Através da bíblia gênesis itamir Neves de Souza John Vernon McGee



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22. Também lhes disse Rúben: Não derrameis sangue; lançai-o nesta cisterna que está no deserto, e não ponhais mão sobre ele; isto disse para o livrar deles, a fim de o restituir ao pai.

23. Mas, logo que chegou José a seus irmãos, despiram-no da túnica, a túnica talar de mangas compridas que trazia.

24. E, tomando-o, o lançaram na cisterna, vazia, sem água.

Temos que elogiar a atitude de Rúben nesse episódio, que não quis apoiar seus irmãos num ato criminoso contra José. Ele protestou e apresentou logo a proposta de colocá-lo na cisterna seca, porque tinha a intenção de salvá-lo depois.

Qual teria sido a motivação de Rúben ao tomar tal atitude? Com certeza ele queria agradar o pai. Depois de tê-lo desrespeitado, possuindo Bila, e sendo o filho mais velho, tinha responsabilidade sobre tudo o que acontecia com José. Rúben foi corajoso e se opôs a todos na realização de um plano maléfico que previa a morte do irmão. Com essa atitude, frustrou completamente a sua concretização.

Nos versos 25 a 28 lemos:



25. Ora, sentando-se para comer pão, olharam e viram que uma caravana de ismaelitas vinha de Gileade; seus camelos traziam arômatas, bálsamo e mirra que levavam para o Egito.

26. Então, disse Judá a seus irmãos: De que nos aproveita matar a nosso irmão e esconder-lhe o sangue?

27. Vinde, vendamo-lo aos ismaelitas; não ponhamos sobre ele a mão, pois é nosso irmão e nossa carne. Seus irmãos concordaram.

28. E, passando os mercadores midianitas, os irmãos de José o alçaram, e o tiraram da cisterna, e o venderam por vinte ciclos de prata aos ismaelitas; estes levaram José ao Egito.

É possível imaginar o que um bando de irmãos cheios de ódio podia fazer. Mesmo assentados, comendo o alimento que José trouxera, queriam matá-lo de alguma maneira, demonstrando dureza de coração. Através do uso da força, naquela cisterna seca no deserto, José estava sentenciado a morrer. Rúben que o salvara da primeira tentativa estava fora no momento.

Então, surgiu Judá, um dos irmãos mais velhos, o quarto filho de Israel e Lia, com a proposta de vender José como escravo. Ele apresentou esse plano que apesar de não ser o melhor revelava a boa intenção de não derramar o sangue do seu irmão. Foi o que ele quis evitar. Tanto o plano de Rúben quanto o de Judá foram fundamentais para evitar a morte de José naquele momento.

Mas é verdade que vendê-lo como escravo para o Egito era uma outra forma de matar José. Era como uma morte lenta. Ser escravo naquela nação era uma das piores coisas que podia acontecer. Mas mesmo assim era melhor que a morte violenta e imediata. Assim José foi vendido aos ismaelitas e seguiu para o Egito onde seria posto no mercado de escravos como uma mercadoria qualquer. Os irmãos de José sabiam que fazendo isso nunca mais voltariam a ouvir falar dele. Era uma separação definitiva.

Nesse momento, vale a pena destacar a aparente divergência que há no texto entre os termos ismaelitas (v. 27), e midianitas (v. 28). Será que houve um erro? Será que há alguma contradição? É claro que não há nenhuma contradição ou erro. Como explicar, então, a duplicidade de nomes? Os ismaelitas são os descendentes de Ismael, filho de Abraão com Agar (16.15), e os midianitas são os descendentes de Midiã, filho de Abraão com Quetura (25.2). Então, tantos os ismaelitas quanto os midianitas, eram descendentes de Abraão, mas não da linhagem da promessa.

Eles eram negociantes e se juntavam em caravanas para longas viagens por territórios e países distantes, como essa direcionada ao Egito. Era muito natural que uma caravana fosse formada do maior número possível de pessoas para fazer face aos ladrões e a outros perigos existentes na época. E assim José foi comprado pelos ismaelitas por vinte ciclos de prata.

O texto prossegue, e nos versos 29 a 33, notamos como Rúben se comportou diante do arranjo que os irmãos fizeram para fornecer uma explicação convincente ao pai, e também a reação de Israel ao saber da suposta morte de José:

29. Tendo Rúben voltado à cisterna, eis que José não estava nela; então, rasgou as suas vestes.

30. E, voltando a seus irmãos, disse: Não está lá o menino; e, eu, para onde irei?

31. Então, tomaram a túnica de José, mataram um bode e a molharam no sangue.

32. E enviaram a túnica talar de mangas compridas, fizeram-na levar a seu pai e lhe disseram: Achamos isto; vê se é ou não a túnica de teu filho.

