Através da bíblia gênesis itamir Neves de Souza John Vernon McGee


Experiências de Jacó: a fuga, a visão da escada e a coluna de Betel



Baixar 1.23 Mb.
Página16/26
Encontro29.07.2016
Tamanho1.23 Mb.
1   ...   12   13   14   15   16   17   18   19   ...   26

Experiências de Jacó: a fuga, a visão da escada e a coluna de Betel

Gn 28.1-22

No último verso do capítulo 27, Rebeca mais uma vez demonstrou sua sagacidade quando se queixou de suas noras, esposas de Esaú, para Isaque. Rebeca queria ganhar o apoio de seu marido, favorecendo mais uma vez a Jacó. Assim, disse que as mulheres de Esaú, que eram cananitas, filhas de Hete, Judite e Basemate, lhe causavam tristeza e isso a aborrecia. Afirmou ao marido que se preocupava com Jacó, que poderia também tomar por esposa alguma jovem cananita. E, se isso acontecesse, ela mesma sentiria que não valeria mais a pena viver. Rebeca foi muito ardilosa. Foi extremada. Na verdade, ela insinuou, e Isaque, provavelmente sem perceber a sua estratégia, concordou com a esposa.

No início do capítulo 28, no verso 1, vemos o idoso patriarca chamar Jacó e ordenar-lhe que não se casasse com nenhuma moça cananita. Nos versos 2 a 4 encontramos as palavras complementares do pai dirigidas ao filho:

2. Levanta-te, vai a Padã-Arã, à casa de Betuel, pai de tua mãe, e toma lá por esposa uma das filhas de Labão, irmão de tua mãe.

3. Deus Todo-Poderoso te abençoe, e te faça fecundo, e te multiplique para que venhas a ser uma multidão de povos;

4. e te dê a bênção de Abraão, a ti e à tua descendência contigo, para que possuas a terra de tuas peregrinações, concedida por Deus a Abraão.

Observe que nessas palavras o patriarca confirma a bênção que dera anteriormente a Jacó, que era a mesma a ele concedida e também a Abraão. Era a bênção do El-Shaddai, o Deus Todo-Poderoso (17.1). Portanto, de geração em geração, essa bênção confirmou o favor de Deus sobre aqueles primeiros patriarcas.

Como podemos aplicar esse texto a nossas vidas? Nele constatamos o princípio da herança repassada aos herdeiros. Quando transferimos uma herança a nossos filhos, ela não é somente de posses, mas, principalmente do nosso relacionamento com Deus. Abraão teve experiências especiais com Deus. Isaque também. Agora, ele encaminhava seu filho Jacó a essa mesma vida de experiências com Deus. Que possamos ser modelos de intimidade com Deus para que nossos filhos também experimentem como é bom andar com o Senhor.

Nos versos 6 a 9 vemos Esaú, com seu caráter ainda afetado pela mágoa e rancor, tentando de alguma maneira agradar ao Senhor e a seus pais. Ele viu Isaque abençoando Jacó, enviando-o a Padã-Arã em busca de uma esposa. Esaú já era casado com duas mulheres cananitas, fato que desagradava sua mãe. Num anseio desesperado de consertar e amenizar a situação, foi à casa de Ismael, seu tio, e lá se casou com Maalate, sua prima. Mas foi uma tentativa falha. Acompanhe alguns erros de Esaú:

     1.     Desprezou seu direito à primogenitura.

     2.     Desejou a morte de seu irmão.

     3.     Tomou como esposas duas cananitas.

     4.     Buscou para si mais uma esposa sem seguir a orientação divina e paterna.

     5.     Casou-se com sua prima, filha de Ismael, o filho rejeitado de Abraão, do qual não se originaria a descendência abençoada por Deus.

Mas por que sua tentativa não deu certo? Por que não teve bons resultados? Porque a tentativa carnal e humana de querer amenizar uma atitude interior desagradável não é aceita por Deus. O esforço próprio do homem natural de querer ser aceitável ao Senhor, sem experimentar uma mudança interior, não resulta em ações apropriadas que o agradam. Nunca devemos tentar agradar ao Senhor com nossos esforços próprios. O caminho certo é confessarmos e admitirmos o nosso interior pecaminoso, buscarmos a presença de Deus e nos submetermos a Ele para andarmos conforme o seu querer.

