Através da bíblia gênesis itamir Neves de Souza John Vernon McGee


E abençoou a José, dizendo: O Deus em cuja presença andaram meus pais Abraão e Isaque, o Deus que me sustentou durante a minha vida até este dia



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15. E abençoou a José, dizendo: O Deus em cuja presença andaram meus pais Abraão e Isaque, o Deus que me sustentou durante a minha vida até este dia,

16. o Anjo que me tem livrado de todo mal, abençoe estes rapazes; seja neles chamado o meu nome e o nome de meus pais Abraão e Isaque; e cresçam em multidão no meio da terra.

17. Vendo José que seu pai pusera a mão direita sobre a cabeça de Efraim, foi-lhe isto desagradável, e tomou a mão de seu pai para mudar a cabeça de Efraim para a cabeça de Manassés.

18. E disse José a seu pai: Não assim, meu pai, pois o primogênito é este; põe a tua mão direita sobre a cabeça dele.

19. Mas seu pai o recusou e disse: Eu sei, meu filho, eu o sei; ele também será um povo, também ele será grande; contudo, o seu irmão menor será maior do que ele, e a sua descendência será uma multidão de nações.

20. Assim, os abençoou naquele dia, declarando: Por vós Israel abençoará, dizendo: Deus te faça como a Efraim e como a Manassés. E pôs o nome de Efraim adiante do de Manassés.

21. Depois, disse Israel a José: Eis que eu morro, mas Deus será convosco e vos fará voltar à terra de vossos pais.

22. Dou-te, de mais que a teus irmãos, um declive montanhoso, o qual tomei da mão dos amorreus com a minha espada e com o meu arco.

Aqui, o velho Jacó, o novo Israel, com a fé fortalecida, cumpre a vontade de Deus, mesmo contra a vontade de José, seu querido e amado filho. Se Deus tinha bênçãos especiais para Efraim, que assim fosse feito. Com uma palavra de carinho e dedicação especial, Jacó ainda disse a José que ele receberia uma porção especial da terra de Canaã, porção que ele mesmo, Jacó, conquistara com o vigor do seu braço. Era realmente um presente especial.



Jacó abençoa profeticamente seus filhos e morre

Gn 49.1-33

Gênesis 49 é, sem dúvida alguma, um dos mais importantes capítulos da Bíblia. É também um texto dramático, porque fala sobre a morte de uma das grandes figuras do Antigo Testamento. E como todo grande homem de Deus, Jacó, mesmo depois de morto, ainda fala através de sua vida. Temos muito a aprender com suas falhas e erros, mas certamente com os seus acertos e sua fé também, porque tudo foi registrado para o nosso ensino.

Nas cartas marítimas usadas pelos navios, encontramos pontos pretos marcando lugares perigosos nos mares, onde embarcações já naufragaram. Essas marcações mostram aos pilotos que não devem passar por ali, porque são lugares perigosos. Na Bíblia encontramos também pontos que se destacam: são os erros, os pecados e as falhas de seus grandes personagens. Eles erraram e os seus erros ficaram registrados para que nós os evitemos hoje.

No capítulo 49 de Gênesis encontramos os doze filhos de Jacó cercando-o no leito de morte para ouvir de seus lábios suas últimas palavras. Todos estavam interessados no que ele iria dizer. Depois de tantas experiências marcantes que tivera, o que pronunciaria ao terminar a sua carreira era de grande importância. Esta mesma expectativa nós temos quando um familiar ou alguém importante do nosso conhecimento está às portas da morte. Ficamos atentos, pois talvez tivesse alguma confissão ou pedido a fazer.

Muitos dizem que as últimas palavras de uma pessoa têm grande importância. Era com essa importância, ansiedade e curiosidade que os filhos de Jacó o cercavam no leito de dor e de morte.

