Através da bíblia gênesis itamir Neves de Souza John Vernon McGee


A história de Agar e o nascimento de Ismael



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A história de Agar e o nascimento de Ismael

Gn 16.1-16

O texto de Gênesis 16.1-16 é tão importante que o apóstolo Paulo, séculos depois, usou essa mesma história para explicar de modo simbólico a nossa relação com Deus através de Jesus Cristo.

Os primeiros seis versículos dizem assim:

1. Ora, Sarai, mulher de Abrão, não lhe dava filhos; tendo, porém, uma serva egípcia, por nome Agar,

2. disse Sarai a Abrão: Eis que o Senhor me tem impedido de dar à luz filhos; toma, pois, a minha serva, e assim me edificarei com filhos por meio dela. E Abrão anuiu ao conselho de Sarai.

3. Então, Sarai, mulher de Abrão, tomou a Agar, egípcia, sua serva, e deu-a por mulher a Abrão, seu marido, depois de ter ele habitado por dez anos na terra de Canaã.

4. Ele a possuiu, e ela concebeu. Vendo ela que havia concebido, foi sua senhora por ela desprezada.

5. Disse Sarai a Abrão: Seja sobre ti a afronta que se me faz a mim. Eu te dei a minha serva para a possuíres; ela, porém, vendo que concebeu, desprezou-me. Julgue o Senhor entre mim e ti.

6. Respondeu Abrão a Sarai: A tua serva está nas tuas mãos, procede segundo melhor te parecer. Sarai humilhou-a, e ela fugiu de sua presença.

Quando Deus nos promete alguma coisa, podemos aguardar porque é suficientemente poderoso para não deixar a sua palavra voltar vazia. O que Ele prometeu, há de cumprir.

O surpreendente, e ao mesmo tempo irônico na atitude de Abrão, é constatarmos que depois de ter tido experiências maravilhosas com Deus, onde sua fé foi sendo aumentada e solidificada, vemos agora o Pai da fé cair diante da pressão dos problemas domésticos levantados por sua esposa Sarai.

O Abrão que contra uma confederação de reis opressores e violentos lutou e venceu, libertando o seu sobrinho Ló; o Abrão que não cedeu à tentação de ter grandes recompensas financeiras por causa dessa vitória; o Abrão ousado e transparente que dialogou com Deus pedindo uma confirmação da promessa de uma grande descendência; esse mesmo Abrão agora é visto naufragando numa situação de relacionamentos enciumados e melindrados que envolviam sua esposa e sua serva. Que situação! Que fragilidade!

Tudo isso serve para comprovar que nós, seres humanos, somos assim mesmo. Às vezes estamos num momento maravilhoso de comunhão, de intimidade com o Senhor, e logo depois estamos caídos, frustrados, temerosos, cheios de dúvidas, fraquejando diante das tentações e pecando. Essa é a natureza do ser humano. Hoje, nos montes da glória, amanhã, nos vales profundos e sombrios das incertezas.

Abrão tinha 75 anos na época de Gênesis 12, quando foi chamado por Deus. Dez anos haviam se passado desde que o Senhor o chamara para sair da sua terra e do meio da parentela para seguir as suas orientações, vagando por terras desconhecidas até chegar em Canaã.

Agora estava com 85 anos e a promessa de que sua descendência seria numerosa ainda não havia se cumprido. E o pior de tudo é que sua esposa Sarai era estéril. Mesmo depois da experiência especial do capítulo 15, quando Deus lhe confirmou uma descendência tão grande quanto às estrelas e lhe revelou detalhes futuros sobre ela, com certeza no coração de Abrão ainda havia questões não solucionadas. Como Deus cumpriria a sua promessa? Como essa descendência surgiria?

Em meio a essas dúvidas, despontou a proposta de Sarai, que lhe fez desviar os olhos do Senhor e olhar para as possibilidades de soluções humanas mais simples e palpáveis. Ao invés de ficar aguardando com fé a solução divina, Abrão anteviu a possibilidade de uma solução mais simples.

O plano foi arquitetado por Sarai. Como tinha uma escrava egípcia que já estava com eles desde o tempo do Egito, ela propôs que através da serva Abrão desse origem à sua descendência. Abrão aceitou a sugestão de sua esposa e possuiu Agar.

