. Com o objetivo de incentivar o setor de forma planejada, surge o Plano Municipal de Cultura (PMC). Respeitando as características inovadoras da cena cultural juiz-forana, o PMC tem como meta criar instrumentos que possibilitem o planejamento, a formação e a execução dos pontos ressaltados e será indispensável para garantir o sucesso deste trabalho. Com a intensa atuação do Conselho Municipal de Cultura (CONCULT), parceiro eficaz na construção deste documento, apontam-se aqui diretrizes para a cultura no município. É perceptível o avanço local em diversos setores, como é o caso dos investimentos possibilitados através da Lei Municipal Murilo Mendes de Incentivo à Cultura, que valoriza e patrocina o artista de nossa cidade. O PMC vai além de um plano estratégico. O documento também possibilita que Juiz de Fora integre o Sistema Nacional de Cultura (SNC), gerando novas formas de financiamento e garantindo a continuidade das políticas públicas. O Plano atuará como regulador municipal, uma vez que a normatização dos processos tem sido o principal foco do Ministério da Cultura. Além disso, deixa o município apto a estabelecer o seu Sistema Municipal de Cultura, um dos nossos próximos passos, e, assim, integrar o SNC, participando e colaborando com a construção sistêmica dos processos no país, com especial foco na ampliação e na democratização do acesso à cultura e aos bens culturais para toda a população brasileira. A tradição de Juiz de Fora, somada aos incentivos municipais, estaduais e federais, reforça o valor da nossa cultura e comprova que o município está pronto para estabelecer políticas públicas que favoreçam a manutenção e a valorização das tradições culturais e também possibilitem a visão de novos caminhos, estimulando a experimentação e a inovação dos processos artísticos, além de fornecer a todo cidadão o pleno exercício de seus direitos culturais. Bruno Siqueira - Prefeito de Juiz de Fora.

2. UM PLANO PARA UMA CIDADE - As diversas realidades existentes dentro do território que define um município nos faz compreender que existem várias cidades dentro daquela que se supõe uma. As marcas geográficas, de ocupação urbana, as memórias, os hábitos, os costumes, as expectativas e as manifestações simbólicas não são iguais nas várias regiões da cidade. Mesmo nos bairros, vizinhos, ou não, é possível se perceber características muito específicas. Assim a cidade se apresenta como um mosaico onde texturas, tons diferenciados dão a falsa impressão de um todo uniforme, mas um olhar, mas apurado, facilmente identificará que esse todo só existe sustentado por uma junção frágil de partes que às vezes parecem não combinar entre si, mas que a dinâmica da cidade cuida de harmonizá-las como numa obra de Gaudi. Para se pensar um plano, qualquer que seja ele, é necessário que antes ou durante o processo de sua elaboração esteja definido onde se quer chegar, como se quer chegar e em que tempo isso se dará. É como planejar e desenhar uma rota. A tarefa se torna mais complexa quando se trata de um plano para uma cidade de mais de meio milhão de habitantes e se complica mais ainda quando o tema desse plano é a cultura, por natureza plural e múltipla. Aqui há de se pensar na tradição, na preservação, na educação patrimonial, no patrimônio, nas pesquisas de linguagem, nas novas linguagens, na tecnologia, na formação, na inovação, na formação de públicos e plateias, na cadeia produtiva da cultura, no erudito, no popular, no global e no local... A tarefa de elaborar um plano municipal de cultura para Juiz de Fora foi compreendida e assumida pelo Conselho Municipal de Cultura (CONCULT) que tentou incentivar a participação da sociedade civil através dos diversos fóruns das linguagens e áreas artísticas e culturais. Durante quase dois anos os membros do CONCULT se reuniram para, a partir dos levantamentos coordenados pelos conselheiros de cultura de cada uma das áreas neste conselho representadas, fosse construído um plano que atendesse às diversas demandas apontadas, que dificuldades fossem superadas, e novos caminhos fossem apontados. No plano que se materializa estão presentes as indicações da sociedade e também dos artistas, produtores e agentes culturais. As vozes de cada um dos grupos e setores representativos na cultura de Juiz de Fora e suas peculiaridades foram consideradas e na medida do possível incorporadas ao documento. Esse não é um processo separado e sem articulação com o todo. Ele se inicia com a Primeira Conferência de Cultura em 2004 onde pela primeira vez se sistematiza de forma democrática as indicações da sociedade com relação à cultura da cidade. O processo de construção democrática se segue com a construção do Conselho Municipal de Cultura (CONCULT), sua institucionalização e vivência. Prossegue na eleição direta para os membros representantes da sociedade civil deste conselho e se fortalece com sua efetivação prática. A realização da Segunda Conferência Municipal de Cultura em 2009 oferece mais subsídios, informações e indicações sobre as carências, hiatos e problemas cenário cultural de Juiz de Fora e aponta direções na busca de soluções construídas coletivamente. Também foram consideradas na elaboração do Plano Municipal de Cultura as indicações da cidade para as conferências estaduais e nacionais de cultura que aconteceram na sequência das conferências municipais em um processo sistêmico proposto pelo Ministério da Cultura. Encampando e não recusando as indicações construídas em duas diferentes administrações municipais o CONCULT coordena um processo que propõe construir uma política de estado e, não de governo, para a cultura local. Imbuídos da certeza de que um longo caminho deve ser percorrido e, que, as descontinuidades, nefasta prática muito frequente na condução política brasileira em nada pode auxiliar o processo que se pretende instituir. Com a conclusão de mais essa etapa, o município de Juiz de Fora fica muito próximo da formalização de seu Sistema Municipal de Cultura e de integrar ao Sistema Nacional de Cultura e assim a cidade estará apta a participar de uma política cultural em nível nacional. Um trabalho de rede onde os avanços obtidos pelos diversos entes federados ligados a esse sistema poderá beneficiar ao todo e as partes e assim vivenciar novos tempos para a cultura na cidade e no País. Toninho Dutra - Superintendente da FUNALFA e Presidente do Conselho Municipal de Cultura.