33. Ele a reconheceu e disse: É a túnica de meu filho; um animal selvagem o terá comido, certamente José foi despedaçado.

Quando Rúben retornou, naturalmente José já estava bastante longe. A maldade muitas vezes consegue sucesso temporário. Aqui ela venceu, mas como veremos, apenas por um tempo. Os filhos de Israel tinham que bolar uma história convincente para contarem a Israel, o velho patriarca. Notemos o que eles fizeram. Mataram um bode, ensoparam a túnica colorida no sangue e a levaram para Israel, perguntando-lhe se era a de José. Vemos aqui a eficiência com que trabalham os homens maus. O grande recurso da mentira sempre é empregado pelos criminosos e pelas pessoas más.

Mas felizmente, como diz o dito popular, “a mentira tem pernas curtas”, não vai muito longe, tem um limite. Às vezes pensamos que a verdade atrasa um pouco. Mas não. Ela sempre vem no tempo certo. Não há nada escondido que não venha a ser revelado, diz a Palavra de Deus. Os irmãos de José estavam satisfeitos com os resultados do disfarce, da mentira. Eles pensavam que aquela túnica molhada de sangue de bode era a última notícia a respeito de José, e que tudo ficaria naquilo mesmo. E, de fato, ficou por um determinado tempo.

Os filhos de Israel tinham realmente muito ódio de José, tanto que não perguntaram “veja se é ou não a túnica do nosso irmão”, mas veja “se é ou não a túnica de teu filho”. Eles não quiseram se identificar como irmãos de José. Era o sentimento de discriminação, ódio, ciúme, inveja e vingança predominando. Estes sentimentos são criminosos e pecaminosos diante de Deus e dos homens.

No verso 33 vemos a reação de Israel, o velho patriarca: ele reconheceu a túnica que tinha feito para José e, vendo-a ensopada de sangue, deduziu que seu filho tinha sido morto por um animal. Como vemos, a fraude dos irmãos de José foi muito eficiente, pois conseguiram imprimir exatamente o que tinham tramado. Israel não conseguiu formular nenhuma outra conclusão.

José havia saído para procurar os irmãos num lugar diferente, bastante distante de casa. Saiu de Hebrom para Siquém, e depois partiu para Dotã, onde veio a encontrá-los. Eles disseram ao pai apenas que tinham achado a túnica molhada de sangue. Nenhuma outra explicação Israel poderia achar para o caso, senão que o seu querido filho havia sido mesmo despedaçado por uma fera. E assim Jacó, que antes era o enganador, foi completamente enganado pelos seus filhos.

Este caso nos remete mais uma vez a lei que tantas vezes temos nos lembrado, de que tudo quanto o homem semear, também ceifará. Aqui vemos Jacó colhendo o que havia plantado em tempos passados. Afinal foi ele quem tinha matado animais para enganar seu pai Isaque. De fato, essa era uma situação lamentável. Consideramos que esses filhos erraram muito enganando o pai, mas de qualquer maneira, Jacó estava colhendo aquilo que em outros tempos havia semeado.

Nos versos 34 e 35 temos o seguinte relato:



34. Então, Jacó rasgou as suas vestes, e se cingiu de pano de saco, e lamentou o filho por muitos dias.

35. Levantaram-se todos os seus filhos e todas as suas filhas, para o consolarem; ele, porém, recusou ser consolado e disse: Chorando, descerei a meu filho até à sepultura. E de fato o chorou seu pai.

Temos nesse momento um pai com um coração partido. É difícil entender porque Israel chorou tanto a morte do filho. Para explicarmos o choro de Israel teríamos de contar toda aquela história que já apresentamos, do amor de Jacó por Raquel, e do amor que ele tinha por José, que era o filho de Raquel. Quando Raquel morreu, o afeto que tinha por ela foi transferido para os seus dois filhos mais moços, José e Benjamim.

E agora, de posse da túnica ensopada de sangue, Israel sabia que não veria José mais nesta vida. Por isso ele, como pai, foi profundamente quebrantado. Nenhum consolo dos seus outros filhos foi suficiente para tirá-lo daquela tristeza profunda. A frase: “descerei a meu filho até à sepultura” significa que ficaria de luto até que se reunisse com seu filho na morte.

