Autor: Teresa Ann Southwick



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- Tenho serviço para fazer, Rafiq.

Ele ergueu as sobrancelhas escuras.

- O termo equilíbrio, é importante em todas as situações. Por outras palavras, temos que investir a mesma quantidade de tempo e energia no trabalho e em situações de entretenimento. Não está a fazer isso.

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- Está a dizer que muito trabalho e nenhum divertimento me tornarão uma empregada estúpida?



- Isso mesmo.

- Agradeço o que está a tentar fazer, mas acabou de dizer que é raro ter a oportunidade de cavalgar. Vou atrapalhá-lo.

- Eu ensiná-la-ei.

- Não sei.

- Não quer aprender?

- Não é isso, pelo contrário. Mas não é necessário que se envolva...

- Não quer que eu a ensine?

- Oh, não! Não pretendi insultá-lo. Apenas não quero ocupar o seu valioso tempo com uma actividade aborrecida. Deve aproveitar sozinho.

- Acha que será aborrecido ensiná-la a cavalgar?

- Sim, acho.

- Deixe-me decidir o que é ou não é agradável para mim.

- Está bem.

- Portanto, a sua resposta é sim"?

- Mas não tenho roupa adequada.

- As suas calças de ganga servem muito bem.
- Pensei que não fosse apropriado.

- Mas é.


Vencida, Penelope não tinha mais desculpas. Como poderia dizer não,? Rafiq era o seu patrão e ela estava desejosa de aprender a cavalgar. Afinal, porque é que estava a sobrevalorizar a situação?

- Está bem. Vamos dar o nosso passeio, Alteza.

Decerto, cavalgar com Rafiq seria como estar a trabalhar no escritório. Ele iria mandar e ela, obedecer.

Capítulo 6

Rafiq pegou nas rédeas e olhou para Penelope.

- Tem a certeza de que não tem medo? Podemos ir no mesmo cavalo até adquirir mais confiança.

- Não é necessário - ela sorriu. - Sinto-me bem. E o animal parece calmo. Talvez eu tenha sido uma cowgirl numa vida anterior. Aposto que é um bom professor e eu depressa me tornarei uma amazona de primeira categoria.

Rafiq flcou desiludido com a recusa e o seu coração

acelerou ao ver os olhos azuis brilhantes e as faces rosadas.

Estavam nos estábulos do palácio. O clima era entre o Inverno e a Primavera, o que em El Zafir signifi cava uma temperatura muito agradável.

Rafiq instruía Penelope nos conceitos de como cavalgar.

Não entendia porque é que ela o fascinava tanto. Ouvira dizer que o que um homem não pode ver, intriga-o. Talvez os óculos, que escondiam o seu rosto, ou as calças de ganga, que ele Lhe sugerira usar.

Observou as coxas dela, tão próximas das suas mãos, que seguravam as rédeas. Rafiq não estava habituado a ficar perturbado com uma mulher.

Precisava muito de uma cavalgada estimulante para aclarar os seus pensamentos.

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- Se jura que não tem medo - balbuciou ele.



- Juro. Não pretendo correr pelo deserto. Talvez noutra ocasião - brincou Penelope.

- Está bem. Embora eu deseje correr como o vento, vou conter-me, para a acompanhar - montou no cavalo.

Não começou a cavalgar rapidamente, pois o cavalo de Penelope seguiria o dele e ela não tinha experiência. Também não iria deixá-la sozinha, porque o deserto não perdoa os incautos.

Porque é que Penelope se recusara a usar as roupas que ele comprara? Nunca passara por uma situação semelhante. Todas as jovens que conhecera aceitavam os seus presentes exultantes.

- Que dia glorioso - exclamou Penelope, olhando para o céu.

- Sim, é verdade.

À medida que os cavalos caminhavam, ela respirava fundo, inalando o ar fresco e agradável.

A camisa de algodão que Penelope vestira moldava-lhe as formas e Rafiq desejou saber como seria a textura da sua pele.

Olhando para ele, Penelope disse:

- Acho que nunca vi um céu como este. Nem no Texas.

- E o Texas é um padrão para o céu como é para os cowboys?

Nunca me vai deixar esquecer isso, pois não?