3. COMPARTILHAR A CULTURA - No bojo da elaboração deste Plano Municipal de Cultura e, antes disso, da própria criação do Conselho Municipal de Cultura, está o conceito de compartilhar. Foi a partir do desejo de “ter ou tomar parte em; participar de”, como define o Dicionário do Aurélio Buarque de Hollanda, que, em 2005, membros da cena cultural juizforana se reuniram para iniciar o processo que culminou na criação do Conselho Municipal de Cultura em 2007. Tinham como objetivo criar um espaço efetivo de participação na gestão da cultura em nosso município. A necessidade desse compartilhamento para o sucesso na realização de políticas de Estado permeia todo o texto da própria Constituição Federal de 1988, que - no que diz respeito mais especificamente ao campo da produção, da promoção e da preservação cultural - afirma que deve haver colaboração entre os diversos níveis do Poder Público e da sociedade civil. Essa ideia de uma gestão compartilhada da cultura é o fio condutor do próprio Sistema Nacional de Cultura (SNC). Como diz João Roberto Peixe, em texto introdutório do documento-base do SNC: “O Sistema Nacional de Cultura é, sem dúvida, o instrumento mais eficaz para responder a esses desafios através de uma gestão articulada e compartilhada entre Estado e Sociedade, seja integrando os três níveis de governo para uma atuação pactuada, planejada e complementar, seja democratizando os processos decisórios intra e intergovernos e, principalmente, garantindo a participação da sociedade de forma permanente e institucionalizada”. Esse Sistema, por sua vez, tem como estruturantes, no nível municipal, cinco componentes básicos: o Órgão Gestor, o Sistema Municipal de Financiamento à Cultura, a Conferência Municipal de Cultura, o Conselho Municipal de Cultura e o próprio Plano Municipal de Cultura. A elaboração do Plano Municipal de Cultura inicia-se logo nas primeiras reuniões do Conselho, demonstrando a importância que esse planejamento assume, tanto para os membros da sociedade civil quanto para aqueles do Poder Público, para o bom desenvolvimento da cultura em nosso município. Nesse sentido, os diversos representantes das áreas que integram o CONCULT são mobilizados em seus respectivos fóruns, tornando assim possível uma maior participação da sociedade em sua realização. O processo de confecção do Plano evidencia, em si, as novas condições que se colocam para a própria elaboração e gestão da política cultural em nosso município, no qual se percebe a necessidade da efetiva participação cotidiana da sociedade em todas as instâncias para que esta política, realizada de forma democrática e inclusiva, traduza toda a riqueza e diversidade dos nossos saberes e fazeres culturais, pois a cultura em si, por definição, é uma produção coletiva e, portanto, só possível de ser realizada e preservada de forma compartilhada. A existência do Conselho Municipal e de um Plano como esse que mapeia as condições culturais do nosso Município e aponta quais os rumos que podemos, e necessitamos, tomar para o saudável e bem-sucedido desenvolvimento destas auxilia decisivamente na própria afirmação da cidadania, enquanto condição de participação efetiva do habitante de um lugar na produção cotidiana deste. São, portanto, essas experiência conhecimentos, necessidades. Possibilidades e esperanças expressas no texto do Plano Municipal de Cultura que desejamos, enfim, compartilhar com todos, com a expectativa de contribuirmos para a construção de uma Juiz de Fora cada vez mais democrática, justa e solidária. Marcos Olender - Conselheiro Municipal de Cultura - Área – Patrimônio.

4. O PROCESSO DE ELABORAÇÃO DO PMC - As discussões sobre o Plano Municipal de Cultura (PMC) no Conselho Municipal de Cultura (CONCULT) foram iniciadas em outubro de 2009. Já no ano seguinte, foram apresentadas detalhadamente aos conselheiros as orientações para a realização dos fóruns artísticos. A proposta para esses encontros era ouvir artistas, produtores e demais pessoas ligadas a cada um dos segmentos artísticos que compõem o conselho para a elaboração do histórico, do diagnóstico e das diretrizes de cada uma das áreas artísticas. Após muitos debates, chegou-se à estrutura - histórico/diagnóstico/diretrizes - tendo em vista que ela contemplaria um pouco da trajetória de cada manifestação artística na cidade, sua situação atual e as reivindicações dos integrantes de cada setor. A opção por esse modelo de documento também atendia à recomendação do Ministério da Cultura - MINC em responder às seguintes perguntas durante a elaboração dos planos municipais de cultura: “como estamos”, “onde queremos chegar” e “como fazer para chegar lá”. A esse trinômio, o CONCULT decidiu acrescentar “quem somos” (histórico), por considerar importante contar brevemente a trajetória de cada segmento artístico no município. Assim como em todo processo democrático de construção coletiva, a realização do PMC não se constituiu uma tarefa fácil. Os representantes das áreas tiveram dificuldades em reunir seus pares nos fóruns artísticos, e alguns tiveram que elaborar seus documentos com um número não tão expressivo de participantes, uma vez que se constatou a indisponibilidade de muitos em colaborar no processo. Passados alguns meses e vencida a etapa da entrega dos documentos contendo o histórico, o diagnóstico e as diretrizes de cada área, a Comissão do PMC, formada por membros do CONCULT e funcionários da FUNALFA, dedicou-se à leitura conjunta dos textos, constatando que, mesmo após várias orientações, alguns deles precisavam ser reformulados. Sendo assim, alguns conselheiros conseguiram reescrever sua parte com seus pares. Já para outras áreas, foi necessário contar com a colaboração de acadêmicos e pesquisadores para o enriquecimento dos textos. Após as reformulações feitas pelos conselheiros e colaboradores, todos os textos passaram por uma redação final. E, já caminhando para as últimas etapas de elaboração do plano, foi feita uma leitura conjunta dos textos das áreas artísticas com os conselheiros do CONCULT. Da mesma forma, foi realizada a apresentação do formato final das diretrizes gerais - documento construído a partir das indicações apontadas pela Superintendência da Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage (FUNALFA) para a gestão do órgão (administração 2009-2012), das diretrizes das conferências intermunicipal, municipal, estaduais e nacionais que se aplicavam ao documento, assim como das colaborações feitas pelos próprios conselheiros. Para completar a estrutura do plano com o objetivo de torná-lo um relato, mesmo que em poucas páginas, sobre a cultura no município, contou-se com a vivência e a pesquisa dos jornalistas Ismair Zaghetto e Christina Musse, que aceitaram o convite do Conselho e escreveram, respectivamente, “Breve história da cultura em Juiz de Fora - Um recorte das origens até a metade do século XX” e “Cultura e Cidade - breves reflexões sobre a identidade juiz-forana (1950-2010)”. Constatou-se, ainda, a necessidade de se falar mais detalhadamente sobre a ação do Poder Público na cultura, assim como a contribuição de instituições e entidades culturais do município na movimentação e construção histórica da cena cultural juiz-forana. Enfim, se compararmos a elaboração do PMC à montagem de um quebra-cabeças, vamos constatar que esse documento foi construído a partir da união de vários pensamentos, que formaram suas peças. Algumas dessas peças precisaram ser mais lapidadas que outras para se encaixarem perfeitamente no conjunto. E, dessa forma, foi elaborado o Plano Municipal de Cultura de Juiz de Fora, trabalho que exigiu um empenho maior de um grupo para o bem de toda uma coletividade. Adriana Abrantes - Secretária Executiva do CONCULT.

5. INTRODUÇÃO - Os Planos Municipais, Estaduais e Nacional de Cultura são peças fundamentais para a consolidação das políticas públicas do setor como políticas de Estado, no processo de implementação do Sistema Nacional de Cultura. Um movimento que vem no intuito de viabilizar e estruturar os meandros necessários para a garantia do direito do cidadão previsto pelo artigo 215 da Constituição Federal de 1988. Em vista de uma necessidade de entender os anseios da cultura nos dias atuais, o Sistema Nacional de Cultura não só busca um diagnóstico, mas também estratégias a serem traçadas, a fim de viabilizar os instrumentos eficazes para a gestão da cultura em nosso país. O Plano Municipal de Cultura de Juiz de Fora é o resultado do encontro da sociedade civil e do Poder Público e retrata a realidade e os anseios do município; e é a partir desse processo que se busca estabelecer uma política pública de cultura de qualidade, estimulando e assegurando a potencialidade de nossa cidade. Ter essa ferramenta estruturada e bem costurada é a garantia de um tempo à frente repleto de estímulos e resultados voltados para os artistas, apreciadores da arte, e a sociedade. O Plano Municipal de Cultura é um plano decenal, que tem seu período de vigência estabelecido de 2013 a 2023. Durante este período pretende-se parcial ou totalmente alcançar as metas coletivamente estabelecidas, sejam elas gerais ou específicas de cada uma das áreas culturais e artísticas na cidade. Elaborado pelo Conselho Municipal de Cultura (CONCULT), o presente Plano surge das diretrizes decorridas da Primeira Conferência Intermunicipal de Cultura de Juiz de Fora e da Primeira Conferência Municipal de Cultura de Juiz de Fora. Através dos Fóruns Permanentes de cada uma das áreas artísticas da sociedade civil integrantes do CONCULT, foi possível levantar os diagnósticos, as diretrizes e as ações para formular os parâmetros utilizados pela Comissão, eleita em pleito do Conselho, para a elaboração deste documento. O Plano terá importante papel no processo decisório da Cultura, e todos os setores envolvidos contribuíram de forma positiva para a qualidade da política cultural da cidade, o que permitirá que a sociedade participe efetivamente das ações culturais no município. O Plano Municipal de Cultura contribuirá para a continuidade do processo cultural de nossa cidade, uma vez que aponta para uma Política de Estado referendada pela Câmara Municipal, com o respaldo dos setores artísticos de Juiz de Fora e ultrapassando qualquer política de Governo em vigor. Emília Sandra Barcelos (Sandra Emília) - Conselheira Municipal de Cultura - Área - Artes Cênicas. Jorge Sanglard - Conselheiro Municipal de Cultura - Área – Literatura. Alfredo Braga da Cunha Jr. (Fred Fonseca) - Conselheiro Municipal de Cultura - Área – Música.