Grandes revelações acontecem nesses momentos finais. Normalmente, a pessoa revela aquilo que ficou oculto durante anos ou décadas. Vejamos o que diz o texto: Depois, chamou Jacó a seus filhos e disse: Ajuntai-vos, e eu vos farei saber o que vos há de acontecer nos dias vindouros: Ajuntai-vos e ouvi, filhos de Jacó; ouvi a Israel, vosso pai (v. 1, 2). Nas palavras de Jacó temos a expressão “dias vindouros”, que encontramos diversas vezes na Bíblia. Estas palavras dirigidas a qualquer pessoa podem não ter muito valor, mas dirigidas aos filhos de Jacó, assumem importância capital. Todos os seus filhos estariam ligados ao futuro, não pessoalmente, mas através de seus descendentes. Por isso eles estavam profundamente interessados nas palavras de Jacó, o velho patriarca. Ele iria revelar a todos o futuro. A vida deles estaria ligada ao futuro da nação de Israel.

Todos estavam ao redor de Jacó, que falaria em nome de Deus. Eles se tornariam as doze tribos da nação israelita que encontraremos formada no livro de Deuteronômio. As profecias proferidas por Jacó, a partir daqui, englobam a história da nação israelita, desde a conquista da terra até o reinado do Messias prometido, o Senhor Jesus Cristo.

Deus tinha um plano para cada tribo particularmente, e por isso as profecias também alcançaram cada tribo de uma forma individual. A nação de Israel estaria dividida em doze tribos, e cada uma era importante para Deus. Em relação a essas tribos e a nação como um todo, muitas profecias já se cumpriram, e outras ainda estão por se cumprir.

Jacó estava ciente de que se despedia dos filhos. Estava indo pelo caminho de todos os homens, o caminho da morte, mas para ele a vida não terminava ali. A sua fé lhe dava a garantia de viver eternamente com Deus. Aqui temos uma clara exortação para aqueles que se esquecem de que a vida terrena passa, e não se preocupam em se preparar para a eternidade. De forma repentina eles poderão ser chamados por Deus para prestarem contas de todas as suas atividades. E, num instante apenas, a vida chega ao fim.

Quando falamos em morte, muitos se assustam e não querem refletir sobre o assunto. Essa reação não é adequada. A morte não representa um perigo ou algo espantoso quando estamos preparados para o encontro com Deus. O homem precisa preparar-se para se encontrar com Ele. E a única preparação para a morte é aquela que é feita em comunhão com Deus, realizando na terra o que Ele claramente mostra na sua Palavra. Em outras palavras, é somente assim que a morte perde o seu efeito de pavor, e o crente entra na eternidade feliz, porque viveu com Cristo aqui e viverá com Ele por toda a eternidade.

Mas vejamos as palavras de Israel dirigidas a seus filhos. Essas palavras proféticas mostram o destino das doze tribos que descenderam dos seus doze filhos.

Nos versos 3 e 4 a palavra de Jacó é dirigida a Rúben: Rúben, tu és meu primogênito, minha força e as primícias do meu vigor, o mais excelente em altivez, e o mais excelente em poder. Impetuoso como a águia, não serás o mais excelente, porque subiste ao leito de teu pai e o profanaste; subiste à minha cama. Aqui vemos um homem cheio de vigor, de altivez, de impetuosidade. Mas Rúben não iria longe. Com todos aqueles dons e talentos era uma águia de asas cortadas. Tinha em si o instinto de águia. O seu vôo poderia ter sido bem alto, mas não passou de certa altura, porque profanou o leito de seu pai.

Quantas águias fortes não estão presas a terra por causa do pecado que as escraviza! Quantos jovens não poderiam voar e galgar as alturas como as águias e os condores, mas ficam presos ao pecado, rastejando no solo como míseros vermes da terra. O filho mais velho de Jacó recebeu a recompensa do seu ato incontido de orgulho e presunção. Os seus impulsos desordenados foram considerados nessa palavra paternal. E a tribo de Rúben falharia na liderança: nos dias da juíza Débora, ficou famosa pela falta de resolução (Jz 5.15-16).

Nos versos 5 a 7 vemos algumas palavras dirigidas a Simeão e a Levi: Simeão e Levi são irmãos; as suas espadas são instrumentos de violência… no seu furor mataram homens… dividi-los-ei em Jacó e os espalharei em Israel. Aqui vemos estes dois irmãos unidos, inclusive para a prática da violência condenada por Jacó. Simeão e Levi mataram os homens e os habitantes da cidade de Siquém, quando Diná foi violentada por um príncipe daquela terra. Eles foram vingativos e violentos.

