Austrália dividida está em "Geração Roubada", destaque da Mostra



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noyce foge da cela em "pequena história"



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lúcia valentim rodrigues
editora-assistente da ilustrada

acordado no meio da madrugada em sua casa em los angeles por um telefonema, o cineasta australiano phillip noyce, 53, imediatamente pensou se tratar de alguém trazendo más notícias. "mas era bem pior do que eu imaginava: era uma roteirista", ri.

mas ele não desligou, acabou lendo o texto e não conseguindo mais se desvencilhar daquela trama: "eu estava fazendo um blockbuster ['a soma de todos os medos'], mas aquela pequena história era o que me fazia acordar todas as manhãs. então abandonei o colosso de us$ 120 milhões e voltei para a austrália".

o que tirou o sono de noyce ("o americano tranquilo") foi a vida de uma garota aborígene de 14 anos, afastada de sua mãe por conta de uma diretriz governamental, e sua busca do caminho para a casa, percorrendo 2.500 km de uma região árida da austrália.

de 1880 até os anos 70, o governo australiano defendeu que filhos mestiços deveriam ser separados de suas famílias originais para retomar seu contato com a sociedade branca. centenas de famílias foram arruinadas em nome desse "bem-estar" infantil --a "geração roubada" do título.

"a história me cativou, porque mexe com o 'passado secreto' australiano. isso só começou a ser investigado há 20 anos. a austrália ficou em silêncio por muito tempo sobre esse massacre."



folha - por que o sr. decidiu filmar essa história?

phillip noyce - foi uma espécie de antítese ao que estava fazendo em hollywood. quando li uma história tão simples e tão tocante, sobre a relação entre brancos e negros em meu país, quis empreender uma viagem de volta para casa, para que, como as meninas do filme, pudesse retomar a minha própria identidade.

folha - como o filme foi recebido na austrália?

noyce - conservadores criticaram por o filme ser muito duro com as pessoas que apenas tentaram "ajudar" os aborígenes. já os aborígenes disseram que eu tinha sido muito brando no modo de representar a crueldade daquela época. então não há jeito de vencer [risos]. fiz um filme para que os brancos também quisessem ver, não tentei demonizá-los. a idéia de negar a identidade de uma pessoa, produzindo uma geração de "fantasmas andantes", me parece muito mais chocante do que algo que pudesse filmar.

folha - o que a população local pensa sobre o assunto hoje?

noyce - criaram-se comissões de inquéritos para investigar o assunto e delas surgiu o começo do processo de cura para esses crimes. a maioria dos australianos já aceitou que houve um genocídio, uma tentativa de destruir a cultura aborígene. mas há ainda uma minoria que insiste na negação --e é apoiada pelo governo atual.

folha - esse tipo de segregação ainda acontece nos dias atuais?

noyce - não, mas os efeitos dessas políticas ainda são sentidos. há que se colar os pedaços dessas vidas e isso vai levar gerações.

folha - qual sua expectativa de o filme ser exibido no brasil?

noyce - será interessante ver a reação das pessoas. tudo o que conheço do seu país vem de "cidade de deus" e dos filmes de hector babenco. meus filmes de hollywood fizeram sucesso no brasil, como "o colecionador de ossos", mas é a primeira vez que um filme australiano meu será apresentado aí. é minha libertação da cela de hollywood.

folha - como assim?

noyce - foi o que me fez notar que não preciso desses blockbusters. posso fazer salsichas ou filmes assim, em que o cinema trata de nossas próprias histórias. foi ótimo ter participado do debate criado pela controvérsia de "geração", em vez de passar anos como soldado-raso de hollywood.

folha - mas o sr. está de volta a hollywood...

noyce - sim, mas estou fazendo um cinema diferente, tentando fazer "geração roubada" dentro do sistema hollywoodiano.

folha - e isso é possível?

noyce - ainda estou tentando, só espero que funcione [risos].

folha - o sr. está trabalhando em algum novo projeto?

noyce - estou analisando três roteiros: "american pastoral" é a adaptação de um romance de philip roth, "picky", uma biografia sobre o explorador thor heyerdahl (1914-2002), e "dirt music", uma história de amor.

o filme mostra a separação forçada de crianças nativas de suas famílias, sendo levadas para supostas instituições educacionais onde eram ensinadas a ler, mas também a negar a própria cultura.

a grande força do filme é colocar sua ênfase não nessas casas de "reeducação" e sim em três meninas, as irmãs molly (everlyn sampi) e daisy craig (tianna sansbury) e sua prima gracie (laura monaghan).

