Atos do governo do poder executivo


DIRETRIZES PRIORITÁRIAS PARA A CULTURA DO MUNICÍPIO DE JUIZ DE FORA -



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7. DIRETRIZES PRIORITÁRIAS PARA A CULTURA DO MUNICÍPIO DE JUIZ DE FORA - Embora todas as diretrizes e metas indicadas no corpo deste documento sejam de suma importância para o desenvolvimento e a valorização da cultura local, dez temas prioritários foram destacados. Esses temas são intersetoriais e considerados suporte imprescindível ao cumprimento dos demais, por essa razão merecem lugar especial no PMC. Durante o período de vigência do PMC indica-se o seu total atendimento. 7.1. Destinar 2% do orçamento municipal para a pasta da Cultura - 7.1.1. Objetivo: a. gradativamente ao longo dos dez anos de vigência do PMC alcançar 2% do valor total do orçamento municipal, para tanto se propõe que a cada ano seja destinado mais 0,1% do orçamento até que seja alcançado o percentual indicado nesta proposição. Tendo como referência o orçamento executado no ano anterior. 7.2. Dividir de forma equânime os recursos públicos destinados à Cultura entre todas as áreas artísticas - 7.2.1. Objetivo: a. durante os dez anos de vigência do PMC haverá conjugação de esforços dos poderes Executivo e Legislativo e da sociedade civil visando o equilíbrio de distribuição de recursos, através de instrumentos legais, entre as diversas áreas e setores da cultura no município. 7.2.2. Áreas com demanda – fortalecer; 7.2.3. Áreas com demanda deficiente – fortalecer; 7.2.3. Áreas sem demanda – incentivar; 7.3. Realizar mapeamento e censo cultural - 7.3.1. Objetivo: a. realizar a cada quatro anos mapeamento e censo cultural no município de Juiz de Fora, visando à criação e a manutenção do Sistema Municipal de Informações Culturais devidamente integrado aos sistemas Estadual e Nacional de Informações Culturais. 7.3.2. Identificação de artistas e grupos. 7.3.3. Identificação de interesse e demandas da população com relação à cultura. 7.3.4. Identificação e análise de equipamentos e programas culturais. 7.4. Valorizar o artista local - 7.4.1. Objetivo: a. durante o período de vigência do PMC serão desenvolvidas diversas ações no sentido prático e de aprimoramento das legislações existentes visando a valorização do artista local, através da valorização da cadeia produtiva da cultura, da priorização do artista e de grupos locais em eventos promovidos, incentivados ou apoiados pelo poder público. 7.5. Capacitar e formar agentes culturais - 7.5.1. Objetivo: a. através de esforços conjugados serão realizados programas destinados à formação e ao aprimoramento de artistas, gestores, técnicos e agentes culturais de todas as áreas e setores da cultura no município. 7.6. Fomentar uma política de circulação de produtos culturais - 7.6.1. Objetivos: a. desenvolver programas e ações que estimulem e auxiliem na circulação de bens culturais produzidos na cidade e/ou por artistas locais, nos limites territoriais do município como também em outras localidades do Brasil e do exterior. b. estimular e apoiar a circulação de produtos e bens culturais de outras localidades do País e do exterior no município de Juiz de Fora. c. estabelecer ao longo do período de vigência do PMC uma política municipal com indicadores claros e precisos para a circulação de produtos e bens culturais da e/ou na cidade. 7.7. Ampliar o acesso do cidadão a todo tipo de bem cultural - 7.7.1. Objetivos: a. desenvolver durante o período de vigência do PMC programas de ampliação do acesso econômico, físico e intelectual a bens e produtos culturais, bem como programas e ações que visem o estímulo à expressão através da representação simbólica, presente nas artes e na cultura, para todos os cidadãos. b. ampliar os mecanismos e instrumentos de fruição das artes e da cultura. 7.8. Aparelhar e conservar os espaços públicos (abertos e fechados) - 7.8.1. Objetivos: a. desenvolver durante o período de vigência do PMC, considerando o diagnóstico oriundo do censo cultural realizado no município por indicação deste plano, programas e ações com foco na valorização, conservação de espaços culturais existentes, sejam eles públicos ou privados. b. estimular a criação de uma rede de espaços culturais no município de Juiz de Fora. c. criar, de acordo com as demandas apresentadas pela população, novos espaços culturais na cidade, privilegiando a descentralização. 7.9. Restaurar e revitalizar o Museu Mariano Procópio - 7.9.1. Objetivo: a. concluir integralmente a restauração do Museu Mariano Procópio e sua necessária adequação aos novos parâmetros de organização de museus hoje estabelecidos, durante o período de vigência do PMC. 7.10. Incentivar a leitura e educação - 7.10.1. Objetivos: a. estabelecer no município de Juiz de Fora a leitura como atividade cidadã. b. desenvolver projetos, programas e ações, que estabeleçam o acesso ao livro e à leitura como atividades prioritárias. c. estabelecer programas e ações com foco na real integração entre cultura e educação em todos os níveis de ensino, bem como com as atividades de educação informal. d. desenvolver programas, projetos e ações que tenham como base o território da cidade como um grande espaço educativo.

