Através da bíblia gênesis itamir Neves de Souza John Vernon McGee



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A descendência de Esaú

Gn 36.1-43

Gênesis 36 nos mostra resumidamente a vida e a descendência de Esaú. Embora por toda a Bíblia apareçam outras citações de Esaú como Edom e Seir, que são nomes sinônimos e descrevem o mesmo povo, esse é o último capítulo em que temos um trecho mais extenso de sua história e sua descendência de príncipes e reis.

A Bíblia enfatiza mais a vida de Jacó e a sua descendência do que a de Esaú, porque através dela é que veio Jesus Cristo, o único caminho para a salvação do ser humano. A Bíblia é a revelação do plano divino relativo à salvação do homem. E nesse objetivo, as suas narrativas mostram as ações de Deus e dão destaque à história da descendência que trouxe as boas novas do evangelho, as boas novas da salvação em Jesus de Nazaré, o Cristo, o Deus encarnado, Salvador e Senhor de todos os que Nele crêem.

Assim, para que nossa compreensão seja completa, é importante percebermos que Esaú e Jacó, por serem irmãos, sobreviveram através das nações de Edom, ou Seir, e Israel, ou Jacó, e em todo o Antigo Testamento tal fato nunca foi esquecido. Portanto, o capítulo 36 é uma testemunha clara desse parentesco que posteriormente será visto como odioso e conflitante. As rusgas, as desarmonias e as disputas que ocorreram entre os dois irmãos passaram para as suas descendências e provocaram situações de grandes conflitos entre os dois povos de tal maneira que nunca mais se reconciliariam.

Os versos 1 a 3 dizem: São estes os descendentes de Esaú, que é Edom. Esaú tomou por mulheres dentre as filhas de Canaã: Ada, filha de Elom, heteu; Oolibama, filha de Aná, filho de Zibeão, heveu; e Basemate, filha de Ismael, irmã de Nebaiote. Nesses três versos iniciais, onde é apresentada a descendência de Esaú, podemos destacar:

     1.     Os nomes das esposas de Esaú, Ada, Oolibama e Basemate. Alguns comentaristas dizem que Basemate talvez fosse um outro nome para Maalate, que aparece em 28.9.

     2.     Quando comparamos os v. 1-3 com 26.34, onde é mencionado também o nome de Judite, alguns estudiosos crêem que é possível entender que Esaú teve quatro esposas, ao invés de ter três, como é apresentado aqui.

     3.     Não sendo Esaú o ramo mais importante da genealogia de Isaque, o nome de suas esposas provavelmente foi confundido ou trocado nas diversas listas em que foram registrados.

     4.     Certamente Esaú se aparentou com a família de Elom, o heteu ou hitita, e com a família de Ismael, seu tio, irmão de Isaque.

     5.     Esaú teve casamentos distantes do padrão que o próprio Deus tinha recomendado aos patriarcas. Eles deveriam ser feitos dentro da linhagem familiar patriarcal.

Com esses destaques, percebemos que Esaú estava distante de Deus, e conseqüentemente distanciou-se também de sua origem familiar. Infelizmente esse é o retrato daquele que despreza as bênçãos divinas. Você se lembra com que desprezo ele tratou o seu direito de primogenitura? Quando não valorizamos aquilo que Deus faz em nosso favor certamente colhemos tristes conseqüências. Que Deus nos proteja de sermos ingratos para com Ele e suas bênçãos!

Mas o texto prossegue, e nos versos 4 e 5 encontramos os nomes dos filhos de Esaú: Elifaz, filho de Ada; Reuel, filho de Basemate ou Maalate; Jeús, Jalão e Cora, filhos de Oolibama. Todos nasceram na terra de Canaã.

Através dos filhos de Esaú, uma grande descendência foi formada. Muitos desses nomes aqui mencionados ainda são usados hoje pelos povos árabes. Os descendentes de Esaú formaram uma grande nação chamada Edom, no lugar conhecido atualmente como o grande deserto da Arábia. A nação dos edomitas foi mencionada muitas vezes na Bíblia principalmente na época dos profetas.

Neste capítulo pelo menos três vezes é citado o fato de que Esaú é o pai da nação chamada Edom. No verso 8, por exemplo, lemos o seguinte: Então, Esaú, que é Edom, habitou no monte Seir. Como vemos desde o início, quando Esaú ainda estava na casa dos pais, ele era um grande caçador que vivia fora de casa e assim desprezava as coisas espirituais. Isso sempre o acompanhou em sua vida.

