Através da bíblia gênesis itamir Neves de Souza John Vernon McGee


Vendo o Senhor que Lia era desprezada, fê-la fecunda; ao passo que Raquel era estéril



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31. Vendo o Senhor que Lia era desprezada, fê-la fecunda; ao passo que Raquel era estéril.

32. Concebeu, pois, Lia e deu à luz um filho, a quem chamou Rúben, pois disse: O Senhor atendeu à minha aflição. Por isso, agora me amará o meu marido.

É importante percebermos que Lia, por ser uma pessoa desprezada e mal-amada, teve a bênção divina sobre si. De desprezada passou à exaltada. Deus é sempre atraído pelos necessitados, por isso veio a ela com a sua misericórdia e a capacitou para ser mãe.

Seu primeiro filho recebeu o nome de Rúben, porque Deus tinha atendido a sua aflição. O segundo filho nasceu e foi chamado de Simeão, pois Lia ainda se sentia preterida por Jacó. Levi foi o terceiro filho, e o seu nome simbolizava a esperança que Lia tinha de ter Jacó ainda mais perto dela. Levi deu origem à tribo sacerdotal de Israel.

O capítulo 29 termina com o verso 35 que nos relata o nascimento do quarto filho de Lia, Judá, que deu origem à tribo real e proporcionou a mãe uma oportunidade ímpar de louvar ao Senhor. Vemos, então, que Lia, a desprezada, foi honrada e abençoada por Deus para que desse à luz filhos e assim equilibrasse o interesse e o amor de Jacó pelas duas irmãs.

Nessa ação direta de Deus vemos o cuidado e a bondade Dele para com aqueles que são desprezados e sofrem injustiça. O nosso Deus é um Deus protetor, é um Deus que nos ampara! Mesmo hoje podemos experimentar essa proteção e o amparo de Deus em nosso dia-a-dia.

Os filhos de Jacó, as riquezas e seu pacto com Labão

Gn 30.1-43

No texto que abrange o último parágrafo do capítulo 29, e todo o capítulo 30, encontramos três temas que se destacam: os filhos de Jacó, o pacto de Jacó com Labão e o enriquecimento de Jacó.

No último parágrafo do capítulo 29 temos o relato dos 4 primeiros filhos de Jacó: Rúben, Simeão, Levi e Judá, todos esses filhos através de Lia.

Quando chegamos ao capítulo 30, vemos a misericórdia de Deus novamente revelada, apesar do pecado do homem. No verso 1 há uma referência aos problemas que existiam no lar de Jacó: Vendo Raquel que não dava filhos a Jacó, teve ciúmes de sua irmã e disse a Jacó: Dá-me filhos, senão morrerei. Como já vimos anteriormente, não era fácil para uma mulher ser estéril naqueles tempos. Raquel estava extremamente infeliz porque não conseguia dar filhos a seu marido.

Vejamos agora os versos 2 e 3:

2. Então, Jacó se irou contra Raquel e disse: Acaso, estou eu em lugar de Deus, que ao teu ventre impediu frutificar?

3. Respondeu ela: Eis aqui Bila, minha serva; coabita com ela, para que dê a luz, e eu traga filhos ao meu colo, por meio dela.

Aqui estamos novamente diante de uma prática muito conhecida naqueles tempos. Quando uma esposa não dava à luz filhos, por ser estéril, podia entregar ao seu marido uma serva, para que por meio dela obtivesse um filho. Abrão, influenciado por sua esposa Sarai, tentou estabelecer sua descendência através de Agar. Deus não aprovou tal prática, como também nenhum outro erro na vida desses patriarcas. Quando Raquel entregou sua serva Bila a Jacó, ela concebeu e deu a luz a Dã, e, posteriormente, a Naftali.

Mas o problema não terminou aí. Havia uma disputa entre as duas irmãs para ver quem agradava mais o marido. Lia, depois de ter dado quatro filhos a Jacó, entendendo que não ficaria mais grávida, achou-se no direito de também oferecer a Jacó a sua serva, Zilpa, para que dela outros filhos fossem gerados. E foi exatamente isso que aconteceu. Zilpa deu a Jacó dois filhos: Gade, que significa afortunado, e Aser, que quer dizer venturoso, porque Lia se sentia bem-aventurada (v. 13).