8. DIRETRIZES DO PLANO MUNICIPAL DE CULTURA - 8.1. Gerais: I - Garantir que as deliberações das conferências municipais de Cultura tenham caráter de política pública e que suas diretrizes e decisões sejam incorporadas nos respectivos Planos Plurianuais e nas Leis de Diretrizes Orçamentárias, assegurando sua efetiva execução nas Leis Orçamentárias Anuais; II - Indicar o crescimento gradativo do orçamento municipal para a Cultura, com efetivação da ampliação do orçamento destinado à Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage (FUNALFA), órgão gestor da Cultura no município de Juiz de Fora. Indicação: atingir, no mínimo, 2% até o término da vigência deste Plano; III - Realizar diagnóstico e censo cultural a cada quatro anos, em âmbito municipal, para mapear os agentes e espaços culturais já atuantes nas diversas regiões de Juiz de Fora, assim como as manifestações culturais. O processo abrangeria as vocações culturais de cada local e suas necessidades: materiais, humanas, de adaptação à diversidade e à acessibilidade universal. O censo cultural e o diagnóstico deverão ser coordenados pela FUNALFA e pelo Conselho Municipal de Cultura (CONCULT); IV - Transversalidade das políticas culturais para a articulação e a implementação de políticas públicas, promovendo a interação entre instituições culturais do município e as demais áreas sociais, destacando o papel estratégico da Cultura no processo de desenvolvimento humano e social; V - Realizar, promover e apoiar ações com foco nas atividades artístico-culturais; VI - Ampliar e manter equipamentos físicos destinados à cultura e às artes; VII - Estímular e valorizar a produção cultural local e o intercâmbio com a produção cultural de outros centros urbanos; VIII - Apoiar diversos espaços culturais do município que tenham como proposta a produção e a divulgação das diferentes manifestações culturais, favorecendo e apoiando o funcionamento do local e a manutenção das atividades desenvolvidas; IX - Reorganizar o organograma da FUNALFA, de acordo com a Lei Municipal 10.000/2001; X - Formar e aprimorar o quadro de funcionários da FUNALFA, o da Fundação Museu Mariano Procópio e o do Arquivo Histórico de Juiz de Fora (AHJF), assim como nas demais instituições culturais públicas do município, através do investimento em recursos para a ampliação e a qualificação do quadro de servidores; XI - Aparelhamento da FUNALFA e da Fundação Museu Mariano Procópio com foco nas necessidades do município para a realização de atividades culturais; XII - Ampliar o número de atividades culturais permanentes realizadas pela FUNALFA e manter aquelas já realizadas, como Festival Nacional de Dança, Festival Nacional de Teatro, Corredor Cultural, Arraiá da Cidade, Festa das Etnias, Festival de Cenas Curtas, Bazarte, Programa Cinema Paratodos, carnaval, entre outras; XIII - Ampliar o número de atividades culturais permanentes realizadas pela Fundação Museu Mariano Procópio e manter aquelas já realizadas, como Música no Parque, Oficina Temática, Clube Ecológico, visitas guiadas, entre outras; XIV - Integrar a FUNALFA com outras secretarias e órgãos da administração pública para incentivo e valorização da cultura e das artes; XV - Proteger e promover a diversidade das expressões culturais, sempre considerando em primeiro plano o interesse público e o respeito à diversidade cultural (Artigos 215 e 216 da Constituição Federal); XVI - Valorizar as atividades culturais direcionadas à terceira idade; XVII - Divulgar as leis de incentivo à cultura e outros mecanismos de promoção cultural no meio empresarial; XVIII - Criar assessoria pública para artistas, produtores culturais (pessoas física e jurídica) com a finalidade de oferecer suporte à elaboração de projetos, visando a participação em mecanismos de incentivo e fomento a projetos culturais; XIX - Estabelecer parcerias com a iniciativa privada e outros setores para a ampliação da oferta e do acesso à cultura, aos bens culturais, às