6. HISTÓRICO DA CULTURA EM JUIZ DE FORA - 6.1. Um recorte das origens até a metade do século XX - Onde bate o ritmo das primeiras manifestações artísticas de Juiz de Fora? No tropel dos burros transportando grãos de café, no retinir das ferramentas que abrem a União e Indústria ou no tac-tá-tac-tá das marias-fumaças da Estrada de Ferro Dom Pedro II, que chegam largando brasa e levando nossos produtos para o Rio de Janeiro? Ele bate em tudo isso e, pouco depois, no plac-plac dos teares ingleses trazidos por Bernardo Mascarenhas e nos tamancos dos operários que demandam nossas fábricas e produzem as riquezas que contribuem para que tenhamos as condições necessárias a um destacado polo de artistas e intelectuais. Com vida própria, que escapou da influência de centros barrocos, como Ouro Preto, Mariana e São João del-Rei, o município respirou outros ares e buscou caminhos mais abertos e diversificados. Pesquisadores e historiadores podem divergir em questões de datas e natureza de eventos, mas são unânimes em ligar essa efervescência cultural às possibilidades oriundas da industrialização. Como a professora Mônica Ribeiro de Oliveira, da Universidade Federal de Juiz de Fora - UFJF, que, em seu livro Juiz de Fora: Vivendo a História, à pág. 78, assegura: “Juiz de Fora, cidade do século XIX, em estreita vinculação com o dinamismo do Rio de Janeiro, não participou da cultura colonial mineira. Seu desenvolvimento industrial, pautado pela modernização capitalista, trouxe para a cidade, além do apito das fábricas e da luz elétrica, o desejo de civilizar-se nos moldes dos centros europeus. Seus teatros, cinemas, jornais, colégios e a intensa atividade literária refletiam a vontade de criar uma nova imagem para a cidade, fugindo à tradição escravista”. Essa relação “mais espiritual” com o Rio de Janeiro despe-nos de uma alma mineira e acentua-se nos costumes e, principalmente, nas manifestações artísticas. A expressão “desejo de civilizar-se nos moldes europeus”, utilizada pela professora Mônica, remete-nos ao texto “Murilo Mendes: registros de uma belle époque”, da professora Terezinha Vânia Zimbrão da Silva, também da UFJF, para o livro Juiz de Fora - história, texto e imagem, coletânea de FUNALFA Edições, organizada pelos professores José Alberto Pinho Neves, Ignácio José Godinho Delgado e Mônica Ribeiro de Oliveira, no qual ela reproduz a expressão de Murilo: “Decididamente, Juiz de Fora civiliza-se”, integrante de uma de suas famosas “Chronicas Mundanas”, publicadas pelo jornal A Tarde. A professora vai adiante, lembrando que “Civilizar”, no Brasil de 1920, ainda significava “europeizar”, e que “... assim é a frequência desta sociedade a programas como teatros, concertos, óperas, estréias no cinematógrafo, exposições artísticas, lançamentos de livros - freqüência considerada como sinal de sofisticação de valores culturais - que sobretudo o cronista Murilo Mendes registra”. Nessa mesma coletânea, João Guimarães Vieira, jornalista, artista plástico e professor de História da Arte e de Fundamentos de Artes Visuais da Universidade Federal do Rio Janeiro, no artigo “A pintura em Juiz de Fora”, à pág. 166, vai lembrar que, “não obstante ser uma cidade essencialmente industrial, a ponto de ser cognominada de Manchester Mineira, e possuir por isso uma população na sua maioria constituída de operários, Juiz de Fora manteria, desde cedo, uma respeitável tradição cultural, evidenciada por numerosos e importantes colégios, pelos jornais que passaram a ser editados a partir de 1870, pela Confraria Literária Mineira, fundada em 1896, e pela Academia Mineira de Letras, instalada na cidade em 1909... É grande o número de poetas, jornalistas e educadores que ali trabalham no final do século XIX e início do século XX, alguns possuidores de indiscutível vocação literária, como Oscar da Gama e Belmiro Braga, e muitos com sólida cultura clássica, como é o caso de Estevão de Oliveira, que aos 21 anos era ainda analfabeto e aos 40 traduzia irrepreensivelmente Virgílio”. Dessa forma, o trem, a rodovia, a cafeicultura, a indústria, a vocação para um mundo mais cosmopolita, que naquele tempo era o Rio de Janeiro, e o inegável talento de um punhado de pessoas para as artes e as coisas do pensamento e do sonho plasmaram o corpo e o espírito de uma cidade que faria história na cultura do país. - Força literária - Não por acaso, a Academia Mineira de Letras foi fundada em Juiz de Fora. Grandes expoentes das letras não apenas mineiras, mas do país, aqui produziam obras de relevada expressão. É o caso, por exemplo, de Belmiro Braga (1870-1937), que, nos primeiros anos do século XX, era considerado “um dos maiores poetas líricos e satíricos do país”, como informa José Procópio Teixeira Filho em seu celebrado “Salvo erro ou omissão”. Ou ainda Machado Sobrinho, que integra, com o seu “No campo santo”, a Pequena Edição dos Sonetos Brasileiros, de Laudelino Freire, editada em 1º de junho de 1914, em Paris, pela F. Briguiet, ao lado dos mais notáveis poetas brasileiros daquele tempo. Belmiro Braga também integra essa edição. As redações dos jornais e os meios literários eram frequentados por nomes que deixaram marcos históricos pelo que produziram, como Estevão de Oliveira (1853-1926), José Rangel (1868-1940), Gilberto de Alencar (1866-1961), Dilermando Cruz (1879-1936), Heitor Guimarães (1868-1937), João Penido Filho (1862-1945), Francisco Valadares (1879-1933), Eduardo de Menezes Filho (1886-1958), também desembargador e Advogado Geral do Estado, Lindolfo Gomes (1875-1953), Phintias Guimarães (1902-1961) e Albino Esteves (1883-1950), autor, em 1915, do Álbum do Município de Juiz de Fora. Há que considerar, ainda, nomes que se tornaram referências nacionais e que produziram, em outras latitudes, obras notáveis, mesmo em outras profissões, como os médicos Pedro Nava (1903-1980), que se tornou o maior memorialista nacional, e Antônio da Silva Melo (1886-1973), eleito membro da Academia Brasileira de Letras ocupando a cadeira nº 19, ou ainda o modernista Murilo Mendes, que foi muito jovem para o Rio de Janeiro e mudou-se para a Europa, fixando residência na Itália e lecionando Literatura Brasileira na Universidade de Roma. Menção, igualmente, para a escritora Rachel Jardim, que nasceu em 1926, e cujo livro Os Anos 40: a ficção é o real de uma época é um achado valioso de pesquisa e história. Enfim, um conjunto que honra a tradição literária que Juiz de Fora consolidou na vida cultural do país. Os periódicos também se movimentaram em publicações que fizeram história na vida do município, como O Pharol, que foi fundado em Paraíba do Sul, no Estado do Rio de Janeiro, transferindo-se em 1868 para Juiz de Fora, onde circulou por 70 anos. O Diário Mercantil e o Diário da Tarde, integrantes dos Diários Associados, tiveram vida intensa e expressiva até 1983, quando encerraram suas atividades. Outros títulos de prestígio foram o Correio de Minas, Jornal do Commercio, Diário de Minas, O Dia, Gazeta Comercial, Gazeta de Juiz de Fora, Folha Mineira, Binômio, Jornal Sete, a revista