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Título: Caçar Um Xeque.

Autor: Teresa Ann Southwick

Dados da edição: HARLEQUIN IBÉRICA, S. A. 2003

Título original: To catch a sheik

Colecção: Bianca, 790, 24-04-2004.

Numeração de página: cabeçalho.

Digitalização e Correcção: Dores Cunh«a.

Estado da obra: corrigida.

Esta obra foi digitalizada sem fins comerciais e destina-se unicamente à leitura de pessoas portadoras de deficiência visual. Por força da lei de direitos de autor, este ficheiro não pode ser distribuído para outros fins, no todo ou em parte, ainda que gratuitamente.

Editados por HARLEQUIN IBÉRICA, S. A.

2003 Teresa Ann Southwick. Todos os direitos reservados.

CAÇAR UM XEQUE, " 790 - 24. 11. 04

Título original: To Catch a Sheik.

Publicado originalmente por Silhouette Books.

Todos os direitos, incluindo os de reprodução total ou parcial, são reservados. Esta edição foi publicada com a autorização de Harlequin Enterprises II BV.

Todas as personagens deste livro são fictícias. Qualquer semelhança com alguma pessoa viva ou morta, é pura coincidência

Harlequin, logotipo Harlequin e Bianca são marcas registadas por Harlequin Books S. A.

São marcas registadas pela Harlequin Enterprises Limited e suas filiais, utilizadas com licença. As marcas que têm estão registadas na Oficina Espanola de Patentes Marcas e noutros países.

I. S. B. N. 84-671-2115-7

Depósito legal: M-39945-2004

Fotocomposição: M. T. Color & Diseno S. L. Las Rozas Impresso: COIMOFF, S. A. Arganda del Rey

DISTRIBUIDOR EXCLUSIVO PARA PORTUGAL: M. I. D. E. S. A. Rua da República da Coreia, 34 Ranholas - 2710 Sintra – Portugal

Capítulo 1

Penelope Colleen Doyle não acreditava em contos de fadas, nem na ideia de que ao beijar um sapo ele se transformaria num belo príncipe. Mas andar pelo palácio real de El Zafu sem dúvida que a fez desejar que isso fosse verdade.

- Estamos a chegar? - perguntou ela ao empregado que a guiava.

- Sim, menina. Só mais um momento.

Penelope esquecera-se do nome do rapaz. A sua memória costumava ser excelente, mas naquela situação era normal que falhasse. Estava em El Zafir, a terra da magia, do encantamento e do romance, no palácio real com corredores de mármore e salas repletas de mobília magnífica. Mas, naquele momento, teve uma vontade absurda de fugir.

Meu Deus, estou aqui! " Mas nem o pânico desencadeado pela adrenalina daria forças a uma pessoa que não dormia há mais de vinte e quatro horas.

Viraram uma esquina do corredor e pararam diante de uma impressionante porta dupla de marfim. A altura da porta era tal que a fez recordar uma cena do filme King Kong, onde portões gigantescos tinhám que manter o gigante preso.

- Esta é a ala de negócios do palácio, menina.


- Há algum mapa que eu possa usar para me orientar?

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Algum desenho que indique onde me encontro?



- Não.

O homem nem sequer esboçou um sorriso. Se naquele país ninguém tivesse qualquer sentido de humor, iria ser muito difícil permanecer ali durante dois anos.

O empregado empurrou a porta da direita, revelando uma sala em forma de T.

- Acompanhe-me, menina.

- Com certeza.

Como se lhe pudesse ocorrer afastar-se dele... Ficaria perdida durante dias. Teriam que mandar uma equipa de salvamento à procura dela.

O jovem passou por várias portas e depois virou à direita, atravessando outra porta que se abria para um escritório. Só aquela sala era maior do que todo o apartamento em que Penelope morava.

O empregado indicou-lhe um sofá, encostado a uma das paredes.

- Sente-se. A menina receberá instruções em relação às suas obrigações.

- Da princesa Farrah Hassan?

- Não.

Então, de quem? gostaria ela de saber.



Sem mais nenhuma explicação, o empregado virou-se e deixou-a sozinha.

