Atos do governo do poder executivo



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11.2 Diagnóstico - Nos dias atuais, o fácil acesso às mídias digitais tem permitido que diversas pessoas - entre profissionais e amadores - produzam vídeos, comumente postados na rede de compartilhamento YouTube e nas redes sociais. As novas possibilidades tecnológicas ampliaram as formas de realização do audiovisual. Algumas produções têm conquistado prêmios em festivais nacionais e internacionais. Contudo, apesar do esforço dos realizadores em divulgar as produções, os vídeos produzidos são pouco exibidos no âmbito local. A maioria desses conteúdos audiovisuais fica restrita a uma divulgação setorizada. A despeito de a Lei Murilo Mendes continuar sendo um dos meios de viabilizar que filmes de curta duração e baixo orçamento sejam feitos em Juiz de Fora, o teto do benefício não atende a produções de maior valor. Dessa forma, vê-se como necessário o empenho no incremento de políticas públicas concretas para o desenvolvimento da economia audiovisual e o estabelecimento de um efetivo polo cinematográfico no município, tendo em vista que a atividade audiovisual não pode ser entendida apenas pelo ponto de vista da bipolaridade produção-exibição. Apesar da riqueza nas manifestações audiovisuais, Juiz de Fora carece de instituições com uma infraestrutura melhor para a produção e difusão efetivas desse material, bem como para a criação de espaços públicos em condições de abrigar essa memória. As emissoras de TV locais não têm espaço para a exibição de conteúdo fora do formato jornalístico. O curta-metragem é o formato de produção audiovisual realizado em maior quantidade em Juiz de Fora e que, apesar de não atingir o grande público, é exibido em circuitos e festivais nacionais e internacionais específicos, que alcançam espectadores interessados no assunto. Além disso, muitos diretores iniciantes conquistam visibilidade no mercado começando sua produção com curtas. Quanto a locais de exibição de filmes no município, espaços de antigos cinemas de rua vêm sendo paulatinamente descaracterizados, como o CineArte Palace, e destinados a atividades que não contribuem para o desenvolvimento sociocultural do município; como exemplo, citamos os cinemas São Luiz, Paraíso, e, recentemente, o Cine Excelsior. 11.3 Diretrizes - I - Buscar permanentemente de parcerias nos diversos setores da sociedade, envolvendo primeiro, segundo e terceiro setores da economia, não se limitando geograficamente a Juiz de Fora, mas interagindo com o estado e o país; II - Estabelecer políticas públicas para o desenvolvimento permanente da economia audiovisual local, através de editais de fomento, criação de centro técnico, formação de mão de obra e incentivo à produção, exibição e distribuição de conteúdo; III - Implantar um polo audiovisual no município: criar um local físico, geograficamente determinado, com políticas de incentivo fiscal em âmbitos municipal, estadual e federal para empresas dos diversos setores produtivos da cadeia do audiovisual; IV - Elaborar e divulgar um banco de dados da atividade audiovisual no município abrangendo: projetos e ações governamentais e não governamentais; leis vigentes; projetos de leis em tramitação; artigos; trabalhos científicos (teses, dissertações); instituições de ensino; eventos e afins; V - Incentivar a criação de programas de cineclubes nas mais diversas entidades públicas e privadas, como faculdades, escolas, associações de moradores, ONGs, pontos de cultura e associações culturais; VI - Apoiar mostras e festivais que tenham como foco a profissionalização e o contato dos agentes com o setor, a formação de público e o estabelecimento de mecanismos para a realização audiovisual, gerando o desenvolvimento econômico da cadeia produtiva; VII - Criar um Centro Técnico de Audiovisual com ênfase na formação prática e teórica, estimulando as produções locais, visando, sobretudo, a qualificação da mão de obra; VIII - Implantar programa de preservação da memória audiovisual local, nos moldes de uma cinemateca, de forma a preservar filmes, vídeos, fotos e demais suportes para uso de pesquisadores, produtores, estudantes e demais interessados. A ideia é a criação de um centro de referência audiovisual de Juiz de Fora; IX - Criar a Juiz de Fora Film Comission, agência que congrega iniciativas do poder público, iniciativa privada e sociedade civil para atrair e facilitar produções audiovisuais para o município; X - Preservar a história do audiovisual do município, zelando por espaços existentes e transformando-os em locais de fruição cultural, com o ambiente propício para o desenvolvimento tanto do