Através da bíblia gênesis itamir Neves de Souza John Vernon McGee



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A família das nações

Gn 10.1-32

Nem todas as nações conhecidas do Antigo Testamento estão arroladas em Gênesis 10.1-11, mas as que foram mencionadas mostram que toda a humanidade, com toda a sua diversidade, têm origem num só Criador.

Neste capítulo, os principais povos conhecidos pelos antigos israelitas apareceram distribuídos em três grandes grupos como descendentes de Jafé (v. 2-5), Cão (v. 6-20) e Sem (v. 21-31). Cada um deles reúne nações aparentadas entre si por razões históricas ou geográficas. Assim, as diversas nações espalhadas sobre toda a terra são, de certo modo, o resultado da bênção de Deus de fecundidade e multiplicação, e fazem parte do plano divino. O fato de agrupar todos os povos em uma árvore genealógica demonstra a unidade do gênero humano, originários de Adão e Eva.

Os vínculos apresentados aqui não se baseiem exclusivamente na descendência genética, mas também podem incluir associações geográficas, históricas e lingüísticas. Possivelmente, os setenta nomes mencionados influenciaram o Senhor Jesus quando, em Lucas 10.1, enviou setenta discípulos para proclamar o evangelho, demonstrando que as boas novas são para todas as etnias, línguas, raças e nações. Alguns desses setenta nomes são de pessoas, como por exemplo, Jafé e Ninrode, outros são de lugares, como Sidom e Sabal, e ainda outros de povos, como Ludim e Caftorim.

Quero chamar sua atenção para um detalhe significante neste capítulo. Das três famílias da humanidade, estudaremos primeiramente a descendência de Jafé, depois a de Cão e, posteriormente, a de Sem, que receberá a atenção por todo o restante do livro. Isso se dá porque é dessa linhagem que surgirá o povo eleito por Deus para realizar o seu desígnio de salvação para toda a humanidade. A partir de Abraão, o povo de Israel; a partir de Israel, o rei Davi; e, na seqüência da linhagem real, o Rei dos reis, o Senhor dos senhores, Jesus Cristo, nosso Salvador.

Esse também foi o procedimento de Moisés para com os demais temas secundários do livro, como veremos ao estudar o texto de Gênesis 11.10. Os ramos não abraâmicos serão apresentados antes de nos concentrarmos na linhagem patriarcal.

Consideraremos primeiro, nesse capítulo, as quatorze nações que se originaram de Jafé e estão claramente apresentadas nos versos 2 a 5. Todos esses descendentes migraram para o Oeste. Dentre essas nações, algumas são mais conhecidas que outras. Jafé teve os seguintes filhos: Gômer, Magogue, Madai, Javã, Tubal, Meseque e Tirás.

O povo de Gômer é formado pelos posteriores cimérios e as nações que moravam ao norte do Mar Negro; o povo de Magogue pelos lídios, da Ásia Menor; o povo de Madai pelos medos, da região montanhosa a noroeste do Irã; o povo de Javã pelos gregos de Jônia, na costa ocidental da Ásia Menor; os povos de Tubal e Meseque são, provavelmente, aqueles que habitavam a região do Ponto e as montanhas Mósquias; e, finalmente, o povo de Tirás era constituído pelos habitantes da região posteriormente chamada Trácia.

No verso 5 lemos: Estes repartiram entre si as ilhas das nações nas suas terras, cada qual segundo a sua língua, segundo as suas famílias, em suas nações. É importante notarmos nesse verso, e nos versos 20 e 31, que Moisés por ter escrito Gênesis, quando já existiam as nações com suas próprias línguas, antecipou o relato de 11.1-9, onde encontramos a divisão das línguas em Babel.

A partir de um relato como esse, repleto de nomes, nações e locais que são desconhecidos da maioria de nós, que lição podemos extrair e aplicar em nossas vidas? Será que encontramos alguma lição? Se meditarmos nos procedimentos de Deus, reconheceremos a soberania no seu ato criador e sua clara intenção de levar a mensagem da salvação a todos os povos. Com isso vemos refletido o amor de Deus por sua criatura. Mesmo que não percebamos, Deus controla todo o universo e todas as nações para fazer convergir todas as coisas em favor daqueles que o amam (Rm 8.28-29). Medite nessa verdade!

