Através da bíblia gênesis itamir Neves de Souza John Vernon McGee



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A descendência de Naor

Gn 22.20-24

O capítulo 22 termina com o registro da descendência de Naor. Você se lembra quem era Naor? Naor era um dos filhos de Terá (11.27-29), e portanto, irmão de Abraão. O texto diz que Naor teve oito filhos com sua esposa Milca e quatro filhos com sua concubina Reumá. Esses doze filhos de Naor foram os ancestrais das doze tribos araméias, assim como Abraão se tornaria ancestral das doze tribos de Israel, através do seu neto Jacó. Destaca-se no texto o nome de Rebeca que viria a ser esposa de Isaque.



A morte de Sara

Gn 23.1-20

No capítulo 23 encontramos a morte e o sepultamento de Sara. Os versos 1 e 2 dizem: Tendo Sara vivido cento e vinte e sete anos, morreu em Quiriate-Arba, que é Hebrom, na terra de Canaã; veio Abraão lamentar Sara, e chorar por ela. Sara viveu uma longa vida. Como nós, também teve falhas como serva do Senhor. Provavelmente, por respeito e por obediência, consentiu e concordou em mentir junto com Abraão sobre o seu estado civil, apresentando-se como irmã e não como esposa dele. Isso ocorreu por duas vezes. Uma vez mentiu para o Faraó, no capítulo 12, logo depois que Deus chamou Abraão para andar com Ele.

Sara, sendo estéril, com todo o peso que isso significava, e ansiando pela realização da promessa da descendência prometida, tomou a iniciativa e elaborou um plano, que foi aceito por Abraão. Sem medir as conseqüências, ofereceu Agar, sua serva egípcia, para que por meio dela Abraão gerasse um filho. O resultado foi catastrófico. Agar desprezou Sara quando percebeu que estava grávida, foi mandada embora de casa e depois foi aceita novamente.

Sara também duvidou do cumprimento da promessa divina por causa da sua idade avançada. Quando recebeu a visita dos anjos que confirmaram a palavra divina, riu, entendendo que aquilo era impossível de acontecer. Quando descoberta nessa atitude incrédula, mentiu ao anjo dizendo não ter rido. Mentiu ainda outra vez, conforme combinara com Abraão, enganando Abimeleque, rei de Gerar.

Mas obteve a promessa, e deu à luz a Isaque. Quando ele foi desmamado, percebeu que Ismael, o filho de Agar, o desprezava e pediu a Abraão que expulsasse mãe e filho de sua casa. Apesar dos desacertos, criou Isaque e conviveu com ele por mais 37 anos, certamente influenciando muito a sua vida.

A vida de Sara se destaca por alguns fatos importantes:

     1.     Sara era uma mulher bonita, que atraia a atenção por sua grande beleza. Teve o seu nome trocado por Deus, de Sarai para Sara, que significa “princesa”.

     2.     A despeito de suas fraquezas, foi honrada por Deus sendo considerada “mãe das nações”. Reis de povos procederiam dela.

     3.     Foi submissa a seu esposo Abraão, chamando-o de senhor, tornando-se assim modelo das esposas cristãs conforme as recomendações de 1Pedro 3.6.

     4.     E, em Hebreus 11.11, tendo recebido poder de Deus para se tornar mãe, foi colocada na galeria dos heróis da fé, tornando-se, junto com Abraão, a origem de uma posteridade tão numerosa como as estrelas do céu e inumerável como a areia que está na praia do mar.

Certamente a vida de Sara serve de modelo para as mulheres tementes a Deus, mas também traz lições incontáveis para todos. Que possamos, capacitados pelo Espírito Santo, retirar as lições necessárias para que nossas vidas sejam cada vez mais agradáveis a Deus.

Nos versos 3 a 9 lemos o seguinte:



3. Levantou-se, depois, Abraão da presença de sua morta e falou aos filhos de Hete:

4. Sou estrangeiro e morador entre vós; dai-me a posse de sepultura convosco, para que eu sepulte a minha morta.

5. Responderam os filhos de Hete a Abraão, dizendo:

6. Ouve-nos, senhor: tu és príncipe de Deus entre nós; sepulta numa das nossas melhores sepulturas a tua morta; nenhum de nós te vedará a sua sepultura, para sepultares a tua morta.