lideradas pela intrépida molly, que contava apenas 14 anos em 1931, data dos fatos, o trio empreende uma fuga espetacular, percorrendo cerca de 2.500 quilômetros para voltar para casa, no norte da austrália.

uma façanha respeitável, dado que as meninas estavam a pé, sem água ou comida, num ambiente árido, procuradas pelas autoridades e contando como orientação basicamente seguir uma enorme cerca (a "rabbit-proof fence", ou cerca para proteção contra coelhos, que dividia o país de norte a sul).

a fantástica aventura das meninas foi contada no livro escrito por doris pilkington garimara, uma das filhas de molly. personagens verdadeiras e ainda vivas, octogenárias, as meninas são mostradas no final do filme.

indomável, molly foi recapturada aos 24 anos, quando já tinha duas filhas, mas voltou a fugir pela segunda vez levando a filha menor, annabelle.

annabelle, por sua vez, foi retirada da guarda da mãe aos 3 anos de idade e perdeu contato com a família. graças ao filme de noyce, ela acaba de ser reencontrada.


o mais novo trabalho do diretor australiano phillip noyce (que fez o americano tranqüilo), é geração roubada, a história é verídica, da época em que o estado australiano roubava crianças de tribos aborígines para trabalharem em serviços domésticos dentro de lares no país no período de 1880 até 1960. o filme relata bem o absurdo que acontecia no país e que até hoje muitos australianos nem gostam de falar no assunto por sentirem-se envergonhados em relação ao mundo. além da história a fotografia que o noyce conseguiu retratar no filme é deslumbrante, a austrália é um país que naturalmente é belo por natureza, o que contribuiu mais para ofuscar nossos olhos, com uma trilha mais envolvente. a última cena em que aparecem as duas protagonistas do filme anos mais tarde, confesso que me emocionei pelo impacto transmitido pelo diretor.

logo após a exibição do filme para a imprensa houve uma coletiva com o próprio diretor, que falou sobre o filme e seus próximos projetos. o projeto de levar geração roubada para os cinemas começou com a compra dos direitos do livro folho he rabbit-proof fence, da escritora aborígene doris pilkington garimara, filha de molly, uma das protagonistas do filme. com um orçamento de us$ 3 milhões phillip noyce conseguiu levar para as telas o filme que foi a segunda fita mais vista na austrália esse ano, apesar de haver movimentos contrários em relação ao assunto no país, como ele mesmo afirmou. segundo noyce, quando a fita foi projetada para os aborígenes, estiveram presentes 1500 pessoas vindas de diversas partes e muitas delas eram parentes que há muitos anos não viam seus conterrâneos. mas o filme não para por aí, pois noyce irá filmar outra parte com os protagonistas de geração roubada já grandes, o jeito é esperar.

história real de molly craig, jovem negra australiana de 14 anos que, em 1931, com sua irmã daisy, de 10 anos, e sua prima gracie, de 8 anos, foge de um campo do governo britânico da austrália, criado para treinar mulheres aborígines para serem empregadas domésticas. molly guia as meninas por quase três mil quilômetros através do interior do país, em busca da cerca que o divide e que a permitiria voltar para sua aldeia de origem, de onde foram tiradas dos braços de suas mães. na jornada, elas são perseguidas pelos homens do terrível governador a. o. neville, o qual não admite que as meninas não estejam de acordo com o ditado pela sabedoria branca e cristã.




o apartheid que o mundo não viu por: pedro aguiar

nos anos 1920, o apartheid foi tornado política oficial de segregação racial na áfrica do sul, separando legalmente os direitos de brancos e não-brancos naquele país. na década seguinte, a austrália adotou políticas semelhantes contra os aborígenes, porém sem chamar a mesma atenção da opinião pública mundial. para "prevenir" a miscigenação e promover o "embranquecimento" da população, o governo australiano criou uma estrutura burocrática com plenos poderes sobre a vida dos nativos. entre eles, o direito de separar filhos mestiços de suas mães e enviá-los a campos de confinamento no interior do país.

 

geração roubada (rabbit-proof fence, 2002), em cartaz na mostra panorama, conta a história real, ocorrida em 1931, de três destas crianças. molly craig, filha de uma aborígene e um branco, tinha 14 anos quando fugiu do campo de moore river, com sua irmã mais nova e uma prima, tentando voltar para sua terra natal em jigalong, no norte. juntas, as três se dispuseram a atravessar o território australiano, incluindo o outback (sertão), totalmente a pé. como único guia pelo caminho, tinham a cerca contra coelhos - que inspirou o título original do filme - que cortava o país de norte a sul.