Ainda nessa primeira parte do capítulo encontramos um episódio interessante. Rúben, na época da colheita do trigo, achou algumas mandrágoras, frutas chamadas “maçãs do amor”. Segundo algumas crenças antigas, essas frutas tinham raízes com poderes afrodisíacos (Ct 7.13), que eram usadas para promover atividade sexual e a concepção de quem era estéril. Quando soube que Rúben tinha essas frutas, Raquel logo se interessou em comê-las. Pediu-as, então, a Lia que se recusou a atender-lhe a solicitação. Diante da recusa, a irmã mais nova negociou com a mais velha uma noite passada ao lado de Jacó. Tal como acontecera com os gêmeos e o prato de lentilhas, Jacó agora era o prêmio por uma porção de mandrágoras.

Mas esse tipo de acerto nunca dá certo! Veja a ironia: Raquel, que comeu as mandrágoras, não dormiu a noite com Jacó, portanto, não engravidou. Lia, que sempre foi desprezada, mesmo sem as mandrágoras coabitou com Jacó e engravidou, gerando seu quinto filho, Issacar.

Lia ainda concebeu uma vez mais e deu à luz ao seu sexto filho a quem chamou de Zebulom. Por fim, deu à luz a uma filha, chamada Diná (v. 21). Foram esses os sete filhos que Lia deu à luz, numa demonstração muito clara de que o Senhor é a nossa força e está sempre pronto a nos atender quando necessitamos, de acordo com a sua vontade, que é boa, agradável e perfeita (Rm 12.1, 2).

A partir de agora, vamos encontrar a ação de Deus lembrando-se de Raquel. Os versos 22 a 24 dizem assim: Lembrou-se Deus de Raquel, ouviu-a e a fez fecunda. Ela concebeu, deu à luz um filho e disse: Deus me tirou o meu vexame. E lhe chamou José, dizendo: Dê-me o Senhor ainda outro filho. Este é o José que posteriormente se tornou famoso no Egito.

Mas vejamos agora os versos 25 e 26, onde Jacó apresenta o seu pedido a Labão:



25. Tendo Raquel dado à luz a José, disse Jacó a Labão: Permite-me que eu volte ao meu lugar, e a minha terra.

26. Dá-me meus filhos e as mulheres, pelas quais eu te servi, e partirei; pois tu sabes quanto e de que maneira te servi.

Jacó estava cansado de viver longe de seus parentes mais próximos e pediu a Labão que o deixasse partir. Por direito, Jacó que já tinha trabalhado quatorze anos para Labão em troca de suas mulheres, poderia ir sem problemas. Mas certamente, ao lembrar-se da experiência com seu pai e seu irmão, preferiu ir embora deixando o relacionamento com Labão acertado.

Surpreendente foi a resposta de Labão no verso 27: Ache eu mercê diante de ti; fica comigo. Tenho experimentado que o Senhor me abençoou por meio de ti. Você se lembra que ouvimos antes uma expressão semelhante a essa? Ela foi proferida por Abimeleque, o rei de Gerar, que descobriu a bênção de Deus sobre Isaque quando esteve no meio deles. O rei e a sua terra foram abençoados. E da mesma maneira Labão confirmou que Deus estava com Jacó e o abençoou por meio dele. Labão queria reter Jacó não permitindo que ele partisse.

29. Disse-lhe Jacó: Tu sabes como te venho servindo e como cuidei do teu gado.

30. Porque o pouco que tinhas antes da minha vinda foi aumentando grandemente; e o Senhor te abençoou por meu trabalho. Agora, pois, quando hei de eu trabalhar também por minha casa?.

E o diálogo continuou, nos versos 31 e 32:



31. Então, Labão lhe perguntou: Que te darei? Respondeu Jacó: Nada me darás; tornarei a apascentar e a guardar o teu rebanho, se me fizeres isto:

32. Passarei hoje por todo o teu rebanho, separando dele os salpicados e malhados, e todos os negros entre os cordeiros, e o que é malhado e salpicado entre as cabras: será isto o meu salário.

É fácil percebemos que Labão estava muito interessado em manter o trabalho de Jacó e queria de toda maneira convencê-lo a ficar. Mas vemos que Jacó não queria isso. Jacó tinha duas esposas, duas criadas e a casa cheia de filhos. De fato ele tinha onze filhos. Ele tinha muito o que fazer. Ele teria de alimentá-los, assumindo sua responsabilidade como chefe de uma nova família. Jacó estava dizendo a Labão o seguinte: Deus, por meu intermédio, abençoou você e fez com que prosperasse muito, mas eu não tenho nada.