artes e eventos ligados às diferentes áreas artístcas. XX - Criar mecanismos de formação dos artistas e/ou produtores como empreendedores através de cooperativas ou incubadoras em parceria com setores públicos e iniciativa privada; XXI - Instituir programas socioculturais, com foco na cultura, em comunidades vulneráveis social e economicamente, tanto em zonas urbanas quanto rurais, com a inclusão de públicos diversos (crianças, jovens, idosos, grupos étnicos, portadores de deficiência etc), visando a ampliação do direito à cultura; XXII - Criar mecanismos que visem a garantia da continuidade de projetos desenvolvidos pela administração municipal e bem avaliados pela população; XXIII - Adequar propostas e projetos culturais às indicações da Agenda 21; XXIV - Criar políticas de fomento à preservação de monumentos naturais e sítios de valor paisagístico integrados às políticas públicas do município para promoção do patrimônio cultural e natural, de forma integrada ao meio ambiente; XXV - Ampliar políticas de fomento à preservação do patrimônio documental; XXVI - Garantir a participação do município em políticas culturais em nível regional, estadual e federal no sentido de integrar o pacto entre os entes federados, proposto pelo Governo federal; XXVII - Ampliar os recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura (Lei Murilo Mendes) para garantir o apoio a um maior número de projetos ou elevar o teto de recursos destinados a cada proposta. Aperfeiçoar mecanismos para gestão e processo da Lei Municipal de Incentivo à Cultura. (Lei Murilo Mendes); XXVIII - Incentivar ações que busquem fazer com que o carnaval das escolas de samba seja, em parte, auto-sustentável; XXIX - Criar projetos para a transformação e/ou adaptação de espaços públicos em equipamentos culturais, requalificando áreas urbanas para sua plena utilização; XXX - Estimular a formação de público através de implementação de programas de incentivo à permanente integração entre instituições de ensino públicas e privadas com produtores culturais e artistas; XXXI - Buscar parcerias com os meios de comunicação para a veiculação de produções locais; XXXII - Como lugar de guarda, conservar e disseminar a memória coletiva e privada, notadamente em suportes múltiplos, os arquivos constituem lugar privilegiado da pesquisa, tanto no âmbito científico quanto pessoal. Lugar onde estão registradas as experiências e o modus operandis na construção da sociedade, registrando seus diversos aspectos, mesmo que de forma subjetiva. Portanto, os arquivos constituem fonte privilegiada para a solidificação das diversas manifestações culturais, sua manutenção e a compreensão de seu surgimento e desenvolvimento no longo curso, tomando este juízo crítico e provido de entendimento profundo das raízes constitutivas do sujeito coletivo. 8.2. Educação: I - Articular as políticas culturais com as políticas públicas de educação para elaboração e implementação de conteúdos programáticos dedicados à cultura, à preservação do patrimônio e à história afro-brasileira e indígena, ao ensino de línguas estrangeiras, sob a perspectiva da diversidade cultural nas escolas públicas e privadas; II - Garantir parceria com a Secretaria de Educação e o Arquivo Histórico de Juiz de Fora (AHJF), através de projetos educativos que envolvam instituições de ensino e arquivos municipais; III - Elaborar projetos nas e para as escolas, com foco na cultura e nas artes, capacitando os diversos profissionais da área de ensino com o intuito de formação de público; IV - Apoiar instituições educacionais para qualificação dos espaços escolares, permitindo que esses sejam usados, também, como espaços culturais pelas comunidades locais; V - Estabelecer parceria entre os órgãos de cultura e de educação para criação de política educacional de formação continuada para professores, artistas, arte-educadores e produtores culturais com ênfase na diversidade cultural local; VI - Estimular, através de ações coordenadas e projetos, que as escolas desenvolvam planejamentos como unidades produtoras e difusoras de cultura. 