Atos do governo do poder executivo


-A Dança em Juiz de Fora -



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-A Dança em Juiz de Fora - Hoje, o trabalho da dança em Juiz de Fora está centrado nas academias e escolas do ramo, sem a predominância de grupos profissionais. No entanto, o percurso histórico envolve vários personagens e espaços, e é possível perceber iniciativas e inovações na busca de uma identidade para a linguagem da dança no município. Não foi possível encontrar registros ou colher depoimentos referentes a período anterior a 1950. Em 1952, com a chegada da carioca Maria do Carmo Carriço, a dança clássica em Juiz de Fora ganha vulto. Convidada para dirigir o primeiro curso local, ela, que já havia estudado história da arte, balé clássico, moderno e espanhol, além de ter visitado várias capitais sul-americanas, funda a academia Anna Pavlova, que funcionava, a princípio, em uma sala do Conservatório Brasileiro de Música e, posteriormente, no Centro Cultural Pró-Música. Durante quase 20 anos, Maria do Carmo Carriço mantém-se como referência no município. Muitas de suas alunas, já formadas, montam suas próprias academias, o que faz a dança se expandir por Juiz de Fora. Lucita Sarmento se destaca na cena nos anos 1970 com um trabalho que influenciou o ingresso de diversos profissionais na área, bem como o estabelecimento de novos espaços de ensino e experimentação: Tellab Academia de Dança, Corpus Núcleo de Dança, Flash Dance, Estúdio Segmento, entre outros. No início da década de 1980, é fundado o Real Ballet, cujos espetáculos de encerramento de ano eram desenvolvidos com temas de balé de repertório para grande público. A década de 1980 é profusa para a Corpus Núcleo de Dança, que, buscando o estabelecimento do grupo como companhia profissional, trouxe para assinar coreografias importantes nomes do cenário nacional, como Marika Gidali, João Viotti Saldanha, Rodrigo Pederneiras, Sonia Destri, Ana Maria Mondini e Vitor Navarro, o que faz Juiz de Fora descobrir a dança contemporânea. Nessa mesma década, é formado o Grupo Mudanças, único coletivo local premiado no Festival de Joinville (1996). Outro grande espaço que é criado nesse período é a Escola Corpo Livre, com a companhia de mesmo nome. O Grupo de Dança da UFJF forma-se no ano de 1982, e, com o passar dos anos, promove importantes debates sobre o tema. Em 1991, acontece a 1ª Mostra de Dança Contemporânea de Juiz de Fora, e, em 1995, nasce o Studio de Dança Vivian Mockdece. Em 1998, destaca-se a criação da Ekilíbrio Companhia de Dança, que seria o embrião da Inércia Zero Dança Contemporânea, consolidada em 2000. Na mesma década, funciona o Cos’é? Estúdio de Danças Daniela Guimarães - escola e companhia focadas na dança contemporânea. Esse período será marcado por uma grande conquista: a inclusão da dança como projeto de extensão de carga horária nas escolas municipais. No final da década de 1990, o street dance ganha as ruas juiz-foranas, sendo o precursor do movimento o grupo Jotaefecrew, dirigido por Jângal; são ainda fundadas a Over Jazz, de Elenize Seguro, atuando na Zona Norte do município, e a escola Expressão e Arte, que funcionava no prédio do Diretório Central dos Estudantes (DCE) e atuava de forma itinerante pelos bairros municipais. Posteriormente, o estilo invadiu as academias de dança e paulatinamente vem ganhando espaço e se fortalecendo em todas as classes sociais. Os dançarinos mais antigos passam, então, a criar suas próprias equipes, como a Remiwl Street Crew e a HF Boys, ainda atuantes. Nos anos 2000, é fundado o Espaço da Dança, com foco na técnica clássica. É criada, no Diversão & Arte Espaço Cultural, a Companhia Adversa, com o interesse de investigar interfaces entre o teatro e a dança. Em 2007, o Real Ballet funde-se ao Advance Centro Integrado de Dança. Em termos de encontros e festivais, destacam-se as iniciativas da Amadança, mostra aberta a todas as modalidades e categorias, realizada desde 2006 por Paulo Roberto Oliveira/MPO Produções Culturais; e da FUNALFA, que, com a colaboração de artistas e professores ligados à arte da dança, cria em 2009 o Festival Nacional de Dança de Juiz de Fora, priorizando mostras, aperfeiçoamento técnico e profissional. Em 2010, a Ekilíbrio inicia parceria com a Faculdade Angel Vianna (Rio de Janeiro/RJ), para a promoção de cursos de extensão e pós-graduação. Atualmente, existem ainda a escola e companhia Estúdio da Dança, o Estúdio de Danças Silvana Marques, especializado em dança de salão, o Ballet Misailidis, entre outros grupos. 