Através da bíblia gênesis itamir Neves de Souza John Vernon McGee



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O início da história de Abraão

Gn 12.1-20

No capítulo 12 temos, de certa forma, o início da história de todos os que crêem. Sabe por quê? Porque é o início da história de Abraão, o “pai da fé”, e todos os que crêem são chamados seus filhos. Então, é também o início da nossa história.

Como vimos anteriormente, os onze primeiros capítulos de Gênesis correspondem a um período de mais de dois mil anos. Deus tratou durante este tempo com todas as raças e com o mundo todo. Mas aqui, no capítulo 12, aconteceu uma mudança na forma de Deus tratar a humanidade. Até o fim de Gênesis, iremos nos certificar dessa verdade ainda mais. Deus passa a dispensar atenção especial a quatro homens, formando por meio deles uma nação para cumprir seus planos redentores. Desse ponto em diante, o livro de Gênesis não dá mais ênfase a eventos, mas passa a destacar a vida desses personagens. Deus queria formar uma nação, para que por meio dela todos os povos da terra fossem abençoados.

Então, nesta segunda parte de Gênesis, dos capítulos 12 a 50, vamos encontrar Deus agindo para forjar o caráter de quatro homens, para deles originar um povo que deveria ser abençoador. Em termos gerais, no texto que vai de Gênesis 12 a 25, temos o relato da vida de Abraão, um homem de fé; nos capítulos 21 a 26, com uma sobreposição de histórias, encontraremos a narrativa da vida de Isaque, o filho da promessa; nos capítulos 27 a 36 é contada a vida de Jacó, que depois se tornou Israel; e finalmente, nos capítulos 37 a 50, saberemos da história de José, conhecido como “José do Egito”. Estes são os quatro patriarcas que deram origem ao povo de Israel.

O pecado separou o homem do Criador e, assim, Deus lançou o seu eterno plano para salvar a raça humana. Como vimos nos exemplos de Adão e Eva, de Caim, da geração de Noé e no evento da torre de Babel, o ser humano pretendeu dirigir a sua própria vida sem depender de Deus, porque essa rebeldia é inerente ao seu coração, depois da queda; depois do pecado. O homem procurou fugir de Deus, e Deus sempre lhe oferecia a oportunidade de reconciliação. A mensagem da misericórdia e graça de Deus sempre foi levada ao homem de uma forma ou de outra.

E, assim, depois de dois mil anos de rebelião sem que o homem revelasse genuíno interesse pelo Criador, Deus passou a usar uma estratégia diferente. Deixou de lado o tratamento global da raça humana, da humanidade em geral, e começou a tratar especificamente com pessoas, com indivíduos, para deles formar uma nação através da qual pudesse se revelar à própria humanidade. Esse foi o plano divino. Isso é o que Deus resolveu fazer e o que veremos a partir deste capítulo 12 de Gênesis.

Deus decidiu formar uma nação por meio de um homem e, por meio desta nação, trazer à humanidade àquele que seria o Redentor. Deus usou Abraão para formar a nação judaica e por meio dela trazer Jesus, o Salvador do mundo. Abraão foi um instrumento importante nas mãos divinas.

Você sabia que três grandes religiões mundiais tiveram sua origem de alguma forma em Abraão? O judaísmo, o cristianismo e o islamismo são as religiões mundiais que reconhecem a importância de Abraão.

Deus apareceu a Abraão sete vezes, e em cada uma delas procurou desenvolver a sua fé. Abraão não era perfeito e, como nós, teve os seus fracassos e erros. Mas como no caso do apóstolo Pedro, ele começava novamente, se levantava e seguia com Deus. Quando o Senhor se revela ao homem, ele pode cair, mas sempre se levanta.

Depois dessas palavras introdutórias a respeito de Abraão, vejamos o que nos mostram os três primeiros versículos do capítulo 12:



1. Ora, disse o Senhor a Abrão: Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai e vai para a terra que te mostrarei;

2. de ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome. Sê tu uma bênção!

3. Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão benditas todas as famílias da terra.

