Automóvel Sistema de Carga 1ª Edição



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Detecção de Avarias no Sistema de Carga


Logicamente, existindo diversos fabricantes, há no mercado vários tipos de alternadores; ainda que basicamente sejam todos iguais, na prática apresentam diferenças, quer na forma das várias peças quer também no modo como se ligam entre si. Para uma melhor compreensão, temos na figura seguinte três esquemas completos de outros tantos alternadores de marcas diferentes. No presente trabalho é o alternador fabricado pela FEMSA que serve de guia, o qual é muito idêntico ao Magnetti-Marelli que normalmente equipa os automóveis da marca FIAT.

N

a Figura 56A temos um alternador da Bosch, de origem alemã, na Figura 56B da firma inglesa LUCAS e na Figura 56C o francês da Paris-Rhone.



A


B

C

Figura 56 Constituição de três alternadores diferentes de três marcas diferentes, Bosch, LUCAS, Paris-Rhone respectivamente ([6]).

Como podemos ver na Figura 56, e assinalado com um R, todos eles tem regulador electrónico incorporado, o que possibilita um fornecimento de corrente rectificada e estabilizada.

Vamos agora iniciar o estudo das verificações eléctricas que são necessárias efectuar nos alternadores, não sem antes referir todas as precauções que antecedem as verificações.

Os fabricantes aconselham:


  • Nunca colocar à massa o borne de excitação, quer do regulador quer do alternador ou mesmo o cabo que os une.

  • Nunca inverter as ligações dos cabos do regulador.

  • Nunca desligar o regulador ou a bateria quando o alternador está em movimento.

  • Nunca fazer funcionar o regulador sem a ligação à massa do alternador.

  • Nunca ensaiar, quer veiculo quer no banco de ensaios, o regulador ou o alternador sem colocar uma bateria no circuito.

  • Se pretender fazer verificações correctas, devemos utilizar uma bateria em bom estado e bem carregada.

  • Verificar sempre se a bateria tem os bornes bem ligados e a polaridade correcta. No caso de haver troca de polaridade, estamos a contribuir para danificar quer os díodos quer o regulador. Também os díodos devem ser defendidos do calor excessivo; assim, quando houver necessidade de soldar chapa num ponto do automóvel próximo, é conveniente retirar o alternador, sob a pena de prejudicar a parte electrónica.


    1. Detecção de Avarias: Alternador no Automóvel


Antes de proceder-mos à desmontagem do alternador, é conveniente efectuar algumas verificações no próprio local, no automóvel, a fim de podermos obter informações acerca das anomalias observadas.

O método será o seguinte:

Em primeiro lugar começamos por verificar a tensão da correia de accionamento do alternador (Figura 57), a qual é muitas vezes responsável pela falta de carga. Um deficiente accionamento provocado por escorregamento motiva uma rotação baixa, diminuindo a corrente gerada. Comprova-se a tensão da correia observando se a “seta” que a figura mostra corresponde ou excede o indicado pelo fabricante e que em geral não deve ultrapassar os 10 mm. Se a folga observada for superior ao indicado, pode residir aí a causa do mau funcionamento do alternador.

Figura 57 Verificação da tensão da correia de accionamento do alternador ([6]).

Também podemos verificar, com o voltímetro, se a bateria tem a carga necessária, pois caso se encontre com pouca carga pode dar origem a anomalias diversas. Se tudo se encontrar em ordem, podemos prosseguir com as verificações.



Continuidade do circuito de carga – desligar o cabo de massa da bateria, conforme se pode ver na Figura 58. Uma vez desligado, retirar a ficha múltipla do alternador e observar se apresenta avaria ou zonas queimadas.

Figura 58 Desligar o cabo de massa da bateria ([6]).

Voltar a ligar os terminais de massa e de carga. A verificação dos terminais faz-se como mostra a Figura 59, com a ajuda de um voltímetro dispondo de uma escala que permita fazer leituras de fracções de volt (é comum uma escala de 0 a 20 volts). Aplica-se uma das pontas do voltímetro à massa e a outra vai verificar cada um dos terminais da ficha, como se vê ma figura 6.4. Em todos os casos, o voltímetro deve dar uma leitura próxima da tenção da bateria. Se assim não for, então é porque existe algum defeito no cabo, causa provável das anomalias.

Se as leituras com o voltímetro forem correctas, podemos passar à prova seguinte.


Figura 59 Verificação dos terminais com a ajuda de um voltímetro aplica-se uma das pontas do voltímetro à massa e a outra vai verificar cada um dos terminais da ficha ([6]).



