AvaliaçÃo da aprendizagem no curso de pedagogia a distância



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AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM NO CURSO DE PEDAGOGIA A DISTÂNCIA

Eraldo de Souza Ferraz - ferraz_pe@hotmail.com

Luis Paulo Leopoldo Mercado – luispaulomercado@gmail.com

Universidade Federal de Alagoas



Resumo

Este estudo investiga a pertinência das atividades de aprendizagem no ambiente Moodle do Curso de Pedagogia a distância da UAB-UFAL. Descreve as dificuldades enfrentadas pelos alunos na realização e orientação das atividades avaliativas. Analisa o projeto pedagógico adotado no Curso de Pedagogia na Modalidade a Distância da UAB/UFAL buscando a coerência entre os objetivos e as atividades avaliativas das disciplinas do 1º. período do curso e propõe instrumentos de avaliação pertinentes à educação superior. O estudo partiu do pressuposto de que inexiste correlação entre as atividades de aprendizagem e os objetivos previstos nos planos de disciplinas ofertadas no referido Curso da UFAL. A pesquisa utilizada foi qualitativa com abordagem metodológica de estudo no Moodle utilizado no curso, no qual foram analisadas as atividades avaliativas disponíveis em quatro disciplinas nesta plataforma, comparando com os objetivos propostos em cada uma. Os dados foram coletados através do questionário aplicado a 20 alunos e entrevista semi-estruturada realizada com quatro professores. Os resultados apontam que existe adequação das atividades aos objetivos exigidos em cada disciplina porém, foram detectados problemas como: a grande quantidade de atividades para o tempo de oferta da disciplina em cada módulo e a demora na publicização das notas obtidas.



Palavras-Chave: Educação online, Avaliação da aprendizagem, Instrumentos de avaliação

Abstract

This study investigates the relevance of learning activities on the environment Moodle Course Pedagogy of the distance from the poles UAB-UFAL. Describes the difficulties faced by students in the achievement orientation and evaluative activities. Examines the pedagogical adopted in the Course of Pedagogy in Distance Modality of UAB/UFAL seeking coherence between the objectives and evaluation activities of the subjects of 1st time course and proposed assessment instruments relevant to higher education. The study assumes that the absent correlation between learning activities and the objectives envisaged in the plans of disciplines offered in the Pedagogy Course distance of UFAL. The research used a qualitative methodological approach with a case study in the Moodle platform used in the course. We analyzed the evaluative activities available in four disciplines in the Moodle compared with the proposed objectives in each. Data were collected through the questionnaire administered to 20 students and a semi-structured interview with four teachers. The results indicate that there is adequacy to the objectives of the activities required in each discipline but, problems like: a lot of activities for the time of offering the course in each module and the delay in publicizing their scores

Keywords: Online education, Evaluation of learning, Assessment tools
Introdução

O desenvolvimento das TIC vem propiciando novas alternativas de educação a distancia (EAD), que crescem nas universidades brasileiras tanto públicas quanto privadas a exemplo da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) que acreditou nessa possibilidade de democratização da formação do professor principalmente naquelas regiões em que não existe instituição de ensino superior.

Realizamos um estudo crítico-reflexivo da pertinência das atividades de aprendizagem preparadas pelos professores-autores para os alunos, que teve como objetivo a avaliação do rendimento escolar na modalidade online, especificamente nas ferramentas que são disponibilizadas no Moodle utilizado no Curso de Pedagogia da Universidade Aberta do Brasil (UAB), na UFAL.

Investigamos a pertinência das atividades de aprendizagem no Moodle do Curso de Pedagogia a distância da UFAL com os objetivos de analisar as atividades de aprendizagem do Curso de Pedagogia da UAB; avaliar a pertinência das atividades; identificar as dificuldades enfrentadas pelos alunos na realização e orientação das atividades avaliativas; analisar o projeto pedagógico adotado no curso, buscando a coerência entre os objetivos e as atividades avaliativas das disciplinas do 1º. período do curso.

A pesquisa qualitativa utilizada enfocou o Curso de Pedagogia a distância da UAB/UFAL iniciado em 2007. A abordagem escolhida foi o estudo de caso no Moodle utilizada no curso. O estudo de caso envolveu entrevista semi-estruturada individual com professores das disciplinas ofertadas no primeiro período do curso que apresentaram elementos para as análises dos escritos no projeto pedagógico e a realidade do cotidiano do curso.

Na EAD, a preparação do conteúdo no Moodle constitui um desafio para o professor, pois cada conteúdo deve ser criado em formato específico, compatível com o suporte tecnológico e armazenado como arquivo, para ser acessado através da aula. Não basta ao professor, apenas dominar o conteúdo de sua disciplina, mas trabalhar artisticamente o material didático desenvolvido através de HTML, JAVA, PowerPoint, dentre outros, para torná-lo atraente, interativo e eficaz de dominar a webconferência.

