Atos do governo do poder executivo



Baixar 262.66 Kb.
Página5/6
Encontro25.07.2016
Tamanho262.66 Kb.
1   2   3   4   5   6
14.2 Diagnóstico - Entre as etnias listadas acima, aquela que vive, ainda, em condições mais precárias devido ao passado escravocrata, é a constituída pelos afrodescendentes. Estes necessitam de uma política de ações afirmativas, também na área cultural, no sentido de auxiliar o desenvolvimento da sua produção cultural, bem como na salvaguarda do seu patrimônio e na própria afirmação da sua cidadania. Notamos ainda uma carência de infraestrutura, na maior parte dos grupos culturais étnicos, no que concerne tanto a espaços condizentes com o desenvolvimento de suas ações e produções, quanto à organização e divulgação da documentação que preserva a sua história. A partir dos relatos dos grupos étnicos é possível perceber em todos eles uma grande dificuldade de atrair e garantir a participação dos mais jovens na manutenção das atividades tradicionais. A cidade conta, hoje, com um evento, a Festa das Etnias, de fundamental importância para a identificação e preservação da contribuição destas etnias no seu desenvolvimento cultural e social, mas carece de um planejamento de uma política cultural que atenda, de forma continuada, a esta função. 14.3 Diretrizes - I - Valorizar as manifestações culturais ligadas às etnias por meio da sua identificação e salvaguarda, realizada através dos instrumentos apropriados, como inventários, tombamentos, registros, bem como da produção de eventos relacionados às mesmas; II - Capacitar as lideranças, com o objetivo de ampliar sua participação na construção de políticas culturais direcionadas para os grupos culturais étnicos; III - Realizar cursos para capacitação de artistas e agentes culturais ligados aos grupos das manifestações tradicionais de cada uma das etnias; IV - Garantir os espaços públicos para a realização das manifestações artísticas de cada uma das Etnias e busca de uma melhor divulgação destas ações; V - Elaborar e realizar ações que proporcionem a comunicação, o trabalho em rede e facilite o intercâmbio entre os grupos étnicos; VI - Garantir a implementação de políticas públicas de combate à discriminação, ao preconceito e à intolerância religiosa; VII - Valorizar, estimular e registrar tanto as manifestações culturais das diferentes matrizes étnicas, quanto das matrizes de arte urbana - hip-hop, street dance, grafite -, através de promoção, apoio e proteção às manifestações dessas comunidades para a difusão de seus símbolos; VIII - Criar processo de envolvimento da juventude dentro das atividades dos grupos culturais étnicos; IX - Identificar e nomear os mestres envolvidos com o "saber" fazer de suas práticas e processos, no intuito de sistematizar o registro, a continuação e a perpetuação desses conhecimentos através da transmissão dentro dos grupos e das matrizes étnicas. 15. LITERATURA - 15.1 Histórico - Desde suas origens, Juiz de Fora apresenta-se como um município vocacionado para a cultura, destacando-se no cenário nacional e internacional pelas variadas manifestações artísticas que aqui encontraram terreno fértil. Sua literatura, entre outros recortes, pode ser definida pela recorrente figuração da cidade no microcosmo literário. Os escritores resgatam Juiz de Fora não apenas como um cenário, mas também como uma personagem que atua em diversas narrativas, sendo presença marcante em diversos poemas. A maioria de seus autores escreve sobre suas origens, seus contatos com a terra-mãe. Não é, pois, de se estranhar, que Pedro Nava, o maior memorialista em língua portuguesa, tenha nascido aqui. Por esse motivo, podemos acompanhar o crescimento do município, de sua gente, de sua educação e de sua cultura pelas letras juiz-foranas. O resgate de uma cidade originária permite que se escavem as raízes em busca de um eixo que possa orientar seu futuro, ao mesmo tempo em que rastreia um paradigma de cidade enquanto um locus generalis. E o estar na cidade de Juiz de Fora é reconhecer seus emblemas: as praças, o Rio Paraibuna, os casarões da Avenida Rio Branco, a Rua