Através da bíblia gênesis itamir Neves de Souza John Vernon McGee


Eu descerei contigo para o Egito e te farei tornar a subir, certamente. A mão de José fechará os teus olhos



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Eu descerei contigo para o Egito e te farei tornar a subir, certamente. A mão de José fechará os teus olhos, são as palavras do verso 4, que completam o verso 3. Assim, o povo de Israel não surgiu no cenário das nações por acaso, ou sem um grande propósito divino. Foi Deus que o formou. Desde o chamado de Abraão até a saída do Egito, no êxodo, Deus estava preparando a nação de Israel. E ainda a tem acompanhado através dos séculos.

Deus garantiu a Israel que, descendo ao Egito, não estaria sozinho. Ele estava bem acompanhado. Deus estava com ele. Era o mesmo Deus de Abraão, de Isaque e o que havia se encontrado com ele em Betel pela primeira vez. O plano divino de formar uma grande nação estava se consolidando. Deus estava dando andamento ao seu plano salvador.

Não devemos temer qualquer situação quando Deus promete estar conosco. Jacó não deveria temer. A sua submissão foi demonstrada e foi correspondida claramente por Deus. Desça para o Egito, Deus mandou. Isso fazia parte do seu plano. Mas talvez alguns possam perguntar: e Deus formou mesmo uma grande nação por meio da família de Israel? Para responder a esta pergunta, basta lermos Êxodo 1.7: Mas os filhos de Israel foram fecundos, e aumentaram muito, e se multiplicaram, e grandemente se fortaleceram, de maneira que a terra se encheu deles. Claro que o plano de Deus se cumpriu fielmente. Mesmo que aparentemente demore, Deus nunca falha.

Depois que Jacó voltou a Betel por ordem de Deus, lá se estabeleceu e, agora, o vemos com a fé madura, sendo dirigido por Deus na caminhada para o Egito. Nos versos 5 a 7 lemos:



5. Então, se levantou Jacó de Berseba; e os filhos de Israel levaram Jacó, seu pai, e seus filhinhos, e as suas mulheres nos carros que Faraó enviara para o levar.

6. Tomaram o seu gado e os bens que haviam adquirido na terra de Canaã e vieram para o Egito, Jacó e toda a sua descendência.

7. Seus filhos e os filhos de seus filhos, suas filhas e as filhas de seus filhos e toda a sua descendência, levou-os consigo para o Egito.

De fato, pelo que vemos aqui, Jacó preparou-se mesmo para ficar no Egito, também, porque não era possível continuar em Canaã, visto que a seca ainda se prolongaria por mais cinco anos. Já que o Egito o estava chamando por meio do seu filho José e do Faraó, e tendo consultado a Deus, Jacó sentiu-se em paz para partir.

O texto prossegue, e nos versos 8 a 27 encontramos mais uma longa genealogia dos filhos de Jacó. Por ser de grande importância, vamos destacar alguns pontos marcantes:

     1.     As quatro mulheres com quem Jacó teve filhos foram: suas duas esposas, Lia e Raquel, e as suas servas, Zilpa e Bila.

     2.     Os nomes dos doze filhos homens de Jacó.

     3.     O nome de Diná, provavelmente a única filha mulher de Jacó.

     4.     O total de pessoas da família de Israel que foi para o Egito. O verso 26 diz que foram 66 pessoas. O verso 27 fala em 70 pessoas, assim como Êxodo 1.5.

     5.     A aparente discordância entre esses números com Atos 7.14, onde Estevão menciona 75 pessoas. Afinal, qual é o número correto? Na verdade, os três números estão certos. Foram 66 pessoas, mas quando contamos o próprio Jacó, José e seus dois filhos, chegamos a um total de 70. Mas pode ser mesmo 75, se acrescentarmos os cinco descendentes de José, através de seus filhos Manassés e Efraim.