Ora, como a sugestão havia partido de sua própria esposa, Abrão não viu mal nenhum em admitir tal possibilidade. Naqueles dias a esterilidade era considerada como a maior e mais terrível desgraça que poderia atingir a vida de uma mulher casada. Além de se entender que o casal sem filhos estava sob a maldição de Deus, a mulher sentia-se humilhada e desprezada pela sociedade.

O método sugerido por Sara não era a solução divina. Ele era aceito naqueles dias, como aconteceu também na família de Jacó, que teve filhos com Zilpa e Bila, servas de suas esposas Lia e Raquel. Os filhos desses relacionamentos eram incluídos na família e tinham plenos direitos de herança.

Abrão deve ter raciocinado (e racionalizado), que sendo essa uma maneira aceitável e até legítima de iniciar a sua descendência, não teria problemas se confirmasse o plano. E assim foi feito. Coabitou com Agar e ela engravidou.

Porém aconteceu algo que nem Sarai e nem Abrão imaginaram. Agar, depois de engravidar, desprezou Sarai, humilhando-a pelo fato de não poder dar filhos a Abrão. Mesmo sendo a senhora, a patroa, não podia gerar os filhos que lhe dariam a descendência tão almejada e assim sentia-se cada vez mais humilhada.

Você percebe em que situação complexa Abrão e Sarai se envolveram? E sabe por quê? Porque falharam e não tiveram paciência de aguardar o tempo do Senhor! Esse é o requisito da fé! Esperar confiantemente, como nos diz o Salmo 40.1: Esperei confiantemente pelo Senhor; ele se inclinou para mim e me ouviu quando clamei por socorro.

A narrativa continua, e vemos Abrão lavando as mãos diante da reclamação de Sarai. Ele não assumiu a responsabilidade de tratar o constrangimento que Agar estava causando a sua esposa. Transferiu a responsabilidade. Falhou mais uma vez, como já fizera anteriormente quando estavam no Egito ao deixar Sarai com a responsabilidade de protegê-lo com uma mentira. Agora ele passa adiante a responsabilidade de disciplinar ou punir Agar.

E é lógico supormos que a decisão de Sarai, com certeza, não seria uma decisão equilibrada, pois era a parte ofendida na questão. E foi exatamente o que aconteceu. Sarai humilhou Agar e ela fugiu da sua presença.

Agar partiu em direção do Egito, sua terra natal, já tinha caminhado alguns dias e estava próxima a Cades! Que situação! Ela estava grávida e fugindo com um filho no ventre que daria descendência a Abrão. São esses os resultados dos planos humanos. Muita confusão!

Mas graças a Deus porque Ele não depende de nós e tem seus planos infalíveis! Assim o relato continua, e lemos nos versos 7 a 14:



7. Tendo-a achado o Anjo do Senhor junto a uma fonte de água no deserto, junto à fonte no caminho de Sur,

8. disse-lhe: Agar, serva de Sarai, donde vens e para onde vais? Ela respondeu: Fujo da presença de Sarai, minha senhora.

9. Então, lhe disse o Anjo do Senhor: Volta para a tua senhora e humilha-te sob suas mãos.

10. Disse-lhe mais o Anjo do Senhor: Multiplicarei sobremodo a tua descendência, de maneira que, por numerosa, não será contada.

11. Disse-lhe ainda o Anjo do Senhor: Concebeste e darás à luz um filho, a quem chamarás Ismael, porque o Senhor te acudiu na tua aflição.

12. Ele será, entre os homens, como um jumento selvagem; a sua mão será contra todos, e a mão de todos, contra ele; e habitará fronteiro a todos os seus irmãos.

14. Então, ela invocou o nome do Senhor, que lhe falava: Tu és Deus que vê; pois disse ela: Não olhei eu este lugar para aquele que me vê? Por isso, aquele poço se chama Beer-Laai-Roi; está entre Cades e Berede.

Qual o significado da expressão “Anjo do Senhor”? Embora muitos estudiosos não aceitem essa posição, neste contexto o Anjo do Senhor, ou mensageiro, não nos parece um ser distinto de Deus. Temos aqui uma “teofania”, isto é, uma manifestação visível do próprio Deus, o próprio Senhor se apresentando e fazendo sentir a sua presença de maneira sensível e concreta. Seria a manifestação pré-encarnada do Senhor Jesus (Gn 19.1, 21; 31.11-13; Êx 3.2-4; 23.20-33; 32.34; Jz 2.1-5; 6.11-24).