audiovisual, quanto de outras linguagens; XI - Criar espaço adequado para a preservação do acervo fílmico da cidade, seus artistas e acervos familiares em condições ideais de climatização e armazenamento; XII - Realizar de telecinagem de todo o acervo fílmico de João Carriço e a posterior disponibilização em espaço adequado para exibição e pesquisa; XIII - Garantir a aquisição de livros e outras mídias sobre o audiovisual para biblioteca e cinemateca municipais; XIV - Realizar inventário de todo o acervo audiovisual em posse do poder público e incentivar a aquisição do acervo de particulares; XV - Dinamizar o Museu da Imagem e do Som, definidas suas atribuições, visando a dar suporte material, técnico e profissional aos projetos de registros audiovisuais e iconográficos de pessoas e/ou grupos relacionados à história do município, bem como reunir acervos documentais e audiovisuais relacionados à memória de Juiz de Fora. 12. CARNAVAL - 12.1 Histórico - Durante as décadas de 1930, 1940 e 1950, os antigos carnavais de rua de Juiz de Fora aconteciam na rua Halfeld, onde desfilavam os corsos, os ranchos (blocos) e também as batalhas de confete, além das matinês no Cine-Theatro Central e Clube Juiz de Fora. O carnaval no município representa uma das grandes manifestações populares da Zona da Mata Mineira. Em 1934, surgia no município a primeira escola de samba de Minas Gerais: a Turunas do Riachuelo, que teve origem na invenção de um grupo de rapazes da rua Silva Jardim e do rancho “Não venhas assim”. Essa foi a quarta escola a ser criada no Brasil. Até a década de 1960, as atividades carnavalescas tinham sua concentração na área central do município, com as batalhas de confetes, corsos e clubes - principalmente o Elite e o salão do Palace Hotel. A rua Halfeld era o grande palco do carnaval. Mesmo após a fundação das primeiras escolas de samba, a disputa entre as agremiações se resumia a concursos de sambas-enredo realizados, também, na rua Halfeld. Nos bairros, as atrações eram os “blocos de sujo”. Somente em 1966, os desfiles das agremiações carnavalescas foram considerados oficiais, sendo a escola Feliz Lembrança a segunda a ser fundada em Juiz de Fora e a primeira a conquistar o título de campeã, com o enredo “Mascarada veneziana”, da autoria de Nelson Silva e José Carlos de Lery Guimarães. Um marco inesquecível dessa escola foi o clássico “Ai, se eu fosse feliz”, samba de Juquita, B. O. e Djalma de Carvalho, de 1949, que virou um hino informal de Juiz de Fora. Houve também os gloriosos carnavais de clube, embalados pelas marchinhas, modalidade que hoje se encontra praticamente extinta, responsáveis por manter o folião no município nos dias do feriado, além de aumentar a receita anual de clubes como Tupynambás (Baeta), Tupi, Sport Club, Bom Pastor, Clube Juiz de Fora, Círculo Militar e Montesinas, entre outros. O morro e a cidade foram unidos com o tetra-campeonato da Juventude Imperial, que teve como seguidora no sucesso a Escola Unidos dos Passos. Apesar de efêmera, a agremiação dos Passos deixou marcado o “Velho Chico” com o enredo: “Exaltação ao Rio São Francisco”, um dos mais belos sambas da história local. Partido Alto e Real Grandeza viraram escolas de 1º Grupo - e logo campeãs na década de 70. O crescimento municipal começou a indicar a saída dos desfiles da avenida Rio Branco, ensaiada e lamentada pelos sambistas no início dos anos de 1980, mas só confirmada na década de 1990. Após experimentações em outros locais - inclusive retorno à Rio Branco - o carnaval local encontrou o seu lugar na Avenida Brasil. Encruzilhadas e descaminhos provocaram altos e baixos - entre os pontos altos, pode-se registrar o aprimoramento das escolas de samba, como a chegada de outras nos bairros, como a Unidos do Ladeira, o Acadêmicos do Manoel Honório e Mocidade do Progresso. Entre os baixos, três anos sem desfile e o fim de manifestações tradicionais. O caminho da crescente expansão do carnaval de rua é protagonizado por centenas de blocos e bandas em todos os cantos do município. O circuito de grandes eventos também é a marca da Festa de Momo em Juiz de Fora, com destaque para a Banda Daki, que em 2012 comemorou 40 anos, o bloco caricato Domésticas de Luxo, criado como agremiação carnavalesca em 1958 e responsável por abrir os desfiles por muitos anos, e o Bloco do Beco, tradicional por satirizar temas relevantes à vida político-social da cidade desde XXXX. O carnaval de Juiz de Fora entrou vivo no século XXI. Entre axés, MySpace, funks e YouTube, ele busca seu caminho. E começa a descobrir, quando ouve o sábio recado do povo, que este “seu caminho” são vários. O caminho de reverenciar e reinventar esta rica tradição das escolas de samba mais importantes de Minas. E Por que não? O caminho de se misturar com outros ritmos para fazer a nossa combinação ideal; o caminho de tocar e exibir-se na internet; o caminho de não ter um só caminho. 