Através da bíblia gênesis itamir Neves de Souza John Vernon McGee


Os irmãos de José vão ao Egito comprar alimentos



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Os irmãos de José vão ao Egito comprar alimentos

Gn 42.1-38

O capítulo 42 de Gênesis é um dos mais dramáticos da Bíblia. José reencontrou seus irmãos depois de muito tempo, quando eles chegaram ao Egito em busca de alimentos.

Nos versos 1 a 4, vemos que a fome atingiu a terra de Canaã, como aconteceu nos dias de Abraão (12.10), e chegou à casa de Israel, pai de José. Podemos agora compreender como os planos de Deus vão se delineando e se tornando cada vez mais claros. Israel, depois de confrontar seus filhos por causa da falta de atitude e passividade deles, mandou-os para o Egito para comprar mantimentos.

Os dez irmãos que venderam José como escravo foram enviados pelo pai ao Egito a fim de comprar comida, senão pereceriam de fome. Era uma situação tremendamente interessante. Aqueles dez rapazes, agora senhores, homens feitos, irmãos de José, deveriam ir até o Egito para comprar alimento, sem saber que teriam de negociar diretamente com José. É interessante percebermos como Deus age, quais são os seus métodos.

O texto do verso 4 destaca que Benjamim não foi com eles, porque Jacó temia que lhe acontecesse alguma coisa: Benjamim, porém, irmão de José, não enviou Jacó na companhia dos irmãos, porque dizia: Para que não lhe suceda, acaso, algum desastre. Será que Israel desconfiava de seus filhos? Tinha provas de que haviam feito mal a José? Não temos como responder a essas questões tendo como base o texto, mas podemos afirmar que, se aos olhos de Israel o crime que cometeram estava encoberto, certamente o caráter que possuíam era bem conhecido pelo pai. Que tristeza quando o próprio pai não confia e até suspeita dos filhos!

Os versos 6 a 8 nos relatam que ao chegarem no Egito, os irmãos de José se prostraram diante daquele que era autoridade máxima do lugar, sem saber de quem se tratava. Facilmente eles foram reconhecidos por José, embora não o reconhecessem. E por que não identificaram logo o irmão? Certamente por algumas razões:

     1.     Depois de passados tantos anos, eles pensavam que José estava morto.

     2.     Eles não estavam ali procurando José; estavam preocupados em comprar alimentos.

     3.     José estava com a barba feita e vestido com trajes egípcios. Para eles, o governador do Egito era um egípcio.

     4.     José deveria ter por volta de 40 anos e estava muito diferente. Eles tinham visto José pela última vez com 17 anos. Ele passou 13 anos entre a casa de Potifar e a prisão. Quando começou sua atividade como governador do Egito tinha 30 anos e naquele momento já havia terminado os sete anos de abundância. Certamente, depois que começaram os anos de seca, passaram-se mais dois ou três anos até que a família de Israel gastasse tudo o que tinha e descesse para comprar mantimento no Egito.

     5.     José falava com os irmãos através um intérprete (v. 23), e logo deixou claro que suspeitava de que eram espiões.

Diante da reverência feita a José, como autoridade egípcia, o texto dos versos 9 a 17 nos relata que José lembrou-se de seus sonhos. E não querendo ser reconhecido, tratou-os rispidamente. Certamente não por vingança, porque por trás daquela atitude exterior dura, havia um caloroso afeto fraternal, pronto a ser revelado. Mas ele sabia que ainda não era o momento certo.

José havia experimentado o bem e o mal, mas tinha certeza que Deus estava com ele. Era o governador do Egito, mas chegou àquela posição depois de percorrer um caminho muito acidentado na sua vida. Altos e baixos foram os aspectos que caracterizaram sua existência até ali. Ela só passou a ser estável quando ele se tornou uma espécie de primeiro ministro de Faraó, após ter interpretado os dois sonhos dele. Foi uma escalada dura e difícil que só pela providência divina pode ser concluída. Deus estava com José, e ele sabia disso!

Mesmo tendo José se casado com uma egípcia, Deus tinha um plano para a sua vida e ainda o abençoou com dois filhos, Manassés e Efraim. Desde aqueles dias não era costume dos judeus se casarem com moças de outras raças. Este princípio ficará claro depois do estabelecimento da Lei. Mas ele teve a bênção do Senhor que o usaria para a concretização de seu plano.

