Através da bíblia gênesis itamir Neves de Souza John Vernon McGee


Abraão recebe anjos e intercede por Sodoma e Gomorra



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Abraão recebe anjos e intercede por Sodoma e Gomorra

Gn 18.1-33

O capítulo 18 de Gênesis pode ser dividido em três partes:

     Parte 1 –     Visita do Senhor e dos anjos a Abraão (v. 1-15)

     Parte 2 –     Anúncio da destruição das cidades de Sodoma e Gomorra (v. 16-21)

     Parte 3 –     Intercessão de Abraão pelos habitantes de Sodoma e Gomorra (v. 22-33)

Nos versos 1 a 15, temos o relato de uma visita especial que Abraão recebeu. Estava o patriarca, por volta do meio dia, no maior calor do dia, sentado à porta da sua tenda, quando levantou os olhos e viu três homens bem próximos de si. A sua pronta reação, de acordo com o costume da época, foi dirigir-se rapidamente aos visitantes e, inclinando-se, oferecer-lhes tudo o que era possível em termos de hospedagem.

É interessante notarmos sete atitudes que Abraão teve e que servem de modelo para nós:

     1.     Ele deu atenção imediata às necessidades dos hóspedes.

     2.     Saudou-os, inclinando-se até o chão.

     3.     Dirigiu-se a um deles tratando-o como meu Senhor, colocando-se numa postura de servo.

     4.     Demonstrou que era um privilégio poder servir aos visitantes.

     5.     Fez com que trouxessem água para lavarem os pés e os colocou à sombra de uma frondosa árvore.

     6.     Providenciou que uma boa refeição fosse preparada e a serviu em seguida.

     7.     Ficou perto dos visitantes, em pé, como um servo, em atitude de prontidão para servir-lhes em suas necessidades.

De fato essas atitudes foram exemplares. Elas demonstram o caráter de Abraão que estava sendo forjado por Deus. Que possamos seguir esse exemplo de cortesia e gentileza!

Mas quem eram esses visitantes? Um deles certamente era o Senhor (v. 1, 13, 17, 20, 22 a 33), os outros dois eram anjos, mensageiros divinos (Gn 19.1). E qual era o propósito dessa visita? Quando comparamos o relato do capítulo 17 com as palavras ditas pelos visitantes nos versos15, vemos que essa visita tinha a finalidade de despertar e consolidar a fé de Sara, que seria participante ativa da promessa a ser cumprida.

Vejamos as palavras do verso 9: Então, lhe perguntaram: Sara, tua mulher, onde esta? Ele respondeu: Está aí na tenda. Disse um deles: Certamente voltarei a ti, daqui a um ano; e Sara, tua mulher, dará à luz um filho. Sara o estava escutando, à porta da tenda, atrás dele.

Você consegue perceber que o foco da conversa não é mais Abraão, como tinha sido até o momento? A atenção agora se volta para Sara. Ela necessitava ser encorajada, ser estimulada em sua fé. Não é bom sabermos que quando vacilamos em nossa fé o próprio Senhor vem ao nosso encontro para nos encorajar e nos estimular a fé?

Sara precisava de uma palavra dirigida diretamente a ela. A reação que teve quando um dos anjos afirmou que dentro de um ano daria à luz um filho demonstrava que ainda não cria na promessa. Depois de rir da palavra divina, sua pergunta interior foi a seguinte: Depois de velha, e velho também o meu senhor, terei ainda prazer? (v. 12).

Sobre esse evento é necessário fazermos alguns esclarecimentos. Sara riu demonstrando incredulidade ou sorriu de alegria pela promessa que estava sendo reforçada? Alguns entendem que esse sorriso foi de alegria. Sara ficou feliz pela possibilidade de dar à luz e sorriu de contentamento. Mas outros entendem que ela continuou demonstrando a mesma incredulidade evidenciada quando ofereceu Agar a Abraão.

Mas a palavra do anjo no verso é muito significativa e esclarecedora: Acaso, para o Senhor há coisa demasiadamente difícil? Percebemos que ele está desafiando Sara a ter fé.

