Autora: Cynthia Nunes de Freitas Farias



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Encontro07.08.2016
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Psicanálise/Medicina. Qual laço possível?
Autora: Cynthia Nunes de Freitas Farias

Psicóloga da Divisão de Psicologia do Hospital das Clínicas da FMUSP

Tel: 30888932 cel: 81494376

e.mail: cyfreitas@ig.com.br

End: R. Cristiano Viana 671/82, Cerqueira César, 05411-001, São Paulo, SP.
Lacan (1966) em seu texto “O lugar da psicanálise na medicina”, assinala que este lugar é marginal, pois, a medicina a considera uma espécie de terapêutica auxiliar e exterior; e extraterritorial, por conta dos próprios analista parecem ter suas razões para se manterem assim. Campos (2003) formula uma diferença fundamental a respeito da psicanálise aplicada a medicina que implica uma diferença da posição de ambas em relação ao real. Enquanto a medicina busca a construção de um saber a partir do real, a psicanálise, em particular a orientação lacaniana, busca um real no saber, ou seja, o fora de sentido no saber. A partir dessas posições podemos pensar que há uma diferença radical entre psicanálise e medicina que nos impediria até mesmo de separá-las com a partícula “e” que implica uma interseção possível entre elas, ter algo em comum.

Entretanto, como observa Mattos (2003), “a prática lacaniana nas instituições é um fato”, que, se por um lado amplia a aplicação da psicanálise em nosso meio, por outro, “(...) exige uma nova atitude dos psicanalistas: a de que eles saiam de suas reservas e arrisquem-se em circunstâncias que não são classicamente as mais favoráveis para a sua prática”. A prática da psicanálise em instituições exige também do praticante que ele se pronuncie publicamente “explicitando (...) o que da sua experiência de fazer advir o que há de mais singular em um sujeito, de sua experiência com o caso a caso (...) poderia ser útil em uma escala coletiva” (Mattos, 2003).


Apesar de encontrarmos muitos psicanalistas e profissionais da saúde (psicólogo, psiquiatra, assistentes sociais, fonoaudiólogos etc.), cuja prática é atravessada pelos princípios psicanalíticos, trabalhando nas instituições, a prática psicanalítica fora do que até então fora seu domínio, a clínica privada, é um campo muito novo e requer investigação criteriosa.

Com bases nessas considerações meu objetivo é discutir, a partir de meu trabalho em um serviço de cirurgia num hospital geral, atendendo a pacientes com doenças intestinais, se há um laço possível entre a psicanálise e a medicina e em quais bases esse laço se sustentaria.


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