Através da bíblia gênesis itamir Neves de Souza John Vernon McGee



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A vida de Isaque

Gn 26.1-35

No capítulo 26 de Gênesis temos relatos que mostram um pouco da vida cotidiana de Isaque e o apontam como herdeiro das promessas divinas. Verificaremos duas revelações das promessas da aliança, nos versos 2 a 6 e 24, e um paralelismo entre as experiências de Isaque e de Abraão, envolvendo suas esposas (cap. 12–13; 20–21). Traçaremos um paralelo entre a fome que atingiu Abraão e a que sobreveio a Isaque. Veremos também a prosperidade material que tanto pai quanto filho tiveram como fruto da bênção divina e, finalmente, o acerto de uma aliança com os filisteus, mostrando que Isaque era o sucessor de Abraão na sua relação com Deus.

Os primeiros versos nos contam que houve fome na terra de Canaã semelhante à ocorrida nos dias de Abraão. Isaque foi para Gerar, terra de Abimeleque, rei dos filisteus. Esse Abimeleque não é o mesmo dos dias de Abraão, cujo relato aparece em Gênesis 20. Abimeleque era um titulo real, assim como Faraó era um título real. Provavelmente esse Abimeleque era neto daquele rei que foi enganado por Abraão e Sara.

O verso 2 relata que o Senhor apareceu a Isaque e o orientou a não ir para o Egito, como fizera seu pai Abraão, mas a seguir para a terra que Ele mesmo lhe mostraria. O Senhor prometeu que, se obedecesse, o próprio Deus estaria com ele e o abençoaria. Também lhe daria, e a sua descendência, todas aquelas terras que sob juramento tinha prometido a Abraão. Deus também acrescentou que multiplicaria a sua descendência como as estrelas dos céus.

Os versos 4 e 5 são importantes, pois neles Deus declara que através da descendência de Isaque seriam abençoadas todas as nações da terra, acrescentando a razão porque cumpriria suas promessas: Porque Abraão obedeceu à minha palavra e guardou os meus mandamentos, os meus preceitos, os meus estatutos e as minhas leis (v. 5).

Este, de fato, foi um belo testemunho que Deus deu a respeito de Abraão. Se o temos considerado o pai da fé, Deus aqui destaca a sua obediência. Como tínhamos mencionado, esses dois aspectos não são contraditórios, e sim complementares. Reafirmamos que a fé se expressa na obediência e que a obediência é uma prova de amor a Deus. Temos que viver segundo esse critério de avaliação divino. Fé implica em obediência!

Nos versos 6 a 11 temos o relato da experiência semelhante vivida por Abraão e Sara, uma vez no Egito e outra vez em Gerar. Diante da beleza de Rebeca, e por temer por sua própria vida, Isaque mentiu aos homens daquele lugar dizendo que sua esposa era sua irmã.

Certo dia, depois de um bom tempo, Abimeleque olhou pela janela do seu palácio e viu Isaque acariciando Rebeca. Descobriu, então, que eles eram marido e mulher e não irmão e irmã. O rei chamou Isaque e o confrontou. Isaque se desculpou e Abimeleque deu esta ordem a todo o povo: qualquer que tocar a este homem ou à sua mulher certamente morrerá (v. 11). A preocupação do rei demonstrou responsabilidade, pois o pecado de uma pessoa afetava todos os seus conterrâneos, como veremos no caso de Acã, no livro de Josué.

É possível extrairmos alguma lição desse episódio? Certamente que sim! A lição negativa que não devemos praticar refere-se à ação de Isaque que mentiu e temeu por sua própria vida ao invés de confiar no Senhor que o dirigira àquele local. Quando não confiamos no Senhor, o pecado jaz à nossa porta. A lição positiva é a que vem da parte de Abimeleque. Sendo um rei, preocupava-se com os seus súditos e não queria vê-los sofrendo injustamente. Diante da ordem dada e da repreensão feita a Isaque, percebemos que Abimeleque era um homem justo. Em qualquer circunstância é necessário nos interessarmos por nossos semelhantes diante de possíveis injustiças sofridas. Vale a pena considerarmos os nossos procedimentos.