Um outro detalhe ainda mais intrincado é o significado da frase “Terei ainda prazer?”. Essa é uma frase que necessita de clara compreensão. Alguns comentaristas entendem que Sara expressou uma frase sensual, demonstrando que o sexo no casamento deve ir além da procriação: deve proporcionar alegria e prazer para os cônjuges. Outros comentaristas traduzem a frase da seguinte maneira: “Terei ainda esse prazer?”, entendendo que o prazer se referia à boa notícia de que seria mãe.

Este é um trecho que precisa ser compreendido considerando-se o contexto e a importância da geração dos filhos. Por isso mesmo é que necessitamos de um estudo cada vez mais profundo da Palavra de Deus. Sem negar a verdade sobre o papel do sexo no casamento, podemos crer que Sara, ainda não crendo na promessa divina, expressou a seguinte idéia: “Sendo Abraão e eu já velhos, como terei o prazer de dar à luz um filho? Será que isto é possível?”. Na verdade, o que podemos perceber é uma luta interna de Sara contra as evidências concretas. Ela estava com 89 anos, e Abraão com 99. Sob olhar humano não tinham condições de gerar um filho.

E é exatamente sobre isso que Paulo escreveu sobre Abraão que ao contrário de Sara, creu. Em Romanos 4.18-21 lemos:



18. Abraão, esperando contra a esperança…

19. E, sem enfraquecer na fé, embora levasse em conta o seu próprio corpo amortecido…

20. não duvidou, por incredulidade, da promessa de Deus; mas, pela fé, se fortaleceu, dando glória a Deus, estando plenamente convicto de que ele era poderoso para cumprir o que prometera.

Abraão cria firmemente que Deus poderia lhe dar um filho com Sara, enquanto ela mesma ainda não chegara a esse patamar de fé. Na seqüência de Gênesis 18, o anjo perguntou a Abraão porque sua mulher havia sorrido. Sara mentiu deliberadamente, negando o fato. Essa é mais uma prova de que ainda não estava no mesmo nível de fé de Abraão.

É possível perceber que Sara precisava ter a confiança que Abraão já possuía. Ela deveria crer tanto quanto ele, pois dali a um ano a promessa se cumpriria, seria concretizada. Então, fica claro que os anjos foram enviados nessa missão para estimular e consolidar a fé de Sara.

Mas eles tinham também outra missão: verificar o estado de Sodoma e Gomorra. Nos versos 16 a 21, na segunda parte de Gênesis 18, encontramos os detalhes sobre o anúncio divino da destruição das duas cidades. É um episódio triste por um lado, mas significativo por outro, se tivermos por base a relação de Deus com Abraão.

Depois da ministração a Abraão e Sara, os visitantes, acompanhados por Abraão até certo ponto, seguiram em direção às cidades. Nesse momento o Senhor mesmo começou a se questionar se deveria esconder seus planos de Abraão: Disse o Senhor: Ocultarei a Abraão o que estou para fazer, visto que Abraão certamente virá a ser uma grande e poderosa nação, e nele serão benditas todas as nações da terra? (v. 17-18).

Afinal, para Deus, Abraão tinha certos requisitos dados por Ele mesmo que deveriam ser considerados:

     1.     Abraão viria a ser uma grande e poderosa nação.

     2.     Abraão seria o instrumento pelo qual todas as nações da terra seriam abençoadas.

     3.     Abraão tinha sido o escolhido para que ele e seus descendentes guardassem o caminho do Senhor e praticassem a justiça e o juízo.

Ora, diante disso, os planos divinos não deveriam ser ocultados ou omitidos a Abraão que certamente já era considerado amigo de Deus (Is 41.8).

Os planos divinos, então, começaram a ser revelados ao patriarca:

20. Disse mais o Senhor: Com efeito, o clamor de Sodoma e Gomorra tem-se multiplicado, e o seu pecado se tem agravado muito.

21. Descerei e verei se, de fato, o que têm praticado corresponde a esse clamor que é vindo até mim; e, se assim não é, sabê-lo-ei.

A expressão “o clamor de Sodoma e Gomorra tem-se multiplicado” deve ser entendida como “o brado contra elas ou o mal gritante do lugar”, porque todos os clamores de injustiça chamam a atenção de Deus, o juiz de toda a terra, como Ele é chamado no verso 25: Não fará justiça o Juiz de toda a terra?]