Estamos diante de um relato precioso demais. Temos que entendê-lo corretamente em toda a sua amplitude. Com Abrão começa a história da formação de Israel, história maravilhosa, que revela alguns aspectos inerentes do nosso Deus:

     1.     A liberdade em ser misericordioso para com os que nele crêem e obedecem.

     2.     A santidade em trazer juízo sobre quem quebra a sua aliança.

     3.     A fidelidade em restaurar o arrependido.

     4.     A absoluta soberania sobre a história humana, sobre a sua história.

     5.     A sua determinação graciosa em escolher um homem, para dele demonstrar seu amor.

Quanto ao chamado especifico de Abrão, esta narrativa é muito significativa. Ela apresenta a sua partida de uma cidade humana, Ur dos caldeus, para, em obediência, buscar, pela fé, a cidade “da qual Deus é o arquiteto e edificador” (Hb 11.10). Esse chamado de Abrão, como um agente da graça redentora, é paralelo ao papel de Noé como o instrumento escolhido para trazer a mensagem de salvação à sua geração.

Conforme o relato de Atos 7.2-3, Deus já tinha chamado Abrão, estando ele ainda na Mesopotâmia, em Ur dos caldeus, antes de morar em Harã. Abrão deveria deixar o local em que habitava, pois os seus habitantes eram idólatras: Antigamente, vossos pais, Tera, pai de Abraão e de Naor, habitaram dalém dos Eufrates e serviram a outros deuses (Js 24.2). Aquele povo adorava o sol, a lua e as estrelas, e Abrão deveria sair daquela convivência e seguir em peregrinação para a terra que Deus lhe mostraria.

Perceba que nesse chamado inicial duas ordens são claras: Abrão deveria deixar a sua terra e a sua parentela. Mas alguns estudiosos têm argumentado que nesse momento Abrão cometeu o seu primeiro erro. Ao deixar a sua terra natal com sua esposa Sarai, ele saiu também com seu pai e com o seu sobrinho Ló, conforme vimos em Gênesis 11.31. Abrão era um homem de fé, mas também era frágil, cometia seus erros. Abrão obedeceu, mas não completamente. Não é isso que às vezes acontece conosco? Graças a Deus porque Ele é um Deus de novas oportunidades!

Sobre o chamado de Abrão, devemos destacar ainda que ele estava sustentado na promessa divina que continha cinco elementos:

     1.     De ti farei uma grande nação.

     2.     Te abençoarei.

     3.     Te engrandecerei o nome.

     4.     Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem.

     5.     Em ti serão benditas todas as famílias da terra.

Essa foi uma promessa especial. Mas essa promessa tem um requisito muito importante: “Sê tu uma bênção”. Era necessário ser uma bênção. Essa era a condição. Era esse o senso de missão que Deus infundiu em Israel, mas que infelizmente não foi desenvolvido pelo povo escolhido.

Nos versos 4 a 9 encontramos algumas verdades fundamentais. Em primeiro lugar, no verso 4, percebemos a prontidão de Abrão em obedecer a ordem divina, mesmo aos setenta e cinco anos (e ele viveria ainda mais cem anos). Abrão obedeceu, fundamentado pela fé, e tornou-se assim o pai e o modelo de todos os cristãos.

Em segundo lugar, nos versos 4 e 5, encontramos novamente Ló, bem como os servos que havia adquirido em Harã, acompanhando Abrão. Mas você deve se lembrar que a ordem divina era de que ele deixasse a sua parentela. Portanto, mais uma vez Abrão desobedeceu a Deus.

Em terceiro lugar, nos versos 6 e 7, são mencionados Siquém e o carvalho de Moré. Siquém era uma antiga cidade situada entre os montes Ebal e Gerezim, e um importante centro político e religioso dos cananeus. Siquém ficou famosa porque ali, tempos mais tarde, os israelitas, dirigidos por Moisés, deveriam reunir-se para escolherem entre a bênção e a maldição (Dt 11.29-30). Também foi ali que Josué pronunciou a sua última exortação ao povo de Israel (Js 24).

O carvalho de More provavelmente era uma grande árvore ou um pequeno bosque que servia como lugar de culto, talvez o “carvalho dos adivinhadores” que é mencionado em Juízes 9.37. Mas mesmo sendo um centro de adoração a falsos deuses, foi ali que Deus revelou sua gloriosa presença e, numa demonstração de sua soberania, demarcou a terra que deu ao seu servo Abrão e a toda a sua descendência.