 

dirigido pelo australiano phillip noyce, de o colecionador de ossos (the bone collector, 1999), invasão de privacidade (sliver, 1993) e jogos patrióticos (patriot games, 1992), geração roubada ganhou prêmio de melhor filme da afi, o principal de seu país, além do prêmio do público em edinburgo. além das estreantes everlyn sampi, tianna sansbury e laura monaghan, o elenco conta com kenneth branagh no papel do sr. neville, intendente administrativo dos nativos, odiado pela população aborígene. a trilha sonora, que inclui sintetizadores contemporâneos, é do cantor e compositor inglês peter gabriel, indicado ao globo de ouro este ano.



rabbit-proof fence (2002)/#####/*** a fourteen year-old aborigine girl escapes with her sister and cousin from a 1930s australian government camp intended to forcibly assimilate them into white society. [dir: phillip noyce/ everlyn sampi, tianna sansbury, laura monaghan/ 94min/ adventure-drama/ government as bigot, government vs. native peoples]

one of the things that so often makes government cruel is physical distance. the people who create law and the bureaucrats who interpret it are in a faraway place, well-defended against troublesome protest and remote enough not to see and feel its full effects. that's the only way to understand the actions portrayed here of a.o. neville, then "chief protector of aborigines" in 1930s western australia, who ordered the roundup (i.e., kidnapping) of all half-caste girls (girls of half aboriginal and half white descent) from their aboriginal families for mandatory education into the ways of white society, leading to eventual low-level employment as domestic servants.

neville was simply enforcing the "aborigines act," a law designed with the happy intention of "salvaging" half-caste girls from aboriginal life and integrating them to the degree possible into the modern world. so far away, neville likely did not see such girls being ripped from their weeping mother's arms, or hear the unending wail of a parent's loss, or see the huddled, terrified girls carried away by train.

but we see all that here, in this heart-rending telling of the true story of molly craig, a half-caste 14 year-old so kidnapped in 1931, along with her sister and cousin. transported 1,500 miles to a government camp, these young girls were told to forget their mother, their language, their home. but molly would not forget. nor would she submit. and she had one slender hope--that the "rabbit-proof fence" she observed to parallel their long journey would lead her back. so, in a rare unobserved moment, she gathered her sister and cousin and together they bolted for freedom.

all that happens in the opening of this film; the rest of it relates their amazing nine week trek across desolate australian wilderness and desert. along the way, they experience unending hardship and deprivation and are constantly hunted by the authorities, in some cases barely escaping capture. but they are also aided by kind people, who sympathize with their plight and admire their heroism. there is obvious tragedy in this story, but there is also triumph--despite repeated attempts by authorities, the indomitable molly craig (who, now 86, appears briefly at the end) was never forcibly assimilated and escaped government captors more than once.

this touching and inspirational true story is told with warmth and attention to detail. the child actresses who play the kidnapped girls are not professionals but untrained aboriginal children. the use of local nature sounds and aboriginal music also add much to the sense of realism. in less skilled hands, this epic story might have been trivialized into a two-dimensional hollywood style racially-focused melodrama, but instead this has the feel of history, told from the perspective of a heroic and independent young girl who overcame the injustice of her times. this film swept the australian film institute awards and has been nominated for more than nineteen well-deserved awards worldwide.

it’s impossible to divorce phillip noyce’s rabbit-proof fence from the social and political forces which have inspired it. the film necessarily adds to debate in australia over the stolen generations and the role played by the government in this systematic destruction of aboriginal families in our recent past. faced in the 21st century by a conservative government whose policies and attitudes have been less than understanding towards the indigenous people in this country, rabbit-proof fence demands recognition for these past injustices. colonialist attitudes of the first half of the last century sought to solve the ‘problem’ of the aboriginal population by removing half-caste children from their parents. they were to be trained (often as hired help) to fit into white society, and therefore eventually breed out the race entirely. but the by-product of this policy is the legacy which australia currently must face, even if the government of the day refuses to do so. taken from their parents, these aboriginal children’s ‘re-education’ sought to deny them their heritage and enforce a white/british colonial existence upon them. dubbed the ‘stolen generations’ they were robbed of their past, denied the oral histories and ceremonies which formed the basis for their culture, and were of course, quite simply robbed of their families and re-invented as orphans. that such a practice has contributed to indigenous problems today is clear. feelings of alienation, increased incidence of physical and sexual abuse as well as alcoholism and other substance abuse indicate the widespread social problems which face the children and grandchildren of those stolen. rabbit-proof fence takes us back to core of this, a history lesson that seeks to place the events in a human context, almost in defiance of the lack of understanding and responsibility exhibited by the howard government.