Mas por que aconteceria essa destruição? Porque apesar da misericórdia divina demonstrada a Sodoma e Gomorra, através da libertação proporcionada por Abraão que as tirou do domínio alheio, estas duas cidades não se arrependeram dos seus pecados e as suas contínuas injustiças subiram à presença de Deus.

Por isso, por terem as injustiças, os maus atos e os pecados de Sodoma e Gomorra chegado à presença de Deus, por estarem ou terem ultrapassado os limites da misericórdia divina, Deus, que é o Juiz de toda a terra, veio para julgar aqueles povos.

Era uma situação triste. Mesmo diante de tanta misericórdia, de tanta libertação, de uma intervenção direta de Deus através de Abraão libertando-as de um jugo de 14 anos de vassalagem, os habitantes dessas cidades não se arrependeram e pecaram diante do Senhor.

A condição do ser humano, pecador não arrependido, é o aspecto triste desse episódio. Um dia tudo acaba sendo julgado diante do Senhor! Dura coisa é cair nas mãos do Deus vivo, porque o nosso Deus é fogo consumidor (Hb 12.29). O aspecto significativo e alegre em toda essa situação é a maneira amorosa e carinhosa como o Senhor trata com Abraão, não ocultando seus planos dele. Que bênção termos um Deus assim, que se torna nosso amigo! Glórias ao Senhor!

Nos versos 22 a 33, temos um dos relatos mais impressionantes de toda a Bíblia, demonstrando que podemos ser abertos e nos relacionar com respeito, mas com total liberdade com o nosso Deus. Podemos confirmar essa condição nos Salmos que nos revelam os salmistas rasgando seus corações diante do Senhor.

Mas aqui temos um exemplo maravilhoso de como Deus atende as nossas orações, quando a nossa motivação é a glória Dele mesmo. Vejamos detalhadamente os fatos. Depois que os anjos foram para as duas cidades para ver o que lá acontecia, Abraão ficou ainda na presença do Senhor: Então, partiram dali aqueles homens e foram para Sodoma: porém, Abraão permaneceu ainda na presença do Senhor (v. 22.

Esse é um detalhe importante que deve ser ressaltado. Necessitamos estar constantemente na presença de Deus. Quando o buscamos, Ele se deixa achar. Isaías 55.6 diz: Buscai o Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto].

Abraão inicia, então, uma intercessão e um processo de argumentação singular em toda a Bíblia, nos versos 23 a 33:



23. E, aproximando-se a ele, disse: Destruirás o justo com o ímpio?

24. Se houver, porventura, cinqüenta justos na cidade, destruirás ainda assim e não pouparás o lugar por amor dos cinqüenta justos que nela se encontram?

25. Longe de ti o fazeres tal coisa, matares o justo com o ímpio, como se o justo fosse igual ao ímpio; longe de ti. Não fará justiça o Juiz de toda a terra?

26. Então, disse o Senhor: Se eu achar em Sodoma cinqüenta justos dentro da cidade, pouparei a cidade toda por amor deles.

27. Disse mais Abraão: Eis que me atrevo a falar ao Senhor, eu que sou pó e cinza.

28. Na hipótese de faltarem cinco para cinqüenta justos, destruirás por isso toda a cidade? Ele respondeu: Não a destruirei se eu achar ali quarenta e cinco.

29. Disse-lhe ainda mais Abraão: E se, porventura, houver ali quarenta? Respondeu: Não o farei por amor dos quarenta.

30. Insistiu: Não se ire o Senhor, falarei ainda: Se houver, porventura, ali trinta? Respondeu o Senhor: Não o farei se eu encontrar ali trinta.

31. Continuou Abraão: Eis que me atrevi a falar ao Senhor: Se, porventura, houver ali vinte? Respondeu o Senhor: Não a destruirei por amor dos vinte.

32. Disse ainda Abraão: Não se ire o Senhor, se lhe falo somente esta vez: Se, porventura, houver ali dez? Respondeu o Senhor: não a destruirei por amor dos dez.