9.2. Diagnóstico: As artes cênicas sempre tiveram uma rica produção, que projetou Juiz de Fora no cenário mineiro e nacional. Embora essa produção seja sustentada por um conjunto de grupos, em sua maioria amadores, não raro ao longo do tempo, muitos deles têm buscado voos profissionais que se concretizam com maior ou menor durabilidade. Esse cenário está marcado pela criatividade, pela qualidade e pela diversidade, que identificam as artes cênicas de Juiz de Fora. Com relação aos grupos de teatro e espaços de encenação, não há um censo atualizado. Em pesquisa informal, realizada junto à comunidade artística local, foram levantados 24 grupos em atividade, mas pode haver mais companhias trabalhando no município e fora dele. É comum aparecerem e desaparecerem companhias e grupos em tempo razoavelmente curto. Há ainda diversos atores que, não ligados a uma companhia específica, participam de uma e outra, ou se reúnem esporadicamente para realizar determinado trabalho, sem haver, contudo, a formalização de um grupo ou companhia. Das grandes salas construídas no município, restou como marco o Cine-Theatro Central, do ano de 1929, que hoje representa um ícone cultural e arquitetônico e faz lembrar grandes casas, como o Misericórdia, o Perseverança, o Novelli, o Polytheama, o Glória, o Popular e a Casa d’Itália. A falta de espaços apropriados às manifestações das artes cênicas é um problema municipal crônico e não sofre muitas alterações com o passar do tempo: questões recorrentes que pedem solução. Há carência de espaços para encenação, principalmente palcos públicos modernos e com boa infraestrutura. A característica amadora das produções locais vem de recursos limitados, muitas vezes restritos às leis de incentivo, já que é pouco articulada com a iniciativa privada. O panorama encontrado aqui não é diferente do de outros tantos municípios brasileiros: escassez e precariedade dos espaços cênicos, fusão de funções dentro dos grupos, acúmulo de profissões além da teatral, falta de incentivo por parte do Governo. A Prefeitura restringe os mecanismos de apoio quase que exclusivamente à Lei Murilo Mendes de Incentivo à Cultura, enquanto que o Estado tem a maioria esmagadora de sua verba de incentivo cultural retida na capital, e os poucos locais que conseguem aprovação nos editais, nos níveis estadual e nacional, não obtêm êxito na captação de recursos. Há pouco envolvimento da classe empresarial local em financiamento, patrocínio e apoio à produção artística e cultural no município. A desvalorização financeira das atividades ligadas à cultura impõe à maioria dos artistas e produtores uma dupla jornada de trabalho. Outro problema que merece destaque é o baixo nível de formação acadêmica da classe. Assim, a maior parte dos artistas, técnicos e produtores gerenciam sua própria formação através do empirismo, autoformação e cursos livres na área. A escassez de cursos, em nível técnico ou superior, ou de acesso financeiro a eles comprometem a profissionalização de artistas e técnicos e a criação de uma classe capaz de sobreviver do seu trabalho. Juiz de Fora já conta com três pós-graduações lato sensu: Teatro e Dança na Educação (Associação Amigos da Ekilíbrio, em parceria com a Faculdade Angel Vianna); Arte, Cultura e Educação (UFJF, em parceria com a ArcelorMittal e viabilizada pela Lei Estadual de Incentivo à Cultura/MG, sem previsão de reoferta); e Comunicação e Arte do Ator (UFJF, através da Faculdade de Comunicação/Centro de Estudos Teatrais - Grupo Divulgação). Ainda há o curso de aperfeiçoamento oferecido pela FUNALFA no Centro Cultural Bernardo Mascarenhas, que segue para seu quarto ano de atividade, e, em 2012, amplia o foco oferecendo ingresso através de duas modalidades: básica e avançada. Economicamente, há que ser citada a fragilidade do mercado para a produção cultural no município. Em Juiz de Fora, não faltam criatividade, qualidade e experimentação por parte da classe artística, e sim, uma política pública, de Estado, que contemple plena e permanentemente a formação profissional, a melhoria, a adaptação e a modernização dos espaços existentes e a criação de novos espaços. 