O ato de avaliar pressupõe a definição de critérios de julgamento, em função dos quais serão atribuídos valores ou menções. Esta prática reflete não só uma concepção de processo ensino-aprendizagem como também toda a concepção do sistema escolar e do seu papel na formação do aluno. Não basta, apenas, avaliar o desempenho do aluno mas também a atuação dos professores e tutores, a adequação da metodologia em EAD, da infra-estrutura institucional e, principalmente, dos instrumentos utilizados.

Castillo Arredondo e Diago (2009) destacam as funções e modalidades de avaliação tanto presencial quanto a distância, tais como: diagnóstica, formativa e somativa. Na avaliação diagnóstica o professor tem o objetivo de analisar as particularidades e necessidades sócio-culturais do grupo a ser atendido, bem como, a possível compatibilização do potencial de cada meio de comunicação e informação. Na avaliação formativa ela ocorre processualmente tornando possível observar e compreender mais metodicamente o desempenho de cada aluno, de modo a ocorrer um ajuste, de maneira sistemática e individualizada, das intervenções pedagógicas e das situações didáticas; com isso, ampliando as oportunidades de aprendizagem dos alunos. E por último, na avaliação somativa o professor estabelece os valores atribuídos às múltiplas atividades, mas não como um fim em si mesmo, mas também, dos múltiplos olhares inerentes ao processo ensino-aprendizagem.



Avaliação da Aprendizagem na EAD

Na EAD, se faz necessário que o processo educativo seja criteriosamente planejado, uma vez que a mediação pedagógica entre aluno e os conteúdos de aprendizagem acontece não mais mediante a presença do professor, mas por intermédio de diferentes meios e materiais didáticos, além do acompanhamento do sistema de tutoria. Isto requer que o aluno desenvolva as habilidades de auto-aprendizagem, auto-disciplina e auto-avaliação, assumindo a função de gestor de seu processo de aprendizagem e co-responsável pelo processo de avaliação, tornando-se sujeito dos processos.

O sistema de avaliação da aprendizagem adotado no ensino superior não difere do adotado na educação básica, bem como, do adotado na EAD no que se refere à definição de instrumentos. O que diferencia é o nível de exigência de conteúdo e de procedimentos em relação ao nível de maturidade dos alunos.Em cada prática está subjacente uma concepção do processo de ensino-aprendizagem.

Haydt (1991, p.21-30) considera que é a partir da elaboração do plano de ensino, com definição dos objetivos que norteiam o processo de ensino-aprendizagem, é que se estabelece o que e como julgar os resultados da aprendizagem dos alunos.

Na EAD, a separação tempo-espaço da avaliação da aprendizagem é considerada como um processo natural porque já define as condições possíveis que possibilitam obter resultados pertinentes a cada plano de ensino. Dessa forma, a própria avaliação passa a exercer diferentes funções e desempenha diferentes papéis. Neste último, a auto-avaliação é de grande relevância, pois possibilita ao aluno comprovar de imediato se a sua aprendizagem está sendo consistente.

Castillo Arredondo e Diago (2009), Primo (2009) e Garcia Aretio (1994) explicitam que a avaliação assume três modalidades: diagnóstica, formativa e somativa.

a) A avaliação diagnóstica visa verificar o perfil de entrada do aluno no curso. O que ele sabe a partir de conhecimentos anteriores ou experiências;

b) A avaliação formativa é realizada durante o processo ensino-aprendizagem aplicando estratégias que busquem a “correção” (grifo nosso), recuperação dos alunos nas atividades que apresentaram dificuldades.

b) A avaliação somativa, pode ser facilmente utilizada como um instrumento de certificação social, na medida em que permite seriar os alunos de acordo com o seu mérito social, constituindo a função social da avaliação. Embora esta sirva de classificação, poderá e deverá assumir expressão qualitativa e quantitativa, na atribuição de notas ou conceitos.

Segundo Oliveira et al (2007) a avaliação formativa não é alternativa à avaliação somativa, mas complementar, pois permite uma visão de síntese e acrescenta-lhe dados significativos, pois a segunda é mais global e está mais distante do momento em que as aprendizagens aconteceram.

É importante que haja uma integração harmoniosa entre essas três modalidades avaliativas, permitindo a utilização de práticas mais aprimoradas de avaliação. Isto porque são fundamentais para os alunos e para os professores no que diz respeito às facilidades das aprendizagens significativas e a conseqüente incremento da motivação de todos os atores institucionais do processo.

