Através da bíblia gênesis itamir Neves de Souza John Vernon McGee



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As duas divisões de Gênesis

Com a visão telescópica, vemos as grandes divisões do livro de Gênesis: a narrativa da origem do universo e da origem da nação de Israel. E a partir dessa visão devemos contemplar de forma mais específica o seu conteúdo, atentando para os pormenores de cada uma dessas partes com suas respectivas subdivisões.



ESBOÇO DE GÊNESIS

Primeira parte: A história primitiva da raça humana (capítulos 1–11)

     1 – A narrativa da criação (capítulos 1–2)

     1.1 – A narrativa de toda a criação (capítulo 1)

     1.2 – A narrativa especial da criação do homem (capítulo 2)

     2 – A narrativa da queda (capítulos 3–6)

     2.1 – A entrada do pecado no mundo (capítulo 3)

     2.2 – A narrativa do avanço do pecado no mundo (capítulos 4–6)

     3 – A narrativa do dilúvio (capítulos 6–8)

     3.1 – A causa do dilúvio (capítulo 6)

     3.2 – A vinda do dilúvio (capítulo 7)

     3.3 – A conseqüência do dilúvio (capítulo 8)

     4 – A narrativa da torre de babel (capítulos 9–11)

     4.1 – O recomeço da história humana com Noé e sua descendência (capítulos 9–10)

     4.2 – O relato da rebelião humana através da Torre de Babel (capítulo 11)

Segunda parte: A história patriarcal da raça hebraica (capítulos 12–50)

     1 – A narrativa da vida de Abraão (capítulos 12–24)

     1.1 – A aliança prometida

     1.1.1 – Princípios da fé na aliança (capítulos 12–14)

     1.1.2 – Teste da fé na aliança (capítulos 15–21)

     1.1.3 – O aperfeiçoamento da fé na aliança (capítulos 22–24)

     2 – A narrativa da vida de Isaque (capítulos 21–26)

     2.1 – A aliança transmitida

     2.1.1 – O nascimento e o casamento de Isaque (capítulos 21–24)

     2.1.2 – Concessão da bênção de Abraão a Isaque (capítulos 25–26)

     3 – A narrativa da vida de Jacó / Israel (capítulos 27–36)

     3.1 – A aliança prosseguida

     3.1.1 – Bênçãos materiais conseguidas (capítulos 27–30)

     3.1.2 – Bênçãos espirituais não conseguidas (capítulos 31–36)

     4 – A narrativa da vida de José (capítulos 37–50)

     4.1 – A aliança exercitada

     4.1.1 – Treinamento através das provações (capítulos 37–40)

     4.1.2 – Triunfo através da confiança em Deus (capítulos 41–50)

Ao conhecermos o esboço de Gênesis, continuamos nos valendo da ilustração do telescópio e do microscópio. Assim, passaremos a estudar o livro em detalhes cada vez menores. Você deve saber que o microscópio tem várias lentes que ao serem usadas adequadamente nos permitem ver particularidades que muitas vezes não foram percebidas em um primeiro momento a olho nu. Usaremos lentes mais potentes quando começarmos a análise de trechos e versículos de todo o livro de Gênesis.

É uma grande aventura percebermos as riquezas da Palavra! Afinal, é a revelação do Deus infinito a uma criatura finita. Quanto mais estudamos a Bíblia, mais conhecemos ao Senhor, a sua soberania, o seu poder e o seu imenso amor oferecido a cada um de nós. Devemos nos preparar, a partir de agora, para darmos um mergulho mais profundo no estudo das Escrituras.
Visão microscópica

Ao estudarmos pormenorizadamente o primeiro capítulo de Gênesis, que nos apresenta a narrativa da criação de todo universo, nos deteremos em um primeiro momento no exame das teorias a respeito da criação.

Creio que a maioria de nós conhece diferentes opiniões sobre a formação do nosso mundo e do universo onde ele está inserido. Há pessoas que crêem na criação divina, como é relatada na Bíblia, mas há aquelas que não aceitam essa narrativa.

Diversos livros abordam essas teorias, chamadas científicas, mas que muitas vezes de ciência só têm o título, porque são mudadas a cada período de anos. A maior parte delas chega a sofrer alterações de cinco em cinco anos.