O Lince e uma infinidade de outras publicações efêmeras, almanaques, revistas e boletins, além da PRB-3, Rádio Sociedade de Juiz de Fora, a primeira emissora de Minas Gerais, em 1926. - Nos palcos - Pesquisadores e estudiosos que mergulham na história do teatro em Juiz de Fora acordam que as “cavalhadas” nos circos de lonas e taquaras podem ter sido as primeiras manifestações da arte de representar entre nós. O JF On Line e o historiador Dormevilly Nóbrega (1921-2003), na já citada publicação Juiz de Fora: história, texto, imagem, apontam 1858 para o início da ocorrência desses eventos. Para este último, por outro lado, a primeira representação de amadores se deu em 1859, com o drama 29. Segundo o JF On Line, “quando Juiz de Fora ainda era um povoado, essas manifestações surgiam através de uma ação comunitária para a construção de uma igreja no vale e que programas sociais eram realizados no prédio ainda inacabado”. A mesma fonte diz que “o jornalista Albino Esteves (já citado), em sua obra, O Teatro em Juiz de Fora, assegura que a primeira peça teatral na cidade aconteceu na residência do Dr. Eduardo Augusto de Menezes (1857-1923)”. Dada a partida, locais de exibição se sucediam. O Barão da Bertioga, José Antônio da Silva Pinto (1801-1870), fundador da Santa Casa de Misericórdia em 1854 e construtor da Capela Senhor dos Passos, construiria, em 1862, o Teatro da Misericórdia, depois chamado “Teatro Perseverança”, que foi o primeiro de Juiz de Fora e o terceiro de Minas Gerais. Diz Dormevilly que o prédio, “embora deixasse a desejar, prestou bons serviços”. Outras casas foram erguidas: ‘Teatro Provisório’, ‘Teatro Juiz de Fora’, ‘Teatro Novelli’, ‘Teatro Polytheama’, ‘Teatro Moderno’, ‘Cine Teatro Popular’ (estes dois últimos fundados por João Gonçalves Carriço, pioneiro do cinedocumentarismo em Minas Gerais), ‘Cine Teatro Glória’ e dezenas de salões adaptados para esse fim”. Nas primeiras décadas do século XX, essas casas de espetáculos exibiam razoável movimentação para a época, graças principalmente aos grupos amadores que se formavam e, de certo modo, se desfaziam com a mesma intensidade. Eles tinham origem, principalmente nos colégios e, eventualmente, nas igrejas e nos meios religiosos. Peças teatrais, com elencos de outras cidades e outros espetáculos artísticos, notadamente de música, e geralmente amadores, também ocupavam esses espaços. As crônicas de época falavam no fazer teatral em circos e também no trabalho de companhias itinerantes. Dos grupos locais, o Masson Filho exibiu maior longevidade e consistência naquele recorte do século. A data de 30 de março de 1929 é reverenciada pelo mundo artístico da cidade pela inauguração do Cine-Theatro Central, projeto do arquiteto Raphael Arcuri (1891-1969), cujas obras haviam sido iniciadas em 1925 a cargo da Cia. Industrial e Construtora Pantaleone Arcuri. A decoração interna tem assinatura do pintor italiano Angelo Biggi, nascido em Roma em 1887 e chegado ao Brasil em 1907. Grandes nomes da dramaturgia nacional passaram pelo seu palco. Também montagens de ópera, inclusive internacionais, por lá se exibiram para públicos imensos. Proprietária do Cine-Theatro Central, posteriormente à Companhia Central de Diversões, a Companhia Franco Brasileira, manteve também uma rede de cinemas na cidade: o Glória, também na Halfeld, o Palace, um pouco mais abaixo, fazendo esquina com a Batista de Oliveira, e o São Luiz, na praça Dr. João Penido Filho. Em momentos simultâneos ou alternados, a cidade contou ainda, em seu histórico ciclo de cinemas, com o Popular, na avenida Getúlio Vargas, o Rex, em Mariano Procópio, o São Mateus, que pertenceu à Paróquia do mesmo nome, o Excelsior, na Avenida Rio Branco, próximo à Floriano Peixoto, o Paraíso, na parte alta da rua São Mateus, e o Veneza, na Avenida Rio Branco, entre a Espírito Santo e a Oscar Vidal. - Pintura e arquitetura - João Guimarães Vieira, já citado, faz, com seu talento de celebrado crítico de artes, um recorte de Juiz de Fora na transição dos séculos XIX e XX na mesma publicação Juiz de Fora: história, texto, imagem, lembrando que, não obstante o ambiente de grande agitação intelectual e de ser cognominada de Atenas Mineira por Artur Azevedo, “Juiz de Fora não teve na pintura muitos seguidores”. E prossegue: “Como atividade profissional, porém, o único a exercê-la no final do século foi Hipólito Caron. Tendo frequentado a Academia Imperial de Belas Artes, onde foi aluno de Jorge Grimm na classe de pintura de paisagismo, Caron iria aperfeiçoar-se com Harnoteau, em Paris, de onde regressaria com uma fatura mais livre e mesma palheta”. Diz Guimarães Vieira que, depois de pintar poéticos arredores de Paris, foi o Rio Paraibuna o tema predileto do artista, que morreu jovem, em 1892, com apenas 30 anos de idade. No mesmo artigo, o crítico destaca ainda César Turatti (1896-1937), que teve como alunos nomes do porte de Américo Rodrigues, Sylvio Aragão, Carlos Gonçalves e Edson Motta. Este último, presidente por muitos anos do Conselho de Amigos do Museu Mariano Procópio, mesmo quando já residia no Rio de Janeiro; foi considerado, por volta de 1980, o maior restaurador de pinturas do país. Era, nessa época, diretor-geral do Museu Nacional de Belas Artes. Menção é feita, ainda, ao pintor Heitor de Alencar (1908-1974), todos envolvidos na criação do Núcleo e mais tarde Sociedade de Belas Artes Antônio Parreiras, que teve, na visão de Guimarães Vieira, “um fantástico trabalho em favor das artes plásticas em Juiz de Fora”. O crítico faz coro com a professora Mônica Ribeiro de Oliveira ao lembrar que a arquitetura de Juiz de Fora não tem nada em comum com a arquitetura mineira baseada no colonial e no barroco. “Da arquitetura típica de Minas Gerais, apenas um ou outro sobrado da Avenida Rio Branco e o prédio da Fazenda Velha, ou Fazenda do Juiz de Fora, que o protesto dos intelectuais não impediu que fosse demolido nos anos 40”. Para a professora Mônica, até mesmo a arquitetura do final do século XIX “reflete a prosperidade econômica e cultural do município. O estilo eclético das construções permite a integração de várias manifestações arquitetônicas do passado, responsáveis por encontrarmos em nossa cidade construções que lembram castelos medievais, catedrais que imitam o gótico europeu ou a fachada de um templo grego. No final da primeira década do século XX, observamos também construções em estilo art nouveau, fácil de reconhecer graças ao uso de uma rica decoração nas fachadas das casas, predominando as linhas curvas, imitando fitas, flores...”