12.2 Diagnóstico - Atualmente, a Liga Independente das Escolas de Samba de Juiz de Fora (LIESJUF) e a Prefeitura de Juiz de Fora (PJF), através da Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage (FUNALFA), são as responsáveis diretas pela organização dos desfiles oficiais das agremiações. A LIESJUF se responsabiliza pela apresentação, pelo julgamento e pela apuração dos resultados, enquanto a Prefeitura de Juiz de Fora/FUNALFA se encarrega de toda logística dos desfiles e do repasse dos recursos às agremiações. É também função assumida pela PJF/FUNALFA o apoio à maioria dos blocos, bandas e carnavais de rua juiz-foranos, com destaque para a Banda Daki, responsável por reunir uma das maiores multidões de foliões de rua no Estado de Minas Gerais. Em 2010 a Prefeitura de Juiz de Fora/FUNALFA criou o Corredor da Folia, conjunto de atividades pré-carnavalesca concentradas em quatro dias uma semana antes do carnaval. Muito bem recebido pela população, o Corredor da Folia garantiu novo fôlego à folia do município. Atualmente, cerca de 200 blocos, apoiados pela Prefeitura de Juiz de Fora/FUNALFA, saem às ruas do município nas semanas que antecedem o carnaval e também durante a Folia de Momo. No entanto, despertar novamente o interesse de um número maior de cidadãos para os ensaios e desfiles das agremiações tem sido um dos maiores desafios daqueles ligados às escolas de samba. O cenário é muito diferente de 30 anos atrás, quando as escolas eram a grande força de entretenimento de classes sociais com menor poder aquisitivo. Naquela época, o carnaval não tinha concorrentes. Nos últimos anos, os desfiles das escolas de samba vêm perdendo espaço e adeptos em função de uma nova dinâmica da sociedade para a qual as agremiações não se prepararam. Entretanto, algumas ações já foram implementadas no setor para buscar soluções. Temos por parte do Poder Público, através da PJF/FUNALFA, o apoio aos desfiles oficiais das escolas de samba, por meio da montagem de toda a estrutura da Passarela do Samba, com apoio logístico e operacional, custeio da sonorização e da iluminação da área dos desfiles e entorno, apoio ao baile para escolha do Rei Momo e da Rainha do Carnaval e apoio às agremiações carnavalescas, alem de suporte financeiro e operacional aos blocos, bandas, clubes e associações de moradores de diversos bairros municipais, divulgação dos eventos, incentivo para a manutenção e criação de escolas de samba mirins, apoio financeiro e logístico aos desfiles dos grupos de afoxé. Dentro dos esforços da sociedade civil, temos, por parte da LIESJUF e das agremiações filiadas, a organização do regulamento dos desfiles, a elaboração do CD do Carnaval, a apresentação das escolas na Passarela do Samba, assim como o julgamento dos desfiles e a apuração dos resultados. No que diz respeito a investimentos distintos daqueles oriundos do Poder Público, um número reduzido de agremiações realiza eventos durante o ano em busca de recursos para seu carnaval. O apoio das empresas locais às manifestações carnavalescas do município ainda é restrito. No entanto, crescem, a cada ano, o desfile de blocos na região central e nos diversos bairros e a criação de escolas de samba mirins e grupos de afoxé, em uma demonstração de que as manifestações carnavalescas ainda mantêm seu potencial de agregar realizadores e público durante os dias da Folia de Momo. 12.3 Diretrizes - I - Realizar eventos em outros formatos, diferentes dos desfiles das tradicionais escolas de samba, tornando o Carnaval de Juiz de Fora atraente para toda a população, em especial para o público jovem; II - Incentivar a volta e criar bailes de carnaval nos clubes, de corsos, de concursos de fantasias, de bailes de máscaras, de batalhas de confetes e outras manifestações de rua; III - Realizar seminários periódicos direcionados aos produtores culturais ligados ao carnaval (representantes do Poder Público, produtores de eventos, presidentes, diretores, carnavalescos, figurinistas, alegoristas, músicos, compositores, entre outros). O foco dos debates e das palestras estaria voltado para a profissionalização do carnaval, propondo que as escolas de samba sejam geridas como empresas, tornando-as rentáveis e gradativamente autossustentáveis; IV - Implantar projetos de cunho social, através de oficinas profissionalizantes e projetos culturais na área do carnaval, beneficiando diretamente as comunidades nas quais as agremiações estão