Muitas vezes Deus nos concede suas bênçãos para esquecermos os momentos ruins da vida. Não é que nunca mais nos lembraremos deles. Mas diante de uma nova vida, devemos esquecer as coisas velhas do passado. Para que sofrer de novo com a lembrança de coisas ruins que nos aconteceram? Há muita gente que revive sempre o seu passado ruim a ponto de abrigar na mente e no coração mágoas profundas, neuroses e frustrações. Paulo falou a respeito dessas lembranças em Filipenses 3. 13, 14: Uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus. É isso que todo cristão verdadeiro deve fazer. Devemos nos esquecer das coisas desagradáveis ou até das muito agradáveis que para trás ficaram, e prosseguir para o alvo, para o plano soberano de Deus para nossas vidas em Cristo Jesus.

Mas voltando ao texto, podemos concluir que José queria provar, queria testar os irmãos para ver se ainda eram maus, duros e violentos, ou se já tinham mudado. Era um teste muito necessário. José quis despertar reações e disse: Vós sois espiões e viestes para ver os pontos fracos da terra (v. 9). O que diriam ao senhor da terra diante daquelas colocações duras? Nos versos 10 a 17 temos o seguinte relato:



10. Responderam-lhe: Não, senhor meu; mas vieram os teus servos para comprar mantimento.

11. Somos todos filhos de um mesmo homem; somos homens honestos; os teus servos não são espiões.

12. Ele, porém, lhes respondeu: Nada disso; pelo contrário, viestes para ver os pontos fracos da terra.

13. Eles disseram: Nós, teus servos, somos doze irmãos, filhos de um homem na terra de Canaã; o mais novo está hoje com nosso pai, outro já não existe.

14. Então, lhes falou José: É como já vos disse, sois espiões.

15. Nisto sereis provados: pela vida de Faraó, daqui não saireis, sem que primeiro venha o vosso irmão mais novo.

16. Enviai um dentre vós, que traga vosso irmão; vós ficareis detidos para que sejam provadas as vossas palavras, se há verdade no que dizeis; ou se não, pela vida de Faraó, sois espiões.

17. E os meteu juntos em prisão três dias.

Este foi um momento dramático. Os irmãos de José o chamaram de senhor e se colocaram como seus servos. José, aquele que fora vendido como escravo, passou a ser o senhor deles. Estavam dependendo totalmente de José e tornando concreto o sonho de muitos anos atrás. Quando descreveram sua família, chegaram a falar que um já não existia mais, referindo-se ao irmão de 17 anos que fora vendido por eles mesmos como escravo.

Eles imaginavam que José estivesse morto, mas mal sabiam que ele era a pessoa com quem falavam. A divina providência, poderosa e sabiamente havia mudado o rumo dos acontecimentos. Diante daquele a quem queriam matar, agora estavam se prostrando. Ele, José, agora era o todo-poderoso do Egito.

Deus faz coisas assim. Pode transformar aparentes fracassos e derrotas em vitórias e triunfos. Mas, para isso, temos de ter a mesma fé que José teve. Ele saiu da cisterna e seguiu da prisão para o trono. Que possamos aprender com esta história a dependermos mais do nosso Deus, na certeza de que todas as coisas contribuem para o bem daqueles que o amam, que foram chamados segundo o seu propósito.

Primeiramente, José colocou os irmãos à prova, com os três dias de prisão, para conhecer-lhes o caráter. Tinha pedido que um deles voltasse para buscar Benjamim, o irmão mais novo, o caçula da família. Você pode imaginar o que aqueles homens conversaram durante aqueles dias na prisão? Qual era o sentimento deles? Como sairiam daquela situação? Com certeza estavam apavorados. Tinham que pedir ao pai para levarem Benjamim até o Egito. Sabiam que Israel não concordaria de modo algum, uma vez que não tinha deixado Benjamim viajar com eles.

Mas o verso 18 mostra a real atitude de José: Ao terceiro dia, disse-lhes José: Fazei o seguinte e vivereis, pois temo a Deus. Por não querer se vingar, e por temer a Deus, mudou a prova a que tinha submetido os irmãos. Sabendo que esse seria um golpe muito duro para o seu pai, já idoso, mudou o teste e reteve apenas Simeão. Ao invés de ficarem todos presos, apenas um ficaria como refém, enquanto os outros voltariam a Canaã e trariam o irmão mais novo.