Na EAD, a ênfase é dada à avaliação formativa e à somativa. Mas, na formativa há um problema na EAD já que na modalidade de ofertas em semanas ou em períodos de um a dois meses, o aluno precisa cumprir um cronograma com prazos para a postagem das atividades no AVA levando a um acúmulo de conteúdos tanto para os alunos quanto para os tutores. Neste caso, professor/tutor não consideram o ritmo e os tempos individuais de aprendizagem dos alunos.

Nesse sentido, para a avaliação formativa funcionar a contento, é importante que os professores estabeleçam os critérios a serem estabelecidos para a qualificação de desempenho dos alunos nos instrumentos de coleta que serão utilizados para verificação da aprendizagem. É importante a construção de um plano de tutoria pelo professor-autor para que o tutor possa avaliar as atividades à luz dos critérios mínimos estabelecidos.

Técnicas, instrumentos e critérios na avaliação em EAD

A avaliação da aprendizagem é o acompanhamento do processo de desenvolvimento e transformação dos alunos, inserido no próprio processo de transformação social. Como fazer o registro desse acompanhamento? De que forma os professores-autores responsáveis pelas disciplinas dos cursos da EAD, devem agir na sala de aula para fazer o levantamento do conhecimento adquirido pelo aluno?

Uma boa parte dos professores critica as provas, alegando que elas não medem aprendizagem alguma. Os instrumentos de verificação da aprendizagem são construídos com falhas pelo fato dos professores, em sua maioria, apresentarem dificuldades nas técnicas de construção de questões, agravando mais ainda o processo de avaliação da aprendizagem.

A avaliação da aprendizagem deve ser construtiva e requer do professor uma prática avaliativa mais constante no dia-a-dia de sala de aula, utilizando os instrumentos mais adequados aos objetivos definidos no plano de ensino. Para isso, é preciso que utilize as técnicas e os instrumentos adequadas e necessárias ao próprio processo avaliativo.

O conhecimento das técnicas e instrumentos voltados para EAD, permitirá ao professor desenvolver um processo avaliativo mais criativo, mais consistente permitindo ao mesmo uma análise mais fidedigna do seu trabalho e da aprendizagem do aluno. Professores das diversas áreas do conhecimento criticam as provas devido as possibilidades de erro que sempre existem na sua construção.

Com o crescimento das discussões das correntes progressistas, na década de 80, que para Libâneo (2004) significa a pedagogia que designa as tendências que, partindo de uma análise critica das realidades sociais, sustentam implicitamente as finalidades sociopolíticos da educação, levaram muitos professores ao relaxamento na elaboração dos instrumentos de avaliação.

Técnicas de avaliação são métodos de se obter informações desejadas; o instrumento de avaliação é o recurso usado para esse fim. Vários autores apresentam as técnicas e instrumentos de avaliação dentre eles Mediano (1985), Depresbiteris (2007), Hoffmann (2001) e Castillo Arredondo (2009) e que, cada um difere nas indicações das técnicas e instrumentos.

Enfatizaremos o modelo apresentado por Castillo Arredondo (2009, p. 264) que ao tratar das técnicas e instrumentos de avaliação, conceitua técnica como o “método operativo de caráter geral que põe em jogo diversos procedimentos para obter a informação necessária sobre aprendizagem dos alunos” e instrumento como “ferramenta especifica, um recurso especifico, ou um material estruturado que se aplica executoriamente para recolher os dados de forma sistematizada e objetiva acerca de algum aspecto claramente delimitado”.

O modelo proposto pelo autor apresenta cinco técnicas: observação sistemática; trabalhos de classe; exames escritos; provas objetivas e exames orais. Os instrumentos são variados para cada uma das técnicas mas destacamos os das provas objetivas que se assemelha com o da técnica da testagem discutida por Mediano (1985) no que se refere às provas escritas.

Baseados nos estudos de Mediano (1985) e de Hoffmann (2001) apresentamos três técnicas e instrumentos de avaliação que, de forma geral, estão sendo vivenciadas no cotidiano universitário. São elas:



Técnica da observação: destinada ao registro da aprendizagem dos alunos através do “olhar”. Acompanhar simplesmente o desenvolvimento do aluno sem documentar, não garante, de fato, o conhecimento dos avanços e/ou dificuldades. O relatório de avaliação é o instrumento indicado dessa técnica pois nele deve ficar registrado: avanços do aluno; dificuldades encontradas; propostas de novas estratégias do professor para superação das dificuldades dos alunos. Na EAD, o tutor pode preparar esse instrumento para o acompanhamento das atividades que estão sendo realizadas pelos alunos no AVA, inclusive, fornecendo o feedback da situação de aprendizagem. A escala de observação também é outro instrumento utilizado pelos professores.