inseridas, promovendo também a formação da cidadania; V - Criar um espaço adequado para a realização de grandes eventos das agremiações, inclusive dos desfiles oficiais, sendo utilizado também para outros eventos do município; VI - Construir barracões-escola destinados às agremiações carnavalescas para desenvolvimento de cursos profissionalizantes; VII - Criar um circuito de eventos nas escolas de samba, visando à arrecadação de recursos para seus desfiles; VIII - Incentivar a organização de blocos carnavalescos nos diversos bairros do município e manutenção do apoio dado aos blocos já existentes; IX - Incentivar o estímulo à criação de escolas de samba mirins; X - Organizar e executar um plano de divulgação do carnaval, realizado com antecedência e direcionado aos diversos públicos; XI - Valorizar a tradição do carnaval fora do eixo das escolas de samba; XII - Estimular as agremiações a se entenderem enquanto unidades produtoras de cultura, podendo estas interagirem com a comunidade como pontos de cultura e, sobretudo, entre elas. 13. CULTURA POPULAR - 13.1 Histórico - Cultura popular pode ser definida como qualquer manifestação cultural que o povo produz e participa de forma ativa. Significa, também, cultivar os costumes, as tradições e os valores de um povo. A cultura popular surge a partir dos usos e costumes de um povo e é transmitida entre as gerações, sobretudo de forma oral. A tradição contribui decisivamente para a formação da cidadania e para a estruturação da vida das comunidades em suas próprias localidades, através do trabalho daqueles que são reconhecidos como mestres da cultura popular, detentores de notório saber. Em Juiz de Fora, encontramos diversas manifestações dessa cultura, sendo mais destacadas a folia de reis, o samba, a capoeira, o hip-hop, as festas populares, as religiosidades populares, os afoxés e o artesanato. Nosso município foi retratado culturalmente através da frase do poeta Murilo Mendes: "Juiz de Fora é um trecho de terra cercado de pianos por todos os lados". Gostaríamos de acrescentar: e estes, por tambores. Assim, se uma cultura erudita e hegemônica se formava nas partes centrais do município, ao seu redor, formas de festejar, criar e socializar surgiam em um contexto social periférico e popular a partir do sincretismo de matrizes culturais diversas como as indígenas, as negras e as europeias. No início do século XX, a vida do juiz-forano das classes populares não se resumia apenas ao trabalho. Além das duras jornadas, a busca por entretenimento era constante, e o cotidiano tornava-se mais agradável com a participação em eventos culturais produzidos pela população local ou de outras cidades. Paralelamente às iniciativas artísticas, como aquelas ligadas ao carnaval e às festas populares realizadas em clubes recreativos e nos adros das igrejas, a participação nas demais atividades de lazer cultural era estimulada através da leitura de jornais como O Pharol e Jornal do Commercio. As primeiras chamadas que abordaram entretenimento nessas publicações retratavam atrações como concertos musicais e jogos participativos, e também, tratado de forma preconceituosa, batuque, canjerê etc. A multiplicidade de eventos nesse período - teatro, saraus, festas com apresentações de bandas de música - reflete o dinamismo da vida cultural de Juiz de Fora na época. A própria sociedade determinava a frequência em cada um dos espaços culturais, alguns mais elitizados, outros mais populares, e assim cada local atraía um público específico onde aconteciam as vivências de determinada manifestação artística e as trocas de experiências. Enquanto a elite se divertia nos saraus, bailes e teatros, a preocupação pela circulação dos pobres e vadios pelo Centro do município era constante. Nas casas de tavolagem e nas espeluncas, os batuques incomodavam. A rua do Capim, Botanágua (margem esquerda do Rio Paraibuna), Lamaçal (atual bairro Bom Pastor), Morro de Santo Antônio (ruas localizadas atrás da Catedral Metropolitana), Creosotagem e Tapera (bairros Santa Terezinha e Bandeirantes) formavam um cinturão cultural no entorno do município onde se concentrava, “em arruaças”, o maior número de negros e mestiços envolvidos em jogos, brigas e boemia. A presença policial nesses locais era comum. No entanto, em determinados pontos do município, a cultura popular insistia em resistir aos ataques dos policiais e da elite socioeconômica juiz-forana do período. A exemplo disso, destaca-se que os primeiros encontros de sambistas locais ocorreram, justamente, no Morro de Santo Antônio. No Lamaçal, em uma boate denominada “Roda da Tumba”, além da roda de samba, ocorria também uma roda de tambor, caracterizada