7. Então, se levantou Abraão e se inclinou diante do povo da terra, diante dos filhos de Hete.

8. E lhes falou, dizendo: Se é do vosso agrado que eu sepulte a minha morta, ouvi-me e intercedei por mim junto a Efrom, filho de Zoar,

9. para que ele me dê a caverna de Macpela, que tem no extremo do seu campo; que ma dê pelo devido preço em posse de sepultura entre vós.

Este é um relato interessante, não é mesmo? Mas temos algumas observações que devem ser feitas. Abraão se considerava estrangeiro e peregrino na terra que Deus lhe havia prometido, inclusive, querendo comprar um pedacinho de terra para sepultar a sua esposa. Mas por que ele não sepultou a sua esposa em outro lugar, fora daquela terra? Por que tinha que ser ali naquele pedaço de terra?

Abraão cria firmemente que aquela terra pertenceria a sua descendência, pois assim Deus havia prometido. Naquele momento, a terra ainda não lhe pertencia, e ele não podia se apossar dela ainda. Mas ele sabia que a promessa de Deus seria cumprida no futuro, e por isso fez questão de comprar ali um lugar onde pudesse sepultar sua mulher.

Os filhos de Hete foram muito corteses e generosos com Abraão, oferecendo-lhe inclusive, gratuitamente o pedaço de terra. Mas Abraão entendeu que não deveria receber de presente, e insistiu para que recebessem dinheiro em pagamento. Os heteus chegaram a dizer que Abraão era príncipe de Deus e por isso nenhum deles queria vender uma sepultura a ele.

A frase do verso 6, “Tu és príncipe de Deus entre nós”, é significativa, pois embora alguns entendam que era apenas uma bajulação, uma cortesia rebuscada, cremos ser possível que os habitantes de Hebrom tenham reconhecido as bênçãos de Deus sobre a vida do patriarca.

Diante disso, vale a pena questionar: Será que as pessoas que convivem conosco percebem que somos abençoados por Deus? Será que os nossos vizinhos, parentes, colegas de serviço e de escola conseguem ver as ações de Deus em nossas vidas?

Abraão insistiu, porque tinha razões para querer comprar o local da sepultura de Sara. Quem poderia garantir que recebendo a terra de graça os próprios heteus não viessem depois tomar de volta sem que Abraão pudesse fazer nada?

Observamos que Abraão, o homem de fé, foi muito prático e previdente. Ele queria um negócio mais sério, mais seguro, mais estável. Queria um local que perdurasse por muito tempo, que quando os seus descendentes se apossassem daquela terra, pudessem encontrar ali um lugar que já lhe pertencia por direito de preço, por direito de compra.

Abraão queria que no dia da ressurreição sua esposa ressurgisse exatamente daquele local. Ele cria na ressurreição, pois o texto de Hebreus 11.19 diz que ele cria que Deus era poderoso até para ressuscitar a seu filho Isaque, caso tivesse sido oferecido. Abraão poderia ter sepultado Sara num outro lugar, mas levado pela fé colocou-a ali para que dali ressuscitasse no último dia.

Sobre a época final sempre é bom lembrar que a Bíblia diz que Jesus foi para o céu, mas voltará da mesma forma como foi visto subir. Cristo voltará e reinará aqui na terra com todos os crentes, durante mil anos, e então, teremos novo céu e nova terra. Assim, Abraão estava certo em adquirir aquela porção da terra prometida para sepultar Sara.

Nos versos 3 a 9, além de vermos como estas pessoas foram gentis e educadas, tratando delicada e cortesmente Abraão, vemos também que ele, por sua vez, para se dirigir àqueles homens, aproximou-se com grande respeito. Ele se inclinou diante do povo da terra, pedindo-lhe que estabelecesse um preço justo, o preço devido, descriminando o local onde queria sepultar Sara, na caverna de Macpela.

O texto segue e nos versos 10 e 11 temos o seguinte relato:



10. Ora, Efrom, o heteu, sentando-se no meio dos filhos de Hete, respondeu a Abraão; ouvindo-o os filhos de Hete, a saber, todos os que entravam pela porta da sua cidade:

11. De modo nenhum, meu senhor; ouve-me: dou-te o campo e também a caverna que nele está; na presença dos filhos do meu povo te dou; sepulta a tua morta.

Podemos destacar aqui a frase “todos os que entravam pela porta da cidade”. Qual é o seu significado? Naqueles tempos, a porta da cidade era o local onde as decisões jurídicas e oficiais eram formuladas e ratificadas, realizando-se assim as transações comerciais e civis, conforme podemos ver no verso 18, em Rute 4.1 e no Salmo 127.5.