9.3. Diretrizes e Estratégias - I - Infraestrutura, manutenção e acessibilidade de espaços físicos: a. Criar espaços para ensaios, pesquisa artística e construção cênica. b. Realizar mapeamento dos espaços, promovendo programas de integração e ampliação entre produtores e instituições que tenham espaços ociosos, destinando-os à ocupação para ensaios e eventos de artes cênicas. c. Criar um Conselho Administrativo para o Teatro Municipal Paschoal Carlos Magno, viabilizando a parceria entre a iniciativa privada e o Poder Público. d. Reativar o Conselho Administrativo do Centro Cultural Bernardo Mascarenhas, auxiliando na gestão e ocupação. II - Estimular a ampliação de programas de incentivo financeiro para aumentar a produção e a circulação com recursos diretos e indiretos: a. Criar e fortalecer instrumentos legais com a finalidade de transferência de recursos orçamentários públicos ou privados para produtores locais, para a execução de projetos artísticos. b. Criar mecanismos de transparência nos critérios de transferência de recursos, financiamento e patrocínio e apoio do Poder Público às produções culturais, quer sejam realizados através de repasse direto, quer utilizando como procedimento os instrumentos legais de renúncia fiscal. III - Implantar ações de formação e capacitação de profissionais: a. Ampliar o curso de teatro atualmente realizado pela FUNALFA, com a possibilidade da criação de uma escola municipal de teatro direcionada para os níveis básico, intermediário e avançado. b. Estimular a implantação de cursos técnicos e superiores e de programas de pós-graduação para formação e capacitação de atores, bailarinos e técnicos, criando mecanismos através de parcerias com a iniciativa privada. c. Criar programas de capacitação para produtores de artes cênicas. d. Criar um corpo estável de teatro e dança no Teatro Municipal Paschoal Carlos Magno. IV - Estratégias para formação de público através da circulação e difusão: a. Fortalecer e ampliar os festivais de teatro e dança, criando mecanismos para a manutenção dos mesmos. b. Implementar políticas públicas permanentes de intercâmbio e circulação da produção das artes cênicas com outros municípios através de mecanismos de incentivo. V - Memória artística e cultural e pesquisa: a. Incentivar a produção de documentários e registros textuais, sonoros e iconográficos, pesquisas empíricas e acadêmicas, experiências pessoais e de grupos e companhias, fomentando a doação de acervos das produções para preservação da memória e pesquisa no campo das artes cênicas no município. b. Criar o Museu de Artes Cênicas. c. Incentivar e valorizar artistas e grupos, buscando assim o fortalecimento da memória das artes e da cultura de Juiz de Fora. d. Estimular e apoiar o desenvolvimento de atividades circenses tradicionais e/ou inovadoras e outras linguagens. - Referências bibliográficas: - D’ALVA, Lúcio [Albino Esteves]. O theatro em Juiz de Fora. O Pharol, Juiz de Fora, jul. 1910 – jun. 1911. Acervo digital da BMMM. - RIBEIRO, José Luiz. Apontamentos breves: o teatro em Juiz de Fora. Juiz de Fora, [2000-]. 10. ARTES PLÁSTICAS - 10.1 Histórico - Algumas das primeiras imagens produzidas e tornadas públicas na cidade datam da época do trabalho fotográfico do inglês Henry Klumb, em seu registro realizado entre Petrópolis e Juiz de Fora, no livro intitulado Doze Horas de Diligências, de 1872. Ao final do século XIX, o pintor Hipólito Caron surge como um dos primeiros a assumir a pintura artística como atividade profissional, sob a influência do grupo Grimm (grupo de Niterói que frequentou por algum tempo), e inaugura sua primeira exposição na cidade em 1883 no Salão da Câmara Municipal de Juiz de Fora. César Turatti dá continuidade a esse trabalho, passando a organizar exposições e inaugurando o Núcleo Hipólito Caron, que foi fonte de inspiração para o Núcleo Bernardelli e outros. Em 1929, é inaugurado o Cine-Teatro Central, todo revestido em seu interior com pinturas de Angelo Biggi, pintor de origem