por um bailar que nos remete à presença do jongo e da capoeira. Bem no Centro de Juiz de Fora, encontrávamos a boate “Elite” e o “Quem Pode Pode”, que alegravam as noites dos negros e pobres que residiam no município. Pensa-se a cultura popular como parte das manifestações sociais e artísticas que acontecem no município. Em um mundo globalizado, reafirma-se a necessidade de valorização das formas de sociabilidade periféricas que se processam através das diversas práticas culturais. Acredita-se, também, ser essa dimensão da cultura uma possibilidade de oferecer pontes de intercâmbio entre a periferia e o centro urbano; entre os tambores e os pianos. Essa ponte romperia o hiato existente entre as culturas ditas eruditas e as consideradas populares, contribuindo para a disseminação de ambas entre a população juiz-forana. 13.2 Diagnóstico - Atualmente, as manifestações da cultura popular são inúmeras em nosso município. Algumas já possuem certa organização e representatividade junto às comunidades e aos órgãos gestores, mas é fundamental que outras manifestações possam se organizar, manter suas atividades e exercer seu trabalho de conservação e transmissão de conhecimento. Nas comunidades, as ações no sentido de incrementar a cultura popular são muitas, mas se apresentam de maneira isolada. Daí a precariedade na transmissão dos saberes e na preservação de costumes. A partir do momento em que se define o que é a cultura popular e sua importância para a valorização do povo, suas tradições e o resgate de sua cidadania, verifica-se que muito há que se fazer para escrever, registrar e dar sentido à história e à continuidade das ações dessa cultura. Cada manifestação presente na comunidade tem sua história e possui uma territorialidade que lhe é peculiar, características que chegaram até nós através de relatos de seus fundadores e participantes. Tendo em vista a carência de registros escritos na área, reivindica-se um maior estímulo à pesquisa, por meio da qual poder-se-á buscar mais informações sobre as vivências da cultura popular através da consulta a documentos, fotografias e outras fontes de informação. A Cultura Popular não se vê contemplada de forma satisfatória com os recursos públicos. 13.3 Diretrizes - I - Criar e organizar espaços destinados às práticas de cultura popular e democratização dos espaços existentes com a finalidade de sediar e abrigar diferentes manifestações com seus pertences, seus instrumentos e suas documentações; II - Fortalecer os núcleos de cultura popular nas comunidades como forma de organização e de compartilhamento de saberes e experiências; III - Implementar políticas de geração de trabalho e renda de forma sustentável para os mestres da cultura popular; IV - Instituir o protagonismo desses mestres na realização de cursos, oficinas e seminários que tenham como tema a cultura popular; V - Estabelecer um regime de paridade na distribuição dos recursos financeiros destinados a todas as dimensões da cultura; VI - Criar instrumentos legais com a finalidade de transferência de recursos orçamentários para as entidades culturais através das associações e dos centros culturais, devidamente regulamentados e representados no Conselho Municipal de Cultura, visando a garantir a implementação das diretrizes e das estratégias previstas no Plano Municipal de Cultura; VII - Incentivar a instituição da Lei Griô no município de Juiz de Fora, estabelecendo uma política municipal de transmissão dos saberes e fazeres de tradição oral, em diálogo com a educação formal, para promover o fortalecimento da identidade e da ancestralidade do povo brasileiro; VIII - Incentivar o desenvolvimento cultural sustentável, reconhecendo e valorizando as identidades e memórias culturais locais - incluindo regulamentação de profissões de mestres detentores e transmissores dos saberes e fazeres tradicionais. 14. ETNIAS - 14.1 Histórico - A região onde hoje se encontra o município de Juiz de Fora, até a chegada dos ocupantes oriundos dos continentes europeu e africano, era habitada pelos americanos autóctones (indígenas) principalmente das nações dos botocudos e dos puris, que deixaram importantes marcas de costumes, língua, religião e modos de fazer e de viver. Por razões diferenciadas, ao longo de sua história, Juiz de Fora e região recebeu povos de todo mundo. No entanto, foi pela participação mais acentuada na nossa história, que as etnias portuguesa, afrodescendente, germânica, italiana, síria e libanesa são consideradas as maiores responsáveis pela nossa formação sociocultural. O município recebeu ainda a contribuição de outros grupos étnicos, tais como franceses, espanhóis, judeus, japoneses