Penelope gostaria muito de beber café, mas, naquela sala, tudo era intimidante. À sua frente, uma secretária de madeira de cerejeira brilhava tanto que poderia servir de espelho para ela pentear o cabelo, que lhe dava pela cintura, mas que estava apanhado e não precisava de ser penteado.

A mesa tinha um computador com impressora,

scanner e uma máquina de fax. Atrás, junto à parede,

uma fotocopiadora. Penelope gostaria de saber se todos os escritórios seriam tão bem equipados como aquele.

Nesse momento, reparou numa porta fechada, à direita. Talvez houvesse café ali atrás. Podia bater e espreitar?

Não. Recebera ordens para esperar. Suspirando, sentou-se no sofá aconchegante. Um segundo depois, suspirou de novo, por outra razão. Nunca vira tanto conforto. O couro do sofá não era frio, mas fabulosa mente luxuoso. Continuou a aguardar, esforçando-se por manter os olhos abertos.

Rafiq Hassan, o príncipe de El Zafir, Ministro do Interior e dos Negócios Estrangeiros, entrou no escritório, para conhecer a sua assistente. Imediatamente, o príncipe avistou uma jovem sentada no sofá. Sentada não seri a palavra correcta. Ela estava caída. Seria esta a pessoa que iria trabalhar com ele?

Aproximou-se e analisou-a. A desconhecida usava um vestido castanho largo, que a cobria do pescoço até abaixo dos joelhos, deixando visíveis os tornozelos, muito bem-feitos. Calçava sapatos rasos e fechados. Era uma mulher pequena. Os óculos feios e pretos sobre o rosto oval não favoreciam a sua aparência.

Naquele momento, não precisaria dos óculos, pois tinha os olhos fechados. Rafiq recordou uma história infantil que ele contava aos sobrinhos sobre uma princesa adormecida. Os seus cabelos eram dourados e ela dormia profundamente.

Ele curvou-se e disse:
- Desculpe-me, menina...

Umas pestanas longas e brilhantes moveram-se. Estariam a ser aumentadas pelas lentes daqueles óculos horríveis? Quando ela o olhou, o príncipe viu uns olhos azuis, grandes e lindos.

- Hum?

- Menina?



- Olá! - Penelope pestanejou diversas vezes e endireitou-se, observando o ambiente, como se estivesse desorientada. Depois, encarou-o. - Acho que já não estou no Kansas.

- Tem razão.

Antes que ela tapasse o bocejo com a mão delicada, Rafiq reparou que os seus dentes eram brancos e perfeitos.

- É uma expressão americana do filme O Feiticeiro de Oz, quando Dorothy percebe que está muito longe de casa.

- Eu sei. Vi o filme. Você é americana?

- Sim, recém-chegada do Texas.

- Ouvi falar de si.

Ela sorriu.

- Eu ficaria surpreendida se não soubesse nada sobre mim. Também trabalha aqui?

- Sim.


- Este escritório deve ser muito movimentado se são precisos dois assistentes.

Assistentes? Esta rapariga pensa que eu sou um assistente? Rafiq ia desfazer o equívoco, quando ela se endireitou e ele reparou no contorno dos seus sensuais seios. Ali não havia lentes que pudessem aumentá-los...

- Poderia indicar-me onde está a cafeteira do café?

- Posso pedir café, se é isso que quer - afirrmou ele, não preocupado.

- Seria óptimo. Ficarei muitíssimo agradecida.

Rafiq foi até à secretária e pegou no telefone.

- Café, por favor. Muito forte.

- Deus o abençoe.

Quando ele se virou para ela, Penelope fitava-o com os olhos arregalados, por detrás das lentes grossas.

- O que foi?

- Desculpe. Não quis fixá-lo desta maneira. É que...

- Diga...

- Não. Vai achar que eu sou esquisita. Se vamos trabalhar juntos, não quero que me considere estranha.

- Prometo que não pensarei nada disso. Porque me olhou daquela maneira? Tenho alguma verruga no nariz? Alguma mancha no rosto? Achou a minha aparência estranha?

- De modo algum. Você é muito bonito. Quero dizer, se o resto dos homens deste país for assim - Penelope corou... - Desculpe. Espero que não se importe. Eu só... bem, não faço ideia de como... Na pesquisa que fiz sobre Eltafu, não encontrei nada sobre... Desculpe, mas você perguntou...