33. Tendo cessado de falar a Abraão, retirou-se o Senhor; e Abraão voltou para o seu lugar.

Esse é um texto que impressiona. Dessa narrativa podemos extrair sete atitudes de Abraão:

     1.     A preocupação pelos outros e não consigo mesmo.

     2.     Total transparência de sentimentos diante de Deus.

     3.     A ousadia de falar com Deus daquela maneira.

     4.     O amor, ao preocupar-se com os justos de Sodoma e Gomorra.

     5.     A preocupação com a sobrevivência de Ló e de sua família.

     6.     A preocupação com a justiça divina.

     7.     A preocupação em perceber a extensão do amor de Deus.

Por outro lado vemos também sete atitudes do Senhor para com Abraão:

     1.     Permitiu que Abraão fosse transparente, dando-lhe liberdade.

     2.     Permitiu que Abraão ficasse em sua presença.

     3.     Permitiu que Abraão questionasse a sua justiça.

     4.     Permitiu que Abraão questionasse o seu amor.

     5.     Foi paciente com Abraão, permitindo-lhe expressar seus questionamentos.

     6.     Foi generoso permitindo Abraão insistir por várias vezes.

     7.     Demonstrou que sua justiça é justa e o seu amor não tem limites!

Com certeza, essas atitudes que Deus teve para com Abraão, tem também para conosco. O nosso Deus é o mesmo ontem, hoje e o será amanhã.

Mas nesse texto ainda vemos Deus ensinando sobre prudência. A prudência divina é um modelo para os nossos relacionamentos. Deus não tem pressa de punir o pecador, em destruir um povo ou uma cidade cujo clamor chegou até o céu. O Senhor é benigno, misericordioso, paciente e justo. Se o limite permitido por Deus ainda não foi ultrapassado, há toda a possibilidade de arrependimento.

Esse é o nosso Deus! Devemos tratar dessa mesma maneira os nossos irmãos! Devemos nos apropriar da paciência, do amor e da misericórdia divina!



A destruição de Sodoma e Gomorra

Gn 19.1–38

Devemos recordar que no capítulo 13 Ló foi movendo sua tenda cada vez para mais perto de Sodoma, até que se estabeleceu na cidade. Possivelmente ele ignorava o mal e o pecado daquela cidade, não conhecia a gravidade da situação. Mas depois que se instalou e se estabeleceu, descobriu que a cidade era corrupta, uma cidade má.

Mas o que ele fez? Recuou e saiu? Não, ficou por lá mesmo. Sodoma era uma grande e bonita cidade provida das mais diversas facilidades. Porém Ló não dimensionou o perigo que corria junto com sua família.

O início do capítulo 19 diz que os anjos foram visitar Sodoma e encontram Ló junto à porta. Quando ele os viu, prostrou-se com o rosto em terra e, insistindo, hospedou-os e preparou-lhes um banquete. Mas antes que se recolhessem para dormir, Ló e seus visitantes foram surpreendidos por uma atitude completamente deplorável por parte dos demais habitantes da cidade, desde os mais velhos até os mais novos: E chamaram por Ló e lhe disseram: Onde estão os homens que, à noitinha, entraram em tua casa? Traze-os fora a nós para que abusemos deles (v. 5).

Ló chegou a oferecer suas filhas para que os anjos nada sofressem: Rogo-vos, meus irmãos, que não façais mal; tenho duas filhas, virgens, eu vo-las trarei; tratai-as como vos parecer, porém nada façais a estes homens, porquanto se acham sob a proteção do meu teto (v. 7-8).

Ló se achava numa situação difícil e se colocou na defesa dos seus visitantes. Na verdade, ele estava colhendo o que havia semeado, porque mesmo não praticando aquele tipo de pecado, em certo sentido tolerou-o. Ele sabia que aquelas práticas eram pecaminosas. Tanto é verdade que identificou como mal aquilo que aqueles homens queriam fazer. Ló não chegou a mudar totalmente a sua idéia de pecado. O que ele viu chamou de pecado.

Mas existem muitas pessoas que vão se acostumando e assumindo uma posição liberal em relação ao pecado, chamando tal posição de “nova moralidade”. Para Ló aquilo que estava acontecendo em Sodoma era pecado mesmo. E, no verso 9, o texto diz que aqueles homens maus persistiram no seu mal intento: … veio morar entre nós, e pretende ser juiz em tudo? A ti, pois, faremos pior do que a eles. E arremessaram-se contra o homem, contra Ló, e se chegaram para arrombar a porta.