- Não.
Razão tinha a sua tia ao afirmar que ela era uma rapariga capaz de aprender tudo. Naquele momento, ele preferia que ela não fosse assim, pois teria uma desculpa para a abraçar e para a proteger.

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Rafiq suspirou ao recordar os ombros alvos de Penelope ao usar o vestido preto que ele comprara em Paris.



- Provoque-me; se quiser, mas é o firmamento mais azul que já vi.

- Fico contente por ter gostado, Penelope. Ordenei este dia especialmente para si.

Ela riu.

- É realmente competente, Alteza, mas não acredito que seja assim tanto.

O sorriso radiante de Penelope teve o efeito de uma flecha que atingia o peito de Rafiq.

Ele era competente, sim, e desejava mostrar-lho.

Rafiq não acreditava que Penelope fosse tão inocente como Farrah dissera. Mas também não era uma rapariga cosmopolita.

A reputação de Rafiq no palácio permanecia péssima por causa de uma mulher incapaz de se controlar. A cása ainda estava a recuperar de um alvoroço do qual ele fora culpado, mas que, na verdade, não fora causado por ele. E imaginar que estava a arriscar-se por uma coisa muito pior...

Arriscar, era um termo demasiado suave. O seu corpo pareçia em chamas por causa de Penelope. E ela era uma funcionária, uma jovem a quem lhe fora proibido tocar.

- Meu Deus! - Penelope mostrava-se admirada.

- Sim?

- Parece que está mais ansioso do que eu.



- Estava a pensar na cavalgada.

- No quê, especificamente?

- Que gostaria de ir... muito mais longe.

Penelope franziu a testa.

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- Se quer voar como o vento, pode ir. Já comentou que o cavalo está treinado para voltar para os estábulos. Não se prenda por mim.



- Não, Penelope. Mas eu gostaria de apressar o passo. Há algo que lhe quero mostrar. Acha que está pronta para ir um pouco mais depressa?

- Sim, estou.

- O seu desejo é uma ordem - e Rafiq esporeou levemente o animal.

O seu cavalo obedeceu e o de Penelope imitou-o. Penelope concentrou-se e tentou lembrar-se de cada orientação que recebera.

Seguiram em frente até encontrar um lugar com relva verde, palmeiras e água a brilhar como diamantes ao sol.

- Um oásis - Penelope ficou encantada.

- Sim.

- Vamos parar aqui?



- Isso mesmo.

Rafiq conduziu a montaria até debaixo de uma palmeira, ao lado de um pequeno lago. Desceu e prendeu-o à árvore. Pegou nas rédeas do animal de Penelope e fez o mesmo. Sem demora, os cavalos baixaram as cabeças e puseram-se a pastar.

Penelope passou a perna pela sela para descer. Atrás dela, Rafiq pôs as mãos na sua cintura para a ajudar e o seu peito encostou-se às suas costas. Um leve estremecimento de Penelope deixou claro que a aproximação não lhe fora indiferente.
- Venha, Penelope, temos que nos refrescar um pouco.

- Boa ideia!

Ele tirou dois cantis da sela, ajoelhou-se e afundou

as mãos na água molhando a nuca e o rosto. Penelope também, pegando em seguida no cantil para beber.

A água molhou os seus lábios, que Rafiq teve vontade de lamber. Como gostaria de ser um homem menos honrado e não ter prometido à sua tia que Penelope estaria a salvo na sua companhia, que não Lhe faria nenhum mal!

Mas que tipo de mal poderia fazer-lhe?

Penelope limpou os lábios molhados.

- Este lugar é esplêndido. Tanta beleza... No meio de um deserto!

- Sim, tanta beleza - murmurou ele, sem se desviar dela.

Os olhos azuis de Penelope cintilaram.

- Está a brincar comigo?

- Porque é que diz isso?

- Pelo modo como me olha. Está a gozar comigo.

- Nunca faria isso. Você é adorável, na minha opinião. E também vivaz e esperta. Estou em constante estado de ansiedade para ouvir o que dirá em seguida.

- Fico contente. Uma menina como eu tem que ser boa no que faz.

- Porquê? O que quer dizer com uma menina como eu?

