Através da bíblia gênesis itamir Neves de Souza John Vernon McGee



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Os descendentes de Adão

5.1-20

Iniciando o capítulo cinco, vamos primeiramente nos ocupar dos versos 1 a 20, que tratam da descendência de Adão. Encontramos aqui pelo menos três ênfases bem definidas.

Em primeiro lugar, vemos o valor que Deus dá ao ser humano através da menção e do conhecimento de cada um dos nomes desse estágio primitivo da vida humana. Cada um deles é destacado e registrado. Desde Adão até Noé encontramos dez gerações: Adão (v. 1-5); Sete (v. 3-8); Enos (v. 6-10); Cainã (v. 9-13); Maalaleel (v. 12-16); Jerede (v. 15-20); Enoque (v. 18-24); Metusalém (v. 21-27); Lameque (v. 26-31); Noé (v. 29-32).

Essa genealogia, que liga Adão a Noé, inclui dez nomes e pode denotar, como na genealogia de Caim, um símbolo de algo completo, pleno. Ela mostra a continuidade da história humana, desde a criação até o evento do dilúvio, quando toda a raça humana foi destruída por causa do pecado e da impiedade, com exceção de Noé e sua família.

Em segundo lugar, é possível ver nessa genealogia uma seqüência de nomes que, partindo de Sete (substituto de Abel na verdadeira adoração ao Senhor), chega a Noé, que é destacado por Deus: Porém Noé achou graça diante do Senhor (Gn 6.8). Isso mostra que sempre existiram seres humanos que verdadeiramente adoraram a Deus. A pergunta a fazer agora é: Será que pertencemos a esse grupo de adoradores ou pertencemos ao grupo daqueles que são indiferentes a Deus?

Em terceiro lugar, essa lista genealógica de dez nomes mostra o domínio da morte sobre o gênero humano. Por oito vezes a frase “e morreu” é repetida laconicamente, demonstrando que este é o final da raça humana depois que pecou, desobedecendo e tentando viver fora da dependência de Deus.

Este capítulo de Gênesis destaca o fato de que todos os primeiros homens, apesar de terem vivido muito tempo, acabaram morrendo. Podemos dizer com certeza que todos os descendentes de Adão morreram. De fato, morreram fisicamente, mas também podemos fazer uma aplicação e dizer que todos aqueles que estão “em Adão” morrem espiritualmente, conforme Paulo nos diz em Romanos 5.12-21.

É possível perceber que Enoque interrompeu essa seqüência de morte. A razão dessa interrupção aparece no verso 24: Andou Enoque com Deus e já não era, porque Deus o tomou para si. Aqui temos uma importante lição que devemos aplicar em nossas vidas.

Aqueles que andam com Deus, mesmo que passem pela morte física, certamente não experimentarão a morte eterna. O fato de Enoque ter sido arrebatado simboliza a ressurreição de todo àquele que confia no Senhor! Mostra o poder de Deus sobre a morte, grande inimiga do ser humano, mostra que a morte pode ser vencida pelo poder de Deus, pois Ele é um Deus de vivos!

A única exceção naquela seqüência de morte foi Enoque que, ao invés de morrer, foi transladado, arrebatado, porque andava com Deus. Relembre o que diz no verso 24: Andou Enoque com Deus, e já não era, porque Deus o tomou para si. O profeta Elias também passou por experiência semelhante: Indo eles andando e falando (Elias e Eliseu), eis que um carro de fogo, com cavalos de fogo, os separou um do outro; e Elias subiu ao céu num redemoinho (2Rs 2.11).