Estes homens incrédulos agora estavam acusando Ló dizendo-lhe que se ele tinha vindo morar em Sodoma devia aceitar os costumes sem querer transformá-los. Se havia escolhido espontaneamente Sodoma, e se havia morado ali tanto tempo sem nunca se opor abertamente contra o pecado como, então, queria agora moralizar as coisas?

Pobre Ló! Estava sofrendo as conseqüências de sua própria tolerância com o mal. O seu testemunho não foi claro. Sabia o que era pecado, porém nunca se opôs claramente a ele. Nunca contrariou aqueles costumes. A sua luz não brilhou nas trevas de Sodoma. Mas graças a Deus os anjos que estavam na casa o protegeram da agressão daqueles homens maus, cegando-os e trazendo Ló para dentro de casa. Se não fosse a intervenção dos anjos, Ló iria sofrer nas mãos daqueles homens sem temor de Deus.

Para muitos humanistas, e até para algumas pessoas que se dizem religiosas, os habitantes de Sodoma não eram tão pecadores a ponto de merecerem a destruição como castigo. Mas o que pensava Deus a respeito daquela cidade e da sua gente? O que diz a Bíblia? Basta lermos todo o capítulo 19 para vermos qual foi a sentença divina.

O que vemos é Deus destruindo aquela cidade com fogo e enxofre, exatamente por causa do seu pecado e da sua corrupção. Alguns desses que defendem Sodoma e Gomorra, alegando que Jesus foi compassivo com os pecadores, se esquecem que os pecadores foram transformados quando tiveram contato com Cristo. Jesus ama o pecador, mas aborrece e pune o pecado. Ele ameaçou a todos com fogo do inferno, caso os homens persistissem no pecado. Jesus chegou a dizer: Se não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis (Lc 13.5).

O texto de Gênesis continua, e nos versos 12 a 14 os anjos dizem a Ló:



12. … Tens aqui alguém mais dos teus? Genro, e teus filhos, e tuas filhas, todos quantos tens na cidade, faze-os sair deste lugar;

13. pois vamos destruir este lugar, porque o seu clamor se tem aumentado, chegando até a presença do Senhor; e o Senhor nos enviou a destruí-lo.

14. Então, saiu Ló e falou a seus genros, aos que estavam para casar com suas filhas e disse: Levantai-vos, saí deste lugar, porque o Senhor há de destruir a cidade. Acharam, porém, que ele gracejava com eles.

Como podemos entender esse relato? A situação de Ló continuava difícil. Tudo indica que seus genros eram incrédulos a ponto de desprezarem seu aviso. Eles riram de Ló. Pensaram que ele só poderia estar brincando, porque se antes não tinha dado nenhuma pista de que haveria destruição, como de uma hora para outra fazia esse aviso tão terrível? Provavelmente eram pessoas ainda incrédulas, o que prova que Ló, mesmo temendo a Deus, não impactou nenhuma vida durante todo o tempo em que viveu em Sodoma.

Alguns perguntam se Ló era, de fato, temente a Deus. 2Pedro 2.7-8 diz que Ló era justo, e sentia tristeza por causa do pecado e da corrupção de Sodoma: E livrou o justo Ló (de Sodoma), afligido pelo procedimento libertino daqueles insubordinados (porque este justo, pelo que via e ouvia quando habitava entre eles, atormentava a sua alma justa, cada dia, por causa das obras iníquas daqueles).

Mas pelo que sabemos, pelo que a Bíblia diz, apesar de ser um homem temente a Deus, podemos dizer que ele era um crente fraco. Prova disso é o fato de suas filhas se casarem com homens incrédulos. Além disso, vemos com que dificuldade Ló, sua mulher e as duas filhas deixaram Sodoma. Eles foram como que arrastados para fora para não serem destruídos juntamente com a cidade corrupta.