Os versos 10 a 17 formam um texto muito interessante. Eles nos relatam uma experiência única que Jacó teve com Deus quando caminhava na direção de Padã-Arã. Como a jornada era longa, deitou-se para passar a noite. Agora vamos refletir um pouco sobre essa experiência. Era Jacó que estava nessa situação. Quem era Jacó? Qual era o seu perfil? Esaú, seu irmão gêmeo, era um homem do campo. Mas ele, o filho mais novo, gostava de ficar em casa. Era mais caseiro. Talvez aquela fosse sua primeira noite fora de casa. Além de todo o ambiente de seu lar estar abalado por sua própria culpa, agora estava com medo, fugindo de Esaú e, certamente, temendo passar uma noite ao relento. Como se sentiu naquela noite? Certamente sentiu-se só. O lugar era deserto e sem dúvida ele sentiu uma profunda solidão e medo.

Mas Jacó tinha que dormir para recuperar as energias. Pegou uma pedra, usou-a como um travesseiro, se deitou e dormiu. De tão cansado sonhou. E sonhou algo maravilhoso, como nos dizem os versos 12 a 15:



12. E sonhou: Eis posta na terra uma escada cujo topo atingia o céu; e os anjos de Deus subiam e desciam por ela.

13. Perto dele estava o Senhor e lhe disse: Eu sou o Senhor, Deus de Abraão, teu pai, e Deus de Isaque. A terra em que agora estás deitado, eu ta darei, a ti e à tua descendência.

14. A tua descendência será como o pó da terra; estender-te-ás para o Ocidente e para o Oriente, para o Norte e para o Sul. Em ti e na tua descendência serão abençoadas todas as famílias da terra.

15. Eis que estou contigo, e te guardarei por onde quer que fores, e te farei voltar a esta terra, porque te não desampararei, até cumprir eu aquilo de que te hei referido.

O local onde Jacó pernoitou recebeu o nome de casa de Deus, ou Betel. Era um lugar muito significativo, pois foi exatamente nele que Deus apareceu pela primeira vez a Abraão (12.8). Podemos imaginar o quanto receber essas palavras do Senhor foi reconfortante para um homem que estava sozinho, saudoso e temeroso, que havia deixado sua casa às pressas.

Mas qual o significado dessa visão, desse sonho? Temos aqui uma demonstração maravilhosa da graça divina não procurada e incondicional. Ela não foi procurada porque Jacó provavelmente nem se lembrou de Deus. Estava cansado e só queria dormir. Deus, entretanto, veio ao seu encontro, com os seus anjos, em todo o seu esplendor, e surpreendeu esse peregrino temeroso. Ela foi incondicional porque não houve nenhuma palavra de recriminação por tudo aquilo que ele e Rebeca tinham feito a Isaque e a Esaú; também não houve nenhuma palavra de exigência ou pré-condição.

Essa maravilhosa visão mostrava para Jacó as diversas garantias divinas de que ele não estava só. Essas garantias podem ser alistadas:

     1.     Deus se identificou como Deus do presente: Eu sou o Senhor (v. 13).

     2.     Deus mostrou-lhe a soberania no passado: Eu sou o Deus de Abraão, teu pai, e Deus de Isaque (v. 13).

     3.     Deus mostrou-lhe como controla o futuro: A tua descendência será como o pó da terra (v. 14).

     4.     Deus revelou os seus propósitos: Em ti e na tua descendência serão abençoadas todas as famílias da terra (v. 14).

     5.     Deus revelou-se como um Deus protetor e fiel: Eis que eu estou contigo, e te guardarei por onde quer que fores, e te farei voltar a esta terra, porque te não desampararei, até cumprir eu aquilo que te hei referido (v. 15).