italiana. Uma obra monumental, marcante para a história das artes plásticas em Juiz de Fora. O movimento das artes plásticas na cidade cresce e, em 1934, artistas se organizam em torno do Núcleo Antônio Parreiras, nome escolhido para homenagear o artista fluminense que realizou a obra Jornada dos Mártires, encomendada pela Prefeitura de Juiz de Fora e pertencente hoje ao acervo do Museu Mariano Procópio. Posteriormente, o local foi rebatizado de Sociedade de Belas Artes Antônio Parreiras, que, durante muito tempo, serviu de referência para os pintores da cidade, promovendo cursos e intercâmbio com artistas de outros centros, com salões e exposições anuais regulares. Em 1966, é aberta a Galeria de Arte Celina, no segundo andar da Galeria Pio X, no Centro de Juiz de Fora. Idealizada e coordenada pela Família Bracher, a galeria se torna o núcleo de maior efervescência cultural da cidade, abrindo espaço para conferências, cursos, mostras e festivais, mesclando artes plásticas, cinema, teatro, música e literatura. Em torno da Galeria Celina, assistimos ao amadurecimento e à afirmação de uma geração de artistas que formaram uma corrente artística que marcou época em Juiz de Fora, com uma produção forte e original que muito contribuiu para o amadurecimento definitivo das artes plásticas na cidade. Nos anos de 1970, os Salões de Arte promovidos pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) contribuíram para o aparecimento de novos artistas e incentivaram o florescimento de linguagens contemporâneas no meio artístico. Com a extinção do Curso de Desenho e Plástica da UFJF, em 1981, surgiu o curso de Educação Artística, que mais tarde passou a ser designado Curso de Artes. A universidade contribuiu definitivamente com a cena artística de Juiz de Fora, influenciando a formação de novos artistas, afinados com correntes diversas da arte nacional e internacional. Na década de 1980, o Museu da Cidade, uma galeria de arte situada no Paço Municipal, na esquina da Rua Halfeld com a Avenida Barão do Rio Branco (atual sede da FUNALFA), exerceu com grande êxito o papel de divulgar as artes plásticas na cidade. Era uma galeria de fácil acesso e boa frequência popular, com centenas de visitantes. Também nos anos de 1980, o movimento cultural “Mascarenhas, meu amor” atinge seus objetivos. A velha fábrica abandonada passa a se chamar Centro Cultural Bernardo Mascarenhas, que, a partir dessa época, funciona como centro de referência das artes plásticas na cidade. A inauguração aconteceu em 31 de maio de 1987, exatamente cem anos depois do início da construção da velha fábrica de tear que teve como fundador o grande empreendedor Bernardo Mascarenhas. Este foi um dos períodos de maior produção das artes plásticas em Juiz de Fora. Os artistas foram atuantes; os empresários, participantes; e várias exposições aconteceram simultaneamente, principalmente em espaços alternativos, como bares e bancos, acompanhadas de muita divulgação e prestígio, tais como: Realce Arte Bar, Bar Sacristia, Galeria da Caixa, Galeria do SESI e o Espaço Cultural Banespa, entre outros espaços existentes. No Centro Cultural Pró-Música, a Galeria Renato de Almeida manteve a efervescência com importantes exposições. Diversas galerias de arte particulares também exerceram um importante papel divulgador das artes plásticas: a Galeria Arte Nossa, a Capela Galeria de Arte, a Galeria Portinari e a Casa do Papel. No início dos anos 1990, tal como aconteceria no Rio de Janeiro e em outros grandes centros urbanos, a cidade manteve a produtividade, por meio da proliferação de inúmeros ateliês e do surgimento de cursos livres, realização de exposições simultâneas em novas galerias particulares e novos espaços alternativos, assim como o surgimento e a afirmação de novos artistas. Além das mostras oficiais realizadas nos espaços públicos, diversos ateliês passam a funcionar também como galeria, entre elas, Atelier Janice Lopes, Galeria de Lais D’Ângelo e Galeria Masterpiece, além de Ione Ribeiro Escritório de Arte e a Galeria A Terceira Margem. A criação, pela UFJF, do Centro de Estudos Murilo Mendes em 1994 reuniu as obras de arte do juiz-forano Murilo Mendes à biblioteca já doada pela viúva do poeta radicado na