A narrativa diz que diante da sua demora os anjos tomaram a iniciativa: Como, porém, se demorasse, pegaram-no os homens pela mão, a ele, a sua mulher e as duas filhas, sendo-lhe o Senhor misericordioso, e o tiraram, e o puseram fora da cidade (v. 16). Faltava a Ló o sentido de urgência que estava sendo exigido por Deus. O que realmente estava prendendo Ló àquela cidade? Por que não se apressou após ouvir a palavra dos anjos? Deus precisou ter muita misericórdia dele para que não fosse destruído com a corrupta cidade.

Pela misericórdia divina os anjos instruíram Ló para que salvasse sua vida, não olhando para trás e fugindo para o monte. Mas o texto diz: Respondeu-lhes Ló: Assim não, Senhor meu. Eis que o teu servo achou mercê diante de ti, e engrandeceste a tua misericórdia que me mostraste, salvando a minha vida; não posso escapar no monte, pois receio que o mal me apanhe, e eu morra (v. 18-19).

Como é fácil perceber, Ló continuou colocando obstáculos e recusou a orientação divina para a sua própria salvação. É como o crente que deseja fazer a sua própria vontade, recusando-se a fazer aquilo que Deus ordena claramente na sua Palavra. O monte certamente se tratava de um lugar seguro, onde a destruição de Sodoma e o fogo que cairia sobre ela não o atingiram.

Ló havia saído de Sodoma, mas ainda levava consigo a vontade própria e uma atitude não submissa a Deus. Ló não era dócil à vontade de Deus. As razões dele excedem a nossa compreensão e a nossa razão. Se Deus tinha ordenado que fosse para o monte é para lá que deveria ter ido com a sua família. Mas nos versos 20 a 22, Ló insistiu e o Senhor permitiu que ele fugisse para a cidade de Zoar, que significa “pequena”, não sem antes ressaltar que ele deveria apressar-se e se refugiar na pequena cidade.

O texto continua, e nos versos 23 a 29 temos a destruição de Sodoma e Gomorra. Lemos que Deus fez chover enxofre e fogo sobre as duas cidades, e as subverteu, assim como toda a campina, todos os moradores da cidade e o que nascia na terra. E lembrando-se de Abraão, Deus tirou Ló do meio das ruínas dessas cidades pecadoras.

Mas em meio a esses acontecimentos temos um detalhe ainda mais triste. O verso 26 diz: E a mulher de Ló olhou para trás e converteu-se numa estátua de sal. Terrível, não é verdade? Por que ela olhou para trás? Certamente, porque lhe era difícil deixar aquela cidade. O texto não diz por que ela olhou para trás, mas podemos imaginar.

Ló estava do seu lado, mas sua mulher estava deixando a cidade com saudade. O coração dela estava ficando em Sodoma. Bem, a verdade é que ela, em desobediência ao que lhe falaram os anjos, não se contendo de saudade, olhou para trás e o resultado foi que se transformou imediatamente numa estátua de sal.

Isso nos lembra muita gente que se apega tanto às coisas deste mundo que fica muito difícil se desprender dele. Quando Jesus voltar para levar a sua igreja, muita gente vai querer ficar. Por quê? Porque amam o mundo. A Bíblia diz em 1João 2.15: Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. O amor ao mundo é inimizade contra Deus. Este foi o grande problema da mulher de Ló.

Encontramos nos versos 30 a 38 outro relato triste: o pecado das duas filhas de Ló. As duas jovens provavelmente foram criadas sob a orientação da mãe, que não era obediente ao Senhor, e estavam habituadas com as iniqüidades dos habitantes de Sodoma. Numa situação de desespero, ao invés de esperarem pela providência do Senhor, resolveram agir por conta própria. Isto mostra, antes de qualquer coisa, o quanto Ló errou ao ter escolhido Sodoma para se estabelecer com a sua família.

Essas moças não tinham um padrão agradável a Deus. Por não terem mais rapazes para se casarem, deliberadamente embebedaram o pai, duas noites seguidas, para que, sendo possuídas por ele, gerassem filhos e assim preservassem sua descendência. Assim foi feito, e dessa relação incestuosa nasceram os descendentes de Ló, que são os moabitas e os amonitas.

O final do capítulo 19 traz uma grande mensagem para os nossos dias, quando muitos estão cedendo ao pecado e esquecendo-se que a Bíblia diz que de Deus não se zomba (Gl 6.7). Deus é amor, mas é também justiça!