- Sim, perguntei.

O modo ingénuo como Penelope ficara atrapalhada com o que dizia tornava óbvio que ela não o fizera de forma premeditada. Fora um elogio inocente e Rafiq estava quase a perdoá-la por o ter confundido com um funcionário.

- De onde eu venho, os cowboys são o protótipo

dos homens e a maioria das secretárias ou assistentes são mulheres.
Rafiq não sabia se se sentia lisonjeado ou insultado e tomou uma nota mental para se informar sobre os cowboys texanos. E revogou a decisão de a perdoar. No entanto, teve vontade de continuar a conversa:

- Então, você é uma assistente?

Ela acenou afirmativamente, tirou os óculos e esfregou os olhos. O príncipe esperava ver a sua maquilhagem manchada, mas Penelope não usava nenhuma. A sua pele era perfeita e linda.

- Cheguei a El Zafir esta manhã. Deveria ter chegado há dois dias, mas os voos atrasaram-se devido às tempestades. Na minha terra, costuma dizer-se que, se não gostamos do clima, é só esperar um minuto. Mas, desta vez, não tive tal sorte.

- Como é que veio para o meu... para El Zafir, menina...

- Doyle. Penelope Colleen Doyle. Mas pode tratar-me por Penny.

- Muito bem.

- Fui contratada pela princesa Farrah Hassan. Conhece-a?

- Sim - fez um esforço para não se rir.

- Ela é fabulosa! É a irmã do rei. Serei a sua secretária.

- Quando é que foi contratada?

- No mês passado.

- E acabou de chegar?

- Sim. Tive que arrendar o meu apartamento e arranjar um lugar para guardar as minhas coisas.

Penelope parecia demasiado jovem para ter a responsabilidade de viver sozinha.

- Quantos anos tem, Penelope?

Ela arqueou uma das sobrancelhas.

- Nos Estados Unidos essa pergunta não seria feita. É deselegante perguntar a idade a uma senhora:

- Entendo. Mas parece demasiado jovem para...

- Tenho vinte e dois anos. E isso não Lhe diz respeito, mas sou formada em pedagogia e também em administração. E precisava de um emprego com um bom salário. Por isso, enviei o meu currículo para uma agência que emprega raparigas para tomar conta de crianças de pessoas ricas. Depois de ver as minhas qualificações e fotografias, a princesa escolheu-me. De acordo com o director da agência, ela estava à procura de uma ama simples e comum para tomar conta dos filhos do seu sobrinho, que é viúvo. Ou divorciado, não me lembro bem.

- Quer dizer que foi assim?

- Não sei se é apropriado perguntar, mas porque será que a princesa procurava precisamente uma ama simples e comum?

Não havia motivos para revelar que ele era o responsável por essa exigênçia.

- Não faço ideia.

Ela encolheu os ombros.

- Nem eu. Mas era uma das exigências feitas.

- Entendo.

Rafiq podia ser a pessoa mais encantadora da família, mas a declaração directa de Penelope deixou-o pensativo. O seu conhecimento sobre as mulheres resumia-se a mulheres sofisticadas, raparigas altas e elegantes. Não se interessava por jovens de baixa estatura e sem charme, que usavam óculos. grandes e feios.

- Prefiro enfrentar a vida de cabeça erguida. Se a enterrarmos na areia, como as avestruzes... deixamos o resto do corpo exposto, se é que me está a perceber.

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Sou uma pessoa prática. É melhor enfrentar os factos sem esperar por um conto de fadas. Não concorda?

O príncipe não tinha a certeza do que devia respon der. Seria melhor mudar o rumo da conversa:

- Quer dizer que tem uma entrevista com a minha... com a princesa?

- Sim. Encontrei-me com ela em Nova Iorque. A minha primeira viagem de avião. Foi emocionante, mas houve um problema.

- Sim?


As portas do escritório abriram-se e uma empregada surgiu, empurrando um carrinho com um serviço de prata e chávenas de porcelana.

- Obrigado, Salima.

- De nada, Al...

- Deixe tudo na secretária - disse ele, interrompendo rapidamente a criada. - Eu trato disso.

