Aula – 02 Novas configurações urbanas do Rio de Janeiro



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Aula – 02

Novas configurações urbanas do Rio de Janeiro.
Em março de 1808 chega ao Porto do Rio de Janeiro os navios trazendo a Família Real.

O local escolhido para a primeira celebração foi a Igreja do Rosário dos Homens de Pretos. Os negros receberam ordens para não seguir o cortejo real, não participar da festa, porém acompanharam o cortejo e entraram cantando na Igreja que na verdade pertencia a uma Irmandade Negra.

A cidade tinha apenas 46 ruas e cerca de 60 mil habitantes. O Rio de Janeiro sofreu varias mudanças, a promulgação de uma lei que dava a Coroa o direito de confiscar casas particulares. As casas eram escolhidas em suas portas pintado as iniciais “PR”, que queria dizer “Príncipe Regente” e o morador desta residência era obrigado a sair para abrigar a Corte.


Monumentos que registram séculos de história permanecem no Rio de Janeiro até os dias atuais, tais como o Chafariz de Mestre Valentim, na praça XV. As poucas ruas existentes na época eram de terra batida e os escravos eram vendidos nas calçadas.

A chegada da Corte muda a rotina da cidade, o comercio de escravos foi retirado das ruas para que a cidade obtivesse uma melhor aparência.

Foi feita na cidade a primeira moradia da Família Real. O espaço imperial, esta era a única construção do governo com pompa e tamanho suficiente.

Com o passar do tempo a Família Real se mudaria para uma fazenda.

Dom João queria mais uma residência longe do centro do Rio de Janeiro que ele considerava muito movimentado. Um dia visitou a Mansão de um traficante de escravos, local este conhecido hoje como “Quinta da Boavista”, para chegar a este local teve que ir de barco, atravessar manguezais. Gostou tanto desta fazenda que o dono da mesma teve que doa-la a Família Imperial.

Nos dias atuais este palácio é o Museu Nacional, em São Cristóvão, Zona Norte do Rio de Janeiro.


No Rio foram esses comerciantes, foram valiosos pra acudir o rei no momento difícil e receberam em troca a concessão de serviços, cobrança de impostos, era uma relação de toma lá, da cá”, conta a historiadora Isabel Lustosa. os inimigos vinham do mar. Até hoje algumas fortalezas parecem prontas para a batalha, guardam o mesmo ar lúgubre, tenso, mas com uma vista.

Várias fortificações até hoje cercam a baía de Guanabara, serviam para rechaçar qualquer tentativa de invasão.

Para alimentar os canhões, uma das primeiras medidas de dom João no Brasil foi abrir uma fábrica de pólvora. Os restos dessa construção ainda são encontrados no meio do jardim botânico, um dos pontos mais tranqüilos da cidade.

Ele foi criado três meses depois do desembarque, com interesse financeiro, o de aclimatar plantas e especiarias vindas do oriente”.


O Século XIX e o Século XX
O Neoclássico foi difundido no Rio de Janeiro motivado pela necessidade de um re-ordenamento urbano da cidade, após a chegada da Família Real Portuguesa.

Podemos observar várias construções neste período, tais como:


A Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios fundada sob influência dos franceses incluía um curso completo de arquitetura, passando a ser ministrado efetivamente em 1826 na Aula de Arquitetura Civil por Grandjean de Montgny, sendo, depois da Aula de Fortificações de Salvador e da Real Academia de Artilharia Fortificação e Desenho do Rio de Janeiro, a terceira escola regular de ensino arquitetônico a ser fundada no Brasil.


Podemos dizer que o Barroco Colonial estava se extinguindo e em seu lugar estava surgindo a corrente Neoclássica, tendo como centro difusor o Rio de Janeiro, sendo que pelas condições sociais e econômicas foi criado um estilo simplificado.

Reforma Urbana no Rio de Janeiro
No alvorecer do século XX, o Rio de Janeiro enfrentava graves problemas sociais, decorrentes, em larga medida, de seu crescimento rápido e desordenado. Com o declínio do trabalho escravo, a cidade passara a receber grandes contingentes de imigrantes europeus e de ex-escravos, atraídos pelas oportunidades que ali se abriam ao trabalho assalariado. Entre 1872 e 1890, sua população duplicou, passando de 274 mil para 522 mil habitantes.

O incremento populacional e, particularmente, o aumento da pobreza agravaram a crise habitacional, traço constante da vida urbana no Rio desde meados do século XIX. O epicentro dessa crise era ainda, e cada vez mais, o miolo do Rio – a Cidade Velha e suas adjacências –, onde se multiplicavam as habitações coletivas e onde eclodiam as violentas epidemias de febre amarela, varíola, cólera-morbo que conferiam à cidade fama internacional de porto sujo.

Não por acaso, os higienistas foram os primeiros a formular um discurso articulado sobre as condições de vida na cidade, propondo intervenções mais ou menos drásticas para restaurar o equilíbrio daquele "organismo" doente. O primeiro plano urbanístico para o Rio de Janeiro foi elaborado entre duas epidemias muito violentas (1873 e 1876), mas uma ação concreta nesse sentido levaria cerca de três décadas para se realizar. Foi a estabilidade político-econômica, a duras penas alcançada no governo Campos Sales (1898-1902), que permitiu ao seu sucessor, Rodrigues Alves, promover, entre 1903 e 1906, o ambicioso programa de renovação urbana da capital.