Halfeld, os antigos bondes e o Morro do Imperador, da Liberdade, hoje, do Cristo, às fazendas presentes no cotidiano de seus habitantes. Juiz de Fora, de forma pioneira, fundou a Academia Mineira de Letras em 1909, desempenhando um papel importante no desenvolvimento literário da cidade e projetando escritores de expressão. Depois, em 1915, a sede da Academia foi transferida para Belo Horizonte. A Rua Halfeld, por exemplo, é centro do mosaico mandalar que compõe a cidade de Juiz de Fora. Carregada do traço forte da cultura, passa a ser não só cenário, mas a grande personagem de muitas narrativas ou presença encorpada em muitos poemas. A rua Halfeld mereceu a atenção de mais de 30 das notáveis letras juiz-foranas: desde Antônio Bernardes Fraga, Edmundo Lys, Murilo Mendes, Bié até Edimilson de Almeida Pereira. Outro que não pôde esquecer a rua de sua mocidade foi Jacob Goldberg, que fez em seu livro Rua Halfeld, Ostroviec a ligação de suas ancestralidades: juiz-forana e polonesa. A literatura é, sem dúvida, uma das expressões culturais mais significativas da cidade e, ao longo do tempo, projetou nomes de relevância no cenário juiz-forano, mineiro e brasileiro. Forte e tradicional centro educacional, o município ganhou impulso no setor literário. Nomes como Murilo Mendes, Pedro Nava, Rubem Fonseca, Affonso Romano de Sant’Anna, Belmiro Braga, Antônio da Silva Mello, Fernando Gabeira, Rachel Jardim, Luiz Ruffato, Sérgio Klein, Iacyr Anderson Freitas, Fernando Fiorese, Ivan Yazbeck, Mary e Eliardo França, entre muitos outros, consolidaram a força literária de Juiz de Fora. E expoentes da nova geração, forjada a partir de meados da década de 1970, em torno do jornal Bar Brazil, dos folhetos Poesia e Abre Alas e da revista D’Lira, deram continuidade à trajetória literária vitoriosa do município. Após 1994, com a criação da Lei Municipal de Incentivo à Cultura - Murilo Mendes, projeto do então vereador Vanderlei Tomaz, gerenciada desde aquela época pela FUNALFA, foram dados mais dinamismo e suporte para que a literatura criada no município fosse editada. A lei, até hoje, vem constituindo uma possibilidade de edição de uma obra tanto para nomes já consolidados, como para novos escritores. Outro canal para a publicação de obras literárias é a Editora UFJF, sob coordenação da própria Universidade. A instituição, desde a sua criação em 1965, também tem sido um núcleo significativo de produção e reflexão sobre a literatura no município. 15.2 Diagnóstico - Pode-se dizer que uma das principais ações no setor é a produção independente de obras literárias a partir da aplicação de recursos provenientes da Lei Murilo Mendes por autores e produtores culturais que tiveram projeto aprovado na lei municipal de incentivo. Dessa forma, a Lei Murilo Mendes tem se mostrado essencial como suporte para a edição e coedição de livros, atualizando a produção literária do município. Editoras de pequeno porte também dão sua contribuição à produção literária. É essencial o estabelecimento de uma política de circulação do livro. Mesmo precariamente, a FUNALFA vem realizando a captação de livros em seus eventos, através da troca de exemplares por convites que dão acesso às atividades da fundação, e destinando as obras arrecadadas para bibliotecas comunitárias e outras instituições, proporcionando a renovação e a ampliação dos acervos. Recentemente, foi realizada a 1ª Feira de Troca de Livros de Juiz de Fora, uma iniciativa do legislativo municipal e executada pela Prefeitura/FUNALFA. A primeira edição foi bem avaliada pelos participantes, e a legislação prevê a sua realização anualmente. Essa perspectiva de continuidade do evento fomenta a possibilidade de se realizar, a baixo custo, uma atividade que proporciona o incentivo à leitura, à renovação de acervos, à circulação de livros, revistas e outros, assim como à interação entre leitores. Há duas décadas, não existe uma política de aquisição de livros no município. Quanto às instituições bibliotecárias municipais, destacam-se como principais a Biblioteca Municipal Murilo Mendes (BMMM), instalada no complexo do Centro