Abraão e Sara peregrinam em Gerar

Gn 20.1-18

Neste capítulo encontramos a repetição de um pecado de Abraão e Sara, cometido pela primeira vez no Egito. Novamente eles resolvem mentir. Abraão e Sara partem para a terra de Neguebe, habitam entre Cades e Sur, fixando-se em Gerar.

Ali Abraão pede a Sara que negue novamente que é sua esposa. Para quê? Para que ele não corra risco de morrer. O relato é um pouco diferente do capítulo 12, onde a beleza de Sara foi o motivo de Faraó desejá-la para si. Aqui não se fala de sua beleza, e podemos supor que Abimeleque a desejava como esposa pelas posses e riquezas que ela possuía. Então, mesmo se passando por irmão de Sara, Abraão ainda corria perigo.

Mais uma vez Abraão deixa de confiar no Senhor e prefere mentir para escapar do perigo. Aliás, este foi um acordo entre Abraão e Sara. Diziam que eram irmãos. Essa era uma clara demonstração da fé vacilante. É fato que também revelamos a nossa falta de fé de outras formas, mas Abraão repetiu aqui o mesmo pecado pelo qual havia sofrido sérias conseqüências.

Abimeleque, rei de Gerar, sem que soubesse da mentira, mandou levar Sara para o seu palácio. Mais uma vez Deus teve que intervir, avisando o rei que não deveria desposá-la. Ao invés disso, deveria restituir Sara a Abraão que era profeta e intercederia por ele livrando-o da morte. O rei, então, fez com que Sara voltasse para Abraão sem qualquer prejuízo moral.

Depois que Abimeleque recebeu o aviso divino e anunciou aos seus servos o ocorrido, chamou Abraão e o questionou duramente: Que estavas pensando para fazeres tal coisa? (v. 11).

Abraão tentou se desculpar e, no verso 12, disse que Sara era de fato sua irmã: Por outro lado, ela, de fato, é também minha irmã, filha de meu pai e não de minha mãe; e veio a ser minha mulher. Em nossas vidas, como nesse caso, temos cometido os mesmos pecados repetidas vezes. Abraão e Sara viveram durante muito tempo com aquele pecado da mentira, porque foi um acordo que fizeram quando saíram de Ur, na Caldéia.

Mas depois desse episódio deprimente, depois de ser questionado por Abimeleque, é possível que eles tenham se arrependido definitivamente, porque foi após esta terrível experiência que Deus cumpriu a sua promessa e Sara deu à luz ao seu filho Isaque. Certamente, se o povo de Deus abandonasse os seus pecados, Deus enviaria um grande avivamento sobre a igreja no mundo de hoje (2Cr 7.14).

O texto termina mostrando, nos versos 14 a 18, que Abimeleque teve três atitudes dignas:

     1.     Tomou ovelhas, bois e servos e servas e os deu a Abraão.

     2.     Ofereceu a terra para que Abraão escolhesse onde queria morar.

     3.     Deu ainda a Abraão, como compensação por tudo que Sara tinha sofrido, mil ciclos de prata.

E Abraão, por sua vez, orou por Abimeleque que foi curado por Deus, assim como sua esposa e suas servas que se tornaram férteis e puderam gerar filhos. Foi um final feliz para mais uma situação que se iniciou com mentiras. O nosso Deus é grandioso em misericórdia e graça. O nosso Deus é perdoador e sempre age em nosso favor!

Temos que fixar essas lições. Apesar de ser temente a Deus, Ló se descuidou muito. Preferiu o conforto da cidade à preservação e a segurança espiritual da sua família. Essa é uma advertência a todos nós. As filhas de Ló foram incrédulas e, ao invés de esperarem pela ação divina, se precipitaram cometendo um pecado grosseiro. Essa é uma lição que não deve ser seguida. E apesar de Abraão ser chamado por Deus e estar sendo forjado em seu caráter, sempre teve altos e baixos em sua vida de fé.

Muitas vezes, diante de oportunidades incorretas, vamos transgredindo neste ou naquele ponto sem percebermos os riscos para a integridade moral da família. Infelizmente, algumas pessoas até dizem que o pecado é só uma questão de conceito. Que possamos andar corretamente, sempre para a glória de Deus!




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