Europa, Maria da Saudade Cortesão Mendes logo após a morte do escritor, em 1975. Em 2005, a UFJF transferiu o conjunto do acervo para as instalações da antiga reitoria, à rua Benjamin Constant, 790, criando o Museu de Arte Murilo Mendes (MAMM). Ao final do século XX, diversas galerias particulares deixaram de funcionar e encerraram suas atividades. Alguns artistas reduziram sua produção, a freqüência às exposições nas galerias particulares e nos espaços públicos tornou-se menos expressiva, assim como pôde ser percebida a diminuição do interesse de patrocinadores e da mídia no apoio às atividades de artes plásticas. Na primeira década do século XXI, percebe-se um esforço em agregar um conjunto de ações que possam promover e dinamizar todo o setor, interligando artistas, espaços culturais e público em geral. Referências: - Catálogo da Exposição Artistas de Juiz de Fora Museu Nacional de Belas Artes - 1978. 10.2 Diagnóstico - Constata-se a necessidade de uma pesquisa que possa ser usada como referência de eventos e espaços do município para a realização de exposições e manifestações artísticas que possam estimular os artistas locais a dinamizarem sua produção, assim como despertar ou ampliar no público o gosto pela arte, valorizando e divulgando a produção local. Mostras são realizadas em espaços públicos e privados; contudo, são insuficientes para contemplar a produção dos artistas, que não conseguem uma regularidade da exposição de seus trabalhos. Registra-se a vontade dos profissionais da área de que mais locais sejam regidos por editais de ocupação como uma forma de democratizar a participação e de criar uma proximidade entre os artistas locais e os espaços da cidade destinados às artes plásticas. Esse desejo faz jus à vocação de Juiz de Fora para as artes plásticas, que abriga um importante espaço municipal de artes: a Fundação Museu Mariano Procópio (MAPRO), o primeiro museu de Minas com um dos mais importantes acervos do país, que envolve todo o setor histórico da evolução das artes plásticas: pintura, escultura, desenho, artesanato, mobiliário, vestuário, interior, arquitetura, ourivesaria, entre outros. Uma importante conquista para a área das artes plásticas em Juiz de Fora foi a transformação do Centro de Estudos Murilo Mendes em museu de arte, conjunto formado por um riquíssimo acervo do poeta juiz-forano e hoje administrado pela Universidade Federal de Juiz de Fora. No entanto, constata-se a participação pouco expressiva do público nos museus da cidade, tendo em vista que a maioria deles apresenta-se carente de ações integradas à comunidade para dinamizá-los. Quanto a eventos que movimentam o setor, a tradicional Sociedade de Belas Artes Antônio Parreiras mantém uma agenda anual de Salões de Artes, com um pequeno público oriundo de seus professores, associados e alunos. A regularidade de exposições na cidade ocorre principalmente em espaços como Espaço Cultural Correios, Centro Cultural Bernardo Mascarenhas, Hiato Galeria de Arte e Espaço Experimental Nina Mello, assim como nos espaços vinculados à Universidade Federal de Juiz de Fora: Forum da Cultura, Casa de Cultura, Museu de Arte Murilo Mendes e Galeria Renato de Almeida do Centro Cultural Pró-Música. Esses espaços buscam suprir a programação artística da cidade com exposições variadas selecionadas através de editais e mostras realizadas com curadorias específicas. Nos últimos anos, surgiram alguns ateliês e escolas de arte que mantêm mostras eventuais e que contribuem para a divulgação e valorização dos artistas da cidade. Contudo, poucos espaços autônomos ligados às artes plásticas conseguem subsistir por um longo período. A necessidade de uma parceria mais eficaz entre artistas, Poder Público e instituições culturais pode ser a alternativa ideal para a ampliação de projetos relacionados às artes visuais, através da concretização de mais investimento na capacitação, gerenciamento e difusão da produção artística. 