Cultural Bernardo Mascarenhas e administrada pela FUNALFA, e a Biblioteca Central da UFJF. A BMMM abriga um dos mais diversificados acervos municipais, disponibilizando ao público um amplo acervo para consulta a periódicos, obras acadêmicas e de literatura voltadas para todas as faixas etárias, documentos históricos no Setor de Memória e acesso gratuito à internet. A biblioteca também coloca à disposição livros na linguagem Braile e fitas cassete para deficientes visuais. Desde 1985, mantém uma sucursal no bairro Benfica, a Delfina Fonseca Lima, também com significativo acervo à disposição do público da região. É importante ressaltar que ainda existe demanda para a criação de bibliotecas em outros bairros do município. Recentemente, a UFJF divulgou, através da imprensa local, o investimento de R$11 milhões na expansão de bibliotecas. Além da expansão do prédio da Biblioteca Central, os recursos serão aplicados na construção de dez novas unidades, incluindo duas bibliotecas setoriais, expansão e atualização do acervo, aquisição de novos títulos, entre periódicos, CDs e DVDs, além da compra de acervo on-line, modernização do Infocentro e fortalecimento da segurança do acervo. Por iniciativas diversas, atualmente, encontra-se em Juiz de Fora cerca de 20 bibliotecas comunitárias, além de instituições que funcionam em locais com as mais diversificadas estruturas, funcionando como núcleos de informação, convivência, leitura, socialização e cidadania cultural. A ampliação do acervo da Biblioteca Municipal Murilo Mendes e das bibliotecas comunitárias é um imperativo, assim como a articulação de uma política pública de incentivo à leitura e à difusão do livro junto às escolas e à comunidade. A valorização dos autores juiz-foranos, natos ou adotados pela cidade, é um importante passo para fortalecer a vertente literária da cidade. Acredita-se também que a realização de um grande evento literário proporcionaria maior visibilidade à literatura da cidade, abrindo novos canais de reflexão e de participação para o setor literário. 15.3 Diretrizes - I - Estabelecer um valor anual no orçamento municipal para a aquisição de livros para a Biblioteca Municipal Murilo Mendes; II - Viabilizar um evento de porte voltado para a difusão literária e a reflexão sobre o livro; III - Articular uma política municipal de incentivo ao livro, à leitura e à elaboração de um Plano Municipal de Incentivo ao Livro e à Leitura; IV - Estimular a articulação da Funalfa com a Secretaria de Educação do município para a viabilização de ações voltadas para o incentivo à leitura, à publicação e à circulação de livros; V - Promover ações voltadas ao estímulo da leitura, visando à ampliação do acesso ao livro e aos diversos portadores de textos, assim como a valorização da leitura como atividade cidadã; VI - Garantir a aquisição e atualização de acervos bibliográficos, assim como o estabelecimento de políticas para sua valorização e sua conservação nas instituições já existentes, através da inclusão, na agenda política e econômica do município, do fortalecimento e da ampliação dos acervos, com infraestrutura, acesso a novas tecnologias para inclusão digital e capacitação de recursos humanos das bibliotecas públicas municipais; VII - Realizar concursos literários. 16. MÚSICA - 16.1 Histórico - As primeiras manifestações musicais na área onde viria a se formar o Município de Juiz de Fora surgiram na época do início da ocupação do território. Quanto às heranças musicais de raiz européia, há indícios de que foram bastante significativas, dado ao número de pianos e partituras que encontramos nas fazendas e nos centros urbanos que compõem e compunham nosso município. Os negros reproduziam a musicalidade de seu local de origem (África), como demonstram os documentos preservados, participando de pagodes (conforme Albino Esteves, fazer funções e divertimento de comezarra, e dança, cantares e prazeres licenciosos) e batuques (que aparecem em processos judiciais do século XIX), como as festas da colheita, onde comemoravam com danças e músicas de tradição africana. O que nos leva a inferir