Através da bíblia gênesis itamir Neves de Souza John Vernon McGee


José interpreta os sonhos dos prisioneiros



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José interpreta os sonhos dos prisioneiros

Gn 40.1-23

Quando lemos ou estudamos a Bíblia, devemos ter sempre em mente o seu verdadeiro propósito: contemplar o plano divino de redenção da humanidade por meio da pessoa e obra de Jesus Cristo, nosso Salvador. Pensando nisso, a exemplo do que fizemos no capítulo anterior, mostraremos mais algumas semelhanças entre a vida de José e a de Jesus. O paralelo entre os dois funciona como sinal para nos mostrar Jesus Cristo.

O primeiro paralelo refere-se à separação que tanto José quanto Jesus sofreram: José foi distinguido dos seus irmãos através da túnica talar de várias cores que recebeu de presente de Israel. Jesus também foi colocado à parte dos demais irmãos. Jesus foi separado dos seus irmãos pecadores. Não apenas dos filhos de Maria e José, mas de todos nós, seres humanos, que nascemos em pecado.

O segundo paralelo refere-se à missão que foi confiada a cada um: José foi enviado aos seus irmãos no campo, e Jesus foi enviado aos seus irmãos neste mundo. José foi enviado para ver como estava o pastoreio das ovelhas. Jesus foi enviado para ser o bom pastor das ovelhas perdidas. Ele veio buscar e salvar o que se havia perdido.

O terceiro paralelo refere-se à visão que os dois tinham das suas vidas: José anunciou por meio de seus sonhos que iria governar seus irmãos. Isso atraiu zombaria e ódio por parte deles. Jesus apresentou-se como o próprio Deus. Eu e o Pai somos um, disse certa vez. Por isso, foi ridicularizado pelos seus irmãos, isto é, pelos homens. Jesus foi ironizado e odiado quando colocaram na cruz o cartaz que dizia: Este é Jesus, o rei dos judeus (Mt 27.37).

O capítulo 40 de Gênesis fala sobre José na prisão. No período em que permaneceu ali, interpretou os sonhos do copeiro-chefe e do padeiro-chefe, e teve como paga a ingratidão do primeiro que se esqueceu de José depois de solto. Mas veremos que, apesar de tudo que passou na prisão, Deus tinha um propósito maior para a vida dele.

José foi preso injustamente por ter sido vítima da calúnia. A mulher de Potifar o caluniou e o marido acreditou nela. Para ele, foi a melhor forma de resolver o problema. E toda aquela situação armada redundou em bem para José. Mas é interessante percebermos como um aprisionamento injusto se tornou benéfico. É como o ditado popular que diz que “Deus escreve certo, por linhas tortas”, pelo menos no ponto de vista humano.

José estava cumprindo o plano de Deus para a sua vida. Ele não compreendia tudo o que estava acontecendo, mas sabia que Deus estava presente. Em qualquer circunstância estava tranqüilo, porque Deus estava não só na direção da sua vida, mas na direção do mundo. Não tinha razões para que se preocupar. Foi aquele rumo que Deus deu à sua vida. Estava no itinerário divino. Era só questão de esperar.

O texto nos mostra que José gozava da confiança do comandante da prisão. Ao serem presos os oficiais do Faraó, o copeiro-chefe e o padeiro-chefe, eles ficaram sob sua supervisão. Certo dia José os viu entristecidos e pensativos e perguntou porque estavam perturbados. Ao saber que era por causa dos sonhos que tiveram, testemunhou sobre o poder e a suficiência de Deus para interpretá-los e colocou-se como agente de Deus para tornar conhecida à revelação deles. Quando os dois oficiais presos contaram seus sonhos, José, no poder de Deus, os interpretou.

Os versos 9 a 13 dizem:



9. Então, o copeiro-chefe contou o seu sonho a José e lhe disse: Em meu sonho havia uma videira perante mim.

10. E, na videira, três ramos; ao brotar a vide, havia flores, e seus cachos produziam uva maduras.

11. O copo de Faraó estava na minha mão; tomei as uvas, e as espremi no copo de Faraó, e o dei na própria mão de Faraó.

12. Então, lhe disse José: Esta é a sua interpretação: os três ramos são três dias;

13. dentro ainda de três dias, Faraó te reabilitará, e te reintegrará no teu cargo, e tu lhe darás o copo na própria mão dele, segundo o costume antigo, quando lhe eras copeiro.