Os versos 12 a 14 nos contam que depois desse acontecimento Isaque semeou naquela terra e colheu cento por um, porque o Senhor o abençoava. Aqui vemos Deus cumprindo a sua palavra. Essa era a bênção que Deus havia prometido desde que chamou Abraão. Deus havia prometido a ele bênçãos materiais. Hoje Deus nos promete bênçãos espirituais que são incomparavelmente superiores. Assim como no tempo de Isaque, a condição para as recebermos é a mesma: confiarmos no Senhor e andarmos pela fé em obediência.

Os campos de Isaque brotaram abundantemente. Os versos 13 a 16 acrescentam:

13. Enriqueceu-se o homem, prosperou, ficou riquíssimo;

14. possuía ovelhas e bois e grande número de servos, de maneira que os filisteus lhe tinham inveja.

15. E, por isso, lhe entulharam todos os poços que os servos de seu pai haviam cavado, nos dias de Abraão, enchendo-os de terra.

16. Disse Abimeleque a Isaque: Aparta-te de nós, porque já és muito mais poderoso do que nós.

É interessante essa reação de Abimeleque. O mundo reage sempre com inveja, com ódio, e afasta-se de nós quando somos fiéis a Deus e somos por Ele abençoados. O próprio Senhor Jesus nos adverte sobre o ódio do mundo, em João 15.19: Se vos fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; como, todavia, não sois do mundo, pelo contrário, dele vos escolhi, por isso, o mundo vos odeia.

Precisamos atentar para a nossa relação com aqueles que não amam o Senhor. Temos que testemunhar, de modo claro, da nossa comunhão e da nossa obediência ao Senhor. É necessário avaliarmos as reações do mundo para com cada um de nós. Se temos sido perseguidos, invejados, discriminados e maltratados, não podemos desistir, mas nos firmarmos ainda mais no Senhor que está sempre conosco. Como temos falado: Deus é fiel!

Nos versos 17 a 22 temos um relato muito interessante. Os filisteus estavam furiosos com a grandeza de Isaque e, numa atitude desesperada, entulharam os poços depois de Isaque reabri-los. Na verdade havia conflito por água, pois a região era desértica. Mas é importante perceber também que nenhum dos patriarcas precipitou-se lutando pela posse da terra prometida. Eles confiaram que Deus daria a terra a seus descendentes na hora certa. Esta era a primeira intriga criada pelos filisteus contra o povo de Deus, e durante séculos, isto é, até o tempo do rei Davi, os filisteus ainda guerrearam contra os judeus.

O texto relata vários nomes de poços, e eles celebravam a provisão e a proteção de Deus, até que no verso 22 lemos que após duas outras tentativas um outro poço foi aberto e não houve contenda entre os pastores. Esse poço foi chamado de Reobote, que significa “espaços abertos”, pois ali foi possível moverem-se livremente. Nessa localidade certamente se reviveu a experiência de Abraão com seus pastores de um lado, e os pastores de Ló de outro.

Assim como ocorrera com seu pai, Isaque aqui também foi abençoado pelo Senhor, dirigindo-se a Berseba. Foi nessa cidade, que significa “poço do juramento” (21.32), que Abraão acertou seu relacionamento com Abimeleque. E nessa mesma localidade Isaque teve uma experiência especial com Deus. O texto, nos versos 24 e 25, nos dá o seguinte relato:



24. Na mesma noite, lhe apareceu o Senhor e disse: Eu sou o Deus de Abraão, teu pai. Não temas, porque eu sou contigo; abençoar-te-ei e multiplicarei a tua descendência por amor de Abraão, meu servo.

25. Então, levantou ali um altar e, tendo invocado o nome do Senhor, armou a sua tenda; e os servos de Isaque abriram ali um poço.