que os primeiros negros a adentrar neste território trouxeram sua musicalidade a partir do final do século XVII. Citando Ernesto Gama, o pesquisador Albino Esteves também nos lembra que os muitos tropeiros que trafegavam pelo Caminho Novo, e que paravam para o descanso nos ranchos que circundavam nosso território, divertiam-se com o povo alegre e folgazão e que “à noite, choravam saudade e idílio as violas: o batuque afogava as mágoas, reconfortava das fadigas de atribuladas viagens”. (ESTEVES, Albino Álbum do Município de Juiz de Fora. Belo Horizonte, Imprensa Oficial, 1915, p. 56). Juiz de Fora, desde as primeiras décadas do século XX, tem sido um polo regional de produção musical e avança gradualmente em aspectos como gravação, difusão, divulgação e preservação da memória dessa produção. Festivais nacionais de música de Juiz de Fora no Cine-Theatro Central atraíam o olhar de todo o país e traziam para cá grandes nomes da música brasileira, revelando outros tantos que, até hoje, perduram na memória musical do país. Estes encontros também tiveram um papel catalisador para a produção local, estimulando, por aqui, entre as décadas de 1960 e 1970, o surgimento de uma geração de compositores de destaque nas categorias MPB, instrumental e rock. Nesse período, os músicos se desdobravam para divulgar seu trabalho em espaços alternativos, como bares, teatros e escolas. Um marco dessa época, a partir de 1975, é o evento Som Aberto, que atraía público nas manhãs de sábado ao anfiteatro do antigo Instituto de Ciências Biológicas e de Geociências (ICBG) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e apresentava, além de artistas locais, nomes do circuito universitário do cenário nacional. Juiz de Fora se destaca por ter a primeira escola de samba de Minas Gerais e a quarta do Brasil, a Turunas do Riachuelo, de 1934. Nos anos 1970, a cidade já contava com uma tradição consolidada na área do samba e choro. Nomes como Ministrinho, João Cardoso, Nelson Silva, Francisco Itaboray, Ernani Ciuffo e Armando Aguiar (Mamão) fizeram parte desse cenário bastante prolífico, assim como Geraldo Pereira e Synval Silva. Ao longo do tempo, a classe artística local sofreu com a centralização da produção fonográfica e dos meios de difusão no eixo Rio-São Paulo, ficando a cargo de produções independentes e alguns poucos registros, a resistência de uma cena musical longe dos grandes centros. Juiz de Fora carrega uma tradição na área de produção musical, em parte, fruto da atuação desses produtores com o incentivo do poder público, o que possibilitou que as atividades nessa área não se estagnassem. Nos anos 1980, novas correntes do rock esboçaram uma cena alternativa, criando a atmosfera propícia para o surgimento de bandas com um repertório em sua maioria autoral e produções coletivas independentes. Ao longo dessa década, festivais de MPB contribuíram para revelar talentos. No entanto, gradativamente, esses eventos foram perdendo força. Entre a segunda metade dos anos 80 e o início dos 90, além da cena roqueira, os festivais estudantis de MPB, como Festival do Granbery, Festival da Academia de Comércio e Canta Minas revelaram muitos talentos individuais. No início da década de 1990, houve o aumento do número de bandas predominantemente com trabalho autoral, acompanhado por uma ampliação significativa do público e pela profissionalização nas produções em eventos de caráter coletivo, em geral, patrocinados pela iniciativa privada. A partir da segunda metade da década de 1990, diminui a quantidade de apresentação de repertório autoral pela ausência de espaço para espetáculos de música com repertório próprio. Isso leva músicos a procurarem uma remuneração para seu ofício. Por essa razão, artistas e bandas começaram a se apresentar em bares e restaurantes, introduzindo em seu repertório um número maior de covers, abandonando assim sua identidade musical e canções de sua autoria. Nesse mesmo período, percebe-se a retração da cultura de espetáculos de música em teatros, o que vinha ocorrendo desde o final dos anos 1980. A criação de redes de parcerias, trabalhos e