Embora Esaú tivesse uma atitude de desprezo pelas bênçãos do Senhor, o que vemos relatado nos versos 6 a 8 é algo impressionante, pois Deus, mesmo assim, abençoou Esaú de tal maneira que os seus bens também foram muitíssimos. Ele mesmo testemunhou isso, em 33.9, quando agradeceu pelos presentes que Jacó insistia em lhe dar: Então, disse Esaú: Eu tenho muitos bens, meu irmão; guarda o que tens.

Podemos constatar que o retorno de Jacó a Manre, na terra de Canaã, confirmou a decisão de Esaú de mudar-se permanentemente para Seir, porque a terra não podia conter os dois irmãos com suas posses e riquezas: Porque os bens deles eram muitos para habitarem juntos; e a terra de suas peregrinações não os podia sustentar por causa do seu gado. Então, Esaú que é Edom, habitou no monte Seir (v. 7, 8).

Na verdade, podemos entender que, separados em espírito, Jacó e Esaú iriam separar-se também geograficamente, como vemos em 33.16, quando Esaú voltou pelo mesmo caminho para Seir, depois de reatar relações com seu irmão.

Esaú e Jacó enfrentavam naquele momento o mesmo problema de Abraão e Ló. A terra se tornou pequena para eles, para viverem juntos, e por isso tiveram que separar-se. Cada um deles possuía muitos bens, muita riqueza. Mas Esaú abandonou a terra prometida indo habitar no monte de Seir, fato que significa ter abandonado a sua própria casa, levado por interesses econômicos.

Nos versos 9 a 19, encontramos a relação dos filhos e dos netos de Esaú. Sete destaques devem ser feitos para melhor compreensão:

     1.     Nos versos 15 a 18 temos a menção de doze príncipes que se originaram de Esaú, assim como de Jacó doze tribos formaram a nação israelita.

     2.     A menção de Elifaz, o primogênito de Esaú, que teve como seu primogênito Temã (v. 11), é importante, pois um dos amigos de Jó chamava-se Elifaz, de Temã (Jó 2.11), sendo que o próprio Jó provinha da terra de Uz (Jó 1.1). Portanto, é provável que Jó fosse edomita ou pelo menos morasse em Edom (v. 28).

     3.     A menção do neto de Esaú, Amaleque, filho de Elifaz com sua concubina Timma (v. 12), é significativa, pois Amaleque se tornaria um dos mais cruéis inimigos de Israel.

     4.     Muitos estudiosos entendem que as tribos que estão no deserto são descendentes dos amalequitas. Eles se estenderam em várias direções, cresceram bastante no tempo da queda de Cartago, e depois da proeminência da igreja, quando o cristianismo cresceu muito no norte da África. Todas aquelas tribos foram na direção do norte da África, e agora, muitas delas se reúnem no Marrocos. Pertencem à família de Esaú e procedem de Agar e de Abraão. Houve casamentos entre as diversas tribos, mas todos são amalequitas. Todos os amalequitas e os pereseus são descendentes de Esaú e formaram as tribos árabes que vivem no norte da África.

     5.     Por pertencerem à mesma família que foi originada em Abraão são também parentes de Israel. Então, esses povos são irmãos e não deveria haver antagonismo entre essas nações. Quer queiram, quer não, são parentes, são irmãos. Eles pertencem ao mesmo tronco, à mesma família. Ambos são povos semíticos e admitem que são da mesma descendência de Abraão.

     6.     O capítulo 36 é muito importante por registrar este fato. O espírito de Deus inspirou este texto, e por isto ele é um documento importante.

     7.     A denominação de tantos príncipes e reis é interessante, porque Esaú nomeou como príncipes boa parte da sua família. É claro que eles deveriam ser pastores de rebanhos de ovelhas, artesãos, fabricantes de louças de barro ou algo semelhante. Porém considerando isso muito pouco para uma família tão importante, eles, os edomitas, passaram a coroar reis. Eis o que diz o verso 31: São estes os reis que reinaram na terra de Edom, antes que houvesse rei sobre os filhos de Israel.