Para confirmar a sua boa mão para com Isaque, o Senhor lhe apareceu e lhe confirmou que era o Deus do seu pai Abraão. Essa confirmação aconteceu, porque Deus percebeu que Isaque necessitava de segurança. Por um lado, ele era abençoado com a multiplicação dos seus bens, mas por outro lado, a perseguição era constante. Por isso, após essa manifestação divina, Isaque levantou o altar e, como seu pai fizera inúmeras vezes, invocou o nome do Senhor e prestou um culto de gratidão a Deus. Essa deve ser a nossa atitude diante do Senhor, sempre grata pelas inúmeras bênçãos que Ele nos concede e pela segurança que nos proporciona.

É importante também atentarmos à última parte do texto que acabamos de ver, onde estão registradas as palavras “… e os servos de Isaque abriram ali um poço”. Aqui também temos uma lição preciosa.

Como já vimos, a água era fundamental naquela região. Então, a abertura de mais um poço significava a boa mão de Deus para com Isaque. Na Bíblia, a água é símbolo da Palavra de Deus. A Palavra de Deus é tida como água. A Bíblia é uma fonte inesgotável. Temos de beber nas profundezas desta fonte infinita que é a única água que pode dessedentar a nossa sede espiritual; a água que nos limpa o coração e nos refrigera a alma. Deus requer limpeza em nossas vidas e só a Palavra pode fazer isso. Assim como não podemos passar sem água, também não podemos viver espiritualmente sem a Palavra de Deus. Cada vez mais fica comprovado que temos grande necessidade de estudarmos ainda mais a Palavra de Deus.

Essa luta por causa da água física também nos oferece a oportunidade de fazer a seguinte aplicação. Temos tido lutas e discussões por causa da Palavra de Deus. A questão da interpretação é o foco principal dessas disputas. Muitos têm usado as Escrituras como pretexto. Prometem coisas que a própria Bíblia, e Deus, o seu autor, nunca prometeu. Outros têm sido completamente radicais na leitura da Bíblia, sem fazer as devidas contextualizações, tornando-a irrelevante para os homens de hoje. Mas pela graça de Deus, enquanto isso, muitos ainda têm se esforçado para serem fiéis ao conteúdo genuíno das Sagradas Escrituras.

Temos que admitir que nem sempre temos disposição para ler e estudar o livro sagrado. Os grandes servos de Deus dizem que há duas coisas que Satanás não quer que o cristão faça: uma delas, é ler a Bíblia; a outra, é orar. O que podemos fazer sem a Bíblia e sem a oração? Na verdade, nada. Só podemos esperar a desnutrição e depois a morte. Por isso é que muitos estão espiritualmente mortos tanto pela falta da Palavra de Deus como pela falta de oração. Que Deus nos ajude a valorizarmos o que de fato tem valor!

Desse ponto em diante, isto é, dos versos 26 a 33, temos o relato da aliança que Isaque fez com Abimeleque. É o próprio rei que vem até Isaque para propor uma aliança de paz e de cooperação. Ele reconheceu que Isaque era um homem abençoado por Deus, um homem com quem Deus estava. Os versos 26 a 29 dizem:

26. De Gerar foram ter com ele [Isaque] Abimeleque e seu amigo Ausate e Ficol, comandante do seu exército.

27. Disse-lhes Isaque: Por que viestes a mim, pois me odiais e me expulsastes do vosso meio?

28. Eles responderam: Vimos claramente que o Senhor é contigo; então, dissemos: Haja agora juramento entre nós e ti, e façamos aliança contigo.

29. Jura que nos não farás mal, como também não te havemos tocado, e como te fizemos somente o bem, e te deixamos ir em paz. Tu és agora o abençoado do Senhor.

Essas palavras são impressionantes. Abimeleque veio com seus dois principais auxiliares até Isaque para propor uma aliança entre seus povos. Isaque reagiu de modo claro, dizendo que eles o odiavam e o expulsaram do meio deles. Lembra-se que falamos que esta é a atitude normal do mundo? Quando percebem as bênçãos de Deus sobre as nossas vidas, a primeira reação é o ciúme, a inveja, o desprazer e a rejeição. E foi isso que aconteceu.