Essas palavras, de fato, foram reconfortantes! Deus tem prazer em garantir sua companhia e sua bênção! Então, o que temos através dessas palavras é uma renovação da aliança que Deus fizera com Abraão e com Isaque. Jacó era o terceiro na linha de sucessão.

Podemos tirar dessa experiência um simbolismo interessante que nos lembra Jesus Cristo como o único mediador entre Deus e os homens. É interessante vermos que Deus veio a um homem como Jacó, que era usurpador, suplantador e da mesma maneira Deus vem até nós, homens pecadores. O Senhor nos quer como estamos. A transformação ocorre depois que Ele entra em nossa vida. A escada em Betel pode ser considerada um símbolo de Cristo, que é a única escada ou o único caminho para o céu.

O texto prossegue, e nos versos 16 e 17 lemos: Despertado Jacó do seu sono, disse: Na verdade, o Senhor está neste lugar, e eu não o sabia. E, temendo, disse: Quão temível é este lugar! É a Casa de Deus, a porta dos céus. Este é um texto da Bíblia muito usado em cerimônias de dedicação de novos templos. Muitas pessoas ficam olhando para a beleza do templo, mas quando Jacó disse isso, ele estava num lugar desconfortável, porém Deus estava ali. Ele descobriu que Deus estava ali. E de fato a igreja é um lugar temível para uma pessoa como Jacó ou até para todos nós. É ali que nos defrontamos com o Deus Todo-Poderoso. Todos os homens são confrontados com Deus de uma forma ou de outra. O Senhor descobre o ser humano onde quer que se esconda. Ele pode revelar-se a você agora.

Mas por que um lugar onde Deus está é temível? Por causa do pecado que carregamos. Um homem como Jacó só podia se assustar e temer diante da visão de Deus. É importante relembrarmos sempre que Deus está presente em todos os lugares. O nosso Deus é onisciente! Quando Isaías viu Deus numa visão maravilhosa, gritou: Ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros, habito no meio de um povo de impuros lábios, e os meus olhos viram o rei, o Senhor dos Exércitos! (Is 5.6). É sempre assim. Muitos têm medo de Deus. E este medo de Deus é por causa do pecado. Temos que saber, temos que lembrar disso!

Mas graças a Deus o lugar onde Ele está é a casa de Deus, é a porta para os céus. Essa é a mensagem da graça. É possível nos reconciliarmos com o Senhor. É Ele que vem ao nosso encontro e nos aponta Jesus, o único acesso direto ao céu!

Os versos 18 e 19 mostram a reação de Jacó diante da bondade de Deus: Tendo-se levantado Jacó, cedo, de madrugada, tomou a pedra que havia posto por travesseiro e a erigiu em coluna, sobre cujo topo entornou azeite. E ao lugar, cidade que outrora se chamava Luz, deu o nome de Betel.

Jacó levantou-se cedo, de madrugada, tomou a pedra que havia posto por travesseiro e a erigiu em coluna, isto é, um monumento que simbolizava que ali era um lugar de adoração. Sobre o topo desse monumento entornou azeite, consagrando-o como um marco da manifestação de Deus. Jacó mudou o nome daquele local que se chamava Luz (amendoeira, em hebraico), para um nome muito mais significativo. O local passaria a ser chamado de Betel que significa “Casa de Deus”. Jacó certamente estava impactado por aquela noite especial. Será que houve mudança em seu caráter depois dessa experiência?

O texto bíblico prossegue e nos relata, nos versos 20 a 22, as últimas palavras do capítulo 28:

20. Fez também Jacó um voto, dizendo: Se Deus for comigo, e me guardar nesta jornada que empreendo, e me der pão para comer e roupa que me vista,

21. de maneira que eu volte em paz para a casa de meu pai, então, o Senhor será o meu Deus;

22. e a pedra, que erigi por coluna, será a Casa de Deus; e, de tudo quanto me concederes, certamente eu te darei o dízimo.