Nos versos 6 a 20, encontramos os descendentes de Cão, ou camitas, como muitos os denominam. São trinta as nações que descendem de Cão e que se estabeleceram no sudoeste da Ásia e no nordeste da África, na parte sul de Canaã. Se atentarmos para o texto, vamos encontrar em meio a esses nomes os egípcios, os babilônios e os cananeus, os vizinhos mais amargos e constantemente considerados inimigos de Israel.

O verso 6 diz: Os filhos de Cão: Cuxe, Mizraim, Pute e Canaã. Cuxe se estabeleceu na região do Rio Nilo, no sul do Egito, hoje conhecida como Etiópia. Mizraim significa “dois Egitos”, uma referência clara a localização desses povos, no alto e no baixo Egito. Pute também se fixou no norte da África, na Líbia, ou na chamada terra de Punte, que é a atual Somália. E, por fim, encontramos o nome de Canaã, que significa “terra da púrpura”, da mesma forma que Fenícia, o nome grego da mesma região geral. Devemos notar que esse nome era uma identificação, pois Canaã era produtor e exportador da tinta púrpura, uma tinta muito apreciada pela realeza. Todo esse território foi chamado e conhecido na literatura bíblica por Palestina, derivado do nome dos filisteus.

Na genealogia de Cão, destacaremos os versos 8 a 12 que relatam a trajetória de vida de um dos filhos de Cuxe, o filho mais velho de Cão. O texto diz assim:

8. Cuxe gerou a Ninrode, o qual começou a ser poderoso na terra.

9. Foi valente caçador diante do Senhor; daí dizer-se: Como Ninrode, poderoso caçador diante do Senhor.

10. O princípio do seu reino foi Babel, Ereque, Acade e Caine, na terra de Sinear.

11. Daquela terra saiu ele para a Assíria e edificou Nínive e Calá.

12. E, entre Nínive e Calá, a grande cidade de Resém.

A interrupção da seqüência genealógica que é feita nesses versículos, além de nos chamar atenção, nos mostra que ela é de fundamental importância para a história de Israel, pois explica a origem racial e espiritual da Assíria e da Babilônia, que mais tarde conquistaram, respectivamente, Israel e Judá. O nome Ninrode provavelmente significa “nós nos rebelaremos”. E por essa definição, você já pode imaginar a história desse homem!

Ninrode é provavelmente o nome hebraico de Sargon I, um dos primeiros grandes reis da Acádia. Nas tradições judaicas posteriores, ele é identificado como o construtor da torre de Babel. Ninrode, que era caçador e guerreiro, foi um arquétipo, um padrão do ideal mesopotâmico para um rei, e é sempre destacado por duas características que o mundo admira: a bravura pessoal e o poder político. O significado da frase “foi grande caçador” deve ficar bem entendido. Ninrode não foi caçador de animais, mas um grande líder, um conquistador de pessoas, um homem carismático que reunia muitos em torno de si e de seus projetos.

Lendo o texto bíblico, vemos que Ninrode começou a ser poderoso na terra. A palavra “poderoso” quer dizer: ele quis governar e reinar por meio de um império mundial. E, infelizmente, é este sempre o grande interesse do homem. Ele sempre quer se tornar governador do mundo sem depender de Deus.

É ainda importante extrairmos duas lições desse texto. Em primeiro lugar, devemos notar que a Bíblia não rejeita essas características, ao contrário, por duas vezes usa a expressão “diante do Senhor” indicando a aceitação e a apreciação do Senhor dessas capacidades. Em segundo lugar, temos uma outra lição muito significativa sobre como não devemos desenvolvê-las. Se desenvolvermos a bravura pessoal e o poder político por nossa própria conta, sem nos submetermos ao Senhor, colheremos o mesmo resultado que Ninrode colheu.

O texto do verso 10 diz que o princípio do reino de Ninrode foi Babel, mas em Gênesis 11.9 encontramos o fim dessa aventura de desobediência e orgulho. Depois de tentarem fazer uma torre alta para deixar seus nomes célebres, desobedecendo a ordem divina de se espalharem pela terra, Deus mesmo destruiu toda aquela obra feita por mãos humanas. Assim, todo o trabalho foi inútil. Mas a história desse homem e sua grande cidade termina de fato só em Apocalipse 18, onde temos, de modo claro, a queda e a derrota final da Grande Babilônia.

