Automóvel Sistema de Carga 1ª Edição



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Detecção de Avarias: Estado do Rotor


Se encontrarmos deficiências no funcionamento do alternador, é conveniente a sua desmontagem para as verificações e substituições pertinentes. A desmontagem total do alternador já foi explicada, mas falta abordar as verificações eléctricas de cada uma das peças. Comecemos pelo rotor.

Para verificar o rotor, devemos começar por analisar o estado da derivação de excitação, pois temos de saber se existe continuidade nas ligações e boas condições de isolamento.

Na Figura 64 temos a montagem correcta para verificar a continuidade da derivação de excitação. Com o auxílio de um ohmímetro, verificar em cada um dos anéis de cobre, zona de actuação das escovas, o valor da resistência e com ele o estado da continuidade.

Figura 64 Montagem para verificar a continuidade da derivação de excitação ([6]).

O valor exacto da resistência é normalmente fornecido pelo fabricante, pois cada alternador tem o seu valor próprio. Normalmente anda pelos 3 a 4 ohms, sendo importante também o valor da temperatura, que deve estar pelos 20 ºC, mas que se torna importante conhecer para uma apreciação mais concreta. A leitura de um valor baixo pode significar uma interrupção na continuidade.

A Figura 65 mostra como podemos proceder sem necessidade de desmontar o rotor, actuando com as pontas do ohmímetro através da abertura que nos fica após a retirada das escovas.

Figura 65 Procedimento para realização do teste continuidade da derivação de excitação sem desmontar o rotor ([6]).

A segunda verificação, como podemos ver na Figura 66, consiste em verificar o isolamento. Teremos de dispor de 110 volts de corrente alternada e de uma lâmpada de 15 watts. As ligações entre o anel colector e um dos pólos do rotor são efectuadas como a figura indica. A lâmpada não deve acender, o que significa um bom isolamento entre a derivação e o corpo do rotor.


Figura 66 Verificação do isolamento do rotor com uma lâmpada de 15 Watts com alimentação de 110 volts ([6]).


    1. Detecção de Avarias: Bobinas do Estator


Tal como procedemos para as bobinas do rotor, também o estator deve ser verificado sobre a continuidade dos enrolamentos e do seu isolamento, pois estas deficiências levam a quebras na produção de energia.

Em primeiro lugar, vamos verificar a continuidade nos enrolamentos.

A

Figura 67A mostra como se procede, com o auxílio de um ohmímetro. Ligamos primeiro as pontas do ohmímetro a duas das três ligações do estator, devendo o valor encontrado situar-se dentro do fornecido pelo fabricante. Regra geral estes valores são pequenos e de grande precisão – variando apenas com o tipo do dispositivo –, normalmente situados entre os 0,04 e os 0,15 ohm para os alternadores de 12 volts nominais. Depois desta leitura, devemos passar para o outro terminal do estator, como se vê na Figura 67B. O valor da leitura deve ser o mesmo.


A

B

Figura 67 Verificação da continuidade dos enrolamentos do estator com recurso a um ohmímetro ([6]).

O ohmímetro utilizado deve ser de grande precisão. Mas, no caso de não ser possível dispor deste instrumento, podemos utilizar outra solução, como nos indica a Figura 68A. Com o auxilio de uma bateria de 12 volts e uma lâmpada de pelo menos 36 watts, podemos fazer a mesma prova. A lâmpada deve acender em qualquer dos casos.

Para analisar o estado do isolamento das bobinas do estator, devemos proceder como nos mostra a Figura 68B. Com uma corrente alternada de 110 volts e uma lâmpada de 15 watts, estabelecemos os contactos, como indica a figura, entre os terminais das bobinas e o conjunto de lâminas que formam o núcleo do estator. A lâmpada de provas não deve acender em qualquer dos casos, pois se isso acontecer significa falta de continuidade no isolamento e portanto fuga de corrente. Tal como para o rotor, também o estator pode ser testado sem necessidade de proceder a desmontagem, bastando actuar com as pontas de teste nos orifícios que para o efeito existem no corpo de alternador.


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B

Figura 68 Verificação da continuidade dos enrolamentos do estator com recurso a uma lâmpada de prova ([6]).