Mas certamente você já constatou que uma outra reação do mundo, diante de uma vida abençoada por Deus, depois dessa rejeição e do ciúme inicial, é a aproximação, a procura por estar próximo para desfrutar também das bênçãos que recebemos. É isso mesmo! Quando as pessoas que não temem a Deus, percebem que Deus continua nos concedendo bênçãos espirituais, fazendo-nos ter atitudes positivas mesmo diante dos revezes da vida, elas se achegam a nós para entender e desfrutar daquela ação poderosa de Deus em e através de nós. Foi isso que Abimeleque, Ausate e Ficol foram buscar em Isaque. Ao proporem esta aliança sabiam que de certa maneira as bênçãos divinas seriam experimentadas também por eles.

Temos de ser benevolentes nesses momentos. Estamos aqui para sermos bênçãos para todos. Assim como Abraão e Isaque tinham a missão de abençoar todas as nações e todas as famílias da terra, nós também temos que ser bênçãos para aqueles que nos cercam. Isaque, então, ofereceu um banquete. Esse oferecimento era comum quando alianças eram concluídas. Esse banquete representava os laços de compromisso e amizade de ambas as partes. O texto, no verso 31, relata que levantando-se de madrugada, juraram de parte a parte; Isaque os despediu, e eles se foram em paz. É assim que devemos proceder. Abençoar os que nos procuram e nos comprometermos com eles.

Nos versos 32 e 33 encontramos uma pequena narrativa, mas de grande valor espiritual. Após esse juramento e o estabelecimento de paz, os servos de Isaque lhe trouxeram uma maravilhosa notícia. “Achamos água”, disseram, certamente com muita alegria. O que vemos aqui é que quando somos bênção para os outros, Deus age em nosso favor e nos abençoa ainda mais. É possível também para nós termos essa experiência. É maravilhoso servir o nosso Deus e andar conforme a sua vontade!

Mas é triste perceber que enquanto Isaque desfrutava das bênçãos divinas, o seu filho mais velho, Esaú, ia de mal a pior. Depois de rejeitar o direito de primogenitura, casou-se com mulheres cananitas, Judite e Basemate, da linhagem dos heteus. Essas noras se tornaram amargura de espírito para Isaque e Rebeca. Que triste relato! Quando desprezamos as bênçãos de Deus, caminhamos a passos largos para um distanciamento ainda maior de Deus. Que o Senhor nos impeça de andarmos distantes Dele.



Isaque abençoa Jacó e Esaú

Gn 27.1-46

Nesse capítulo de Gênesis, temos o relato da bênção de Isaque para os seus filhos Esaú e Jacó. Mas antes de analisarmos detalhadamente o texto, numa visão completa, é importante reconhecermos que Deus é poderoso e soberano para realizar os seus desígnios, para completar o seu plano, mesmo diante das precipitações humanas, mesmo diante dos pecados humanos. Os planos e desígnios de Deus se realizam independente da compreensão ou da colaboração que possamos ter ou dar. Isso tudo acontece porque Deus é soberano!

Temos aqui, então, uma narrativa em que os quatro membros de uma família estão envolvidos. Como verificaremos ao longo do estudo, alguns pecados são claramente percebidos: mentira, engano, decisões baseadas em preferências pessoais, rancor, amargura, ódio, desejo de vingança, enfim um número tão elevado de pecados que parece não se tratar de um relacionamento entre pai, mãe e filhos.

Observando de modo completo essa passagem, percebemos que os personagens dessa trama, Isaque, Rebeca, Esaú e Jacó, foram culpados pelo desenrolar da história.

Isaque foi culpado, porque era o típico pai que não atentava para o relacionamento entre os seus filhos. Estando ciente ou não do direito de primogenitura que Esaú desprezou, vendendo-o a Jacó por um prato de comida, sabia que desde o nascimento havia uma profecia dizendo que o mais velho serviria o mais moço, e, mesmo assim, quis abençoar Esaú, o mais velho, seu preferido, que lhe preparava refeições saborosas. Como pai, numa hora tão decisiva, deixou-se levar pelo paladar.