Sempre existiram muitas hipóteses sobre a origem do universo e há até aqueles que afirmam que o mundo é uma ilusão e não uma realidade. Certamente não precisamos dizer que essa teoria está completamente contra os fatos, mas ainda hoje temos aqueles que a aceitam como verdadeira.

Há os que defendem que o mundo surgiu espontaneamente do nada. Bem, num certo sentido é preciso lembrar que Deus é quem ordenou e tudo veio a existir. Ele realmente criou o universo do nada.

Também temos a teoria do Big Bang, que afirma que o mundo apareceu como conseqüência de uma grande explosão, bilhões de anos atrás.
No princípio criou Deus os céus e a terra

Gn 1.1

No princípio criou Deus o céu e a terra é uma das afirmações mais importantes que encontramos na Bíblia. E, com certeza, essas poucas palavras estão gravadas nas mentes de muitas pessoas, cristãs ou não cristãs.

Ao citarmos algumas teorias não criacionistas sobre a origem do universo, concentraremos nossa atenção sobre uma delas, o evolucionismo, que nunca pôde ser demonstrado como verdadeiro. Apesar disso, quando começamos a prestar atenção ao que é ensinado nas escolas públicas e particulares, vemos que muitos professores só se atêm a essa teoria, excluindo a alternativa do criacionismo. Percebemos que em muitos casos eles estão despreparados para falar sobre esse assunto tão importante e não se encontram em posição de apresentar o ponto verdadeiro. Mas felizmente, alguns cientistas sérios têm reconhecido o perigo de acreditarmos na teoria da evolução. Dentre esses, alguém disse certa vez que há uma teoria que afirma que todos os animais podem ser observados como tendo passado por muitas mudanças até que novas espécies foram surgindo. Isto pode ser chamado de teoria especial de evolução, e pode ser demonstrada em certos casos por meio de experiências. Por outro lado, outra teoria diz que todas as formas vivas do mundo surgiram de uma mesma fonte, que veio de uma forma inorgânica. Essa teoria pode ser chamada de teoria geral de evolução. Mas as evidências que sustentam essas e outras teorias não são suficientemente fortes para nos permitir considerá-las mais do que meras hipóteses. Em outras palavras somos advertidos a tomar cuidado e prestar atenção naquilo em que cremos.

Muitas tentativas para demonstrar a evolução por experimentos têm sido feitas no decorrer dos anos, e os resultados têm sido falhos. É claro que os criacionistas podem ser duramente acusados pelos evolucionistas. Mas é absolutamente claro que não podemos transformar um fato biológico da paleontologia nem mesmo numa caricatura. Os fósseis agora são mais abundantes e tem sido possível ao homem reconhecer novas classes, novas espécies, porém a falta de séries transicionais não pode ser explicada por escassez de material. As deficiências são reais, e elas nunca poderão ser preenchidas. Os elos perdidos poderão ser achados? A idéia da evolução até agora descansa apenas na fé. Ora, mesmo os evolucionistas têm de acabar admitindo que a teoria por eles defendida é defendida pela fé.

Então, podemos afirmar que a teoria da evolução e outras teorias são especulações da mente humana na tentativa de entender a nossa origem, embora, infelizmente, tenhamos inúmeras pessoas que aceitam o evolucionismo como sendo um fato.

Já que não há evidência suficiente que testifique sua veracidade, e se é necessário aceitá-la pela fé, entendemos que é melhor acreditar, pela fé, na Palavra de Deus e na sua narrativa sobre a criação, a narrativa de um Deus sábio que ordenou e tudo foi criado de modo bem específico. Você deve concordar que é melhor acreditar no relato bíblico do que aceitar também pela fé as diversas teorias humanas.

Em relação à idade do universo, por exemplo, existem aqueles que aceitam que, em algum ponto, há um bilhão e meio ou dois bilhões de anos, a vida miraculosamente apareceu na superfície da terra. E que forma tomou? Que circunstâncias físicas a trouxeram? Isso a ciência não sabe, nem pode responder com certeza a pergunta sobre o que é a vida. Os estudiosos apenas dizem que através de alguma agência, moléculas adquiriram habilidades para multiplicarem a si mesmas.