e americanos do norte, em maior ou menor grau em diferentes períodos. A presença de africanos e afrodescendentes é majoritária em Juiz de Fora desde a primeira metade do século XIX, e sofre uma ampliação extremamente significativa a partir da segunda metade do mesmo século, com o advento e fortalecimento da economia cafeeira e a industrialização, tornando o município uma das regiões de maior concentração de mão de obra escravizada do país. Devido à sua condição de pessoas reduzidas à escravidão, os africanos e seus descendentes sofreram com a discriminação e o preconceito que perduraram mesmo após a abolição da escravidão. Sendo a população negra iletrada em sua quase totalidade, raros são os documentos de “próprio punho” produzidos nos séculos passados deixados por essa representação étnica, raros também são os registros de imagem desse grupo populacional, chegando sua história e memória, principalmente, pela tradição oral e herança cultural, e, por via indireta, pelos registros da classe dominante. Não raro, deparam-se com documentos do passado em que a presença das suas manifestações culturais se fazem presentes, ainda que permeadas pelo (pré)conceito do branco dominante, como pode ser percebido na imprensa e outros registros da época. Os negros, trabalhando, vivendo e lutando, porém, sempre manifestaram seus costumes e culturas trazidos da África e, frequentemente, adaptados nas terras brasileiras. Muitos registros e documentos do século XVIII ao XX fornecem informações sobre a prática do canjerê, do jogo de búzios, dos hábitos alimentares dos afrodescendentes, etc. Muitas dessas práticas e hábitos estão presentes nos dias de hoje. Abolida a escravidão, através

da Lei de 13 de maio de 1888, a situação de exploração e as difíceis condições de sobrevivência dos negros pouco mudaram. A abolição veio dissociada de políticas públicas que visassem à integração dos negros a um estado de direito com acesso a educação, saúde e bem-estar social e sem uma reforma agrária que se preocupasse em redistribuir as terras. A partir de meados do século XIX, com a promulgação de várias leis que foram limitando e dificultando, cada vez mais, a utilização de mão de obra escravizada, o Governo imperial passa a incentivar a imigração europeia, para substituí-la. Em Juiz de Fora, na própria década de 1850, Mariano Procópio esteve à frente dessa iniciativa, por meio da Companhia União Indústria, - responsável pela construção da estrada de mesmo nome -, trazendo imigrantes germânicos, não obstante a larga utilização de pessoas escravizadas nessa Companhia. Instalados em uma região que se dividia entre a colônia agrícola Dom Pedro e a vila operária, denominada de Villagem - onde hoje estão os bairros São Pedro, Borboleta, Mariano Procópio e Fábrica - os alemães contribuíram, desde então, de forma decisiva, para o desenvolvimento urbano e econômico de nosso município. Essa contribuição foi significativa na construção civil, com a constituição das primeiras olarias da cidade, e, também, permeando o cenário urbano com várias edificações realizadas em tijolo maciço aparente. Nas atividades industriais e comerciais, os alemães se destacaram nos ramos têxtil, da cervejaria, dos curtumes e das fundições. O seu pioneirismo nestas atividades está presente, por exemplo, na instalação da primeira iluminação pública (Henrique Meurer/Carlos Otto Halfeld); da primeira estação telefônica de Minas Gerais (George F. Grande); da terceira fábrica de pregos do Brasil (Edmundo Schmidt); dos Bondes (Félix Schmidt), primeiro transporte público de Minas Gerais, e do primeiro curtume industrial do Brasil - Curtume Krambeck, além do Curtume Surerus. No que concerne a contribuição gastronômica dos imigrantes alemães podemos destacar, em primeiro lugar a produção e difusão da cerveja. Eles, pouco tempo depois de chegar a Juiz de Fora, em 1860, instalaram na Colônia de Cima (São Pedro) a primeira cervejaria de Minas Gerais, a Cervejaria Barbante, fundada por Sebastian Kunz. Mais tarde fundaram nove outras cervejarias, entre elas a José Weiss, que foi referência na cidade durante várias décadas. Além da cerveja, outra grande contribuição para a culinária local destes imigrantes foi o Pão Alemão, que, pelo seu valor histórico e cultural, se tornou Patrimônio Imaterial de Juiz de Fora, no ano de 2010, através do Decreto nº 1506/10. A cerveja e o Pão Alemão são presenças constantes nas tradicionais festas da comunidade de seus descendentes, como a Festa de São Pedro e a Festa Alemã, esta última realizada no Bairro Borboleta. A Festa de São Pedro, comemorada no dia dedicado a este Santo, 29 de junho, já está na sua 119ª edição, com