but the fear of a film as important, as significant as this, is that as a film, it will die in its own worthiness, praised for its noble cause and not for its impact as a piece of cinema. rolf de heer’s dance me to my song is a case in point; the life of a severely disabled woman is celebrated in a mediocre film, but it garners praise out of respect for its subject. noyce’s film, i suspect, will gain praise on the back of this respect-by-association, and in some respects it is praise it deserves, although it’s a film that will be remembered for being a ‘first’ rather than a ‘best’. rabbit-proof fence charts the true story of molly (everlyn sampi), her younger sister daisy (tianna sainsbury) and cousin gracie (laura monaghan) who are stolen from their mother (the wonderful ningali lawford) at their home in jigalong, a remote community that backs onto the rabbit-proof fence. this fence which bisects the continent keeps the rabbit plague from destroying crops, but also acts as a guide to molly and her younger charges once they abscond from the dour moore river settlement. their journey on foot covers 1500 kilometres, all the while pursued by aboriginal tracker moodoo (david gulpilil, from nicholas roeg’s walkabout ), as they follow the fence they hope will eventually reunite them with their families. considering the emotional power of the film, and indeed its significance in the current political climate, it’s surprising that noyce chooses to pull back from the more sentimental elements of the film, a decision that works almost to the film’s detriment. rabbit-proof fence walks a tightrope between both sides of the race debate, presenting, but not actually judging either party. noyce’s greatest success is making the villain of the film, a.o. neville (kenneth branagh) completely understandable. as the man implementing the policy, there is a strong sense that neville truly believes he is doing the right thing, and branagh plays him perfectly. with an imperious tone and a tight-lipped smile, branagh gives neville the frustrated sense of a man genuinely baffled by the indigenous population’s rejection of what to him is a perfect solution to a difficult problem. and although noyce decides to sometimes distort neville physically as he peers around the settlement, he is never derided as an evil fool, but more as a man of good intent consumed by ignorance. it helps steer rabbit-proof fence away from allegations of sheer political propaganda, no matter how noble, and ensures it is a carefully considered investigation of a complex problem.

this distance is also in evidence with the sequences involving the journey home by the girls, and this is where the film is perhaps less successful. noyce keeps us at a distance from the girls – they barely get any lines – and in some ways avoids the potential for a more didactic reading of the film. but it also means that on a simple human level, we never get a feeling for these characters as children so that attempts to humanise the effects of this heartless policy fails to engender the connection necessary. we watch them walk through the barren, unforgiving landscape, and sampi as molly is quite terrific with the set of her jaw and steely gaze. but they almost seem belittled by their own drama, as if they only have an incidental position within it, which shifts the balance of the film a little out of kilter. but if the focus on the girls falls a bit flat, the rest that surrounds it is strong and executed with some precision. the unspoken relationship between moodoo and the girls works beautifully and in a quite fascinating way, as he pursues the girls at the behest of neville, and his growing admiration for the spirit of the girls is conveyed with subtlety and skill. there are great small performances from ningali lawford and the wonderful deborah mailman, and the music by peter gabriel uses natural sounds and rhythms to construct the score. the cinematography is exemplary, and rabbit-proof fence uses the colours of the outback, the shimmering sun haze and natural sounds to its advantage: if there was ever a doubt that australia possesses a hostile environment, then this film proves it.

the end result is an admirable, impressive film that doesn’t quite come off as you’d hope, but still manages to capture with some exactitude the period it examines. it’s a brave move to approach such an overtly sentimental story with such dispassion, and for the most part it works. rabbit-proof fence isn’t necessarily a great film; its tippy-toeing around the girls is too timid to ever grab us on a gut level and draw us close to the story. but its construction of the other factors that surround this help prop up these failings. it presents this secret history with a conscious complexity, and as a direct contribution to a national debate over the appropriate method to deal with the fallout from this foolish, tragic policy. there has been a small, competent aboriginal cinema in australia over the last ten years: notably tracey moffat's bedevil, nicholas parson's dead heart and rachael perkins' radiance and one night the moon. and these films have ably covered the problem of aboriginal deaths in custody and indigenous experience through art cinema, mainstream drama and music. noyce's film fits comfortably within this milieu; it's interesting, gutsy and competently made. i would still suggest that the definitive film on the stolen generations is yet to be made. but if nothing else, rabbit-proof fence marks cinema’s contribution to a much needed public discourse on a pressing, important social issue confronting australia and australians. and even if it is not a perfect film, it at least paves the way for further explorations of this issue in a search for a resolution which will reconcile our ignominious past with a more unified, responsible future.=14plano de marketing=0" target="_blank"> destaque da mostra







 
são paulo (reuters) - "geração roubada", de phillip noyce, faz um retrato raro da austrália, um país dividido entre uma sociedade branca, com aparência de desenvolvida e civilizada, e outra excluída, composta pelos nativos negros. o filme é destaque desta terça-feira na 27a. mostra br de cinema.

