Através da bíblia gênesis itamir Neves de Souza John Vernon McGee



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O sexto dia da criação

Gn 1.26–31

Em Gênesis 1.26, Deus diz: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra. Registramos com esse texto a criação do ser humano conforme a imagem e semelhança de Deus. Ao estudarmos o capítulo 2 de Gênesis veremos, acrescida de mais detalhes, essa criação do homem.

O verso 27 confirma: Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. Estamos diante do simples, mas profundo fato da criação do homem, onde pela terceira vez a palavra “bara” aparece significando “criar do nada”.

Deus e sua Palavra não falam pormenorizadamente a respeito de todas as coisas que foram criadas. Muitos detalhes foram omitidos. No princípio criou Deus os céus e a terra é tudo o que temos a respeito da criação do universo. É tudo quanto Deus nos diz e conhecemos a respeito da sua criação.

A Bíblia poderia ter oferecido mais informações sobre como Deus fez o universo e toda a terra com suas criaturas, mas isso não aconteceu. Também em relação à criação do homem, nem todos os detalhes foram dados através da revelação divina. Mas no capítulo 2, a Bíblia apresenta vários pormenores, porque este livro foi escrito para o homem, e Deus quer que nós, seres humanos, saibamos qual a nossa origem, qual a origem da nossa vida e como surgimos nesse planeta. Através da explicação que a Bíblia oferece sobre o homem, Deus parece estar dizendo: “Gostaria que você prestasse atenção na sua própria criação, e não nas especulações a respeito da criação do universo”.

O relato da história do homem se torna ainda mais interessante quando lemos que Deus lhe deu o domínio sobre tudo quanto fora criado na terra. Observe o final do verso 26: … tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam sobre a terra… No verso 28 esse poder é reforçado. Adão não foi feito para ser um jardineiro apenas, para cultivar o jardim do Éden. Deus lhe deu autoridade sobre tudo, sobre toda a terra. Não podemos conceber algo tão fantástico: depois da criação do homem, a transferência do domínio sobre todas as coisas mostra o valor que Deus atribui ao ser humano.

É também inegável o destaque que a Bíblia apresenta quando relata que o homem foi criado à imagem de Deus. Isso quer dizer que, sendo Deus um Deus trino, e sendo o homem criado à sua imagem, podemos entender que este homem é formado por três elementos essenciais: o físico, o racional e o espiritual. É dessa maneira que podemos explicar a constituição do homem.

Veja o que diz o apóstolo Paulo em 1Tessalonicenses 5.23: O mesmo Deus da paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e corpo sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo. Ora, pelo fato de ser o homem uma pessoa, é possível entendê-lo como autoconsciente, que faz suas opções, toma suas próprias decisões. O homem é um ser moralmente livre, característica perfeitamente confirmada pelo fato de ter sido criado a imagem e semelhança de Deus.

Percebemos, então, que os últimos versículos do primeiro capítulo de Gênesis compõem a parte final da narrativa seqüencial sobre a criação. A Bíblia não dedica espaço maior para explicar qualquer coisa a respeito da criação do universo, da terra ou do homem, com exceção de alguns versículos isolados aqui ou ali. No entender de Deus, esse registro era, e é o suficiente!

Isso é significativo porque as palavras que destacamos até agora merecem toda a nossa atenção, e a Bíblia declara de maneira inequívoca que Deus criou toda a natureza do nada. Com exceção do ser humano, que foi criado do pó da terra, cada animal, cada ser, foi criado conforme a sua espécie, a partir do que não existia.

Portanto, é pela fé que entendemos que o mundo foi criado por meio da palavra de Deus. As coisas que vemos, as coisas visíveis, foram criadas pela palavra de Deus daquilo que não existia antes. Deus criou tudo do nada e, para sermos verdadeiros, temos que admitir que é difícil explicar o quê e o como tudo aconteceu. O finito não pode conter o infinito.

Enquanto isso, temos a alternativa de crer. É importante destacarmos, apenas para confirmarmos, que os cientistas, com todas as hipóteses (sejam elas fixistas ou evolucionistas), também não explicam a origem do homem e das diferentes espécies de animais, aves, répteis e pássaros. As diversas teorias não conseguem responder como as coisas puderam ser criadas a partir do nada. Nesse ponto é necessário mencionarmos, de modo geral, algumas dessas teorias para que você possa, pelo menos, saber que elas existem e o que defendem.