    1. Detecção de Avarias: Díodos


A

verificação dos díodos é uma operação muito importante quando pretendemos constatar o estado de um alternador. Como já sabemos, o alternador dispõe de pelo menos dois grupos de díodos. O primeiro grupo comporta os díodos positivos, os passo que o segundo grupo integra os negativos, disposição já observada quando das operações de desmontagem. A Figura 69 mostra uma disposição diferente da que foi apresentada e que pertence a um alternador Bosch.

Figura 69 Posição dos díodos num alternador da Bosch ([6]).

Vejamos como se procede para testar os díodos:

Verificação dos díodos positivos – A fim de não danificar qualquer díodo deve fazer-se as verificações com uma corrente de 12 volts e uma lâmpada de provas de 5w, equipamento com o qual podemos iniciar as provas, conforme mostra a figura 75 A, tendo em atenção que o pólo positivo é ligado à parte inferior do díodo e que o pólo negativo é ligado à parte superior d díodo. Se o díodo positivo estiver em bom estado, a lâmpada de testes acende-se, mantendo-se assim enquanto as conexões estiverem ligadas. Isto significa que a corrente circula no sentido correcto.

Esta operação deve ser seguida para todos os díodos, devendo observar-se o mesmo resultado. Para completar esta verificação, procedemos como é indicado na figura 75 B. Agora, a lâmpada não deverá acender em caso algum, pois de outro modo os díodos deixariam passar a corrente nos dois sentidos, sinal de avaria, tornando necessário a substituição da placa porta-díodos.



A

B

B


Figura 70 Verificação dos díodos positivos – sentido da condução e sentido do corte ([6]).

Verificação dos díodos negativos – Os díodos negativos situam-se do lado oposto, tal como já vimos na Figura 69. A montagem é semelhante à efectuada para os díodos positivos, mas invertendo as ligações. Na Figura 71A verificamos que a lâmpada deverá acender em todos eles.

Depois invertem-se as ligações (Figura 71B), após o que lâmpada não deverá acender-se. Se se acender é porque existe avaria, pois o díodo deixa passar corrente nos dois sentidos. Também nestes casos é conveniente a substituição de toda a placa.



A

Figura 71 Verificação dos díodos negativos – sentido da condução e sentido do corte ([6]).



Verificação dos díodos de campo – Além dos díodos já referidos, e que constituem a ponte de rectificação, existem esquemas eléctricos que comportam um terceiro grupo de díodos, denominados díodos de campo ou díodos de excitação, pelos quais passa a corrente para o regulador. Na Figura 72A temos o esquema de uma ponte de rectificação que inclui díodos de campo. A verificação destes díodos é idêntica à dos restantes díodos, positivos e negativos. Na Figura 72B temos uma placa porta-díodos típica dos alternadores Lucas. Nesta figura, temos os díodos positivos assinalados com P, os negativos com N e os de campo com C.

B

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Figura 72 Em A temos um esquema de uma ponte de rectificação que inclui díodos de campo e em B uma placa porta-díodos típica dos alternadores Lucas ([6]).

Efectua-se a verificação dos díodos de campo como nos mostra a Figura 73A. Como se pode ver, faz-se a ligação positiva da lâmpada de provas na parte superior de cada um dos díodos. Nestas condições, deve acender a lâmpada de provas, já que as ligações estão feitas no sentido da passagem.

Invertendo as ligações, Figura 73B, a lâmpada agora não deve acender; o inverso dá-nos a certeza de que estamos em presença de um díodo avariado. Tal como nos casos anteriores, devemos substituir todo o conjunto.

Algumas placas porta-díodos não são fixadas por meio de parafusos, sendo utilizado a soldadura para este efeito; nestes casos, a tarefa de substituição é dificultada, já que temos de remover toda a soldadura. Também a operação de reposição exige cuidados especiais, pois não devemos utilizar equipamentos de potência superior a 40 watts, dado que o calor libertado pode danificar os restantes elementos electrónicos.


A


B

Figura 73 Verificação dos díodos de campo: A – sentido da condução; B – sentido do corte ([6]).




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