Através da bíblia gênesis itamir Neves de Souza John Vernon McGee


A estratégia de José para reter Benjamim



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A estratégia de José para reter Benjamim

Gn 44.1-34

José chorou, comovido por tudo que estava vendo, sentindo, lembrando e sendo confirmado dentro da sua casa. Seus irmãos estavam reunidos. Quantas recordações. Quanta alegria contida. Quantas bênçãos do Senhor Deus. Como Deus dirigira a sua vida até aquele momento. Mas ainda não era a hora de revelar-se. O texto, nos versos 1 e 2, diz:



1. Deu José esta ordem ao mordomo de sua casa: Enche de mantimentos os sacos que estes homens trouxeram, quanto puderem levar, e põe o dinheiro de cada um na boca do saco de mantimento.

2. O meu copo de prata pô-lo-ás na boca do saco de mantimento do mais novo, com o dinheiro do seu cereal. E assim se fez segundo José dissera.

Como podemos ver, José estava submetendo seus irmãos a um teste de fidelidade familiar. Ele queria saber como os irmãos reagiriam diante das pressões e das dificuldades da vida.

O texto prossegue e, nos versos 3 a 6, José instruiu seu mordomo a alcançar a caravana dos israelitas e abordá-los com a seguinte questão: Por que pagastes mal por bem? Por que vocês roubaram o copo de prata do meu senhor? Imagine a surpresa dos hebreus diante de mais uma acusação como aquela. Por certo se entreolharam e ficaram perplexos, sem entender o que lhes falava o mordomo. Negaram qualquer má intenção e ainda confirmaram que tinham devolvido o primeiro valor que haviam trazido para a primeira compra de mantimentos, na viagem anterior.

Eles agiram assim, porque estavam certos de que não tinham cometido nenhum mal contra a autoridade egípcia. Seguros como estavam, afirmaram no verso 9: Aquele dos teus servos, com quem for achado, morra; e nós ainda seremos escravos do meu senhor. Ao que lhes respondeu o mordomo: Seja conforme as vossas palavras; àquele com que se achar será meu escravo, porém vós sereis inculpados (v. 10). Os versos 11 e 12 relatam que na busca que fizeram acharam não apenas o dinheiro da compra na boca dos sacos, mas também o copo de prata no saco de mantimentos que Benjamim levava.

O espírito deles era o melhor possível. Não eram ladrões. Tinham agido com honestidade. Prova disso é que trouxeram de volta o dinheiro que encontraram na primeira compra de mantimentos. Agora, do nada, aparece esse copo com o qual José fazia as suas adivinhações.

A situação dos irmãos de José era gravíssima. Eles estavam sendo testados novamente. Assim como fizeram a José muitos anos antes, poderiam fazer agora a Benjamim, diante da possibilidade de todos ficaram presos e serem tratados como escravos. Poderiam abandonar Benjamim à própria sorte e se livrarem da terrível perspectiva de se tornarem escravos de uma hora para outra.

No verso 9, quando o mordomo trocou o desafio deles pela oportunidade de ficarem livres à custa de Benjamim, surgiu na frente deles a oportunidade para uma nova traição. Mas por que José estava agindo assim? Qual era o seu objetivo? José tinha que descobrir como estava o coração deles. Queria saber se estavam unidos, lutando uns pelos outros, ou lutando uns contra os outros!

Mas voltemos um pouco ao verso 5: Qual era o significado desse copo? Um copo de adivinhações? José era um mero adivinhador? Certamente que não. A Bíblia diz que Deus lhe havia dado o dom de interpretação de sonhos. Quando se trata de uma mera adivinhação, tal poder é dado pelo próprio diabo. José tinha o Espírito de Deus e aquele dom maravilhoso.