Jacó, para ficar mais uma temporada com Labão, propôs receber a posse de todos os animais salpicados, malhados e negros, iniciando assim o seu próprio rebanho. Ele disse ainda que se Labão achasse algum animal diferente desses no seu rebanho, poderia acusá-lo de furto. Ao ouvir isso, rapidamente Labão aceitou a proposta.

Mas como era do seu feitio, como era sua característica, mais uma vez enganou a Jacó. Os versos 35 e 36 relatam que naquele mesmo dia Labão passou pelos seus rebanhos, separou todos os animais salpicados, malhados e negros, deu-os aos seus filhos e ordenou que eles fossem para longe, à distância de três dias.

Sem saber o que tinha acontecido, Jacó ficou satisfeito com o acordo. Ele tinha um plano para fazer com que os animais listados, malhados e salpicados procriassem em grande quantidade. E assim fez, querendo enganar o tio. As suas atitudes internas ainda não tinham mudado. O seu caráter ainda não havia se transformado. Jacó queria ludibriar o seu tio. Dois enganadores, um querendo levar vantagens sobre o outro. A estratégia de Jacó está descrita nos versos 37 a 43:

37. Tomou, então, Jacó varas verdes de álamo, de aveleira e de plátano, e lhes removeu a casca, em riscas abertas, deixando aparecer a brancura das varas,

38. as quais, assim escorchadas, pôs ele em frente do rebanho, nos canais de água e nos bebedouros, aonde os rebanhos vinham para dessedentar-se, e conceberam quando vinham a beber.

39. E concebia o rebanho diante das varas, e as ovelhas davam crias listadas, salpicadas e malhadas.

40. Então, separou Jacó os cordeiros, e virou o rebanho para o lado dos listados e dos pretos nos rebanhos de Labão; e pôs o seu rebanho à parte, e não o juntou com o rebanho de Labão.

41. E, todas as vezes que concebiam as ovelhas fortes, punha Jacó as varas à vista do rebanho nos canais de água, para que concebessem diante das varas.

42. Porém, quando o rebanho era fraco, não as punha; assim, as fracas eram de Labão, e as fortes, de Jacó.

43. E o homem se tornou mais e mais rico; teve muitos rebanhos, e servas, e servos, e camelos, e jumentos.

Todo esse plano de Jacó estava baseado apenas numa superstição, numa noção falsa de que impressões visuais vividas durante o ato de reprodução dos animais determinavam as características da descendência do rebanho. O que de fato provocou o crescimento foi a acasalamento seletivo registrado no verso 42: as crias fracas iam para o rebanho de Labão e as fortes ficavam no rebanho de Jacó.

Embora todo o estratagema de Jacó negasse a ação sobrenatural de Deus, a intenção divina era de abençoá-lo, pois sendo enganado por Labão, Jacó teve que começar o seu rebanho com pouquíssimos animais. Posteriormente, depois de refletir, Jacó mesmo percebeu que era Deus quem o abençoava (31.9).

Mas naquele momento, sem saber de tudo que ia acontecer, Jacó estava procurando recuperar o tempo que passou trabalhando para Labão sem ser devidamente recompensado. Ele pensava que por aquele meio enganoso poderia recuperar todo o trabalho feito sem receber a devida remuneração.

E, finalmente, Jacó ficou rico, conseguiu formar um rebanho realmente volumoso. Foi grande a sua prosperidade. Assim constatamos que Jacó continuou sendo o mesmo de sempre, querendo sempre vencer sem se importar com os métodos empregados. Jacó ainda não mudara de vida. Ainda não tinha ocorrido uma profunda transformação em seu caráter. Ainda não era a hora. O tempo de Deus ainda não tinha chegado para esse patriarca. Deus o estava preparando paulatinamente.

Devemos aprender que não se corrige uma injustiça cometendo outra. Um erro não justifica outro. Labão errou por não ter sido justo e por não pagar com retidão e justiça um homem trabalhador como Jacó. Mas Jacó também errou quando lançou mão dessa estratégia, deste plano estranho para conseguir vantagem e explorar o seu sogro.