É importante registrarmos também que, embora fosse um centro idólatra cananeu, depois do aparecimento de Deus, que prometeu dar a sua descendência aquela terra, Abrão edificou-lhe um altar e prestou-lhe culto, provavelmente em gratidão, consagrando a Deus aquela que seria conhecida como a terra prometida.

Em quarto lugar, no verso 8, a frase “armou a sua tenda”, deve ser traduzida por um modo contínuo, literalmente significando “indo sempre” ou “caminhando e tirando as estacas”, mostrando a vida nômade do primeiro patriarca hebreu.

Também no verso 8, encontramos Betel, cujo nome em hebraico significa “casa de Deus”. Betel era um outro centro cananeu, e ficava a uns 15 quilômetros ao norte de Jerusalém. Foi em Betel que, séculos depois, no tempo da monarquia israelita, o reino do Norte ergueu um dos seus santuários. O texto bíblico diz que em Betel Abrão edificou um altar ao Senhor e invocou o seu nome (4.26). Com essa atitude, em certo sentido, Abrão colocou de novo, e em definitivo, o nome do Senhor no centro da terra prometida.

Em quinto lugar, no verso 9, Abrão se dirigiu ao Neguebe, na região desértica do sul da Palestina, como que tomando posse de toda a terra que Deus estava prometendo à sua descendência.

Além das lições que já destacamos nesses versículos, podemos ter certeza que é possível aplicar essas verdades a nossas vidas. De que maneira? A vida de Abraão revela o quanto esse homem de fé era instável quando o assunto era obediência. Mas isso não acontece conosco também? Deus valoriza aquele que persevera na fé e na confiança na sua promessa. Nós falhamos. Todo homem erra e peca, mas se persistirmos olhando para o autor e consumador da nossa fé, chegaremos lá.

Os versículos seguintes comprovam o quanto Abrão falhou:

10. Havia fome naquela terra; desceu, pois, Abrão ao Egito, para aí ficar, porquanto era grande a fome na terra.

11. Quando se aproximava do Egito, quase ao entrar, disse a Sarai, sua mulher: Ora, bem sei que és mulher de formosa aparência;

12. os egípcios, quando te virem, vão dizer: É a mulher dele e me matarão, deixando-te com vida.

13. Dize, pois, que és minha irmã, para que me considerem por amor de ti e, por tua causa, me conservem a vida.

Abrão desceu ao Egito fugindo da fome sem a ordem de Deus. Ele fugiu da terra de Canaã, para onde Deus o havia levado dizendo que lhe daria aquela terra, a terra da promessa, terra que manava leite e mel. O pai da fé, o gigante da fé, sem acreditar na promessa de Deus, refugiou-se no Egito, que é símbolo do mundo.

Sendo Sarai de boa aparência, muito bonita, o Faraó realmente interessou-se por ela. E Sarai foi levada para a casa dele, a fim de ser preparada para se tornar sua mulher. Enquanto isso, Abrão, foi sendo bem tratado por Faraó e recebeu ovelhas, bois, jumentos, escravos e escravas, jumentas e camelos, tornando-se ainda mais rico (v. 16). Que situação delicada, não é mesmo? Tudo porque Abrão queria proteger a si mesmo.

Apesar de Deus não fazer nenhum contato com Abrão durante toda essa estada no Egito, não abandonou seu servo. Na hora exata fez uma intervenção maravilhosa, confirmando o que o apóstolo Paulo diz em 2Timóteo 2.13: Se somos infiéis, ele permanece fiel. Você tem experimentado essa fidelidade de Deus? Agradeça a Deus porque nele podemos confiar completamente!

Mas você conseguiu identificar nitidamente quais foram os erros de Abrão? Vamos alistá-los para apreendê-los melhor e tentar fugir deles:

     1.     Preocupou-se com a fome e não confiou na promessa divina de possuir Canaã (v. 10).

     2.     Procurou uma solução humana e foi para o Egito sem que Deus tivesse mandado (v. 10).

     3.     Pensou egoisticamente em salvar a si mesmo (v. 11).

     4.     Iludiu Sarai com palavras elogiosas (v. 11-12).

     5.     Propôs que sua esposa mentisse em seu favor (v. 13).

     6.     Expôs sua esposa a uma situação vexatória e pecaminosa (v. 14).

     7.     Refugiou-se e usou erroneamente a beleza de Sarai, obtendo vantagens ilegítimas (v. 15-16).

Esse é o nosso herói da fé! Que egoísta! Como Abrão falhou! Na última vez em que Deus apareceu a ele, prometeu que daria toda aquela terra à sua descendência. Mas, como estamos vendo, Abrão não creu plenamente na promessa divina e deu esses sete passos errados, distanciando-se do Senhor. Foi preciso, então, que Deus, por causa do pecado do patriarca, agisse com firmeza, revelando à Faraó que Sarai era esposa de Abrão, e punisse com grandes pragas a casa do cobiçoso rei.

O Faraó, aprendendo a lição, devolveu Sarai a Abrão. Passou-lhe uma descompostura e mandou-o embora para outras terras com tudo o que possuía. Que situação! Tudo porque Abrão, o pai da fé, estava começando a andar com Deus pela fé.

Não é também o que acontece conosco? Quanto menos conhecemos a Deus, mais frágil é a nossa fé. Quanto mais andamos com Ele e o experimentamos, mais confiamos no seu poder, no seu amor, no seu caráter que é santo!

Depois de tudo isso exposto, podemos chegar a conclusão que os grandes heróis da Bíblia, assim como Abraão, foram pessoas de carne e sangue como nós, e muitas vezes falharam, pecaram e se desviaram dos caminhos do Senhor. Mas, por terem perseverado e mantido a fé e o olhar no Senhor, obtiveram da parte de Deus a justificação, tornando-se assim modelos para todos os crentes de todas as épocas e todos os lugares. É isso que nos faz continuar firmes. Deus conhece o nosso coração. Deus conhece as nossas motivações e é misericordioso.



A peregrinação de Abrão em Canaã

Gn 13.1-18

Gênesis 13 tem apenas dezoito versículos e narra a continuação da peregrinação de Abrão, o patriarca chamado por Deus para dar origem à nação israelita. E seria através da nação de Israel que o próprio Deus traria, dois mil anos depois, o Senhor Jesus, com a missão de tornar-se o único mediador entre Deus e os homens. Sim, é através de Jesus, e somente dele, que o ser humano pode novamente ter comunhão com Deus! Que grande bênção! Nos versos 1 a 4 lemos:



1. Saiu, pois, Abrão do Egito para o Neguebe, ele e sua mulher e tudo o que tinha, e Ló com ele.

2. Era Abrão muito rico; possuía gado, prata e ouro.

3. Fez as suas jornadas do Neguebe até Betel, até ao lugar onde primeiro estivera a sua tenda, entre Betel e Ai,

4. até ao lugar do altar, que outrora tinha feito; e aí Abrão invocou o nome do Senhor.

Depois de sua queda, de seu fracasso, Abrão voltou-se novamente para Deus. Creio que você concorda comigo que é maravilhoso termos um Senhor a quem podemos recorrer depois que sofremos revezes. O nosso Deus é o Deus das oportunidades, das novas oportunidades! Anime-se. Confie. Conte sempre com Ele. O Senhor é misericordioso!

Nos versos 5 a 7 a narrativa continua:

5. Ló, que ia com Abrão, também tinha rebanhos, gado e tendas.

6. E a terra não podia sustentá-los, para que habitassem juntos, porque eram muitos os seus bens; de sorte que não podiam habitar um na companhia do outro.

7. Houve contenda entre os pastores do gado de Abrão e os pastores do gado de Ló. Nesse tempo os cananeus e ferezeus habitavam essa terra.

Como fruto da bênção de Deus, Abrão e Ló tinham muito gado, animais e bens. Mas o crescimento, às vezes, pode vir acompanhado de problemas. São as crises do desenvolvimento. Os pastores que cuidavam dos rebanhos de ambos começaram a brigar, porque não havia água e pastagem suficientes na região para abrigar a quantidade de gado que possuíam. Tio e sobrinho não podiam mais habitar juntos, pois eram muitos os seus bens. Nesse tempo, os cananeus e os ferezeus habitavam essa terra.