Mas apesar das diferentes opiniões, o texto diz claramente que Agar foi amparada e socorrida pelo Senhor. Deus sempre está atento aos nossos sofrimentos e pronto a nos socorrer. Na seqüência houve recomendação para Agar voltar e acertar seu relacionamento com Sarai e também uma promessa maravilhosa que certamente encheu o seu coração de júbilo. Por causa da semente de Abrão que nela estava, seu filho teria uma grande descendência que também, como Deus prometera a Abrão, não poderia ser contada. Seu nome seria Ismael, que significa “Deus ouve”, pois como disse o anjo: “O Senhor te acudiu na tua aflição”.

Você consegue perceber que mesmo numa situação de falta de fé, desconfiança, dúvidas e atitudes totalmente humanas e carnais, quando Deus age sempre produz um final surpreendente? E foi o que aconteceu! Mesmo injustiçada por Sarai, Agar teve o conforto do Senhor e uma promessa maravilhosa a respeito do filho que estava gerando.

A serva deveria voltar a sua senhora e diante dela se humilhar. Nessa atitude está demonstrado o princípio de que não podemos desprezar o nosso próximo e nos rebelar contra as autoridades. Se agirem errado, sejam elas quais forem, Deus certamente providenciará o tratamento correto. Nossa atitude deve ser de respeito e submissão às autoridades, entregando-nos sempre aos cuidados do Senhor.

Agar, mesmo sendo egípcia e de outra religião, depois de servir Sarai e Abrão por 10 anos, aprendeu que o certo era invocar e adorar o nome do Senhor. Depois dessa experiência especial com o anjo do Senhor, o verso 13 nos relata que ela adorou, invocando o nome do Senhor. Era uma escrava, mas certamente alguém temente a Deus! Convicta de que Deus lhe aparecera, chamou aquele lugar de “Tu és Deus de vista” ou “Vi de fato a Deus”.

Vale a pena destacar, embora seja apenas para confirmar o que você já sabe, que os ismaelitas, essa descendência tão numerosa que não seria possível ser contada, são os árabes dos dias atuais. É isso mesmo. A promessa se cumpriu integralmente e os árabes convivem em muitos territórios fronteiriços aos israelenses e são detentores de uma conduta feroz e agressiva. A hostilidade entre Sarai e Agar foi transmitida aos seus descendentes.

Mas o nome do poço onde o Anjo do Senhor a encontrou tem um significado especial: Beer-Laai-Roi significa “o poço do vivente, meu observador”, dando a entender que Agar celebrava o cuidado constante do Senhor sobre a sua vida e a de seu filho!

Os versos finais desse capítulo contêm as seguintes palavras: Agar deu à luz um filho a Abrão; e Abrão, a seu filho que lhe dera Agar, chamou-lhe Ismael. Era Abrão de oitenta e seis anos, quando Agar lhe deu à luz Ismael (v. 15-16). Essas palavras finais salientam a responsabilidade de Abrão em relação a Ismael que ocorreu, porque Agar, obedecendo ao Anjo do Senhor, retornou ao lar de seus senhores.

Essa é uma história muito interessante. O próprio Novo Testamento, nas palavras do apóstolo Paulo em Gálatas 4.22-29, faz uso dela através de uma referência a Ismael, o filho de Agar, como nascido “segundo a carne”, resultado dos próprios esforços humanos quanto à religião, ao contato com Deus, que são sempre incompatíveis aos resultados da atuação do Espírito Santo em nós:



22. Pois está escrito que Abraão teve dois filhos, um da mulher escrava e outro da livre.

23. Mas o da escrava nasceu segundo a carne; o da livre, mediante a promessa.

24. Estas coisas são alegóricas; porque estas mulheres são duas alianças; uma, na verdade, se refere ao monte Sinai, que gera para escravidão; esta é Agar.

25. Ora, Agar é o monte Sinai, na Arábia, e corresponde à Jerusalém atual, que está em escravidão com seus filhos.

26. Mas a Jerusalém lá de cima é livre, a qual é nossa mãe;

27. porque está escrito: Alegra-te, ó estéril, que não dás à luz, exulta e clama, tu que não estás de parto; porque são mais numerosos os filhos da abandonada que os da que tem marido.