Mas é interessante percebermos a insistência gentil e respeitosa dos filhos de Hete querendo doar o terreno a Abraão. E aqui vale novamente questionarmos como tem sido o nosso tratamento para com o nosso próximo. Vemos nesse relato gentileza de ambas as partes. Será que temos tratado assim os nossos irmãos na fé? É esse o tratamento que dispensamos aos nossos vizinhos? É essa a maneira como temos tratado os nossos colegas de serviço e de escola?

A recomendação de Paulo em Romanos 12.17-18 é muito própria para essa ocasião: … Esforçai-vos por fazer o bem perante todos os homens; se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens]. Que Deus nos abençoe e nos capacite a sermos gentis e corteses com o próximo.

Depois de muita insistência, de muita negociação, Abraão obteve a resposta sobre o valor da terra para o sepultamento de Sara. Os versos 16 a 18 mostram que Abraão pesou a prata:

16. … quatrocentos siclos de prata, moeda corrente entre os mercadores.

17. Assim o campo de Efrom, que estava em Macpela, fronteiro a Manre, o campo, a caverna e todo o arvoredo que nele havia, e todo o limite ao redor

18. se confirmaram por posse a Abraão, na presença dos filhos de Hete, de todos os que entravam pela porta da cidade.

O valor dos quatrocentos siclos de prata foi um preço muito alto para aquela aquisição. Certamente, fragilizado pela morte de Sara, e desejando sepultá-la com rapidez, Abraão não ficou preocupado se o preço era justo ou não. Uma vez que o valor foi estabelecido, fechou o negócio e logo em seguida o sepultamento foi feito (v. 19).

O capítulo termina com o verso 20, que relata que foi confirmado a Abraão o direito do campo e da caverna que nele estava, em posse de sepultura. Na caverna de Macpela foram sepultados, além de Sara, o próprio Abraão (25.9-10), Isaque (35.29), Rebeca, Lia e Jacó (49.31; 50.13). E, segundo a tradição, o túmulo desses patriarcas está hoje localizado no interior de uma grande mesquita muçulmana em Hebrom.

Naqueles dias, culturalmente, as pessoas tinham forte desejo de serem sepultadas com os seus antepassados em sua terra natal. Ao adquirir essa terra para o sepultamento de Sara, Abraão demonstrou seu compromisso e sua fé inabalável na promessa do Senhor de que Canaã seria a sua nova pátria, a pátria da sua numerosa descendência.

Um dia, todas essas figuras importantes para os judeus, para os muçulmanos e para nós, cristãos, se levantarão desse mesmo lugar para a grande ressurreição, quando Jesus voltar para implantar o milênio. Será um período maravilhoso onde a terra será comandada com amor e justiça, tendo Jesus como Rei dos reis e Senhor dos senhores. Nós nos encontraremos lá, diante do nosso amado Salvador, o Senhor Jesus Cristo.

Abraão manda seu servo buscar uma esposa para Isaque

Gn 24.1-32

No capítulo 24 do livro de Gênesis, encontramos uma linda história de amor dos tempos antigos. Podemos ver como era a vida social daquele período. Temos o registro de um casamento daquela época e vamos observar quão diferente era dos casamentos dos nossos dias. Mas apesar da sociedade ser diferente da nossa, tudo era feito com muito encanto, com muito amor.

No verso 1 vemos que Abraão já estava velho: Era Abraão já idoso, bem avançado em anos; e o Senhor em tudo o havia abençoado. Esse foi um belo resumo de vida. Temos aqui o patriarca da fé, já idoso, e uma referência à sua prosperidade. Deus o havia abençoado grandemente. Bem-aventurado é o homem que teme a Deus.

Mas Abraão preocupava-se com um assunto muito importante, que era o casamento do seu filho. Ele queria que Isaque tivesse uma esposa ideal, como geralmente desejam todos os pais. Abraão preocupou-se, naturalmente, com a possibilidade de seu filho casar-se com uma moça pagã que não temesse a Deus. Havia na vizinhança moças atraentes e simpáticas que certamente pensavam no jovem. Com quem se casaria Isaque? O patriarca estava realmente preocupado com o assunto. Queria para o filho uma companheira que pudesse fazê-lo feliz. E só um lar harmonioso, um lar temente a Deus, pode proporcionar a felicidade.