o filme mostra a separação forçada de crianças nativas de suas famílias, sendo levadas para supostas instituições educacionais onde eram ensinadas a ler, mas também a negar a própria cultura.

a grande força do filme é colocar sua ênfase não nessas casas de "reeducação" e sim em três meninas, as irmãs molly (everlyn sampi) e daisy craig (tianna sansbury) e sua prima gracie (laura monaghan).

lideradas pela intrépida molly, que contava apenas 14 anos em 1931, data dos fatos, o trio empreende uma fuga espetacular, percorrendo cerca de 2.500 quilômetros para voltar para casa, no norte da austrália.

uma façanha respeitável, dado que as meninas estavam a pé, sem água ou comida, num ambiente árido, procuradas pelas autoridades e contando como orientação basicamente seguir uma enorme cerca (a "rabbit-proof fence", ou cerca para proteção contra coelhos, que dividia o país de norte a sul).

a fantástica aventura das meninas foi contada no livro escrito por doris pilkington garimara, uma das filhas de molly. personagens verdadeiras e ainda vivas, octogenárias, as meninas são mostradas no final do filme.

indomável, molly foi recapturada aos 24 anos, quando já tinha duas filhas, mas voltou a fugir pela segunda vez levando a filha menor, annabelle.

annabelle, por sua vez, foi retirada da guarda da mãe aos 3 anos de idade e perdeu contato com a família. graças ao filme de noyce, ela acaba de ser reencontrada.




a chamada ‘geração roubada’ é um dos períodos mais sombrios da história australiana. as crianças aborígines eram retiradas de suas famílias pelo estado e encaminhadas para prestar serviços domésticos nas casas de famílias brancas. dezenas de milhares de crianças foram arrancadas de seus lares entre 1880 e 1960. o filme mostra a história real de três meninas que caminharam quase 2.500 km pelo ‘outback’ australiano (região árida e pouco habitada do país). o relato está no livro follow the rabbit-proof fence, da escritora aborígine doris pilkington garimara, que foi separada da mãe na infância e só voltou a vê-la muitos anos depois. o título vem da cerca (‘fence’) que divide o país de norte a sul, criada para proteger lavouras e pastos dos ataques dos coelhos. a cerca era a referência geográfica das meninas. a mãe de doris, molly, a protagonista do filme, fugiu de um assentamento do governo aos 14 anos com a irmã e a prima. para voltar à sua comunidade, caminhou ao longo da cerca. aos 24 anos, molly foi seqüestrada novamente. conseguiu mais uma vez fugir, mas só pôde levar uma filha consigo, annabelle, deixando doris para trás. um ano depois, o governo tirou annabelle de molly, e as duas nunca mais se viram.



seção

data

sala




84

18/10
sábado
16:10

espaço unibanco de cinema 1




373

22/10
quarta-feira
21:30

cine morumbi shopping sala 3




534

25/10
sábado
19:30

cineclube directv 1




708

28/10
terça-feira
19:00

cinemark villa lobos sala 2









diretor

phillip noyce

 

roteiro

christine olsen

 

fotografia

christopher doyle

 







 







 







 

elenco

evelyn sampi, tianna sansbury, kenneth branagh, jason clarke, david gulpilil, laura monaghan, ningali lawford, deborah mailman



geração roubada (rabbit-proof fence)



elenco: everlyn sampi, tianna sansbury, laura monaghan, david gulpilil, ningali lawford, myarn lawford, deborah mailman. direção: --- gênero: drama estúdio: lumiere brasil estréia: 21 de novembro de 2003.

sinopse: geração roubada é o novo drama de phillip noyce (o colecionador de ossos, perigo real e imediato) estrelado por kenneth branagh. é a verdadeira história de molly craig, uma jovem aborígine australiana, que guia sua irmã e sua prima na fuga de um campo governamental. o campo foi criado como parte de uma política para treinar trabalhadores domésticos e integrá-los a sociedade branca. com garra e determinação, molly guia as meninas numa jornada épica, por 1500 milhas no interior australiano à procura da "cerca à prova de coelhos" que separa o país e as levará para casa. essas garotas pertencem a chamada "geração roubada".