Esse é o resultado de uma vida que poderia ser aprovada por Deus, mas não foi. Quando pensamos que temos muitas virtudes e nos baseamos no nosso próprio poder, podemos estar certos que estamos trilhando caminhos que desagradam a Deus e, com certeza, sofreremos as conseqüências de nossa atitude orgulhosa.

Ninrode é, por tudo isso, uma sombra ou um tipo do anticristo que assumirá, no final da história humana, o governo do mundo por esses mesmos processos e sistemas, conforme lemos em Apocalipse 18. Ele foi o modelo do homem do pecado por causa de seus atos.

Mas devemos salientar também que foi através de Ninrode que se formou a primeira grande civilização. Assim, os filhos de Cão formaram as primeiras grandes civilizações. E, mais uma vez, cai por terra a interpretação errônea de que os filhos ou descendentes de Cão são povos que nunca puderam se desenvolver, os povos negros, sempre atrasados neste ou naquele ponto da terra.

Vemos, então, que duas grandes civilizações antigas, a Assíria e a Babilônia, eram descendentes de Cão, o filho amaldiçoado de Noé. A Bíblia não dá margem para ninguém desprezar este ou aquele povo, esta ou aquela pessoa por pertencer a esta ou aquela descendência. Se as pessoas fazem parte de uma determinada raça ou cultura, isso se deve a outros fatores, não a maldição de Noé sobre os descendentes de Cão.

A genealogia de Sem é descrita nos versos 22 a 30. É desta genealogia que surgiu Abraão, a nação de Israel, o grande rei Davi e, posteriormente, Cristo. Temos aqui uma genealogia muito simpática e muito significativa para o mundo inteiro.

Neste capítulo 10 de Gênesis é interessante notarmos que Deus aparentemente abandonou o mundo e os povos por algum tempo, para revelar depois o seu grande amor através de Abraão, de Israel, de Davi e de Cristo. O nosso futuro está ordenado e as diversas genealogias traçadas.

É interessante notarmos agora todo o quadro do capítulo 10. Das setenta nações que estão aqui alistadas, 14 descendem de Jafé, 30 de Cão e 26 de Sem. É interessante também percebermos que no início da humanidade os povos negros estavam em proeminência. Assim, aprendemos que não importa qual a raça. Deus, de alguma forma, atuou no meio e por meio de todas estas nações para cumprir o seu plano.

Na seqüência os versos 21 a 25 dizem assim:



21. A Sem, que foi pai de todos os filhos de Héber e irmão mais velho de Jafé, também lhe nasceram filhos.

22. Os filhos de Sem são: Elão, Assur, Arfaxade, Lude e Arã.

23. Os filhos de Arã: Uz, Hul, Géter e Más.

24. Arfaxade gerou a Salá; Salá gerou a Héber.

25. A Heber nasceram dois filhos: um teve por nome Pelegue, porquanto em seus dias se repartiu a terra; e o nome de seu irmão foi Joctã.

O verso 25 diz que nos dias de Pelegue, um dos filhos de Heber, “se repartiu a terra”. Então, surge a pergunta: Qual o significado dessa frase? Será possível entender que houve uma divisão física na terra? Será que houve uma grande catástrofe em nosso planeta? Ou Moisés está se referindo a divisão de línguas que ficou tão bem registrada no capítulo 11? Creio que foi isso que aconteceu. Pelo significado do nome de Pelegue, que quer dizer “separar ou dividir”, com certeza há o emprego de um jogo de palavras, e o verso 25 surge como uma antecipação do episódio da torre de Babel.

No final do capítulo 10, no verso 32, lemos que através das setenta famílias originárias dos filhos de Noé a terra foi povoada em diversas nações e em diversas línguas. E, devemos enfatizar que mesmo diante da tendência humana de desobedecer, Deus é soberano e levará os seus planos até o fim.

A torre de Babel e os semitas

Gn 11.1-32

Estudar cuidadosamente o capítulo 11 de Gênesis é importante porque com ele terminamos a primeira grande divisão deste primeiro livro da Bíblia.