Além de seu nascimento, o que mais marcou a vida de Isaque foi a experiência do monte Moriá, quando foi oferecido a Deus em holocausto pelo seu próprio pai. Agora chegara o tempo de outra experiência significativa em sua vida. As pessoas dizem que os três acontecimentos mais importantes na vida de uma pessoa são: o nascimento, o casamento e a morte. Sendo o casamento algo tão marcante, então, devemos encará-lo de maneira muito séria, tomando nossa decisão com todo cuidado.

O que vamos ver no casamento de Isaque, que realmente deve servir de lição para todos os jovens, é a busca pela orientação de Deus. Deus está interessado no casamento dos seus filhos. Muitos jovens acham que Deus não se interessa por este assunto. Por qualquer outro assunto, sim. Assunto religioso, ou qualquer outro negócio. Porém a verdade é que Deus está profundamente interessado na vida de todo jovem e pelo seu casamento também. Por isso, este é um assunto que requer muita oração. Quando Deus participa da escolha da jovem ou do jovem, para a formação do lar, sabemos que o primeiro passo foi dado para que o lar seja harmonioso e feliz.

Nos versos 2 a 4 vemos Abraão incumbindo o seu servo, que tomava conta de todos os seus negócios, de uma missão super importante. Esse servo provavelmente era Eliézer, o servo mais antigo de sua casa (15.2). Abraão pediu que ele jurasse pelo Senhor Deus do céu e da terra que não escolheria uma esposa para Isaque das filhas dos cananeus entre os quais habitava.

É interessante destacarmos a maneira como as pessoas faziam juramento naquele tempo: Põe a mão por baixo da minha coxa, para que eu te faça jurar pelo Senhor, Deus do céu e da terra… (v. 2, 3). A prática de colocar a mão na coxa simbolizava que aquele ato era solene, pois a coxa era vista como a fonte de poder vital e procriativo. O mesmo tipo de juramento foi feito quando Jacó pediu que seu filho José lhe assegurasse que não seria enterrado no Egito, mas em Canaã (Gn 47.29).

Abraão deu a Eliézer a seguinte ordem: … mas irás à minha parentela e daí tomarás esposa para Isaque, meu filho (v. 4). Percebemos que o cuidado de Abraão com Isaque, o filho da promessa que lhe daria a descendência numerosa, era muito grande. Abraão não permitiria que seu filho se unisse com uma cananéia. Cristãos tementes a Deus não devem casar-se com alguém que não teme a Deus. Quando isso acontece podemos estar certos de que haverá problemas. O casamento tem a capacidade de trazer ao moço ou a moça felicidade ou frustração. Nossos filhos poderão ser infelizes ou felizes para o resto da vida, dependendo da escolha que fizerem. Muito da vida de uma pessoa depende do casamento, por isso os pais e os próprios jovens devem colocar esse assunto em oração diante de Deus.

Voltemos agora ao caso de Isaque mais diretamente. No verso 5, Eliézer pergunta a Abraão se deveria levar Isaque consigo: Disse-lhe o servo: Talvez não queira a mulher seguir-me para esta terra; nesse caso, levarei teu filho à terra donde saíste? Abraão não permitiu que Isaque acompanhasse Eliézer. Parecia muito mais prático levar o próprio rapaz para que o ajudasse na escolha da moça. Porém Abraão não entendeu dessa maneira. Abraão estava novamente exercitando a sua fé e certamente estava ensinando Isaque a depender de Deus. Abraão sabia que Deus tinha a melhor maneira de solucionar uma questão tão séria quanto esta. Nem sempre o nosso caminho é o melhor, é o certo. Deus tem meios muito mais eficientes que os nossos.



Cautela! não faças voltar para lá meu filho, disse Abraão, no verso 6. A ordem de Abraão a Eliézer não era irresponsável. Ele estava planejando e agindo pela fé, baseando-se nas promessas de Deus. Agir pela fé é fundamental. Não é um salto no escuro como muitos pensam. A fé não é mera especulação ou superstição. Enquanto a especulação e superstição baseiam-se na ignorância da verdade, a fé é a certeza de coisas que se esperam e a convicção de fatos que se não vêem.