A experiência de Enoque simbolicamente transmite a idéia de que todo aquele que se deleitar no Senhor e com Ele andar, fazendo a sua vontade, Deus o tomará para si. Mesmo que morra, viverá, conforme Jesus disse à Marta em João 11.25: Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá. Essa é a nossa garantia. Se andarmos com Deus, dirigidos pelo Santo Espírito, podemos com segurança saber que temos a vida eterna e não morreremos eternamente!
O exemplo de Enoque e o contraste entre duas genealogias

Gn 5.21-32

O exemplo de Enoque, além de nos desafiar a andar com Deus, nos mostra as implicações das atitudes paternas em relação às futuras gerações. A partir de Sete, que gerou a Enos, nos é dito que “daí se começou a invocar o nome do Senhor”. E de Enos chegamos a Enoque, que andava com Deus e, de Enoque chegamos a Noé que achou graça diante do Senhor. Esta seqüência destacada é uma lição possível de ser aplicada por todos nós. O que passamos para as novas gerações tem valor determinante.

A partir destas constatações é possível percebermos um contraste entre as genealogias do capítulo quatro e deste capítulo.

Em Gênesis 4, no verso 17 lemos: E coabitou Caim com sua mulher; ela concebeu e deu à luz a Enoque. Caim edificou uma cidade e lhe chamou Enoque, o nome de seu filho. E, nos versos 25 e 26 lemos:



25. Tornou Adão a coabitar com sua mulher; e ela deu à luz um filho, a quem pôs o nome de Sete; porque, disse ela, Deus me concedeu outro descendente em lugar de Abel, que Caim matou.

26. A Sete nasceu-lhe também um filho, ao qual pôs o nome de Enos; daí se começou a invocar o nome do Senhor.

Ao estabelecermos esse contraste, cinco diferenças marcantes ficarão mais nítidas:

Em primeiro lugar, a linha genealógica de Caim (um assassino confesso), não tem descrição de seu tempo de vida; enquanto na de Sete temos a descrição da idade de toda a sua descendência, com muito mais informações, porque o tempo que não é vivido na presença do Senhor não se conta, não serve para nada.

Em segundo lugar, a linha genealógica de Caim foi quem perpetuou o mal; enquanto que na de Sete voltaram a invocar o nome do Senhor, começaram a orar e certamente lutaram contra o mal o tempo todo.

Em terceiro lugar, o destaque dado na genealogia de Caim, é a Lameque e a sua declaração de que cometeu assassinatos com total indiferença e alegrando-se por sua ação. O destaque da genealogia de Sete, é Enoque, o descendente que andou com Deus.

Em quarto lugar, a genealogia de Caim levou a humanidade para o inferno; enquanto que a genealogia de Sete, nos trouxe a salvação, através de Cristo.

E, em quinto lugar, a genealogia de Caim dava valor ao poder e ao ter; enquanto que a genealogia de Sete, mostra o valor de andar com Deus.

Uma outra verdade que as genealogias nos ensinam é que não existe nome maldito. Não é o nome que nos dá significado, mas nós amaldiçoamos ou não o nome, através de nossos atos, como vemos no caso do nome de Lameque que aparece, tanto na genealogia de Caim (4.18), como na genealogia de Sete (5.25). Enquanto um Lameque foi assassino, o outro Lameque fez parte da descendência que andou com o Senhor e achou graça diante de Deus!

Precisamos, então, decidir a qual família pertencemos, àquela que busca o dinheiro, o poder, à família de Caim, ou à família de Sete que procurou e andou na presença de Deus, aquela família que trouxe o Salvador ao mundo e com Ele a vida eterna.

Precisamos decidir: se depender de mim a corrupção não irá adiante, pelo menos em oração estarei entre aqueles que são da família de Sete para que o mal não tenha vitória.



A corrupção do gênero humano

Gn 6.1-10

Noé significa “repouso” e assemelha-se com o verbo hebraico que tem o sentido de “nos consolará”. Ele nos dará descanso, preservando um remanescente na arca. Simbolicamente encontramos a figura de Cristo, que viria para dar a vitória definitiva sobre a maldição dada à terra (Gn 3.17). Noé prefigura a salvação da condenação divina que podemos ter em Cristo Jesus.