Alguns estudiosos entendem que na medida do conhecimento de Jacó as suas palavras foram as mais corretas possíveis. Entendem que expressou o seu temor e respeito para com o Ser que viera ao seu encontro e não para com as coisas que lhe foram prometidas. Argumentam esses estudiosos, com base na homenagem e no voto que Jacó prestou a Deus, que ele agiu corretamente.

Mas se prestarmos bastante atenção às palavras de Jacó, podemos dar uma outra interpretação ao voto. Perceberemos que o clima é diferente e reflete o caráter completamente humano e enganoso de Jacó. Qual seria, então, a interpretação correta? Atentemos bem para o voto de Jacó. Novamente vemos que o seu interior foi claramente exposto nas suas palavras. Ele foi impactado com a visão graciosa de Deus, reconheceu a bondade do Senhor e por isso mesmo prestou-lhe culto.

Mas o seu caráter ainda não estava transformado. Ele estava tentando fazer uma chantagem com Deus. Ora, Deus prometeu protegê-lo na sua viagem e disse que estaria presente em qualquer lugar que fosse. Prometeu abençoá-lo, dar-lhe aquela terra e que não o desampararia. E Jacó disse que se de fato Deus cumprisse tudo aquilo que lhe havia dito, então, o teria como seu Deus e lhe daria o dízimo de tudo.

Claramente Jacó tentava fazer uma espécie de negócio com Deus. E apesar de ter adorado ao Senhor e erigido uma coluna em sua homenagem, sabemos que Deus não aceita esse tipo de negócio. O homem recebe os planos de Deus, mas Deus não recebe os planos dos homens.

O caráter que agrada a Deus é um caráter transformado por completo. Um coração completamente mudado agrada o nosso Deus! Que sejamos livres de cometer tal barganha com Ele. Aceitemos a sua graça e não façamos exigências descabidas. O nosso Deus quer o nosso bem, portanto confiemos completamente em suas promessas, em sua palavra e em suas bondosas ações para conosco.



As esposas de Jacó: Lia e Raquel e seus primeiros filhos

Gn 29.1-35

Enquanto Jacó seguia para Padã-Arã (28.2), Deus percebeu que o seu coração ainda não tinha se transformado completamente. Desejando que o seu caráter fosse exemplar, permitiu que esse terceiro patriarca fosse experimentado na escola do engano. Ele, que era enganador, conforme o significado do seu próprio nome indica, agora enfrentaria essa escola e seria enganado de modo inquestionável por Labão, seu tio, irmão de sua mãe Rebeca.

Vale a pena, nesse ponto, lermos Gálatas 6.7: Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará. Esta é uma verdade que a Bíblia ensina com muita clareza. E é verdade em todos os campos da vida. Ninguém escapa desta lei universal. Todo o mal que se semeia aqui, colhe-se aqui, a não ser que haja um arrependimento verdadeiro.

Lendo a Bíblia, encontramos outros exemplos claros da lei da semeadura e da colheita. Faraó mandou matar todos os filhos dos judeus do sexo masculino. E o que foi que aconteceu depois? Vemos que o anjo do Senhor matou o próprio filho de Faraó e todos os primogênitos egípcios. Lemos que o rei Acabe matou Nabote para satisfazer as suas ambições, e depois o profeta Elias lhe apareceu dizendo que iriam fazer com ele o mesmo que tinha feito, e tudo se cumpriu literalmente como havia dito o profeta. Até mesmo o apóstolo Paulo sentiu o peso desta lei. Deu consentimento para que Estevão fosse apedrejado e morto, e o que foi que aconteceu com o apóstolo? Paulo, mais tarde, foi levado para fora da cidade de Listra e apedrejado de tal maneira que pensaram que estivesse morto.

No capítulo 29, Jacó começa a colher, a ceifar aquilo que havia plantado. Ele se orgulhava da sua capacidade de enganar. Conseguia tudo com grande facilidade. Era um suplantador, um enganador. Portanto Jacó tinha que aprender exatamente a lição que recebeu.

