Atuação do psicólogo hospitalar: história e característica



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Atuação do psicólogo hospitalar: história e característica
Regulamentada pela Lei n° 4.119, em 1962 as práticas psicológicas surgem no Brasil delegando para o profissional duas funções: uma voltada a ensinar psicologia e a outra o exercício da profissão na prática, que se restringia apenas a área clinica, organizacional e escolar.

Com o passar dos anos e o crescimento dos setores de atuação deste profissional, se fez necessário a legalização de novas práticas. Em vista disso, o Conselho Regional de Psicologia elaborou um documento integrante do Catálogo Brasileiro de Ocupações do Ministério do Trabalho identificando, além das áreas já regulamentadas, outras áreas emergentes em seu campo de atuação, tais como: a psicologia clínica, (com descrições de atividades do que se vem denominando psicologia hospitalar ou psicologia da saúde), do trabalho, do trânsito, jurídico, do esporte, social e professor de psicologia.

Contudo, não se pode definir ao certo o início da prática de psicologia dentro dos hospitais. Ainda hoje, existe dificuldade em delimitar as funções, objeto e campo de atuação do psicólogo hospitalar, isto porque, segundo Sebastiani e Fongaro (1996 apud Chiattone, 2000) “(...) durante muito tempo, a psicologia hospitalar utilizou - se, e ainda utiliza de recursos técnicos e metodológicos ‘emprestados’ das mais diversas áreas do saber psicológico.”.Ao fazer uso desses recursos, na tentativa de delimitar a sua identidade, a psicologia aplicada ao contexto hospitalar, se deparou com diversas dificuldades, muitas vezes o conhecimento emprestado não se mostrou adequado ao contexto em que o psicólogo buscava exercer sua prática.

Essa dificuldade em delimitação de sua identidade se faz acompanhar das problemáticas que dizem respeito à estrutura de composição de seu modo de atuação. Engajado nesse meio impreciso de atuação, o psicólogo da saúde passou a exercer funções que muitas vezes não estavam voltadas a necessidade ideal do seu público alvo.

Ao posicionarmos a psicologia como ciência, enquanto campo de saber, fica evidente a sua diversidade, pluralidade, seja no que se refere aos locais de atuação, as teorias que embasam a prática, as metodologias utilizadas ou a pluralidade da atuação de cada profissional.

Devido a esta diversidade de teorias, métodos e modelo de atuação, e levando em consideração a diversidade de contextos de atuação do psicólogo hospitalar, Chiattone pontua que no Brasil se faz psicologia de forma distinta nos diferentes hospitais e instituições de saúde. Este fator pode ser atribuído a necessidade de adequação do psicólogo ao contexto da instituição hospitalar no qual está inserido. “É consenso que a psicologia ainda se encontra em estágio pré–paradigmático, onde seus membros não conseguem estabelecer uma conciliação sobre questões teóricas e metodológicas [...], cada grupo adere à sua própria orientação”.

Além das questões já levantadas, a atuação da psicologia na área da saúde, trabalha com uma tendência integrativa ou holística. Assim, nos deparamos com um campo de atuação onde é fundamental o diálogo inter e transdisciplinar com outros campos dos saberes precisos e objetivos. Vale ressaltar que este modelo de atuação é exercido em instituições hospitalares que ainda seguem o modelo biomédico cristalizado, onde muitas vezes a subjetividade do psicólogo passa a ser confundida com incapacidade, imprecisão, o que reforça esse modelo.

Com o passar dos anos, a psicologia foi se desenvolvendo e o seu crescimento fez com que muitas áreas fossem desmembradas. “É interessante como os novos nomes associam-se a um conceito ampliado de atuação psicológica e trazem, em comum, o rompimento com uma intervenção apenas em nível individual [...]. Inserindo-se em equipes multiprofissionais de saúde [...].” (Bastos, 1988 apud Chiattone, 2000).

Contudo, a formação de psicólogo ainda é generalista, o que causa uma complicação em sua atuação, se conhecimento em temas psicológicos é algo muito genérico, sua formação e técnica não abrange por completo seu campo de atuação. Isso faz com que o profissional, ao se deparar com as novas áreas emergentes, se defronte com a falta de suporte da sua formação teórica para sua prática profissional.