Você percebe como Deus é grandioso? De Abraão, passando por Isaque e Jacó, chegamos a José. E, através de José, 75 homens israelitas começavam uma nova vida no Egito, sem contar suas mulheres e crianças. Deus demorou para cumprir a promessa feita a Abraão? Através de olhos humanos podemos dizer que sim. E demoraria ainda mais 400 anos para transformar essa família em uma grande nação. Mas quando olhamos sob o prisma de Deus, vemos que no tempo certo fez cumprir o seu plano de libertar o povo do Egito para lhe dar Canaã, a terra prometida.

Mas voltemos aos personagens Jacó e José. Lemos no verso 28 que Jacó enviou Judá adiante de si a José para que soubesse encaminhá-lo a Gósen; e chegaram à terra de Gósen. Você percebe que mais uma vez Judá destaca-se de seus irmãos? Embora Rúben fosse o mais velho, Judá assumiu a liderança entre eles. Jacó era bem organizado e previdente, e enviou de antemão Judá para avisar sobre a chegada deles e para que José pudesse orientá-los no caminho para Gósen.

E, no verso 29, vemos o encontro maravilhoso de Jacó com José. Depois de um longo tempo, depois de mais de 20 anos, pai e filho se reencontraram, abraçaram-se e choraram demoradamente. Quanta saudade! Muitos pensamentos voltaram na mente dos dois durante aquele abraço apertado e aquele choro incontido. Ali estava um filho poderoso, senhor do Egito, chorando e abraçando com profundo carinho e respeito o seu velho pai, um homem rude, criador de gado.

Muitos jovens de hoje consideram-se importantes demais a ponto de acharem que seus pais estão velhos e superados. Filhos, lembrem-se de sempre respeitar, honrar e reverenciar seus pais! Felizmente nem todos são assim. A Bíblia diz que o filho deve obedecer e honrar os pais para que a sua vida se prolongue. É uma promessa maravilhosa que tem se cumprido na vida de todos aqueles que amam e honram os pais em obediência à Palavra de Deus. É o grande mandamento com promessa.

Quando o choro passou, quando todos recobraram o fôlego, Israel disse a José: Já posso morrer, pois já vi o teu rosto, e ainda vives (v. 30). Jacó suportou bem a viagem de Canaã até o Egito, mas a sua idade já era bem avançada. As suas emoções foram tocadas profundamente quando se encontrou com José, seu filho querido. Não havia nenhuma dúvida de que era mesmo seu amado filho. Parecia um milagre. José era para ele como uma pessoa ressuscitada, porque durante muitos anos tinha sido considerado como morto.

Deus foi extremamente bondoso para com os dois. Pai e filho estavam diante de um milagre divino. Os dois, que não pensavam mais em se ver, se reencontravam sob a direção da poderosa mão de Deus. Certamente, vale a pena confiar em Deus! Este é o desafio! Quando confiamos plenamente em Deus, quando nos agradamos do Senhor, Ele satisfaz o desejo do nosso coração: Agrada-te do Senhor, e ele satisfará os desejos do teu coração (Sl 37.4).

Nos versos 31 a 34, concluindo o capítulo, vemos que José orientou seus irmãos, dizendo-lhes como faria a apresentação deles a Faraó. Explicou-lhes que deveriam confirmar que eram pastores de gado, por cinco razões:

     1.     Para que habitassem na terra de Gósen, uma região fértil com boas pastagens para o gado.

     2.     Para que habitassem na terra que José e o próprio Faraó consideravam a melhor da terra do Egito (45.18-20; 47.5, 6).

     3.     Para que a família, acostumada com a vida pastoril, não se desestruturasse na capital.

     4.     Para que o Faraó e seus oficiais se tranqüilizassem em relação a um possível desejo dos israelitas de subirem na escala social.

     5.     Para que não misturassem suas práticas religiosas, já que os egípcios consideravam abominação todo pastor de rebanho.