Dentro da família das hipóteses fixistas encontramos a teoria da geração espontânea, originalmente divulgada por Aristóteles, influenciado por Platão, que considerava que os seres vivos eram constantemente formados a partir da matéria não viva e estavam organizados numa “escala natural” na qual não teriam a possibilidade de alterar as suas características, passando ou originando outras espécies.

Outra teoria fixista é o criacionismo, que apresenta Deus como criador de todas as espécies, animais e vegetais através de um único ato e que, a partir desse momento, elas permaneceriam imutáveis, sendo qualquer imperfeição resultado das condições ambientais.

Dentro da família das hipóteses evolucionistas, também chamadas transformistas, surgidas a partir do século XVIII e influenciadas pela ciência sistemática (estudo da classificação dos organismos), e paleontologia (estudo dos fósseis), encontramos a teoria de Maupertuis. Ela considerava todos os animais provenientes de uma mesma fonte original, e as alterações seriam erros genéticos na reprodução.

A teoria do conde de Buffon, Georges Leclerc, afirmava que o surgimento das várias espécies seria ocasionado pelas variações geográficas e alimentares do local para onde as espécies teriam migrado.

A teoria de Cuvier, em 1799, afirmava que as espécies foram sendo transformadas em razão das catástrofes glaciais, dos dilúvios e dos terremotos. Os seguidores de Cuvier levaram essa teoria ao extremo dizendo que todas as espécies foram destruídas, sendo depois repostas por novos atos da criação divina.

Em 1859, a teoria evolutiva de Charles Darwin, também conhecida como teoria da seleção natural, afirmava de modo geral a existência de uma “luta pela vida” e a sobrevivência dos elementos mais fortes e mais capazes de cada espécie.

Poderíamos mencionar muitas outras teorias, mas cremos que a apresentação de algumas delas já é suficiente para percebermos as inúmeras tentativas humanas de explicar a origem de toda a criação, por não aceitarem o relato bíblico da criação divina.

No verso 28, após ter criado o homem e a mulher, Deus disse-lhes: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra. Devemos atentar especialmente para estas palavras: “Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra”. Aqui estamos diante de um assunto que muitos consideram ainda um assunto delicado. Mesmo com todo o avanço do conhecimento nessa área, alguns entendem que não se deve falar, não se deve escrever ou conversar, porque envolve o sexo. Realmente, ainda existem pessoas que crêem que o sexo é imoral e não deve ser tratado publicamente, e que Deus deu às suas criaturas algo perigoso e impróprio. Mas sexo é a parte que Deus deu às suas criaturas para que se reproduzissem, se multiplicassem e também tivessem satisfação.

Encontramos nessa passagem Deus abençoando e ordenando às suas criaturas que fossem fecundas, que enchessem o mundo, que povoassem a terra. A maneira pela qual essa ordem se cumpriria seria através dos aparelhos reprodutores de cada ser, conforme a sua espécie. E para que isso acontecesse, o sexo deveria ser usado corretamente.

É verdade que temos gente demais falando sobre o sexo em nossos dias. Muitos que pertencem à chamada nova geração pensam que descobriram o sexo, que fizeram uma grande descoberta. Mas como vemos nesse livro, Deus falou sobre este assunto bem no início da história humana.

Algumas pessoas também olham para o sexo com medo, ou como sendo uma coisa indigna. Mas a Bíblia narra que Deus criou o homem dando-lhe a ordem e as condições para se reproduzir, o que é maravilhoso, porque é uma das maneiras de participarmos da criação divina. Infelizmente muitos têm transformado o sexo numa coisa degradante, sendo inclusive assunto de exploração obscena em revistas, livros, artes e em diversos meios de comunicação. Isto é revoltante, é repulsivo. É a corrupção do que foi criado com bons propósitos.

Tudo o que Deus criou é puro, e com pureza deve ser usado. Não se deve corromper o que foi criado com uma finalidade tão elevada. O homem, como ser moral, tem uma responsabilidade moral distinta de não desvirtuar a criação original, porque ele é a imagem de Deus.