- Sim, senhor - ela curvou- se e foi-se embora. - Meu Deus! As pessoas aqui são todas assim tão deferentes? Nós, os americanos, devíamos ter algumas lições. Vai ter que me ajudar. Não quero ofender ninguém. Se me vir a fazer alguma coisa desrespeitosa, chame-me aparte para que eu não faça papel de parva, está bem?

- Você é americana - afirmou ele, como se isso fosse suficiente.

Então, Rafiq serviu-se de café.

- Importa-se de me servir, também? Nem consigo acreditar que adormeci. Tenho que voltar a ligar o motor.

- Não me parece que tenha o motor desligado.

- Estou a falar demais? Às vezes falo demais. Mas hoje estou pior do que é habitual. Deve ser por estar

cansada e nervosa. É uma combinação péssima. Isso aborrece-o? A princesa parece não se importar.

- Ela é uma mulher muito forte. Natas e açúcar?

- Café simples, por favor.

Rafiq estendeu-lhe a chávena.

- O que é que estava a dizer?

- Onde é que eu parei? - Penelope bebeu um golo.

- Oh, sim! Fui a Nova Iorque para conhecer a princesa. O meu voo estava atrasado.

- Devido ao mau tempo do norte do Texas?

- Isso mesmo. Presta muita atenção a tudo, não é? Estava muito trânsito na cidade. Quando cheguei ao quarto do hotel, por sinàl maravilhoso, a princesa já tinha contratado outra pessoa.

- Uma ama simples e comum?

- Sim - franziu o sobrolho. - Ainda não consigo imaginar o motivo que levou a essa escolha. Enfim, a princesa foi tão gentil que me convidou para ficar para o lanche. Conversámos muito, enquanto comíamos chocolates.

- A sério?

- Sim... Uns chocolates deliciosos. Godiva. Enfim, ela disse que tinha gostado muito de mim e que precisava de uma assistente. E contratou-me. Fez uma oferta irrecusável. Bem, deve saber quanto a família real de El Zafir costuma pagar.

- Sem dúvida.

- Com casa e refeições incluídas.

- Uma óptima oferta!


- Nem me diga nada! Como é que disse que se chamava? Que falta de educação da minha parte ter-me esquecido. Deve ser do cansaço. Depois de uma boa

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noite de sono ficarei como nova. Costumo ser muito boa a fixar nomes.



- Acho que não disse o meu nome.

Rafiq reparou que ela ficara intrigada. Para uma mulher que alegava exaustão, Penelope tinha muita energia. Com descanso seria, como os americanos diziam, fogo. Sim, isso definia Penelope.

Rafiq. não conseguiu evitar querer saber se aquela energia toda era reservada apenas ao trabalho ou se também se aplicava à sua vida particular. Aos homens, em especial.

- Está a olhar para mim de uma maneira esquisita. Tenho alguma mancha no rosto? Uma verruga no nariz? Sou estranha? - brincou Penelope.

- Não, nada disso.

- O seu nome não deve ser assim tão feio. Uma vez que iremos trabalhar juntos, tenho que saber como se chama, para não ter de o tratar por ei, você".

Ele assumiu uma postura altiva.

- Sou Rafiq Hassan, príncipe de El Zafir, Ministro do Interior e dos Negócios Estrangeiros.

Penelope arregalou os olhos e deixou cair a chávena de porcelana, entornando café no vestido e na alcatifa. Abriu a boca, mas não conseguiu dizer nada.

Uma vitória para ele. Conseguira fazer com que ela se calasse.

Rafiq bateu à porta da suite da sua tia Farrah. Os seus passos ecoaram no chão de mármore do vestibulo e ele foi até à sala de visitas com janelas de vidro até ao tecto que davam para o Mar da Arábia. Um grande sofá semicircular sobre um tapete de pêlo

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alto e claro dominava o centro da divisão. As únicas cores do recinto eram as dos quadros pendurados nas paredes. A irmã do pai de Rafiq possuía uma colecção de arte muito valiosa.



Rafiq parou junto do sofá e olhou para a tia, que tinha alguns documentos ao colo.

- Gostaria de falar contigo, tia Farrah.

- É claro. Deo que é que se trata, querido?

- Resumindo numa palavra: Penelope.