10.3 Diretrizes - I - Criar uma agenda sistemática de atividades, eventos e ações ligados às artes plásticas; II - Estimular e promover a criação de cursos com capacitação para a elaboração e gestão de políticas e projetos culturais, bem como para a organização e a coordenação de eventos, plano de divulgação, organização de currículo, portfólio, além daqueles cursos referentes às diversas áreas de formação do artista plástico (fotografia, cerâmica, escultura, gravura, desenho livre, desenho aplicado, pintura, ilustração, quadrinhos, história da arte e novas tecnologias etc.); III - Estimular a criação e à viabilização de espaços alternativos e descentralizados para a realização de cursos e eventos da área, destacando-se a implantação e/ou revitalização de espaços culturais comunitários; IV - Estimular a produção local através de eventos visando a resgatar a vitalidade cultural da cidade, com destaque para a valorização da diversidade e pluralidade da produção visual; V - Valorizar a Semana do Artista Plástico (semana que envolve o Dia do Artista Plástico, comemorado em 14 de agosto), com a realização de eventos e atividades; VI - Incentivar a união e à ampliação de grupos existentes na área artística visando à formação de núcleos de Artes Visuais nos diversos bairros do município; VII - Criar um circuito de exposições e eventos por todo o município - Atelier Aberto -, visando a aproximar artista e público; VIII - Estimular uma parceria mais eficaz entre artistas, Poder Público e instituições culturais pode ser a alternativa ideal para a ampliação de projetos relacionados às artes visuais, podendo ser concretizada através de mais investimento na capacitação, no gerenciamento e na difusão da produção artística; IX - Criar um espaço de memória das artes visuais de Juiz de Fora, com o objetivo de centralizar, abrigar e preservar documentos e registros textuais, sonoros e de imagens, fomentando a doação de acervos pessoais para a preservação da memória e pesquisa no campo das artes visuais do município. 11. AUDIOVISUAL - 11.1 Histórico - A história de Juiz de Fora com o audiovisual vem desde o final do século XIX. O que se tem notícia é que no dia 23 de julho de 1897 aconteceu a primeira exibição de filmes realizada no Theatro Juiz de Fora, no qual houve, também, a estreia do “Cinematógrapho Lumiére”. Em outubro de 1900, a magia dos cinemas, que, na época, estava ganhando força pelo mundo, foi estabelecida na rua Halfeld, com o Salão Paris - primeiro estabelecimento comercial, depois do Theatro Juiz de Fora, a trazer para o município o cinema como entretenimento. A sala de exibição era equipada com um gramofone, que reproduzia sons e cantos junto às cenas dos filmes. A atividade se consagrou no município com a abertura das primeiras salas fixas ao final da primeira década do século XX. Desde a vinda da sétima arte para Juiz de Fora, o município foi vastamente retratado pela atividade cinematográfica - como protagonista, ou como cenário natural das histórias produzidas pelos realizadores locais ou estrangeiros. Os cinemas sempre tiveram lugar cativo em Juiz de Fora: Polytheama, Paz, Pharol, Ideal, Cine-Theatro Central, Glória, Palace, Paraíso, Festival, Excelsior, São Luiz. Cada um à sua maneira criou registros da modernização do município, que permanecem até hoje na história, ainda que apenas na lembrança da população, a chamada memória afetiva. Os principais registros do período que vai de 1930 a 1960 são provenientes dos cinejornais, que documentavam e divulgavam os fatos oficiais do município. Desse período, João Gonçalves Carriço, à frente da Carriço Film, foi a figura mais importante da cinematografia juiz-forana, produzindo cinejornais que ultrapassavam as fronteiras municipais, capturando sequências no Rio de Janeiro, em Belo Horizonte, no interior de Minas Gerais, incluindo os arredores de Juiz de Fora e chegando a flagrar alguns pequenos momentos da vida rural interiorana. Em meados da década de 1960, na Galeria de Arte Celina, ocorria a exibição de filmes de arte e a realização de mostras temáticas na área do audiovisual. O segundo andar da galeria Pio X, onde se situava a Arte Celina, configurou-se como um centro efervescente e disseminador de cultura, com grande circulação de pessoas, cujos interesses em música, teatro, cinema, artes plásticas mesclavam-se ao entusiasmo, aos sonhos de liberdade partilhados por uma geração de questionadores, curiosos e apaixonados pelas diversas manifestações de arte, além de servir de sede para o