O Antigo Testamento faz distinção entre um massacre ordenado por Deus (15.16), e uma atitude de vingança (Am 1.1, 6, 9). Alguém pode ter pensado que a vingança relatada no capítulo 34 ficaria sem punição, mas eis que o Juiz de toda a terra vê e cuida dos atos dos homens. O pecado sempre traz conseqüências e, mais cedo ou mais tarde, é punido.

Simeão não teve nenhuma expressão como pessoa nem como tribo. A sua tribo foi dispersa e espalhada entre a de Judá e as do norte (Js 19; Ne 11.25-28). Levi foi favorecido por Deus graciosamente, não porque era digno de alguma coisa, já que havia juntamente com Simeão massacrado Siquém. Mas mesmo assim Deus o perdoou e criou através de Levi a tribo sacerdotal (Êx 32.26-29; Nm 18.20; 35.2-8).

Este fato mostra a graça de Deus que oferece tudo em troca de nada e os maiores privilégios e bênçãos imerecidas. É o que acontece com todos os que pertencem a Cristo, conforme as palavras que encontramos em 1Pedro 2.9-10: Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real… Vós, sim, que, antes, não éreis povo, mas, agora, sois povo de Deus, que não tínheis alcançado misericórdia, mas, agora, alcançastes misericórdia.

Aqui está a graça de Cristo. O cristianismo é formado por pessoas salvas pelo sangue de Jesus, pessoas que o aceitaram como Salvador. A aceitação da graça divina é pela fé. Precisamos crer nisso e receber esse presente pela fé.

Nos versos 8 a 12 as palavras de Jacó são dirigidas a Judá:

8. Judá, teus irmãos te louvarão; a tua mão estará sobre a cerviz de teus inimigos; os filhos de teu pai se inclinarão a ti.

9. Judá é leãozinho; da presa subsiste, filho meu. Encurva-se e deita-se como leão e como leoa; quem o despertará?

10. O cetro não se arredará de Judá, nem o bastão de entre seus pés, até que venha Siló; e a ele obedecerão os povos.

11. Ele amarrará o seu jumentinho à vide e o filho da sua jumenta, à videira mais excelente; lavará as suas vestes no vinho e a sua capa, em sangue de uvas.

12. Os seus olhos serão cintilantes de vinho, e os dentes, brancos de leite.

Aqui está outro filho de Jacó a quem a graça de Deus se revelou salvadora e abundante, pois Judá também era um homem pecador. No verso 10 encontramos a renovação da profecia de Deus, a mesma que foi dada a Abraão, a Isaque e a Jacó. Agora ela é transmitida a Judá, com a promessa da vinda de Cristo.

Sabemos que Deus prometeu isso a Adão e Eva, no Éden. Começou ali uma linhagem através da qual Cristo viria ao mundo para esmagar a cabeça da serpente, que é Satanás. Esta linhagem seguiu por meio da Adão, Sete, Sem, Abraão, Isaque, Jacó, e agora, Judá.

Ainda no verso 10 é mencionado que o cetro não se arredaria de Judá, até que viesse Siló, como uma referência a Cristo. A expressão “até que venha Siló” quer dizer “até que venha aquele de quem é o direito”. Siló quer dizer também paz, descanso, segurança, e é isso o que Cristo trouxe ao nosso mundo inseguro e cansado.

Em João 14.27 Jesus disse: Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Ao mundo aflito de hoje, Cristo é a resposta, é a nossa paz. Jesus é quem nos traz a paz de Deus. Ele não traz apenas a paz, mas também trará justiça e ordem. Por isso é mencionado o cetro. O cetro fala de governo, de justiça, de ordem, de direito, de poder. É este aspecto da pessoa de Jesus que muitos ignoram, mas ele é Rei. Ele reina no mundo e nos nossos corações.

Séculos depois, o profeta Isaías, falando a respeito da vinda de Cristo ao mundo, disse em Isaías 9.6, 7:



6. Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.

