Aulas práticas tumores do testículo e do ovário



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ANO LECTIVO 2004/05
ANATOMIA PATOLÓGICA GERAL - BIOPATOLOGIA
AULAS PRÁTICAS
TUMORES DO TESTÍCULO E DO OVÁRIO

Testículo


Os tumores testiculares representam cerca de 1% das neoplasias malignas no homem e a maioria ocorre como tumefacção indolor entre os 15-35 anos (são os tumores mais comuns neste grupo etário). O risco de cancro testicular aumenta com criptorquidia, disgenesia testicular (ex: síndrome de Klinefelter e feminização testicular), história de cancro no testículo contra-lateral, e em familiares do 1º grau de doentes com cancro testicular.

Os tumores de células germinativas, caracterizadas pela presença de um isocromossoma do braço curto do cromossoma 12, i(12p), são os tumores testiculares mais frequentes (95%); podem também originar-se no retroperitoneu, mediastino e glândula pineal. Os tumores dos cordões sexuais/estroma (ex: tumores de células de Leydig e de Sertoli, associados a puberdade precoce, feminização, ou ginecomastia) e os linfomas (tumores testiculares mais frequentes depois dos 50 anos ) são outros tipos histológicos.

Os tumores de células germinativas tem origem intratubular (tumor intratubular germinativo) e podem ser constituídos por um (40%) ou mais (60%) tipos histológicos: a) Seminomatoso – seminoma clássico (tumor mais frequente, idêntico ao disgerminoma ovárico) e seminoma espermatocítico (geralmente depois dos 65 anos), que reproduzem diferenciação de tipo germinativo ; b) Não-seminomatoso – Tumores do seio endodérmico (antes dos 3 anos) e coriocarcinoma (com componentes de sincício e citotrofoblasto, idêntico, mas mais agressivo, ao coriocarcinoma gestacional), que reproduzem diferenciação de tipo extra-embrionário; teratomas (contendo elementos maduros, imaturos, ou, raramente, malignizados, derivados da endoderme, mesoderme e ectoderme), que reproduzem diferenciação de tipo somático adulto ou embrionário; carcinoma embrionário, que reproduz diferenciação de tipo blástico epitelial.

Os seminomas são geralmente localizados no testículo (estadio I), ocasionalmente (10%) podem conter células (sinciotrofoblasto) produtoras de β-HCG e têm disseminação linfática inicial e hematogénica tardia. A maioria dos tumores não-seminomatosos associam-se a níveis elevados de α-fetoproteína (tumores do seio endodérmico), β-HCG (coriocarcinoma) ou ambas (carcinoma embrionário, teratoma e tumores mistos).



Ovário


Os tumores ováricos são geralmente assintomáticos e incluem, por ordem decrescente de frequência: tumores epiteliais (65-70%), tumores de células germinativas (15-20%), tumores dos cordões sexuais/estroma (5-10%) e metástases ováricas de tumores primários de outra localização (5%)

A maioria (85%) dos cancros do ovário são epiteliais, ocorre após a menopausa (40-65 anos) e associam-se a nuliparidade, menarca precoce e menopausa tardia. A existência de história familiar e de mutações herdadas de genes de susceptibilidade (ex: BRCA1 e BRCA2) aumenta o risco de carcinomas do ovário na pré-menopausa.

Os tumores epiteliais incluem, por ordem decrescente de frequência, tumores serosos (75%), mucinosos, endometrióides, de células claras, mistos, e tumores de Brenner; podem ter comportamento benigno, de baixo grau de malignidade (“borderline”) ou maligno. Há tumores primários do peritoneu idênticos aos tumores serosos e mucinosos do ovário. O pseudomixoma peritoneal pode associar-se a tumor mucinoso ovárico, mas tem habitualmente origem extra-ovárica (geralmente apendicular). A maioria dos tumores ováricos endometrióides são malignos e podem ocorrer com tumores síncronos no endométrio.
Os tumores germinativos do ovário são geralmente unilaterais, ocorrem habitualmente em mulheres jovens e incluem tumores idênticos aos do testículo; o teratoma maduro (“cisto dermóide”) é o mais frequente e habitualmente benigno e em jovens.

Os tumores dos cordões sexuais/estroma ovárico incluem: a) tumores da granulosa, de baixo grau de malignidade, que podem produzir estrogénios responsáveis por puberdade precoce (jovens) ou risco aumentado de carcinoma do endométrio (adultos); b) tecomas –fibromas, raramente malignos, podem associar-se a ascite e hidrotórax; c) tumores de Sertoli-Leydig, raramente malignos, podem associar-se a virilização.




ASPECTOS MORFOLÓGICOS DOS TUMORES DO TESTÍCULO E DO OVÁRIO

Testículo

Doc.1 (Histologia) – Seminoma clássico. Homem de 31 anos com tumor testicular . O tumor tem padrão lobulado, com células poliédricas uniformes, de citoplasma predominantemente claro (glicogénio) e núcleo arredondado com nucléolo evidente; o estroma contem infiltrado linfóide com alguns folículos. No parênquima testicular adjacente note tubulos seminíferos esclero-hialinizados e alguns com tumor intratubular germinativo.


Doc. 2 (Histologia) – Tumor do seio endodérmico. Menino de 15 meses com tumor testicular. O tumor tem padrão microcístico ou sólido, e frequentes glóbulos hialinos (alfa-feto-proteína e alfa-1-antitripsina) intra- e extra-citoplasmáticos. No parênquima testicular adjacente note tubulos seminíferos sem lumen, com células indiferenciadas e algumas células gametogénicas; estroma indiferenciado.
Doc. 3 (Histologia) - Tumor de células de Leydig. Homem de 36 anos com ginecomastia e tumor testicular. O tumor tem padrão sólido/nodular, com células poliédricas uniformes, de citoplasma eosinofílico e núcleo central arredondado. No parênquima testicular adjacente note tubulos seminíferos com sequências de maturação gametogénica e outros esclero-hialinizados; estroma laxo com grupos de células de Leydig.

Ovário

Doc. 4 (Histologia). Teratoma cístico maduro. Mulher de 35 anos com tumor ovárico. O tumor é cístico, com revestimento epidérmico e de tipo respiratório, com sinais de rotura (reacção xantogranulomatosa e células gigantes multinucleadas em relação com pêlos). Note a presença de glândulas sebáceas e écrinas, feixes musculares lisos, cartilagem e extensas lesões de esteatonecrose no tecido adiposo da parede do tumor.


Doc. 5 (Histologia). Cistoadenocarcinoma seroso. Mulher de 64 anos com tumor ovárico bilateral. O tumor tem padrão cístico e papilar invasivo, com células epiteliais serosas (compare com as células serosas do revestimento da trompa adjacente).
Doc. 6 (Histologia) – Tumor de Krukenberg. Mulher de 46 anos com tumor ovárico bilateral. O tumor tem células epiteliais malignas em anel de sinete (contendo muco), que infiltram extensamente o estroma ovárico, e resulta de envolvimento metastático ovárico bilateral por neoplasia primária do estômago.


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