Aula 02 comunicaçÃo de massa, gosto popular e a organizaçÃo social



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AULA 02 - COMUNICAÇÃO DE MASSA, GOSTO POPULAR E A ORGANIZAÇÃO SOCIAL
Os problemas que ocupam os homens mudam de acordo com as demandas da sociedade. Ex: meios de comunicação de massa.
A comunicação de massa é um poderoso instrumento para o bem e para o mal (hoje, mais mal do que bem).
Poder não está necessariamente nos meios de comunicação de massa, mas nos grupos de interesse que fazer uso dos mass media para controlar a sociedade.
O poder econômico faz uso de estratégias sutis de exploração psicológica.
Ninguém “vai preso” por não acreditar em algo. O interessado em estabelecer a crença faz uso dos meios de comunicação de massa.

  • Força física é substituída pela persuasão em massa.

Nossa preocupação: os efeitos sobre a cultura popular e o gosto estético do público.



  • Os mass media acatam os gostos vulgarizados e contribuem para decadência cada vez maior.




  • Refletir sobre por que a influência dos M.C.M. tem sido estudada (p.112-114).

Funções:



  • Atribuição de status – inclusive dá testemunho para legitimar o próprio status;

  • Reforço das normais sociais – pressão para uma moralidade única;

  • Disfunção narcotizante – garante a impressão que estar bem informado já é suficiente; não é necessário atuar sobre os problemas sociais (o cidadão vê o jornal e depois vai para a cama).

Quem sustenta o empreendimento – MCM – é o anunciante. Logo, quem paga é quem manda.


GOSTO POPULAR

Programas de rádio, tevê, jornais, revistas etc se dedicam ao entretenimento – logo é necessário considerar o impacto dos mass media sobre o gosto popular.


As mídias fazem parte do cotidiano das pessoas.
* Reflexão sobre o passado e presente (gosto estético).

  • Passado: - 1% a 2% da população compunha o público efetivo da arte. Eram “felizardos” culturais – demanda seletiva e gosto estético refinado.

  • Presente: - Reflexo do surgimento da educação popular – aumento do público, cultura pouco refinada (embora alfabetizado, público tem capacidade de ler, mas compreende apenas os conteúdos superficiais; não absorve o sentido global).


Mas, e o público versus a arte?

Audiência resistente a conteúdos mais elaborados.


* Observação: no Brasil, antes que a escola se universalizasse, antes que o saber formal tornasse referência educativa para grande parte de nossa população, antes que a língua escrita estivesse generalizada em todo território nacional, o rádio, a TV e o cinema já eram velhos conhecidos da população.
* Observação 2: o censo demográfico de 2000 revelou que 53% da população tinha estudado menos de sete anos; por outro lado, cerca de 90% dos brasileiros tinham televisão.
Problemas:

  • Para alcançar o público, achata mais o nível estético;

  • Criação de mitos;

  • Mass media operam em favor da estrutura vigente; não promovem transformação.

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Outros problemas:



  • Ao reproduzir a estrutura vigente, o juízo estético foi afetado (a apreciação da arte é de ordem prática. Vemos as coisas do nosso mundo em termos da sua utilidade. Ex: O João ficou entusiasmado com o quadro Carpe Diem, de Baltazar Torres, pois pareceu-lhe um excelente investimento. / A Rita gosta muito da música da Enya porque tem um efeito relaxante).

  • O padrão de gosto é determinado pela quantidade e qualidade das experiências vivenciadas. Ou seja, quanto mais se conhece, mais são os critérios de julgamento. A mídia reproduz essa diversidade?

ARTE PARA SER SUCESSO

A industrial cultural produz bens culturais, sob uma lógica de mercadoria...
... Logo os produtos são padronizados, visam a obtenção de lucro e se destinam ao consumo de massa.
Para isso, precisam ter uma “fórmula de sucesso”.
O sucesso tem uma fórmula previamente testada e verificada quanto à sua eficiência entre o público, que é submetido a pesquisas de audiência, pesquisas que também apontam necessidades de adaptações a fim de manter seus níveis de vendagem satisfatórios.
Resultado? Isso implica um conformismo da sociedade, anulando o seu espírito crítico, a imaginação, a espontaneidade e a fantasia dos consumidores.
Ex: música – Ricardo Benevides diz que,

uma canção de sucesso seria literalmente fabricada, como qualquer outra mercadoria, obedecendo-se a uma duração padronizada (em média três minutos), sua melodia comportaria um número fixo de compassos, repetidos para garantir rápida memorização e reconhecimento, seu refrão afirmaria incessantemente o mesmo texto do título da canção, os intermezzi instrumentais apresentariam os mesmos timbres e assim por diante.


Umberto Eco diz que os produtos que buscam apenas o entretenimento e o lazer nos tocam apenas no nível superficial.
Os mass media apresentam-se, portanto, como o instrumento educativo típico de uma sociedade superficial, individualista e democrática, e substancialmente tendente a produzir modelos humanos preconcebidos.
E continua dizendo que o homem médio é o homem universal, imaginário, aquele que responde às imagens através de sua identificação ou projeção, desenvolvendo-se assim uma nova civilização que tende à universalidade.
A homogeneização do gosto contribuiria para eliminar, em certos níveis, as diferenças de classe, nacionalizando os sentimentos.
Voltando ao exemplo da música: o rádio cumpre um papel importante nessa história. Frank

Conrad, desenvolveu como passatempo...


...Pessoas que acompanhavam suas transmissões começaram a escrever-lhe pedindo para ouvir novamente suas músicas preferidas. E assim apareceram nas lojas os aparelhos radiorreceptores, demarcando sua importância na história.
De fato, continua Eco, o rádio possibilitou a milhares de pessoas ouvirem um repertório musical ao qual, até bem pouco tempo, só se tinha acesso em determinadas ocasiões...
Tem então início a expansão da cultura musical nas classes médias e populares, com o aprofundamento do conhecimento do repertório e o empenho em promover manifestações musicais e em compor músicas originais.
Como conseqüência, o rádio inflacionou a audição musical, habituando o público a aceitar a música como complemento sonoro de suas atividades caseiras, com total prejuízo de uma audição atenta e criticamente sensível, levando, enfim, a um hábito da música como coluna sonora da jornada, material de uso, que atua mais sobre os reflexos, sobre o sistema nervoso, do que sobre a imaginação e a inteligência.
REFERÊNCIAS:

LIMA, Luiz Costa, Teoria da Cultura de Massa.



FITTIPALDI, Valéria Prestes. Formaria a mídia um gosto musical?

SETTON, Maria da Graça Jacintho. A educação popular no Brasil: a cultura de massa.


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