- Uma rapariga simples e comum. Não que eu esteja a reclamar. Na vida, dança-se conforme a música. Temos que maximizar a nossa força. Uma pessoa bonita pode caminhar por um salão que isso é suficiente. Eu tenho que usar a cabeça e ser engenhosa - ela deu uma gargalhada. - Mas você não percebe nada disto. Afinal, é um homem muito bonito.

- Esse não é um adjectivo a que um homem costume aspirar.

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- Percebe o que eu estou a dizer. Não é apenas um belo homem, um xeque, mas é alguém que as pessoas reverenciam. Não sabe o que é ser comum, tímido e in significante.



- Posso providenciar chocolate - ele tentou brincar.

- E todas as pessoas têm consideração por si. Como já perguntei: há alguma coisa em que não seja competente?

Rafiq gostaria de dizer que sim: não conseguia resistir ao proibido. E, acima de tudo, queria afastár a tristeza do semblante dela. E havia apenas uma maneira de o fazer.

- Penelope... - Rafiq endireitou o corpo e esticou a mão até ela.

- O que está a fazer?

- Vou beijá-la.

Rafiq tirou-lhe os óculos e colocou-os no bolso de trás das calças. Em seguida, passou os braços dela em redor do seu pescoço.

- Não a vou magoar.

- Eu sei.

O príncipe gostaria de perguntar como é que Penelope sabia. E avisá-la para não ser tão confiante. Ele podia ser bom para ela, mas havia outros homens que...

Penelope sabia disso, no entanto...
Mas ele não conseguia esperar mais para a beijar. Rafiq afundou os dedos na cabeleira dela, sentiu-Lhe a maciez e abaixou a cabeça. O primeiro contacto com us lábios de Penelope fê-lo mergulhar num instante mágico, como se pudesse voar.

Ele ergueu o rosto e estudou-a. Os seus lindos olhos azuis, a suave respiração que saía da sua boca entreaberta, o leve arfar. Sorrindo, pôs a mão na nuca de Penelope, que cerrou as pálpebras, e tornou a beijá-la, com mais intensidade. Os lábios e o corpo dela estavam rígidos de tensão, como se não estivesse habituada a ser abraçada por um homem, a ser beijada.

Mas já estivera noiva. Como é que isso podia ser verdade?

Rafiq lambeu os lábios dela para mostrar o que queria. A respiração dela tornou-se mais rápida e Penelope, por instinto, aconchegou-se a ele, mas continuou com os lábios cerrados.

Ela não percebera o que ele queria? Seria tão inocente quanto Farrah sugerira?

O primeiro beijo de Rafiq deitou por terra a força de vontade de Penelope e qualquer pensamento coerente. Em seguida, sensações desconhecidas tomaram conta dela: sentiu um calor intenso, do dedo grande do pé até à raiz dos cabelos, tão delicioso e envolvente.

O seu batimento cardíaco acelerara como se ela estivesse a cavalgar um cavalo veloz pelo deserto.

Gostaria de aprender com Rafiq tudo sobre sensualidade. Queria que ele Lhe tocasse como fazia com as outras pelas quais se sentia atraído.

Rafiq interrompeu o beijo.

- Penelope?

- Sim? - ela fitou-o.

- Abra a boca.

Ela arregalou os olhos.

- Oh, meu Deus...

- Não fique assustada. Vou ensiná-la a beijar. Penelope deu um passo atrás.

- Estou envergonhada! Temos que ir embora!

- Mas...

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- Está na hora de irmos embora, Rafiq. Não acha? Se tivesse feito aquilo há cinco minutos atrás, não teria passado por tal humilhação. Um beijo de misericórdia numa rapariga simples e comum. Que coisa horrível! Porque é que o príncipe Lhe fizera uma coisa daquelas?



- Penelope.

- Olhe, se quer saber, não beijei muitos homens. Para ser franca, não beijei nenhum.

- Mas e o seu noivo?

- Como é que sabe disso? A princesa Farrah contou-lhe?

- Sim.

Rafiq permaneceu no lugar, esperando alguma informação da parte dela.



Se ele não fosse o dirigente- daquele país, Penelope colocá-lo-ia no devido lugar e não Lhe diria nada.

Foi quando viu piedade nos seus olhos. Aquilo era demais.

Não lhe ia dizer nada, nem que nevasse no deserto. Não iria expor a sua alma.

Penelope virou-lhe as costas e dirigiu-se para o cavalo, desamarrou-o, pegou nas rédeas e montou.


