Augusto dos Anjos



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Augusto dos Anjos

(AUGUSTO DE CARVALHO RODRIGUES DOS ANJOS)



(Eleito por pesquisa popular o paraibano do século XX)

Nasceu no Engenho Pau D’Arco, Município de Sapé, Estado da Paraíba em, 20.4.1884 e Morreu em Leopoldina, Estado de Minas Gerais em, 12.11.1914. Obra única: Eu (1912), que, acrescida de Outras Poesias, tornar-se-ia uma das mais populares do Brasil.  Vale salientar que atualmente existe o MUSEU AUGUSTO DOS ANJOS, aberto ao público e instalado na Casa da Ama de Leite Guilhermina, localizada na Usina Santa Helena (ex-Engenho Pau D’Arco e ex-Usina Bonfim), em ruínas, tendo em vista que a reforma agrária desapropriou suas terras e foram entregues aos sem-terras no final do século XX, e além do mais, Sapé/Paraíba sempre foi uma terra agitada em termos de liberdade no campo, pois, na década de 1960, principalmente no dia 02 de abril de 1962, foi assassinado por pistoleiros a mando de latifundiários da várzea do Paraíba o então Presidente da Liga Camponesa de Sapé/Paraíba João Pedro Teixeira, na localidade denominada de Antão do Sono, entre Sobrado e a Rodoviária Federal de Café do Vento, segundo informam os jornais da época e cujo tema é retratado no filme brasileiro: CABRA MARCADO PARA MORRER. Na época em que João Pedro Teixeira foi assassinado eu morava em um sitio encravado na Fazenda Maraú, pertencente aos pais: Sebastião José de Aguiar (pequeno proprietário rural e agricultor) e Maria do Carmo Melo Aguiar (do lar) e meus irmãos: José Vicente de Aguiar e José Antônio de Aguiar, eu tinha dez anos de idade e estudava a quinta série primária na Escola Elementar Mista do Engenho Itapuá, então município de Pilar e atualmente município de São Miguel de Taipu/Pb, tendo com professora a mestre-escola Beatriz Lopes Pereira, que educou gerações a base da palmatória, era justamente o símbolo da didática pedagógica daqueles tempos. A exemplo de Augusto dos Anjos, nasci em Sapé/Paraíba, em 03 de abril de 1952, na época meus genitores tinham um sitio na localidade Engenho Conceição. No dia 05/01/1964, com menos de doze anos de idade completos, iniciei minhas atividades de professor primário, sem lenço e sem documento, aos poucos, a população de Santa Rita/Paraíba, foi sendo instruída com os ensinamentos da modesta escola que estava nascendo, hoje, decorridos quarenta e quatro anos, a escola chama-se; COFRAG-COLÉGIO DR FRANCISCO AGUIAR, com educação infantil, ensino fundamental, ensino médio, exames supletivos, educação de jovens e adultos, além da Fafil- Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, mantida pelo IESPA-INSTITUTO DE ENSINO SUPERIOR DA PARAIBA LTDA, fundado e mantido pelo “MENINO PROFESSOR” de 1964. Os versos que seguem transcritos são de autoria do grande poeta Augusto dos Anjos e publicado no único livro de sua autoria: “EU”:



 

 

A IDÉIA

 

De onde ela vem?! De que matéria bruta



Vem essa luz que sobre as nebulosas

Cai de incógnitas criptas misteriosas

Como as estalactites de uma gruta?!

 

Vem da psicogenética e alta luta



Do feixe de moléculas nervosas,

Que, em desintegrações maravilhosas,

Delibera, e, depois, quer e executa!

 

Vem do encéfalo absconso que a constringe,



Chega em seguida às cordas do laringe,

Tísica, tênue, mínima, raquítica...

 

Quebra a força centrípeta que a amarra,



Mas, de repente, e quase morta, esbarra

No molambo da língua paralítica!

 

 

LA IDEA



 

 

¿¡De dónde viene?! ¿¡Qué materia bruta



Filtra esa luz que enciende nebulosas

Y de incógnitas criptas misteriosas

Cae como estalactitas de una gruta?!

 

¡De la psicogenética disputa

En el haz de moléculas nerviosas,

Que, en desintegraciones prodigiosas,

Delibera y decide y ejecuta!

 

Del encéfalo atroz que la constringe,

Va las cuerdas buscar de la laringe,

Tísica, tenue, mínima, raquítica...

 

Mas, la fuerza centrípeta deshecha,

Casi muerta, ¡de súbito, la estrecha

El trapo de la lengua paralítica!    




SOLILÓQUIO DE UM VISIONÁRIO

 

Para desvirginar o labirinto



Do velho e metafísico Mistério,

Comi meus olhos crus no cemitério,

Numa antropofagia de faminto!