7. Para que se aumente o seu governo, e venha paz sem fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, para o estabelecer e o firmar mediante o juízo e a justiça, desde agora e para sempre. O zelo do Senhor dos Exércitos fará isto.

Jesus trará o cetro, a justiça e o poder e governará para sempre. O seu reino ainda não foi reconhecido pelos homens, e por isso ainda vivemos no mundo onde o homem e o príncipe do mal, que é Satanás, reinam. Eles não querem dar lugar a Jesus, mas por enquanto Cristo vence por meio da paz no coração daqueles que o aceitam como Salvador, Senhor e Rei. Porém chegará o dia em que voltará a terra para implantar o seu reino. Nesse momento todos os homens se submeterão ao seu poder e ao seu domínio. Cristo será o Rei soberano, mas todos quantos já o aceitaram têm no coração a paz de Cristo, agora e para sempre.

Mas os versos 11 e 12, referindo-se ainda a Judá, profetizam a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, montado em um jumentinho, nos dias que precederam a sua morte na cruz. Quando o texto menciona que Jesus lavará as suas vestes no vinho e a sua capa, em sangue de uvas, refere-se ao seu sangue derramado na cruz para lavar os nossos pecados e nos proporcionar salvação e purificação. Jesus, o Leão da tribo de Judá (Ap. 5.5), é também chamado de Cordeiro (Ap 5.6), e é por meio Dele que nos achegamos a Deus!

Os versos 13 a 15 referem-se a Zebulom e Issacar:



13. Zebulom habitará na praia dos mares e servirá de porto de navios, e o seu limite se estenderá até Sidom.

14. Issacar é jumento de fortes ossos, de repouso entre os rebanhos de ovelhas.

15. Viu que o repouso era bom e que a terra era deliciosa; baixou os ombros à carga e sujeitou-se ao trabalho servil.

Estes dois homens foram cabeças de tribos importantes que formaram a espinha dorsal da nação de Israel. Eles protegeram poderosamente a nação. Embora as terras da tribo de Zebulom nunca tenham chegado até a costa, junto com Aser e Dã, eles estavam perto o suficiente para serem beneficiados pelo comércio marítimo. Issacar falhou em expulsar os cananeus de seu território, e por causa disso sofreu.

Nos versos 16 e 17 temos as palavras dirigidas a Dã: Dã julgará o seu povo, como uma das tribos de Israel. Dã será serpente junto ao caminho, uma víbora junto à vereda, que morde os talões do cavalo e faz cair o seu cavaleiro por detrás. O nome e o chamado de Dã eram para julgar, como Deus vingara Raquel em 30.6. Mas a sua escolha como tribo, foi a violência e a traição (Jz 18). E o fato mais grave para essa tribo é que ela não se encontra na lista mencionada em Apocalipse 7.5-8.

O verso 18 diz: A tua salvação espero, ó Senhor. Esse verso é interpretado de diversas maneiras pelos comentaristas. Alguns entendem que Jacó intercedeu por Dã, ou então, que se lembrou de sua própria traição e pediu perdão, pela salvação de Deus. Outros defendem que é apenas uma breve oração pelos seus filhos, em meio aos oráculos, uma pausa na sua série de bênçãos pedindo a ajuda de Deus para prosseguir. Parece-nos, entretanto, uma petição em favor de Dã.

No verso 19 lemos em relação a Gade: Gade, uma guerrilha o acometerá; mas ele a acometerá por sua retaguarda. Gade formou uma tribo a leste do Jordão (Js 13.24-27), e ficou vulnerável às investidas dos moabitas e dos amonitas. Mas ele não foi dominado.

No verso 20, o destaque é para Aser: Aser, o seu pão será abundante e ele motivará delícias reais. Esta palavra dirigida a Aser mostra como o seu território, uma planície fértil, rotas comerciais para o mar e terras agrícolas férteis perto do Mediterrâneo (Js 19.24-30), se tornariam a garantia da prosperidade de seus descendentes.

No verso 21, temos a bênção dirigida a Naftali: Naftali é uma gazela solta; ele profere palavras formosas. Essas palavras provavelmente indicam o espírito independente, talvez pela localização um pouco isolada, na região montanhosa ao norte do mar da Galiléia (Js 19.32-39). Sob o comando de Baraque, Naftali levou Israel a uma grande vitória (Jz 4–5).