Rafiq era mesmo um bom professor. Ela ficou vermelha, lembrando-se de que ele queria ensiná-la a beijar. Sentia-se uma completa idiota.

A chorar, virou as rédeas para a direita e tomou o caminho de volta. Só então se lembrou que Rafiq ficara com os seus óculos.

Olhando para trás, ela viu-o montar e tirar algo do bolso.

Quando algo começa a correr mal, tudo o resto corre mal também.

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Rafiq alcançou-a, mostrando os óculos partidos.



- Esqueci-me deles. Eu comprar-lhe-ei outros.

- Obrigada. Nunca mais quero falar sobre nada que não esteja relacionado com trabalho.

- Como queira.

Mas não era o que ela queria. Penelope adoraria que a sua vida fosse mais simples, que tivesse tido mais tempo com a sua mãe. E não ter sido tão estúpida a ponto de ser usada por um homem que lhe roubara todo o dinheiro que possuía. Queria que Rafiq não a tivesse beijado.

Porém, nenhum dos seus desejos seria realizado. Pelos vistos, a sua fada madrinha era uma farsa.

Penelope estava desesperada sem os óculos, pois tinha que ler uns papéis que trouxera para examinar. Bateram à porta e ela ficou feliz por ter uma oportunidade de tirar os olhos dos papéis.

Ao abrir deparou-se com Crystal Rawlins.

- Olá - a ama entregou-lhe um rolo de fita-cola. Trouxe-te isto, para que possas colar os óculos até que sejam substituídos.

- Obrigada - Penelope pegou na fita. - Queres entrar?

Crystal hesitou por um momento.

- Sim, está bem. Fariq está com as crianças e eu posso ausentar-me por alguns minutos.

Penelope pegou nas duas metades dos óculos antes de seguir a colega para a sala de estar da suite.

Sentaram-se as duas no sofá.

- Como é tomar conta das crianças do príncipe Fariq?

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- Fácil e difícil ao mesmo tempo. É complicado educar crianças e eu não tive muita experiência. Sou a irmã mais nova.



- Que sorte a tua. Eu sou filha única - Penelope colou as duas partes dos óculos e colocou-os. - Pronto! É bom conseguir ver de novo. Estava com medo de passar pelo rei Camil e pela princesa Farrah e não os cumprimentar.

- Nunca quiseste usar lentes de contacto? - Crystal ajeitou os seus próprios óculos no rosto.

- Tentei uma vez, sem sucesso. Sentia-me como se tivesse toda a areia do deserto de El Zafir nos olhos, que lacrimejavam sem cessar. Foi horrível. Prefiro óculos. São mais baratos e mais eficientes.

O seu único engano fora ter deixado um príncipe tirá-los para a beijar. Se ao menos não tivesse gostado tanto! Queria odiar Rafiq pela humilhação, mas não fora culpa dele. A idióta era ela, que nunca fora beijada.

Olhou para a amiga e ficou tentada a contar tudo o que acontecera. Mas mudou de ideias. Já sofrera bastante por um dia.

- Já decidiste, Penelope?


Crystal usava uma blusa de seda verde-esmeralda sob um colete com um estampado floral. O tecido moldava-Lhe a silhueta. Os seus cabelos claros estavam presos na nuca, o que fazia com que os seus olhos sobressaíssem. Eram verdes, quase da cor da blusa.

- Lentes de contacto não são para mim, Crystal. Mas tu devias experimentá-las. Os teus olhos são muito bonitos. Não devias escondê-los atrás dos óculos.

- É engraçado que digas isso.

- Porquê?

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- Por nada - Crystal encolheu os ombros.



Não quis meter-me na tua vida. Deus sabe que não tenho nada que falar sobre questões de beleza.

- Porque é que dizes isso?

- Olha para mim. Não tenho ilusões quanto à minha aparência.

- Achas-te feia?

- Não brinques comigo.

- Desculpa, mas as amigas não mentem umas às outras.

- Nós somos amigas?

- Espero que sim. Como é que os teus óculos se partiram?

Penelope sentiu a temperatura corporal aumentar ao recordar o que acontecera no oásis.

- É uma longa história. Basta dizer que foi uma experiência perturbadóra em muitos aspectos.