 

A digestão desse manjar funéreo



Tornado sangue transformou-me o instinto

De humanas impressões visuais que eu sinto,

Nas divinas visões do íncola etéreo!

 

Vestido de hidrogênio incandescente,



Vaguei um século, improficuamente,

Pelas monotonias siderais...

 

Subi talvez às máximas alturas,



Mas, se hoje volto assim, com a alma às escuras,

É necessário que inda eu suba mais!

 

 

SOLILOQUIO DE UN VISIONARIO



 

Tentando desvirgar al laberinto

Del viejo y metafísico Misterio,

¡Mis ojos crudos en el cementerio

Comí, antropófago, de sangre tinto!

 

¡La digestión de ese manjar funéreo

Tornado sangre transformó mi instinto

De ese humano mirar mío, distinto,

En divina visión de íncola etéreo!

 

De hidrógeno vestido, incandescente,

Por un siglo vagué, improficuamente,

En la monótona sidérea faz...

 

Subí quizá a las máximas alturas,

Mas si hoy regreso con el alma a oscuras,

¡Es necesario que yo suba aún más!

 



 

VOZES DA MORTE

 

Agora, sim! Vamos morrer, reunidos,



Tamarindo de minha desventura,

Tu, com o envelhecimento da nervura,

Eu, com o envelhecimento dos tecidos!

 

Ah! Esta noite é a noite dos Vencidos!



E a podridão, meu velho! E essa futura

Ultrafatalidade de ossatura,

A que nos acharemos reduzidos!

 

Não morrerão, porém, tuas sementes!



E assim, para o Futuro, em diferentes

Florestas, vales, selvas, glebas, trilhos,

 

Na multiplicidade dos teus ramos,



Pelo muito que em vida nos amamos,

Depois da morte, inda teremos filhos!

 

 

VOCES DE LA MUERTE



 

¡Ahora sí, a morir vamos reunidos,

Oh, tamarindo de mi desventura,

Tú por tu envejecida nervadura

Y yo por la vejez de mis tejidos!

 

¡Ah, esta noche es la de los Vencidos!

¡La podredumbre, viejo! ¡Y esa futura

Fatalidad de la osamenta dura,

A que nos hallaremos reducidos!

 

¡No morirán, con todo, tus simientes!

Y así, para el Futuro, en diferentes

Florestas, valles, selvas, glebas, guijos,

 

En tus múltiples brazos y en sus ramos,

Por lo mucho que en vida nos amamos,

¡Después de muertos, aún tendremos hijos!

 



 

A MEU PAI MORTO

 

Madrugada de Treze de Janeiro.



Rezo, sonhando, o ofício da agonia.

Meu Pai nessa hora junto a mim morria

Sem um gemido, assim como um cordeiro!

 

E eu nem lhe ouvi o alento derradeiro!



Quando acordei, cuidei que ele dormia,

E disse à minha Mãe que me dizia:

“Acorda-o”! deixa-o, Mãe, dormir primeiro!

 

E saí para ver a Natureza!



Em tudo o mesmo abismo de beleza,

Nem uma névoa no estrelado véu...

 

Mas pareceu-me, entre as estrelas flóreas,



Como Elias, num carro azul de glórias,

Ver a alma de meu Pai subindo ao Céu!

 

  


A MI PADRE MUERTO

 

Madrugada tristísima de enero.



Sueño y rezo el oficio de agonía.

¡Mi Padre, en ese instante, se moría

Sin un gemido, así como un cordero!

 

¡Ni le oí el aliento postrimero!

Al despertar, supuse que él dormía,

Y respondí a mi Madre que pedía

¡Llámalo!”: — “!Déjalo dormir primero!”

 

¡Salí por ver a la Naturaleza!

En todo, un vasto abismo de belleza;

Nada entelaba el estrellado velo...

 

¡Mas parecióme ver, como en la historia

De Elías, en un carro azul de gloria

Subir el alma de mi Padre al Cielo!

 



 

VERSOS ÍNTIMOS

 

Vês?! Ninguém assistiu ao formidável



Enterro de tua última quimera.

Somente a Ingratidão —esta pantera—

Foi tua companheira inseparável!

 

Acostuma-te à lama que te espera!



O Homem, que, nesta terra miserável,

Mora entre feras, sente inevitável

Necessidade de também ser fera.

 

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!



O beijo, amigo, é a véspera do escarro,

A mão que afaga é a mesma que apedreja.

 

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,



Apedreja essa mão vil que te afaga,

Escarra nessa boca que te beija!

 

 

VERSOS ÍNTIMOS



 

¿¡Ves?! Nadie ha presenciado el formidable

Entierro de tu última quimera.