variações na sua programação ao longo dos anos, mas com a presença constante das barraquinhas de comidas típicas e venda do Pão Alemão, além da missa, leilão de prendas feitas pela comunidade e, coroando tudo, um baile. A Festa Alemã teve seu início em 1969, organizada pelo Centro Folclórico Teuto-Brasileiro, com o objetivo de resgatar a cultura e o folclore Germânico. A abertura da Festa ficou marcada por um ato inédito para a época: em homenagem aos imigrantes e seus descendentes, na Capela Católica do bairro, foi celebrado um culto ecumênico pelo Padre Jaime Zimmermann Machado e pelo Pastor Adilson Stephanini, da Igreja Luterana. Nela, também encontramos, até hoje, as barracas de comidas típicas e o chope nos canecos, que se tornaram, desde esta época, uma tradição. Durante sua realização são apresentadas danças folclóricas, por grupos culturais locais ou convidados, em seus trajes típicos. Os alemães também foram relevantes no ensino, fundando e/ou dirigindo instituições como a Academia de Comércio, o Colégio Santa Catarina, o Colégio Stella Matutina, entre outros. Nos Esportes, fundaram os primeiros clubes de tiro, caça e pesca, assim como o clube de jogo de boliche (Kegel Club), de ginástica (Turnerchaft) e de tênis (Clube D. Pedro II). No aspecto religioso se destacam a construção da Capela de Santana, em 1858, no atual Bairro de São Pedro e a Igreja da Glória, no Morro da Glória e também a introdução, na cidade do culto luterano, erguendo, em 1862, no Bairro Fábrica, o primeiro Templo Luterano de Minas Gerais e mais tarde, em 1935 a Capela Luterana do Bairro São Pedro. Nas duas últimas décadas do século XIX, aportaram, na cidade, imigrantes provindos de outra região da Europa, os italianos. Sua chegada, ampliada consideravelmente a partir de 1888, com a instalação na cidade da Hospedaria de Imigrantes Horta Barbosa, vêm suprir a necessidade de mão de obra não só para a produção cafeeira da região, como também para a nascente indústria têxtil e para a construção civil. Nesta atividade, amplamente estimulada pelo grande desenvolvimento econômico, eles se destacaram ajudando significativamente na constituição da paisagem urbana de Juiz de Fora. Além de sua atuação na indústria da construção civil, em que destacam-se nomes como os de Pantaleone Arcuri, proprietário da principal companhia construtora da região até meados do século XX, os italianos demonstraram sua especial habilidade em outros serviços artesanais, como os de marcenaria, funilaria, alfaiataria e sapataria, bem como na produção e comercialização de gêneros alimentícios. No que concerne aos aspectos religiosos, destaca-se a devoção a São Roque que se configurou, a partir de 1878, como um culto específico dos italianos no município abrigado na igreja dedicada ao citado Santo, situada na Avenida dos Andradas, na área central do município. O associativismo era outra das características marcantes dos imigrantes italianos resultando na criação de sociedades como a Associação Cultural e Beneficente Ítalo Brasileira "Anita Garibaldi", fundada em 1946 para fins culturais, que teve suas atividades encerradas na década de 1960, mas cuja sede, denominada até hoje como Casa de Anita foi reformada na década de 1990, com apoio da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Outro espaço simbólico para estes imigrantes é a Casa D’Itália, cuja construção contou com contribuições financeiras de grande parte da colônia local. O prédio foi concebido como um centro de convivência para ítalo-brasileiros e de abrigo para várias das suas associações, sendo inaugurado em 5 de novembro de 1939. A Casa serviria à comunidade como espaço para instrução, escola, biblioteca, hospital, beneficência, lazer, esporte e fruição de atividades culturais. Hoje, no local, são desenvolvidas atividades de canto coral com repertório, em sua grande parte, de música italiana, aulas de línguas, cursos de desenho, pintura, bordado e artesanato e um restaurante onde pode ser apreciada a cozinha italiana. A Casa D’Itália é também sede do Tarantolato, grupo de dança folclórica italiana, criado no ano 2000, com o objetivo de divulgar e preservar a dança e as tradições culturais de diversas regiões da Itália. O grupo é formado, em sua maioria, por descendentes de italianos de 2ª e 3ª gerações. Um dos destaques de suas apresentações é a Tarantella, dança típica do Sul da Itália. Ainda como reflexos da cultura italiana em Juiz de Fora, percebe-se no município uma significativa presença de casas de massas e restaurantes de comida típica. Os sírios e libaneses aportaram na cidade a partir da última década do século XIX. Motivados a deixar sua terra natal pelas dificuldades