Em nossos dias, muitos tentam adivinhar os acontecimentos futuros. Precisamos ter cuidado, porque o futuro a Deus pertence. Nós temos Cristo e a Bíblia, a completa revelação de Deus para o homem. Vivemos pela fé na Palavra de Deus. A Bíblia satisfaz plenamente a nossa fé. Os homens estão querendo, também, por quaisquer meios, ver os poderes sobrenaturais se manifestarem através de atos e feitos maravilhosos. Os crentes que estão procurando estas coisas, que dependem dessas revelações, não estão vivendo verdadeiramente pela fé. Viver pela fé é viver na plena certeza de que a Palavra de Deus é infalível e será realizada, será concretizada completamente!

Definindo o que é fé, a Bíblia diz em Hebreus 11.1: Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem. Devemos atentar muito para este conceito bíblico e verdadeiro, porque há muita gente que está procurando basear a fé em fenômenos espirituais que podem ser vistos. Pelo menos esta não é a fé cristã e evangélica. O próprio Senhor Jesus disse a Tomé: Bem-aventurados os que não viram e creram (Jo 20.29).

Muitos hoje deixam de ler a Bíblia, a revelação perfeita e completa de Deus, para buscar adivinhações ou tentar desvendar o futuro por meio de pêndulos, horóscopos, sonhos ou até copos com água. Era assim a prática das religiões pagãs dos dias de José. Tanto na Mesopotâmia como no Egito, as pessoas acreditavam que ao colocarem água em um copo, era possível prever o futuro. Elas interpretavam a figura que surgia após colocar algumas gotas de azeite sobre a água, ou ao deixar cair uma pequena pedra no fundo do copo. Isso era adivinhação.

E esse foi o conceito que o mordomo usou com os irmãos de José para justificar a presença do copo no saco de mantimentos de Benjamim. Por isso ele estava lá. Por isso descobrira o roubo.

E, assim, os irmãos de José não desconfiaram de nada e o verso 13 diz que a reação deles foi desesperadora. Rasgaram as suas vestes numa demonstração de profunda angústia, mas também de amor, lealdade e preocupação com Benjamim e com o seu pai Israel. Todos foram obrigados a voltar novamente à cidade. Nos versos 14 e 15, os israelitas estavam novamente diante de José, prostrados, pedindo misericórdia, mas recebendo também uma severa repreensão.

Então, novamente aqui, como já fizera diante de seu pai (43.8-10), quando se responsabilizou pela viagem de Benjamim até o Egito, Judá começa a assumir uma liderança muito clara diante de seus irmãos. A partir do verso 16, Judá faz a grande defesa de todos eles. Podemos perceber que a atitude daqueles homens tinha realmente mudado. Três aspectos podem ser destacados:

     1.     A reação de angústia, lealdade e amor para com Benjamim e Israel foi unânime.

     2.     A franqueza de Judá ao mostrar que não tinham como se justificar diante dos fatos demonstrou humilhação e um apelo à misericórdia.

     3.     A constância no oferecimento de todos se tornarem escravos, no verso 16, demonstrou uma unidade em assumir a responsabilidade, o que antigamente não existia naquela família.

Com certeza as experiências negativas estavam causando o efeito desejado. Aqueles homens estavam sendo transformados! Quando as mudanças em nossas vidas não ocorrem por bem, Deus usa recursos duros e situações complicadas para produzir o resultado necessário.

No verso 16 Judá tentou livrar Benjamim da morte, colocando todos os onze irmãos sob a penalidade da escravidão e, no verso 17, José fez uma última prova para ver como estava o egoísmo e a discriminação no meio deles. Ele disse: O homem em cuja mão foi achado o copo, esse será meu servo; vós, no entanto, subi em paz para vosso pai. Esse era o teste final. Eles poderiam ter aceitado a proposta e deixado Benjamim, o novo preferido de Israel, jogado à própria sorte. Mas verdadeiramente havia ocorrido alguma transformação.

Então, nos versos 18 a 34, encontramos na súplica de Judá para que fosse feito prisioneiro no lugar de Benjamim, uma das mais belas e comoventes petições descritas e narradas nos livros bíblicos. Quando Judá declarou que Deus tinha achado iniqüidade nele e nos seus irmãos, que trouxera à luz a culpa de todos, certamente estava confessando e reconhecendo, muito além do suposto roubo do copo. Judá estava confessando o crime que todos tinham cometido há muito tempo contra José.