Aqueles homens estavam com muito medo. Ficaram se lamentando e, certamente, culpando uns aos outros, mesmo na frente daquela autoridade egípcia. Estavam recebendo a justa paga pelo crime cometido contra José há muitos anos. Rúben, que queria salvar José naquela ocasião, colocou mais culpa ainda sobre todos. Eles nem suspeitavam que José entendia tudo o que falavam, pois se dirigia a eles em egípcio através de um intérprete.

Você pode imaginar o sentimento de José? Ao ouvir aquelas confissões, não se conteve. O verso 24 nos conta que ele saiu da presença deles e chorou, prevendo que seria possível uma futura reconciliação. José os amava ainda e queria ter comunhão com eles. Mas ainda não era o tempo de revelar-se.

Do verso 25 em diante, vemos José ordenando que enchessem de cereais as bagagens dos israelitas e colocassem o dinheiro de volta em cada um dos sacos de alimento. Durante a viagem de volta, quando pararam na estalagem e foram alimentar os animais de carga, perceberam que todo o dinheiro que tinham levado para comprar alimentos estava nos sacos. Ficaram mais apavorados ainda! Como isso tinha acontecido? O que Deus queria através daquela experiência?

O verso 28 nos aponta que, pela primeira vez, aqueles homens reconheceram que a mão de Deus estava no controle daquelas circunstâncias terríveis que agora os afligiam: Desfaleceu-lhes o coração, e, atemorizados, entreolhavam-se, dizendo: Que é isto que Deus nos fez?. Estavam quebrantados, sentiam-se culpados e sabiam que colhiam o que tinham semeado.

O verso 29 nos diz que relataram todo o ocorrido ao pai, Israel, e também narraram a exigência que o senhor da terra lhes tinha feito, sem ainda saber que se tratava de José. Diante desse relato, Israel reagiu e disse: Tendes-me privado de filhos: José já não existe, Simeão não está aqui, e ides levar a Benjamim! Todas estas coisas me sobrevêm (verso 36).

Você percebe a angústia do pai? Embora não fossem filhos exemplares, Israel amava cada um deles. Esse é o amor de um pai por seus filhos. É assim que amamos os nossos filhos? Ou será que nos dedicamos somente àqueles que nos são obedientes e nos alegram o coração? Será que temos o mesmo amor até quando não andam corretamente diante de nós e diante do Senhor? Vale a pena avaliarmos as nossas atitudes para com eles. O Salmo 127.3 nos diz: Herança do Senhor são os filhos; o fruto do ventre, seu galardão.

Rúben, no verso 37, propõe que seus dois filhos sejam mortos, se ele não trouxesse Simeão e Benjamim de volta da nova viagem ao Egito. Mas no último verso do texto, Israel se mantém firme e diz que não vai deixar que levem Benjamim: Meu filho não descerá convosco; seu irmão é morto, e ele ficou só; se lhe sucede algum desastre no caminho por onde fordes, fareis descer minhas cãs com tristeza à sepultura (v. 38).

Mesmo diante do compromisso de Rúben, Israel não aceitou aquela proposta absurda. Israel esbravejou e foi veemente! Não deixaria Benjamim partir numa viagem tão longa e tão arriscada como aquela. Ele temia que algo de mal pudesse acontecer ao filho caçula, assim como acontecera a José há mais do que vinte anos. Não! Benjamim não viajaria!

Todos esses acontecimentos faziam parte do plano soberano de Deus, pois Ele estava preparando a ida da família de Israel para o Egito e, a partir dela, formar a sua muito amada nação israelita. Temos que confiar no Senhor mesmo que as circunstâncias sejam difíceis. Temos que confiar na sua soberania!

Os irmãos de José voltam ao Egito e são hospedados por ele

Gn 43.1-34

Já vimos diversos episódios da vida de José e extraímos muitas lições preciosas, mas no texto do capítulo 43 temos uma das narrativas mais lindas da Palavra de Deus. Ele nos mostra um novo encontro entre José e os irmãos e, finalmente, o seu reencontro com Benjamim, o irmão mais novo. José sabia que Deus estava dirigindo sua vida soberanamente. Estava sendo usado por Ele para levar toda a família de Israel, seu pai, para o Egito, para que dali, num futuro distante, saíssem como uma nação, a nação israelita.