econômicas e políticas, tiveram como primeira atividade geralmente a mascateação, investindo, a seguir, na implementação de pequenas indústrias têxteis ou em atividades comerciais. Habitando preferencialmente a região central da cidade, próxima à linha férrea, costumavam morar nos fundos da mesma edificação onde instalavam suas lojas. As suas fábricas também possuíam dimensão doméstica, muitas vezes instaladas próximas das suas próprias residências e participando da sua produção, como informa Ludmilla Savry Almeida, a própria família do proprietário e alguns empregados provenientes da sua mesma região de origem. Eles chegavam a criar até bicho da seda para obter a matéria prima necessária a sua produção. Sua significativa presença em Juiz de Fora pode ser percebida não só nos sobrenomes de vários dos seus cidadãos, como também, em traços da arquitetura local. Enquanto os libaneses vieram de várias regiões do seu país, a maioria dos sírios procedeu da mesma cidade, Yabroud. Estes imigrantes árabes trouxeram à cidade marcas de suas culturas, nas quais se destacam as suas manifestações religiosas. São na sua grande maioria cristãos, distribuídos basicamente em dois cultos, de acordo com a sua procedência, sendo os libaneses maronitas e os sírios melquitas. Em fins da década de 1950 é construída a Igreja Melquita Católica de São Jorge, inaugurada no ano de 1965, pertencente à Paróquia de mesmo nome e que, para a sua construção, contou com campanhas de arrecadação promovidas pela própria comunidade. Nessa mesma década de 1960, foi criado o Clube Sírio-Libanês, com o objetivo de congregar os imigrantes destas duas procedências. Nas comemorações que acontecem no clube presenciamos, até hoje, a apresentação de danças típicas árabes, reforçadas, desde 2001, com a criação, na própria instituição, do Grupo Nabak, de folclore árabe e dança do ventre, dirigido pelo bailarino libanês Tufic Nabak, que coordena, também, desde 2003, o Centro Cultural Árabe Nabak, sediado no mesmo clube. Nas festividades da comunidade encontramos, também, as suas comidas típicas, que, difundidas por toda a cidade, ajudaram a ampliar o paladar do juiz-forano, que acolheu em seu cotidiano as esfirras, os quibes, etc. Não se pode deixar de destacar, também, os descendentes dos imigrantes portugueses que, principalmente, nas últimas duas décadas do século XIX e nas primeiras três décadas do século XX, chegaram em maior número no município, atraídos pelo seu desenvolvimento econômico. Era, na época, o maior contingente de imigrantes existentes em Juiz de Fora, chegando a constituir cerca de 70% de toda a imigração que aportava na cidade naquele período. Nela se fixaram, a princípio, como vendedores, ambulantes, pedreiros, caixeiros, comerciários e lavradores tendo, posteriormente, papel significativo no setor comercial. Para defender seus interesses criaram, em 1º de dezembro de 1891, a Sociedade Auxiliadora Portuguesa, com o objetivo de “auxiliar financeiramente, os conterrâneos menos favorecidos, como também, o desejo de mantê-los sempre unidos numa terra praticamente estranha para a maioria.” Como informa a historiadora Cláudia Viscardi, seus “sócios eram somente portugueses” que mantinham uma programação anual de comemorações da história e da cultura portuguesas, como a celebração do aniversário de Camões, em junho. Existente até hoje, transforma-se em um clube social, cujo nome foi alterado, em 1969, para Sociedade Portuguesa. E por fim, em meados da década de 2000, tem-se nova modificação, passando a entidade a ser registrada com o nome de Associação Portuguesa de Juiz de Fora. Em 1955, foi criado, dentro da Sociedade, um departamento específico da cultura luso-brasileira, com a finalidade de contribuir com a difusão das tradições portuguesas em Juiz de Fora. No ano de 1961, esse departamento se desmembra da Sociedade Auxiliadora Portuguesa conseguindo sua autonomia e assumindo a denominação de Associação de Cultura Luso-Brasileira, mantendo até os dias de hoje suas atividades. Em 1991, ano do centenário da Sociedade Portuguesa, é criado, também, o Grupo de Dança Folclórica Luiz de Camões, que encerrou suas atividades no fim da década de 2000. Desde 2005, a FUNALFA realiza, em parceria com os principais grupos étnicos da cidade, a Festa das Etnias. Deste processo, foram elaboradas duas publicações que registram memória, práticas cotidianas, hábitos e modos de vida trazidos dos países de origem e incorporadas pelo município. "De todos os cheiros e sabores que fizeram Juiz de Fora" e "Amores" são importantes registros das memórias dos imigrantes e seus descendentes.


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