8.3. Sistemas de Informação: I - Fortalecer os meios de comunicação comunitários, apoiando a organização e a divulgação das manifestações culturais tradicionais e artísticas, dos diferentes grupos étnicos, bem como o estímulo dessas culturas para a fomentar a diversidade cultural; II - Criar um consórcio intermunicipal de cultura, visando o desenvolvimento e a integração, a divulgação e a difusão entre os órgãos públicos de várias esferas, iniciativa privada e setores da sociedade civil organizada, colaborando para a formação de um sistema de informação cultural da Zona da Mata; III - Estabelecer um cronograma e de uma agenda anual de ações culturais, visando o incentivo, a promoção, a divulgação, a difusão e a organização de eventos locais; IV - Criar um sistema de digitalização, arquivo e divulgação na web de documentos fotográficos, textuais e audiovisuais para favorecer a pesquisa, a valorização e a proteção da memória cultural, com garantia total de acessibilidade das informações; V - Realizar diagnóstico e planejamento, a fim de possibilitar a participação dos portadores de deficiência ou mobilidade reduzida, em nível de apreciação, produção e transmissão de cultura. 8.4. Formação e capacitação: I - Investir em instrumentos para capacitação dos agentes culturais já existentes em Juiz de Fora e região, assim como a formação de novos agentes; II - Investir na profissionalização dos trabalhadores da cultura através de parcerias com os setores responsáveis, com a ampliação dos cursos de nível superior, técnicos e profissionalizantes, a fim de favorecer a capacitação dos agentes culturais já existentes em Juiz de Fora e região, assim como a formação de novos agentes; III - Implantar políticas permanentes de formação, capacitação de agentes de cultura, com foco na valorização da diversidade cultural e na profissionalização da cultura; IV - Disponibilizar, incentivar e ampliar recursos para a realização de cursos de capacitação e qualificação de agentes e gestores culturais nas temáticas relacionadas à cultura inclusive nos níveis técnico, superior e de pós-graduação; V - Estimular e investir em cursos de capacitação nas áreas de produção cultural e gestão de projetos. 8.5. Espaços: I - Identificar e democratizar o uso dos espaços públicos de difusão cultural para produção e disseminação das manifestações culturais do município; II - Recuperar, revitalizar e manter espaços físicos relacionados à cultura no Município, garantindo o uso descentralizado; III - Adequar os espaços físicos aos parâmetros de acessibilidade, respeitadas as características de cada espaço, viabilizando o acesso aos portadores de deficiência e mobilidade reduzida; IV - Criar conselhos gestores para espaços culturais públicos. 8.6. Ampliação do acesso à Cultura: I - Ampliar ações de democratização do acesso aos bens culturais, por meio de parcerias do poder público com a iniciativa privada e organizações da sociedade civil, promovendo a descentralização de ações, projetos itinerantes, atendimento a diversas regiões do município e zonas rurais, oferta de transporte e divulgação adequada, entre outras iniciativas; II - Ampliar o acesso à cultura e a bens culturais para toda a população, com atendimento prioritário a crianças e adolescentes residentes em áreas de baixa renda e risco social; III - Apoiar as ações comunitárias ligadas à cultura, à leitura e ao acesso às artes; IV - Estimular a produção, à divulgação e ao acesso da população a atividades das diversas manifestações artísticas (cinema, música, teatro, literatura, dança, artes visuais, cultura popular, artesanato, etc); V - Viabilizar ações que atendam aos seguintes objetivos: difusão e ampliação do acesso; estímulo à produção; formação de público; ensino e transmissão; valorização dos agentes culturais locais; registro e documentação; VI - Estimular