elenco:

everlyn sampi...
tianna sansbury...
laura monaghan...
david gulpilil...
ningali lawford...
myarn lawford...
deborah mailman...
jason clarke...
kenneth branagh...
natasha wanganeen...
garry mcdonald...
roy billing...
lorna leslie...
celine o'leary...
kate roberts...

molly
daisy
gracie
moodoo, tracker
maud
molly's grandmother
mavis
constable riggs
a.o. neville
dormitory boss
mr. neal
police inspector
miss thomas
miss jessop
matron

sinopse: história real de molly craig, jovem negra australiana de 14 anos que, em 1931, com sua irmã daisy, de 10 anos, e sua prima gracie, de 8 anos, foge de um campo do governo britânico da austrália, criado para treinar mulheres aborígines para serem empregadas domésticas. molly guia as meninas por quase três mil quilômetros através do interior do país, em busca da cerca que o divide e que a permitiria voltar para sua aldeia de origem, de onde foram tiradas dos braços de suas mães. na jornada, elas são perseguidas pelos homens do terrível governador a. o. neville, o qual não admite que as meninas não estejam de acordo com o ditado pela sabedoria branca e cristã.

o filme "geração roubada", do australiano phillip noyce, será exibido no dia 23, às 22h10, em sessão extra no unibanco arteplex, seguida de debate como o diretor.

o seqüestro de milhares de meninas aborígines pelo governo, entre 1880 e 1960, é o segredo mais vergonhoso da história da austrália, que ainda incomoda muitos setores da sociedade. "geração roubada", de phillip noyce, escancara corajosamente o drama dessas vítimas, levadas de suas famílias, escravizadas e obrigadas a ter filhos com homens brancos para branquear a população.

em entrevista coletiva realizada no dia 21, no unibanco arteplex, noyce revelou os caminhos que o levaram a contar a história de molly craig, arrancada de sua mãe aos 14 anos, junto com a irmã e a prima.

 

o cineasta phillip noyce: "o que aconteceu na austrália foi um autêntico genocídio"


 

o drama foi contado em livro por doris pilkington, filha de molly. "depois de ler o livro, a única coisa em que pensava era nas três meninas", conta o diretor, que deixou de lado o projeto de "a soma de todos os medos" ("the sum of all fears") para se dedicar a "geração roubada". apesar da aridez do tema, o filme foi o segundo mais visto na austrália no ano passado. "é importante discutirmos o genocídio do povo aborígine. somente assim poderemos curar a ferida". o filme anterior de noyce, "o americano tranqüilo", é considerado por muitos o melhor filme da lista do último oscar.


momento de independência

em visita ao brasil, o diretor phillip noyce defende produção autoral


rodrigo fonseca

divulgação



com modesto orçamento, phillip noyce rodou na austrália o drama 'geração roubada', em cartaz na 27ª mostra de sp
apesar de trazer no currículo sucessos de bilheteria como jogos patrióticos (1992) e o colecionador de ossos (1999), o cineasta australiano phillip noyce, 53 anos, parece ter se cansado das regras da máquinas hollywoodiana. em visita ao brasil, onde veio participar da 27ª mostra de cinema de sp, que exibe seu último filme, geração roubada (rabbit-proof fence, 2002) - uma pequena e elogiadíssima produção feita em sua terra natal -, ele defende uma postura que nada tem a ver com a filosofia de cifras astronômicas do mercado de cinema americano. noyce está disposto a fazer sua carreira correr por outros trilhos. no caso, os da independência.

- não vou abandonar hollywood. mas quero fazer filmes que contem histórias do meu povo, feitos como projetos menores, sem grande ambição. acredito que, durante muito tempo, os profissionais de cinema da austrália tiveram que deixar o país para fazer o que pretendiam - afirma o diretor, que pisou em solo paulista na última terça e embarcou ontem para o rio.

o cineasta conta que aproveitou sua passagem por são paulo para rever um ''querido amigo cineasta brasileiro'': o naturalizado hector babenco, que nasceu na argentina.

- ainda não vi carandiru, mas fiquei feliz de ver babenco, que conheço desde 1978, de novo às voltas com o sucesso e curado da doença - afirma noyce, lembrando do linfoma que babenco teve.

feito com um orçamento modesto (us$ 6 milhões) se comparado com as verbas das produções de hollywood, geração roubada traz o ator e diretor irlandês kenneth branagh, um shakespeariano de carteirinha, à frente do elenco, e dá a pista de como irá se desenhar o novo perfil de noyce. baseado no romance homônimo da aborígene doris pilkington, o filme tem uma linguagem dura e seca, escolhida como a mais adequada para tratar de um tema espinhoso: a decisão tomada pelo estado australiano, aplicada entre 1880 e 1960, de retirar as crianças nascidas nas diferentes tribos do país de suas mães e enviá-las como empregados para casas de famílias brancas.