Mas por que certas partes de Gênesis 5 e 6 são consideradas polêmicas pelos estudiosos? Por que existem pontos difíceis de entender? Porque neles encontramos temas que dão margem a diversas interpretações.

Por isso, a necessidade de estudarmos detalhadamente cada texto da Palavra, pedindo orientação para que aquilo que for apresentado aqui tenha interpretação correta e edifique a quem estiver estudando o seu conteúdo.

O primeiro ponto que aquece debates é o referente à idade prolongada de Metusalém (ou Matusalém em outras versões), e dos demais patriarcas. Quando lemos no texto bíblico que a maioria dos homens mencionados no capítulo 5 viveu em média novecentos anos, temos que reconhecer que muitas pessoas não aceitam a literalidade dessa informação.

O verso 27 diz assim: Todos os dias de Metusalém foram novecentos e sessenta e nove anos; e morreu. Como devemos encarar essa afirmação? São novecentos e sessenta e nove anos conforme contamos hoje? Ou foram anos mais curtos? Havia uma outra maneira de se calcular idades naquela época? Representam os anos da vida desses personagens primitivos, ou essa quantidade é a soma total dos anos vividos por suas famílias?

Citamos o exemplo de Metusalém, que é conhecido como o homem que mais viveu, mas outros personagens também chegaram a uma idade avançada. Adão viveu 930 anos; Sete, 912; Enos, 905; Cainã, 910; Maalalel, 895; Jarede, 962; Enoque, 365; Metusalém, 969; Lameque, 777; e Noé, 950.

Alguns estudiosos, diante de números tão significativos, não aceitam essas indicações como sendo literais, argumentando que se referem à soma total de anos vividos pelos descendentes das famílias de cada um dos personagens citados. Assim, por exemplo, o tempo de vida atribuído pela Bíblia a Enos, 905 anos, corresponderia ao tempo de existência da família fundada por ele.

Mas todos esses números devem ser entendidos literalmente, da forma como contamos as idades nos dias de hoje.

A primeira razão porque devemos compreendê-las assim é que esses patriarcas foram os primeiros habitantes da terra antes do dilúvio. Certamente as condições ambientais para se viver no planeta eram as melhores possíveis, pois toda a criação recebera a aprovação do próprio Deus. As condições ecológicas e climáticas do mundo primitivo também eram excepcionais, porque era o início da habitação humana na terra (um tempo sem poluição e desrespeito ao meio ambiente), favorecendo a longevidade dos primeiros habitantes da terra.

A segunda razão é o tempo que Enoque esteve no mundo antes de ser arrebatado. Ele viveu “apenas” (quando comparamos com os demais), 365 anos, indicando que esse tempo é relativo à sua vida pessoal e não ao total vivido por sua família.

A terceira razão é que diante da ordem divina, dada aos homens para que crescessem e se multiplicassem, essa longevidade era lógica, porque assim esse alvo seria mais rapidamente alcançado, conforme aponta o texto de Gênesis 6.1: Como se foram multiplicando os homens na terra…

A última razão para aceitar a literalidade dessas idades é a própria Palavra de Deus. Nela temos registrado que, a partir do dilúvio, por causa da maldade do coração humano, a idade da raça humana seria reduzida. Ela ficaria em torno de 120 anos: Então, disse o Senhor: O meu Espírito não agirá para sempre no homem, pois este é carnal; e os seus dias serão cento e vinte anos (Gn 6.3).

Voltemos os nossos olhos agora para o segundo ponto que gera controvérsia: o que fala sobre o casamento dos filhos de Deus com as filhas dos homens. Gênesis 6.2,4 diz:



2. Vendo os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas, tomaram para si mulheres, as que, dentre todas, mais lhe agradaram.

4. Ora, naquele tempo havia gigantes na terra; e também depois, quando os filhos de Deus possuíram as filhas dos homens, as quais lhes deram filhos; estes foram valentes, varões de renome, na antigüidade.