projetos de caráter mais coletivo caracteriza-se como uma vertente forte nos dias atuais e teve seu cerne em meio àquele cenário da cidade. No contexto do rock, o Festival de Bandas Novas, desde o final dos anos 1990, movimenta os fãs do gênero em Juiz de Fora, abrindo espaço para bandas formadas, em sua maioria por jovens, mostrarem suas composições e predileções artísticas no gênero. Foi a partir de 1995, quando entrou em funcionamento a Lei Municipal de Incentivo à Cultura (Lei Murilo Mendes), que houve um significativo aumento do número de registro de materiais fonográficos. Além do apoio da Lei, esse processo se dá graças a avanços tecnológicos e uma maior facilidade de acesso a essas ferramentas que possibilitaram melhoria nas condições técnicas de gravação, ampliando também a possibilidade de registro da produção musical. Em 2006, surgiu o Encontro de Compositores, cujas primeiras edições aconteceram no Museu de Arte Murilo Mendes (Mamm), que teve como desdobramentos o Bloco de Carnaval Parangolé Valvulado, o Fórum da Música de Juiz de Fora, do Festival Circuito Música da Cidade e do Concurso de Marchinhas Carnavalescas de Juiz de Fora. Na música erudita, Juiz de Fora se destaca pela realização de eventos, como o Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga, realizado pelo Centro Cultural Pró-Música (desde 1989); o FestCoros - Festival Internacional de Coros (desde 1994), coordenado pela Associação Artística e Cultural Coro Municipal Juiz de Fora, e a Oficina de Música Cinves (Curso Internacional de Música Scala - criado em 1985 e acontece desde 1999 em Juiz de Fora), da Scala Escola de Música. A cidade abrigou e abriga vários coros e grupos de meninos e meninas cantores. Consta que um dos primeiros foi o Coro Cênico criado no Conservatório Brasileiro de Música - Dep. de Juiz de Fora na década de 1980. Anterior a este, porém, o Coral Pró-Música e o Coral Universitário já eram atuantes. A tradição musical de Juiz de Fora, fortalecida pelas obras de nomes como Flausino Vale, Duque Bicalho, Edmundo Villani-Côrtes, Francisco Valle e muitos outros, preparou o terreno para outros artistas e seus trabalhos, que atuaram e atuam na cidade, no país e no exterior. O Conservatório Estadual de Música Haidée França Americano, fundado em 1955, é responsável pelo Grupo de Violões Sildo Vidal Galdereto, que prioriza o repertório erudito, e a Alegretto Orquestra de Violinos, formada apenas por crianças entre outros grupos. Fundado em 1971, o Centro Cultural Pró-Música se destaca por uma proposta de formação musical e por incentivar a criação e manutenção de uma série de grupos de importância para a música erudita, como as orquestras Barroca, de Câmara, Sinfônica, de Jazz, de Flauta Doce, Pré-Escola e a Escola (que oferece cerca de 300 bolsas de estudo). Tem ainda Camerata Jovem, Quinteto de Metais, Solistas de Câmara e Coral Pró-Música. Além da produção de eventos, a atuação dessas instituições de ensino tem sido de grande importância na formação, atualização e troca de experiências de sucessivas gerações de músicos não só na área erudita, mas também nos diferentes segmentos da música popular. Por meio de festivais, concertos apresentados ao longo do ano e de trabalhos em escolas, essas entidades têm contribuído para a formação de público. A cidade, hoje, pode contribuir na formação acadêmica do músico com a criação do Curso de Bacharelado em Música na Universidade Federal de Juiz de Fora - IAD - UFJF, em 2009, possibilitando graduação em Canto, Flauta, Piano, Violão, Violino, ou Violoncelo. Além de formadora de profissionais, o Curso de Música produz eventos que contribuem para a formação de público, como o EIMAS - Encontro Internacional de Música e Arte Sonora, além de workshops que integram os músicos da cidade ao curso. 