Quando estudamos este texto, lições preciosas podem ser extraídas e aplicadas por todos nós. Temos que nos lembrar sempre que cada pessoa é muito preciosa aos olhos de Deus e que para cada uma Ele tem um plano. Deus nos chama para que O sirvamos e O amemos. Nenhum plano poderia ser mais digno e mais elevado do que este reservado a José. Pensando no que Deus fez através dele, volte-se para Deus agora e confie toda a sua vida ao Senhor Jesus Cristo. Perceba qual o plano de Deus para sua vida e entregue-se confiadamente a Ele. Deus tem o melhor para nós!

Israel no Egito. José compra toda a terra do Egito para o Faraó

Gn 47.1-31

A fome ainda persistia e tornava-se cada vez mais grave por toda parte. Ela não havia atingido apenas o Egito e Canaã, mas todas as nações. Por isso o mundo todo vinha ao Egito para comprar cereal e mantimento.

O verso 1 diz: Então veio José, e disse a Faraó: Meu pai e meus irmãos, com os seus rebanhos e o seu gado, com tudo o que têm, chegaram da terra de Canaã; e eis que estão na terra de Gósen. José comunicou Faraó da chegada de seu pai e toda a família a terra de Gósen, o rei que lhes concedeu a fértil terra para a criação de gado e de ovelhas.

O verso 2 diz: E tomou cinco dos seus irmãos e os apresentou a Faraó. José procurava agir muito corretamente ao governar o Egito. E apresentou a Faraó cinco de seus irmãos, para que houvesse um contato entre eles e o principal da terra. Isto fazia parte, sem dúvida, da rotina administrativa do governador. Ele trazia à presença do rei as pessoas necessárias para maior entrosamento. José tinha grande interesse em apresentar seus irmãos a Faraó.

Nos versos 3 a 6 vemos que nesse encontro aconteceu exatamente aquilo que José tinha dito aos irmãos. O Faraó fez algumas perguntas e eles muito humildemente lhe disseram: Te rogamos permitas habitem os teus servos na terra de Gósen (v. 4). Então o Faraó, sendo agradecido a José por tudo quanto fizera em favor dele e do Egito, disse a José nos versos 5 a 6:

5. Teu pai e teus irmãos vieram a ti.

6. A terra do Egito está perante ti; no melhor da terra faze habitar teu pai e teus irmãos; habitem na terra de Gósen. Se sabes haver entre eles homens capazes, põe-nos por chefes do gado que me pertence.

Os irmãos de José não negaram o fato de serem pastores de gado, profissão que era abominável aos olhos dos egípcios. Disseram que eram pastores, assim como os seus pais. Não tinham necessidade de negar nada. Isso nos faz lembrar uma verdade espiritual muito importante para nós. Muitos cristãos negam que são cristãos por medo de serem rejeitados pela sociedade. Você deve se lembrar que o apóstolo Pedro caiu nessa armadilha quando negou três vezes diante dos inimigos de Cristo que era discípulo do Senhor Jesus. Bem, aqui esses pastores, irmãos de José, não podiam negar o seu ofício. Se o fizessem, não teriam do quê viver.

Então, eles descreveram a situação de Canaã, onde a seca estava assolando severamente, e pediram para viver em Gósen. E Faraó disse a José que escolhesse o melhor pedaço de terra em todo o Egito para seu pai e seus irmãos se estabelecerem. O rei estava com o coração aberto para acolher toda a família de José.

Mas não podemos deixar de ver em todos esses acontecimentos a mão de Deus. Ele estava operando em tudo. Era plano Dele que Jacó se estabelecesse no Egito, onde havia condições favoráveis para o surgimento da grande nação de Israel. E, sendo assim, Deus foi removendo todos os obstáculos e abrindo caminho para que o seu plano fosse fielmente executado.

A Bíblia diz que Deus tem o coração dos reis em sua mão e dá a eles o rumo que deseja. Ele pode amolecer o coração de um soberano, como também endurecê-lo. Faraó foi muito além de dar uma simples permissão para que a família de José habitasse no Egito. Ele mandou que José escolhesse o melhor lugar para estabelecê-los no país, e disse ainda que José poderia colocar seus irmãos mais capacitados na direção de seu rebanho. Quando Deus abre as portas, ninguém fecha. Mas também quando Ele fecha, ninguém abre.