Nesse ponto da história, encontramos dois homens ricos e tementes a Deus em grande dificuldade, com um problema para resolver que deveria ter sido evitado. Por causa da contenda, eles passaram a ser mau exemplo para os que não temiam a Deus, para os que habitavam naquela terra. Os pagãos poderiam dizer: “Eles não têm condições de viverem juntos. Saíram daqui para o Egito e agora voltaram brigando, apesar de terem levantado um altar ao Deus vivo e verdadeiro”. Por causa do mau testemunho, os habitantes daquela terra não se impressionavam mais com Abrão.

Abrão havia levantado um altar ao Deus vivo, mas logo em seguida começou a enfrentar problemas de relacionamento. A viagem ao Egito lhe rendeu muito dinheiro, mas também algumas dores de cabeça. Basta dizer que, além das riquezas, ele trouxe uma escrava chamada Agar (16.1), sobre quem falaremos mais adiante.

A riqueza veio acompanhada de tamanha dificuldade que Abrão e Ló estavam sendo obrigados a seguirem cada um para o seu lado. As contendas entre os pastores precisavam terminar para não escandalizar os habitantes de Canaã, mas antes de tudo, para não continuar ofendendo ao próprio Deus, a quem invocavam o nome.

Isso nos lembra o grande perigo que os crentes enfrentam, às vezes, na vida cristã. Temos a responsabilidade de testemunhar que somos um em Cristo, de mostrar que somos unidos. Mas as igrejas internamente vivem unidas? Há harmonia e comunhão entre todos os membros? Não existem contendas prejudicando o testemunho da igreja diante do mundo? Muitos crentes têm parentes incrédulos que passam a vida toda sem aceitarem a Jesus como salvador. E isso, de fato, acontece. É que o testemunho cristão não tem mostrado o poder transformador do evangelho de Cristo.

Para evitar outras contendas que atrapalhassem ainda mais o testemunho, o próprio Abrão sugeriu uma divisão territorial, procurando resolver a questão com sabedoria:

8. Disse Abrão a Ló: Não haja contenda entre mim e ti e entre os meus pastores e os teus pastores, porque somos parentes chegados.

9. Acaso, não está diante de ti toda a terra? Peço-te que te apartes de mim; se fores para a esquerda, irei para a direita; se fores para a direita, irei para a esquerda.

Os sinais do caráter de Abrão ficaram claros quando ele ofereceu para seu sobrinho a oportunidade de escolha. O patriarca disse que Ló poderia escolher qualquer lado, e ele ficaria com o que fosse rejeitado. Esquerdo ou direito, qualquer um que Ló escolhesse, para Abrão estaria bem.

No verso 10 está escrito: Levantou Ló os olhos e viu toda a campina do Jordão, que era toda bem regada (antes de haver o Senhor destruído Sodoma e Gomorra), como o jardim do Senhor, como a terra do Egito, como quem vai para Zoar. Você percebe como Ló tentou ser esperto, aproveitando-se da generosidade de Abrão?

Depois de levantar os olhos para examinar a terra, fez a sua escolha: Então, Ló escolheu para si toda a campina do Jordão e partiu para o Oriente; separaram-se um do outro. Habitou Abrão na terra de Canaã; e Ló, nas cidades da campina e ia armando as suas tendas até Sodoma (v. 11-12)

Ló se apressou muito, e parece que não fez uma boa escolha. Ele olhou só para os pastos verdes da campina do Jordão. Mas o texto diz que ele foi armando as suas tendas e cada vez se aproximava mais de Sodoma. Pouco a pouco ele foi chegando perto daquela cidade pecadora. E aproximar-se dela era um perigo, porque o verso 13 relata: Ora, os homens de Sodoma eram maus e grandes pecadores contra o Senhor.

Ló não se importou muito com isso, ou então, estava tão interessado na sua fonte de lucro que não deu devida atenção ao aspecto espiritual da sua decisão. Ló ignorou os perigos morais a que ele e sua família estariam expostos. Possivelmente os negócios eram sua prioridade, e não demorou muito para que todos estivessem morando na cidade de Sodoma (14.12). Essa foi uma infeliz decisão. Quando priorizamos os bens materiais e não a nossa relação com Deus, colhemos resultados desastrosos.