Mas graças a Deus não precisamos nos desesperar, mesmo diante da morte. E todos nós que cremos sabemos a razão: Jesus é profundamente sensível e se identifica conosco, com os nossos sofrimentos. Por isso Ele é o conforto dos nossos corações. Ele sofreu tudo como nós, porém sem pecado. E por ter sofrido tudo é um sumo sacerdote que sabe se compadecer do nosso sofrimento.

O capítulo 37 termina com o verso 36: Entrementes, os midianitas venderam José no Egito a Potifar, oficial de Faraó, comandante da guarda. A história de José continua, mas no Egito, conforme a vontade de Deus.
Judá e Tamar

Gn 38.1-10

O capítulo 38 de Gênesis relata um episódio triste na vida de Judá, fruto do distanciamento do Senhor e do convívio com povos que não temiam a Deus. Os acontecimentos lamentáveis deste trecho das Escrituras Sagradas mostram o perigo que Israel, como povo separado de Deus, teria diante de si caso não permanecesse fiel a Deus e começasse a relacionar-se com os cananeus.

Além disso, esses acontecimentos também nos advertem sobre a necessidade dos cristãos manterem intimidade com o Senhor, separando-se dos valores, da filosofia, do modo de pensar ou agir do mundo. Não devemos nos afastar das pessoas, e sim amá-las e mostrar o amor de Deus para com elas. Mas devemos rejeitar as suas obras más, os seus pecados, a sua maneira de viver. Quando nos associamos com o mundo corremos o risco de naufragar na fé!

Quando lemos a história dos filhos de Jacó, descobrimos que ele empregou muito do seu tempo tentando acumular riquezas na casa de Labão sem se preocupar com a instrução dos filhos. Por terem sido mal orientados, eles tornaram-se maus e se transformaram numa grande dor de cabeça para o próprio Jacó. Aqui e acolá descobrimos fatos vergonhosos da vida deles, como a mortandade ocorrida em Siquém. Suas vidas refletem o descuido e a pouca preocupação que os pais tiveram com eles.

Essa situação é muito parecida com situações dos nossos dias, quando os pais não atentam para o futuro e destino dos filhos. Muitos entendem que se fornecerem a eles os melhores presentes, uma excelente escola e dinheiro para fazerem o que quiserem, poderão crescer livremente, sem a presença constante ou a assistência devida. Essa é uma posição que precisa ser analisada. Precisamos avaliar qual tem sido a nossa prática. É necessário avaliar a nossa relação com nossos filhos?

Muitos pais têm também entregue a tarefa de educar os filhos aos professores. Mas eles já cumprem o papel de ensinar matérias como geografia, história, português, ou se for no contexto da igreja, histórias do Antigo e do Novo Testamento.

Os pais têm a responsabilidade e o privilégio de encaminhar os filhos na vida com Deus, no amor e no respeito ao próximo, oferecendo parâmetros para a vida futura quanto à profissão, a escolha acertada do futuro cônjuge. Na nossa sociedade, esse papel cabe primeiramente ao pai e a mãe. Não é através da doação de bens que os filhos são educados. É preciso muito mais que coisas. É necessário tempo investido em conversas, aconselhamento e acompanhamento!

Os versos 1 e 2 dizem: Aconteceu, por esse tempo, que Judá se apartou de seus irmãos e se hospedou na casa de um adulamita, chamado Hira. Ali viu Judá a filha de um cananeu, chamada Sua; ele a tomou por mulher e a possuiu. Eis aqui uma pessoa que se apartou dos seus irmãos, da sua família, e se uniu à gente estranha. Esse foi um dos primeiros passos dados por Judá para a sua queda moral. Quando um crente se aparta do meio cristão, já está no caminho descendente. Judá saiu de perto dos seus irmãos e, de repente, estava se juntando a uma mulher pagã. E o pecado cometido por ele aqui nos faz imaginar como um homem moral e espiritualmente despreparado se comporta num ambiente de corrupção e abominação!

Antes de continuarmos a análise do texto, vale a pena lembrar um fato importante: Jesus Cristo veio da linhagem desse homem chamado Judá. Sim, esta é a verdade. Mesmo tendo vindo por meio da linhagem de Judá, de homens pecadores, Jesus era diferente. Ele era santo!

Nos versos 3 a 6 encontramos os nomes dos filhos de Judá com Sua: Er, Onã e Selá. O verso 7 diz: Er, porém, o primogênito de Judá, era perverso perante o Senhor, pelo que o Senhor o fez morrer. Isto nos lembra que uma família constituída fora do padrão de Deus só pode proporcionar como herança, para os filhos, uma vida pecaminosa e distante do Senhor.