Várias pessoas defendem diferentes pontos de vista quanto ao tempo em que o mundo foi criado. Algumas falam em bilhões de anos; outras, em milhões de anos. Mas ainda existem aquelas que afirmam que ele deve ter sido criado há cinco bilhões de anos. Essas hipóteses só nos levam a dizer com mais firmeza que ninguém sabe, ninguém tem certeza de quando ocorreu a criação.

Como você reage a todas essas afirmações? Não fica surpreso? Mas quanto mais conhecemos essas teorias, mais vemos a importância da afirmação bíblica: No princípio criou Deus o céu e a terra. Quem criou o mundo? Deus. Deus criou tudo do nada. Quando? Não sabemos, e ninguém sabe.

No princípio criou Deus o céu e a terra, é o que a Bíblia nos diz, o que a Palavra confirma. Deus tem a eternidade atrás de si. Não negamos o fato de o homem ter uma mente investigativa, mas cremos ser uma pretensão muito grande afirmar que o ser humano pode saber tudo ou quase tudo a respeito da origem do universo, quando na realidade suas afirmações têm por base hipóteses e teorias.

Nós aceitamos as próprias declarações de Deus, quando por meio do salmista nos declara: Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, e a lua e as estrelas que estabeleceste, que é o homem, que dele te lembres…? (Sl 8.3-4), ou quando aponta: Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos (Sl 19.1).

O apóstolo Paulo também diz em Romanos 1.20: Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas.

Hebreus 11.3 afirma: Pela fé, entendemos que foi o universo formado pela palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das coisas que não aparecem. Estamos certos de que a ciência tem pouco a dizer com segurança a respeito da origem do Universo, de como ele apareceu. Por isso, através dos textos que mencionamos, somos encorajados a aceitar a existência do mundo por meio da fé. Afinal, em Hebreus 11.6, lemos que … sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe…

Certamente Deus planejou assim. Quando lemos o registro bíblico sobre a criação e a história da origem do mundo em outras literaturas antigas, observamos que todas são, de alguma forma, paralelas ao relato do Gênesis.

Podemos, por exemplo, comparar o registro bíblico com o registro babilônico. O registro babilônico começa falando sobre o caos; a Bíblia sobre o cosmos “no princípio criou Deus o céu e a terra”. Os corpos celestiais são de Deus e não existe nada no mundo senão matéria. Isto defende o registro babilônico que também está de acordo com a Bíblia. A teologia da Babilônia acreditava no politeísmo, na existência de muitos deuses, enquanto a teologia bíblica apresenta a verdade monoteísta de que existe somente um Deus. No registro babilônico o mundo é obra de um artista, enquanto a Bíblia relata que Deus falou e tudo veio a existir. O registro babilônico é grotesco, mas ao mesmo tempo puro. O registro da Bíblia é divinamente inspirado e corresponde a uma realidade divina e solene. O registro babilônico está em desarmonia com a ciência moderna, mas é paralelo ao registro bíblico.

De fato, para aceitar como verdadeira a teoria da evolução, é preciso rejeitar a Deus, rejeitar sua revelação, rejeitar sua Palavra. Negar a queda do homem e o fato do pecado, por exemplo, é preciso rejeitar a Palavra de Deus. Esta é a razão porque podemos rejeitar a teoria da evolução. Temos certeza de que ela não é a resposta para o mundo em que vivemos.

Podemos considerar nesse momento uma outra pergunta. Não é mais quem criou o mundo, nem quando foi criado, mas por que foi criado. Quem criou o mundo foi Deus, mas por quê? Esta resposta é realmente importante. Observemos o que a Palavra de Deus tem a dizer a respeito.

Este universo que conhecemos, este universo onde vivemos, foi criado por Deus para o seu próprio prazer. Ele resolveu criá-lo, encontrando em sua obra o deleite. Apocalipse 4.11 diz: Tu és digno, Senhor e Deus nosso, de receber a glória, a honra e o poder, porque todas as coisas tu criaste, sim, por causa da tua vontade vieram a existir e foram criadas. Ora, vemos que Deus criou este universo porque quis. Ele o criou para o seu próprio prazer, por amor. Você pode não gostar do universo, mas o Senhor gosta.

Deus nunca disse por que criou este pequeno mundo onde vivemos no meio de um universo tão grandioso, no exato lugar onde ele está. Ele poderia ter colocado a nossa terra em qualquer outra parte, se assim desejasse.