No verso 14 vemos novamente o Senhor se dirigindo a Abrão: Disse o Senhor a Abrão, depois que Ló se separou dele: Ergue os olhos e olha desde onde estás para o norte, para o sul, para o oriente e para o ocidente. Esta era a terra que Deus oferecia a Abrão, e a partir desse momento os limites da terra prometida foram sendo demarcados. Abrão estava diante da terra que Deus lhe havia prometido. Mas será que era realmente a terra da promessa? Quando ele olhou para todos os lados, identificou como sendo a sua verdadeira pátria?

Aquela terra era real, mas ao mesmo tempo apenas uma sombra da verdadeira pátria de Abrão. Quando lemos Hebreus 11.10, vemos que a cidade dele, assim como a nossa, é outra: Porque aguardava a cidade que tem fundamentos, da qual Deus é o arquiteto e o edificador. Nenhum lugar neste mundo pode ser comparado à cidade celestial e, por isso, suspiramos por ela. É a pátria realmente amada, onde não haverá mais dor, choro ou lágrimas. Nós almejamos estar na presença de Deus!

Nos versos 15 e 16, Deus continuou falando a Abrão: Porque toda essa terra que vês, eu ta darei, a ti e à tua descendência, para sempre. Farei a tua descendência como o pó da terra; de maneira que, se alguém puder contar o pó da terra, então se contará também a tua descendência. Que promessa maravilhosa, não é mesmo? E isso de fato aconteceu. Sabe como? Através dos israelitas, dos ismaelitas, futuros descendentes de Abrão, e, certamente através de todos os cristãos, filhos na fé de Abraão. Deus é maravilhoso em suas promessas!

O verso 17 diz assim: Levanta-te, percorre essa terra no seu comprimento e na sua largura; porque eu ta darei. É interessante destacar aqui a confirmação, mais uma vez, da promessa feita em Gênesis 12.1, 7 e 13.15. Por quatro vezes Deus prometeu dar a posse de Canaã a Abrão.

Mas passemos agora para o verso 18, que finaliza o capítulo 13: E Abrão, mudando as suas tendas, foi habitar nos carvalhais de Manre, que estão junto a Hebrom; e levantou ali um altar ao Senhor. Abrão edificou ali um altar para adorar ao Senhor assim como fez em todas as outras três vezes que o Senhor confirmou a posse da terra (12.7; 12.8; 13.4). Por onde passava, ele erigia um altar deixando, assim, o seu testemunho.

Abrão levantou o altar ao Senhor num lugar maravilhoso para se ter comunhão com Deus. Era o lugar para onde Deus o havia dirigido e seu significado é “riquezas”, enquanto Hebrom quer dizer comunhão. Foi nos carvalhais de Manre que o grande patriarca habitou e, depois de muitas outras experiências com o Senhor, foi enterrado (25.9).

Abrão, o pai da fé, cometeu várias falhas na sua vida, mostrando que também era humano. Apesar disso, Deus o amava e a própria Bíblia, a Palavra de Deus, o chamou de “amigo de Deus” (2Cr 20.7; Is 41.8; Tg 2.23.).

Entre suas falhas mais sérias está a de ter descido ao Egito em desobediência a Deus. Ele devia ter ficado na terra onde o Senhor o havia colocado e, pela fé, tentado superar os obstáculos de conseguir o suprimento necessário para sobreviver. O cristão deve viver pela fé, e não segundo as possibilidades que o mundo oferece. Temos que fazer o possível para suprir nossas necessidades, mas não através de qualquer meio ou método que contrarie a vontade de Deus.

Nessa altura de Gênesis 13 precisamos considerar a questão das posses. A riqueza não é um mal em si, mas também não é um bem. Ela é neutra. Pode se tornar um mal ou um bem, dependendo do uso que fizermos dela. A diferença está no homem que a possui. A riqueza provavelmente não foi um problema para Abrão, mas suscitou sérias dificuldades porque, como vimos, surgiram contendas entre os seus pastores e os pastores de Ló. Aqui, a atitude de discernimento, o bom senso e a generosidade de Abrão também merecem destaque. Ele deixou Ló escolher o melhor da terra para o desenvolvimento do seu patrimônio.

Abrão é, de fato, um exemplo. Com experiências negativas e positivas podemos olhar para ele e ver que, em resumo, sua vida de confiança em Deus é um desafio para todos nós, porque o justo viverá pela fé (Hb 2.4).





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