Quantas pessoas, quantos nomes, quanto desejo por poder e títulos. Porém, depois desses destaques todos, temos que relembrar que Esaú e sua descendência não eram os escolhidos de Deus para trazer o Messias, o Salvador da humanidade. Ao invés disso, quando Deus disse em Malaquias 1.2-3 que amou Jacó e aborreceu a Esaú, fazia aproximadamente mil anos que Esaú havia morrido. É lógico que Deus estava se referindo aos seus descendentes, que como o próprio Esaú, continuaram indiferentes a Deus, sempre apaixonados pelas coisas deste mundo, pelas coisas que são passageiras.

Deus conhece os seus descendentes desde o começo e acompanha a trajetória das nações através da história. Deus sabe por que e como deve tratar cada uma das nações. O conhecimento de cada povo, nação e pessoa por parte de Deus é perfeito. Por isso mesmo, no final do Antigo Testamento, essa palavra divina sobre Esaú é muito significativa. O que encontramos no texto é uma sentença extremamente grave. Nos versos 3 e 4 do primeiro capítulo de Malaquias, o Senhor se coloca contra tudo aquilo que esse povo pretenderia fazer:



3. Porém aborreci a Esaú; e fiz dos seus montes uma assolação e dei a sua herança aos chacais do deserto.

4. Se Edom diz: Fomos destruídos, porém tornaremos a edificar as ruínas, então, diz o Senhor dos Exércitos: Eles edificarão, mas eu destruirei; e Edom será chamado Terra-De-Perversidade e Povo-Contra-Quem-O-Senhor-Está-Irado-Para-Sempre.

Que palavra impressionante. Que a mão de Deus não esteja contra nós e possamos nos livrar dessa condenação.



José é vendido por seus irmãos

Gn 37.1-36

No capítulo 37 temos o relato de um episódio muito significativo, pois através dele a história dos patriarcas começou a adquirir um outro foco. Depois de Abraão, Isaque e Jacó, o nosso quarto personagem entra em cena. Ele é José, conhecido por todos nós como José do Egito.

A história de José é bem detalhada e a Bíblia dedica pelo menos dez capítulos à sua vida por pelo menos duas razões: primeiro, porque José é uma figura honrada, pura, nobre e elevada, um dos vultos mais retos que encontramos nas páginas da Bíblia; segundo, porque se o Espírito Santo dedicou tantas páginas para registrar a história de José, é porque ele é o maior tipo, ou o tipo mais perfeito, da pessoa de Jesus Cristo.

Neste capítulo percebemos que a família de Jacó é diferente da família de Esaú. As duas seguem rumos distintos. Esaú fixou-se em Seir, que é Edom; Jacó em Canaã, a terra prometida por Deus ao seu povo. Encontramos falhas e erros nos membros de ambas as famílias, mas na família de Jacó há sempre um elemento que representa uma promessa, uma esperança.

Assim, lemos nos versos 1 e 2:

1. Habitou José na terra das peregrinações de seu pai, na terra de Canaã.

2. Esta é a história de Jacó: Tendo José dezessete anos, apascentava os rebanhos com seus irmãos; sendo ainda jovem, acompanhava os filhos de Bila e os filhos de Zilpa, mulheres de seu pai; e trazia más notícias deles a seu pai.

Vemos aqui que Jacó foi para Canaã, para o sul de Belém, para Hebrom, onde Abraão havia morado. Era um lugar especial para Jacó porque foi ali que Abraão, seu avó, cultivou a sua comunhão com Deus. Mas, na seqüência dos eventos, o nome de um de seus filhos, José, é mencionado com destaque. Ele era o primogênito de Jacó com sua amada esposa Raquel e o ajudante do pai. Seu nome significa “Que o Senhor me acrescente outro filho”, conforme vimos em 30.24.

O verso 2 diz que ele tinha dezessete anos. Benjamim, seu irmão, também filho de Raquel, era mais novo. E os outros irmãos, já bem mais velhos, trabalhavam no pastoreio das ovelhas e do gado da família. Os dois mais novos ficavam em casa.

E como vemos aqui, José tinha oportunidade de ir aos campos levar comida para os irmãos e sempre trazia notícias do comportamento deles. As informações eram sempre negativas. O comportamento dos dez irmãos, filhos de Lia, Zilpa e Bila, era preocupante. É impossível termos uma idéia do que eles faziam e que práticas eram tão más que desagradavam a Jacó. Você pode imaginar, dentro de uma família de onze rapazes, quantos nomes pejorativos foram dados a José que cumpria a missão de levar ao pai as notícias dos seus irmãos?