Afinal, quem eram esses personagens? E ainda: De onde surgiram os gigantes? Qual o significado de Deus ter se arrependido de criar o homem? Você percebe como temos passagens difíceis de serem interpretadas?

A expressão “filhos de Deus” tem sido interpretada como referente a anjos ou seres humanos. Uma das possibilidades, de acordo com a linha cristã tradicional, é interpretar os filhos de Deus como sendo a descendência piedosa de Sete, os setitas e, as filhas dos homens como a descendência amaldiçoada de Caim, os cainitas.

Outra alternativa, de acordo com os antigos intérpretes judaicos, é entender os “filhos de Deus” aqui como seres celestes, isto é, anjos caídos, que depois desse pecado peculiar foram confinados para futuro julgamento (1Pe 3.19-20; 2Pe 2.4; Jd 6), diferentemente de outros textos do Antigo Testamento, onde anjos também são chamados de filhos de Deus (Jó 1.6; 2.1; 38.7; Sl 29.1; Sl 89.7; Dn 3.25).

Mas esse pensamento é contrário à afirmação de Jesus de que os anjos não se casam e não procriam (Mc 12.25). Além disso, podemos raciocinar da seguinte maneira: se esses seres eram anjos bons, não desobedeceriam a Deus; se eram anjos maus, não poderiam ser chamados de “filhos de Deus”.

É possível também interpretar esses “filhos de Deus” como os sucessores reais, poderosos e tirânicos de Lameque, que ajuntaram para si haréns com as mulheres mais formosas que existiam.

Você percebe quantos pontos de vista? Mas qual se aproxima mais da verdade? Há duas interpretações que compõem melhor o quadro completo deste difícil texto bíblico.

A primeira, é a corrente que vê nessa união o casamento misto entre os descendentes de Sete (filhos de Deus do capítulo 5), com as descendentes de Caim (filhas dos homens do capítulo 4), interrompendo desta maneira a separação que havia entre os dois grupos. A segunda, é a que defende a idéia de vermos nessa prática as ações dos filhos de Lameque que, seguindo o exemplo do pai, compuseram para si os haréns.

Mas Gênesis 6 ainda fala que havia gigantes sobre a terra, e os filhos que nasceram desses casamentos foram valentes e varões de renome. Como interpretar essas palavras? Embora seja possível observar que não é dito em nenhum momento que os gigantes fossem originados exclusivamente desses casamentos, temos que admitir que alguns surgiram desse modo, e outros já existiam ou apareceram depois.

A palavra “gigantes” vem do hebraico “nefilins”, que significa “pessoas de grande porte e força”. A expressão carrega também o sentido de “caídos”, fazendo-nos entender que mesmo que fossem considerados os heróis da antigüidade, conforme Números 13.31-33, para Deus eram pecadores caídos, prontos para a condenação por seus atos pecaminosos.

O verso 3 ainda mostra o início do julgamento de Deus sobre toda a raça humana, com Deus externando seu desejo de “não agir através do seu Espírito”, tendo em vista a carnalidade que se instalara. Como entender essa expressão? Qual o significado desse direcionamento de Deus? Podemos interpretar essa frase como um aviso divino, a paciência divina mostrando que o período da graça entre a decretação do juízo e a sua execução, através do dilúvio, seria de 120 anos.

1Pedro 3.20 diz: Os quais, noutro tempo, foram desobedientes quando a longanimidade de Deus aguardava nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca, na qual poucos, a saber, oito pessoas, foram salvos, através da água. Mais uma vez nos deparamos com a longanimidade de Deus. Deus espera. Deus espera por você e por mim.

Quando pecamos, Ele deseja ver o nosso coração quebrantado e arrependido, buscando o seu perdão e a sua graça. Devemos decidir: não ouvirmos a voz de Deus, como fizeram os vizinhos, amigos e parentes de Noé (que pereceram), ou ouvirmos e obedecermos a Deus mesmo que isso implique em fazermos o que não entendemos, e agirmos pela fé (e sermos salvos).