Sabemos que a interpretação do sonho se cumpriu literalmente depois de três dias, quando o copeiro-chefe do rei do Egito saiu da prisão e voltou às suas atividades no palácio. Nos versos 14 e 15 José pediu que o copeiro-chefe intercedesse junto a Faraó em seu favor. Porém o seu pedido não foi atendido. O copeiro-chefe se esqueceu de José depois que alcançou a liberdade. Que ingratidão! E, certamente, para muitos de nós é difícil imaginar como José podia manter-se animado com tantos contratempos e infelicidades. Porém José continuava no rumo certo.

Na verdade, quando analisamos com maior profundidade, vemos que foi muito bom José ter sido esquecido pelo copeiro-chefe. O que parecia um fato lamentável, foi altamente importante e favorável a José. Imagine se ele tivesse sido libertado por intermédio do copeiro-chefe. Certamente teria voltado para a sua terra, para junto de seu pai em Canaã. Sairia da prisão e voltaria para casa, num ambiente onde alimentaria ainda mais o ódio dos irmãos.

Esse foi um esquecimento providencial! O copeiro esqueceu-se de José naquele momento, e só lembrou-se dele quando o próprio Faraó, o rei do Egito, estava em apuros com um sonho que havia tido, não encontrando ninguém que o interpretasse. Então, Faraó ordenou que o buscassem às pressas. José foi direto para o palácio. Que mudança brusca, que mudança abençoada. Da prisão diretamente para o palácio.

E lá, então, os acontecimentos foram maravilhosos. José interpretou o sonho e revelou os detalhes a Faraó. O rei ficou impressionadíssimo com José e o nomeou governador do Egito. Da prisão a governador do Egito. É possível entender, agora, que se José saísse da prisão por meio do copeiro-chefe nada disso teria acontecido.

O esquecimento do copeiro-chefe foi providencial. Deus permitiu que ele se esquecesse de José para que os seus sábios e soberanos planos pudessem ser realizados a contento. Mas voltando ao texto, cabe a pergunta: Por que o copeiro-chefe e o padeiro-chefe foram presos? O texto diz que eles desonraram o Faraó que ficou indignado com os dois.

Isso é o que vemos no texto, mas a explicação nas entrelinhas nos mostra que eles foram colocados exatamente naquela prisão, porque ali estava José e tudo o que viria a acontecer. Por que os dois foram parar ali? Na verdade, não temos clareza no texto a respeito da razão das prisões, mas felizmente lá eles encontraram José.

Apesar de estar preso, José preocupava-se com o bem-estar dos outros prisioneiros. Ele procurava ajudar no que podia. Se fosse outra pessoa, certamente, estaria preocupado apenas consigo mesmo, com a sua sorte, com a sua felicidade. Mas José queria ver todos felizes, mesmo numa prisão. Ele preocupou-se com o desânimo dos dois companheiros.

Depois de interpretar o sonho do copeiro-chefe, e não havendo ninguém que interpretasse o do padeiro-chefe, José dispôs-se a ouvi-lo. É importante dizermos que não estamos diante da história de um pretensioso, nem de um médium ou sensitivo. Não! O que vemos aqui é um homem de Deus que recebeu do Senhor sabedoria para interpretar sonhos. José não disse que podia interpretá-los, mas que a Deus pertencia a interpretação. Por isso dava toda glória a Deus.

E isso nos ensina que devemos dar glória a Deus em tudo. Muitos crentes não glorificam a Deus naquilo que estão fazendo. Esta é a razão porque não experimentam as bênçãos do Senhor no seu trabalho, na sua vida. Utilizam os recursos espirituais e os dons que o Senhor lhes deu para se autopromoverem. Esquecem de glorificar a Deus. E a Bíblia diz que Deus não divide a sua glória com ninguém.

Agora vejamos o sonho do padeiro-chefe, nos versos 16 a 19:

16. Vendo o padeiro-chefe que a interpretação era boa, disse a José: Eu também sonhei, e eis que três cestos de pão alvo me estavam sobre a cabeça;

17. e no cesto mais alto havia de todos os manjares de Faraó, arte de padeiro; e as aves os comiam do cesto na minha cabeça.

18. Então, lhe disse José: A interpretação é esta: os três cestos são três dias;

19. dentro ainda de três dias, Faraó te tirará fora a cabeça, e te pendurará num madeiro, e as aves te comeram as carnes.