Devemos recordar o esboço de Gênesis com suas duas grandes divisões. A primeira parte abrange o conteúdo dos onze primeiros capítulos e foi denominada de “A História primitiva da raça humana”. Essa primeira divisão possui quatro subdivisões que nos ajudaram a reter melhor o seu conteúdo. São os quatro eventos que temos estudado: a criação, a queda, o dilúvio e agora, o evento da torre de Babel. A segunda parte de Gênesis, que inclui os capítulos 12 a 50, foi chamada de “A história patriarcal da raça humana”, e também nela encontramos 4 divisões com a história dos primitivos personagens do povo de Israel: Abraão, Isaque, Jacó e José.

Mas voltando ao capítulo 11, encontramos nele claramente três divisões:

     Parte 1 –     O evento da torre de Babel (v. 1-9)

     Parte 2 –     A descendência de Sem (v. 10-26)

     Parte 3 –     A família que deu origem a Abraão (v. 10-26)

Na primeira parte, nos deteremos em alguns detalhes. Em primeiro lugar, o verso 1 informa que havia apenas uma linguagem e uma só maneira de falar. Em segundo lugar, o verso 3 indica que os homens fizeram tijolos bem queimados, e com o betume no lugar de argamassa obtiveram material para a grande construção planejada. Em terceiro lugar, o verso 4 relata o que os homens pós-diluvianos disseram: Vinde, edifiquemos para nós uma cidade e uma torre cujo tope chegue até aos céus e tornemos celebre o nosso nome, para que não sejamos espalhados por toda a terra.

É importante guardar bem esses detalhes destacados. Agora, recordemos as palavras de Deus logo depois do dilúvio. Essas palavras, ditas para Noé e seus descendentes, foram registradas em Gênesis 9.1 e 9.7: sede fecundos, multiplicai-vos e enchei a terra. Percebeu? Deus tinha dado uma ordem expressa: povoai a terra!

Porém, de acordo com o que mencionamos em 11.4, o desejo humano foi exatamente contrário à ordem divina. Enquanto Deus ordenou que povoassem a terra, os líderes convocaram os seus semelhantes a se ajuntarem para construir uma cidade e uma torre para não serem espalhados por toda a terra.

Aproveitando que falavam somente uma língua e habitavam num só local, na planície da terra de Sinar, com o desejo orgulhoso e desobediente, tomados pela arrogância, planejaram algo totalmente contrário aos planos divinos. Algumas pessoas dizem que essa liderança foi de Ninrode.

A Bíblia não faz essa afirmação direta, nós também não podemos fazê-la com segurança, mas o que importa aqui é descobrirmos como o coração do homem é contrário às ordens de Deus. Percebemos a mesma desobediência arrogante que levou Adão e Eva a se rebelarem contra a ordem divina, preferindo obedecer à sugestão de Satanás, desejando se tornarem como Deus. Percebemos a mesma arrogância invejosa de Caim, que o levou a assassinar o seu irmão Abel por ter sido rejeitado no sacrifício oferecido a Deus. Percebemos o mesmo desprezo arrogante dos contemporâneos de Noé que os levou a rejeitar a mensagem do juízo divino através do dilúvio, fazendo-os perecer. E, por fim, vimos o desejo orgulhoso de Ninrode, que o levou a ser um grande e poderoso líder manipulador dos seus semelhantes.

Todas essas inúmeras atitudes erradas, desde o início da humanidade, agora são vistas e concentradas na desobediência dessa geração à ordem divina claramente exposta: povoai a terra. Ao invés de povoar, habitando todos os lugares do planeta, essa geração ajuntou-se para desobedecer e começou a construir uma torre para tornar célebre o seu nome. Esse é o coração humano!

A torre construída era um tipo de templo típico da Mesopotâmia, conhecido como “zigurate”, que tinha uma base quadrada e as quatro paredes laterais iam sendo construídas em degraus, com cada degrau superior sendo menor que o inferior. No topo dessa torre era colocado um altar para oferecer sacrifícios ao sol, à lua e as estrelas. O desejo daquela geração era construir uma torre, uma espécie de escadaria que, conforme supunham, levaria o homem até o céu para dali dominar toda a criação e se proteger de um futuro dilúvio.

Mas você sabe que embora possamos ter bons planos e elaborar boas estratégias e realizações, quando não os submetemos a Deus, tudo pode ser desfeito num momento! E foi exatamente isso que aconteceu, como lemos nos versos 5 a 9:

5. Então, desceu o Senhor para ver a cidade e a torre, que os filhos dos homens edificavam;

6. e disse: Eis que o homem é um, e todos têm a mesma linguagem. Isto é apenas o começo; agora não haverá restrição para tudo o que intentam fazer.