Esaú foi culpado, porque tendo direito à primogenitura, desprezou-o e vendeu-o ao seu irmão por um prato de lentilhas e, diante da proximidade da morte do pai, quebrou o acordo inicial com Jacó. Depois que se viu enganado, nutriu em seu coração amargura e ódio, planejando matar o irmão.

Rebeca foi culpada, porque mesmo sabendo da profecia de que o mais velho serviria ao mais moço (25.23), além de fazer distinção entre os filhos, preferindo Jacó em relação a Esaú, não teve paciência para esperar a realização dos planos de Deus. Diante da proximidade da morte de Isaque, elaborou um ardiloso plano para que Jacó recebesse a bênção que já era sua por palavra divina.

Jacó foi culpado, porque sendo o seu caráter enganador, não confiou na promessa de Deus e, além de enganar seu pai Isaque, pela segunda vez ludibriou Esaú seu irmão para ficar com a bênção que Deus já tinha dito que lhe daria.

É interessante percebermos, quando observamos o texto de maneira completa, que essas ações, ao invés de impedir os planos de Deus, cooperaram na concretização dos propósitos que Deus antecipadamente havia estabelecido. Essa é uma lição que necessitamos aprender e nos submeter a ela. Temos que saber que assim como Deus controla a história universal, também controla a história pessoal dos seus filhos, controla a nossa história. Se agirmos precipitadamente, em ansiedade, não confiando em Deus, não tendo fé em suas promessas e querendo determinar o tempo certo para os acontecimentos, perderemos a oportunidade de vermos as ações maravilhosas de Deus; perderemos a bênção de descansarmos nele e vermos suas grandes e criativas realizações.

Portanto, para desfrutarmos daquilo que Deus quer nos dar, é necessário termos em mente dois textos da Palavra de Deus: Agindo eu, quem o impedirá? (Is 43.13) e Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus (Sl 46.10). Devemos ter essas atitudes, porque Jeremias assim nos ensinou: Bom é o Senhor para os que esperam por ele, para a alma que o busca. Bom é aguardar a salvação do Senhor, e isso, em silêncio (Lm 3.25, 26).

Agora podemos olhar detalhadamente os acontecimentos narrados nesse capítulo. Embora tenhamos somente em 35.28, 29 o relato da morte de Isaque, que viveu 180 anos, o texto, dos versos 1 a 4 deste capítulo, nos mostra que Isaque estava envelhecido e já não podia ver. Isaque estava com aproximadamente 137 anos, mas por causa da deficiência da visão, sentindo que estava chegando ao final de seus dias, chamou Esaú, o seu filho preferido. Disse que estava velho e que não sabia quando iria morrer. Pediu-lhe, então, que fosse caçar e lhe preparasse, com o seu tempero característico, uma comida saborosa.

Mas por que Isaque fez esse pedido? O que será que ele tinha em mente? Isaque tinha um objetivo em mente. Ele queria abençoar Esaú antes de morrer. Então, nada melhor do que uma boa refeição para depois haver uma cerimônia de bênção! Embora soubesse desde o nascimento dos gêmeos que o filho mais velho serviria o mais novo, mesmo assim quis abençoá-lo antes de morrer.

Esta bênção paterna era importante naquela época, sobretudo quando era ministrada próxima da morte do pai. Bênçãos ou declarações orais concedidas em ocasiões tão extremas exerciam uma influência decisiva no destino daquele que as recebia. Elas tinham também efeito legal, isto é, efeito de lei de direito com que se acertava uma série de ações, inclusive a partilha da herança que seria deixada pelo falecido.

É importante percebermos como Isaque, por causa da sua preferência por Esaú estava disposto a desobedecer à profecia divina e abençoá-lo, mesmo assim foi considerado um herói da fé em Hebreus 11.20. Que Deus nos livre de querermos agir de modo contrário à sua vontade.

O texto continua e nos versos 5 a 13 encontramos Rebeca, provavelmente escondida, ouvindo a conversa de Isaque e Esaú. Ao ouvir o pedido de Isaque e a prontidão de Esaú, Rebeca rapidamente chamou Jacó, contando-lhe toda a conversa do pai e do irmão. Deu-lhe, então, uma ordem explícita: Agora, pois, meu filho, atende às minhas palavras com que te ordeno (v. 8).