Agora note outro ponto importante. Deus ordenou ao homem criado à sua semelhança que se reproduzisse. No verso 31 lemos: Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom. Houve tarde e manhã, o sexto dia. Ora, se Deus, depois de ter feito a sua obra criadora, entendeu que estava tudo muito bom, quem somos nós, seres humanos criados, para contradizê-lo? O correto é aceitar, pela fé, que tudo o que foi feito por um Deus perfeito, também é perfeito!
A criação do ser humano

Gn 2.1-25

Os versos 1 a 3 de Gênesis 2, afirmam que Deus, ao terminar de criar os céus e a terra e todo o seu exército, astros e estrelas, descansou no sétimo dia, o abençoou e o santificou: Porque nele descansou de toda a obra que, como Criador, fizera. Sobre essa afirmação é necessário sabermos que o verbo descansar significa “cessar” ou “terminar”. Dele provém a palavra “shabat” que, transliterada para o português, significa “sábado” ou “dia de repouso”. Mas dizer que Deus descansou não deve ser interpretado que Ele estava cansado ou que parou de agir, mas que considerou a sua obra bem-sucedida e assim finalizou-a.

Temos que procurar entender melhor a questão da santificação do sétimo dia, da sua bênção, do dia de descanso. A intenção de Deus era o bem do ser humano. O sábado foi instituído para ser um dia de descanso e de celebração especial do concerto, da aliança. Esse dia é santificado no sentido de que todos os que observam o seu verdadeiro objetivo desfrutam as bênçãos divinas decorrentes dessa obediência.

Mas voltemos um pouco mais. Nos cinco primeiros dias Deus fez uma criação parcial. Possivelmente este universo no qual vivemos exista a bilhões de anos e, como mencionamos anteriormente, tenha ocorrido alguma catástrofe que o abalou totalmente, deixando a terra, no mínimo, em completo caos, “sem forma e vazia”.

Foi necessário que Deus fizesse uma espécie de recriação, atuando através do seu Santo Espírito que pairava por sobre as águas. Deus fez uma nova criação e o homem foi criado por Deus no sexto dia dessa recriação. Encontramos uma referência à gênese, a origem dos céus e da terra, no verso 4: Esta é a gênese dos céus e da terra quando foram criados, quando o Senhor Deus os criou. Gênesis é o livro dos começos, por isso o uso da palavra “gênese” que quer dizer formação, constituição, origem.

Nos versos 5 e 6 lemos: Não havia ainda nenhuma planta do campo na terra, pois ainda nenhuma erva do campo havia brotado; porque o Senhor Deus não fizera chover sobre a terra, e também não havia homem para lavrar o solo. Mas uma neblina subiu da terra e regava toda a superfície do solo…. De acordo com essas palavras, podemos constatar que a neblina citada regava toda a terra e já ocorria antes de o homem existir.

Nesse ponto da narrativa, percebemos o propósito bíblico do relato de todo o capítulo 1: Deus estava preparando um lar para o homem que criaria no último dia, no sexto dia. E agora, no capítulo 2, temos o relato de Deus criando e colocando o homem nesse lugar em que havia preparado para ele. Este é um dos aspectos mais notáveis desta primeira parte do livro de Gênesis.

Voltando ao assunto central deste capítulo, a criação do homem, ou o método usado por Deus para a sua criação, lemos no verso 7: Então, formou o Senhor Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente. Deus, no capítulo 1, sem matéria alguma, criou tudo do nada. O mundo veio a existir daquilo que não havia. Do nada para a vida. Não temos qualquer referência a transição ou a evolução dos animais para o ser humano. E, isso não foi registrado porque, de fato, não existiu essa ligação.

Mais uma vez Deus não nos revela muito sobre como fez o homem, mas diz que o formou do pó da terra no seu aspecto físico. É interessante notarmos que na constituição do nosso organismo encontramos de quinze a dezesseis elementos químicos originários da terra. Se os cientistas apanhassem qualquer um de nós e procurassem separar e avaliar todos os elementos químicos presentes no corpo, chegariam à conclusão que custamos relativamente pouco. Fisicamente não valemos quase nada, porque fomos formados do pó da terra. O homem, no seu aspecto físico, é pó, nada mais do que pó, e a ele se tornará.

Porém o homem tem um outro elemento que é o espírito. Quando o pó volta ao pó, o espírito humano volta a Deus, de onde veio, conforme diz o Salmo 146.4: Sai-lhes o espírito, e eles tornam ao pó; nesse mesmo dia, perecem todos os seus desígnios]. E Eclesiastes 12.7 também diz: pó volte a terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu.