No verso 8 vemos Judá, depois da morte do seu primogênito, aconselhar a Onã, seu segundo filho, a casar-se com a viúva de Er, seu irmão. Esse era o costume naquele tempo: o irmão mais novo deveria possuir a esposa do seu irmão falecido, caso esse não tivesse gerado um filho. Onã não gostou da proposta, pois o filho que gerasse não lhe daria descendência, mas a linhagem seria de seu irmão primogênito e, assim, evitou que a viúva do seu irmão engravidasse.

Onã evitou gerar esse filho usando uma prática reprovável. Ao manter relações sexuais com Tamar, sua cunhada, Onã não concluía o ato sexual, e assim não a fecundava. O verso 10 é muito direto em dizer que tal atitude era errada perante o Senhor, pelo que também a este fez morrer. Quando agimos em desacordo com a vontade de Deus constatamos que o salário do pecado é a morte. Sobre essa atitude de Onã é importante também dizer que ela ficou conhecida como “onanismo”, um dos nomes para prática da masturbação.

O texto prossegue, e descobrimos que Judá era um homem muito supersticioso. Sem reconhecer o pecado e a atitude errada dos filhos, supôs que Tamar trazia azar ou maldição sobre eles. O verso 11 diz: Então, disse Judá a Tamar, sua nora: Permanece viúva em casa de teu pai, até que Selá, meu filho, venha a ser homem. Pois disse: Para que não morra também este, como seus irmãos. Assim, Tamar se foi, passando a residir em casa de seu pai. Como é triste a vida daquele que perde a comunhão com Deus. Por desviar-se da comunhão com a família e com Deus, Judá não criou os filhos nos caminhos do Senhor e, pior ainda, criou-os longe Dele, começou a adotar as mesmas práticas dos cananeus. Supersticioso, pensava que sua nora Tamar estava trazendo azar para sua família. É muito triste quando chegamos a esse ponto.

A seguir, a partir do verso 12 até o verso 20, temos um relato surpreendente. O texto relata que morreu a filha de Suá, mulher de Judá. Ora se era filha de Suá, certamente era esposa de Judá. Mas é interessante perceber como as mulheres eram completamente desprezadas naqueles dias: não se menciona em nenhum lugar o nome da mulher, da esposa de Judá. Que preconceito incrível! Mas as mulheres devem ser gratas a Jesus e ao cristianismo, pois através deles conquistaram uma boa posição no cenário cristão da igreja, a nova comunidade do reino de Deus!

O texto prossegue e vemos que Judá, depois de consolado, subiu para tosquiar suas ovelhas, em Timna, com seu amigo Hira, o adulamita. Alguns destaques devem ser feitos aqui. Precisamos perceber quais eram os relacionamentos de Judá, e na companhia de quem ele andava. É isso mesmo. Seu amigo era um gentio, um cananeu. E o fato de ter se casado com uma pagã, com uma gentia, quebrando um princípio claro de Deus, também não era correto.

O texto prossegue, e Tamar ficou sabendo que Judá, seu sogro, ia para Timna tosquiar as ovelhas. E é exatamente neste ponto que temos a parte mais sutil do pecado que nos mostra o baixo padrão do ser humano que não teme a Deus. Nesta mulher, Tamar, temos a sutileza do pecado. O que o autor sagrado registrou aqui a respeito de Tamar mostra quão sutilmente o pecado influencia e escraviza o homem. Desejosa de gerar filhos e ter uma descendência, Tamar apoiou-se em quatro razões para conquistar seu alvo:

     1.     A morte do seu marido Er.

     2.     A negativa de Onã de lhe dar um filho, ao fazer uso de relações sexuais interrompidas.

     3.     A conseqüente morte de Onã por causa de seu ato pecaminoso.

     4.     A falta de palavra de Judá, que não a deu a Selá, seu filho, que neste tempo já era um homem adulto.

Tamar usou de sutileza e, sem confiar em Deus, pois era pagã, elaborou uma estratégia humana e mundana para conquistar seu alvo de ser mãe. Ela despiu as vestes de sua viuvez e, cobrindo-se com um véu, se disfarçou e se assentou à entrada do vilarejo de Enaim, no caminho de Timna, pois sabia que Judá passaria por ali.