Não nos foi perguntado onde queríamos nascer. Alguém perguntou a você se queria nascer onde você nasceu? Certamente não! Se você tivesse a oportunidade de escolher, talvez teria escolhido nascer em outro lugar. Talvez você tivesse escolhido nascer exatamente onde nasceu. Mas ninguém teve essa oportunidade. Posso afirmar com segurança que este universo onde você e eu vivemos foi criado por Deus para o seu prazer. Ele achou bom criá-lo e colocá-lo onde está e se deleitou com sua obra.

Mas há uma outra razão pela qual Deus criou o universo. Ele o criou para sua própria glória. A criação original, você sabe, declara a glória de Deus. Em Isaías 43.6-7 lemos: Trazei meus filhos de longe e minhas filhas, das extremidades da terra, a todos os que são chamados pelo meu nome, e os que criei para minha glória, e que formei, e fiz. Assim, podemos repetir: Deus criou este universo para a sua glória. Ele o criou e colocou o ser humano habitando na terra para a sua própria glória. Deus quer ter comunhão com o homem e o criou como um agente moral.

Muitas pessoas, para defenderem o que acreditam, dependem somente de especulações ou de teorias, enquanto nós temos a revelação de Deus que nos mostra que Ele criou este mundo, e também a nós, para a sua glória. Nós temos certeza de quem criou o homem e para qual propósito foi criado.

A ciência não tem conseguido explicar nada até agora. Continuamos mergulhados numa ignorância, num abismo com respeito do mundo no qual vivemos. Estamos ainda em trevas no que se refere à criação da terra. Como comentamos anteriormente, temos que escolher entre a especulação dos homens e a revelação de Deus, a revelação da sua Palavra.

Certamente daqui a alguns anos essas teorias humanas estarão completamente esquecidas, à semelhança de tantas outras, e então, muitos se voltarão para a Bíblia, onde encontramos a verdade de Deus sobre o universo e sobre o homem. Mas não precisamos esperar que elas caiam por terra para voltarmos à Palavra de Deus. Isso pode ser feito agora mesmo. Deus criou tudo para a sua glória, inclusive você e eu. Temos de viver sempre dentro deste propósito divino, de um Deus maravilhoso que criou tudo do nada.

Quando nos detemos um pouco mais especificamente nas palavras de Gênesis 1.1, na expressão “criou Deus”, encontramos o verbo hebraico “bara”, que significa “criar do nada”. Este verbo tem unicamente Deus como sujeito e sempre se refere a Ele como alguém que produz um resultado novo e imprevisível.

Deus criou tudo maravilhosamente do nada. No primeiro capítulo de Gênesis este verbo é usado apenas três vezes (v. 1, 21 e 27), relatando três atos da criação de Deus. No verso 1, temos a criação dos céus e da terra do nada: No princípio, criou Deus os céus e a terra. No verso 21, a criação da vida dos grandes animais marinhos e das aves: Criou, pois, Deus os grandes animais marinhos, e todos os seres viventes que rastejam. E, por fim, no verso 27, encontramos o terceiro ato da criação, a vida humana: Criou Deus, pois, o homem a sua imagem, a imagem de Deus o criou. Homem e mulher os criou.

A teoria da evolução tem dificuldades com esse relato e não tem explicações satisfatórias. Para defender seus argumentos a evolução teísta afirma que os dias mencionados aqui correspondem a longos períodos de tempo, e não a dias de 24 horas. Mas é importante destacarmos que essa é apenas mais uma hipótese. O texto sagrado é claro em mostrar que se trata de dias normais e menciona a tarde, a manhã, além de falar do dia e da noite.

O verso 16 diz que Deus colocou luzeiros no firmamento dos céus para o maior governar o dia e o menor para governar a noite. Esses termos são bastante claros para mostrar que é possível aceitar, pela fé, os dias de 24 horas, e não apenas longos períodos de tempo.

Mas retornemos ao primeiro versículo, onde lemos que Deus criou o céu e a terra. No texto, a terra está destacada do restante da criação porque é o lar do homem, o local onde ele habita. Deus nos colocou na terra e nos interessamos por esse relato porque somos criaturas, somos criaturas da espécie humana.