Agora, as palavras dirigidas ao amado filho José, nos versos 22 a 26:



22. José é um ramo frutífero, ramo frutífero junto à fonte; seus galhos se estendem sobre o muro.

23. Os flecheiros lhe dão amargura, atiram contra ele e o aborrecem.

24. O seu arco, porém, permanece firme, e os seus braços são feitos ativos pelas mãos do poderoso de Jacó, sim, pelo Pastor e pela Pedra de Israel,

25. pelo Deus de teu pai, o qual te ajudará, e pelo Todo-Poderoso, o qual te abençoará com bênçãos dos altos céus, com bênçãos das profundezas, com bênçãos dos seios e da madre.

26. As bênçãos de teu pai excederão as bênçãos de meus pais, até o cimo dos montes eternos; estejam elas sobre a cabeça de José e sobre o alto da cabeça do que foi distinguido entre seus irmãos.

Devemos destacar, nessas palavras referentes a José, a bênção de Deus. Da estéril Raquel, o Senhor trouxera José; e dele, duas tribos frutíferas. O significado é que José, deixando a sua terra seguiu para o Egito, e foi uma testemunha para Deus. Nós sabemos que Efraim e Manassés procuraram aumentar as suas terras (Js 17.14-18). O território deles, no tempo do Novo Testamento, era dos samaritanos. Nos versos 24 e 25, devemos destacar os admiráveis nomes divinos: o “Poderoso de Jacó”, o “Pastor”, a “Pedra de Israel”, o “Deus de teu pai” e o “Todo-Poderoso”. São cinco nomes que dignificam e exaltam o Deus de Israel, mas também o nosso Deus e Pai. As duas tribos que vieram por meio de José, Efraim e Manassés, tornaram-se proeminentes e muito importantes. Mas é importante também destacar que destas tribos também surgiu a divisão do reino.

As palavras do verso 26 devem ser bem entendidas. O que Jacó quis dizer é que as duas tribos que vieram de José deveriam se apegar ao Deus de Israel, ao Deus de Jacó, o Criador e Redentor. E por quê? Bem, essas duas tribos, especialmente Efraim, chegou a praticar idolatria e a provocar divisão no reino de Israel. Jeroboão, que veio da tribo de Efraim, dividiu o reino. Saíram dessas duas tribos os dois bezerros que foram adorados. Assim, Jacó chamou atenção desses dois filhos de José, prevendo essa tendência à divisão e à idólatra.

E, finalmente, no verso 27, Jacó se dirige a Benjamim, que é o mais novo de seus filhos: Benjamim é lobo que despedaça; pela manhã devora a presa e à tarde reparte o despojo. Esta é uma profecia estranha a respeito de Benjamim. Vemos que o filho caçula de Judá se identificava muito com Judá. Benjamim ficou com a tribo de Judá na divisão do reino. E foram essas as duas tribos que ficaram com a casa de Davi. Esta é uma profecia notável, e podemos ver seu cumprimento através das façanhas de Eúde, de Saul e de Jônatas, relatadas em Juízes 3; 5; 19–21 e 1Samuel 11–15, como exemplo de arrojo, mas também de violência.

Foram muitas palavras significativas. Foram palavras proféticas. E o verso 28 registra e confirma que era assim que um pai deixava suas bênção aos filhos.

O capítulo 49 termina com o relato da morte de Jacó. Nos versos 29 a 33, encontramos as orientações do próprio Jacó para o seu funeral. Ele queria ser sepultado com os seus antepassados, significando a solidariedade da família da aliança. Mas para Jacó, a morte não foi o fim de tudo. Ele foi para junto do seu povo. Conforme o verso 30, Jacó quis ser enterrado na cova que havia sido comprada por Abraão. Jacó quis ficar certo quanto ao traslado de seu corpo para aquele local após a sua morte.