Abraão, no verso 7, diz a Eliézer: O Senhor, Deus do céu, que me tirou da casa de meu pai e de minha terra natal, e que me falou, e jurou, dizendo: À tua descendência darei esta terra, ele enviará o seu anjo, que te há de preceder, e tomarás de lá esposa para meu filho. Abraão apoiou sua decisão nas palavras de Deus. Ele tinha fé, e sua fé estava firmada em Deus, no que Ele havia dito. E a sua fé, no que ou em quem está baseada? Ela tem fundamento bíblico? Não se trata de mera superstição? Diante das mais diversas decisões, incluindo as decisões sobre o casamento, é preciso fé e confiança em Deus. A fé em Deus é para todos os assuntos da vida.

Depois da colocação de Eliézer de que a moça poderia não querer acompanhá-lo, Abraão, no verso 8, disse: Caso a mulher não queira seguir-te, ficarás desobrigado do teu juramento; entretanto, não levarás para lá meu filho. Assim age o homem quando está firmado na fé, baseado na palavra de Deus. Ele tem convicção e sabe o que deve fazer. É previdente, é sábio nas suas decisões. Não importa a opinião e a sugestão dos outros. Abraão sabia que Deus poderia agir, e a maneira como Ele age é sempre sábia e correta. O patriarca queria aguardar os acontecimentos. Ele não queria forçar Deus a atuar desse ou daquele modo. Há algumas pessoas que querem obrigar Deus a fazer certas coisas, e até clamam, gritam para que Ele realize uma cura, dê um emprego ou solucione sua questão financeira! Deus age ainda hoje! Mas impor a nossa vontade a Deus é errado; não tem base bíblica.

Creio que Abraão agiu corretamente quando, diante de um problema, não impôs a Deus o modo como deveria agir. Esperou pela fé que Deus atuasse livre e soberanamente. A fé não nos dá o direito de fazer imposições a Deus. Ela age respeitando o Deus que tudo pode.

Eliézer estava pronto para sair. Jurou a Abraão que iria fazer exatamente aquilo que ficara resolvido. É assim que trabalha um bom mordomo. Serve ao seu senhor com fidelidade e obediência. Ao partir para o cumprimento de sua missão ele apanhou dez camelos e muitos bens de seu senhor. Seguiu para Mesopotâmia, para a cidade de Naor, numa viagem longa de vários dias. Eliézer era um homem que também tinha fé em Deus. Abraão confiara esta missão tão delicada a ele porque era alguém de toda confiança.

O servo só poderia ser bem-sucedido em sua tarefa se confiasse em Deus. Ele não confiou no acaso, nem mesmo nas suas habilidades. Chegando ao local designado foi prático em preparar-se: fez ajoelhar os camelos perto de um poço, à tarde, na hora em que as moças saiam para apanhar água.

Embora sendo prático, Eliézer buscou a Deus em oração. Nos versos 12 a 14 vemos que sua oração foi muito direta:

12. Ó Senhor, Deus de meu senhor Abraão, rogo-te que me acudas hoje e uses de bondade para com o meu senhor Abraão!

13. Eis que estou ao pé da fonte de água, e as filhas dos homens desta cidade saem para tirar água;

14. dá-me, pois, que a moça a quem eu disser: inclina o cântaro para que eu beba; e ela me responder: Bebe, e darei ainda de beber aos teus camelos, seja a que designaste para o teu servo Isaque; e nisso verei que usaste de bondade para com o meu senhor.

Ele estava procurando uma moça ideal para o filho de seu senhor. E assim entendeu logo que ela seria, antes de tudo, uma moça amável que estivesse disposta a oferecer-lhe água, bem como aos seus camelos.

Será que ele não estava preocupado com a beleza da moça? Será que não estava levando em conta os pendores físicos dela? Beleza era algo secundário? Teria algum valor? Sim, a beleza tinha muito valor. Eliézer certamente levou isso em consideração. Isaque se agradaria de uma moça amável, serviçal e bonita. Beleza era algo valioso. Sara era muito bonita e Isaque tinha consciência disso. Eliézer levou em conta o caráter e a aparência da moça. O verso 16 diz que a moça era mui formosa de aparência, virgem, a quem nenhum homem havia possuído…. Eliézer sabia que a beleza interior e a exterior deveriam estar equilibradas na futura esposa de Isaque. Por isso orou pedindo a ajuda divina.

A Bíblia diz que Deus tem profundo interesse por todos os assuntos e detalhes que nos cercam. Ele está interessado em você, na sua família, nos seus negócios, no seu envolvimento na comunidade cristã, enfim, em todas as áreas da sua vida. Devemos orar assim como Abraão e o seu servo oraram, pois não procuraram resolver as coisas apenas usando os recursos humanos. Por isso aquela missão foi bem-sucedida.