Ele relatou, então, toda a história da família, do amor de Israel por Raquel e por seus dois filhos, José e Benjamim. Esclareceu que a alma de Israel estava ligada a de Benjamim, o único filho que sobrara de Raquel. Também disse que Israel, já avançado em idade, poderia até morrer de tristeza se todos voltassem sem Benjamim. Judá apresentou uma argumentação, uma petição detalhada e verdadeira dos fatos. Mas não era apenas uma petição emocional para despertar uma compaixão sentimental. Foi um pedido consciente e ousado, mas ao mesmo tempo bastante humilde!

O mais notável é que Judá, nos versos 33 e 34, se colocou à disposição para sofrer vicariamente em favor de todos eles. Provavelmente, esta disposição de Judá de substituir a todos, de sofrer no lugar de todos, era uma maneira de compensar para si mesmo, para sua própria consciência, a frágil e errônea participação que tivera no episódio da venda de José aos ismaelitas (37.26, 27). Mas de qualquer maneira, era uma atitude de quem reconhecia os erros anteriores e deseja agir de um modo completamente diferente.

Um paralelo pode ser feito entre essa atitude de Judá e a oração que Moisés fez, muito tempo depois, em Êxodo 32.9 a 14, em favor do povo de Israel que havia pecado. Tanto no primeiro quanto no segundo caso, a disponibilidade de sofrer a conseqüência no lugar dos outros era um prenúncio da grande substituição que Jesus faria em nosso favor, carregando sobre si os nossos pecados e as nossas iniqüidades! Sim, o amor sacrificial de Judá prefigurava a expiação vicária de Cristo, descendente de Judá que, através do seu sofrimento espontâneo, reconciliou o homem com Deus.

Diante dessas atitudes perdoadoras e pacificadoras, resta-nos perguntar se nós mesmos temos sido altruístas para com nossos cônjuges, nossos filhos, nossos irmãos da igreja e nossos amigos. Devemos estar dispostos a pagar o preço para salvar outros, assim como fez o “bom samaritano”. Devemos nos dispor a colocar em ação esse amor desinteressado ao próximo, na força do Senhor.



José se deixa conhecer por seus irmãos

Gn 45.1-28

Quando Judá proferiu as palavras de Gênesis 44.33, Agora, pois, fique teu servo em lugar do moço por servo de meu senhor, e o moço que suba com os seus irmãos, estava se colocando no lugar de Benjamim, que fora considerado culpado. E, como mencionamos, mesmo sem saber, estava sendo usado por Deus para nos indicar a pessoa de Jesus Cristo, que tomou na cruz o lugar do pecador.

É assim que Deus fez e faz. Por toda a história da humanidade indicou que traria para nós uma grande salvação, totalmente provida por Ele mesmo. Por isso dizemos que o ponto culminante do evangelho se dá quando Cristo substituiu o pecador. Deus provou o seu amor para conosco, sendo nós ainda pecadores, escreveu o apóstolo Paulo aos Romanos (Rm 5.8). E disse ainda mais, em 2Coríntios 5. 21: Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus.

Judá, com a atitude de tentar ser o substituto do irmão, tornou-se um tipo de Cristo, e é muito significativo o fato de Jesus ter vindo ao mundo justamente através da descendência da sua tribo. A história da substituição que Cristo proporciona é a história da redenção. Séculos antes de sua vinda os profetas apresentavam com bastante clareza este plano salvador de Deus, conforme lemos em Isaías 53.4-6: Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; … mas o Senhor fez cair sobre Ele a iniqüidade de nós todos.

Assim, desde o Antigo Testamento, temos exposto a toda humanidade o evangelho redentor! Cristo, quando esteve entre nós, anunciou claramente este plano salvador de Deus. Os apóstolos o pregaram. A igreja o proclamou e foi desafiada a proclamar essa mesma mensagem de salvação, a mensagem do evangelho!