7. Vinde, desçamos e confundamos ali a sua linguagem, para que um não entenda a linguagem de outro.

8. Destarte, o Senhor os dispersou dali pela superfície da terra e cessaram de edificar a cidade.

9. Chamou-se-lhe, por isso, o nome de Babel, porque ali confundiu o Senhor a linguagem de toda a terra e dali o Senhor os dispersou por toda a superfície dela.

Precisamos fazer três observações em relação a esse episódio. Em primeiro lugar, Deus viu a intenção do coração humano e agiu soberanamente provocando a divisão dos homens pela variação de línguas. É assim que Deus age. Por ser soberano, quando percebe que em nossos planos a sua vontade não está sendo respeitada, Ele mesmo, conforme o seu querer, age soberanamente impedindo-nos de ter outras ações que o desagradem e nos sejam prejudiciais.

Em segundo lugar, o uso do plural nos verbos do verso 7: “vinde, desçamos e confundamos”. A convocação “vinde”, que foi usada quando os homens foram desafiados a construir a torre, agora é empregada para impedir que eles cometessem tal desatino. É interessante notar que o uso do plural indica a ação das três pessoas da Trindade agindo de acordo com o plano divino previamente traçado.

Diante da desobediência do homem, Deus mesmo os espalhou na terra para que ela fosse povoada. A ordem do Senhor sempre é cumprida por bem ou por mal, em submissão ou para o quebrantamento do nosso orgulho. A vontade do Senhor sempre é cumprida!

Em terceiro lugar, devemos observar o nome da cidade construída: Babel. Para os babilônios, esse nome significava “portal dos deuses”, denotando a idolatria que era praticada contra Deus. No hebraico, seu sentido é “confundir”. E, mais uma vez, encontramos o texto bíblico fazendo uso de um jogo de palavras com Babel, indicando a “confusão” de línguas que ali ocorreu.

Este nome deu origem a Babilônia, uma cidade, um estado, uma sociedade ateísta, mas ao mesmo tempo idólatra, com grandes pretensões, conforme o capítulo 11 de Gênesis nos mostra. Uma nação perseguidora (Dn 3); um povo que buscava os prazeres, os pecados e as superstições (Is 47.8-13); uma cidade que queria chegar ao céu com sua torre, mas que chegou até o céu por sua enorme quantidade de pecados (Ap 18.5). Por tudo isso, foi derrubada e simboliza a queda do mal no final dos tempos, conforme está descrito em Apocalipse.

Outra lição interessante que este relato ainda destaca é o amor de Deus ao dispersar o homem através da confusão das línguas, para que ele habitasse todo o planeta criado por sua causa. Esse ato é contrastado com Atos 2, quando também, por amor, Deus permitiu que através de uma nova linguagem, a linguagem do evangelho, a linguagem do Espírito, todos os que cressem dentre qualquer povo, tribo, língua, raça e nação fossem novamente irmanados na família de Deus, sendo todos participantes do Corpo de Cristo! Quem realizou essa obra foi o Espírito Santo, que no dia de Pentecoste veio inaugurar essa nova etapa no relacionamento de Deus com o homem. Isso é algo maravilhoso. Os planos amorosos de Deus são maravilhosos!

E, depois de tantas lições relativas à torre de Babel, veremos agora o que nos ensinam os versos 10 a 26. Eles apresentam, nos séculos entre os dias de Sem até os dias de Abraão, os descendentes de Sem. São mencionadas dez gerações, significando a totalidade de todos os semitas, conforme vimos na narrativa dos descendentes de Sete.

Aqui, primeiramente, vão sendo extraídos das genealogias aquilo que os estudiosos chamam de “ramos laterais”. Isso acontece porque Moisés, inspirado pelo Espírito Santo, foi focalizando a sua atenção na família de Abraão, escolhida por Deus como seu instrumento de bênção a todas as nações. Nesta genealogia, a duração da vida vai se restringindo do nível pré-diluviano, de 900 a 700 anos, para os 175 anos de Abraão e os 110 de José. A idade da geração dos filhos chega quase aos limites atuais, como posteriormente veremos no caso do nascimento de Isaque.