Na seqüência, o verso 3 diz: Ora, Israel amava mais a José que a todos os seus filhos, porque era filho da sua velhice; e fez-lhe uma túnica talar de mangas compridas. Podemos ver aqui a história se repetindo. Na casa de Isaque havia a prática não recomendável de ter filhos preferidos. Agora era Jacó que tinha predileção por José, o filho que tivera com Raquel.

A razão dessa preferência era porque José era um filho da velhice de Jacó junto com Raquel, a sua esposa amada. Esses dois fatores faziam com que amasse mais a José do que aos outros. Mas certamente o que agravou o relacionamento entre os irmãos foi a túnica talar colorida, de mangas compridas que Jacó mandou fazer para José. Essa túnica era, como vemos em 2Samuel 13.18, uma vestimenta real. Algo muito especial!

Os pais devem ter muito cuidado para não provocar ciúmes nos filhos. Nenhuma preferência ou favoritismo deve prevalecer. Essa túnica piorou ainda mais a relação dentro de casa. O uso daquele traje especial, daquela túnica multicolorida, era como um insulto para seus irmãos. O verso 4 diz: Vendo, pois, seus irmãos que o pai o amava mais que a todos os outros filhos, odiaram-no e já não lhe podiam falar pacificamente.

É possível imaginar o ambiente naquela família. Com certeza não era nada harmonioso. E o resultado da discriminação não foi outro: José era amado pelo pai, mas odiado pelos irmãos. Esse tipo de problema ainda existe em nossos dias. Sim, talvez entre nós estudantes da Bíblia. Existe no lar, no trabalho e na sociedade. Existe por toda parte. E a Bíblia chama isso de pecado. O pecado é a ruína do indivíduo, do lar e, por conseqüência, de toda a nação. E Cristo, nós sabemos, é a única resposta para o problema do pecado.

Os versos 5 a 8 relatam:

5. Teve José um sonho e o relatou a seus irmãos; por isso, o odiaram ainda mais.

6. Pois lhes disse: Rogo-vos, ouvi este sonho que tive:

7. Atávamos feixes no campo, e eis que o meu feixe se levantou e ficou em pé; e os vossos feixes o rodeavam e se inclinavam perante o meu.

8. Então, lhe disseram seus irmãos: Reinarás, com efeito, sobre nós? E sobre nós dominarás realmente? E com isso tanto mais o odiavam, por causa dos seus sonhos e de suas palavras.

O que estava acontecendo com José? Por que ele se expunha tanto, contando sonhos como aquele? Estaria ele insultando aos seus irmãos? Certamente, não. É preciso entendermos bem a atitude de José aqui. Pelo que veremos posteriormente, ele tinha um bom caráter, possuía uma personalidade bondosa.

O que acontecia com José era que ele sempre fora uma criança protegida por seus pais. Raquel era a esposa que Jacó mais amava. Durante muitos anos eles esperaram por uma criança até que veio José, a quem eles amaram de todo coração. Depois, Raquel morreu no nascimento de Benjamim. Então, Jacó concentrou toda a sua afeição nesse menino chamado José. E assim ele tornou-se o filho predileto de Jacó.

Porém se formos atentos, é possível percebermos como as ações de José foram afetando toda a família. No verso 2, parece que José trazia as más notícias apenas dos filhos de Zilpa e de Bila. No verso 4, o ódio contra José já era partilhado por todos os outros filhos de Jacó, isto é, os seis filhos de Lia. E, no verso 10, vemos que o próprio Jacó, seu pai, também o repreendeu pelo sonho que tivera.

Temos de reconhecer que as próprias circunstâncias familiares não favoreciam a formação moral e espiritual desses rapazes. Levado pelo engano de Labão, Jacó foi obrigado a casar-se com Lia, que ele não amava. Depois se casou com Raquel, a moça que ele amava. Ora, os filhos de Lia com Jacó foram vítimas de uma circunstância anormal. É claro que o pai sempre cuidou bem dos filhos e a todos amava, cumprindo para com eles o dever de pai. Mas um homem com duas mulheres, com duas esposas, não leva uma vida normal, principalmente para os filhos. Eles sofreram as conseqüências dessa situação.