O texto relata que Judá, vendo-a, teve-a por meretriz, pois ela havia coberto o rosto. Judá a abordou dizendo: Vem, deixa-me possuir-te (v. 16). Judá não sabia e nem desconfiava que aquela mulher era sua nora. Então, ela respondeu: Que me darás para coabitares comigo? (v. 16). E ele lhe ofereceu um cabrito do rebanho. Mas Tamar retrucou: O que você vai me dar agora como garantia até que cumpra a promessa de me dar o cabrito?

Judá fora atraído pelo pecado. Judá estava seduzido e, então, disse que ela podia pedir o que quisesse. E Tamar lhe pediu o selo, o cordão e o cajado. Judá, sem perder tempo, deu os objetos à mulher que ele julgava ser uma prostituta cultual, e a possuiu. O verso 18 diz que Tamar concebeu dele.

Aqui temos a descrição de uma mulher ardilosa que fingidamente se colocou como uma prostituta cultual, ou uma sacerdotisa, para apanhar Judá numa armadilha. É importante notarmos o sentimento, a sutileza e a maldade dessa mulher:

     1.     Sentia-se frustrada por ainda não ter gerado um filho.

     2.     Estava irritada por ter sido passada para trás por Judá, que não cumpriu sua palavra.

     3.     Ela sabia que Judá passaria pelo local onde estava, acompanhado de Hira, cuja religião incluía a relação sexual como ato de culto.

     4.     Por não temer a Deus, colocou-se à beira do caminho, provavelmente, insinuando-se a Judá quando por ali ele passou.

Por outro lado vemos que Judá, mesmo identificando esta mulher como uma prostituta cultual, a ela se dirigiu como se estivesse fazendo algo bastante normal. Foram esses os seus passos distanciando-se de Deus:

     1.     Foi atraído por uma mulher estranha e prostituta.

     2.     Não se lembrou dos seus compromissos.

     3.     Esqueceu-se que pertencia a linhagem eleita.

     4.     Esqueceu-se que essa mulher era adoradora de um deus estranho.

     5.     Assim, foi atraído e traído por seu desejo sexual.

É possível perceber o resultado de nos afastarmos dos irmãos, da família e de Deus, e o que uma amizade com alguém que não O teme pode causar a nossa vida. É isso mesmo! Um pecado chama outro pecado, levando-nos para o abismo.

Nos versos 20 a 23 vemos Judá tentando reaver o penhor que havia deixado com Tamar, pensando que ela fosse uma prostituta cultual. Através do seu amigo adulamita, enviou o cabrito que prometera à mulher, porém ela não foi encontrada e ninguém na localidade a conhecia, pois não imaginavam que era Tamar.

Não encontrando a mulher para efetuar a troca, Judá deu-se por satisfeito e deixou o caso cair no esquecimento. Ele tinha se aproveitado da mulher para satisfazer seus desejos carnais, esquecendo-se de que ela era um ser humano. A maneira que Deus quer que tratemos o próximo não é essa de usar as pessoas para o nosso próprio benefício.

Mas o tempo passou e a história teve uma seqüência: Passados quase três meses, foi dito a Judá: Tamar, tua nora, adulterou, pois está grávida. Então, disse Judá: Tirai-a fora para que seja queimada (v. 24). Judá ficou revoltado e cheio de justiça própria. Mandou queimar a nora, afinal era essa a condenação para o adultério naqueles dias. Essa é, muitas vezes, a atitude do pecador. Condena o pecado dos outros sem lembrar que a sua própria vida está em desacordo com a vontade de Deus.

Normalmente, quando isso acontece, Deus desmascara o pecador mentiroso e hipócrita. E foi o que aconteceu com Judá. No verso 25 encontramos a reação de Tamar que surpreendeu a Judá: Em tirando-a, mandou ela dizer a seu sogro: Do homem de quem são estas coisas eu concebi. E disse mais: Reconhece de quem é este selo, e este cordão, e este cajado. Você percebe o que Deus faz com aquele que tenta passar por justo diante dos homens, mas não é justo no seu íntimo, justo diante do próprio Deus? Deus revela o coração pecaminoso e corrupto.

Esta história de Judá termina com o verso 26: Reconheceu-os Judá e disse: Mais justa é ela do que eu, porquanto não a dei a Selá, meu filho. E nunca mais a possuiu. Aqui temos um homem acusado pela sua própria consciência e pelos próprios fatos, constatando que:

     1.     As más companhias podem nos conduzir para longe de Deus.

     2.     Fora infiel a Deus, relacionando-se com uma adoradora de outro deus.

     3.     Não fora íntegro em cumprir a sua palavra de entregar Tamar a Selá.

     4.     Um prazer pecaminoso e momentâneo hoje pode trazer sofrimento e frustração amanhã.

     5.     Tinha sido injusto em condenar precipitadamente sua nora.

Judá admitiu e se arrependeu do seu pecado, reconhecendo a justiça no procedimento de sua nora e a sua própria injustiça, quando errou não cumprindo sua palavra. Certamente Judá aprendeu a lição e, por certo, ficou também envergonhado diante dos seus parentes e amigos. Esse é o resultado do pecado!