Os primeiros dias da criação

Gn 1.2-31

Analisemos agora os demais versos. O verso 2 diz: A terra, porém, estava sem forma e vazia; havia trevas sobre a face do abismo, e o Espírito de Deus pairava por sobre as águas.

Alguns estudiosos traduzem essas palavras da seguinte maneira: A terra, porém, tornou-se sem forma e vazia”. Eles entendem que os versos 1 e 2 referem-se a dois atos criativos de Deus, interpretando que a criação inicial do verso 1 caiu em uma condição de desolação por causa de uma grande catástrofe. Assim, a expressão “estava sem forma e vazia” é traduzida por “veio a ser sem forma e vazia”.

Não há grande evidência para esta teoria, mas alguma coisa realmente aconteceu com a terra. Por que o mundo ficou dessa maneira? Podemos crer que houve uma catástrofe que abalou o universo de Deus.

Ainda no verso 2, lemos que havia trevas sobre a face do abismo. Quando a Bíblia diz que a terra estava ou tornou-se sem forma e vazia, mostra que havia um caos, que não foi criado por Deus.

Em Isaías 45.18, o profeta afirma: Porque assim diz o Senhor, que criou os céus, o Deus que formou a terra, que a fez e a estabeleceu; que não a criou para ser um caos, mas para ser habitada… No original hebraico lemos que Deus não criou a terra sem forma e vazia. Deus criou este universo como um cosmos, e não como um caos. O que Isaías defende nesse versículo, inspirado pelo Senhor, é que Ele criou a terra e a estabeleceu não para ser um caos, mas para ser habitada.

Até onde sabemos, a terra é o único lugar habitável do universo, mas no princípio estava ou se tornou sem forma e vazia. Era algo como um dos planetas que conhecemos, mas o Espírito de Deus se movia e pairava sobre as águas. Provavelmente o universo inteiro foi abalado por essa grande catástrofe. Mas a qual catástrofe nos referimos?

Como já dissemos, sobre esse assunto é possível fazer apenas conjecturas e não iremos entrar em detalhes. Mas é provável que tenha existido na terra uma criação pré-adâmica e que, entre os versos 1 e 2, a grande catástrofe se refira à queda de Lúcifer, que é Satanás, o diabo. Apesar de a Bíblia não fornecer detalhes, podemos, através de sua leitura e estudo, perceber que há indícios suficientes para chegarmos à conclusão de que a terra se tornou sem forma e vazia e se transformou num grande abismo, provavelmente com a presença de Satanás.

Mas o verso 2 termina dizendo que Deus, por meio do seu Espírito, tornou novamente a terra habitável para o homem: “… e o Espírito de Deus pairava sobre as águas”. A palavra “pairava” usada aqui tem o mesmo sentido de proteger, cobrir, da mesma maneira que uma galinha acolhe e cobre os seus pintinhos. Vemos, assim, o Espírito Santo começando o seu ministério de refazer, de recriar. Ele entrou em cena para criar de novo. A mesma coisa o Espírito continua fazendo em cada um de nós. Jesus disse em João 3.7: Importa-vos nascer de novo. Esse novo nascimento é obra do Espírito Santo que nos regenera, isto é, nos gera novamente. É possível aceitar que foi exatamente o que aconteceu com a terra criada.

Mas veremos agora o que houve nos outros seis dias da criação, da recriação. Do verso 3, até o final do capítulo, podemos dividir o relato em duas grandes partes:

Versículos 3-10 – Deus criou as estruturas fundamentais do nosso mundo: o tempo (v. 3-5), o espaço (v. 6-10) e o próprio espaço é estabelecido, tanto vertical (v. 6-8), como horizontalmente (v. 9 a 10).

Versículos 11-31 – Deus criou dentro do mundo estruturado os seres vivos e as condições para a sua sobrevivência. Criou as plantas (v. 11-13), os grandes luzeiros, Sol e Lua (v. 14 a 19), os animais marinhos e as aves (v. 20-25) e, finalmente, criou o ser humano (v. 26-28), dando-lhe condições de sobrevivência (v. 29-30). No verso 31 encontramos um parecer de Deus aprovando com satisfação a sua criação: Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom. Houve tarde e manhã, o sexto dia.