. - A música, a dança, as bandas, as folias de reis - Localizar o primeiro momento musical de Juiz de Fora é difícil, senão impossível. Eles aconteceram em tantos lugares e, quem sabe, simultâneos. Como em outros segmentos das manifestações artísticas, a música tem presença forte no município, em suas raízes históricas e culturais. Para o pesquisador Dormevilly Nóbrega, já citado no também mencionado Juiz de Fora: história, texto, imagem, “a mais antiga notícia artística de Juiz de Fora data de 1846, quando o professor de música vocal e instrumental José Venâncio Justiniano Costa criou a sua ‘Companhia de Música’, no dia 14 de maio. E a arte musical floresceu, dando-nos artistas como Francisco Vale, Eugênio Fontainha, João Veloso, Euclides de Brito, Luiz Loretto, Sinfrônio e Carlos Faria, Carlos José Alves, Haidée França Americano, Alexandre Weismann, Duque Bicalho e tantos outros que criaram orquestras, bandas de música, e ensinaram várias gerações”. E são essas gerações que, ao longo daquele efervescente começo de século XX, possibilitaram a criação de instituições como a Sociedade Filarmônica de Juiz de Fora, o Conservatório Estadual de Música Haidée França Americano e outras instituições que sempre colocaram a música num valorizado espaço de criação e difusão no município, possibilitando contato com personalidades que trouxeram de longe sua arte musical, como o vienense Max Gefter (1901-1962), que foi, por muito tempo, maestro da Orquestra Filarmônica de Juiz de Fora. Mas não apenas de música erudita se fez essa caminhada musical. As manifestações populares sempre exibiram muita força. Em Juiz de Fora, por exemplo, foi fundada, em 1934, a primeira escola de samba de Minas Gerais, a Turunas do Riachuelo. Em História Recente da Música Popular Brasileira em Juiz de Fora, de 1977, os pesquisadores, críticos e historiadores Carlos Décio Mostaro, João Medeiros Filho e Roberto Medeiros vão mostrar essa evolução, lembrando que, em seguida, surgiu a Feliz Lembrança. Logo após o término da Segunda Guerra, em 1945, lembram-se de que “havia um forte anseio de revelar sentimentos, esperanças, e os compositores foram surgindo. Escolas de samba, blocos, ranchos, no cenário do carnaval, eram o meio natural onde esses anseios se manifestavam. E, por isso, começam a exibir nesse caminho a sua produção musical”. Outras escolas de samba, naquela época, vão pontilhar em nossas ruas, como Castelo de Ouro, Rivais no Samba, Partido Alto, cantando sambas de Alfredo Toschi, Ministrinho, Oceano Soares, Danilo Soares, Nilton Santos, o “Mestre Cocada”, Ernani Ciúffo, Paulinho Messias e muitos outros. Os Ranchos Carnavalescos também emolduraram, junto às escolas de samba, os desfiles de carnaval, exibindo marchas-ranchos compostas por valores locais. “Rouxinóis”, “Não Venhas Assim”, “Quem Pode Pode”, “Prazer das Morenas”... desfilando nas ruas Halfeld e Marechal, subindo por uma e descendo por outra. Só mais tarde (1966), os desfiles carnavalescos, já exigindo maior espaço, seriam deslocados para a Avenida Rio Branco. É interessante notar que, nesse período, as escolas não exibiam enredos nos desfiles. Seus sambas falavam de angústias e anseios pessoais. Haja vista o antológico “Ah se eu fosse feliz”, de Djalma de Carvalho, Juquita e B.O., da Feliz Lembrança. Os ranchos, sim, tinham histórias em seus desfiles. Se a música contribuía para o processo artístico da cidade, nas primeiras décadas do século XX, também a dança teve espaço significativo, embora menos difundido. Ela ficava mais restrita a colégios e grupos folclóricos. O final do século XIX e o início do século XX não exibiram instituições especializadas, mas esforços pontuais. O pesquisador Dormevilly conta, por exemplo, na coletânea Juiz de Fora: história, texto, imagem, o curioso caso do baiano Anacleto José de Sampaio, “que veio ensinar dança em Juiz de Fora, mas foi aproveitado pelo Governo provincial para o ensino das primeiras letras, diante da carência de professores nessa área”. Relatos pessoais fazem o recorte do processo, como o da professora Catarina (que alguns mencionavam como Caterina) Zelentizef, que ensinava dança clássica a crianças em sua residência, em uma chácara no Bom Pastor, no início da hoje Rua José Batista de Oliveira. Os primeiros passos de uma geração que faria sucesso em palcos maiores, no futuro, foram ensinados pela simpática e popular senhora, que seria russa para uns ou polonesa para outros. A esses relatos pontuais, a cidade assiste ao esforço de instituições de ensino que colocavam a dança em seus espaços como forma de valorizar a formação educacional. Presença, ainda na primeira metade do século, para grupos de dança formados por filhos de outras nacionalidades - como alemães e italianos - como forma de difundir culturas e valorizar idiomas. Registros históricos vão apontar para a Escola de Dança Anna Pavlova, fundada em 1949 pela professora de dança Maria do Carmo Carriço, como a primeira de Juiz de Fora. Natural do Rio de Janeiro, casar-se-ia em 1954 com Manoel Gonçalves Carriço (1916-1996), filho do pioneiro do cinedocumentarismo em Minas Gerais, João Gonçalves Carriço (1887-1959). Homenageada tantas vezes pelo seu trabalho pioneiro, D.ª Maria do Carmo Carriço tem, de fato, seu nome intimamente ligado ao ensino da dança em Juiz de Fora. Minas Gerais faz a melhor tradição brasileira das bandas de música. Assinalam os pesquisadores Nestor Sant`Anna e Guiomar Murta, em pesquisa On Line recente para a Corporação de Música São Gonçalo do Rio Abaixo, MG, que a primeira banda mineira elevou seus acordes em Mariana, em 1774, sob a batuta de Pedro Nolasco da Costa Athaide, “um senhor de avançada idade”. Informam ainda que “Minas Gerais tem 438 bandas de música, um terço de todas as existentes no Brasil.” Juiz de Fora, distante da cultura colonial e barroca, como já foi dito, e à sombra da qual floresceram as primeiras bandas mineiras, ainda assim exibiu essa manifestação de forma expressiva no tempo pesquisado. Presença ativa, por exemplo, em 1948, para a Banda de Música Tenente Januário, que tinha sede na Rua Manoel Bernardino, em São Mateus (e hoje tem sede própria na Rua do Carmelo, Bairro Paineiras), e para a Banda de Música do Sindicato da Construção (chamava-se exatamente assim), que tinha “sede provisória” num antigo prédio na rua Batista de Oliveira, ao lado da então Delegacia de Polícia, onde funcionavam sindicatos trabalhistas da cidade. Faltam registros para mencionar outras corporações, e o que foi assinalado sobre essas duas corresponde a uma experiência pessoal do autor deste texto, que foi aluno na primeira e músico na segunda. Com o advento da Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage (FUNALFA), as bandas foram pesquisadas, catalogadas e participaram, inclusive, de festivais conjuntos no Centro da cidade e no parque do Museu Mariano Procópio. Periféricas, e nem por isso sem importância para o registro cultural da terra, são as Folias de Reis. Desfilando distantes dos centros urbanos - por tradição ou por impedimento formal -, cumpriam sua destinação religiosa entre o Natal e o Dia de Reis, a 6 de janeiro. Essa distância e a ausência de divulgação, em tempos de comunicação social limitada, comprometem a possibilidade de registros históricos confiáveis. Como ocorre com as bandas de música, só bem mais tarde, com o advento da FUNALFA, essas manifestações artístico-religiosas passaram a ser pesquisadas, incentivadas e divulgadas. O Encontro de Folias de Reis, realizado anualmente no município, é demonstrativo dessa louvável