O homem tem esse espírito porque Deus soprou em suas narinas o fôlego da vida e ele tornou-se alma vivente. Deus criou o homem do pó da terra, depois soprou no homem alma vivente e lhe deu vida física, ou fisiológica, e depois a espiritual, que possibilita o relacionamento entre criatura e Criador.

O ser humano tem a capacidade de se comunicar com Deus em seu ser. Isso não acontece no aspecto físico, mas no espiritual, pois afinal Deus é espírito: Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade (Jo 4.24). É esse relacionamento que torna o homem diferente de qualquer outra criatura que exista no universo.

Ao observarmos todas essas questões, fica mais evidente que não há a mínima possibilidade de sustentação da teoria da evolução na criação do homem. Não é possível admitir, como querem os evolucionistas teístas, que o ser humano por si só chegou a tal ponto de desenvolvimento que se tornou capaz de relacionar-se com Deus. Nenhuma forma de evolução pode levar o homem a ser o que ele é: um ser inteligente, consciente e uma pessoa espiritual que pode relacionar-se com o Deus Criador, que é espírito. A evolução mais uma vez tem dificuldade em defender-se diante das precariedades de suas provas, da falta de evidências e, especialmente, da Palavra de Deus.

É muito fácil separar ossos humanos, compará-los com os de um antropóide e apresentá-los como o elo perdido. Pode haver grande semelhança entre eles, mas há também uma grande diferença. Há similaridades porque são criaturas que viveram no mesmo mundo e há certas formas ósseas que se parecem. Contudo as diferenças são maiores que as semelhanças. O homem é uma criatura diferente. Deus soprou nas suas narinas o fôlego da vida e ele tornou-se alma vivente. Foi criado de um modo espantoso e maravilhoso. É essa verdade que devemos ter sempre em mente.

O verso 8 diz: E plantou o Senhor Deus um jardim no Éden, na direção do Oriente, e pôs nele o homem que havia formado. Não é possível dizer com precisão onde estava situado o jardim do Éden, porque apesar de termos registrado que ele ficava no vale dos rios Tigre e Eufrates, na Mesopotâmia, os rios Pison e Giom, mencionados nos versos 11 e 13, nunca foram localizados ou identificados.

Esse jardim do Éden, cujo significado em hebraico é jardim de delícias, originalmente ocupava o vale desses rios, sendo um lugar muito fértil. Como ainda hoje, de certo modo, é parte do crescente verde, do crescente fértil daquela região.

No verso 9 encontramos referência ao que havia no meio do jardim: Do solo fez o Senhor Deus brotar toda sorte de árvores agradáveis à vista, e boas para alimento; e também a árvore da vida no meio do jardim e a árvore do conhecimento do bem e do mal. Aqui aparecem algumas árvores incomuns especificamente mencionadas, como por exemplo a árvore da vida e a árvore do conhecimento do bem e do mal. Não podemos explicar muito a respeito delas, porque não existem mais nos dias de hoje. Elas foram tiradas de cena. Mas vemos que eram árvores agradáveis à vista, belas e com o seu lado prático: também eram boas para alimentação.

Podemos entender a árvore da vida como associada à concessão da vida, isto é, seus frutos forneciam vida. Essa árvore é citada em Apocalipse 2.7, na carta de Jesus à igreja de Éfeso, onde é prometido que quem ouvir suas palavras será o vencedor e poderá comer do fruto da árvore da vida. A árvore é citada também em Apocalipse 22.2, no relato da visão da Nova Jerusalém. No meio de sua praça, de uma a outra margem do rio, está a árvore da vida produzindo doze frutos, um a cada mês, cujas folhas servem de cura para as nações. No verso 14 de Apocalipse 22, há também a bem-aventurança para os salvos, que lavaram suas vestes no sangue do Cordeiro e terão o direito à árvore da vida.

Podemos compreender o significado da árvore do conhecimento do bem e do mal como sendo a possibilidade do ser humano de fazer escolhas, ser responsável por suas decisões. Ela indica a autonomia do ser humano, a possibilidade de se autogovernar, de ter sua independência entregue por Deus.