28. Vós, porém, irmãos, sois filhos da promessa, como Isaque.

29. Como, porém, outrora, o que nascera segundo a carne perseguia ao que nasceu segundo o Espírito, assim também agora.

Paulo nos ensina nesse texto a respeito das duas alianças: a da lei e a da graça. Ele faz uma alegoria onde Agar representa a antiga aliança, a lei, e Sara representa a nova aliança, a graça. Sara representa a graça por ser a esposa de Abrão. Ela era livre e não escrava. Agar apontava para a lei que foi dada no Sinai, após os judeus terem saído do Egito. Os judeus se tornaram servos da lei e viviam debaixo dela, mas Sara representa a graça que nos veio por meio de Jesus Cristo.

Nessa aplicação, Paulo fala que não estamos mais debaixo da lei, mas debaixo da graça. Portanto é assim que devemos andar, baseados na graça do Senhor Deus. Como você tem desenvolvido a sua vida cristã? Está preocupado em cumprir toda a lei ou tem se apropriado da graça e experimentado a misericórdia divina?

Ao estudarmos a vida de Abrão notamos que entre acertos e erros ele foi crescendo no conhecimento de Deus e confiando cada vez mais no Senhor. Alguns estudiosos têm sugerido que o patriarca foi submetido a sete testes divinos durante o processo de ser transformado em um homem de fé e exemplo para os crentes.

O primeiro teste foi o da chamada para sair da sua terra e da sua parentela para seguir a Deus, sem saber o que o futuro reservava. O segundo ocorreu quando houve grande fome em Canaã e Abrão foi para o Egito. O terceiro, quando tio e sobrinho constataram que as suas posses eram tantas que não podiam mais ficar juntos. Abrão deixou que Ló escolhesse primeiro o lugar para onde queria ir. No quarto teste Abrão recusou as riquezas que o rei de Sodoma lhe oferecera como gratidão por libertá-lo dos inimigos. O quinto teste aconteceu através do plano elaborado por Sarai para que através de Agar Abrão fizesse surgir a sua descendência. O sexto teste aconteceu no capítulo 18, quando Abrão intercedeu para que não houvesse a destruição de Sodoma e Gomorra. E, por fim, o sétimo e mais delicado deles, no capítulo 22, quando Deus pediu que Abrão lhe entregasse Isaque, o filho da promessa, em sacrifício.

Você percebe como Deus trabalha com seus filhos? Das mais variadas maneiras Ele vai moldando o nosso caráter à semelhança do caráter de Cristo. É esse o processo que vimos na vida de Abrão. Por isso podemos estar seguros que Deus usa esse mesmo método para forjar a nossa vida para que dela redunde a glória de Deus.



A mudança de nomes e o início da circuncisão

Gn 17.1-27

Alguns estudiosos consideram o capítulo 17 como o mais importante, senão de toda a Bíblia, pelo menos do livro de Gênesis. Por quê? Porque nele temos Deus mudando o nome de Abrão, “o grande pai”, para Abraão, “pai de multidões”. Deus também se revela a ele com o nome de El Shadai, que significa “Deus Altíssimo”. Diz a Abraão que Ismael não seria o seu herdeiro, porque não era o filho da promessa. O filho da promessa seria o da sua esposa legítima. Fala também que a descendência de Abraão seria numerosa e que a aliança firmada entre os dois seria perpétua.

Portanto neste capítulo vemos Deus reafirmando sua palavra a Abrão. E essa palavra agora se completa porque no capítulo 15 aprendemos que nada foi pedido a Abrão, senão que cresse, que confiasse.

Mas agora surgem as implicações em profundidade e extensão. Em profundidade, porque a crença, a confiança, deveria ser demonstrada em total dedicação, como é exigida no verso 1: Anda na minha presença e sê perfeito. Em extensão, porque todos os envolvidos deveriam ser selados, um por um, nas futuras gerações: Esta é a minha aliança… todo macho entre vós será circuncidado] (v. 10). Percebemos a participação pessoal e a participação coletiva, a fé interior e o selo externo, a justiça imputada pela graça e a devoção demonstrada pela obediência. São lições maravilhosas.

Os dois primeiros versos deste capítulo dizem: Quando atingiu Abrão a idade de 99 anos, apareceu-lhe o Senhor e disse-lhe: Eu sou o Deus Todo-Poderoso; anda na minha presença e sê perfeito. Farei uma aliança entre mim e ti e te multiplicarei extraordinariamente.

Já havia passado 24 anos desde que Deus chamara Abrão para andar com Ele e lhe prometera: … de ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome… (Gn 12.2)]. Mas até agora a promessa ainda não tinha se cumprido. Ismael estava com 13 anos (Gn 16.16), mas não era o filho da promessa.