Ela sorriu. A sua tia estava na casa dos cinquenta e ainda era uma mulher atraente e vibrante. Os seus cabelos escuros eram macios e tocavam na gola do conjunto Chanel turquesa que vestia.

- Ela é maravilhosa, não é?

- É... pois...

- O que é que se passa, Rafiq? - Farrah franziu as sobrancelhas e pôs os papéis de lado.

- Penelope adormeceu no sofá do meu escritório.

- Coitadinha... Mas tu tens que admitir que o teu sofá é muito confortável. Ela fez uma viagem cansativa e insistiu em começar a trabalhar como combinado. Não quis sequer ouvir falar em adiar o início das suas actividades.

- Quero a cabeça dela, tia.

- Seria uma bela recompensa pela dedicação da rapariga.

- Estou a brincar, tia.
- Ainda bem - Farrah deu uma gargalhada. - O governo aboliu essa forma de punição há muitos anos atrás, antes de eu ter nascido.

- Acho que cortar-lhe a língua seria mais apropriado.

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- Meu querido sobrinho, que crime é que Penelope cometeu?



- Ela é - parou, incapaz de encontrar termos adequados para descrever os seus sentimentos... - uma mulher...

- Ah - disse Farrah, como se ele tivesse explicado tudo... - ficaste impressionado com Penelope.

- De modo algum. Nunca encontrei uma rapariga que eu não conseguisse entender.

- Portanto, estás intrigado.

- Nada disso. Que absurdo!

- Rafiq, já te apaixonaste?

Ele não sabia como responder àquilo. Muitas jovens tinham-no encantado e o príncipe envolvera-se com algumas delas. Mas... amor?

- Não comeces de novo com isso, tia. Amor é um luxo não permitido a um príncipe. Só temos obrigações. Casarei e produzirei herdeiros.

- Quando?

- Quando estiver pronto para isso. Mas não percebi o que é que isso tem a ver com Penelope Doyle.

Farrah juntou as mãos sobre o colo.

- Devido à morte trágica e prematura da tua mãe, não posso deixar de sentir que a tua educação foi muito negligenciada, o que é uma pena. Tutores, empregados, internatos...

- Tive uma excelente formação. Agora, sobre essa jovem americana.

- Penelope é uma lufada de ar fresco. Mas se tu não concordas...

Rafiq virou-se e deparou- se com uma expressão muito conhecida no rosto da tia, fazendo-o lembrar- se que ela era uma mulher mais velha, um membro da família

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real, que merecia respeito, honra e protecção. Mas o brilho nas pupilas de Farrah fê-lo pensar que talvez não fosse ela quem precisava de protecção.



- Porque é que eu deveria concordar, tia? Ela é uma insignificante rapariguinha do Texas. E muito pequena. Eu achava que as coisas do Texas eram muito maiores.

- Sim, acho que Penelope é uma excepção. Os amigos dela tratam-na por Penny, sabias?

- Penny! Até o apelido dela é insignificante. Trata-se de uma moeda de baixíssimo valor.

- Já ouviste o ditado encontra um penny, guarda-o e terás sorte durante todo o dia,?

- Acho que sim.

Por dentro, Rafiq achava graça. Ao virar-se, constatou que a sua tia estava com o mesmo estado de espírito.

- E então, o que é que me dizes, tia?

- A tua reacção diante de Penelope foi a que eu esperava. Agora, não terei que te avisar para manteres as distâncias.

- Se estás preocupada com isso, então porque é que o meu pai ficou com o meu assistente e me deu uma mulher?

- Ele queria alguém experiente. E é o rei, bolas! Penelope é perfeita para ti, para as tuas necessidades. Profissionais, bem entendido. Se eu fosse a ti, pensaria duas vezes antes de questionar o teu pai.


- Está bem. Mas estou magoado por tu achares necessário questionar o meu comportamento.

- Além da tua reputação junto do sexo oposto, estou preocupada com Penelope.

- Porquê?

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- Ela foi maltratada por um homem.



- Como? De que maneira?

- Penelope contou-me essa história horrível em Nova Iorque. A mãe dela morreu quando ela tinha doze ou treze anos. Era professora e solteira. Mesmo assim, deixou uma herança à fillha, que foi aplicada. Penelope planeava abrir uma escola pré-primária, mas um sujeito sem princípios envolveu-se com ela e acabou por se apoderar do dinheiro. Ela nunca mais confiou num homem.