No capítulo 45 vemos José revelando sua identidade aos irmãos. Nesta narrativa de perdão e reconciliação, ele nos apresentou um modelo de submissão ao plano eterno e misericordioso de Deus. Mostrou que todo o mal praticado pelos seus irmãos contra ele, na verdade, era parte do plano secreto de Deus, elaborado com o objetivo de salvar não somente a ele, mas também a seu pai, a toda a sua descendência e até mesmo aos irmãos que o tinham vendido como escravo.

Podemos agir dessa mesma maneira, mas para isso é necessário ter fé suficiente para crermos que mesmo os males fazem parte do plano misericordioso de Deus para nós e para aqueles que convivem conosco. Temos que aprender a desenvolver a mesma atitude tranqüila, paciente e perseverante de José. Quando somos submetidos às provas mais difíceis, precisamos reconhecer a soberania divina sobre as nossas vidas. Esses são grandes desafios da Palavra para cada um de nós!

O verso 1 diz: Então, José, não se podendo conter diante de todos os que estavam com ele, bradou: Fazei sair a todos da minha presença! E ninguém ficou com ele, quando José se deu a conhecer a seus irmãos. José mandou que todos os egípcios saíssem. Ninguém podia ficar ali. Aquela era uma reunião familiar, se bem que seus irmãos ainda não sabiam. José quase não se continha mais! Ele ia revelar-se aos irmãos. Todos os estranhos saíram. Os filhos de Israel ficaram sozinhos. Era um momento especial!



E levantou a voz em choro, de maneira que os egípcios o ouviam e também a casa de Faraó, diz o verso 2. José não conseguiu controlar mais as suas emoções. Realmente havia muitos motivos para emocionar-se daquela maneira. Todo o processo para chegar até ali era demais para uma pessoa suportar. José tinha sido considerado morto pelos irmãos. Não tinha esperança de ver novamente a sua família. Mas agora estavam todos reunidos, e José esperava encontrar-se brevemente com o seu pai.

Tudo isso mexeu profundamente com o íntimo de José que vinha retendo as emoções durante dias, e talvez alguns meses, desde a primeira viagem de seus irmãos ao Egito. E nesse momento, com a presença de Benjamim, ficou ainda mais difícil esconder sua identidade. Fez tudo para se controlar, mas finalmente levantou a voz e chorou. Chorou a ponto de muitos ouvirem seu pranto do lado de fora, e até no palácio de Faraó.

No verso 3, José recobrou o controle e finalmente disse a seus irmãos: Eu sou José. Que declaração! Que surpresa! Ninguém naquela sala esperava ouvir aquilo. Nenhum dos onze filhos de Israel acreditou no que ouvia. Nenhum deles poderia supor que ouviria dos lábios daquele senhor da terra do Egito uma declaração como aquela. E José continuou, ainda no verso 3: Vive ainda meu pai? E seus irmãos não lhe puderam responder, porque ficaram atemorizados perante ele.

Realmente seus irmãos ficaram tomados de grande medo. Eles estavam diante de José, o irmão a quem tinham vendido décadas atrás como escravo para o Egito. Só que ele não era mais um escravo, mas o governador do Egito. Tornara-se tão importante e poderoso quanto o próprio Faraó. Esses homens tinham razão para temer. Aquele rapazinho de 17 anos que tinha sido vendido injustamente como escravo agora era o senhor do Egito. Era poderoso, e todos eles estavam em suas mãos. É possível imaginar que sentimento os dominava? Eles temeram muito.

Mas tinham mesmo razão para ter medo? Em parte sim, diante da gravidade do pecado que haviam cometido contra José. Mas em parte não, porque José sempre foi um homem de Deus. Ele não tinha nenhum sentimento de vingança. Não era este o seu espírito. Seu coração era grande demais e não alimentava ódio nem ressentimento. Estava pronto para perdoar. No seu coração estava o próprio Espírito de Deus.