grupo de cinéfilos do Centro de Estudos Cinematográficos (CEC). Nessa época, poucas pessoas tinham acesso a câmeras que filmavam em formato 8, 16 ou 35 milímetros. Somente famílias mais abastadas possuíam equipamentos capacitados para esses registros. Durante os anos 1970, o município viveu um momento de intensa atividade artístico-cultural, que permitiu grande experimentação técnica por meio de registros caseiros dos momentos em espaços públicos e privados. Algumas pessoas captavam imagens de suas famílias com câmeras Super-8mm, que, depois de reveladas, eram projetadas em pequenos e ruidosos aparelhos. Com o surgimento do videotape, várias inovações afloraram em Juiz de Fora durante as décadas de 1980 e 1990. Algumas produtoras de vídeo, como a Bentevídeo - coordenada por José Santos -, foram criadas, e os registros de imagens se tornaram mais acessíveis, principalmente pelo advento do VHS, que contribuiu para o aumento da prática audiovisual. Em contrapartida, houve uma diminuição do público nos cinemas, já que, com o VHS, era possível assistir aos filmes em casa. Como tentativa de resgatar a frequência às salas de cinema, iniciou-se a tradição dos cineclubes, como o Luzes da Cidade. Em 1982, foi inaugurado o Espaço Cultural Livros & Artes, incluindo a abertura, no local, do Cineclube Humberto Mauro. Naquele ano, a programação reuniu, numa mostra de cinejornais das décadas de 1930 e 1940, documentários realizados no município por João Gonçalves Carriço, um dos pioneiros do cinema nacional, além de palestra da pesquisadora Martha Sirimarco com o tema “Cinejornalismo e populismo em Juiz de Fora”. Nos anos de 1990, os cineastas voltam a experimentar registros em película cinematográfica. Vários fatores foram fundamentais para isso; um deles foi a vinda do cineasta José Sette de Barros para o município, trazendo equipamentos de 35mm e Super-16mm para a realização do filme O rei do samba, sobre o sambista juiz-forano Geraldo Pereira. Graças à tentativa de o Poder Público municipal implantar um Polo Audiovisual local, junto à Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), à UNESCO e ao Centro Técnico do Audiovisual (CTAV), houve a realização de vários cursos técnicos em diversas atividades do audiovisual, viabilizados pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Posteriormente, foram organizadas duas edições do Concurso de Curtas-Metragens de Juiz de Fora. Tais iniciativas capacitaram e reciclaram mão de obra, facilitando a produção de alguns curtas autorais em bitola de 16mm. Fortalece a profissionalização de técnicos e artistas na área do audiovisual, cenário em que se destaca o fotógrafo Mauro Pianta, profissional de longa carreira e que tem seu nome nos créditos de importantes obras da cena audiovisual juiz-forana. Ainda na década de 1990, a produção audiovisual valeu-se de recursos provenientes da Lei Municipal de Incentivo à Cultura (Lei Murilo Mendes), que, com o passar dos anos, consolidou-se como o principal mecanismo local para a viabilização de produções independentes na área, ainda que em pequena quantidade. Foi nesse contexto que muitos realizadores locais deram seus primeiros passos na área do audiovisual. Alguns dos trabalhos produzidos romperam as fronteiras juiz-foranas e levaram o nome do município para várias partes do Brasil e do mundo. Destaque para o cineasta Marcos Pimentel, reconhecido mundialmente por seu trabalho autoral. Além disso, o barateamento dos meios de produção, pelo advento da tecnologia digital, aumentou consideravelmente o número das produções realizadas em todo o país. Em 2002, alguns produtores da área retomaram a realização de um festival cinematográfico, o Primeiro Plano - Festival de Cinema de Juiz de Fora. A mostra não só promove exibições, seminários e oficinas anuais gratuitas, como também reflete questões sobre os novos talentos do cinema nacional, a prática audiovisual e o incentivo financeiro à produção local independente. Apesar do aumento do número de cursos de comunicação e áreas afins, o mercado ainda carece de mão de obra especializada e de maior incentivo do poder público e da iniciativa privada à produção audiovisual em Juiz de Fora.


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