A interpretação do sonho não era boa, mas Deus falou ao padeiro na linguagem que ele conhecia. A mensagem era de julgamento e José foi intérprete fiel, apesar de saber que ela não agradaria o oficial do rei. Era a verdade, e José não iria transmitir uma mensagem falsa. Não mentiria, pensando em agradar aquele pobre homem. A sentença do sonho era realmente dura, mas era o que ia acontecer. José foi fiel, literal e falou sem rodeios.

Mas antes de prosseguirmos, vale a pena perguntar: por que, nos tempos bíblicos, os servos de Deus tinham tantos sonhos e visões? Muito provavelmente a resposta é que enquanto o Cânon Sagrado não tinha sido ainda completado, Deus falava aos homens daqueles dias por meio de sonhos, visões e revelações audíveis. A experiência de sonhos aconteceu com Jacó e José, a de visões com Isaías e Ezequiel, e a de revelações e palavras audíveis com Moisés e Samuel.

Nos dias do Novo Testamento tais experiências também aconteceram com Paulo, Pedro e outros servos de Deus. E hoje? Deus ainda usa esses recursos? Sim, essas experiências ainda acontecem nos dias de hoje, mas não para revelar novas verdades, pois tudo aquilo que Deus queria que conhecêssemos Dele já está revelado na Bíblia. Hoje, essas experiências têm o objetivo de promover encorajamento, advertência e despertamento. Deus, ocasionalmente, ainda usa esses métodos para falar conosco. Não podemos nos esquecer que há uma profecia em Joel 2.28, dizendo que nos últimos dias os velhos terão sonhos e os jovens terão visões.

Temos que lembrar também que Deus usava símbolos relacionados com alguma coisa que o homem já conhecia para trazer a sua mensagem. A narrativa desse episódio é um exemplo dessa prática. Com o copeiro-chefe que já estava familiarizado com a vinha, com as uvas, com o vinho que servia ao rei do Egito, Deus usou a figura da videira e das uvas maduras. No caso do padeiro, usou a figura de cestos cheios de pão e de manjares, artes de padeiro. Deus sempre fala ao homem numa linguagem que lhe seja conhecida. José interpretou este sonho com poder e com a sabedoria de Deus. Embora fosse uma interpretação dura e triste para o padeiro, foi verdadeiro e lhe revelou o significado real do sonho.

Temos lições para aprender através desse relato tão antigo. Com a atitude de José, devemos aprender que todos que têm a missão de interpretar e proclamar a Palavra de Deus aos homens devem desempenhá-la com zelo e fidelidade.

É muito grande a tendência, em nossos dias, de não transmitirmos todo o conselho de Deus aos homens. Muitos intérpretes, muitos pregadores da Palavra de Deus, procuram mais agradar aos seus auditórios do que transmitir com fidelidade e honestidade a mensagem divina. A mensagem do evangelho é de paz, restauração, boas-novas, libertação e salvação, mas ao mesmo tempo é de arrependimento, mudança de vida, julgamento e condenação. A mensagem do evangelho é clara em revelar a existência do inferno. Cristo nunca deixou de falar sobre os dois aspectos do evangelho e os apóstolos também não. Eles nunca deixaram de proclamar a verdade sobre a salvação e a condenação. Quem crê está salvo. Quem, porém, não crê, está condenado, é a mensagem de Cristo. O evangelho exige renúncia do ego, carregar a cruz e seguir a Jesus.

Paulo disse em Romanos 11.22: Considerai, pois, a bondade e a severidade de Deus. Deus é amor, mas também é justiça. Assim como José foi fiel ao relatar as duas mensagens aos seus companheiros de prisão, de libertação e restauração para o copeiro-chefe e de condenação e perdição para o padeiro-chefe, nós temos que ser fiéis ao proclamar a mensagem divina do Evangelho. Temos que ser fiéis a Deus e não aos homens! Com amor, devemos proclamar a totalidade do evangelho de Jesus Cristo.

Mas o texto prossegue, e nos versos 20 a 22 temos o relato de que depois de três dias, no aniversário do Faraó, tudo aconteceu conforme José tinha dito. Deus lhe deu a interpretação e ele foi fiel em relatar exatamente a palavra divina. O copeiro-chefe voltou a seu trabalho e o padeiro-chefe foi enforcado.

No verso 23, lemos que o copeiro se esqueceu de José, e ele continuou injustamente na prisão. Mas lembre-se: muitas vezes a injustiça dos homens é um canal para Deus realizar obras maravilhosas em favor dos seus servos. Deus tinha uma maneira mais adequada para tirá-lo dali.