A expressão “o meu Espírito não agirá para sempre no homem” permite compreendermos, sendo o Espírito de Deus o Espírito da vida, e o homem carnal criatura não eterna, diante da proibição ao fruto da árvore da vida, que é lógico o limite da vida espiritual em 120 anos agora estabelecido por Deus.

Na seqüência, nos versos 5 a 7, encontramos a dura e difícil decisão que o Senhor teve de tomar:

5. Viu o Senhor que a maldade do homem se havia multiplicado na terra e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração;

6. então, se arrependeu o Senhor de ter feito o homem na terra, e isso lhe pesou no coração.

7. Disse o Senhor: Farei desaparecer da face da terra o homem que criei, o homem e o animal, os répteis e as aves dos céus; porque me arrependo de os haver feito.

Em resumo, esse texto nos mostra “o pecado plenamente desenvolvido”. E diante dessa constatação, você acha que foi uma decisão fácil para Deus? Certamente que não! Mas será que Deus foi surpreendido por esse desvio moral do ser humano? A resposta também é não! Deus sabia, porque é onisciente e eterno, que o homem tomaria esse caminho, e não foi surpreendido pelo pecado.

Algumas pessoas têm dito algumas palavras que, nesse momento, soam como bastante corretas: “Antes que dissesse: haja luz!, Deus havia dito: haja cruz!”. É isso mesmo que você ouviu. O amor de Deus é eterno e, no seu maravilhoso plano, Jesus Cristo já fora dado, já fora crucificado por todos nós antes mesmo da criação (1Pe 1.20; Ap 13.8). Vale a pena ter comunhão com esse Deus? É claro que sim!

Mas voltemos a difícil decisão de Deus. O texto usa o verbo arrepender. Como entender tal afirmação se aceitamos pela fé que Deus é imutável? Alguém já disse que o pecado do homem é a tristeza de Deus e, por isso, temos que entender aqui uma referência a uma mudança de atitudes e ações.

Não há contradição entre este versículo e as passagens que ensinam que Deus é imutável (Ml 3.6; Tg 1.17), e que não muda o seu pensamento (Nm 23.19; 1Sm 15.29; Sl 33.11; Is 46.10). É necessário lembrarmos que esta é uma descrição antropopática de Deus, onde são atribuídas a Ele características humanas de conhecimento e emoção.

É importante também reconhecermos que o Deus soberano e imutável sabe lidar apropriadamente com as mudanças do comportamento humano. O período da graça estava chegando ao fim.

Quando o ser humano peca, ou se arrepende dos seus pecados, Deus “muda de pensamento” quanto à bênção ou punição apropriada para cada situação, como por exemplo em Êxodo 32.12-14, quando Moisés intercedeu pelo rebelde povo de Israel. O verso 14 desse texto diz: Então, se arrependeu o Senhor do mal que dissera havia de fazer ao povo. Temos de crer que o nosso Deus sabe agir de acordo com os seus soberanos e eternos propósitos.

Porque Deus é imutável no seu ser e eternamente leal às promessas da sua aliança, podemos ter firme confiança que é o mesmo ontem, hoje “e o será para sempre” (Hb 13.8).

Vivemos num mundo onde muita ênfase é atribuída ao humanismo, onde o homem é o centro de tudo e onde as pessoas acreditam que Deus é apenas amor. Mas a Bíblia nos mostra que Deus também é justiça.

Com o coração pesado, isto é, com a manifestação da sua justa ira, Deus condenou ao desaparecimento não somente o ser humano (v. 7), mas também toda a vida na terra, nos ares e na água. Após o pecado, a terra foi amaldiçoada e agora os animais, as aves e os répteis também sofreriam as conseqüências do pecado humano. À semelhança do que aconteceu com a terra, os animais também sofreriam as conseqüências do erro de seus dominadores.