Finalmente, nos versos 27 a 30, temos o relato do nascimento dos gêmeos gerados dessa relação incorreta. O mais velho, que faz parte da linhagem davídica, foi chamado de Perez que significa abertura ou brecha. O mais novo recebeu o nome de Zera que quer dizer brilho, referindo-se a cor vermelha do fio que foi colocado no seu pulso.

Se Deus tem falado ao seu coração, aproveite essa oportunidade, acerte a sua relação com Ele e evite as más companhias.



José na casa de Potifar

Gn 39.1-23

Quando começamos analisar mais detalhadamente a vida da José, no capítulo 37, vemos que ele é o tipo mais perfeito da pessoa de Jesus Cristo. É possível, então, traçarmos alguns paralelos entre a vida desses dois personagens bíblicos. Começaremos, aqui, apresentando dois deles.

O primeiro paralelo refere-se aos nascimentos. Ambos foram milagrosos. Sabemos que Raquel era estéril, e somente diante da intervenção divina, e relacionando-se com Israel, pode dar à luz a José. O nascimento de Jesus foi único, foi milagroso, porque Jesus nasceu de uma virgem. Ele foi gerado por obra e graça do Espírito Santo, sem a participação de José, marido de Maria.

O segundo paralelo refere-se ao amor paternal. Observando o amor especial que Jacó tinha por José, e o amor especial que Deus tem por Jesus, notamos essa semelhança. Jacó amava profundamente a José. E Deus, que ama profundamente Jesus, disse do céu: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo (Mt 3.17). Como podemos perceber, essas semelhanças são bem significativas e nos mostram como Deus, durante a história da humanidade, foi se revelando a nós, demonstrando o seu amor e o seu maravilhoso plano de salvação.

A história de José foi interrompida pelo capítulo 38, onde nos foi relatada a vida de Judá e seus pecados, com o objetivo principal de nos mostrar que mesmo de uma descendência tão contrária aos princípios divinos, o próprio Deus pode suscitar a maior bênção para o ser humano: Jesus Cristo veio ao mundo por meio da linhagem de Judá. Jesus Cristo nasceu dessa linhagem pecaminosa, porém Ele mesmo não tinha pecado. Ele se fez homem para salvar a humanidade pecadora.

No capítulo 39, voltando a focalizar a vida de José, o encontramos com aproximadamente 18 anos e sendo submetido a experiências muito graves. Mas é assim que Deus prepara um homem para uma grande obra. Quando José estava começando a sentir o prazer da vitória, foi submetido à outra experiência que o levou a adiá-la. Situações ocorreram de repente, afastando-o da vitória. Eram provas aparentemente grandes para aquele jovem, mas absolutamente providenciais. Tudo foi permitido por Deus que queria prepará-lo para cumprir uma grande tarefa.

Deus sempre apareceu de forma visível aos outros patriarcas. Porém não apareceu dessa maneira a José. Ele era um crente muito fiel e cria que o Senhor estava presente em todos os momentos da sua vida. Não chegou a ouvir a voz de Deus, mas sabia que estava sendo preparado, sabia que Ele estava agindo. E ciente disso, estava disposto a suportar todas as experiências e a se manter fiel.

E a mesma coisa acontece também na vida de qualquer cristão. Muitas vezes, os caminhos através dos quais Deus nos leva a experimentar grandes vitórias são difíceis; antes de desfrutarmos das bênçãos e do triunfo, passamos por duras provas. José era obediente e andava pelos caminhos determinados por Deus. Era resoluto e permaneceu sempre fiel a Deus. José pensava que depois que passasse por todos os obstáculos, tropeços e provas de fogo, teria a vitória!

Quase no final da sua vida, depois de analisá-la, José disse aos seus irmãos que o venderam como escravo: Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem, para fazer, como vedes agora, que se conserve muita gente em vida (50.20). Todas as coisas contribuem para o nosso bem.