- De acordo com os rumores, foste cavalgar com o príncipe Rafiq. Devo presumir que ele está, de alguma maneira, envolvido?

- Sim. Não! Na verdade, se não te importas, não quero falar disso.

- Tenho a certeza de que Sua Alteza ficará feliz em te dar uns óculos novos.

- Ele já se ofereceu.

- Talvez sugira lentes de contacto. Já que tu agora tens um trabalho fixo... Mas aquele comentário a respeito da tua aparência quer dizer que não te achas atraente?

- Na vida, tem que se dançar conforme a música, é o que eu digo sempre.

Céus... Corro o risco de me tornar a rainha dos clichés. "

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- Quando se têm limões, faz-se limonada, Crystal. Aprendi que a minha força está na inteligência e não na aparência.



- Mas somos mulheres. Há uma invenção muito poderosa chamada cosméticos.

- Não acredito que ajudassem.

- Estás errada. Com um penteado mais bonito, roupas e maquilhagem, ficarias muito bonita. Eu vi-te sem os óculos.

Penelope deu uma gargalhada.

- Se tu és mesmo minha amiga, devo dizer-te que não é bonito dar falsas esperanças a alguém.

- Eu não faria isso.

- Gostaria de poder acreditar em ti, Crystal. E de ser sofisticada. Ah, e o que eu não daria para ser alta e escultural!

- O tipo de mulher que atrairia a atenção de um príncipe?

- Eu não estava a pensar nisso!

Já tinha atraído a atenção de Rafiq e não queria complicações. Nada deveria afastá-la do seu objectivo.

- Mas admito que ele é lindo.
- De que ele, é que estamos a falar? Rafiq, Fariq ou Kamal? E também o rei, claro.

- Rafiq. É o tipo de homem que, na escola, faz uma rapariga ter vontade de todas as manhãs querer levantar-se da cama e ir a correr para a escola. Mas ele olharia duas vezes para mim, nem em milhões de anos.

- Nem nos contos das Mil e Uma Noites?

- Não.


- Bem, tenho que te avisar que ser bonita também acarreta problemas.

- Como o quê, por exemplo? Não consigo imaginar

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nenhuma situação onde a beleza possa tornar-se uma dificuldade.



- Isso é o que tu pensas, minha amiga.

- Como assim?

- Deixa lá. Estou apenas a tentar dizer que há coisas mais importantes com que uma pessoa se deve preocupar do que a aparência.

Penelope suspirou.

- Sei que estás certa, Crystal. E estou grata pela oportunidade de trabalhar aqui, em El Zafir. Mas não posso evitar querer ser um pouco mais interessante, menos comum. Por falar nisso, tu tens ideia de porque é que simples e comum, era um requisito para a função de ama?

- Sim. Por causa do teu príncipe.

- Se te estás a referir a Rafiq, ele não é o meu príncipe.

- Estou a falar de Rafiq e recuso-me a discutir se ele é ou não o teu príncipe. O tempo o dirá.

- E o que é que lhe aconteceu?

- Parece que a última ama dos filhos de Fariq se apaixonou por ele e arranjou uma grande confusão no palácio, quando resolveu esperar Rafiq na cama dele.

- Bem, acho que essa não é a melhor maneira de receber uma avaliação positiva, mas...

- Isso não é tudo. Ajovem decidiu também que devia esperá-lo nua.

- Não!

- A sério. Pelos vistos, não foi a primeira vez que uma mulher da equipa de empregados do palácio sucumbiu aos encantos do príncipe. De acordo com os comentários, Rafiq não se interessa por mulheres comuns. Por isso, o rei Camil fez essa exigência para evitar futuros problemas.



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Penelope arregalou os olhos. Se aquilo era verdade, porque é que ele a beijara?

- Trabalhar para ele tem sido difícil para ti?

- Não, Crystal. Embora eu não seja do tipo que atrai homens, agradeço o aviso.

- Bem, está na hora de dormir - ela levantou- se.

- Obrigada pela fita- cola.

A vida seria muito menos complicada se estivesse a trabalhar com crianças em vez de estar a secretariar o príncipe.

O beijo que ele lhe dera perturbara-a muito, além de ter sido o responsável pelos seus óculos partidos. Mas não fizera nada para o atrair. Só trabalhara no mesmo escritório e respirara o mesmo oxigénio.