O verso continua e registra que Deus aparece a Abrão e lhe revela outro nome seu, o “Eu sou o Deus Todo-Poderoso”. Em hebraico é El Shadai, conforme aparece em Gênesis 28.3; 35.11; 43.14; 48.3; 49.25 e Êxodo 6.3, sempre em conexão à promessa da descendência. Esse era o nome primitivo de Deus cujo significado pode ser “Deus do monte ou Deus da montanha”, Deus como o único e suficiente, lembrando o Salmo 121.1 que destaca o domínio universal de Deus: Elevo os olhos para os montes: de onde virá o socorro?.

O verso 1 do capítulo 17 de Gênesis ainda continua: … anda na minha presença e sê perfeito…, que é o que Deus requer de todos nós. Depois da tentativa desastrada de Abrão e Sarai de obter a descendência prometida através de Agar, Deus interveio e, de modo muito claro disse a Abrão: ande segundo a minha vontade, ande comigo e seja íntegro. Tenha um coração confiante e seja maduro.

Deus deixou claro a Abrão que só cumpriria os benefícios prometidos na aliança se ele fosse um servo fiel e obediente. Sua fé devia ser acompanhada pela obediência que vem pelo amor.

A frase do verso 2 confirma aquilo que Deus dissera anteriormente a Abrão: a aliança e a grande descendência que seria multiplicada tal quais as estrelas que não podiam ser contadas.

No verso 3, quando Abrão se prostra e se curva diante da presença sublime de Deus, demonstra que reconhece a sua condição de servo diante do Senhor, até que mais tarde, depois de caminhar e conhecer mais, torna-se amigo de Deus.

Ao estabelecer a aliança, Deus especifica claramente as obrigações das duas partes. Nos versos 4 a 8, Ele declara a sua parte:



4. Quanto a mim, será contigo a minha aliança; serás pai de numerosas nações.

5. Abrão já não será o teu nome, e sim Abraão; porque por pai de numerosas nações te constitui.

6. Far-te-ei fecundo extraordinariamente, de ti farei nações, e reis procederão de ti.

7. Estabelecerei a minha aliança entre mim e ti e a tua descendência no decurso das suas gerações, aliança perpétua, para ser o teu Deus e da tua descendência.

8. Dar-te-ei e à tua descendência a terra das tuas peregrinações, toda a terra de Canaã, em possessão perpétua, e serei o seu Deus.

Que texto impressionante! Você percebe o que Deus está colocando como parte dele, como responsabilidade nesta aliança? A lista tem sete itens:

     1.     Deus estava estabelecendo a aliança entre Ele e Abrão. Uma aliança perpétua que diz ser dele – “minha aliança” – porque estava propondo esse relacionamento.

     2.     Deus faria Abrão ser pai de muitas nações.

     3.     Mudaria o nome de Abrão para Abraão, para ficar de acordo com a sua descendência de muitas nações.

     4.     Tornaria Abrão fecundo, isto é, com a possibilidade de ter mais filhos.

     5.     Faria com que reis descendessem de Abrão.

     6.     Seria o Deus de Abraão e da sua descendência.

     7.     Daria Canaã, a terra das peregrinações de Abrão, por possessão perpétua.

Que promessas! Que palavras encorajadoras! Que Deus maravilhoso!

Nos versos 9 a 13, o outro lado da aliança, o lado de Abraão, também é especificado:

9. Disse mais Deus a Abraão: Guardarás a minha aliança, tu e a tua descendência no decurso das suas gerações.

10. Esta é a minha aliança, que guardarei entre mim e vós e a tua descendência: todo macho entre vós será circuncidado.

11. Circuncidareis a carne do vosso prepúcio; será isso por sinal de aliança entre mim e vós.

12. O que tem oito dias será circuncidado entre vós, todo o macho nas vossas gerações, tanto o escravo nascido em casa como o comprado a qualquer estrangeiro, que não foi da tua estirpe.

13. Com efeito, será circuncidado o nascido em tua casa e o comprado por dinheiro; a minha aliança estará na vossa carne e será aliança perpétua.