a criação de ambientes lúdicos onde haja o exercício e a fruição da cultura nas suas mais diversas manifestações, em espaços como escolas públicas hospitais, casas de saúde, asilos, orfanatos, centros de recuperação de dependentes químicos e de ressocialização de presos e presídios; VII - Criar uma rede de pontos de cultura municipais, em ampliação e integração à política homônima do Governo Federal; VIII - Descentralizar programas e políticas públicas de cultura, fortalecendo a realização de ações em bairros do município, incluindo a instalação de equipamentos culturais, dotados de infraestrutura adequada e acessibilidade; IX - Direcionar contrapartidas da Lei Municipal de Incentivo à Cultura (Lei Murilo Mendes) para ações também nos bairros e nas comunidades que possuem maior dificuldade de acesso a bens culturais. 8.7. Incentivo à produção cultural: I - Incentivar os diversos grupos e entidades culturais de Juiz de Fora na participação em editais, leis e outros processos que possibilitem a captação de recursos para a cultura, a produção, a circulação, o consumo e a preservação de bens culturais, através da divulgação nos meios de comunicação, inclusive os comunitários, e nos órgãos públicos, dos editais e programas que integram as políticas públicas de cultura; II - Aperfeiçoar os mecanismos para gestão e processo da Lei Municipal de Incentivo à Cultura. (Lei Murilo Mendes); III - Direcionar público das contrapartidas da Lei Municipal de Incentivo à Cultura (Lei Murilo Mendes); IV - Melhorar divulgação dos mecanismos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura (Lei Murilo Mendes), fortalecendo e ampliando os recursos disponíveis. 8.8. Cultura e economia criativa / Valorização do artista local: I - Estimular a organização de comunidades criativas, cooperativas, coletivos culturais e artísticos pautados no princípio de autogestão e economia solidária, em âmbito local; II - Estimular a realização de encontros, seminários, feiras, festivais e debates que reúnam artistas, gestores e investidores em cultura e possibilitem a troca de conhecimentos, informações e projetos, de modo a propiciar a interação dos diversos grupos de interesses na área da cultura; III - Ampliar os mecanismos de incentivo à circulação da produção artística local e de intercâmbio estadual, nacional e internacional; IV - Criar um Portal Virtual para divulgação e comercialização de produtos e ações culturais e que disponibilize informações afins; V - Criar midiateca para disponibilização de informações sobre as artes e a cultura no município; VI - Promover o intercâmbio de produções culturais e simbólicas da arte local com os de outros municípios, estados e países, valorizando a todas as linguagens artísticas e seus representantes. 8.9. Leitura: I - Ampliar os acervos existentes nas bibliotecas públicas; II - Criar bibliotecas comunitárias nos bairros com espaço e ações para dinamização da leitura; III - Criar bibliotecas itinerantes nos bairros e na zona rural; IV - Garantir parceria entre os órgãos de cultura e educação para ampliação e diversificação do acervo bibliográfico das escolas da cidade; V - Divulgar as bibliotecas e acervo; VI - Criar um sistema municipal de bibliotecas; VII - Criar bibliotecas virtuais e disponibilização do acervo das bibliotecas na internet; VIII - Implantar um programa de leitura nas bibliotecas públicas e escolares; IX - Fortalecer as bibliotecas escolares, e criação onde não existirem, com ampliação do uso de seu equipamento e acervo às comunidades locais. 8.10. Arquivos públicos e privados: I - Incentivar a gestão documental e a proteção especial a documento de arquivos, como instrumento de apoio à administração pública, à cultura, ao desenvolvimento científico e como elemento de prova e informação; II - Identificar e declarar como de interesse público e social os arquivos privados de pessoas físicas ou jurídicas, relevantes para o entendimento da história e da cultura do município.