O que veremos nesses versos é mais uma vez a ação de Deus controlando todas as situações vividas por essa família eleita. O Deus dos patriarcas, através de José, se demonstra misericordioso (v. 14), provedor (v. 23) e gracioso (v. 29), trazendo paz e harmonia a essa família que herdaria a sua promessa e traria através de suas futuras gerações o salvador da humanidade.

Os versos 1 e 2 nos relatam a grave fome que atingiu Canaã de tal modo que nenhum alimento brotava para o sustento de Israel e sua grande família. Toda a provisão que tinham conseguido no Egito estava acabando, e se não tomassem providências imediatas passariam grande necessidade. Os filhos de Israel tinham que voltar ao Egito para adquirir mais alimento.

Mas ao planejarem a nova viagem ao Egito, os filhos de Israel se depararam com a exigência feita pelo governador, que lhes pedira que levassem Benjamim como prova de que falavam a verdade e como condição para libertar Simeão. Só que o pai foi veementemente contra.

Então, Israel chama novamente seus filhos e lhes ordena que desçam ao Egito para adquirir suprimentos. Mas diante da lembrança das exigências do governador do Egito, e diante da negativa de Israel ao compromisso proposto por Rúben, de que seus dois filhos poderiam ser mortos se ele não retornasse com Benjamim e Simeão, todos ficam diante de um impasse.

Israel tinha a sua frente uma situação complicada: estava diante da cruz e da espada! Mas não tinha outro jeito. Ou seus filhos voltavam para adquirir mais alimentos cumprindo as exigências do governador do Egito, ou morreriam de fome.

É… muitas vezes, Deus permite que as circunstâncias nos cerquem de todos os lados. Deus permite que aquilo que nos é mais precioso seja tirado da nossa mão, do nosso controle. Muitas vezes nos sentimos apertados de todos os lados. As circunstâncias muitas vezes são desfavoráveis.

Atente para essa experiência de Israel. Percorra os passos necessários e confie no cuidado e na soberania de Deus. Israel não via o futuro naquela ocasião. Tudo era muito difícil. Ele não sabia que aquela situação era parte do plano de Deus para levar toda a sua família para o Egito para que, através de José, fosse cuidada e amparada e depois se tornasse um grande povo. Nós sabemos de tudo isso, porque esse relato faz parte da história, já aconteceu. Mas quando estamos passando por ela, não conseguimos enxergar o futuro. O que podemos fazer é apenas confiar plenamente no Senhor!

E foi o que Israel fez. Nos versos 3 a 8 ele ouviu todos os argumentos dos filhos e, confiando em Deus, apoiou-se também nas garantias que Judá lhe deu: Envia o jovem comigo… Eu serei responsável por ele, da minha mão o requererás; se eu to não trouxer e não to puser à presença, serei culpado para contigo para sempre (v. 8, 9). Sim, temos que confiar no Senhor e continuar a nossa vida da melhor maneira possível! Nos versos 11 a 14, Israel, de modo prático, instruiu seus filhos. Para que o retorno ao Egito tivesse bom êxito deveriam levar:

     1.     Bons presentes para o governador do Egito: bálsamo, mel, arômatas, mirra, nozes de pistácia e amêndoas.

     2.     O dinheiro em dobro para comprar mais alimentos.

     3.     O dinheiro que lhes fora restituído na boca dos sacos, talvez por engano.

     4.     Benjamim, conforme a exigência do senhor da terra.

Jacó queria assegurar o sucesso da missão usando presentes e dádivas. Será que ele estava novamente lançando mão de um recurso ilícito? Estava agindo do mesmo modo que agiu quando foi se encontrar com seu irmão Esaú, depois de muito tempo sem se verem? Estava usando a prática tão vista em nossos dias de subornar alguém para que lhe seja favorável? Ou será que estava lançando mão de uma atitude recomendada pelo sábio Salomão, em Provérbios 21.14, que nos ensina que um presente dado sem ostentação desvia o furor de quem o recebe? Perceba que temos que saber como agir em situações como essas. O nosso modo de agir depende muito da motivação do nosso coração.