Agora vamos focalizar um outro episódio marcante neste capítulo. Os versos 7 a 10 relatam o encontro de Jacó com o Faraó. Nós consideramos este texto muito importante, porque Jacó aparece bem diferente, como um verdadeiro homem de Deus. Muitos homens, com a mesma idade de Jacó, ficam alegres em contar todas as proezas que fizeram durante a vida. Jacó poderia ter contado as suas histórias, de como conseguiu vantagens nas diversas circunstâncias pelas quais passou. Mas ele não contou nada disso ao rei do Egito. Havia realmente um homem diferente, bastante mudado. Ele havia amadurecido espiritualmente, e não sentia vontade de contar as aventuras que tanto alegram o coração de um homem que não tem diante de si uma visão maravilhosa de um Deus justo e bom.

Jacó se limitou a dizer que tinha 130 anos, que enfrentara dias maus na sua peregrinação na terra e que não viveria tanto quanto seus pais. Para Jacó aquele era um tempo de reflexão. Ele refletiu bem, e agora não se entusiasmava mais com coisas que o haviam movido na sua juventude. Não dava mais valor algum ao poder e às riquezas.

Sua conversa com o Faraó foi curta, mas correta. Jacó não achava que tinha do que se gloriar. Não queria se promover pelo que havia feito no passado e, por isso, resumiu o quanto pôde a sua conversa. E, tendo abençoado a Faraó, saiu de sua presença (v. 10). Jacó era um homem de Deus e, sem muita demora, transmitiu a bênção do Senhor ao rei do Egito.

Muitos cristãos gostam de contar as vantagens e as proezas que conseguiram, quando ainda não eram cristãos. Quantos têm prazer de lembrar de fatos ocorridos no passado! Parece até que falam com saudades. Em vez de falar de Cristo, e a respeito das coisas espirituais, destacam o que eram, o que fizeram e o que alcançaram. Jacó poderia ter dito a Faraó que era um homem de muita importância em Canaã. Era rico, tinha bastante gado e muita influência na terra de onde vinha.

Mas agora Israel era um novo homem e não se gloriava no que tinha feito e nem no que era no momento. Gloriava-se apenas em Deus. Simples e humildemente disse ao Faraó que tinha 130 anos, o abençoou e saiu da sua presença. Que a nossa vida cristã, o nosso testemunho, a nossa palavra, possa também abençoar e enriquecer espiritualmente a outros. Mas isso só pode acontecer de verdade se as nossas palavras não estiverem cheias de orgulho, soberba, presunção e exibição. Devemos sempre viver para glorificar a Cristo, e não a nós mesmos. Tanto na presença de pessoas importantes, como reis, presidentes, quanto na presença de pessoas humildes, devemos ser simples e procurar abençoar com o nosso testemunho e palavra a vida de todos.

As pessoas não precisam saber quem nós somos, nem o que fazemos, mas precisam descobrir quem é Deus, e o que Ele faz. É isso que enriquece espiritualmente a humanidade. Esta é a bênção que podemos compartilhar. Cada crente, cada filho na fé de Abraão, recebeu de Deus o mesmo imperativo de Abraão: Sê tu uma bênção (12.2).

Nos versos 11 a 13 temos o relato do estabelecimento de Jacó na terra de Ramessés, outro nome para a terra de Gósen. Também temos o relato de que José sustentou de pão a seu pai, a seus irmãos e a toda a casa de seu pai, segundo o número de seus filhos. É importante percebermos que mesmo estando Jacó numa terra muito boa, não podia plantar por causa da seca que persistia por toda parte, inclusive em Gósen.

Não havia chuva, nem havia transbordamento do rio Nilo que era o meio natural de enriquecimento do Egito. Não havia transbordamento de águas e, por isso, ninguém plantava. Não existia miséria, porque José tinha acumulado cereais nos depósitos construídos para esse propósito em todas as cidades do Egito. Havia cereal para cobrir os sete anos de seca.