Vemos, com isso, o quanto Jacó conhecia a respeito da sua própria história. É notável quanto ele sabia sobre o seu passado e sobre o futuro do seu povo e daquela terra. Jacó queria ser sepultado lá, porque desejava ressuscitar dos mortos na terra que Deus tinha prometido para a nação eleita. O último verso deste capítulo diz: Tendo Jacó acabado de dar determinações a seus filhos, recolheu os pés na cama, e expirou, e foi reunido ao se povo (v. 33).

Jacó, que lutou com Deus e foi transformado em Israel, agora chegava ao fim de seus dias. Estava preparado para se encontrar com o seu Deus. Como é bom estarmos preparados para morte! Todos nós temos que estar preparados para o encontro com Deus. Quem morre sem Cristo, morre duplamente. Morre no sentido físico e morre no sentido espiritual. Mas quem tem o Filho de Deus tem a vida eterna. Quem morre crendo em Cristo tem a certeza da ressurreição para a vida que não termina mais!



O lamento por Jacó. A bondade de José para com seus irmãos. José abençoa seus filhos e morre

Gn 50.1–26

No capítulo 50 de Gênesis encontramos três assuntos bem específicos: a tristeza pela morte de Jacó, a maneira como bondosamente José tratou seus irmãos, e a sua morte.

O livro de Gênesis termina relatando o sepultamento de Jacó e de José. E, quando observamos o todo do livro, podemos concordar que este é um assunto muito adequado para terminar o livro de Gênesis, por uma simples razão, porque Gênesis começa com a criação e termina com sepultamentos. Embora, aparentemente seja um final melancólico, é um final que nos mostra a realidade. Essa realidade foi causada pelo pecado. Deus criou, mas o pecado matou. O apóstolo Paulo põe esta verdade nos termos: Porque o salário do pecado é a morte (Rm 6.23). Mas felizmente, logo em seguida, no mesmo versículo, também diz: Mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor. E é também sobre esse sepultamento que trata este capítulo. Parece um triste fim para Gênesis, mas na verdade esse assunto serve também como uma grave advertência para todos os homens.

Os versos 1 a 3 relatam o procedimento de José, ultimando os detalhes para o sepultamento de Jacó. Durante quarenta dias os médicos que estavam a seu serviço prepararam o corpo de seu pai, embalsamando-o. No Egito havia pessoas que eram especialistas neste tipo de prática. Todos nós já ouvimos falar a respeito das múmias do Egito, e os egípcios tinham um meio de sepultar naquela época que ainda hoje é um mistério para nós. Isso ainda é algo inexplicável. E, por fim, demonstrando o quando tinha sido bem aceito pelos egípcios, Jacó foi pranteado durante setenta dias pelos próprios naturais da terra.

O texto prossegue, e os versos 4 a 9 nos mostram José solicitando a Faraó que lhe permitisse sepultar seu pai em Canaã, atendendo assim o seu pedido e o juramento feito. Com a aprovação do Faraó, José subiu para o sepultamento, junto com uma grande comitiva formada por todos os oficiais de Faraó, os principais da sua casa, os principais da terra do Egito, como também toda a casa de José, e seus irmãos, e a casa de seu pai (v. 7, 8). Ficaram no Egito apenas as crianças e o gado.

Devemos imaginar que grande comitiva conduziu Jacó a Canaã para o seu sepultamento. Foi algo extraordinário. Foi uma homenagem marcante àquele homem de Deus. O verso 9 diz que foi grandíssimo o cortejo. E toda aquela comitiva se deslocou para esse sepultamento por uma razão bem simples, porém de grande significado: o respeito que Jacó havia conquistado nos seus 17 anos de vida no Egito. A vida de José foi sempre uma vida de testemunho do Deus criador, de procedimento santo, justo e honesto. O Faraó não queria perder esse homem no qual atuava o Espírito Santo de Deus. Por isso, também é possível admitir um interesse administrativo. O Faraó enviou tão grande comitiva ao funeral para garantir o retorno de José ao Egito, para que continuasse a administrar os anos de escassez que ainda faltavam.

Os versos 10 a 14 relatam o cortejo chegando à eira de Atade, onde por sete dias Jacó foi novamente lamentado. Os cananeus se surpreenderam com aquele grande pranto, a ponto de darem nome ao lugar de Abel-Mizraim, que provavelmente significa “pranto do Egito” ou “curso de água do Egito”. Jacó foi então sepultado na caverna de Macpela, no campo fronteiro a Manre, que Abraão comprara por posse de sepultura a Efrom, o heteu.