José verdadeiramente sabia que a sua vida estava no controle de Deus. As suas palavras, nos versos 4-9, mostram essa convicção:



4. Disse José a seus irmãos: Agora, chegai-vos a mim. E chegaram-se. Então, disse: Eu sou José, vosso irmão, a quem vendestes para o Egito.

5. Agora, pois, não vos entristeçais, nem vos irriteis contra vós mesmos por me haverdes vendido para aqui; porque, para a conservação da vida, Deus me enviou adiante de vós.

6. Porque já houve dois anos de fome na terra, e ainda restam cinco anos em que não haverá lavoura, nem colheita.

7. Deus me enviou adiante de vós, para conservar vossa sucessão na terra e para vos preservar a vida por um grande livramento.

8. Assim, não fostes vós quem me enviastes para cá, e sim Deus, que me pôs por pai de Faraó, e senhor de toda a sua casa, e como governador em toda a terra do Egito.

9. Apressai-vos, subi a meu pai e dizei-lhe: Assim manda dizer teu filho José: Deus me pôs por senhor em toda terra do Egito; desce a mim, não te demores.

Vemos aqui o tamanho da fé de José. Por isso podemos afirmar que ele era um homem de fé. E podemos fazer essa afirmação, porque encontramos José, em Hebreus 11. 21, 22, no capítulo dos heróis da fé.

E com a repetida afirmação de que “Deus me enviou” (v. 5, 7, 8), e “Deus me pôs” (v. 9), José nos fornece o centro teológico da sua história. Deus supervisiona e controla toda ação humana para atingir e fazer cumprir os seus bons e misericordiosos propósitos eternos! Sim, nesses versos, através das palavras de José, encontramos de modo inquestionável a declaração da soberania de Deus.

Ali estava José, alegre e confiante diante de seus irmãos. Ali estavam seus irmãos, apavorados e temerosos diante dele. Mas José começou a explicar-lhes como enxergar a vida sob o prisma divino. Mostrou sua total confiança no Senhor e disse que os acontecimentos do passado, que culminaram com sua venda como escravo para o Egito, não deveriam ser interpretados superficialmente. José era realmente um homem temente ao Senhor, era um crente que cria na existência de um Deus pessoal que esteve presente em todos os acontecimentos da sua vida.

Portanto, quem crê num Deus assim deve interpretar corretamente os fatos que lhe acontecem. Para o homem descrente, para o homem incrédulo, um evento qualquer, no lar ou no trabalho, representa uma tragédia. Mas o verdadeiro crente não enxerga dessa maneira. Um acontecimento desagradável pode ser o caminho providencial de Deus para alcançarmos as alturas. Não importa o que seja, tudo coopera, tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que foram chamados segundo o seu propósito (Rm 8.28).

José garantiu aos seus irmãos que não havia motivo para ficarem atemorizados, porque o que eles fizeram no passado havia sido usado por Deus como instrumento de salvação para o Egito, para muitas nações e, principalmente, para sua própria família. Serviu também para preservar a descendência de Abraão, Isaque e Jacó, seu pais, fato que era verdadeiramente importante, porque o cumprimento das promessas de Deus dependia da continuidade daquela sucessão.

Precisamos dessa percepção para encarar a história da nossa vida. José tinha convicção de que era um instrumento usado por Deus para possibilitar e preservar a descendência eleita, a tal ponto que chegou a afirmar: Assim, não fostes vós quem me enviastes para cá, e sim Deus… (v. 8). Temos que conseguir ver a ação do Senhor nos acontecimentos da nossa vida É a sabedoria máxima que podemos ter neste mundo. Se você não consegue ver Deus agindo no seu viver, ore e peça ao Senhor que lhe mostre a vida sob sua divina perspectiva.