Entretanto, em meio a esse ambiente de condenação e destruição, comprovamos mais uma vez a bondade de Deus. O texto dos versos 8 a 10 mostra que todos se corromperam, exceto Noé. Em meio a tanto pecado, Noé achou graça diante de Deus porque era um homem “justo e íntegro entre os seus contemporâneos; Noé andava com Deus”.

Por meio do dilúvio, podemos perceber que Deus é justo. Deus é amor (1Jo 4.8), mas também é justiça e juízo (Rm 2.5). No exercício de sua justiça, mas também do seu amor, o Senhor encontrou um homem que era justo, que por ter fé achou graça diante dele (Gn 6.9).

A vida de Noé, descrevendo-a de um modo bem resumido, era uma vida que agradava a Deus. Sabe por quê? Porque era uma vida caracterizada pela justiça e pela integridade, e testemunhada por seus contemporâneos, que seguia em estreita comunhão com Deus.

Essa não é uma vida bonita? Não vale a pena todo o nosso esforço para termos também esse mesmo padrão? Que o Senhor nos abençoe com a reprodução de tal vida!



O dilúvio: o anúncio e a experiência

Gn 6.11–7.24

O texto de Gênesis 6.11-13, nos diz que Deus, olhando a terra, viu-a toda corrompida. Terra, aqui, significa humanidade. A humanidade estava perdida em meio aos pecados. Diante do olhar do Senhor, apenas Noé foi visto como justo!

A sentença de Deus foi clara: Resolvi dar cabo de toda carne, porque a terra está cheia da violência dos homens; eis que os farei perecer juntamente com a terra (v. 13). A terra já fora amaldiçoada, e agora era a vez de toda a carne, de todo ser vivente. Por causa da violência, da corrupção e do pecado, a justiça de Deus viria sobre ela.

Em Romanos 3.10-11, o apóstolo Paulo afirma que não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus. No v. 23 ele completa a idéia dizendo que todos pecaram e carecem da glória de Deus. Quando a Bíblia diz que Noé era justo, significa que era uma pessoa que cria, que tinha fé em Deus. Não quer dizer que ele não tivesse pecado.

Noé cria em Deus, e não acompanhou a onda de corrupção dos seus dias. Noé andou com Deus e confiava nele, a despeito do mundo de incredulidade e de pecado a sua volta. Será que Deus consegue nos ver assim também? Temos andado com Deus?

Na seqüência do texto, nos versos 14 a 17, Deus, depois de revelar o seu juízo, revela o seu plano misericordioso ao dizer a Noé que ele seria salvo através de uma arca construída por suas próprias mãos. Ele dá instruções minuciosas a Noé sobre a construção. A arca seria feita de tábuas de ciprestes, com compartimentos, toda betumada por dentro e por fora. Suas medidas exatas seriam: 300 côvados de comprimento, 50 de largura e 30 de altura. Com três andares, deveria ter uma abertura ao redor de toda a arca, onde estariam pequenas janelas, provavelmente para a entrada de luz e ar. Uma porta seria colocada na sua lateral.

Você percebe como Deus é detalhista? Se considerarmos um côvado como medindo aproximadamente 45,72 m, você consegue imaginar o tamanho da arca? Essas medidas, convertidas para o nosso sistema métrico, são as seguintes: 135 m de comprimento, por 22,5 m de largura e 13,5 m de altura. Você pode imaginar?

A arca era semelhante a um grande navio moderno. Essa grande embarcação seria a maneira pela qual Noé, sua família e os animais seriam salvos do dilúvio, do derramar de águas, conforme diz o verso 17: “Tudo o que há na terra perecerá”.

Hebreus 11.7 fala a respeito de Noé: Pela fé, Noé, divinamente instruído acerca de acontecimentos que ainda não se viam e sendo temente a Deus, aparelhou uma arca para a salvação de sua casa… Noé foi um homem de fé, um homem que se dispôs a construir em terra seca um grande navio, uma arca, quando nenhum sinal de chuva era visto no céu. Naturalmente, muitos riram dele e o ridicularizaram por estar fazendo uma coisa tão estranha quanto aquela.