É importante percebermos que Rebeca demonstrou ser tão ou mais fraudulenta que o próprio Jacó, que já havia conseguido enganar seu irmão anteriormente. Rebeca queria ser obedecida. Não era momento para discutir, não era momento para qualquer argumentação. Jacó teria que correr até o rebanho e escolher dois bons cabritos e trazê-los para que ela fizesse uma refeição saborosa conforme aquelas que Isaque apreciava. Assim Jacó levaria a Isaque aquele alimento para que, depois que comesse, fosse abençoado.

Era um plano arriscado! Jacó tentou dissuadi-la lembrando que Esaú era peludo, enquanto ele não tinha tantos pelos pelo corpo. Certamente Jacó não estava com medo da mentira, mas não queria que seu pai descobrisse que estava sendo enganado. Jacó disse à mãe que não queria ser amaldiçoado por enganar Isaque. Rebeca não queria discutir. Era urgente. E, numa atitude que revelou o seu coração, fez uma auto-imprecação, dizendo a Jacó, no verso 13: Caia sobre mim essa maldição, meu filho; atende somente o que eu te digo, vai e traze-mos.

Que cena impressionante! Essa era uma clara precipitação por haver desconfiança dos planos divinos. Na mente de Rebeca, que tinha Jacó como seu filho predileto, eles não podiam perder aquela oportunidade. Ou eles fraudavam e conseguiam a bênção de Isaque, ou ela cria que Jacó não seria abençoado. Que tristeza! Rebeca agiu e forçou seu filho a agir buscando uma solução humana. Não quis esperar no Senhor, que é criativo para atuar de modo que nem sequer pensamos ou imaginamos. Isso é desconfiança, incredulidade, falta de fé!

O texto prossegue e nos versos 14 a 25 encontramos o relato do trabalho prático. Ao receber os cabritos, Rebeca os preparou da maneira que Isaque apreciava. Depois vestiu Jacó com a melhor roupa de Esaú e cobriu as mãos e o pescoço do filho mais novo com as peles dos cabritos. Tudo o que era necessário foi feito!

O que vemos aqui é o processo do pecado descrito em Tiago 1.14, 15: … cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz. Então, a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte. Devemos ter sempre esse texto como alerta. Quais são os passos desse processo que nos levam a pecar? Observe a ordem de fluência do texto: atração, sedução, concepção, concretização do pecado, consumação que gera a morte. É isso que acontece conosco também. Para o cristão essa morte, o passo final do processo, é a perda de comunhão com Deus, uma vez que o texto não sugere a perda de salvação. Mas para aquele que ainda não é salvo, esse último passo coloca-o como morto espiritual até que receba Jesus como Senhor e Salvador de sua vida.

É possível fazer um paralelo desses passos com as atitudes de Rebeca e Jacó:

     1.     A idéia de fazer Isaque abençoar Jacó atraiu Rebeca.

     2.     Ela ficou seduzida com a possibilidade de seu plano dar certo.

     3.     Ela concebeu o pecado ao elaborar o plano e convocar Jacó para participar.

     4.     O pecado foi concretizado quando Jacó pegou os cabritos e ela preparou-os de maneira muito saborosa.

     5.     A consumação que gera a morte aconteceu quando Isaque finalmente foi enganado.

A que morte estamos nos referindo aqui? Reafirmamos, nesse caso, como no daqueles que já foram justificados pela fé em Jesus Cristo, que essa morte é a quebra de comunhão, a perda da intimidade com Deus.