Deus iria promovê-lo da prisão para o trono, como governador de todo o Egito. É assim que Deus prepara seus servos para cumprir o seu plano gracioso para com o seu povo. Esta preparação não acontece numa escola, numa universidade. Deus prepara seus instrumentos através do sofrimento. Quando estamos sob a mão de Deus, não devemos nos preocupar. O Deus de José, o nosso Deus, está vivo. Ele é o Deus soberano.

José interpreta os sonhos de Faraó e torna-se governador do Egito

Gn 41.1-57

José ainda estava na prisão, depois de ter sido esquecido pelo copeiro-chefe do rei do Egito. Lá ele ficou sofrendo naturalmente a dor da injustiça e da ingratidão por dois anos. É horrível sofrer inocentemente. Apesar de José sempre se colocar acima de seus problemas, e prosperar no meio das adversidades, não quer dizer que fosse insensível a todas as injustiças e maltratos que sofreu. Ele sofria na carne e no espírito tudo isso, porque não era apático, indiferente e insensível.

Porém seu sofrimento não o transformou numa pessoa revoltada nem frustrada. Sofria tudo, sabendo que mais cedo ou mais tarde Deus faria justiça e cumpriria suas promessas. José sabia que a despeito de tudo aquilo Deus o estava guiando e dirigindo. No final, tudo daria certo. Eram os caminhos escolhidos por Deus para José palmilhar. Ele podia sofrer, mas nunca se desesperar. Assim era José.

Neste texto, encontramos mais alguns paralelos entre a vida de José e a vida de Jesus. José, através da sua atuação para ajudar os povos de diversas partes do mundo, provou o cuidado e o amor de Deus pelas nações. Ninguém melhor do que Jesus provou o amor de Deus por todos os homens, mostrando que o seu plano é para toda a humanidade. No caso de José, povos das diversas partes do mundo, afligidos pela seca, vieram comprar alimento. Se não tivessem vindo teriam morrido, a despeito de haver abundância no Egito. Só quem estivesse disposto a ir, crendo que lá obteria comida, poderia ser salvo daquela terrível fome que atingia todo o mundo conhecido. Jesus veio para salvar o mundo, mas isso não quer dizer que todos se salvarão. Só serão salvos aqueles que vierem pela fé. A salvação é uma decisão individual. Só Cristo pode salvar uma pessoa quando ela, pela fé, o aceita como salvador.

O quê é necessário enfatizar aqui é que em todos os altos e baixos da vida de José, Deus tinha um plano. Parece ser esta a verdade mais importante deste capítulo. Todos nós passamos por experiências bastante duras, mas nem sempre sabemos por que sofremos. Em muitas ocasiões ficamos perplexos diante de uma determinada adversidade, problema, injustiça, calúnia, perseguição ou necessidade.

Então, a vida de José é uma resposta para essas questões. Só depois é que entendemos o porquê das agonias de José. Deus o preparava para uma grande obra. Deus usa métodos e meios que nós não aceitamos, como as adversidades e os contratempos. José aprendeu a ser paciente e perseverante. José deveria aprender perseverança para cumprir com tão grande missão que Deus tinha para ele.

A Palavra de Deus diz em Romanos 5.3: E não somente isto, mas também nos gloriemos nas próprias tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança; e a perseverança, experiência; e a experiência, esperança. Então, a tribulação desempenha um papel muito importante na vida de um cristão que deseja a maturidade. Os problemas não vêm à nossa vida sem um propósito, sem uma finalidade superior. Quem vê José sendo desprezado, vendido como escravo pelos irmãos, caluniado pela mulher de Potifar, preso injustamente, esquecido pelo copeiro-chefe, só pode pensar que ele era alguém destituído de sorte, abandonado por Deus. Diante desses fatos, alguns podem entender que José era uma pessoa que nasceu com a sina do sofrimento e da humilhação. Mas tal interpretação é um grande erro, pois pelos caminhos da tribulação Deus estava forjando um grande homem para que fosse, através das mãos divinas, o salvador da grande nação do Egito e da família de José, assim como de todos os povos conhecidos de então.

Deus também tinha o plano de trazer Jacó e a sua família para a terra de Gósen, no Egito, tirando assim o seu povo escolhido da terra dos cananeus que era uma terra corrupta e abominável. Deus criou a grande nação de Israel no Egito, e isso começou no tempo de José. Foi, portanto, um homem providencial, preparado cuidadosamente por Deus para o desempenho de ações gigantescas.