José, com dezessete anos, conhecia muito pouco da maldade dos seus irmãos e nem conseguia medir o ódio que sentiam por ele. De modo simples, José ia até o campo conversar com seus irmãos, levar-lhes comida e contar-lhes os seus sonhos, sem nenhuma pretensão de feri-los ou magoá-los. Longe estava de pensar no perigo a que estava exposto quando se juntava a eles.

É possível imaginar que José era o típico rapaz protegido, ou superprotegido, pelos pais e, como tinha uma boa índole, não via maldade nos seus irmãos. Mas sua presença, suas palavras, seus sonhos, despertavam bastante ódio. E o que José ouvia e via de errado no comportamento deles, levava ao conhecimento do pai. Ele fazia isso por obediência ao pai. Seu primeiro dever era para com Jacó, seu pai.

Então, sem medir as conseqüências, ao invés de ter uma atitude de solidariedade para com o grupo de irmãos, relatava todos os erros que cometiam para o pai. Podemos considerar José como um jovem de uma natureza simples, mas isso não significava que não soubesse o que era errado no comportamento de seus irmãos. Só que ele não imaginava a grande maldade e ódio que havia neles.

Mas os versos 9 a 11 nos dizem que José não sonhou apenas uma vez. Ele teve outro sonho, onde via o sol, a lua e onze estrelas se inclinando perante ele. Ao relatá-lo, seus irmãos ficaram com mais ciúme e Jacó o repreendeu duramente, mesmo considerando o caso consigo mesmo (v. 11).

Apesar da crítica de Jacó, este sonho de José foi muito interessante, porque se cumpriu literalmente. O pai entendia que aquele sonho poderia ser uma profecia que se tornaria realidade mais tarde. Nada era impossível para Deus. José apenas sonhou e contou o sonho. Que culpa tinha de sonhar? Era muito jovem e se sentia livre para contar o que sonhou, sem ter com isso a intenção de insultar alguém. Talvez a sua culpa, mesmo sendo jovem e sem experiência, tenha sido contar de imediato o que sonhava, sem ter primeiro se aconselhado com seu pai, se certificando se era ou não prudente contar para as outras pessoas. Faltou-lhe prudência.

Muitas vezes essa é a grande culpa que os jovens têm. Falta-lhes paciência e prudência. Que Deus nos ajude a sermos bênção para a vida dos mais novos, evitando-lhes problemas e dificuldades. E que os jovens possam entender quanto é sábio se aconselhar com os mais velhos e agir sempre com prudência.

Mas o texto prossegue, e caminhando para a última parte, vemos os v. 12 a 14 que relatam um pedido de Jacó, Israel, a José: Vai, agora, e vê se vão bem teus irmãos e o rebanho; e traze-me notícias. Assim, o enviou do vale de Hebrom, e ele foi a Siquém (v. 14). Os irmãos de José pastoreavam há muitos quilômetros de casa. Eles estavam com seus rebanhos em Siquém. Certamente nos lembramos do que aconteceu em Siquém. Ali houve aquele morticínio arquitetado e executado por Simeão e Levi contra os siquemitas.

Jacó, mesmo em casa, preocupava-se com seus filhos e com seus rebanhos. Então, pediu a José que fosse ver como eles estavam e lhe trouxesse notícias. José prontamente atendeu. Não havia preguiça nem indisposição. Corajosamente se colocou pronto a obedecer. Poderia ter se recusado, alegando que os seus irmãos não o estavam recebendo bem, e que estavam em um lugar muito longínquo. Poderia ter apresentado qualquer outra desculpa para não ir. Mas não. Colocou-se inteiramente à disposição.

Jacó não deixava que José ficasse em casa sem fazer nada. Desde cedo ele deveria assumir responsabilidades. Apesar de não dar-lhe tarefas tão pesadas quanto às de seus outros filhos, empregava-o certamente para trabalhos mais leves, porque isso faz bem, e é parte do treinamento de uma pessoa. José era corajoso e se dispôs a vencer a distância do campo em busca dos seus irmãos. Mas desta vez, ele se perdeu.

Os versos 15 a 17 relatam:

15. E um homem encontrou a José, que andava errante pelo campo, e lhe perguntou: Que procuras?

16. Respondeu: Procuro meus irmãos; dize-me: Onde apascentam eles o rebanho?

17. Disse-lhe o homem: Foram-se daqui, pois ouvi-os dizer: Vamos a Dotã. Então, seguiu José atrás dos irmãos e os achou em Dotã.