A estiagem sempre afetou profundamente a África, onde estão os afluentes do Nilo. Sem as chuvas, o rio Nilo não transbordava e assim as planícies do Egito não eram irrigadas a fim de produzir alimento. Jacó teve de ser sustentado, juntamente com seus filhos, durante todo aquele tempo de seca. Se tivesse ficado em Canaã, certamente teria morrido, porque não havia condições para sobrevivência na terra que deixara para trás.

Agora vamos considerar os versos 14 a 26. O verso 14 diz: José arrecadou todo o dinheiro que se achou na terra do Egito e na terra de Canaã, pelo cereal que compravam, e o recolheu à casa de Faraó. Realmente essa foi uma atitude que merece considerações. Alguns entendem que José foi injusto e oportunista. Que explorou o povo. Aparentemente é esta a conclusão que tiramos quando lemos rapidamente este versículo. Mas, na realidade, vemos que não houve nenhuma exploração da parte de José. Ele era um funcionário do rei do Egito, e estava cuidando da melhor forma possível dos interesses dele.

É interessante notarmos que o versículo termina dizendo: …e o recolheu à casa de Faraó. Teria sido horrível se o texto dissesse que José tinha recebido todo aquele dinheiro em sua casa. Mas não. Ele recolheu tudo à casa de Faraó. Tudo era do rei, e José havia sido posto na direção de seus negócios. Ele era apenas um governador que tinha acima de si um superior, um soberano a quem prestava contas.

Mas a habilidade de José para administrar não parou por aí. A fome foi se agravando e os povos tiveram de investir tudo quanto tinham para poder sobreviver. Vieram ao Egito sistematicamente até trocaram suas terras, seu gado, seus valores materiais por cereal e alimento. E, no final, tiveram de tornar-se escravos do Egito em troca de alimento.

Podemos considerar esta seca como um julgamento de Deus sobre a terra, porque nunca as coisas acontecem por acaso. Uma pessoa que desconhece o Deus Todo-Poderoso, que fez o céu e a terra e tem os homens e o mundo sob seu domínio, pode considerar uma seca como um acontecimento natural, como uma coisa a que o mundo está sujeito. Mas nós não podemos olhar para as calamidades assim, superficialmente. Existe um Deus que sustenta e controla tudo no universo.

Certamente Deus tinha algo em mente ao enviar aquela seca prolongada, além do seu grande plano de tirar a família de Jacó de Canaã e transferi-la para o Egito, para, a partir dela, formar uma grande nação. Este deslocamento de Jacó da terra corrupta dos cananeus para Gósen já justificaria por si só o evento. E, sem dúvida, foi este o propósito principal de Deus ao permitir aquela seca, sem a qual Jacó jamais viria para o Egito a fim de ali se estabelecer.

No verso 27 lemos: Assim, habitou Israel na terra do Egito, na terra de Gósen; nela tomaram possessão, e foram fecundos, e muito se multiplicaram. O plano principal de Deus era realmente criar uma nação, a nação eleita, o povo escolhido. Porém Deus usou também aquela seca para julgar o próprio povo egípcio e todos os povos que sofreram grandemente. Isso só pode mesmo ter sido um julgamento de Deus. Deus julga os homens e as nações de muitas maneiras. Vimos sua atuação na história do dilúvio e, depois, no caso da torre de Babel. Na Bíblia encontramos muitos outros julgamentos de Deus sobre os homens e sobre as nações. Muitas guerras foram declaradas contra o próprio povo de Israel como julgamento de Deus. Israel passou setenta anos em razão da sua desobediência e do julgamento de Deus.

Deus é amor, mas também é justiça. A Bíblia diz que Deus ama a todos os homens a despeito dos pecados deles. Quando observarmos a natureza e tudo quanto nos cerca, vemos que Deus criou um mundo assim porque nos ama. Como um pai bom e justo disciplina os homens apesar de amar a todos. A máxima tantas vezes repetida, de que Deus ama o pecador, mas aborrece o pecado, é uma grande verdade. A mensagem bíblica e evangélica está sendo pregada por toda parte. Deus está chamando os homens ao arrependimento. Mas temos de lembrar que a responsabilidade do homem é individual. Cada um dará conta de si mesmo a Deus. A nossa fé em Cristo determina nossa salvação.