Voltando ao texto, nos versos 10 a 13, José deu as últimas orientações e garantias aos irmãos de que teriam total sustento na terra do Egito, para que tentassem sensibilizar Israel. Ele tinha a intenção de que seu velho pai deixasse Canaã e viesse com todos os seus bens e toda a sua família para o Egito.

Os versos 14 e 15 nos mostram o momento emocionado de despedida, feito com muita alegria, com os corações aliviados e com a certeza de que Deus estava no controle. José chorou quando abraçou Benjamim, que também chorou. José beijou a todos os irmãos e chorou sobre eles. Aquele era um momento muito especial. Mais de 20 anos tinham se passado desde a sua ida para o Egito, e José era agora um homem de aproximadamente 40 anos.

Seus irmãos tinham a missão de convencer o pai a descer ao Egito. Canaã não oferecia no momento condições para a família de Israel tornar-se uma grande nação que servisse aos propósitos divinos. No momento, a gravíssima seca, a fome e também a grande idolatria, desqualificavam Canaã como a terra para a família de Israel se multiplicar. Mas a terra de Gósen, no Egito, oferecia as melhores oportunidades para que os planos de Deus fossem alcançados.

Nos versos 16 a 20 vemos revelado o grande interesse do próprio Faraó pela vinda de Jacó ao Egito. O rei pediu que José confirmasse o convite a Jacó e a toda a sua família, pois lhes daria o melhor da terra do Egito para morar. Ele ofereceu tudo o que fosse necessário para a mudança, inclusive carros para transportar tanto a Jacó, que era idoso, quanto a seus pequenos netos e suas mães.

As portas estavam realmente abertas e preparadas para receber toda a família, pois o apoio do rei do Egito era total. A mão do Senhor estava operando em tudo isso. Deus usa os reis e os poderosos na concretização da sua vontade. Todos estão em Suas mãos: os povos, as nações, as potências. E Deus, o Senhor da terra, move os homens e as circunstâncias para a concretização de seus planos eternos.

Mas voltemos nossa atenção agora para os versos 21 a 24. O texto continua mostrando o que os irmãos de José ganharam. Além das provisões para o caminho, cada um recebeu vestes festivais. Porém Benjamim ganhou 300 moedas de prata e cinco vestes festivais. O texto diz que José enviou para seu pai dez jumentos carregados do melhor do Egito e mais dez carregados de provisão para o caminho.

Como vemos, esse foi um grande carregamento para Canaã que se encontrava grandemente empobrecida pela seca. Se não fosse aquela provisão divina, se não fosse José, toda a família morreria de fome. Mas vemos que havia abundância no Egito para resistir à seca, pois restavam ainda cinco anos de escassez. Com dois anos de fome, o povo de Canaã já enfrentava riscos muito grandes. Se tivesse pela frente mais cinco, a descendência eleita não mais existiria a não ser que Deus interviesse milagrosamente de uma outra maneira.

Depois de tudo isso, José se despediu dos seus irmãos, não sem antes recomendar que não contendessem pelo caminho. Ele sabia que diante de todas aquelas revelações provavelmente ficariam discutindo entre si, preocupando-se mais em culpar um ao outro do que em agradecer a Deus pela salvação concedida até agora.

O texto prossegue, e nos versos finais, 25 a 28, vemos que Israel quase morreu ao ouvir a maravilhosa notícia de que José ainda estava vivo e era governador do Egito. Você pode imaginar que alegria ele sentiu ao saber de todas essas novidades? A felicidade foi tão grande que quase desfaleceu. Sim, Deus mais uma vez mostrou a Jacó a sua fidelidade!

Depois que ele viu os carros que José enviara para levá-lo ao Egito, reviveu-lhe o espírito, e Israel disse no verso 28: Basta, ainda vive o meu filho José; irei e o verei antes que eu morra.

Jacó (Israel), e família descem para o Egito

Gn 46.1-34

A possibilidade de transferir-se para o Egito foi realmente uma surpresa para Jacó. De repente, sem esperar, recebeu um maravilhoso convite do governador e do Faraó para que fosse morar na melhor área da região. Recebeu também as melhores condições para que a viagem fosse tranqüila e segura.