16.2 Diagnóstico - A produção de material fonográfico proporcionada pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura (Lei Murilo Mendes) enfrenta a dificuldade de divulgações e circulação. A união de produtores, músicos e compositores em associações, cooperativas e coletivos representa a busca destes para sanar tais dificuldades. Isso se reflete não só num paradoxo colocado entre a grande quantidade de produtos e sua estagnação subsequente, mas também em outros importantes aspectos, como a dificuldade de uma vida profissional efetiva para os músicos, o que tem despertado em muitos artistas a necessidade de se articular, não só em termos de criação e produção, mas também em torno de uma maior profissionalização e reconhecimento da categoria. A valorização do artista local é fundamental para fortalecer o cenário musical de qualquer gênero, a ausência de canais de circulação mantém estagnada a produção muitas vezes financiada com verba pública, sendo de direito do cidadão conhecê-la, apreciá-la pelos meios de divulgação cultural próprios da cidade. É preciso buscar caminhos, a partir do diálogo entre artistas, poder público, meios de comunicação e iniciativa privada para que espaços realmente eficazes e democráticos de divulgação da produção musical local sejam criados e mantidos em rádios, TVs etc. - REGIONALIZAÇÃO - Juiz de Fora se encontra hoje em posição de polo do desenvolvimento regional, no entanto ainda é pequeno o diálogo cultural com as cidades polarizadas. A ausência de políticas de intercâmbio, ações e projetos de caráter continuado impede a viabilização da circulação de espetáculos e produtos musicais, assim como a realização de eventos conjuntos com municípios da área de influência de Juiz de Fora. Nossa cidade recebe periodicamente grande número de estudantes oriundos das mais diversas regiões vizinhas, o que é um dos fatores definidores do tipo de demandas culturais do município. Assim, um diálogo mais efetivo e consciente com a região pode contribuir para uma ampliação das perspectivas tanto estéticas quanto mercadológicas da cidade e da região. - MEMÓRIA - A cidade também necessita de elaboração e implantação de políticas públicas, efetivas e continuadas destinadas a resgate, registro, preservação e divulgação da memória musical. Os registros efetuados não dão vazão à quantidade de material a ser preservado e, de fato, a urgência é necessária devido à idade avançada daqueles que podem contribuir para a fidelidade da obra registrada e é consenso que parte desse patrimônio imaterial já se perdeu por ausência de registro. Assim, o que há de registro da memória da produção musical de Juiz de Fora até os anos 1990 são alguns raros vinis (que até pela raridade mereceriam passar por um processo de digitalização e relançamento) e a memória dos contemporâneos (algo que a cada ano se torna mais raro). Embora a Lei Municipal de Incentivo à Cultura (Lei Murilo Mendes) beneficie publicações do gênero, o volume de publicações que resgatam a história da musica de Juiz de Fora é reduzido. Apesar da escassez de registros, o que se pode concluir a partir do relato de experiências de sucessivas gerações e através do livro “História recente da música popular em Juiz de Fora”, publicado em 1977 por João Medeiros Filho, Roberto Faria de Medeiros e Carlos Décio Mostaro, é que Juiz de Fora, tem sido, desde as primeiras décadas do século XX um polo regional de produção musical. No entanto, a cidade avançou muito lentamente no ciclo da produção cultural no que se refere à produção, difusão, comercialização e consumo. 16.3 Diretrizes - I - Tornar a formação musical uma política municipal - Continuada e integrada: a. Incentivar a aplicação de recursos para a formação musical, oriundos de fundos diversificados, tais como investimentos de empresas privadas e mecanismos de bolsas de estudos. b. Elaborar estratégias de democratização do acesso à formação musical e a formação de público (no âmbito da apreciação à preservação da memória musical) através de programas continuados de apreciação musical. c. Criar programa de formação continuada para professores. d. Adquirir livros didáticos e outros materiais para o ensino de música. e. Fazer cumprir os concursos para professores de música. II - Inserir a música em projetos sociais em vigência;


Compartilhe com seus amigos:
1   2   3   4   5   6


©principo.org 2019
enviar mensagem

    Página principal