Penelope abriu a porta para a amiga sair.
- Gostei muito de conversar contigo. Temos que fazer isto mais vezes.

Crystal sorriu.

- Eu também gostaria. Da próxima vez que o príncipe Rafiq se oferecer para brincar com os sobrinhos, poderemos explorar a cidade juntas.

- Seria óptimo. Boa noite.

- Boa noite, Penelope - Crystal afastou-se. Penelope fechou a porta, encostando-se a ela.

- Terei sorte se conseguir dormir por uns instantes...

Quer dizer que Rafiq não aprecia mulheres comuns. Não havia dúvida de que a princesa Farrah a contratara porque a sua aparência não interessaria ao sobrinho. Depois do beijo, queria saber se...

Não. Tinha que esquecer tudo e ater-se às suas tarefas. Precisava do emprego para atingir as suas metas. Não iria cair naquela partida do destino.

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- A última coisa que quero é quebrar a paz do palácio e ser demitida.



O acontecido no oásis não se repetiria. Era o seu destino e o seu sonho de abrir uma escola pré-primária para honrar a sua mãe que estavam em jogo. Nada interromperia o seu caminho.

Nem sequer um xeque maravilhoso.

Era óbvio que raciocinara mal. Estar com Rafiq no oásis era muito diferente de estar com ele no escritório.

Portanto, tinha apenas que trabalhar. Nada de passeios e conversas íntimas com Sua Alteza, o príncipe Rafiq Hassan.

Capítulo 7

Rafiq entrou no escritório e apanhou um susto ao ver Penelope com os óculos colados.

A visão remeteu-o para o dia anterior e o desejo de lhe beijar os lábios e sentir o calor das curvas perfeitas do seu corpo dominaram-no. Respirou fundo e passou o dedo pelo colarinho da camisa, desejando que o ar condicionado estivesse ligado no máximo.

Já a vira a usar aquele vestido preto de mangas compridas e fechado até ao pescoço. Penelope teimava em não vestir a roupa que ele lhe comprara.

Rafiq estivera fora do palácio durante toda a manhã, a tratar dos preparativos do baile de caridade que decorreria dentro de alguns meses.

Decidira não tocar mais no assunto das roupas, visto que Penelope pedira que conversassem apenas sobre trabalho. Tecnicamente, ela tinha razão, mas o príncipe não conseguia esquecer como a sua pele ficara bela naquele vestido preto.

Estava na hora de almoço, mas em vez de fazer a sua refeição num dos restaurantes da cidade, Rafiq preferiu voltar ao escritório. Não tinha a certeza, mas achou que o motivo era a sua original e divertida assistente.

- Bom dia, Penelope.

Ela olhou para cima e pestanejou. Estivera tão absorvida pelos afazeres que demorou algum tempo até lhe prestar atenção. Ou seriam os óculos partidos que lhe atrapalhavam a visão?

Tinha que Lhe providenciar uns óculos novos, decidiu Rafiq, já que fora o responsável por partir os veLhos.

- Oh, Rafiq, boa tarde... Pensei que só voltaria depois do almoço.
- Já almoçou?

- Não. Primeiro ia acabar de passar este relatório.

Seria imaginação de Rafiq ou ela ruborizara? Teria alguma coisa a ver com o beijo no oásis?

- Pedirei alguma coisa para nós.

- Como queira - Penelope voltou-se de novo para o monitor.

Rafiq passou pela secretária dela, foi até ao seu escritório e pegou no telefone. Depois de fazer o pedido, verificou as mensagens recebidas e anotadas num bloco com a letra bonita da sua secretária.

A letra era parecida com ela: pequena, precisa e intrigante.

Ora, o que é que se passava com ele? Até quando tentava trabalhar, pensava em Penelope.

Isto tinha que acabar. Era o príncipe Rafiq Hassan e uma mulher pequenina, com óculos grandes e feios, não deveria ser suficiente para o fazer perder a concentração.

No momento seguinte, tornou a usar o telefone e ligou para o médico particular. Um príncipe, um homem de sangue real, mantinha as suas promessas.

Pouco depois, o almoço chegou e foi colocado sobre a mesa, no escritório de Penelope, para onde Rafiq se dirigiu.




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