Também temos nesse texto sete elementos que Abraão deveria cumprir como sua parte na aliança que estava sendo estabelecida:

     1.     Junto com sua descendência deveria guardar a aliança.

     2.     Circuncidar todo o macho da sua descendência.

     3.     Considerar a circuncisão como sinal da aliança.

     4.     Circuncidar todo macho logo aos oito dias de idade.

     5.     Circuncidar todo servo que nascesse nos seus domínios.

     6.     Circuncidar todo servo comprado, qualquer que fosse sua origem.

     7.     Considerar essa aliança de caráter perpétuo.

O parágrafo termina mostrando a terrível conseqüência da quebra de aliança. O verso 14 diz assim: O incircunciso, que não foi circuncidado na carne do prepúcio, essa vida será eliminada do seu povo; quebrou a minha aliança. Você conseguiu entender que Deus e Abraão estavam estabelecendo uma aliança perpétua, isto é, permanente? Esse estabelecimento da aliança era algo muito sério e sua quebra envolveria a morte.

E, como vimos no capítulo 15, ao acertarem essa aliança, as partes faziam o juramento, invocando a maldição sobre si mesmas. Num certo sentido, simbolicamente, Abraão estava dizendo: “Se eu não for leal na fé e na obediência ao Senhor, que a sua espada elimine a minha descendência, assim como cortei o meu prepúcio”. Espiritualmente, a essência da aliança é como o “aceito” que os noivos dizem ao se casarem.

Outro fato importante que deve ser destacado é a abrangência da circuncisão, demonstrando que Deus nunca fez e não faz acepção de pessoas: não só a descendência legítima poderia e deveria participar da aliança, mas também os servos, quaisquer que fossem as suas origens. Êxodo 12.44 diz que esta aliança com Deus também foi aberta para qualquer gentio que viesse pertencer totalmente à comunidade de Israel. Deus é Deus de todos! A salvação divina é para todos! Esse é o nosso Deus gracioso e misericordioso para com todos!

Nos versos 15 a 22, Deus mudou o nome de Sarai para Sara, que significa princesa, simbolizando a nova situação em que ela se encontrava por causa da promessa, porque seria mãe de nações e de reis, cumprindo o propósito do Senhor. Quando Deus também se comprometeu com Sara, Abraão, ao ouvir de novo a promessa, ao prostrar-se diante do Senhor, riu e consigo mesmo questionou como se daria a sua concretização.

O texto do verso 17 diz assim: A um homem de cem anos há de nascer um filho? Dará à luz Sara com seus noventa anos?. O que temos nesse relato? Não se espante! Mais uma vez encontramos uma demonstração de falta de fé. Uma demonstração de dúvida diante da promessa do Senhor. E quando Abraão duvidou da promessa, sugerindo que Deus abençoasse a Ismael dizendo: tomara que viva Ismael diante de ti (v. 18), Deus continuou sendo paciente com Abraão. Mesmo diante da incredulidade do patriarca Deus prometeu cuidar de Ismael. O verso 20 diz: Quanto a Ismael, eu te ouvi: abençoá-lo-ei, fá-lo-ei fecundo e o multiplicarei extraordinariamente; gerará doze príncipes, e dele farei uma grande nação.

Você percebe como o nosso Deus é paciente, amoroso e compreensivo? Paciente, porque mesmo diante da sugestão imprópria de Abraão querendo colocar Ismael, filho de uma atitude sem fé, como seu descendente, Deus prometeu abençoá-lo. Amoroso, porque abençoaria indiretamente Abraão, fazendo Ismael fecundo e multiplicando a sua semente. Compreensivo, porque entendeu a preocupação de Abraão com Ismael, que mesmo não sendo o filho da promessa era o seu primogênito, dizendo que faria Ismael gerar doze príncipes tornando-o uma grande nação (Gn 25.12-16).

Mas Deus, nos versos 19 e 21, confirmou de modo muito claro a Abraão que sua descendência viria através de Sara. Deu-lhe o nome do filho que se chamaria Isaque (riso), e afiançou que ele nasceria dentro de um ano. E, assim, com essas palavras e promessas, o verso 22 termina dizendo que Deus encerrou a solene conversa com Abraão e recolheu-se, elevando-se às alturas.

Não vale a pena confiar nesse Deus tão bondoso e misericordioso? Com certeza! Mesmo quando falhamos, Ele que conhece nossas limitações, está sempre pronto a nos perdoar e a oferecer uma nova oportunidade.

O capítulo termina com uma narrativa muito significativa do patriarca obedecendo a Deus com prontidão naquele mesmo dia, como Deus lhe ordenara (v. 23). Abraão estava com 99 anos de idade e Ismael com 13 anos e foram circuncidados no mesmo dia. Por ordem de Abraão, todos os demais machos de sua casa também foram circuncidados.





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