preocupação. - Museu e os filmes de João Carriço - As culturalmente riquíssimas primeiras décadas do século XX vão também presenciar outros fatos de especial relevância, como a formação e a criação do Museu Mariano Procópio e a sua doação ao município, em 1936, pelo seu fundador, Alfredo Ferreira Lage (1865-1944), filho de Mariano Procópio Ferreira Lage (1821-1872), o idealizador e construtor da rodovia “União e Indústria”. Apontado por críticos de arte e historiadores como um dos principais museus do país, pelo seu acervo do tempo do Império e sua riqueza em objetos de arte, o Museu Mariano Procópio pontifica para os historiadores como o mais importante símbolo cultural de Juiz de Fora, com suas mais de 50 mil peças e sua portentosa biblioteca. Tantas realizações que alçavam o município de Juiz de Fora à condição de pioneiro industrial do país, e a um processo cultural e artístico singular para a época, teriam registros cinematográficos para a história graças ao gênio juiz-forano João Gonçalves Carriço, criador da Carriço Film, realização pioneira em Minas Gerais e mesmo no país. De acordo com a pesquisadora Martha Sirimarco, na publicação Juiz de Fora: história, texto, imagem, “no século XX, durante três décadas, anos 30/40/50, ele realiza cerca de 400 cinejornais e documentários que configuram a memória histórica de Juiz de Fora e da Zona da Mata”. Diante da exuberante riqueza cultural do século XIX e da primeira metade do século XX, entende-se porque o jornalista José Carlos de Lery Guimarães (1933-1998), de tanto relevo na história cultural do município, diria, no LP Samba é Povo, que a Prefeitura Municipal editaria, em outubro de 1968, que “somos um povo que pulsa e vibra, palpita e trabalha... e sonha”. Ismair Zaghetto - Jornalista, Sociólogo e Escritor. 6.2. Cultura e Cidade: breves reflexões sobre a identidade juiz-forana (1950/2010) - No início da década de 1950, o declínio econômico de Juiz de Fora é evidente. A cidade tem menos estabelecimentos industriais que em 1936 e menos operários que em 1939. Apesar das dificuldades típicas de uma cidade do interior e da falta de perspectivas para uma grande parte da juventude, as lembranças daquele período remetem a uma época dourada, talvez ingênua, em que, das casas, ouve-se o barulho dos tamancos operários a caminho das fábricas, ou em que se pode emocionar com os detalhes melodramáticos dos folhetins radiofônicos, ou ainda flertar apaixonadamente nas brincadeiras dançantes ao som de hi-fi. Juiz de Fora tem um ar “europeu”, com belos palacetes de arquitetura eclética, cafés, muitos cinemas, comércio de produtos refinados e colégios tradicionais, mas também é uma cidade dividida, talvez até preconceituosa, com rígida estratificação social. O footing na rua Halfeld, aos finais de semana, é uma instituição juiz-forana. Os mais chiques fazem o trajeto só até a rua Batista de Oliveira. Dali para baixo, apenas as pessoas de classe social inferior. Cinema é programa de fino trato. As salas ficam lotadas nas sessões de sexta, sábado e domingo. São nove cinemas na cidade, a grande maioria nos bairros centrais, mas tem também o Auditorium, em Benfica. Na programação, vale lembrar um toque singular, obtido pela exibição dos cinejornais da companhia Carriço Film, que apresentavam a versão local para os eventos de importância da cidade, da mesma forma que as Atualidades Atlântida mostravam o que acontecia no resto do mundo. Nos anos 1950, o rádio é o meio de comunicação por excelência. Juiz de Fora tem três estações transmissoras e uma programação diversificada que inclui casting de atores, orquestras e programas de auditório que lotam o Cine-Theatro Central. O Carnaval tem um quê de ingenuidade, com batalhas de confete, muitos bailes nos clubes e o corso, que reúne dezenas de foliões desfilando nos estribos dos carros, nas carrocerias das caminhonetes ou amontoados nos conversíveis. Em meados da década, em 11 de outubro de 1955, é inaugurado o Raffa’s Club, na Galeria Pio X. Um lugar para dançar, bem ao estilo dos famosos night-clubs de Copacabana, no Rio de Janeiro, em que os homens compareciam de smoking e as mulheres não dispensavam um longo... Logo depois da virada da década, a cidade celebra a instalação, em dezembro de 1960, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). A data parece marcar, em definitivo, a transformação da identidade juiz-forana, que abandona o perfil industrial para se consolidar como centro prestador de serviços. Novo golpe mudaria o curso da história: em 1964, saem de Juiz de Fora as tropas do general Olympio Mourão Filho, que vão dar início à ditadura militar. Poucos dias antes, porém, a cidade, dividida, tinha participado de um ato em defesa das reformas de base do presidente deposto, João Goulart. A cidade é assim: conservadora, mas inovadora; elitista, mas também operária. A censura não cala lideranças, mesmo que obrigadas à clandestinidade. Não desencoraja os jovens, que continuam a se reunir para discutir política e poesia. Na rua São João, tem a Livraria Sagarana, que promove os Encontros com a Civilização Brasileira. Na rua Halfeld, o pequeno espaço da Galeria de Arte Celina abriga os mais calorosos debates, depois das exposições de arte e da exibição de filmes. Ali se reúne o pessoal do Centro de Estudos Cinematográficos (CEC), maior responsável pela idealização do I Festival do Cinema Brasileiro de Juiz de Fora, em 1966. Nem mesmo a censura intimida os criadores locais, que sempre lançam mão de algum artifício para mostrar seu trabalho, até mesmo o uso de mordaças brancas para denunciar os cortes nas falas de um ator, do combativo Grupo Divulgação. A atividade cultural é tão intensa que, em pleno ano de 1968, a Prefeitura de Juiz de Fora organiza um grande Festival de Música Popular Brasileira, com quatro récitas, que reúnem um verdadeiro time de bambas dos cenários local e nacional, no Cine-Theatro Central. E a crítica de cultura também tem o seu lugar, nas páginas do conservador Diário Mercantil, onde, aos domingos, os “Meninos do Guima” (João Guimarães Vieira) transformam o espaço da tradição em arena de debates sobre a cidade. É ali que eles publicam os criativos “Palimpsestos Marginais”, uma crítica mordaz, mas cheia de humor, à cultura juiz-forana. O Ato Institucional nº 5, de dezembro de 1968, freia de alguma forma o ímpeto de transformação da juventude, mas não aplaca a vontade de mudança. Se a repressão se torna mais intensa, também é assim com a resistência, que encontra outras vertentes para se expressar. Alguns já não acreditam mais no confronto, e, embalados pelas imagens psicodélicas de Woodstock, procuram outras formas de expressão. Em meados dos anos 70, com os primeiros ventos da abertura política, Juiz de Fora se reencontra com a força da cultura nas manhãs do Som Aberto, no campus da UFJF. Este é um espaço de expressão cultural voltado a várias manifestações: música, poesia, literatura de cordel, curso de teatro, exposição de fotografia e pintura. A criação da Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage (FUNALFA), responsável pela política cultural do município, é mais um dos aspectos do pioneirismo juiz-forano. Instituída através da Lei 5.471, em 14 de setembro de 1978, é a primeira fundação municipal responsável por cultura criada em Minas Gerais. Nesse cenário de efervescência cultural, uma nova juventude começava a construir seus sonhos. É o pessoal da poesia marginal, feita de forma totalmente artesanal e distribuída nas ruas, numa grande festa. Desse grupo, desponta uma geração de autores que, nos anos 1980, promoverão verdadeiros happenings na rua Halfeld, através dos Varais de Poesia e da publicação de livros e revistas. No momento em que o povo brasileiro começa a sair às ruas clamando pelas “Diretas Já”, Juiz de Fora se organiza em torno da campanha “Mascarenhas, meu amor”, que propõe não apenas a revitalização do antigo prédio da fábrica de tecidos, mas também a destinação do espaço para o funcionamento de uma fábrica de cultura. Nesse período de grandes manifestações urbanas, comícios e shows ocupam as praças da cidade, em especial, a Praça da Estação. Surgem novas bandeiras de luta, uma revolucionária agenda política, que inclui temas como a preservação do patrimônio histórico, a defesa da ecologia e dos direitos das minorias, como as mulheres, os negros e os homossexuais. A ocupação do espaço público é documentada pelas lentes de muitos fotógrafos, amadores e profissionais, responsáveis por um belo acervo de imagens, que revelam uma cidade até então desconhecida. A rua é espaço de inúmeras manifestações. Os punks estão no Calçadão. No plano artístico, é a produção audiovisual que ganha grande expressão a partir das novas facilidades técnicas, que permitem o registro e a edição de imagens através de suportes mais simples, baratos e rápidos. Há uma intensa produção de vídeos, e eles passam a mostrar novos ângulos de Juiz de Fora. Entre as galerias de arte, a efervescência da produção não se limita mais ao espaço bidimensional das telas, ou à sisudez da técnica a óleo; reinventam-se os suportes e processos, ao se criar gravuras, objetos e instalações. Leonino Leão, Arlindo Daibert, Fernando Pitta, mestres de uma geração que viveu intensamente... Os espaços de afetividade, de encontro, ganham novos desenhos e até recortes inusitados. Uma capela vira galeria de arte, mas a febre imobiliária derrubará este e vários outros símbolos de muitas gerações. Nos anos de 1990, acentua-se a tendência de uma arte periférica, mais popular, menos acadêmica. Os suportes digitais e o acesso à internet vão subverter o modo de ver o mundo e vão dar vez e voz àqueles que, até então, permaneciam invisíveis. A elaboração de políticas culturais mais inclusivas vai possibilitar que, através da Lei Murilo Mendes, por exemplo, artistas de todas as tendências e origens possam criar novos produtos culturais, alguns de cunho bastante amplo e coletivo. Capoeira é reconhecida como cultura, e tem a mesma legitimação de outros produtos de origem mais erudita. A cidade usufrui, hoje, de grandes espaços dedicados à cultura: a Biblioteca Municipal Murilo Mendes, o Centro Cultural Bernardo Mascarenhas, o Centro Cultural Dnar Rocha, O Cine-Theatro Central, o Forum da Cultura, o Museu Ferroviário, o Centro Cultural Pró-Música, o Anfiteatro João Carriço, a Casa de Cultura da UFJF, o Museu Mariano Procópio, entre tantos outros. Estão em atividade constante o Conselho Municipal de Cultura e o Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural. Juiz de Fora se revela através de projetos arrojados, como o Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga. Novos museus vêm renovar a prática cultural, como o Museu de Arte Murilo Mendes. A restauração do Cine-Theatro Central possibilita a apresentação de grandes espetáculos. Mas não é só no Centro que a cultura se realiza. Nos bairros, seja pelo hip-hop, ou pelo grafite, há uma nova apropriação do espaço público pelo cidadão. Artesãos se reúnem em cooperativas. Grupos de teatro e música se multiplicam. Autores fazem prosa e poesia pelo celular. Não há mais limite para a expressão de ideias. Blogs expõem publicamente sonhos e angústias. Pessoas se encontram nos links labirínticos das redes sociais. E se qualquer anônimo pode ter seus 15 minutos de fama no YouTube, o que vale é perceber que nesta, como em todas as cidades do mundo, o que faz o homem mais humano é a sua produção de sentidos, de ideias, de afetos, um grande universo que atende pelo nome de cultura. Christina Ferraz Musse - Jornalista e Pesquisadora. 6.3. O papel do Poder Público na promoção da cultura - Viabilizar o desenvolvimento do fazer artístico, apoiar a formação cultural dos cidadãos, resgatar e difundir tradições, criar canais de propagação da produção cultural, valorizar e preservar a memória, o patrimônio e a identidade do município e de seus habitantes, zelar para que a cultura chegue a toda a sociedade, em todos os pontos do município, promover o intercâmbio entre artistas e produtores. Essas são algumas atribuições do Poder Público na gestão da cultura, que, conforme a UNESCO, é uma área estratégica para o desenvolvimento de qualquer nação. Dessa forma, a promoção da cultura configura-se como um dos caminhos que viabilizam a inclusão social e a construção da identidade do cidadão, temas tão em voga nos debates sobre direitos humanos no segundo decênio do século XXI. No caso específico de Juiz de Fora, a Prefeitura, através da Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage (FUNALFA), e a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) são hoje as instituições públicas com intervenção mais expressiva no segmento, sendo responsáveis por promover a cultura e ampliar o acesso dos cidadãos a ela, por meio de políticas públicas focadas na descentralização e na democratização. Tais ações devem, ao mesmo tempo, propiciar o desenvolvimento autônomo da cultura, sem paternalismo ou direcionamento atrelado à estética que melhor se encaixe ao grupo no poder. Divulgado recentemente, o Índice Mineiro de Responsabilidade Social, organizado pela Fundação João Pinheiro, aponta a cultura como o segmento com melhor pontuação do município, à frente da saúde, educação, segurança social, habitação e renda, entre outros. Dos 853 municípios do Estado, Juiz de Fora obteve a 28ª cotação no ranking cultural, o que evidencia o trabalho consolidado e bem direcionado, embora ainda existam desafios a serem superados. - FUNALFA Dínamo propulsor da cultura - Nascida sob o signo da inovação, a FUNALFA foi a primeira fundação municipal de cultura de Minas, tendo surgido em 1978, sete anos antes do Ministério da Cultura. A iniciativa pioneira teve como objetivo garantir maior autonomia administrativa e financeira à antiga Secretaria de Cultura do município, com vistas a facilitar sua atuação, pautada no resgate, na promoção, na divulgação e na profissionalização da cultura, além da decisiva intervenção no sentido de garantir a preservação da identidade histórica e artística da cidade. Há mais de três décadas, a FUNALFA tem atuado no sentido