Assim, não se desespere se as coisas não estão indo bem com você. Examine se o seu sofrimento não é devido a algum erro cometido, e se agora está colhendo, como Jacó, aquilo que semeou. Se for, peça perdão a Deus como fez Davi, rei de Israel. Se não se trata de nenhum erro, sofra a sua tribulação com paciência e até com alegria, porque quando encarada sob a perspectiva cristã, essas “leves e momentâneas” tribulações produzem virtudes maravilhosas.

Mas passemos ao texto para recolher dele outras lições importantes para nossas vidas. Do verso 1 a 8 encontramos o relato do sonho de Faraó. O grande rei do Egito sonhou que sete vacas magras e feias, na margem do rio Nilo, comiam sete vacas gordas e formosas que pastavam no carriçal, isto é, nas vegetações banhadas. Não foi um sonho, foi um pesadelo! Acordou e dormiu novamente. Sonhou mais uma vez e viu sete espigas mirradas, queimadas pelo vento oriental, chamado Siroco, vindo do deserto, devorando as sete espigas grandes e cheias. Mais um pesadelo. Mais um sonho indecifrável.

Ao acordar pela manhã, convocou todos os magos e sábios do Egito, contou-lhes os dois sonhos, mas não encontrou ninguém com capacidade para interpretá-los. Na verdade, esses homens que foram chamados eram adivinhos, feiticeiros e sacerdotes que se diziam possuidores de conhecimentos ocultos. Eles atuavam através dos poderes demoníacos e não conseguiram interpretar os sonhos do Faraó, demonstrando o limite das ações e do poder de Satanás. Diante do único Deus, o criador, não há poder, não há sabedoria que possa ser comparada com a Dele. O nosso Deus é soberano sobre tudo e sobre todos!

Nos versos 9 a 13 vemos que o copeiro-chefe, enfim, lembrou-se de José e, pedindo licença ao Faraó, contou-lhe o que tinha acontecido na prisão dois anos antes. Disse que quando estava preso junto com o padeiro-chefe, num mesmo dia sonharam sonhos diferentes que foram interpretados corretamente por um outro prisioneiro, um hebreu de nome José. O copeiro-chefe lembrou-se de José dois anos depois! Finalmente José estava sendo lembrado!

Nos versos 14 a 24 descobrimos que José foi rapidamente chamado, e liberto do cárcere, da masmorra. Ele estava com um aspecto sofrido. Embora estivesse com o seu ânimo firme, por confiar em Deus, o seu físico se ressentia dos maus tratos da prisão. Sua barba estava crescida, suas roupas estavam corroídas. Mesmo sendo um servo de Deus, o sofrimento fazia parte do plano divino de forjar em José um caráter provado e aprovado. Não se assuste, nem se desespere, se você passar por momentos semelhantes aos de José. Ser salvo, ser amigo de Deus, não nos isenta das tribulações e aflições.

José preparou-se adequadamente para estar na presença de Faraó. Ali ouviu o relato do drama do rei que tinha sonhado, mas ninguém havia conseguido interpretar seus sonhos. Os mais sábios e mais poderosos do Egito não tiveram capacidade para isso. José, cheio de coragem, disse ao Faraó que a capacidade de interpretar os sonhos não era dele, mas de Deus: Não está isso em mim; mas Deus dará resposta favorável a Faraó (v. 16).

José usou aquela oportunidade para engrandecer a Deus e ao seu poderoso nome! Que testemunho! Cheio de fé, disse a Faraó que Deus daria a interpretação correta, mesmo sem ter ouvido o relato dos sonhos! Precisamos ter essa plena confiança em Deus. Temos que ter fé para fazer afirmações como essas. Devemos avaliar a nossa vida para ver se teríamos essa mesma ousadia de José.

Faraó contou-lhe os sonhos detalhadamente. E a leitura do verso 25 nos dá a dimensão do poder de Deus e a confiança de José: Então, lhe respondeu José: O sonho de Faraó é apenas um; Deus manifestou a Faraó o que há de fazer. José tinha plena confiança em Deus. Ele disse a Faraó que, na verdade, o sonho fora dado por Deus, e somente Ele poderia interpretá-lo. E assim foi feito.