9. ARTES CÊNICAS - 9.1. Histórico - O Teatro em Juiz de Fora - As artes cênicas estão muito bem representadas no cenário cultural de Juiz de Fora. O teatro e a dança são atividades com grande envolvimento de artistas, produtores e profissionais ligados ao ensino e às artes do espetáculo. Grupos artísticos, companhias, escolas e academias de dança são responsáveis por uma gama de espetáculos e produções que, todos os anos, ocupam os palcos dos teatros e os espaços alternativos descobertos e desbravados como alternativa à falta de equipamentos físicos adequados para essas manifestações artísticas. O circo, como produção cultural em Juiz de Fora, é menos expressivo que o teatro e a dança. Pontualmente, podem-se perceber artistas que se interessam pela arte circense, buscando formação em suas diversas linguagens e profissões. Esses artistas também têm trabalhado com atividades de ensino em torno das habilidades do mundo do circo que, muitas vezes, vêm sendo utilizadas na composição de espetáculos de teatro e de dança. A arte do palhaço, que mescla a linguagem do circo e da representação teatral, vem ganhando espaço nos últimos anos no município e envolve vários artistas locais. A arte milenar do teatro que se apresenta ao município através de mambembes e espetáculos de companhias de outras cidades a partir da última metade do século XIX encontra por aqui terreno fértil para se estabelecer. O teatro foi introduzido no município em 1858, através de um grupo amador, vindo de fora, que fez uma apresentação da comédia de Martins Penna, Judas em Sábado de Aleluia, na casa do Dr. Eduardo de Menezes, e ganhou impulso com as construções de casas de espetáculos, como o Misericórdia, 1863, no Alto dos Passos - atual Capela da Santa Casa -, e do Teatro Provisório, 1866 - como o próprio nome diz, uma casa improvisada para apresentações de teatro e música. Mesmo com uma estrutura acanhada e de pouco conforto, o primeiro teatro propriamente dito é o Perseverança, inaugurado em 1870. Após uma grande reforma, em 1889, ganha uma excelente estrutura de palco e plateia e é rebatizado de Teatro Juiz de Fora. Em 1890, passa a se chamar Teatro Novelli, em homenagem ao ator Ermete Novelli, que comanda uma companhia no local. Esse espaço, situado na rua Espírito Santo, mantém-se ativo até o início dos anos 1920. No ano de 1924, a Resolução nº 933 do Executivo municipal abriu negociações com os proprietários para a construção no local de um Teatro Municipal, conforme Decreto nº 987, de 27 de abril de 1926. Porém, nesse ano, o prédio fora demolido, e no local é construída uma garagem para a Câmara Municipal. Em 5 de novembro de 1910, outro espaço abre suas cortinas: o Cine-Teatro Polytheama, com capacidade para 1.500 espectadores, situado à rua São João. Já a década de 1920 é marcada por grandes construções para a área teatral. A rua Halfeld ganha, no ano de 1920, o Cine-Theatro Paes, e o Glória, em 1929. A avenida Getúlio Vargas, esquina com rua São João, recebe o Teatro Variedades, no ano de 1926. O ano de 1927 marca a construção do Cine-Theatro Popular, onde o cineasta juiz-forano João Carriço exibia seus filmes, marcando o início da Companhia Central de Diversões, que iria construir o Cine-Theatro Central (onde existia o Polytheama), inaugurado em 1929, com arquitetura de Pantaleone Arcuri e pinturas do artista Ângelo Biggi, único espaço a resistir à especulação imobiliária e a trazer até os dias de hoje um registro dessa fase áurea. Nesse período, as representações teatrais no município são realizadas por grupos mambembes e pelos Clubes Dramáticos. Estes apresentam peças consagradas e dramaturgia local, sendo responsáveis pelas encenações que divertem os juiz-foranos nos inúmeros espaços que