Por ter este espírito animado e positivo, por ter total e completa confiança em Deus, o Senhor mesmo era com José, e o tornou um homem próspero. Os versos 3 e 4 nos dizem que Potifar, percebendo que o Senhor era com José em tudo que fazia, o colocou como mordomo de sua casa e lhe passou às mãos tudo o que tinha. José tinha mesmo uma vida abençoada. O texto prossegue e os versos 5 a 7 relatam que o Senhor abençoou a casa do egípcio por amor de José. Potifar, tendo-o por mordomo, de nada sabia sobre o que tinha, além do pão com que se alimentava.

Que experiência especial! De escravo vendido na praça à posição de mordomo fiel e pleno de responsabilidades na casa do comandante do Faraó do Egito, o maior império da época. Que mudança de vida! José tinha um segredo. O próprio texto diz: O Senhor era com ele (v. 3). E sabe por quê? O texto também responde: Por amor a José! (v. 5).

Mesmo sendo muito novo ainda, José tinha um bom caráter e era digno. Este é o retrato de uma vida abençoada e abençoadora. Vimos que muitos foram abençoados por meio de Abraão, de Isaque e de Jacó. Agora vemos José levando à casa de Potifar a bênção do Senhor. Vale a pena refletir se temos sido abençoados e abençoadores. Temos que compartilhar das bênçãos que Deus nos tem dado. Temos também que saber que uma vida abençoada dessa maneira não está isenta de dificuldades. A presença de Deus em nossa vida e em nossas atividades não impede que soframos as tribulações normais que tantos outros sofrem.

Voltando ao texto, é interessante observarmos a última frase do verso 6: José era formoso de porte e de aparência. Então, podemos deduzir que sendo ele jovem, bonito, de outra nacionalidade e tendo um porte físico forte, certamente conseguido através das tarefas na casa de seu pai Israel, despertava um interesse especial nas mulheres.

O que vemos no relato do próximo parágrafo, nos versos 7 a 9, é que José despertou o interesse da mulher de Potifar, que era bonita e mais nova que o marido. A jovem senhora estava impressionada com o sucesso e a habilidade de José para os negócios, mas também estava encantada com a sua pouca idade, o seu porte físico e a sua beleza. Então, não tendo mais controle sobre seus sentimentos e desejos, ofereceu-se a José. Ela mesma tomou a iniciativa e convidou-o para deitar-se ao seu lado. Essa foi uma situação extremamente difícil. Constatamos, então, que apesar de ser um homem sob a bênção de Deus, José não ficou livre dessa grande tentação. É isso mesmo! O crente não está isento das dificuldades da vida!

Mas José teve uma reação inesperada. A grande maioria dos jovens aceitaria esse convite sem pensar duas vezes. Com José foi diferente. Ele era um homem diferente, porque temia a Deus! Ele recusou a proposta, e os versos 8 a 9 dizem que apresentou à mulher de Potifar sete razões para não aceitar aquele convite pecaminoso:

     1.     Ele reconheceu a sua posição: sabia que era um simples mordomo, escravo de seu patrão.

     2.     Ele reconheceu que o seu senhor tinha lhe confiado tudo, tanto é que não sabia nem se preocupava com as coisas que aconteciam em sua casa.

     3.     Ele reconheceu que possuía uma posição privilegiada no trabalho, pois seu próprio senhor não era maior que ele em sua casa.

     4.     Ele reconheceu que o seu senhor o considerava um servo de total confiança, pois tinha lhe dado completa autoridade sobre tudo.

     5.     Ele reconheceu que mesmo tendo autoridade e liberdade sobre tudo e todos, havia algo proibido: a esposa de Potifar.

     6.     Reconheceu que não poderia cometer tal maldade contra o seu senhor.

     7.     Reconheceu que não poderia pecar contra Deus.

Apesar de temente a Deus, José não ficou isento da tentação, não ficou livre das dificuldades. Mas estava espiritualmente preparado. Há crentes que oram apenas quando estão diante de perigo ou aflição. José provavelmente orava constantemente. E isso o fazia estar sempre pronto para enfrentar as piores investidas contra sua vida de santidade. A tentação não o surpreendeu. Era a sua convicção de fé que determinava a sua conduta. Era a sua fé em Deus que o levava a resistir à tentação.

Vemos também que a posição de José em relação ao casamento era muito correta. A mulher de Potifar deveria ser respeitada a todo o custo. Era a mulher do seu senhor e, por isso, não podia possuí-la. Se fizesse isso seria uma ofensa antes de tudo a Deus. Foi esta convicção que determinou a conduta de José.