Em Labão, Jacó encontrou um competidor à altura e a sua escola de disciplina. Quando vemos em 31.41 que ele foi enganado por Labão depois dos primeiros sete anos, e que teve que trabalhar quatorze anos por suas duas esposas, percebemos que todo o engano que tinha praticado contra o seu irmão e contra seu pai agora recaía sobre ele.

Mas ao mesmo tempo, é possível perceber que Jacó demonstrou sempre muita objetividade naquilo que queria. No nascimento, ao segurar o pé do irmão, querendo ser o primeiro a nascer, e posteriormente, ao conseguir o direito da primogenitura; na experiência em Peniel, quando não parou de lutar com o mensageiro divino até que fosse abençoado; na espera de quatorze anos para conquistar aquilo que mais queria, isto é, casar-se com Raquel. Em todos esses acontecimentos reconhecemos a sua tenacidade e grande determinação. Jacó era um homem de características firmes e estava sendo forjado por Deus para se tornar o patriarca que daria origem a nação de Israel.

Nos versos 1 a 12, encontramos Jacó caminhando para o Oriente à procura da família de sua mãe. Provavelmente cansado pela noite mal dormida, diante da especial visão que tivera, por volta do entardecer Jacó aproximou-se de um poço. Era um bom poço que estava tampado com uma grande pedra que só seria aberto depois que todos os rebanhos se agrupassem para serem dessedentados. Logo ao chegar, Jacó travou conversa com os pastores que ali estavam para identificá-los e certificar-se sobre o local. Confirmando que era o lugar que procurava, perguntou por seu tio Labão. Descobriu, então, que estava próximo do final da sua viagem e certamente ficou contente e muito animado.

Depois de algum tempo, quando Raquel chegou com o seu rebanho, num ato de firmeza e demonstração de força, Jacó tirou a grande pedra do poço e deu água ao rebanho que ela conduzia. Então, se identifica para Raquel e ao receber a confirmação de que estava diante de sua prima, filha de Labão, beijou-a, chorou e contou-lhe toda a aventura que enfrentara até chegar ali. Raquel imediatamente correu até o pai para dizer o que tinha acontecido e como, surpreendentemente, encontrara Jacó.

Duas coisas devem ser destacadas até esse ponto. Em primeiro lugar, a remoção da grande pedra que tampava o poço foi um feito incomum, demonstrando que Jacó deveria ser um jovem muito forte para conseguir realizar tal façanha. Assim, aquela idéia de que Jacó talvez fosse mais frágil, mais débil, porque era um rapaz mais caseiro, foi desfeita com essa atitude. E, em segundo lugar, destaca-se o choro de Jacó ao encontrar Raquel. Percebemos nele um jovem aliviado por chegar a um lugar de segurança. Por estar passando a primeira noite fora de casa, fugindo do seu irmão que queria matá-lo e viajando por lugares desconhecidos, certamente o seu coração estava temeroso. Ao encontrar Raquel e identificá-la como sua prima, sentiu-se aliviado e protegido pelo Senhor.

Deus mais uma vez dava provas de sua fidelidade. Tinha prometido e agora cumpria sua Palavra. A bênção do Senhor em nos fortalecer de modo sobrenatural nas diversas ocasiões e circunstâncias pelas quais passamos, e a alegria que temos ao nos encontrarmos com familiares queridos, são lições que podem nos ajudar a olhar para nossas próprias vidas.

Mas o texto prossegue, e nos versos 13 a 20 está registrado o encontro de Jacó com Labão. Tão logo o tio soube do acontecido, foi ao encontro do sobrinho e o trouxe para sua casa. Jacó contou toda sua experiência para Labão e não apenas as aventuras da sua viagem. Provavelmente contou toda a sua vida e o motivo que o conduzia a Padã-Arã. Podemos concluir que enquanto ouvia o longo relato de Jacó durante o jantar, Labão, ainda impressionado com a força que ele demonstrara no poço, ficou imaginando como o sobrinho poderia ser mais um braço forte no trabalho em suas propriedades.