Mas, terminando o capítulo 47, lemos nos últimos quatro versos:



28. Jacó viveu na terra do Egito dezessete anos; de sorte que os dias de Jacó, os anos da sua vida, foram cento e quarenta e sete.

29. Aproximando-se, pois, o tempo da morte de Israel, chamou a José, seu filho, e lhe disse: Se agora achei mercê à tua presença , rogo-te que ponhas a mão debaixo da minha coxa e uses comigo de beneficência e de verdade; rogo-te que não me enterres no Egito,

30. porém que eu jaza com meus pais; por isso, me levarás do Egito e me enterrarás no lugar da sepultura deles. Respondeu Jacó: Farei segundo a tua palavra.

31. Então, lhe disse Jacó: Jura-me. E ele jurou-lhe; e Israel se inclinou sobre a cabeceira da cama.

O desejo de Jacó de ter o seu corpo na mesma sepultura de seus pais era um desejo muito legítimo, ligado diretamente a sua fé. Ele queria que o seu corpo descansasse na terra da promessa, na terra em que seus antepassados foram também enterrados, isto é, na caverna de Macpela.

Esse era o final de uma bonita história. Depois de muito tempo separados, pai e filho convivem por mais dezessete anos desfrutando da companhia um do outro. E, chegando a final dos seus dias, o velho Jacó pede ao filho amado um último favor! Que cena especial! Que você possa honrar seus pais dessa mesma maneira, obedecendo, honrando e respeitando os seus últimos desejos, tendo eles a idade que tiverem e esteja você na posição que estiver. Lembre-se: obedecer e honrar os pais é um mandamento bíblico.
Jacó adoece e abençoa os filhos de José

Gn 48.1-22

Em Gênesis 48 encontramos Jacó no final de seus dias. Já estudamos suas falhas, seus erros, seus pecados, e não omitimos nada, porque é a própria Bíblia que não esconde o que aconteceu com os seus personagens. A Palavra de Deus sempre revela as virtudes dessas grandes figuras, mas também aponta suas falhas e pecados.

Mas agora temos de reconhecer que Jacó, que vinha cambaleando espiritualmente, apesar dos grandes momentos que teve com Deus, finalmente se agigantava na fé, a ponto de, posteriormente, passar a integrar a galeria dos heróis da fé: Pela fé Jacó quando estava para morrer, abençoou cada um dos filhos de José, e apoiado sobre a extremidade do seu bordão, adorou (Hb 11.21). Não poderia haver um elogio maior na Palavra de Deus do que o autor sagrado, inspirado pelo Espírito Santo, colocá-lo como um herói da fé!

Mas isso não quer dizer que ele sempre foi assim. As falhas que Jacó cometeu revelavam a instabilidade da vida que levava. Mas quando chegou à velhice, ele pode ser visto como um grande homem de fé. E a fé, na realidade, não se desenvolve do dia para a noite. Às vezes o amadurecimento demora. Leva mais tempo para uns do que para outros. Jacó demorou muito para chegar a uma fé madura. Durante anos e décadas Deus trabalhou nele para que a sua fé crescesse e frutificasse.

A história de Jacó nos lembra que nem sempre os frutos vêm com a rapidez que desejamos. Deus tem grande paciência ao tratar conosco. Acompanhou o patriarca durante toda a vida até que, finalmente, a fé foi demonstrada. Devemos aprender com o próprio Deus e com a sua longa paciência. Se Deus é paciente conosco, esperando através de anos o crescimento da nossa fé, deveríamos ser pacientes, não intolerantes, e às vezes até apressados demais. Para termos um desenvolvimento firme da fé devemos lançar mão de todos os meios que são próprios para o seu desenvolvimento, como a leitura da Bíblia, a prática da oração e a prática das disciplinas espirituais. O crente ativo é um crente que cresce.