Nos versos 10 a 26, os dez nomes mostram as dez gerações: Sem, Arfaxade, Salá, Héber, Pelegue, Reú, Serugue, Naor, Tera, Abrão. Todos esses geraram filhos e filhas e assim foi sendo constituída a linhagem dos hebreus. Héber se destaca nesta relação, no verso 16. Ele já foi mencionado em 10.21 e, segundo os estudiosos, de seu nome vem a origem da palavra “hebreu”. E, assim, pouco a pouco, as lentes mais precisas do microscópio vão sendo trocadas para nos aproximarmos cada vez mais da origem dos patriarcas hebreus. E é exatamente essa a ênfase dos últimos versos, 27 a 32. O texto diz assim:



27. São estas as gerações de Tera. Tera gerou a Abrão, a Naor e a Harã; e Harã gerou a Ló.

28. Morreu Harã na terra de seu nascimento, em Ur dos caldeus, estando Tera, seu pai, ainda vivo.

29. Abrão e Naor tomaram para si mulheres; a de Abrão chamava-se Sarai, a de Naor, Milca, filha de Harã, que foi pai de Milca e de Iscá.

30. Sarai era estéril, não tinha filhos.

31. Tomou Tera a Abrão, seu filho, e a Ló, filho de Harã, filho de seu filho, e a Sarai, sua nora, mulher de seu filho Abrão, e saiu com eles de Ur dos caldeus, para ir à terra de Canaã; foram até Harã, onde ficaram.

32. E, havendo Tera vivido duzentos e cinco anos ao todo, morreu em Harã.

“Ur dos caldeus” era provavelmente uma das mais antigas cidades do sul da Mesopotâmia, e ficava próxima da desembocadura do rio Eufrates, no golfo Pérsico, no sul do Iraque. Esta cidade é assim chamada porque foi dominada pelos caldeus, no sétimo e no sexto séculos antes de Cristo. Nesta cidade a lua era adorada como deus, assim como na cidade de Harã para a qual Tera foi com seu filho Abrão e Sarai.

A Bíblia não apresenta as razões que levaram Tera a sair de Ur em direção a Canaã. Embora tenha parado em Harã, é provável que essa saída tenha sido provocada por sua insatisfação em relação à adoração prestada à lua, ou por precaução antecipada, pois conforme os relatos históricos, Ur foi destruída pelos elamitas por volta de 1950 a.C.. Pode ter sido também por prévio aviso divino, tendo em vista a preservação da linhagem de Abraão.

Mas o que realmente aconteceu? Quando lemos em Gênesis 12.5 que Abrão, depois de chamado por Deus, prosseguiu e chegou a Canaã, fica a pergunta: Por que Abrão conseguiu chegar onde queria e o mesmo não aconteceu com seu pai Tera? É possível ver aqui, como em Hebreus, uma lição de que somente pela fé temos condições de manter o rumo e alcançar os alvos propostos? Hebreus 11.9 diz assim: Pela fé, peregrinou na terra da promessa como em terra alheia, habitando em tendas com Isaque e Jacó, herdeiros com ele da mesma promessa. Assim como Abraão, precisamos viver sempre olhando para Cristo Jesus, o autor e consumador da nossa fé.

Mas ainda há um outro ponto que merece ser destacado. Refere-se à conseqüência da morte prematura de Harã, pai de Ló. Depois da morte de seu irmão, Abraão praticamente adotou o sobrinho Ló, considerando-o como um filho. Tempos depois, Abraão (conforme veremos em Gn 13.1-13), numa atitude sem igual de amor e desprendimento, cedeu o melhor da terra para que Ló se instalasse e ampliasse o seu rebanho. Nessa decisão, vemos uma demonstração de desapego aos bens materiais, que são passageiros, diante do valor de um relacionamento que dura até a morte.

Vale a pena fazermos, nesse momento, uma auto-análise para verificarmos em que situação se encontram nossos valores. O que temos valorizado mais? As posses e objetos que se desfazem ou relacionamentos que podem permanecer para sempre? Você se lembra do provérbio que diz que há amigos mais chegados que um irmão (Pv 18.24)? Qual tem sido a sua prática? Você tem algum relacionamento que precisa ser acertado? Agora é a hora. Peça a graça de Deus e tome a iniciativa.





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