Existem aqueles que acham que para haver progresso são necessárias algumas espertezas, algumas falcatruas. Jacó pode até servir de exemplo para essas pessoas. Mas os que pensam assim devem se lembrar que Jacó sempre pagou muito caro pelos métodos errados que empregou.
Jacó retorna a terra de seus pais e faz aliança com Labão

Gn 31.1-55

O capítulo 31 de Gênesis descreve a saída de Jacó com toda a família e bens de Padã-Arã, onde vivia com Labão; descreve a aparente perseguição do sogro de Jacó e, por fim, a aliança estabelecida entre eles para que não se prejudicassem mutuamente.

O texto começa mostrando os novos planos de Jacó, baseados em três percepções:

     1.     Jacó tinha ouvido seus cunhados comentarem que havia tomado tudo o que Labão possuía e formado sua riqueza à custa de Labão.

     2.     Jacó percebeu que a atitude de Labão para com ele não era mais a mesma, e que o rosto do seu sogro não lhe era mais favorável.

     3.     Jacó tinha tido uma revelação de Deus que o orientava a voltar a Canaã, para junto dos seus pais, com a promessa de que estaria com ele.

Com essas percepções em mente, Jacó chamou suas esposas, esclareceu e mostrou as razões do seu plano. Pediu o testemunho delas e a confirmação de que tinha sido fiel no seu trabalho para Labão. Jacó, nesse relato, mostrou que toda a sua estratégia não passava de maquinação humana e o que de fato tinha acontecido era que Deus o havia abençoado. O verso 9 literalmente é o seu testemunho: Assim, Deus tomou o gado de vosso pai e mo deu a mim.

Jacó contou também que vira o Anjo de Deus num sonho, em mais um teofania, e que Ele lhe dissera que o Senhor sabia de toda a injustiça que Labão praticara. Que o Anjo se revelara como o Deus de Betel, lugar onde ele tivera aquela experiência especial com a visão da escada dos anjos de Deus, indo e vindo, ligando o céu a terra. E completou relatando a clara ordem divina: … levanta-te agora, sai desta terra e volta para a terra de tua parentela (v. 13).

O texto prossegue, e mostra que Lia e Raquel concordaram com ele e disseram como se sentiam diante da maneira com que Labão as tratara. Sentiam-se como estrangeiras. Como objetos de venda, tendo sido trocadas pelo trabalho de Jacó. Abriram o coração e disseram que se sentiam furtadas pelo próprio pai. Assim, amarguradas com o pai desonesto e reconhecendo a providência de Deus abençoando a Jacó, decidiram seguir o marido no plano de fugir de Padã-Arã.

Temos que perceber que a nossa esperteza, ou a esperteza dos que sempre querem sair ganhando causa profunda dor naqueles que estão próximos. Mesmo num relacionamento tão estreito como o de pai e filhas, as marcas ficaram. Vale a pena pensarmos sobre como temos tratado nossos filhos. Muitas vezes temos exigido deles mais do que podem nos dar. Muitos pais tentam alcançar os seus objetivos pessoais, sufocando a vida própria dos filhos. Temos que refletir sobre isso.

Nos versos 17 a 21 encontramos Jacó com as esposas, os filhos, as servas e todos os bens, saindo de Padã-Arã, fugindo de diante da face de Labão. Assim como tinha fugido de Esaú, seu irmão, agora Jacó fugia de Labão, seu sogro. Era uma vida muito conturbada.

Mas o texto relata que Raquel, quando todos saíam de Padã-Arã, furtou os ídolos do lar (em hebraico teraphim), que pertenciam a seu pai (v. 19). O roubo desses ídolos, além do aspecto religioso, demonstrando sua tendência à idolatria e o desejo de proteção durante a longa jornada que estavam planejando fazer, certamente tinha uma outra motivação. Quem os possuísse tinha o direito de reivindicar a herança familiar, pois assim era a prática daqueles dias.

O ato de Raquel nos faz entender que por sentir-se injustiçada por seu pai ela se apropriou dos ídolos. O que vemos nessa narrativa é que a atitude egoísta de Raquel a levou à beira de uma desgraça maior que o próprio furto, quando Jacó, sem saber do roubo, disse que quem fosse apanhado com os mesmos deveria morrer (v. 32).

