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Cardiomiopatia Hipertrófica: Importância dos Eventos Arrítmicos em Pacientes com Risco de Morte Súbita

Autor: Paulo de Tarso Jorge Medeiros

Tese de Doutorado, defendida em São Paulo, 2004

Instituição: Faculdade de Medicina – Universidade de São Paulo (USP)

Orientador: Martino Martinelli Filho

Correspondência:

Paulo de Tarso J. Medeiros – Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia

Av. Dr. Dante Pazzanese, 500 – CEP: 04012-909 Ibirapuera – São Paulo, SP

Resumo


Introdução: é controversa a correlação entre a arritmia ventricular complexa da cardiomiopatia hipertrófica e a ocorrência de morte súbita cardíaca.

Objetivo: em pacientes com cardiomiopatia hipertrófica e risco de morte súbita cardíaca, que foram submetidos ao implante de cardioversor-desfibrilador implantável, avaliar: a) ocorrência de eventos arrítmicos; b) ocorrência de eventos clínicos e correlações com eventos arrítmicos; c) ocorrência de terapia de choque do cardioversor-desfibrilador implantável e correlações clínico-funcionais; d) preditores clínico-funcionais de prognóstico.

Métodos: foram estudados 26 pacientes com cardiomiopatia hipertrófica e fatores de risco de morte súbita cardíaca, submetidos a implante de cardioversor-desfibrilador implantável no período de maio de 2000 a janeiro de 2004 (seguimento médio = 19 meses). Quatorze pacientes (53,8%) eram do sexo feminino e a idade média foi de 42,7 anos. Vinte pacientes (76,9%) apresentavam síncope prévia ao implante de cardioversor-desfibrilador implantável, metade desses relacionados a fibrilação ventricular ou taquicardia ventricular sustentada; 15 (57,7%) tinham história de morte súbita familiar; 12 pacientes (46,2%) tinham taquicardia ventricular não sustentada ao Holter de 24 horas e cinco (19,2%) apresentavam o septo interventricular com espessura maior que 30 mm.

Resultados: no seguimento foram registrados, pelo cardioversor-desfibrilador implantável, quatro terapias de choque em arritmias potencialmente letais (três pacientes com taquicardia ventricular sustentada e um paciente com fibrilação ventricular). Ocorreu um óbito devido a provável acidente vascular cerebral tromboembólico. Quatro pacientes tiveram recorrência de síncope sem evento arrítmico registrado pelo cardioversor-desfibrilador implantável. A análise estatística demonstrou significância da precocidade do choque do cardioversor-desfibrilador implantável em pacientes cujo septo interventricular tinha espessura maior que 30 mm.

Conclusões: 1) ocorrência de eventos arrítmicos em 50% dos pacientes, sendo que a maioria (62%) foi taquicardia ventricular, sustentada (31%) e não sustentada (31%); nos outros pacientes ocorreu taquicardia paroxística supraventricular; 2) síncopes recorrentes na minoria dos pacientes (16%), que entretanto não se associaram à presença de eventos arrítmicos; 3) presença de septo interventricular superior a 30 mm, ao ecocardiograma, se associou à ocorrência de terapia de choque precoce (p = 0,003); 4) ausência de preditores clínicos ou funcionais.

Hypertrophic Cardiomyopathy: The Importance of Arrhythmic Events in Patients at Risk for Sudden Cardiac Death



Summary

Objectives: it is controversial the correlation between complex ventricular arrhythmia of hypertrophic cardiomyopathy and cardiac sudden death. In patients with hypertrophic cardiomyopathy and at risk for cardiac sudden death, that have been undergone implantable cardioverter-defibrillator implantation, we evaluated: a) occurrence of arrhythmic events; b) clinical event occurrence and its correlation with arrhythmic events; c) implantable cardioverter-defibrillator shock therapy occurrence and clinical–functional correlation; d) prognosis clinical-functional predictors.

Methods: twenty-six patients have been studied. They presented hypertrophic cardiomyopathy and risk factors for sudden death. These patients underwent implantable cardioverter-defibrillator implantation, period May, 2000 through January, 2004 (average follow-up – 19 months). Fourteen patients (53,8%) were female and the mean age was 42,7. Twenty patients (76,9%) had had syncope, previous to implantable cardioverter-defibrillator implantation, half of them associated with ventricular fibrillation or sustained ventricular tachycardia; 15 had had family sudden death; 12 patients (46,2%) presented non-sustained ventricular tachycardia at 24-hour Holter and five (19,2%) showed the ventricular septum thickness larger than 30 mm.

Results: during the follow-up, four shocks therapy were recorded by implantable cardioverter-defibrillator in potentially lethal arrhythmias (three sustained ventricular tachycardia and one ventricular fibrillation). There was one death, due to likely stroke. Four patients had syncope recurrence, with no arrhythmic event recorded by implantable cardioverter-defibrillator. The statistical analysis has showed precocity significance of implantable cardioverter-defibrillator shock, in patients whose ventricular septum thickness was larger than 30 mm.

Conclusions: 1) arrhythmic events have occurred in 50% of the patients. Most of those events (62%) were ventricular tachycardia, 31% sustained tachycardia and 31% non-sustained ventricular tachycardia. The remainders had supraventricular tachycardia; 2) recurrent syncope in only 16% of the patients. Nevertheless, they were not related to the presence of arrhythmic events; 3) the presence of ventricular septum larger than 30 mm, at echocardiogram, was associated with early shock therapy occurrence (p = 0,003); 4) absence of clinical or functional predictors.


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