Verificação da corrente gerada – Para pôr em prática esta prova é necessário um voltímetro (V), um amperímetro (A) e um reóstato (R) para podermos modificar a resistência do circuito. A montagem das provas faz-se como mostra a Figura 60A. Nestas condições, devemos acender os faróis, ligar o ventilador, o desembaciador do óculo traseiro, etc. Pomos o motor a trabalhar, fixando-se a rotação nas 3000 rpm. Por meio do reóstato fazemos variar a corrente de carga. O alternador está em boas condições quando atinge a intensidade nominal sem que a tensão desça a baixo dos 13 volts, mantendo as condições iniciais. Estes dados devem ser comparados com o manual da oficina.

Q

ueda de tensão do “lado positivo” – Agora é necessário de efectuar a montagem da Figura 60B para proceder a esta verificação. Tal como na prova anterior, devemos acender os faróis e pôr o motor térmico a funcionar às 3000 rpm. Nestas condições, o voltímetro deve marcar uma tensão inferior a 0,5 volt. Se isso não acontecer, é porque existe uma alta resistência do lado positivo do circuito de carga, a qual deverá ser localizada.



A

B


Figura 60 Em A esquema para a verificação da corrente gerada pelo alternador e em B para teste da queda de tensão do “lado positivo” ([6]).

Queda de tensão do “lado negativo” – esta prova exige que o voltímetro e os cabos de ligação sigam o exemplo da Figura 61A. Também os faróis devem ser ligados e o motor térmico a trabalhar nas 3000 rpm. Nestas condições o voltímetro deve marcar 0.25 volt, ou menos; de contrário, é sinal de alta resistência do lado negativo, que deverá ser investigado.

Tensão no regulador – Para proceder a esta verificação prepara-se a montagem conforme a Figura 61B, utilizando o voltímetro e o amperímetro na forma indicada. O motor térmico é posto em marcha entre as 2000 e as 3000 rpm. Observa-se a leitura do amperímetro, e quando esta descer de 3 a 5 amperes, verificar se a leitura do voltímetro é da ordem dos 13,7 a 14,5 volts. Se estes valores não forem alcançados, ou mesmo muito próximo, será sinal de que há anomalias no regulador; portanto, as causas da avaria residirão forçosamente aqui.

Resumindo, e em linhas gerais, podemos dizer o seguinte:



  • Se a continuidade dos cabos apresenta defeito, a causa encontra-se nos próprios cabos; se a corrente gerada for insuficiente, é provável que o defeito seja o alternador;

  • Se a queda de tensão do lado positivo for incorrecta, o problema está nos díodos positivos, ou nos negativos, se a queda de tensão incorrecta for do lado negativo.

  • Se a tensão do regulador não funcionar como já havia sido dito, então é no regulador que está a deficiência.

B

A




Figura 61 Em A esquema para a verificação da queda de tensão do “lado positivo” e em B verificação da tensão no regulador ([6]).

Nas folhas anteriores, todas as verificações foram baseadas num alternador Lucas com o regulador incorporado. No caso de o alternador dispor de regulador independente, já as verificações se fazem de modo diferente, o que vamos estudar agora.

Em primeiro lugar, convém ligar um voltímetro à bateria, para sabermos qual a tensão em que se encontra, tal como nos mostra a Figura 62A. Uma vez montado o voltímetro, põe-se o motor em marcha nas 3000 rpm e observamos o valor da tensão. Este valor, depois de uma ligeira subida, deve fixar-se entre os 13,7 e os 14,7 volts (sem consumo ligado), descendo apenas de 0,30 volt, se algum equipamento estiver ligado. Se a tensão não aumentar, ficando pelos 17,7 volts (13,4 volts quando há consumo), então é sinal de que o circuito de carga tem algum defeito.

P

rocede-se depois á ligação constante na Figura 62B, agora com o motor parado. Instala-se o voltímetro entre o borne positivo do alternador e a massa. Voltamos a pôr o motor em marcha. Se a tensão aumentar, é sinal de que os cabos estão em bom estado entre o positivo do alternador e a instalação do veículo.


B


A

Figura 62 Teste do regulador em alternadores com regulador não incorporado ([6]).

Se a tensão não aumentar, podemos passar á prova seguinte: unir os bornes positivos e a excitação da forma como se vê na Figura 63A (nesta verificação não deve haver consumidores ligados, pois há o risco sobretensão). Vamos acelerar o motor e veremos a tensão subir até atingir os 17 volts. Devemos suspender de imediato a experiência, pois esta não pode durar mais do que breves instantes. Se a tensão não subir, então é sinal de que a massa, as escovas, etc., se encontram em mau estado. Se a tensão aumentar até ao valor referido, suspender, porque tudo está em ordem.

A Figura 63B mostra a prova seguinte, a qual consiste em unir os bornes positivos e o de excitação do regulador. Também devemos observar um aumento de tensão, como no caso anterior. Se tal não acontecer, devemos verificar a corrente que chega ao borne positivo do regulador e o cabo que transporta a corrente ao borne de excitação.


B

A


Figura 63 Teste do regulador em alternadores com regulador não incorporado ([6]).
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