surgem. Essa característica local irá, posteriormente, influenciar a formação de grupos e teatros nas escolas tradicionais, como na Academia de Comércio (Grupo de Teatro Academia - GTA), no Stella Matutina, no Colégio Santa Catarina e no Instituto Metodista Granbery (Associação Teatral Granberiense - ATG). Nos anos 1930, são construídos o Teatro de São Mateus e a Casa D’Itália. Juiz de Fora torna parada obrigatória de grandes espetáculos vindos de outros centros. No final da década de 1950, o Teatro do SESI recebe um espetáculo de um grupo do Paraná que, vindo de um festival nacional promovido por Paschoal Carlos Magno, faz apresentações nas cidades por onde passava. Na plateia, estavam os futuros fundadores do Teatro do Estudante, que viria a se contrapor ao teatro tradicional. Os primeiros anos da década de 1960 foram momentos nacionais de efervescência cultural e política. O Teatro do Estudante do Brasil é o embrião do Teatro Universitário (TU), apoiado pela recém-criada Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e, alternando direções de Geraldo Brigatto e Natálio Luz, que veio do Rio de Janeiro já como um experiente ator profissional. As apresentações se davam, em sua maioria, na Casa d’Itália, palco de muitas encenações até os anos 1970. Ali, Natálio Luz, com um grupo dissidente do Teatro Universitário, cria, posteriormente, o Teatro da Casa d’Itália - Teci, que tem em seu elenco vários radialistas e autores próprios, criando a linha de um teatro genuinamente juiz-forano. Anos depois, Teci deixa a Casa d’Itália, tornando-se o Teatro de Comédia Independente. Em março de 1963, o espetáculo Cristo Total foi apresentado no campo do Sport Club, produzido e criado pelo jornalista e radialista José Carlos de Lery Guimarães em parceria com Wilson João Beraldo. A obra ficou na história como um espetáculo marcante do período, com a participação de estudantes, atores, pessoas da comunidade, totalizando 600 participantes. Sucesso retumbante, esse projeto foi encenado em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro. Na Faculdade de Filosofia e Letras, em 1966, é formado o Centro de Estudos Teatrais - Grupo Divulgação, fundado, entre outros, por José Luiz Ribeiro, que está à sua frente até hoje. Ainda nessa década, José Carlos criou e produziu o espetáculo Aquarela do Brasil, apresentado no Sport Club, envolvendo atores, estudantes, músicos, compositores, militares e pessoas da comunidade, executado durante a abertura do Campeonato Brasileiro Juvenil de Vôlei. Nesse evento, surgiu o Batuque Afro-Brasileiro de Nelson Silva. Em 1971, é fundado o Centro Cultural Pró-Música, importante espaço de formação artística e apresentações culturais. Com a criação do Forum da Cultura pela UFJF, em 1972, o Divulgação se desloca para essa casa. Recebe vários prêmios nacionais e se firma como um centro de estudos e pesquisas teatrais. Uma nova safra de grupos surge nos anos 1970, como, por exemplo, o Grupo Sensorial, criado por Henrique Simões, que, a partir de 1983, torna-se Sensorial Teatro & Boneco Vivo, trabalhando também com o teatro de animação (bonecos e objetos animados). A Academia de Comércio entrega ao diretor e ator Gueminho Bernardes, em 1977, o Grupo de Teatro Academia, que posteriormente seria dirigido pelo também ator e diretor Guy Schmidt, de 1987 a 2007, ano em que é extinto. Após a passagem pelo GTA, Gueminho funda o Teatro de Quintal, ou TQ. O Colégio Stella Matutina também registra atividades dramáticas orientadas por Terezinha Martins, pelo falecido professor Sérgio Lessa e pelo professor Henrique Simões, que também realiza atividades teatrais e espetáculos com alunos do Colégio Santa Catarina. Em 1980, também na Academia de Comércio, há a criação do Teatro