Esta situação durou muitos anos. Noé se submeteu a ser exposto dessa maneira porque cria em Deus. Deus falou e Noé creu. O modo prático de provarmos que cremos em Deus, que o amamos, é obedecendo. Quem crê, confia. Quem confia, ama. Quem ama, obedece.

Você pode ver essa seqüência de atos em sua vida? Ao obedecermos, Deus se alia conosco! É isso! Quando Deus viu a fé prática de Noé, fez uma aliança com ele.

Gênesis 6.18-22 relata as instruções dadas pelo Senhor para que Noé usufruísse da misericórdia divina. Na arca entrariam Noé, sua mulher, seus filhos e as esposas de seus filhos. Ao preservar o ser humano da destruição, Deus preservou-o no modelo familiar: pai, mãe, filhos e esposas, indicando que sempre valorizou a família como a criou originalmente.

Nos versos 19 a 21, vemos Deus ordenando a Noé que colocasse na arca dois animais de cada espécie, macho e fêmea, para que sobrevivessem ao dilúvio, garantindo assim a preservação das espécies. Quando lemos atentamente o texto, salta aos nossos olhos uma pequena frase do verso 20: Dois de cada espécie virão a ti, para os conservares com vida.

Imagine o trabalho de Noé e de seus filhos colocando todos os animais, pássaros e répteis dentro da arca! Foi um trabalho árduo! Será que tiveram que sair à procura dos diversos animais? Será que tiveram de, como caçadores, capturar os animais aonde eles viviam? A frase que destacamos do verso 20 diz que os animais viriam a Noé. Certamente podemos ver aqui também a boa mão de Deus. O plano divino deveria ser executado e, para tanto, o próprio Deus agiria em favor dos acontecimentos. Você pode crer nisso? Creia no agir de Deus em seu favor!

No verso 21 encontramos mais um detalhe do cuidado de Deus para com Noé, sua família e todos os animais. Deus orientou Noé que levasse alimentos suficientes para a sobrevivência de todos. Deus pensa em tudo, não é mesmo? Então, você pode imaginar que havia muito trabalho para essa família. Muito capim, muito feno, muitas folhagens, muitas sementes, muitas raízes, enfim, a arca deveria ter uma grande dispensa. Além dos alimentos para os animais, havia necessidade de alimento para os seres humanos.

Alguns estudiosos afirmam, diante desse versículo, que até aquela etapa homens e animais eram vegetarianos, ou herbívoros, isto é, não comiam carne. Outros não fazem afirmações a respeito desse detalhe, pois entendem que não é relevante para a compreensão do texto, que é apenas uma questão de curiosidade. Mas o que vem a seguir, sim, é de grande de importância.

O verso 22 diz: Assim fez Noé, consoante a tudo o que Deus lhe ordenara. Esse é um excelente ponto para meditarmos e conversarmos a respeito. Qual é o exemplo de vida que Noé transmite? Se pudesse falar conosco hoje, com certeza ele diria: “A fé prática é demonstrada na obediência”!

O texto que começa no primeiro verso do capítulo 7 e vai até o verso 16, descreve a entrada de Noé e sua família na arca. No verso 1 lemos: Disse o Senhor a Noé: Entra na arca, tu e toda a tua casa, porque reconheço que tens sido justo diante de mim no meio desta geração. Mas como Noé se destacou? Por que Deus achou justiça em Noé? Certamente porque ele tinha fé, uma fé semelhante à de Enoque.

A Bíblia nos diz que Enoque andava com Deus e Deus o tomou para si, lembra-se? Enoque creu, e isso lhe foi imputado como justiça. Noé também creu, e certamente isso lhe foi imputado como justiça.

Você notou como Deus foi gracioso com Noé? Num tempo onde existia tanto julgamento, Deus lhe disse para entrar na arca. O mesmo convite Jesus faz hoje aos homens, como está registrado em Mateus 11.28-30:





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