O jardim do Éden deve ter sido um lugar realmente bonito. Nos versos 10 a 15 lemos:



10. E saía um rio do Éden para regar o jardim e dali se dividia, repartindo-se em quatro braços.

11. O primeiro chamava-se Pisom; é o que rodeia a terra de Havilá, onde há ouro.

12. O ouro dessa terra é bom; também se encontram lá o bdélio e a pedra de ônix.

13. O segundo rio chama-se Giom; é o que circunda a terra de Cuxe.

14. O nome do terceiro rio é Tigre; é o que corre pelo oriente da Assíria. E o quarto é o Eufrates.

15. Tomou, pois, o Senhor Deus ao homem e colocou no jardim do Éden para o cultivar e o guardar.

Deus colocou o homem no jardim para que tivesse domínio sobre ele, o cultivasse e o guardasse. Mas Deus também deu uma ordem nos versos 16 e 17: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás. A intenção original de Deus não era que o homem morresse, mas foi-lhe aplicado um teste. Isso nos lembra sempre que fomos criados seres livres e que esse privilégio criou e cria responsabilidade. Esta é a verdade sobre o ser humano. Adão e Eva estavam diante de uma grande prova. A questão era se iriam ou não obedecer. É bem possível que a árvore fosse a mais bonita e a que produzisse o melhor fruto do jardim. Mas era uma prova de obediência. No dia em que comessem, morreriam. E foi o que aconteceu.

Diante dessa afirmação é importante lembrarmos novamente dos três elementos que formam o homem. Adão não morreu fisicamente, pois viveu até chegar à idade de 900 anos. Mas Deus disse: “No dia em dela comeres, certamente morrerás”. Precisamos entender que a morte significa separação. E, assim, o homem foi separado espiritualmente de Deus no mesmo dia em que comeu da árvore, no mesmo instante em que desobedeceu. Disso podemos ter certeza.

Leiamos o verso 18: Disse mais o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só: far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea. Após ficar sozinho no jardim por certo período de tempo, o homem descobriu que estava incompleto. Percebeu que necessitava de mais alguém, de uma companheira.

No verso 19 lemos: Havendo, pois, o Senhor Deus formado da terra todos os animais do campo e todas as aves dos céus, trouxe-os ao homem, para ver como este lhes chamaria; e o nome que o homem desse a todos os seres viventes, esse seria o nome deles.

O verso 20 completa dizendo: Deu nome o homem a todos os animais domésticos, às aves dos céus e a todos os animais selváticos; para o homem, todavia, não se achava uma auxiliadora que lhe fosse idônea. Adão deveria ser uma pessoa muito capacitada para conseguir nomear todos os animais do mundo. Mas certamente sentia falta de uma companhia no seu nível, com quem pudesse se comunicar.

Deus percebeu essa necessidade e o texto sagrado nos versos 21 a 25 relata:

21. Então, o Senhor Deus fez cair pesado sono sobre o homem, e este adormeceu; tomou uma das suas costelas e fechou o lugar com carne.

22. E a costela que o Senhor Deus tomara ao homem, transformou-a numa mulher e lha trouxe.

23. E disse o homem: Esta, afinal, é osso dos meus ossos e carne da minha carne; chamar-se-á varoa, porquanto do varão foi tomada.

24. Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne.

25. Ora, um e outro, o homem e sua mulher, estavam nus e não se envergonhavam.

É interessante notarmos que Eva foi tirada de Adão, do seu lado. Como diz um dito popular: “Deus não a tomou da cabeça, para não ser superior a Adão; não a tirou de seus pés para que não fosse inferior a ele. Mas tomou-a do seu lado para que fosse sua igual e para estar com ele”.

Assim Eva foi idealizada como companheira, como auxiliadora idônea. Sua criação foi indireta porque Deus a formou do homem, do seu lado. Isso revela que a mulher é parte do homem, sua outra metade. Os dois juntos se completam e criam uma unidade quando se casam. Tornam-se uma só carne, formando uma nova célula familiar.
A queda do ser humano – o pecado

Gn 3.1-13

O capítulo 3 de Gênesis é considerado por todos os expositores fiéis da Palavra de Deus como um dos textos mais importantes de todo o conteúdo bíblico. Nele está registrada a queda do ser humano que trouxe como conseqüência a separação entre o homem e Deus. Ele pode ser chamado de “pivô” da Bíblia, e se você quiser fazer um teste de sua relevância, leia os capítulos 1 a 11 de Gênesis, saltando o capítulo 3. Você chegará à conclusão que existe um tremendo vácuo que necessita ser preenchido, porque nesse intervalo aconteceu algo que mudou a história da humanidade.