Nos versos 10 a 12 encontramos a seqüência da investida do maligno contra o servo de Deus. Além de continuar se insinuando e convidando José para um relacionamento incorreto, a mulher de Potifar não desistia dele. E José, tendo que trabalhar e administrar a casa de Potifar, certo dia não encontrou nenhum dos outros servos em casa. Apenas a esposa do seu senhor estava lá. Essa mulher o agarrou pelas vestes, mas José, deixando as roupas em suas mãos, fugiu daquela casa.

Vendo, então, que José havia fugido, mas deixado as vestes, chamou pelos homens de sua casa e, vingando-se de José, lhes disse: Vede, trouxe-nos meu marido este hebreu para insultar-nos; veio até mim para se deitar comigo; mas eu gritei em alta voz. Ouvindo ele que eu levantava a voz e gritava, deixou as vestes ao meu lado e saiu, fugindo para fora. Ela acabou se passando por vítima, mas José é que havia sido alvo de sua astúcia e calúnia.

Embora alguns possam considerá-lo covarde, sob o ponto de vista humano, sob o ponto de vista dos que temem a Deus José foi um herói. Essa é uma situação em que fugir representa o verdadeiro heroísmo.

José não trocou os seus direitos das bênçãos divinas por uma satisfação momentânea, para depois colher os frutos amargos de haver cedido covardemente ao desafio da carne. Pensando nisso, o apóstolo Paulo aconselhou a Timóteo, seu filho na fé, que fugisse das paixões da mocidade (2Tm 2.22).

O texto prossegue, e os versos 16 a 20 relatam que quando Potifar chegou em casa, sua mulher contou-lhe algo que certamente o entristeceu e o deixou bastante irritado. Aquele servo de máxima confiança o tinha traído. Foi essa a acusação contra José. A mulher de Potifar disse que o hebreu, denotando grande preconceito e menosprezo, tinha tentado desonrá-la. Quando gritou por socorro, ele saiu correndo e fugiu de casa, deixando suas vestes ao seu lado. Potifar acreditou na versão da mulher. Era a palavra de sua esposa contra a palavra de um escravo. José não teve chance de se defender. Diante da história que sua esposa contou, não restou alternativa para Potifar senão mandá-lo para a prisão.

Devemos saber, entretanto, que Deus tinha aquela situação sob Seu controle. Quando sofremos por nossos erros, não podemos reclamar. Mas sofrer injustamente é difícil de suportar. Certamente foi esse o pensamento de José. Certamente esse é o pensamento que muitas vezes nós mesmos temos. Vale a pena reforçar aqui: por sermos crentes, por confiarmos em Deus e obedecermos a sua Palavra, não estamos isentos de provações, testes, dificuldades e aflições que a vida proporciona. Temos de confiar plenamente no Senhor, sabendo que Ele é um Deus justo. Diante da injustiça dos homens, temos um justo juiz: o nosso Deus!

E, mais ainda. Mesmo diante das injustiças humanas temos que confiar que Deus tem o poder de transformar todas as coisas para o bem daqueles que O amam, conforme Paulo disse em Romanos 8.28. Essa é nossa confiança. Essa deve ser a sua confiança. Deus tudo sabe e tudo vê. Deus pode transformar o mal em bem, mesmo que no momento tenhamos que sofrer. Devemos crer nessa verdade. Esse é o desafio que Deus nos dá!

Os versos 21 a 23 afirmam que mesmo naquela difícil situação, Deus estava com José. Essa é a garantia! Deus não nos tira da fornalha, mas se coloca na fornalha conosco. Temos que nos lembrar da experiência de Daniel. Aqui está o segredo: a presença do Senhor é a nossa força. O salmista Davi diz: Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo. Esse é um texto que deve ser lembrado por todos nós. São palavras do Salmo 23. Aqui está a razão: Porque Tu estás comigo.

Quando Deus está presente em nossas vidas, em qualquer lugar onde estivermos Ele está conosco. E quando Ele está conosco, suas bênçãos são percebidas. José, mesmo na prisão, teve a confiança do carcereiro, que deixou a administração da prisão sob sua responsabilidade. E a razão para essa decisão está claramente exposta no verso 23: Porquanto o Senhor era com ele, e tudo o que ele fazia o Senhor prosperava.

Essa foi a experiência de José. Essa pode ser a sua experiência também. Devemos acreditar que é possível ainda hoje desfrutarmos dessa experiência. Precisamos decidir agora mesmo manter-nos firmes diante das tentações; a perseverar em oração, pois ela nos mantém unidos a Deus; a manter-nos vigilantes para não cair em tentação; a termos um padrão correto, obediente aos princípios divinos; a confiarmos plenamente na justiça divina.





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