- Quem trata uma mulher desse modo não é um verdadeiro homem. Sobretudo uma como...

- Como o quê?

- Não importa. Gostaria de encontrar esse estúpido

- afirmou Rafiq, com os dentes cerrados. - Umas chibatadas seriam óptimas para lhe ensinar uma lição.

- Concordo - Farrah sorriu com serenidade. - Mas agora Penelope está aqui e nós tomaremos conta dela. Isto é, eu tomarei conta dela. Na minha opinião, as coisas não poderiam ser melhores.

Rafiq ficara intrigado com Penelope e isso deixara-o um pouco nervoso, sentimento que nunca tivera em relação a ninguém. Não gostou nada disso. Talvez conseguisse convencer a tia a arranjar-lhe outro assistente.

- O que foi, Rafiq?

- As coisas correriam melhor se o meu pai devolvesse o meu secretário. Assim, tu ficarias com a tua Penelope Doyle, com a minha aprovação e os meus votos sinceros de que mantivesses a tua sanidade mental.

Farrah abanou a cabeça.

- Acho que durante algum tempo será impossível teres o teu assistente de volta.

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- Porquê?



- Isso é com o rei.

- Então, falarei com ele.

- Enquanto isso não acontece, com os preparativos para o baile de caridade internacional que se vai realizar pela primeira vez em El Zafir, precisarás de ajuda. E de um toque feminino.

- Tu és mulher e minha assistente para esse evento. Não é suficiente?

- Penelope trabalhará para nós os dois.

Rafiq não se deu por vencido. Tentaria outra jogada.

- Isso será justo para ela? Trabalhar também para mim? Já lhe darás muito serviço, tia.

- Não te preocupes. Desconfio que Penelope é muito enérgica e esforçada.

- Se conseguir calar a boca a ponto de conseguir concentrar-se no que está a fazer.

- Na minha opinião, ela é encantadora.

- É essa a única qualificação dela? Pensei que ela estava à procura do emprego de ama para os filhos do Fariq.
- Sim, mas a Penelope tem muita energia e é uma pessoa brilhante. É formada por duas faculdades, em Pedagogia e Administração. E possui boas referências de Sam Prescott.

Sam Prescott era de uma familia muito rica do Texas e amigo de Rafiq desde a infância. Durante anos eles costumavam dizer a brincar que, se a América tivesse o mesmo sistema político que El Zafir, Sam e os seus irmãos seriam xeques. Os seus pais conheciam-se e tinham negócios em comum:

- Como é que o Sam a conhece, tia?

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- A Fundação Prescott dá bolsas a alunos necessitados e a Penelope era um desses alunos. Foi escolhida e os Prescott interessaram-se por inseri-la numa carreira. Era a melhor e ganhou uma bolsa de estudos na sede da Fundação Prescott, em Dallas. Tive informações de que é rápida, inteligente, trabalha muito, é muito capaz e aprende com facilidade.



- Pelos vistos, treiná-la será uma responsabilidade minha.

- Esse olhar assustaria as crianças pequenas, querido. Diz-me que não olharás para ela dessa maneira, Rafiq. Tu és o relações públicas da famíllia e se...

- Não tenho o hábito de assustar crianças, nem mulheres. Mas há a questão do café...

- O que é que aconteceu com o café?

- Caiu das mãos dela.

- Tu fizeste alguma coisa para que isso acontecesse?

- Só me apresentei.

Depois de a deixar acreditar que ele era um assistente e de a ter persuadido a revelar que o achava bonito. Na verdade, Rafiq gostara do engano. Duvidava que Penelope tivesse falado com tanta irreverência se soubesse quem ele era. Estava habituado a receber elogios, mas como Penelope não sabia a sua identidade, o cumprimento fora, sem dúvida nenhuma, sincero.

- Onde é que ela está, agora? - quis saber Farrah.

No quarto que tu Lhe designaste, na ala dos hóspedes. Eu dei-lhe o resto do dia para se recuperar da viagem.

- Óptimo! Estou contente por termos conversado, e tenho que frisar que não deves tentar seduzir Penelope. Até resolvermos as coisas de outra forma, ela é a tua




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