Ser sepultado naquele pedaço de terra que servia de cemitério para sua família era um ato de fé, uma espécie de garantia de que aquela terra seria dada por Deus ao seu povo, como realmente aconteceu. Era o sepulcro da esperança. Por isso Jacó preferiu ser sepultado ali. Era a sua última demonstração de esperança e fé. José, depois de sepultar o pai, voltou com toda a comitiva para o Egito.

Os versos 15 a 21 nos relatam um dos mais emocionantes episódios do livro de Gênesis e, certamente, da vida de José. Estes versos nos contam como os irmãos de José, depois de voltarem ao Egito, ficaram preocupados, imaginando que após a morte do pai José se vingaria do mal que tinham praticado contra ele. Temiam, porque sem a proteção de Jacó, José estava com o caminho livre para dar-lhes a recompensa pela traição de que fora objeto. Depois de mandarem um recado para José, eles mesmos foram ao seu encontro, se prostraram diante dele e lhe disseram: Eis-nos aqui, por teus servos (v. 18).

Esses irmãos que novamente se prostraram diante de José, entregando-se a ele como servos, foram os mesmos que o venderam como escravo para o Egito. Agora os papéis mais uma vez estavam invertidos. O ato de se curvarem diante de José lembrava também o antigo sonho de José, pois predizia aquele momento em que humildemente estariam diante do irmão. Só que José não aceitou tal sugestão, e no verso 19 respondeu: Não temais; acaso estou eu no lugar de Deus? Surpreendentemente, José disse que não precisava executar nenhuma vingança, nenhum castigo. Quanto a ele, tudo estava bem. José já havia perdoado seus irmãos e não guardava nenhum rancor.

E nos versos 20 e 21 José afirmou: Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem, para fazer, como vedes agora, que se conserve muita gente em vida. Não temais, pois; eu vos sustentarei a vós outros e a vossos filhos. Assim, os consolou e lhes falou ao coração. Que palavras sábias, não é mesmo? Que consciência da soberania de Deus! Aqui temos uma grande verdade revelada. Deus redimiu a história de José, trazendo bons frutos a todos. José disse que, de fato, seus irmãos intentaram o mal quando o venderam como escravo ao Egito. Mas Deus transformou tudo em bênção.

Muitas vezes nós não nos conformamos com as circunstâncias ou com o problema que estamos enfrentando. Mas temos que confiar, pois Deus é soberano e pode transformar tudo em bem. Este modo de ver as coisas, de encarar os problemas, é simplesmente maravilhoso. Nós pensamos que os problemas nos sobrevêm, muitas vezes, sem nenhum propósito. No que se refere a José, a vítima, ele ficou tranqüilo e confiou no Deus soberano que tudo sabe e pode transformar os males em bênçãos. É assim que temos que encarar todas as situações difíceis que enfrentamos!

Os últimos versículos de Gênesis nos dizem que José habitou no Egito e viveu cento e dez anos. Ele conviveu com os filhos de seus filhos até à terceira geração. Quando já estava bem idoso, pediu aos irmãos que jurassem transportar os seus ossos para Canaã. E o texto, no verso 26, termina dizendo: Morreu José da idade de cento e dez anos; embalsamaram-no e o puseram num caixão no Egito (v. 26).

Assim termina o livro de Gênesis, com a morte do seu quarto grande personagem. Aqui vemos expressa a fé de José ao pedir que os seus ossos fossem levados para Canaã, quando Deus tirasse o seu povo do Egito. Ele queria que o seu corpo, no dia da ressurreição, se encontrasse com Cristo naquela terra que Deus prometera e entregara ao seu povo. Esta é a fé que todos nós temos.

Não importa o local onde seremos sepultados. Todos nos levantaremos do pó quando a trombeta soar. Mas para presenciarmos esse maravilhoso momento precisamos ter Cristo como nosso salvador pessoal. Que seja essa a nossa certeza, pela graça de Deus.

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