¡Sólo la Ingratitud —esta pantera—

Te ha sido compañera inseparable!

 

¡Acostúmbrate al lodo que te espera!

El Hombre, que, en la tierra miserable,

Mora entre fieras, siente inevitable

Necesidad de ser, como ellas, fiera.

 

Toma un fósforo. ¡Enciende tu cigarro!
El beso, amigo, anuncia escupo y sarro,

La mano que acaricia es aun fiereza.

Si aún a alguien causa lástima tu llaga,

¡Apedrea esa mano que te halaga,
Escupe en esa boca que te besa!

 



 
        O LAMENTO DAS COUSAS

Triste, a escutar, pancada por pancada,

A sucessividade dos segundos,

Ouço, em sons subterrâneos, do Orbe oriundos,

O choro da Energia abandonada!

 

É a dor da Força desaproveitada



— O cantochão dos dínamos profundos,

Que, podendo mover milhões de mundos,

Jazem ainda na estática do Nada!

 

É o soluço da forma ainda imprecisa...



Da transcendência que se não realiza...

Da luz que não chegou a ser lampejo...

 

E é em suma, o subconsciente ai formidando



Da natureza que parou, chorando,

No rudimentarismo do Desejo!

 

 

 



EL LAMENTO DE LAS COSAS

 

Escucho, entre una y otra campanada,

Triste, la sucesión de los segundos;

Y oigo en llantos subir, del Orbe oriundos,

¡La voz de la Energía abandonada!

 

¡Dolor de fuerza desaprovechada

Canto llano de dínamos profundos,

Que, pudiendo mover miles de mundos,

Yacen aún en la inercia de la Nada!

 

Sollozo de la forma aún imprecisa...

De trascender que nunca se realiza...

De luz que no llegó a relampagueo...

 

Y en suma, ¡el subconsciente ay miserando

Con que Natura se quedó, llorando,

En lo rudimentario del Deseo!

 

 

NATUREZA ÍNTIMA



 

Cansada de observar-se na corrente

Que os acontecimentos reflectia,

Reconcentrando-se em si mesma, um dia,

A Natureza olhou-se interiormente!

 

Baldada introspecção! Noumenalmente



O que Ela, em realidade, ainda sentia

Era a mesma imortal monotonia

De sua face externa indiferente!

 

E a Natureza disse com desgosto:



“Terei somente, porventura, rosto?!

“Serei apenas mera crusta espessa?!

 

“Pois é possível que Eu, causa do Mundo,



“Quanto mais em mim mesma me aprofundo,

“Menos interiormente me conheça?!”

 

 

 NATURALEZA ÍNTIMA



 

Cansada de observarse en la corriente

Que de acontecimientos relucía,

Reconcentrándose en sí misma, un día,

¡Miróse la Natura interiormente!

 

¡Frustrada introspección! ¡Noúmenalmente

Lo que Ella, en realidad, aún sentía

Era aquella inmortal monotonía

De su faceta externa indiferente!

 

Y dijo con disgusto la Natura:

¿¡Tendré tan sólo un rostro, por ventura?!

¿¡Seré tan sólo esta corteza fosca?!

 

¿¡Es posible que Yo, causa del Mundo,

Cuanto más me sondee el ser profundo,

Menos interiormente me conozca?!

 



 

HINO À DOR

 

Dor, saúde dos seres que se fanam,



Riqueza da alma, psíquico tesouro,

Alegria das glândulas do choro

De onde todas as lágrimas emanam...

 

És suprema! Os meus átomos se ufanam



De pertencer-te, oh! Dor, ancoradouro

Dos desgraçados, sol do cérebro, ouro

De que as próprias desgraças se engalanam!

 

Sou teu amante! Ardo em teu corpo abstracto.



Com os corpúsculos mágicos do tacto

Prendo a orquestra de chamas que executas...

 

E, assim, sem convulsão que me alvoroce,



Minha maior ventura é estar de posse

De tuas claridades absolutas!

 

  


HIMNO AL DOLOR

 

Dolor, salud de aquellos que se aplanan,



Fasto del alma, psíquico tesoro,

Júbilo de las glándulas del lloro

Donde todas las lágrimas emanan...

 

¡Oh, supremo, mis átomos se ufanan

De ser tuyos, Dolor, puerto del coro

De los míseros, sol del cerebro, oro

De que hasta las desgracias se engalanan!

 

¡Soy cual tu amante! Ardo en tu cuerpo abstracto.

Los mágicos corpúsculos del tacto

Prenden la orquesta ardiente que ejecutas...

 

¡Y así, sin convulsión que me alboroce,

Es mi mayor ventura estar en goce

De tus resplandecencias absolutas!