Infantil Academia (TIA), dirigido por Nilza Bandeira James, que amadurece e se torna a Companhia de Atores Academia. Ainda nos anos 1980, o Teatro&Cia., fundado por Marcelo Gaio, Sandra Emília e Sérgio Arcuri e dirigido por José Eduardo Arcuri, produziu dois espetáculos marcantes: O despertar da primavera (1987) e Bella Ciao (1989). Outro nome que surge na cena teatral é o de Marcos Marinho, ligado aos grupos: Corpo Em Cena, de 1982; Navegar, de 1987; Embaixo do Céu, de 1991; e, posteriormente, à criação do Espaço Mezcla, em 2002, onde se destacam os projetos: Teatro Lido e Caravana de Palhaços. Nos anos 1970/80, a mídia dá especial atenção à produção local, e a efervescência se mostra por uma produção cênica que envolve o Teatro do SESI, o Teatro Clara Nunes (no SESC) e, posteriormente, o São Mateus, que, com suas programações, enriquecem o cenário local. Em 26 de fevereiro de 1981, dá-se início à construção do Teatro Paschoal Carlos Magno, com a expectativa de que seja o Teatro Municipal de Juiz de Fora, mas que, ainda hoje, permanece com as obras paradas na fase estrutural. Nesse período, ocorrem as inaugurações do Centro Cultural Pró-Música e do Teatro Solar, que passam a receber produções externas, aumentando a oferta de espetáculos profissionais. A Sala de Encenação Flávio Márcio, no Centro Cultural Bernardo Mascarenhas, inaugurada em 1987, em contraponto, oferece maior espaço às produções locais. Nos anos 1990, é criado o Laboratório de Arte e Cultura (LAC), fundado e dirigido por Rose Probst, atuando nas áreas de formação de atores e produção de espetáculos infantis, especializando-se, posteriormente, em teatro de bonecos. Nesse mesmo período, são formados também o Grupo Teatral Mendes Guttierrez - GTMG/Cia. Tralha e o Empório da Arte, criados por Alexandre Guttierrez. A produção é, ainda, marcada por herdeiros do teatro de cabaré em sua versão nacional. Robson Terra, Edgar Ribeiro, Loló Neves e Pedro Bismarck trilham o caminho do humor - este último alcançando renome nacional. Nos anos 2000, o TQ, vindo de uma trajetória de teatro de bar, faz incursões na TV e no stand up comedy. É criada ainda a Cia. Teatral Putz!, que, num primeiro momento, se dedica ao besteirol, porém, conquistando o amadurecimento, se lança em novas empreitadas ligadas a uma dramaturgia autoral para o grupo. A Lei Municipal de Incentivo à Cultura - Murilo Mendes, criada em 1994 por iniciativa do então vereador Vanderlei Tomaz, e aprimorada ao longo dos anos com a colaboração da classe artística, favorece os artistas e grupos locais com a possibilidade de fomento dos projetos aprovados e estabelece novos parâmetros para a produção cultural no município. Diversas companhias surgem, inclusive com textos próprios, e se dissipam com relativa rapidez, buscando sua identidade e sua colocação no cenário local. Na produção de festivais, destacam-se os dois estaduais realizados pelo Grupo Divulgação, na década de 1980, em parceria com a Federação Mineira de Teatro (FETEMIG), e as três iniciativas municipais, promovidas pela Prefeitura de Juiz de Fora/FUNALFA: a mostra Juiz de Fora Em Cena, com duas edições (2002 e 2003); a criação do Festival Nacional de Teatro de Juiz de Fora, em 2005, que a cada ano cresce, diversifica-se e ganha importância no cenário brasileiro; e o Festival de Cenas Curtas, iniciado em 2009, proveniente do Festival Nacional. O estabelecimento da Campanha de Popularização do Teatro e da Dança no ano 2000 por iniciativa do Sindicato de Produtores de Artes Cênicas de Minas Gerais (SINPARC/MG) e a fundação da Associação de Produtores de Artes Cênicas de Juiz de Fora (APAC/JF), em 2003, deram nova vida ao cenário teatral local.


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