Mas não foi só dessa maneira que Israel finalizou suas recomendações. Depois de instruir seus filhos de modo prático, ele orou, colocando tudo nas mãos do Deus Todo-Poderoso, pedindo-lhe misericórdia: Deus Todo-Poderoso vos dê misericórdia perante o homem, para que vos restitua o vosso outro irmão e deixe vir Benjamim (v. 14). É assim que um crente deve se comportar. Deve fazer a sua parte, agir e não ficar parado queixando-se da vida e das circunstâncias. Agir com bom senso e entregar-se aos cuidados do Senhor! Que essa atitude de Israel possa nos estimular a sermos sábios e a confiarmos em Deus.

O texto prossegue, e o verso 15 nos diz que os filhos de Israel voltaram ao Egito, desta vez com Benjamim. Eram dez homens, orientados pelo pai e sob a bênção de Deus, buscando solução para sua família. Simeão estava como refém no Egito. Queriam retornar com ele. Precisavam comprar mais alimentos. Tinham de voltar a Canaã, para junto do pai e de suas famílias. Imagine a ansiedade que sobreveio sobre eles!

Mas como toda boa história sempre tem momentos altos, estamos aqui exatamente em um deles. Os versos 16 a 18 nos relatam a grande surpresa que tiveram os irmãos de José ao chegaram ao Egito. José viu que tinham trazido consigo a Benjamim, seu irmão mais novo, e deu ordens ao mordomo que lhes preparasse uma refeição especial, porque ao meio-dia almoçariam com ele.

Quando os dez filhos de Israel perceberam que tinham sido levados para a casa daquele senhor da terra, ficaram com medo. Pensaram que poderiam ser punidos por causa do dinheiro que tinha sido devolvido na primeira compra, quando retornaram a Canaã. Não era comum um grupo de estrangeiros que tinha vindo apenas para comprar alimentos ser levado à casa do mais alto oficial do Egito. Não imaginavam o que lhes aconteceria agora diante daquela grande autoridade. Temeram, pensando que seriam escravizados! Era uma situação difícil!

Os versos 19 a 25 relatam que diante da incerteza do que lhes aconteceria e do temor de serem feitos escravos, os filhos de Israel procuraram o mordomo de José, tentando conquistá-lo e sensibilizá-lo para que lhes fosse favorável. Contaram como o dinheiro que tinham trazido para comprar alimentos foi achado na boca de cada saco de mantimento e afirmaram que não eram ladrões nem desonestos. O mordomo, então, tranqüilizou o coração deles com palavras muito especiais: Ele disse: Paz seja convosco, não temais; o vosso Deus, e o Deus de vosso pai, vos deu tesouro nos sacos de cereal; o vosso dinheiro me chegou a mim (v. 23).

Aquela foi, de fato, uma palavra divina. Pronunciada por um mordomo egípcio, por um homem que não era da linhagem eleita, mas que foi providencial para tranqüilizar aqueles corações perturbados. Este egípcio certamente havia sido influenciado por José. Provavelmente tinha se tornado um homem temente a Deus, pois quando falou aos israelitas sobre o ocorrido, disse que o Deus de Jacó havia feito aquilo com eles. Temos que entender que esta foi uma palavra divina para estimular aqueles homens a crerem. Num certo sentido aquela mensagem, além de destacar a soberania divina, foi sobrenatural. Sim, porque na história de José temos muitos milagres. Em todos os detalhes de sua história vemos a mão de Deus operando.

Em João 20.19, temos uma saudação idêntica à do mordomo, “Paz seja convosco”, feita por outra pessoa. E todos nós sabemos que quem proferiu essa abençoada saudação foi Jesus, depois da ressurreição. Na primeira aparição coletiva aos discípulos que estavam temerosos e sem saber o lhes ia acontecer, Jesus lhes disse: “Paz seja convosco”.

Os filhos de Israel quase não acreditaram quando ouviram essa saudação! Que bênção. O nosso Deus não nos desampara! Mas, além disso, os filhos de Israel ficaram de olhos arregalados quando viram Simeão ser trazido vivo para junto deles. Ele estava são e salvo! Sim, quando Deus age, age por completo!