Dotã ficava realmente longe dali, e José teve de ampliar sua caminhada. Ele venceu os obstáculos e as distâncias no cumprimento do dever. Depois de haver procurado bastante por seus irmãos em Siquém, sem encontrá-los, poderia ter voltado para casa, pois recebera informação de que haviam seguido para Dotã. Mas José era perseverante, que é uma característica importante para quem quer conseguir vitória em qualquer missão. José perseverou na busca por seus irmãos até que os encontrou em Dotã.

Mas mal sabia ele o que iria encontrar junto com seus irmãos. Eles ficavam completamente cegos, como feras humanas, quando algo ocorria em desacordo com suas vontades e também quando eram provocados. Ficavam incitados pela inveja e pelo ciúme. Mas estes também são os mesmos sentimentos responsáveis por muitas tragédias em nossa sociedade moderna.

Os versos 18 a 24 nos declaram o plano maldoso que os irmãos de José tramaram, enquanto ele vinha ao encontro deles, trazendo alimentos e querendo saber das novidades. Enquanto José se aproximava, crescia a idéia de matá-lo e entregar o belo traje manchado de sangue a Jacó, alegando que tinha sido morto por um animal do campo.

José foi salvo pelo irmão mais velho, que impediu que os outros o assassinassem. Rubem, que tinha desrespeitado o pai deitando-se com Bila, a concubina de Jacó, teve uma atitude de sensatez e impediu o assassinato. Não conseguiu frear, contudo, a revolta dos irmãos contra José que finalmente foi despido de sua linda túnica e lançado num poço vazio para morrer à mingua, sem água.

Por mais modesto que você seja, por mais humilde que pareça, nunca poderá ficar livre do ciúme e da inveja das outras pessoas. Ninguém podia ser mais humilde do que Jesus, mas os evangelhos dizem que os homens o condenaram por causa da inveja e do ciúme. Deus condena, na sua Palavra, estes sentimentos violentos da natureza humana. Devemos ter muito cuidado para não nutri-los e ficar alertas para não provocar esses sentimentos nos outros. As conseqüências podem ser desastrosas.



José é levado para o Egito

Gn 37.25-36

Antes de entrarmos na análise detalhada do texto, é necessário reconhecermos que Deus sempre teve a intenção de conduzir sua família escolhida ao domínio estrangeiro, para transformá-la numa nação. Em Gênesis 15.13-16, logo no início, Ele revelou essa vontade a Abraão. As razões desse plano de Deus eram bastante claras:

     1.     Depois de serem escravizados por 400 anos, os israelitas seriam libertos e sairiam com grandes riquezas.

     2.     “A medida da iniqüidade dos amorreus”, isto é, dos cananeus, ainda não tinha chegado ao limite determinado pelo próprio Deus.

     3.     Canaã acumularia tantos males que não seria mais possível puni-la sem ser através da total eliminação da sua população pecadora, idólatra e que não agradava a Deus. Esse território se tornaria pronto para ser conquistado e ser possuído por uma nova nação, uma nação santa, um reino de sacerdotes do próprio Deus.

Assim, é importante percebermos que através da história de José a seqüência de acontecimentos que levaria Israel ao cativeiro do Egito estava começando a ser colocada em movimento, através das dificuldades que esta família escolhida iria enfrentar. Mas é mais importante ainda reconhecermos que todos os acontecimentos futuros, por mais estranhos que fossem, seriam parte do plano soberano de Deus para atingir o seu ideal de formar para si um povo seu, que seria testemunha da sua graça para com a humanidade.

Temos que entender que a história é o retrato nítido da providência divina. Através da poderosa e soberana mão do Senhor todo o seu plano estava sendo realizado. Mesmo na rejeição do próprio Deus a Israel, seu povo, temos que ver sua maravilhosa mão conduzindo a história. E na “plenitude do tempo”, conforme Gálatas 4.4, Deus enviou seu filho Jesus Cristo, nascido de mulher, para nos resgatar, dando-nos gratuitamente e através da fé a bênção da adoção, da salvação, da filiação a Deus.

Nos primeiros versículos do capítulo 37, vimos que os irmãos de José estavam decididos a tirar-lhe a vida. Todos estavam de acordo, com exceção de Rúben. De todos eles, o irmão mais velho foi o único que pensou mais acertadamente, e por isso tentou impedir os outros de concretizar o mau intento. Os versos 22 e 24 dizem:





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