- construí o enredo com base em um episódio real, e, por isso, abri mão de apresentar heróis e heroínas como os que apareciam em meus filmes anteriores para falar de pessoas normais, marcadas por fraquezas. mas ainda assim com alguma riqueza dramática - explica o diretor referindo-se à jovem molly (vivida por everlyn sampi), personagem central do longa-metragem, que é retirada de seu lar e levada para um assentamento do governo.

voltar a filmar na austrália, coisa que não fazia desde 1989, quando dirigiu nicole kidman e sam neill em terror a bordo (longa que revelou noyce para o mundo), representou para o diretor descobrir a nova identidade do cinema feito por lá.

- durante anos, a austrália serviu como um quintal de experimentação, de aprendizagem para profissionais de hollywood. mas hoje o sucesso nos eua de astros australianos e neo-zelandezes, como russell crowe e geoffrey rush, revalorizou a indústria nacional - diz.

ao mesmo tempo em que preparava geração roubada, noyce arranjou tempo para realizar outro filme de pequenas proporções, o thriller o americano tranquilo, que apesar de não ter atraído muitos espectadores às salas de exibição valeu uma indicação ao oscar de melhor ator para michael caine. para ele, o roteiro desses dois longas ofereciam espaço para maior liberdade criativa, fugindo de fórmulas do cinemão comercial. mas ele não descarta a hipótese de que exista sopros de vitalidade na seara industrial.

- eu acredito que um cineasta possa ser autoral em qualquer meio. até porque um filme independente, menos comercial, deve também ter a tarefa de entreter platéias.




título original: rabbit-proof fence
direção: phillip noyce
gênero: drama
ano de lançamento: 2002 (austrália)
tempo de duração: 94 minutos


sinopse

molly craig (everlyn sampi) é uma jovem negra australiana de 14 anos que, em 1931, ao lado de sua irmã daisy (tianna sansbury), de 10 anos, e sua prima gracie (laura monaghan), de 8 anos, foge de um campo do governo britânico da austrália, criado para treinar mulheres aborígines para serem empregadas domésticas. molly guia as meninas por quase três mil quilômetros através do interior do país, em busca da cerca que o divide e que a permitiria voltar para sua aldeia de origem, de onde foram tiradas dos braços de suas mães. na jornada elas são perseguidas pelos homens do terrível governador a. o. neville (kenneth branagh), o qual não admite que as meninas não estejam de acordo com o ditado pela sabedoria branca e cristã.


philip noyce toca numa ferida do passado australiano

neusa barbosa


o diretor australiano philip noyce deixou temporariamente de lado o porto seguro de hollywood, onde pilotou sucessos como perigo real e imediato, o santo, o colecionador de ossos e jogos patrióticos para reencontrar-se com suas raízes em "geração roubada", exibido na 27ª mostra br de cinema.

o filme, que fez a segunda maior bilheteria na austrália em 2002 (perdeu apenas para outro filme australiano, cracker jack", calou fundo na consciência daquele país ao recontar uma história nada edificante, ocorrida entre os anos 1880 e a década de 1970 - a separação forçada de crianças mestiças de suas famílias originais, transferindo-as para instituições onde eram obrigadas a abandonar sua língua e cultura, sendo depois entregues a famílias brancas, numa tentativa de promover um "branqueamento" gradativo da população.

noyce, de 53 anos, ficou tão impressionado com o tema, colhido num livro escrito por doris pilkington garimara, filha de molly craig, que, nos anos 1930, fugiu de uma dessas instituições, que desistiu das filmagens de a soma de todos os medos, uma superprodução com orçamento de us$ 120 milhões. tudo para dedicar-se inteiramente a este projeto pessoal, que custou apenas us$ 3 milhões, já que astros como o ator kenneth branagh e o músico peter gabriel trabalharam por "quase nada", e onde noyce sabia que estava entrando no terreno da polêmica.

