Autor: Antonio Alvarez Parada Título



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Autor: Antonio Alvarez Parada

Título: Coisas e gente da velha Macaé: crônicas históricas

Indicação bibliográfica: São Paulo, SP : : Edigraf, , 1958. .205 p

Localização: Centro de Memória Fluminense/ BCG/UFF

Data da 1ª edição: 1958

Informação sobre a edição: Éuma coletânea de “crônicas históricas”

Livro
Memória da escravidão: “Anúncios curiosos de velhos jornais” [p.139-143]

“Eram muito comuns, na época áurea da escravidão, os anúncios de fugas de escravos e de recompensas por sua recaptura. A título de exemplo, eis o que segue, colhido em o ‘Monitor Macaense’ de 12 de outubro de 1866.”

“Escravo fugido – fugiu da fazenda de D. Anna Moreira da Costa Bellas, há 2 meses, o seu escravo Manoel, crioulo, idade 40 anos pouco mais ou menos, com os sinais seguintes: pouca barba, altura regular, carrancudo, sofre de cravos de bobas nos pés; levou vestido calças e ceroula de algodão. Quem o apreender e levá-lo a sua senhora ou aos srs. Torres & Cia será gratificado. Desconfia-se que fôsse para os lados do Rio das Ostras. Protesta-se contra quem o tiver acoitado”. (Jornal “Monitor Macaense” de 12 de outubro de 1866)

Fazenda de açúcar:“Macaé de 1817, vista por Saint-Hilaire” – p.67-74:

“E prossegue [Saint-Hilaire], descrevendo sua viagem. Depois de ter seguido durante alguns minutos a margem ocidental do lago, passei diante de um engenho de açúcar, cuja importância estava suficientemente demonstrada pelas numerosas casas de negros, e ao qual se dá o nome de Fazenda Boassica, devido ao lago vizinho.

Esse engenho de açúcar em Imboassica era provavelmente o que fora construído pelos padres jesuítas, quando senhores em 1759, cinqüenta e oito anos antes de Saint-Hilaire, constaram do inventário dos bens da Companhia de Jesus em Macaé, dois engenhos de açúcar, sendo um atual cidade e outro em Imboassica” (p.68)

“'A exploração de madeira não é, alias, a única ocupação dos cultivadores dos arredores de Macaé.' Alude à existência de vários engenhos de açúcar, 'mas ou menos distantes da beira do mar' para afirmar que ' vários colonos renunciaram então a seus engenhos e dedicam-se hoje à cultura do cativeiro, que dá menos trabalho que a da cana, não exigindo tantas benfeitorias, nem tantos escravos e que produz muito bem nas vertentes vizinhas de Macaé'” (p.71)

Memória da escravidão: “O Quilombo do Carukango” – p.85-87

(...) Era Carukango um preto escravo, natural de Moçambique e que, quando em nossa terra estava em plena pujança a importação de escravos africanos, aqui chegaram em um navio negreiro. (...) Era escravo de um dos fazendeiros da família Pinto, muito numerosa nas freguesias das Neves e do Frade. (...) Certo dia, sem que se descobrisse como, fugiu o Carukango. À sua, sucederam-se, nas fazendas vizinhas, inúmeras fugas de escravos, de tal forma estranhas que, durante muito tempo, não se teve notícia do paradeiro dos fujões.”

Diversos a taques à fazendas, seguidos de assassinatos dos senhores e de suas famílias, e também dos escravos idosos, além da fuga dos mais jovens, tiravam a tranqüilidade da região. Carukango foi reconhecido e sua liderança descoberta.”

Capturado numa sortida um dos escravos da quadrilha, êste, atemorizados, deu aos milicianos tôdas as informações que lhes permitiram chegar até o famoso Quilombo, cuja descrição transcrevemos literalmente da Obra já citada [Evocações-Crimes célebres em Macaé” de Antão de Vasconcelos]: “a expedição, largamente municiada, avançou com as maiores cautelas, antes da aurora, e às sete horas tinha chegado ao chapadão, sede do Quilombo. O assombro que se lia em todos os semblantes era indescritível! O chapadão, em uma extensão a perder de vista, era coroado por extensas roças de milho, feijão, ervilhas e enfim, tôda a sorte de legumes e cereais. Tudo isso era oculto por imensa mata virgem que cobria a serra, circundando-a em toda a volta. No centro das roças via-se uma casa baixa, muito comprida, com a frente para a estrada da mata e os fundos apoiados em três enormes pedras a cavalheiro da casa. Sabia-se que o Quilombo tinha para mais de 200 escravos e era incompreensível como se abrigavam; em tão pequeno espaço, tanta gente.” Travou-se uma grande batalha que terminou com a vitória dos milicianos.”

Mais adiante, diz ainda o autor de ‘Evocações’: “Inquiridas as negras sobre o modus-vivendi no Quilombo, soube-se que Carukango era o imperador e o papa. Tinha serralho de todas as pretas moças; aquelas que ficavam grávidas eram repudiadas e entregues aos pretos do Quilombo; logo que davam a luz à criança era barbaramente imolada e queimada depois de morta. A nossa raça – dizia Carukango – deve extinguir-se e não ficar um na mão do branco”” (p.87)

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O Pires da Bertioga”

“Como carpinteiro, obteve ele [Pires] o emprego na Fazenda de Francisco Domingues Araujo e ali, após dar sobejas provas de seu mau gênio e perversidade, culminou matando “a bordoadas, um escravo do proprietário”. Consumado o crime, estúpido e brutal, receoso de uma punição, fugiu Pires para Cantagalo, escondendo-se em um lugar e outro, até acoitar-se, por fim, na Fazenda das Duas Barras, onde permaneceu algum tempo, aprendendo o triste ‘ofício’ de feitor de escravos. Passados alguns anos, já diplomado com louvor em sua nova profissão, voltou Pires ao município, empregando-se na Fazenda da Bertioga (donde a sua alcunha), de propriedade de Manuel Fernandes da Silva Campos, mais tarde agraciado com o título de Barão da Póvoa de Varzim.(...) Cenas horríveis praticou o desalmado Pires da Bertioga, em grau que a pena humana não pode e nem deve descrever. Basta dizer,para que os leitores possam ter uma idéia do caráter dessa verdadeira fera, que Pires era de perversidade tão asquerosa e repulsiva “que levava incumbir-se de surrar escravos de outrem: era uma delícia para sua alma de tigre!””.(p.151-152)

Fonte: Augusto de Carvalho. “Defesa dos irmãos Lomba”, publicado em “O Século”, de 06 de outubro de 1889; Antão de Vasconcellos. “Evocações. Crimes Célebres em Macaé”.

Regiões Descritas: Macaé.

Comentários: Livro de 'Crônicas Históricas', que abrange a história de Macaé desde a sua fundação até o século XX.


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