Os versos 1 e 2 dizem: Passadas estas coisas, disseram a José: Teu pai está enfermo. Então, José tomou consigo a seus dois filhos, Manassés e Efraim. E avisaram a Jacó: Eis que José, teu filho, vem ter contigo. Esforçou-se Israel e se assentou no leito. Imagine essa cena. Jacó, já bem idoso, com 147 anos de idade, se esforçando para ficar assentado no leito para receber a visita de seu amado filho José. Jacó tem diante de si o filho que durante muitos anos considerou morto. Não sonhava em vê-lo mais. Mas chegando ao Egito, o encontrou numa posição bem elevada, como governador do lugar.

Nada poderia alegrar mais o coração de Jacó do que ver o seu filho amado. Ele sabia que José tinha se tornado um dos homens mais poderosos do mundo, suprindo com alimento a corte do Egito e todas as demais nações que necessitavam de mantimento. Sustentou sua própria família não só com o melhor alimento, mas com a porção mais produtiva da terra do Egito. E agora José estava ali, com os filhos Manassés e Efraim, junto ao leito do pai, já bem idoso. Parecia um sonho para Jacó! Que final de vida feliz foi aquele! Jacó sabia que não demoraria a partir para junto de Abraão e de seu pai Isaque.

Ele se esforçou e conseguiu se assentar na cama. Estava idoso, e pressentia a aproximação da morte. O que estaria ele pensando naquela circunstância? Eis o que nos mostram os versos 3 e 4: Disse Jacó a José: O Deus Todo-Poderoso me apareceu em Luz, na terra de Canaã, e me abençoou, e me disse: Eis que te farei fecundo, e te multiplicarei, e te tornarei multidão de povos, e à tua descendência darei esta terra em possessão perpétua.

Que impressionante! Jacó não perdeu tempo. Testemunhou diante de José, lembrando as palavras usadas por Deus ao lhe dar a promessa. Lembrou-se Jacó daquele encontro maravilhoso que teve com o Senhor na cidade de Luz, em Betel. Jacó cria no Deus que lhe falara. A sua fé tinha crescido. Ali, no leito de morte, estava falando sobre o Deus que se encontrara com ele em Betel.

Jacó não se lembrou das suas façanhas como bom negociante. Nada disso veio a sua consciência. Lembrou-se unicamente da experiência marcante e decisiva que tivera com Deus. Poderia ter se gloriado das suas aventuras, porque tudo o que queria, Jacó conseguiu, usando inclusive métodos pouco convencionais para obter a qualquer custo o que desejava.

Mas agora, olhando para trás, lembrou-se do momento precioso em que Deus lhe apareceu, quando estava sozinho, com medo e com saudade de casa. Aquele encontro com Deus foi para Jacó o começo de tudo. O lugar também era muito importante, porque ali Deus havia se encontrado com ele duas vezes, quando estava saindo e voltando de sua terra, indo e vindo de Harã. Era a sua fé em ação sobrepujando o passado.

Jacó recordou as promessas que Deus fizera a Abraão, a Isaque e a ele mesmo. Deus disse que iria multiplicar a sua semente e lhe dar a terra de Canaã. E as duas promessas de Deus foram cumpridas. E, além disso, outro detalhe da promessa também se cumpriu: por meio dele todas as nações da terra seriam abençoadas. Esta foi a promessa que Deus fez a Abraão, a Isaque e ao próprio Jacó. E ela tem sido uma realidade maravilhosa através dos séculos. Como abençoou as nações através de José, suprindo-as com o alimento físico, assim também Deus, através da Bíblia e de Cristo, abençoou e continua abençoando todas as famílias da terra.

Os judeus, os descendentes de Abraão, de Isaque e de Jacó, registraram os oráculos de Deus, os instrumentos por meio dos quais Deus transmitiu a sua revelação especial aos homens. Assim, além das Escrituras Sagradas, temos Cristo, nosso Salvador, que é a expressão e a revelação suprema de Deus para a humanidade. É realmente notável vermos o cumprimento dessas gloriosas promessas de Deus.