Nos versos 26 a 32, José interpretou o duplo sonho do Faraó, destacando mais uma vez o poderio e a grandeza do Senhor! Ele revelou que o Egito experimentaria sete anos de grande fartura, de grande abundância na plantação e na colheita de alimentos. Depois disso, viriam sete anos terríveis de fome e grande escassez que fariam todos se esquecerem dos sete anos de fartura. José disse também que Deus se apressava em realizar aquela grande obra.

Esse era José. Um homem de 30 anos que já passara pelo menos 10 anos na prisão sendo experimentado, provado e preparado por Deus. José sempre confiou em Deus, e mesmo diante da interpretação que antevia uma grande fome no Egito, foi ousado em dizer que Deus faria com que o sonho se concretizasse rapidamente!

Mas o surpreendente é que José, além de interpretar os sonhos, teve a ousadia de aconselhar o Faraó sobre o que deveria fazer. Nos versos 33 a 36, certamente orientado por Deus, com a sabedoria divina, José o aconselhou a colocar sobre o Egito um administrador, um homem sábio e responsável e, sob a supervisão dele, outros administradores para ajuntar durante os anos de fartura uma grande quantidade de alimentos para enfrentar os sete anos de escassez.

A reação foi imediata. O verso 37 nos diz que: O conselho foi agradável a Faraó e a todos os seus oficiais. Temos que comprovar a grandeza do nosso Deus! Tirou um servo seu da prisão, preso por um longo período, e o colocou diante de um homem poderoso, o rei do império mais grandioso da terra, o grande Egito, para com a sabedoria divina aconselhar o rei a como administrar o Egito. Esse é o nosso Deus! É assim que Ele age. Usa-nos para sua honra e glória!

No verso 38, diante desse conselho admirável, o Faraó novamente ficou perplexo: Disse Faraó aos seus oficiais: Acharíamos, porventura, homem como este, em quem há o Espírito de Deus?. Quem poderia executar um plano tão brilhante como aquele? O próprio Faraó chegou à conclusão de que somente alguém possuidor do Espírito de Deus poderia realizá-lo.

Nos versos 39 a 45, lemos que o Faraó reconheceu que ninguém teria melhores condições para concretizar aquele plano senão o próprio José. E assim foi feito. José foi aclamado governador do Egito, recebeu o anel de sinete, roupas de linho fino e ainda um colar de ouro, demonstrando que era alguém que tinha toda a autoridade sobre a terra do Egito. José ganhou também um nome egípcio: Zafenate-Panéia, que pode significar “Deus falou e ele vive” ou “Aquele que sabe, que revela coisas”. Ele também recebeu como esposa a Azenate, filha de um sacerdote de Om, uma terra que posteriormente seria chamada de Heliópolis, cidade do Sol, e ficava a uns 16 quilômetros da atual cidade do Cairo, capital do Egito.

O registro da idade de José, no verso 46, assinala uma história que começou quando ele tinha 17 anos (37.2), e seria completada 22 anos depois (45.6-7). Esse período de tempo é semelhante ao que Abraão e Israel aguardaram entre a promessa e o cumprimento. Durante esses períodos, Deus foi trabalhando com seus servos, transformando-os conforme o seu querer. É assim que Deus age! Graças a Deus por suas ações em nossas vidas! O Senhor nos quer cada vez mais semelhantes a Ele!

Depois de tudo isso, e diante de suas novas atribuições, os versos 47 a 49 nos dizem que José percorreu toda a terra do Egito e ajuntou muitíssimo cereal, preparando o Egito para os sete anos posteriores de grande escassez. O texto também narra o nascimento dos dois filhos de José: Manassés, que significa “Deus me fez esquecer de todos os trabalhos e de toda a casa de meu pai”, e Efraim, que significa “Deus me fez próspero na terra da minha aflição”.

Veja como José entendia a vida! Até no nome de seus filhos reconheceu a bondade, a misericórdia e o plano de Deus sobre ele. José nos desafia a olhar a vida sob a perspectiva divina.

O texto termina com os versos 53 a 57, nos relatando que depois de recolher todo o mantimento que foi produzido durante os sete anos de fartura, José administrou os sete anos de escassez. Abriu as portas dos celeiros, vendeu aos egípcios e a todos os moradores de outras terras o alimento necessário para a subsistência deles, porque a fome tinha atingido todo o mundo.

Quantas lições vimos neste texto! Que mudança de vida radical Deus proporcionou a José. E, todos nós que refletimos sobre essa vida, percebemos que isso aconteceu porque ele foi um homem de fé e confiou completamente em Deus. Que nossas vidas possam imitar a vida de fé de José!




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