Tratada como questão nacional, a reforma urbana sustentou-se no tripé saneamento – abertura de ruas – embelezamento, tendo por finalidade última atrair capitais estrangeiros para o país. Era preciso sanear a cidade e, para isso, as ruas deveriam ser necessariamente mais largas, criando condições para arejar, ventilar e iluminar melhor os prédios. Ruas mais largas estimulariam igualmente a adoção de um padrão arquitetônico mais digno de uma cidade-capital.



Preâmbulo

    • 1822: Independência do Brasil e pouco mudou na cidade do Rio de Janeiro - o poder agrário e a escravidão mantiveram-se.




    • O centro do Rio de Janeiro foi ocupado pela população dita miserável: não havia mobilidade por meio dos bondes.




    • Segunda metade do século XIX: novo período de expansão – 1) incorporação de novos sítios à área urbana; 2) intensificação da ocupação das freguesias periféricas 3) abertura de novas vias de acesso aos lugares mais distantes do centro (a moradia era o cortiço)




    • O bonde e o trem foram: responsáveis por uma nova distribuição espacial da cidade:

. aproximou os lugares longínquos

. abriu novas oportunidades para a expansão do tecido urbano.




    • A aristocracia se deslocou do antigo centro urbano e seguiu em direção à Lapa, Catete, Tijuca, Glória, Botafogo e São Cristóvão, deixando no núcleo central antigos casarões.

    • Os meios de transportes, o bonde e o trem, possibilitaram a expansão da cidade, onde deflagrou a dicotomia núcleo-periferia no espaço urbano, assim como a segregação sócio-espacial dos moradores da cidade.




    • A cidade do Rio de Janeiro foi a primeira experiência em larga escala de transformação de uma cidade colonial em uma metrópole capitalista.




    • Na segunda metade do século XIX, as riquezas geradas com a expansão da cultura cafeeira e com a abolição do tráfico negreiro em 1850, ficaram em parte disponíveis, tornado-se capitais excedentes.




    • Foi possível o investimento e reaplicação em empreendimentos econômicos urbanos, como ferrovias, bondes, bancos, instalações portuárias, estaleiros, indústrias e empresas imobiliárias.


A Reforma Pereira Passos




    • Em quatro anos (1902-1906) foi realizada, com o apoio da União, uma reforma urbana na cidade




    • Principais objetivos:

. Agilizar o processo de importação/exportação de mercadorias (base da economia da época);


. Criar uma nova capital com obras suntuosas, em condição de igualdade com Buenos Aires e Montevidéu, que simbolizasse a importância do país como o maior produtor de café do mundo, moderno e cosmopolita;
. Valorizar o solo urbano, atendendo aos interesses das classes dominantes, alterando formas, funções e conteúdo social;
. Transferir, remodelar e ampliar o Porto do Rio de Janeiro.

    • Para o projeto de embelezamento do Rio, o centro da cidade seria o palco das transformações e como justificativa para explicar o tumulto que representaria a transferência das populações do centro e as demolições maciças necessárias à construção de novos edifícios de padrão internacional,




    • Entre 1870 e 1890, a população urbana quase duplicou, passando de 226 mil para 552 mil pessoas.




    • Urgência de obras que visassem o saneamento e higiene para a erradicação da varíola, febre amarela, malária e afecções pulmonares.




    • Rodrigues Alves concedeu a missão ao jovem Oswaldo Gonçalves Cruz para sanear a cidade - os projetos foram ousados para a época e a população respondeu com desconfiança.




    • A primeira ação foi o combate a peste (ratos), posteriormente a febre amarela e o maior conflito foi com a vacinação obrigatória para a erradicação da varíola que desencadeou a Revolta da Vacina.

    • Uma marca do programa de melhoramento e embelezamento da capital foi a construção de prédios culturais e a concentração das obras nas zonas Central e Sul, ratificando a intenção de valorização dos terrenos em questão.




    • A construção da Avenida Beira Mar confirmou a estratégia de expansão do sítio.




    • A integração de Copacabana ao espaço urbano também foi promovida pelo poder público, através do túnel do Leme (1906) e da construção da Avenida Atlântica.







    • Grandes obras, grandes projetos eram exigidos e disputados por empreiteiros, construtores e outros grupos de capitalistas burgueses.

    • Rios como o Carioca, Maracanã e Berquó foram canalizados e a Lagoa Rodrigo de Freitas foi saneada.




    • Declarou guerra aos quiosques, proibiu a atividade dos vendedores ambulantes e o exercício da mendicância.




    • Operação bota-abaixo: destruição generalizada e autoritária das edificações consideradas insalubres




    • Toda a transformação da área central durante o governo Passos, inclusive as obras realizadas pela União, exigiram a destruição de cortiços e quarteirões inteiros de casas, estabelecimentos artesanais e industriais.




    • A área central tornou-se uma das mais valorizada da cidade.




    • A população de baixa renda, ficou sem moradia, tendo como opção o subúrbio ou os morros próximos, onde intensificou-se o processo de favelização.




    • Um dos efeitos da Reforma Passos sobre a população, foi o decréscimo populacional nas freguesias centrais e um incremento na ocupação das zonas Sul pela burguesia e Norte pelo proletariado e desempregados.


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