"há um movimento em meu país para negar tudo que aconteceu. até o atual governo declarou que o livro e o filme retratam mentiras", afirmou noyce, em visita a são paulo como convidado da 27a mostra br de cinema. ele atribui essa negação a "movimentos de extrema direita" e sustenta que, em 1997, o episódio foi avaliado por uma comissão de juízes e o relatório final considerou como "genocídio" a separação das famílias nativas. ele mesmo considera essa decisão como histórica: "foi um desafio a essa visão amena que a austrália tem de si mesma. se você viu crocodilo dundee, sabe muito bem do que estou falando".

o pronunciamento dos juízes, porém, não serviu como base para obter indenizações aos aborígenes que pleitearam ressarcimento pelos danos sofridos. noyce assegura que houve pelo menos quatro ações nesse sentido e todas foram negadas. "a justiça considerou que os pais haviam dado consentimento para que seus filhos fossem levados, mostrando papéis que eles teriam assinado. mas essa 'assinatura'não passava de um 'x'. talvez eles nem mesmo compreendessem inglês", destaca. para ele, ainda que os pais tivessem autorizado realmente a ida dos filhos, poderiam tê-lo feito no entendimento de que as crianças seriam educadas. "nunca poderiam imaginar que seus filhos seriam ensinados a odiar a própria cultura ou que nunca mais voltariam para casa. era tudo parte de um projeto para exterminar a raça negra", sustenta o diretor. uma prova cabal do quanto as novas gerações foram realmente privadas de sua cultura vem do fato de que as próprias atrizes mirins, todas amadoras, que interpretam as três protagonistas - everlyn sampi, tianna sansbury e laura monaghan - não sabiam falar a língua nativa. "elas são filhas dessa ´geração roubada´", acentua noyce. assim, elas tiveram de aprender algumas frases para fazer o filme. rebelde como sua personagem, a protagonista molly (everlyn sanpi) chegou a fugir duas vezes antes mesmo de o filme começar. o diretor não se abalou com isto, muito pelo contrário: "ela tem um saudável desrespeito pelas figuras de autoridade, como diretores de cinema. não me obedecia, contestava muito e por isso fugiu. isto me convenceu de que era perfeita para o papel!".

o cineasta ficou tão envolvido com o tema que pretende proximamente voltar a ele. por coincidência, a exibição de geração roubada na austrália levou ao encontro de annabelle craig, a filha de molly, que havia sido retirada do convívio da mãe pelo governo há três décadas. nesse próximo trabalho, noyce pretende contar a história deste reencontro na mesma família que foi objeto do filme anterior.

cineweb-21/10/2003

são paulo (reuters) - poucas vezes a austrália projetou o retrato que se vê no filme "geração roubada", do diretor phillip noyce, em exibição nesta terça-feira na 27a mostra br de cinema de são paulo.

o filme mostra um país dividido entre uma sociedade branca, com aparência de desenvolvida e civilizada, e outra escandalosamente excluída, composta pelos nativos, que são submetidos a práticas de exploração e a uma tentativa de " branqueamento" da população.

anunciados os ganhadores da 27ª mostra de cinema de são paulo

por marcelo forlani
31/10/2003





foi anunciado nesta quinta, 30 de novembro, a lista dos filmes ganhadores da 27ª mostra de cinema de são paulo. dividia em três diferentes categorias, prêmio do júri internacional, prêmios do público e prêmios da crítica, não houve um consenso e foram escolhidos três melhores filmes: encantador de baleias (whale rider, de niki caro), geração roubada (rabbit-proof fence, de phillip noyce) e encontros e desencontros (lost in translation, de sofia coppola). de passagem, de ricardo elias, que já havia vencido em gramado (leia aqui), foi aclamado pelo público como o melhor filme brasileiro.

mas se oficialmente a mostra terminou ontem, alguns filmes vão ter sessões extras a partir desta sexta no cinesesc (rua augusta, 2.075, jardim américa, tel.: 0/xx/11/3082-0213), no cinearte 1 (av. paulista, 2.073, cerqueira césar, tel.: 0/xx/11/3285-3696) e na cinemateca (largo senador raul cardoso, 207, vila clementino, tel.: 0/xx/11/5084-2177).

além dos ganhadores, merecem destaque coisas belas e sujas (de stephen frears), um filme falado (de manoel de oliveira), terra de sonhos (de jim sheridan), a captura dos friedmans (de andrew jarecki), ouro carmim (de jafar panahi) e em nome de deus (de peter mullan), entre outros.

prêmios do júri internacional


  • melhor diretor:
    bent hamer, pelo filme histórias de cozinha (kitchen stories)

  • melhor filme:
    encantador de baleias (whale rider, de niki caro)

  • melhor documentário:
    la pasión de maría elena, de mercedes moncada

  • homenagens especiais - troféu bandeira paulista:
    anselmo duarte, kiju yoshida e mariko okada - pela grande contribuição ao cinema

prêmios do público

  • melhor filme estrangeiro:
    geração roubada (rabbit-proof fence, de phillip noyce)


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