de consolidar uma infraestrutura para a produção artístico-cultural do município, além de promover a democratização da cultura, permitindo o acesso da população às mais diversas manifestações, como teatro, cinema, dança, literatura, música e artes plásticas, além de ações com relação ao patrimônio cultural. Entre os projetos e eventos desenvolvidos estão o carnaval, o Arraiá da Cidade, o Encontro de Folia de Reis e Charola, o Festival Nacional de Teatro, o Festival Nacional de Dança e muitas outras atividades, que conferem visibilidade ao município e contribuem para seu desenvolvimento socioeconômico e cultural. A FUNALFA administra a Biblioteca Municipal Murilo Mendes, a Biblioteca Delfina Fonseca Lima, o Centro Cultural Bernardo Mascarenhas, o Museu Ferroviário - Estação Arte, o Centro Cultural Dnar Rocha e o Anfiteatro João Carriço. Também cabe à fundação secretariar as atividades do Conselho Municipal de Cultura (CONCULT) e do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural (COMPPAC). A FUNALFA realiza ainda projetos continuados, visando capacitação e formação de crianças e jovens, como o Curso de Teatro do CCBM, o Grupo de Dança da FUNALFA (voltado para estudantes de escolas públicas) e o Gente em Primeiro Lugar, que em 2012 atende cerca de cinco mil crianças/mês, oferecendo oficinas de capoeira, dança, teatro, música, artes visuais e artesanato. Desde 2005, a Fundação mantém parceria com a Amac no projeto música nos Curumins onde atende com atividades musicais cerca de 300 crianças e adolescentes. Uma das principais ferramentas de promoção da cultura no município, a Lei Municipal de Incentivo à Cultura Murilo Mendes é gerenciada pela FUNALFA. Anualmente, a lei destina recursos para a realização de projetos por artistas e produtores culturais, selecionados a partir de concorrência pública. Diferentemente de outras legislações do gênero, que funcionam por meio de incentivo fiscal, a Lei Murilo Mendes garante repasse direto de recursos e serve como referência para outras cidades brasileiras. Na edição 2012, foram disponibilizados R$ 1.150.340,07 para 81 projetos aprovados, entre 257 inscritos. - UFJF Arte e cultura como missão histórica - Meio século de história comprometido com os plurais caminhos do saber concede à Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) o título de instituição dedicada ao livre pensar. Sob os pilares do ensino, pesquisa e extensão, empenha-se em abrir espaço para o cultivo das artes, muito além do texto acadêmico, e incorpora a prática da cultura em seu sucessivo e contínuo desenvolvimento. A UFJF trabalha para a inclusão social do indivíduo ao atrelar o conceito de cultura como direito às suas práticas e contribui de maneira determinante para o processo cultural local e regional: concepção que impõe à política cultural uma meta de universalização do acesso aos meios de criação, difusão e fruição de bens artísticos. A responsabilidade de contribuir com esse processo imprimiu o valor necessário para que se criasse a Pró-Reitoria de Cultura, cujo principal dever é a valorização do conhecimento, das tradições e dos valores intelectuais. Ao contemplar os desdobramentos do saber, a valorização das relações de livre troca de conhecimento e a promoção do diálogo entre o conteúdo científico e a bagagem popular, a UFJF posiciona a cultura como estratégica para o fomento de novas ideias, alimentando o caminho da memória e preservando o desenvolvimento das artes e da cultura em ações que podem ser definidas a partir do Cine-Theatro Central, do Coral Universitário, do Forum da Cultura, da Casa de Cultura, do Museu de Arte Murilo Mendes, do Selo MAMM e da incorporação do Centro Cultural Pró-Música. Com o olhar atento para as manifestações que abarcam esse precioso acervo, a Pró-reitoria de Cultura traça sua história a partir de princípios que somente contribuem para o bem maior da Universidade: incentivo à produção cultural, que orienta e oportuniza produções acadêmicas e locais pela prática de produtos culturais dos mais diversos; memória da cultura, ao garantir o resgate e a preservação da trajetória das múltiplas contribuições que constituem a cultura da cidade; arte-educação: formação e cidadania, através da difusão e ampliação do acesso do público às diversas atividades culturais; dinamização dos espaços culturais, que propõe a revitalização dos espaços da universidade e revisão de suas infraestruturas; imagem da UFJF, na qual se fortalece, nacional e internacionalmente, a representação da instituição como agente propulsor de integração social. Pró-Reitoria de Cultura – UFJF. 6.4. Instituições ampliam acesso à formação e à fruição cultural - Incentivar e dar acesso à cultura são responsabilidades do Poder Público, mas não exclusivamente dele, a participação de instituições culturais de cunho privado, filantrópico ou beneficente é fundamental para construção de um meio cultural que conceba os anseios da sociedade. Em Juiz de Fora, a atuação dessas entidades é consolidada; e seus reflexos, ao longo da história do município, testemunham a preciosa contribuição para a formação de artistas e de público nos mais diversos segmentos culturais. Inúmeros centros, instituições e entidades da cidade vêm desempenhando função de relevo com relação às artes e à cultura na cidade e isso se reflete ao longo do tempo. Com o intuito de representar todas, embora existam inúmeras instituições culturais que representem concomitantemente tradição e renovação, aqui foram destacadas algumas pela sua longevidade e contibuição para a comunidade: Academia Juizforana de Letras; Advance Escola de Dança / Real Ballet; Afoxés; Agentes do Amanhã; Apac - Associação de Produtores de Artes Cênicas de Juiz de Fora; Associação Desportiva Terríveis do Vitorino Braga; Associação de Belas Artes Antônio Parreiras; Associação dos Artesãos de São Mateus; Ateliê Ponto com Arte; Axé criança; Batuque Afro-Brasileiro de Nelson Silva; Capoeira Corpo e Alma; Capoeira do Bonfim; Centro de Divulgação da Arte Brasileira; Capoeira Palmares; Casa da Cidadania; Casa da Menina Artesã; Casa DItália; Casa de Cultura Evaílton Vilella; Casa do Pequeno Artista; Centro Comunitário Pró desenvolvimento do Bairro Carlos Chagas; Centro Cultural Pró-Música; Centro Cultural Benfica; Cultural Bar; Coletivo Sem Paredes; Coletivo Fora-do-eixo; Contadores de Histórias do Granbery; Cia de dança Inércia Zero; Cooperativa da Música de Minas (Comum); Conservatório Estadual de Música Haidée França Americano; Corpus Nucleo de Dança; Clube Sírio e Libanês; Empório das Artes; Escola de Dança Misailidis; Estação Cultural; Estação Palco; Espaço Diversão e Arte; Espaço Mezcla; Forum da Cultura; Grupo Divulgação; Grupo Semente; Instituto Jesus; Multirão da Meninada do Vale Verde; Sociedade Portuguesa; Sociedade Filarmônica de Juiz de Fora; Sociedade Euterpe Monte Castelo; Sociedade Cultural Ad Libitum - Scala Escola de Música; SESC; SESI; Studio de Dança Vivian Mockdeci; Teatro de Quintal; Teatro Solar; Trabalharte.
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