Os versos 24 e 25 contam que todos os onze filhos de Israel foram levados à casa de José e receberam água para lavarem os pés, para se prepararem para a refeição. Todos estavam sendo muito bem tratados. Diante da recepção surpreendente que tiveram, prepararam os presentes para que, no momento adequado, pudessem entregá-lo ao senhor da terra que tão bem lhes recebera.

A oração de Israel ao Deus Todo-Poderoso estava sendo respondida. Israel tinha pedido que Deus desse misericórdia para que Simeão lhes fosse restituído e deixassem Benjamim voltar. Dois terços da oração já estavam respondidos! Deus é assim! Ora, se Jacó podia contar com o Deus Todo-Poderoso, não havia nada a temer. Era só confiar firmemente Nele e tudo sairia bem.

E é assim em todas as adversidades que nos sobrevêm. Quando colocamos os nossos problemas nas mãos de Deus devemos ficar tranqüilos e confiantes. Ele é o Todo-Poderoso, e a fé num Deus assim só pode trazer-nos completa paz e segurança. Foi o que nos disse o apóstolo Paulo quando escreveu Efésios 3.20-21: Ora, aquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós, a ele seja a glória, na igreja em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre, Amém.

Neste ponto, ainda precisamos destacar o verso 26, onde é relatado que, ao entregarem os presentes a José, ainda sem saber que aquele senhor da terra era o irmão que fora vendido por eles, os onze filhos de Israel se ajoelharam, inclinando-se diante dele exatamente como José tinha sonhado tanto tempo atrás.

Creio que José, ao ver aquela cena, certamente se lembrou de seu sonho, mas se conteve mais uma vez e conversou com aqueles homens sobre outras coisas. Perguntou primeiro como estava passando o pai deles: Vosso pai, o ancião de quem me falastes, vai bem? Ainda vive? (v. 27). E, eles responderam: Vai bem o teu servo, nosso pai vive ainda; e abaixaram a cabeça, e prostraram-se (v. 28). Quis também saber se o mais jovem era Benjamim e, ao ter confirmação de que era seu irmão caçula, o abençoou, invocando o nome de Deus sobre ele.

Essa cena, onde José viu Benjamim face a face, é bastante comovente. Olhando para ele, José se lembrou das pessoas da sua casa. Quantas lembranças. Quanto tempo se passara. Tudo foi interrompido bruscamente. Lembrou-se melhor de seu pai e de sua mãe Raquel, já falecida. Certamente foi um momento de grande emoção.

A emoção era tanta que José não suportou mais. As lágrimas lhe vieram aos olhos e, para não ser visto, foi para um outro aposento e chorou. Chorou de emoção ao ver o seu querido irmão, filho de sua mãe; chorou por ter visto a cena de todos os irmãos se ajoelhando a seus pés, cumprindo o seu sonho; chorou de alegria ao saber que seu pai estava bem, embora já fosse avançado em idade; certamente chorou, também, porque viu mais uma vez como Deus tinha conduzido sua vida até aquele momento! Sim, quando meditamos no que Deus tem feito por nós, choramos de alegria diante de tanta bondade do Senhor!

E, depois disso, José ainda viu seus irmãos prostrarem-se repetidas vezes diante de si. Assim, vemos o cumprimento da palavra de Deus, quando disse que Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes (Tg 4.6). E também das palavras de Pedro: Cingi-vos todos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos, contudo, aos humildes concede a sua graça (1Pe 5.5). Deus confirma a sua palavra. Se abrirmos os olhos, veremos na experiência humana o cumprimento fiel de todas as palavras de Deus.

O texto termina dizendo que José, depois de se recobrar, depois de lavar o rosto, voltou para a sala de refeições, para junto de seus irmãos, ainda sem revelar a sua identidade. Os egípcios não participaram daquele almoço, porque não podiam, por questões religiosas, sentar-se e alimentar-se com os hebreus. José, ainda mantendo-se em segredo, fez a refeição numa mesa separada. Os filhos de Israel sentados ordenadamente comeram, beberam e se regalaram, mas a porção de Benjamim, o irmão caçula, foi cinco vezes maior que a dos outros irmãos.

Quando confiamos em Deus, acontece isso! Veja só! Na capital do maior império da época, no palácio real, estavam doze hebreus alimentando-se numa reunião familiar e festiva! A razão é que quando confiamos em Deus é exatamente isso que acontece!




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