Quando Jacó descobriu que seu amado filho José estava vivo, e era uma pessoa tão influente, se dispôs imediatamente a viajar, mas certamente para uma breve visita apenas. Iria passar um tempo no Egito matando a saudade de José. Israel imaginava que retornaria logo depois, porque Deus lhe havia dito anteriormente que deveria ir para Betel. Ele queria ficar em Betel para sempre. Estava disposto a ir para o Egito apenas por uma temporada, até que a fome não mais assolasse Canaã.

Por que era difícil para Jacó pensar em passar o resto de sua vida no Egito? Sabemos a razão desse temor. Devemos nos lembrar. Não tinha sido do agrado de Deus que Abraão fosse para o Egito. E, quando ele foi, sofreu o castigo divino. Também não foi da vontade de Deus que Isaque seguisse para o Egito. E, agora, Jacó temia fazer o mesmo.

Assim, para descer para o Egito com objetivo de se estabelecer lá, ele precisava não somente de um convite do próprio Faraó ou de seu querido José. Os convites que recebera não o impressionavam nem eram suficientes. Israel precisava saber, antes de tudo, qual era a vontade de Deus.

Quão sábio foi Jacó neste momento. E quanto devemos imitá-lo nessa busca pela vontade de Deus! Às vezes entendemos que um oferecimento amplo, uma porta que se abre facilmente para nós, é suficiente para entrarmos por ela sem consultarmos a Deus. As facilidades, os oferecimentos, as vantagens aparentes nos influenciam muito, e é justamente nesse ponto que muitas vezes erramos ao tomar decisões.

Nem sempre a vontade Deus para a nossa vida se expressa por uma porta aberta, ou por meio de vantagens materiais. Bem, a verdade é que Jacó não se deu por vencido apenas pelos presentes que lhe vieram do Egito, nem ficou admirado pelos carros que José e o Faraó haviam enviado para transportá-los. Israel estava temeroso. É isso mesmo. Mesmo com todas aquelas facilidades, ele temia. Não queria fazer nada errado.

Como podemos ter certeza de que era esse o seu sentimento? Pelo que está escrito no verso 3, quando Deus falou com ele através de visões: Então disse: Eu sou Deus, o Deus de teu pai; não temas descer para o Egito. Porque lá eu farei de ti uma grande nação. O primeiro destaque do texto deve ser feito na expressão “não temas descer para o Egito”. Embora tenha recebido com grande alegria a notícia de que José estava vivo, e tomado todas as providências para a viagem, ele queria e necessitava de um aval do Senhor!

Observe o que Jacó fez. Ele foi até Berseba e ali ofereceu sacrifícios a Deus, ao Deus de seu pai Isaque (v. 1). Vemos aqui de um modo claro o desenvolvimento espiritual de Jacó. Certamente você se lembra que, no capítulo 31, quando Jacó saiu de casa para Harã, da terra da família de seu sogro Labão, os seus interesses eram materiais. Não buscara a Deus de modo apropriado. Quando deixou a casa de seus pais fugindo de Esaú, e desceu para Harã, também não buscou a Deus.

Mas alguém pode dizer: Não foi em Betel que Jacó teve a visão da escada que alcançava o céu e chegou a dizer que ali era a casa de Deus? Sim, é verdade. Mas ali Jacó não buscou a Deus. Foi Deus quem se revelou a ele. É diferente. Mas como estamos vendo neste capítulo, Jacó mudou muito. Ele agora era Israel. Ele buscou a Deus. Ofereceu sacrifícios e Deus lhe falou claramente, dizendo que podia descer para o Egito, porque exatamente ali formaria através de sua família uma grande nação.

A Bíblia se torna clara e perfeitamente compreensível por meio dela mesma. Agora é possível entender melhor porque Deus permitiu que José fosse vendido para o Egito como escravo, e lá criasse condições de mandar buscar toda a família de seu pai.




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