O texto prossegue e vemos que quando Jacó foi até Isaque, o velho pai fez algumas perguntas para certificar-se sobre quem lhe entregava o alimento. Por que Isaque fez essas perguntas? Certamente porque sabia que seus dois filhos estavam disputando a sua bênção. Não havia confiança na família. Depois do teste sobre a rapidez em achar a caça, Isaque fez quatro outros testes envolvendo os seus sentidos:

     1.     O teste do tato, ao tocar o filho.

     2.     O teste da audição, ao ouvir a voz (se bem que teve dúvidas).

     3.     O teste do paladar, ao degustar o alimento.

     4.     O teste do olfato, ao sentir o cheiro do campo nas roupas.

O sentido da visão era falho, e por isso mesmo Isaque entendeu que era Esaú quem estava diante dele. Ora, com esse reconhecimento, depois da refeição completa, tendo comido e bebido, Isaque instantaneamente começou a proferir a sua bênção. Os versos 27 a 29 registram suas palavras:

27. Eis que o cheiro do meu filho é como cheiro do campo, que o Senhor abençoou;

28. Deus te dê do orvalho do céu, e da exuberância da terra, e fartura de trigo e de mosto.

29. Sirvam-te povos, e nações te reverenciem; sê senhor de teus irmãos, e os filhos de tua mãe se encurvem a ti; maldito seja o que te amaldiçoar, e abençoado o que te abençoar.

Você percebe que Isaque, ao impetrar tal bênção, sem saber estava abençoando Jacó e não Esaú. Na verdade estava cumprindo o que Deus já tinha ordenado em seu eterno desígnio desde o nascimento dos gêmeos. Ao proferir a sentença de que ele seria senhor dos seus irmãos e que os filhos de sua mãe se encurvariam a ele, sem saber, Isaque estava repetindo o decreto divino de que o mais velho serviria ao mais moço. Mesmo quando tentamos fazer a nossa vontade, pois o desejo de Isaque era abençoar a Esaú, Deus é poderoso e soberano e nos faz realizar os seus planos.

O texto continua e o desfecho da cena é impactante. Esaú, sem saber de nada do que tinha acontecido, chega com sua caça. Prepara-a como de costume e leva-a ao pai para receber a bênção. Ao pedir ao pai que se preparasse para a refeição e para o momento de bênção, pai e filho, Isaque e Esaú descobrem, surpreendidos, que foram enganados por Jacó com total participação de Rebeca.

Quando Esaú ouviu de Isaque que a bênção já fora dada, gritou com profunda amargura: “Pai, abençoe também a mim!”. Isaque explica todo o ocorrido e Esaú, com profundo rancor e tristeza, reconhece que o irmão pela segunda vez o enganara; mas mesmo assim insiste com o pai para que o abençoe. Isaque responde-lhe que na benção dada, Jacó foi constituído senhor de Esaú e, sendo a bênção uma vez pronunciada, não poderia ser revogada e nem transferida para outra pessoa.

Os dois, Isaque e Esaú, estavam com seus corações partidos, estavam angustiados, de mãos atadas! Que situação deplorável numa família. Enganos, mentiras, rancor e ódio. Que Deus nos livre dessa prática em nossos lares.

Esaú insistiu e Isaque, nos versos 39 e 40, profere algumas palavras, um tipo de bênção secundária: Longe dos lugares férteis da terra será a tua habitação; e sem orvalho que cai do alto. Viverás da tua espada e servirás a teu irmão; quando, porém, te libertares, sacudirás o jugo da tua cerviz. Que palavras duras! Que previsão futura desanimadora. Muitas dificuldades, durezas e lutas Esaú teria que enfrentar. Mais uma vez, com essas palavras, Isaque cumpriu a profecia divina dada no nascimento dos gêmeos. Lembre-se: o nosso Deus é soberano.

O texto termina relatando o ódio de Esaú por Jacó e a sua intenção de matá-lo logo depois da morte de Isaque. Quando Rebeca tomou conhecimento desse sentimento e desses planos macabros, avisou e mandou Jacó fugir para a casa do seu irmão Labão, para ali aguardar um tempo até que aquele ímpeto doloso de Esaú se abrandasse.

Realmente um episódio triste, mas com muitas aplicações para nós. Que a nossa vida familiar seja de harmonia, compreensão, sinceridade, amor, perdão e, sobretudo, que haja uma profunda submissão ao Senhor para que somente a vontade dele seja cumprida.





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