O texto prossegue, e no verso 5 lemos: Agora, pois, os teus dois filhos, que te nasceram na terra do Egito, antes que eu viesse a ti no Egito, são meus; Efraim e Manassés serão meus, como Rúben e Simeão. Jacó adotou os seus netos, os dois filhos de José, como seus. Eles formariam as tribos que levariam seus nomes.

Quando dizemos que de Israel se originaram doze tribos, devemos explicar como esse número é calculado. Doze filhos de Jacó, menos José, dá um total de onze. Somando-se as tribos de Efraim e Manassés, chegamos a treze. Desse número tiramos a descendência de Levi, que também não é contada, e temos o total de doze. A tribo sacerdotal de Levi não teve direito a uma porção da terra e os levitas, como sacerdotes, foram espalhados entre as demais tribos.

Nos versos 6 e 7 Jacó recorda com José alguns trechos de sua vida que marcaram o seu coração: a morte de Raquel no nascimento de Benjamim, e o fato de tê-la sepultado no caminho de Efrata, que é Belém. Embora para nós o nome de Belém nos remeta ao nascimento de Jesus, para Jacó, lembrava a morte de Raquel.

Nos versos 8 a 10 temos um registro interessante, pois Jacó, assim como seu pai Isaque, também apresentou um problema nos olhos quando chegou à velhice. Por isso, Jacó não pôde reconhecer os dois filhos de José e, foi necessário que se aproximassem do velho patriarca.

Nos versos 11 a 14 temos um relato surpreendente. Manassés e Efraim se tornariam importantes no futuro, mas no presente eram apenas dois rapazes pelos quais Jacó tinha grande amor, pelo fato de serem filhos de José, seu filho favorito. Então, ele queria transmitir a sua bênção a ambos, porque seria muito importante para o futuro deles.

A bênção transmitida pela mão direita era mais importante, e mostrava a superioridade que teria aquele em cuja cabeça essa mão seria colocada. José pôs seus filhos na ordem certa diante de Jacó, a fim de que a sua mão direita fosse posta sobre o mais velho, Manassés, e a mão esquerda sobre Efraim, o mais novo. A principal bênção deveria ser entregue ao primogênito, mas na hora da transmissão, Jacó cruzou os braços de forma que a sua mão direita foi posta na cabeça de Efraim e a sua mão esquerda na de Manassés. A bênção, então, foi invertida pela troca de posição das mãos.

Este detalhe é muito importante, porque não aconteceu à revelia da vontade de Deus. Repetiu-se, aqui, o mesmo que havia acorrido com Jacó e Esaú. Assim, de modo semelhante, Efraim, o mais novo, recebeu a bênção principal. E Manassés, o mais velho, a bênção secundária. E, de fato, a história bíblica nos mostra que a tribo de Efraim exerceu liderança sobre as outras tribos de Israel.

Rúben, que era o primogênito, perdeu esse direito por ter possuído Bila, a concubina de seu pai. E conforme vemos em 1Crônicas 5.1, mesmo em dias pós-exílicos a primogenitura de Israel foi de fato atribuída a Efraim e Manassés, filhos de José. A escolha de Jacó foi de acordo com a vontade de Deus, que é sempre certa e verdadeira.

Deus sempre quer o nosso bem e por isso devemos obedecê-lo. Ele sempre tem a escolha certa. É possível sabermos a sua vontade, mas para isso é necessário mantermos intimidade com Ele. Muitos cristãos consideram difícil saber qual a vontade de Deus para as suas vidas, mas através de cinco passos é possível descobri-la:

     1.     A leitura da Bíblia, onde descobrimos os princípios divinos;

     2.     A prática da oração, onde estreitamos a comunhão com Deus;

     3.     Os conselhos de nossos irmãos, que são usados como instrumentos de Deus;

     4.     A percepção das circunstâncias ao nosso redor;

     5.     A voz da nossa própria consciência, do senso comum, do bom senso.

Nos versos 15 a 22 lemos:





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