O texto diz que Jacó ficou hospedado na casa do tio durante um mês. Mas depois desse tempo, sutilmente Labão aproximou-se de Jacó e lhe fez ver que aquela situação não era a melhor: Depois, disse Labão a Jacó: Acaso, por seres meu parente, irás servir-me de graça? Dize-me, qual será o teu salário? (v. 15). Você consegue perceber o tom sutil de Labão mostrando a Jacó, depois de um mês de folga, que era hora dos dois resolverem como ficariam as coisas? Labão via que Jacó estava muito interessado em sua filha mais nova, a bela Raquel. Decidiu, então, que era hora de aproveitar o sentimento do sobrinho pela filha para enredá-lo numa situação em que ficasse trabalhando produtivamente.

O texto continua e descreve brevemente as duas filhas de Labão (v. 16, 17). Lia significa “vaca selvagem”. Era a filha mais velha, tinha os olhos baços, que quer dizer ternos ou tenros, sugerindo que eram olhos fracos tanto na visão como na cor. Raquel significa “ovelha”. Era a filha mais nova, formosa de porte e de semblante. Uma bonita moça, sempre disposta para o trabalho duro pelo fato de ser uma pastora.

Raquel conquistara o coração de Jacó que para tê-la como esposa se dispôs a trabalhar durante sete anos para Labão. O costume daqueles dias era que o noivo pagasse um dote pela jovem com quem desejava se casar. Mas Jacó, sem ter o que oferecer, se dispôs a trabalhar como forma de pagamento para poder desposar Raquel. Labão que estava de olho em seu trabalho aceitou rapidamente. Essa parte termina com o verso 20, que nos relata, em resumo, o efeito do amor sobre as pessoas: Assim, por amor a Raquel, serviu Jacó sete anos; e estes lhe pareceram como poucos dias, pelo muito que a amava.

Temos nesse ponto alguns destaques a fazer:

     1.     A sutileza de Labão ao dizer a Jacó que ele deveria tornar-se produtivo e que suas férias, seu descanso, depois de um mês, já havia terminado.

     2.     A descrição das duas moças, uma mais bonita e mais disposta que a outra, lembrando-nos da responsabilidade de todos nós para com o trabalho.

     3.     O efeito do amor constatado de modo inequívoco. Por amar Raquel, sete anos de serviço pastoril não afugentaram Jacó que até aquele momento era um rapaz mais caseiro quando comparado ao seu irmão Esaú.

Nos versos 21 a 30 temos as mais contundentes situações experimentadas por Jacó:

     1.     Jacó, depois de sete anos de trabalho, pediu a Labão que cumprisse o que foi acertado entre eles (v. 21). Jacó queria se casar!

     2.     Labão preparou a festa, convidou todos os seus amigos, e tudo foi devidamente executado.

     3.     Encontramos a atitude enganadora e mentirosa de Labão, que entregou Lia, e não Raquel, a Jacó.

     4.     Jacó descobriu, na manhã seguinte, depois de relacionar-se sexualmente, que estava casado com Lia e não com Raquel. Em seguida foi até a presença de Labão para reclamar.

     5.     Labão, o enganador, deu uma boa desculpa a Jacó, o enganado, para o seu ato de esperteza: o costume local da obrigatoriedade de casar primeiro a filha mais velha o levara a enganar o sobrinho.

     6.     Labão propôs um novo trato a Jacó: entregaria Raquel depois de uma semana quando acabassem as festividades do casamento, mas o preço seria mais sete anos de trabalho em suas terras.

     7.     Jacó afirmou que amava mais a Raquel do que a Lia. E mais uma vez demonstrou o seu amor por ela submetendo-se a outra jornada de sete anos de trabalho para tê-la como esposa (v. 28-30).

O texto ainda diz que Labão deu servas a suas filhas: Zilpa, como serva de Lia, e Bila, como serva de Raquel. Essas moças não seriam somente ajudantes das duas irmãs, mas como veremos posteriormente, se tornariam mães de alguns dos doze filhos de Jacó.