Veja o que textualmente diz o verso 3: Disse Deus: Haja luz; e houve luz. É aqui, pela primeira vez na Bíblia, que encontramos o Senhor falando. O nosso Deus fala! E quando Ele fala as coisas realmente acontecem. Jesus é o verbo divino. Em João 1.1 lemos: No principio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. O que não existia passou a existir através da Palavra de Deus. Esse é o nosso Deus!

Nos versos 4 e 5 lemos: E viu Deus que a luz era boa; e fez separação entre a luz e as trevas. Chamou Deus à luz Dia e às trevas, Noite. Houve tarde e manhã, o primeiro dia. Nesta citação encontramos mais uma indicação de que é possível aceitarmos pela fé um dia constituído de 24 horas.

Nos versos 6 a 8, Deus falou novamente: E disse Deus: Haja firmamento nos meios das águas, e separação entre águas e águas. Fez, pois, Deus o firmamento e separação entre as águas debaixo do firmamento e as águas sobre o firmamento. E assim se fez. E chamou Deus ao firmamento Céus…

O firmamento aqui formado é o espaço acima das nossas cabeças, nas alturas, onde encontramos as nuvens, inclusive aquelas que formam as águas. Vemos também o firmamento no meio das águas, e a separação entre águas e águas.

Deus separou as águas não somente aqui na terra, mas também no céu. Na Bíblia encontramos três tipos de céu, ou três sentidos para a palavra. Jesus, por exemplo, falou das aves do céu, isto é, o céu que aqui é chamado de firmamento. Há também o céu das estrelas e ainda o terceiro céu, onde Deus habita. Essa é uma explicação aceita por muitos estudiosos, embora não a encontremos detalhadamente em nenhum texto bíblico. Houve, então, tarde e manhã, o segundo dia.

Nos versos 9 a 13, Deus ordenou que as águas se ajuntassem debaixo do céu num só lugar, e que aparecesse a porção seca, e assim aconteceu. À porção seca, Ele chamou terra, e ao ajuntamento das águas, mares. A terra produziu relva, ervas e árvores frutíferas. E viu Deus que era bom. Houve tarde e manhã, o terceiro dia.

Os versos 14 a 19 descrevem a criação divina dos grandes luzeiros: o Sol, a Lua e as estrelas foram colocados no firmamento, no céu, para alumiarem a terra, marcar dias e noites e as estações do ano. Deus viu que isso era bom e houve tarde e manhã, o quarto dia.

Nos versos 20 a 23, Deus criou e povoou as águas com enxames de seres viventes, os grandes animais marinhos, os répteis, os peixes e colocou as aves voando sobre a terra e sob o firmamento dos céus. E viu Deus que tudo era bom. Deus os abençoou e ordenou que se multiplicassem. Houve, assim, tarde e manhã, o quinto dia.

Antes de seguirmos adiante, vale a pena enfatizar novamente que Deus estava de forma ativa criando tudo do nada. Este registro, apesar de ser uma síntese de sua obra criativa, não dá margem para pensarmos que tenha usado o processo de evolução. Ele fez todas as coisas através da sua poderosa Palavra. Deus não criou apenas uma espécie que produziu outras espécies. Deus criou todas as coisas que até então não existiam. Esse é o nosso Deus criador!

Os versos 24 a 31 relatam Deus criando os animais domésticos, os répteis e animais selváticos, cada um segundo a sua espécie, contradizendo mais uma vez a teoria da evolução.

Ainda neste sexto dia, algo muito importante aconteceu. Deus disse: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança (v. 26). Note que o verbo fazer é citado no plural e por duas vezes temos o pronome também no plural. Mesmo que se interprete o seu uso gramaticalmente, como o de majestade (no qual o sujeito singular se refere a si mesmo como se fosse coletivo), ou o deliberativo (no qual Deus direciona uma afirmação a si mesmo), encontramos aqui uma clara indicação da pluralidade dentro da unidade divina, referindo-se às três pessoas da Trindade.

Eu e você somos obras das mãos poderosas e amorosas de Deus-Pai, Deus-Filho e Deus-Espírito Santo. Não somos produto de evolução. Foi Deus quem nos criou. Nós, seres humanos, não viemos de uma planta ou de um animal. Fomos criados por Deus à sua imagem e semelhança. Descendemos todos desse homem que Deus criou. Somos obras das suas mãos. Esta é a realidade que Gênesis nos apresenta. A realidade do relato bíblico.





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