Em Gênesis 1 e 2 encontramos o homem ainda em estado de inocência. Tudo era perfeito e havia uma relação de amizade entre Deus e o homem.

Nos capítulos de 4 a 11 são expressas cenas de ciúme, ira, mentira, assassinato, maldade, corrupção, rebelião e castigo.

E diante desse quadro, surgem algumas pergunta: O que aconteceu para esta mudança? Como tudo aconteceu? Onde tudo começou? O pecado é a resposta a essas questões. Mas ainda, pergunta-se: de onde se originou o pecado? O pecado não se originou nesse ponto das Escrituras, mas no que se refere ao homem, foi ali que ele teve início.

Diante da importância do capítulo 3, nos deparamos com o grande drama da raça humana. Esse drama começou há muito tempo e só será finalizado na consumação dos tempos. Neste capítulo encontramos a explicação divina da queda e da ruína moral da nossa raça, as sutilezas do inimigo, Satanás, e a fraqueza do homem em tentar andar por si só no caminho da obediência quando a graça divina já representava a sua única esperança.

Em Gênesis 3 descobrimos os efeitos espirituais do pecado; vemos o homem fugindo do seu Criador; vemos a atitude de Deus para com o pecador culpado; mas constatamos também a tendência universal da natureza humana em tentar encobrir a sua própria vergonha moral por meio de obras das suas mãos.

Apesar do triste relato do fracasso humano, esta passagem bíblica nos fala da provisão graciosa de Deus para suprir a necessidade do homem. As profecias de salvação da humanidade, que são pronunciadas em toda a Bíblia Sagrada, têm seu início aqui, e aprendemos que o homem não pode aproximar-se de Deus a não ser por meio de um mediador justo.

Dedicamos um tempo maior estudando os primeiros capítulos de Gênesis, porque eles são fundamentais para entendermos o que viria a seguir. Verdadeiramente, muitas vezes, a Bíblia relata um conteúdo muito profundo num espaço muito pequeno de texto.

O verso 1 diz assim: Mas a serpente, mais sagaz que todos os animais selváticos que o Senhor Deus tinha feito, disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim?

Diante desse relato surge mais uma pergunta: Por que a tentação?

Para formular adequadamente uma resposta temos de, primeiramente, lembrar que o homem, como o conhecemos hoje, não foi sempre assim. Ele foi criado puro. Havia em seu ser inocência e dependência de Deus. Mas nesse meio tempo surgiu o teste, que tanto poderia ter ajudado no desenvolvimento do ser humano quanto o ter levado à destruição. E o jardim do Éden não era um lugar que estava isento de testes, trabalho e desafios.

O caráter do homem precisava ser desenvolvido e, por ser livre, ele tinha a responsabilidade de glorificar a Deus, de obedecê-lo e servi-lo, submetendo-se e dependendo do governo divino.

O homem não teve participação nenhuma na sua criação e Deus não foi arbitrário ao criá-lo. Tanto é verdade que disse a Adão: Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás (2.17). Deus não havia colocado no jardim apenas esse tipo de árvore. Muitas outras árvores que produziam bons frutos estavam à disposição do homem, de forma que não havia necessidade dele comer o fruto proibido.

Ao ordenar que não comesse da árvore do conhecimento do bem e do mal Deus atribuiu responsabilidade ao homem. Ele passou a ser considerado uma criatura responsável. E, assim, surgiram as condições ideais para o teste e, infelizmente a conseqüente queda humana.

O primeiro versículo deste capítulo ainda fala sobre a serpente, isto é, Satanás, o diabo, o grande dragão, o enganador. Mas de onde ele surgiu? Como já falamos anteriormente, provavelmente sua rebelião contra Deus, e sua queda, aconteceu no intervalo de tempo entre os versos 1 e 2 de Gênesis 1. A Bíblia diz que Satanás foi lançado na terra juntamente com os anjos que o seguiam.

E ninguém deve ter uma opinião errônea a respeito da serpente, pois sobre ela lemos em Apocalipse 20.1,2: Então, vi descer do céu um anjo; tinha na mão a chave do abismo e uma grande corrente. Ele segurou o dragão, a antiga serpente, que é o diabo, Satanás, e o prendeu por mil anos. Embora não sejamos dogmáticos, concordamos com os estudiosos quando dizem que a origem de Satanás é descrita em Isaías 14 e em Ezequiel 28.

Leia agora os versos 1 a 5 de Gênesis 3:





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