Em decorrência da diversidade e da pluralidade dos campos do saber da psicologia que em contrapartida ainda se fundamenta em uma formação teórica pouco ampla, podemos refletir sobre a existência da delimitação de um objeto de estudo comum a todas essas teorias e práticas. Neste sentido, conforme Lupo (1995 apud Chiattone 2000) cada área de atuação estabeleceu sua própria linguagem, problemática, metodologia e conceitos. Existe dificuldade de diálogo e na forma de tradução de conhecimentos de uma área para outra, segundo o autor, não há nem mesmo concordância quanto ao objeto de estudo.

Podemos pensar então, que fica difícil a definição de um modelo ou padrão de atuação para o psicólogo hospitalar. Voltamos a ponto em que este profissional está inserido em uma instituição pautada nos princípios do saber biomédico e que em um primeiro momento cause estranhamento da sua prática dentro dessas instituições.

Faz-se necessário então, uma movimentação no sentido de lançar uma nova teoria que possibilite a integração coerente entre a prática profissional e a formação de psicólogo, que permita a qualificação deste profissional com base em um contexto ético e adequado a sua prática profissional, qualificando seus saberes e o reforçando como método cientifico e psicológico.

Pode-se observar historicamente que a atuação do psicólogo hospitalar está muito pautada no modelo de atuação do psicólogo clinico.

Por atuação do psicólogo clinico entende- se que:


“(...) diz respeito, sobretudo, o bem estas das pessoas em sua singularidade e complexidade. Do ponto de vista clinico, o psicólogo é resultante da interação do indivíduo com seu ambiente e, portanto, da influência de outros que são relevantes para o desenvolvimento de uma personalidade: os pequenos grupos nos quais as pessoas vivem, bem como as instituições sócias cujo impacto sobre elas são fundamentais para a compreensão de seu modo de ser e agir.” (MACEDO, 1986 apud CHIATTONE, 2000, p.91)
Visto que a natureza da psicologia clínica propõe uma compreensão e intervenção que objetiva o bem estar individual e social do homem, entende-se que psicólogos clínicos não são somente aqueles que exercem suas atividades em clínicas ou consultórios particulares.

Não se pode culpar os profissionais e os estudantes por este equívoco. O aluno já adentra a faculdade com a idéia do modelo clínico e ela dá esse embasamento, reforçando assim essa imagem.

Quando o profissional é inserido no contexto hospitalar, o modelo clínico aprendido na graduação, muitas vezes prejudica esse profissional e acaba sendo uma experiência mal sucedida, pois o psicólogo age de forma inadequada não correspondendo a demanda do contexto hospitalar.

Se torna difícil transportar o saber clinico para a realidade institucional, pois os próprios psicólogos chegam a duvidar da eficiência e cientificidade da sua tarefa, não dando a devida importância por não se enquadrar nas atividades aprendidas na graduação.

Em estudo realizado por Mello (1975), na década de 70, os psicólogos que atuavam em hospitais eram classificados como clínicos pela sua pequena demanda na época.

Contudo, mudanças ocorreram na forma de pensar este profissional, fazendo-se necessário novos estudos acerca desta área.

Vale ressaltar que a psicologia hospitalar se diferencia da psicologia clínica em alguns pontos importantes, visto que existe uma dinâmica própria da área hospitalar que exige uma revisão dos referenciais teóricos, acadêmicos e até mesmo práticos da psicologia com a finalidade de dar suporte a esta nova área emergente e de grande expansão no âmbito da psicologia.

Acredita-se que já se faz necessárias especializações ou pós graduações adequadas a esta área, e ao longo dos anos essa necessidade se acentuará ainda mais.



Referência Bibliográfica
CHIATTONE, H. B. C. A Significação da Psicologia no Contexto Hospitalar. In Angerami-Camon, V. A. (org.). Psicologia da Saúde – um Novo Significado Para a Prática Clínica. São Paulo: Pioneira Psicologia, 2000, pp. 73-97.
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