Você percebe que situações delicadas Jacó teve que enfrentar? O verso 22 registrou o banquete que Labão deu aos seus convidados. Além do banquete celebrar o casamento de uma de suas filhas, certamente comemorava a astúcia e a esperteza do próprio Labão e a humilhação de Jacó. Durante uma semana, como de costume, foram realizadas as festividades. O que deveria ser para Jacó uma ocasião de alegria e conquista de um alvo pelo qual trabalhara sete anos, tornou-se um motivo de gozação, de escárnio, enfim, uma piada de mau gosto. Jacó deve ter se lembrado de suas atitudes no passado.

Mas o irônico disso tudo é que a explicação que Labão deu claramente remetia Jacó a seu passado. Ele tinha roubado de Esaú a bênção costumeiramente reservada ao irmão mais velho (cap. 27), e agora Labão enganara Jacó ao defender um costume semelhante.

Alguns têm dito que se Jacó fosse explicito, pedindo Raquel a Labão, esse não teria desculpas para lhe entregar Lia. A razão do engano residia no coração avarento e cobiçoso de Labão. E era uma lição que Deus queria que Jacó aprendesse. Jacó estava pagando o preço de sua conduta anterior.

Aquela primeira manhã, após o casamento, certamente foi terrível para Jacó. Ele deve ter se lembrado do passado, quando enganou o pai e o irmão com mentiras e truques. Porque enganou os dois foi obrigado a deixar o lar. Ele havia obtido o direito de primogenitura e a bênção por meios escusos, por meios mentirosos. Segundo sua concepção, os fins justificavam os meios. Mas Deus não aceita essa prática para que consigamos os nossos objetivos. Não aprova qualquer método, qualquer meio. Jacó tinha que procurar a maneira correta, indicada por Deus, para alcançar a sua bênção.

Qualquer conduta errada recebe a desaprovação de Deus. Jacó pretendia ser o mais velho, e agora queria casar-se com a filha mais nova. Só que recebeu a filha mais velha, Lia. Jacó estava colhendo aquilo que tinha semeado. Ele se matriculou numa boa escola, colhendo tudo aquilo que havia plantado. A sua experiência era muito dura e difícil, mas era somente assim que poderia aprender essa importante lição.

Sempre há no mundo escolas desse tipo para aqueles que de alguma maneira têm procurado explorar os menos desavisados, os inocentes. Às vezes demora um pouco para colhermos o que semeamos, mas mais cedo ou mais tarde a colheita vem.

Que Deus nos proteja de usarmos meios ilícitos para conquistar nossos alvos. Que tenhamos paciência e esperemos pelo Senhor para que no seu tempo Ele mesmo nos dê as bênçãos. Que não tenhamos que passar por essa escola de Labão e sermos enganados como Jacó. Que essa lição possa ser apreendida e praticada de tal maneira que nossas vidas sejam sempre agradáveis ao nosso Deus.

No verso 30 do capítulo 29 encontramos as seguintes palavras: Mas Jacó amava mais a Raquel do que a Lia; e continuou servindo a Labão por outros sete anos. O amor de Jacó por Raquel era tão grande que o levou a trabalhar por mais sete anos para ter o direito de casar-se com ela. Trabalhou durante quatorze anos e assim teve duas esposas.

É sempre bom lembrar que os negócios feitos entre Jacó e Labão não representavam a vontade de Deus. Pelo fato de estar registrado na Bíblia, não quer dizer que Deus tenha aprovado aqueles acertos. O registro do fato foi inspirado por Deus, mas não os atos praticados pelos homens. O que foi inspirado foi o registro, a escrita, mas a prática da poligamia, o homem possuindo duas mulheres, nunca recebeu a aprovação de Deus, porque Ele reprova os atos maus dos homens. Jacó, então, tinha duas mulheres, e conseqüentemente seus problemas foram dobrados. Aos poucos, à medida que sua família foi se formando, ele entendeu que tudo o que havia feito anteriormente estava errado.

Mas vejamos agora os versos 31 e 32:





Compartilhe com seus amigos:
1   ...   12   13   14   15   16   17   18   19   ...   26


©principo.org 2019
enviar mensagem

    Página principal