 
O POETA DO HEDIONDO

 

Sofro aceleradíssimas pancadas



No coração. Ataca-me a existência

A mortificadora coalescência

Das desgraças humanas congregadas!

 

Em alucinatórias cavalgadas,



Eu sinto, então, sondando-me a consciência

A ultra-inquisitorial clarividência

De todas as neuronas acordadas!

 

Quanto me dói no cérebro esta sonda!



Ah! Certamente eu sou a mais hedionda

Generalização do Desconforto...

 

Eu sou aquele que ficou sozinho



Cantando sobre os ossos do caminho

A poesia de tudo quanto é morto!

 

 

EL POETA DE LO HEDIONDO



 

Sufro aceleradísimas patadas

Del corazón. ¡Me ataca a la existencia

La mortificadora convivencia

De las plagas humanas congregadas!

 

¡En alucinatorias cabalgadas,

Siento, entonces, sondando mi conciencia

La ultrainquisitorial clarividencia

De todas las neuronas despertadas!

 

¡Ah, en el cerebro duéleme esta sonda!

Cierto soy del Dolor la más hedionda

Generalización... ¡Soy quien sin puerto

 

Quedó vagando, solo con su sino,

Cantando entre los huesos del camino

La poesía de todo cuanto es muerto!



 
 

O ÚLTIMO NÚMERO


 

Hora da minha morte. Hirta, ao meu lado,

A Idéia estertorava-se... No fundo

Do meu entendimento moribundo

Jazia o Último Número cansado.

 

Era de vê-lo, imóvel, resignado,



Tragicamente de si mesmo oriundo,

Fora da sucessão, estranho ao mundo,

Como o reflexo fúnebre do Incriado.

 

Bradei: — Que fazes ainda no meu crânio?



E o Último Número, atro e subterrâneo,

Parecia dizer-me: “É tarde, amigo!

 

Pois que a minha autogênita Grandeza



Nunca vibrou em tua língua presa,

Não te abandono mais! Morro contigo!”



 

 

EL ÚLTIMO NÚMERO



A la hora de mi muerte. Ya, a mi lado,

La Idea agonizaba... En lo profundo

Del viejo entendimiento moribundo

Yacía el Último Número cansado.

 

¡Qué duelo verle, inmóvil, resignado,

Trágicamente de sí mismo oriundo,

Ajeno a sucesión, extraño al mundo,

Cual fúnebre reflejo de lo Increado!

 

Gritéle: — ¿Qué haces aún preso en mi cráneo?

Y él, solitario, negro y subterráneo.

Parecía decirme: “¡Es tarde, amigo!

 

Visto que mi autogénita Grandeza

No ha vibrado jamás tu lengua presa,

¡No te abandono más! ¡Muero contigo!”  


CANTO DA ONIPOTÊNCIA

 

Cloto, Átropos, Tifon, Laquesis, Siva...



E acima deles, como um astro, a arder,

Na hiperculminação definitiva

O meu supremo e extraordinário Ser!

 

Em minha sobre-humana retentiva



Brilhavam, como a luz do amanhecer,

A perfeição virtual tornada viva

E o embrião do que podia acontecer!

 

Por antecipação divinatória,



Eu, projetado muito além da História,

Sentia dos fenômenos o fim...

 

A coisa em si movia-se aos meus brados



E os acontecimentos subjugados

Olhavam como escravos para mim!

  

 

CANTO DE OMNIPOTENCIA



 

 

Cloto, Átropos, Tifón, Laquesis, Sira...

Y sobre ellas, cual astro empieza a arder

Hiperculminación definitiva

¡Mi supremo y extraordinario Ser!

 

En mi sobrehumana retentiva

Brillaban, cual la luz de amanecer.

La perfección virtual tornada viva/

¡Embrión de algún posible acontecer!

 

Por anticipación divinatoria,

Yo, proyectado allende de la Historia

Sentía de los fenómenos el fin…

 

La cosa-en-sí movíase a mis aullidos,

Los acontecimientos sometidos

Miraban, como esclavos, hacia mí.

 

 



PESQUISADOR: Francisco de Paula Melo Aguiar- Mestre e Doutor em Ciências da Educação pela UPAP – UNIVERSIDADE POLITÉCNICA E ARTISTICA DO PARAGUAY e que teve como ORIENTADOR DE TESIS o Prof. Dr. Gerardo Fogel, ex-Ministro Interno da Educação do Paraguay; Escritor e Poeta ocupante da cadeira 7 (PATRONO: POETA CARLOS DIAS FERNANDES) da Academia Paraibana de Poesia – João Pessoa – Paraíba.

E-mail: iespa@ig.com.br.


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