A narrativa prossegue, e lemos nos versos 15 e 16:

15. Considerava ele ainda, quando saiu Rebeca, filha de Betuel, filho de Milca, mulher de Naor, irmão de Abraão, trazendo um cântaro ao ombro.

16. A moça era mui formosa de aparência, virgem, a quem nenhum homem havia possuído; ela desceu à fonte, encheu o seu cântaro e subiu.

Que bela descrição! Seria aquela jovem a eleita? Aparentemente tinha todos os requisitos desejados. Era bonita, formosa, virgem, e como veremos, amável e serviçal. Tinha prazer em servir. Era uma moça muito educada e simpática.

Os versos 17 a 20 relatam que a moça fez exatamente aquilo que Eliézer tinha pedido a Deus como sinal de sua aprovação. E ele a observava, em silêncio, atentamente, para saber se teria o Senhor levado a bom termo a sua jornada ou não (v. 21). Bem, o servo estava emocionado diante da resposta de Deus à sua oração e à de seu senhor. Ali estava a moça correspondendo a todos os requisitos estabelecidos por ele.

A futura esposa de Isaque certamente seria aquela jovem. Eliézer estava procurando a moça certa, não apenas no seu ponto de vista, mas do ponto de vista de Deus. A jovem que Deus havia escolhido era a que ele estava procurando. Não podia, nem queria se enganar. Ficou em silêncio, olhando atentamente para confirmar aquilo que estava assistindo: a moça não somente deu-lhe de beber, mas também aos camelos e aos homens que com ele estavam. Qualquer dúvida poderia ser dissipada diante de tudo aquilo que o servo estava presenciando.

Então, conforme relata o verso 22, ele pegou um pendente de meio siclo de peso, equivalente a seis gramas de ouro, e duas pulseiras pesando dez siclos, equivalentes a cento e vinte gramas de ouro, e entregou à Rebeca. Descobrindo a moça certa, se dispôs a fazer tudo para facilitar o cumprimento da sua missão. Aqueles presentes eram adequados para uma jovem e a adornariam muito.

Perguntando, o servo descobriu que ela era filha de Betuel, um dos parentes de Abraão, portanto sobrinha-neta do seu senhor. Quando ouviu estas informações, o mordomo viu que a mão de Deus estava agindo em tudo aquilo: Então, se inclinou o homem e adorou ao Senhor. E disse: Bendito seja o Senhor, Deus de meu senhor Abraão, que não retirou a sua benignidade e a sua verdade de meu senhor; quanto a mim, estando no caminho, o Senhor me guiou à casa dos parentes de meu senhor (v. 26).

Certamente aqui temos uma clara resposta às orações. É maravilhoso quando nossa oração é respondida e não existe incentivo maior para a sua prática constante.

Mas não era apenas Eliézer que estava contente. Rebeca, como não podia ser diferente, também estava. Animada, correu para casa e contou a todos o que tinha acontecido.

O relato continua e surge em cena a pessoa de Labão, irmão de Rebeca. O texto, dos versos 30 a 31, diz que ao ver as jóias nas mãos de Rebeca, foi Labão ter com ele o qual estava em pé junto aos camelos, junto à fonte. E lhe disse: Entra, bendito do Senhor; por que estás aí fora? Pois já preparei a casa e o lugar para os camelos. Nós temos falado sobre a cortesia usada e praticada naqueles dias, mas esta recepção cortês de Labão é suspeita, pois como vemos, o interesse pelo visitante foi despertado por causa das jóias que ele tinha visto com sua irmã.

Estava Eliézer feliz por haver chegado ali, e por ter encontrado um ambiente tão propício, especialmente porque o propósito de sua viagem já tinha sido alcançado. O resto era questão de acerto. O mais difícil foi encontrar a moça certa. Ele estava grato a Deus por tudo. Quando agimos conforme a Palavra de Deus, empregando a fé e a oração, chegamos sempre a bons termos.

Os recursos de Deus são infinitos. Ele tudo pode. E o Deus que tudo pode está sempre atento às nossas orações. É a Ele que devemos nos dirigir, confiantes de que sempre agirá da maneira correta para o nosso bem, conforme a sua vontade, e não de acordo com a nossa.




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