Várias atitudes negativas de Raquel podem ser apontadas nesse episódio:

     1.     Ela agiu às escondidas.

     2.     Roubou.

     3.     Demonstrou falta de fé em Deus.

     4.     Procurou proteção em ídolos, objetos que não nos protegem.

     5.     Não foi transparente com seu marido, uma vez que Jacó não sabia do ocorrido.

Essas atitudes devem nos fazer refletir sobre a nossa própria conduta. Muitas vezes temos escondido ações erradas que podem nos levar a enfrentar problemas ainda maiores no futuro. A nossa vida deve ser plenamente transparente. A nossa consciência tem que estar limpa diante de Deus e dos homens. Vale a pena mantermos uma conduta correta!

O texto prossegue, e o verso 21 nos fala que depois de cruzarem o grande rio Eufrates, dirigiram-se para a casa de Isaque, à terra de Canaã, indo em direção à montanha de Gileade, uma elevação a leste do rio Jordão.

Somente depois de três dias Labão ficou sabendo da fuga de Jacó. E imediatamente saiu-lhe ao encalço junto com seus irmãos e certamente outros homens que tinha a seu serviço. O encontro com Jacó se deu depois de sete dias de caminhada, nas montanhas de Gileade. O verso 24 relata que durante a noite, antes de questionar Jacó, Deus se revelou a Labão dizendo-lhe claramente que não fizesse nem mal nem bem a Jacó (v. 24).

Podemos supor que se Deus novamente não interviesse soberanamente em favor do seu escolhido Labão poderia, com o seu poderio militar, causar grandes danos a Jacó. Mas graças a Deus! Sempre graças a Deus. Ele permanece fiel. E como tinha prometido anteriormente a Jacó que o protegeria, estava cumprindo agora a sua promessa.

Labão, então, dirigiu-se a Jacó cheio de reivindicações:

     1.     Por que você me enganou, levando minhas filhas como cativas à espada?

     2.     Por que fugiu em oculto, me enganando?

     3.     Por que não deixou que eu me despedisse com festa, alegria e cânticos?

     4.     Por que não permitiu que eu desse um beijo de despedida nas minhas filhas e nos meus netos?

     5.     Por que você agiu insensatamente?

     6.     Por que você me testou, sabendo que eu poderia lhe fazer mal?

     7.     Por que roubou os meus ídolos do lar?

Foram sete os questionamentos que Labão apresentou, dizendo ainda que Deus havia aparecido e lhe impedira de fazer bem ou mal a Jacó e sua comitiva. Do seu ponto de vista Labão estava certo nas suas reivindicações. Diante de Deus certamente essa exigências eram descabidas. O que vemos aqui é que Labão estava colhendo o que anteriormente tinha plantado. Essa é a vida de quem tenta agir sempre por sua própria vontade, com os seus próprios métodos, querendo ganhar vantagens em qualquer situação.

Conforme os versos 31 e 32, diante de todos esses questionamentos Jacó admitiu que teve medo de que Labão não o deixasse ir, de que não pudesse retornar à casa do seu pai Isaque com toda sua família e seus bens. Ele ainda acrescentou, como já mencionamos no verso 32, que Labão poderia revistar todas as tendas e procurar os seus ídolos do lar. Mal sabia Jacó que Raquel, sua esposa amada, tinha furtado o seu pai.

Dos versos 33 a 35 temos o relato da procura infrutífera de Labão por seus ídolos. Raquel, mais uma vez, mentiu e enganou. E Jacó, ainda sem saber do furto, achou-se no direito de repreender Labão. Na verdade, o que percebemos pelo texto é que houve uma grande tensão, uma grande discussão. Jacó reclamou duramente de Labão, mostrando-se magoado e injustiçado pelos vinte anos de trabalho duro que tinha prestado ao sogro.

É possível imaginar a cena! Raquel sentada num camelo, escondendo os ídolos roubados, enganando e mentindo ao marido e ao pai, e os dois discutindo violentamente. Labão, certo de que fora roubado, mas sem ter encontrado nada, e Jacó, inocente do roubo, cheio de ira, falando duramente ao sogro. Que situação! Que família! Quando não andamos claramente nos caminhos de Deus só podemos obter esse tipo de atitude. Confusão, deslealdade, mentira, rancor e ódio.

Mas o parágrafo termina com o verso 42, e nele temos um relato que traz um lampejo de sensatez àquela situação. Jacó disse claramente que reconhecia a bondade, a misericórdia e a boa mão de Deus sobre ele durante todos aqueles vinte anos que passara com Labão: Se não fora o Deus de meu pai, o Deus de Abraão e o Temor de Isaque, por certo me despedirias agora de mãos vazias. Deus me atendeu ao sofrimento e ao trabalho das minhas mãos e te repreendeu ontem à noite.

Enfim, a discussão terminou. A ação maravilhosa de Deus foi reconhecida e o seu nome estava sendo glorificado. O uso da expressão “o Temor de Isaque”, demonstrava que Jacó reconhecia que o Deus a quem Isaque, seu pai, temia, era o mesmo Deus de Abraão, seu avô, e era o Deus que agora agia em seu favor! Como é bom percebermos que mesmo diante das mais confusas situações podemos ver e reconhecer a boa mão do nosso Deus! Que ao invés de nos irritarmos, ou de nos irarmos com as pessoas, possa Deus mesmo nos abrir os olhos para sempre vermos as suas maravilhosas ações em nosso favor.

No final do capítulo temos os versos 43 a 55. Neles encontramos o relato da aliança entre Labão e Jacó, finalizando assim um convívio tumultuado de vinte anos de mentiras, inverdades, enganos e animosidade. No verso 43 encontramos Labão expressando seu parecer sobre tudo o que estava ocorrendo. Suas palavras literais foram as seguintes: As filhas são minhas filhas, os filhos são meus filhos, os rebanhos são meus rebanhos, e tudo o que vês é meu; que posso fazer hoje a estas minhas filhas ou aos filhos que elas deram à luz?]

É interessante percebermos que Labão não tinha consciência do quanto tinha magoado e ofendido as suas filhas e ao próprio Jacó. Para ele que estava com a mente cauterizada por tantas mentiras e enganos era correta a sua reivindicação. Temos que admitir que muitas vezes estamos cegos aos nossos próprios olhos. Para Labão tudo o que estava diante dos seus olhos, pessoas, animais e objetos, tudo lhe pertencia. Que visão mais inadequada! Com um ponto de vista desses podemos compreender o temor e o medo que se apoderaram de Jacó e a sua decisão de sair às pressas, fugindo sem dar satisfação ao sogro. Jacó sabia quem era Labão!

Mas surpreendentemente, e certamente pela ação misericordiosa de Deus, no verso 44 o próprio Labão propõe uma aliança a Jacó. Humanamente falando, não havia motivo para Labão propor essa aliança. Possivelmente tivesse medo de Jacó, pois reconhecia que Deus estava com seu genro. O medo deles era recíproco. Labão tinha medo de Jacó e Jacó tinha medo de Labão. Então, com um montão de pedras erigindo uma coluna, fizeram um contrato, uma aliança para se separarem e para que no futuro não houvesse qualquer luta ou exploração entre eles.

Além de Labão ter falado para Jacó tratar bem Lia e Raquel, a aliança previa uma convivência distante um do outro. Seja o montão testemunha, e seja a coluna testemunha de que para mal não passarei o montão para lá, e tu não passarás o montão e a coluna para cá. O Deus de Abraão e o Deus de Naor, o Deus do pai deles, julgue entre nós (v. 52, 53), foram as palavras literais da aliança que Labão e Jacó fizeram entre si.

Jacó jurou pelo Temor de Isaque e novamente vemos o uso dessa expressão demonstrando que Jacó reconhecia que o Deus de seu pai Isaque era o Deus Todo-Poderoso que o abençoara durante todos aqueles anos.

Estabelecido o acerto de viverem longe um do outro e afastarem qualquer possibilidade de futuras animosidades e lutas, tendo a coluna de pedras para servir de prova, de testemunha daquele concerto, o verso 54 diz que Jacó ofereceu um sacrifício na montanha e convidou seus irmãos para comerem pão e passarem a noite na montanha.

O capítulo 31 termina com o verso 55: Tendo-se levantado Labão pela madrugada, beijou seus filhos e suas filhas e os abençoou; e, partindo, voltou para sua casa. É importante imaginarmos quão diferente poderia ter sido o encontro entre Labão e Jacó se não fosse a intervenção de Deus. É desta intervenção que todos nós precisamos. É desta proteção que necessitamos sempre. Que cada um de nós esteja sempre voltado para Deus, e que as nossas orações sejam sempre conhecidas diante do Senhor para que nos momentos perigosos tenhamos a sua bondosa mão a nos proteger. Só Deus tem a melhor resposta para todos os nossos problemas.





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