Técnica da inquirição: leva ao ato de inquirir, interrogar, perguntar. É mais utilizada para desenvolver trabalhos de pesquisa de campo, nos quais os dados quantitativos serão necessários para a apresentação e interpretação a partir de tabelas e gráficos. O instrumento dessa técnica é o questionário utilizado bastante na pesquisa de campo.

Técnica da testagem: típica dos objetivos da área cognitiva. É a mais utilizada na sala de aula tendo como instrumentos os testes, provas e exercícios escolares tendo como finalidade a verificação da aprendizagem. Na EAD essa técnica está presente até pela própria obrigatoriedade da avaliação presencial, conforme determina o Decreto no. 5.622/05 no seu 1º. parágrafo Item I obrigatoriedade de momentos presenciais para “avaliações de estudantes”.

Na prática educativa é importante que as técnicas e os instrumentos garantam a qualidade de informações que possam reunir o maior número de dados coletados para que o professor possa ter elementos para descrever um diagnóstico do processo de aprendizagem de seus alunos.

Uma boa parte dos instrumentos avaliativos sugeridos na literatura apresenta uma concepção tradicional de educação. Por isso, há grande dificuldade nos professores na escolha desses instrumentos. O importante é que a seleção seja feita de acordo com as especificidades de cada turma a ser avaliada considerando, também, o planejamento de ensino. Também, a avaliação não pode reduzir-se apenas à constatação dos resultados mas proporcionar informações suficientes sobre o aluno para que o professor possa ter elementos de análise de sua prática docente.

Os professores devem ficar atentos e serem cautelosos na escolha da técnica e instrumentos porque “testes e tarefas são instrumentos de avaliação, planejados e elaborados pelos professores para poderem acompanhar a expressão dos sentidos construídos pelos alunos. Como tais, precisam ser coerentes às concepções defendidas, no sentido de favorecerem uma análise qualitativa”. (HOFFMANN, 2001, p.190)


Diferentes técnicas avaliativas podem ser aplicadas desde que haja a devida adequação dos instrumentos às concepções metodológicas bem como aos objetivos de ensino pretendidos em cada módulo disposto no AVA.

Dentre vários modelos de instrumentos destacados, enfatizamos as mais usuais na EAD segundo Castillo Arredondo (2009, p.420): exercícios de auto-avaliação - atividades em que os alunos buscam responder questões do conteúdo estudado e eles mesmos fazem a correção. Na EAD, as atividades do próprio fórum pode ser uma das atividades de auto-avaliação; provas - identificam as dificuldades e propoem novas estratégias para superação das mesmas. Na EAD elas se constituem de questões teóricas, comentários de textos, resolução de problemas práticos, aplicação de princípios gerais, etc., nos quais o aluno elabora suas próprias respostas; projetos ou trabalhos de investigação - envolvem conteúdos de diversas disciplinas trabalhadas no curso e tem um período maior para serem executadas. Através dessa prática intencional, “o homem busca a solução de problemas e desenvolve um processo de construção de conhecimento”.

A manifestação desses instrumentos na EAD pode ser vista no Moodle utilizado pelo curso de Pedagogia da UFAL, que tem em suas ferramentas o fórum e o chat, que permitem a auto-avaliação. Já as provas estão presentes nos momentos presenciais para atendimento do aspecto legal bem como as atividades de seminários e pesquisas em que os alunos desenvolvem projetos de investigação nas diversas disciplinas.

Os pesquisadores que defendem a EAD apostam no uso sistemático da auto-avaliação porque fomenta a autonomia, a formação e a capacidade crítica do aluno, permitindo um autocontrole da aprendizagem na medida em que lhe permite acompanhar o desenvolvimento da sua aprendizagem, comparando o seu estágio atual de reconstrução do conhecimento com o seu estágio anterior. (CASTILLO ARREDONDO, 2009).

A escolha dos instrumentos de avaliação da aprendizagem em EAD feita pelo professor, resulta sempre de suas concepções de educação e de aprendizagem, bem como de suas crenças, ideologia, imaginário e representações sociais.

Em geral, os professores conseguem acompanhar o trabalho dos seus alunos, têm uma idéia de como eles aprendem e chama essa visão genérica de avaliação contínua. Mas essa avaliação deixa a desejar se queremos fazer dela um ponto de partida para novos planos de trabalho. Muitas vezes, alunos que aparecem menos esquecidos, perdem detalhes; a nitidez das observações, muita coisa a memória não retém. Os momentos planejados, especialmente para as pequenas avaliações, garantem mais informações, mais segurança para as observações do professor e maior rendimento dos alunos. Uma avaliação semanal de cada aluno, envolvendo as atividades significativas desenvolvidas em sala de aula, permite um diagnóstico mais preciso da aprendizagem de todos e da própria prática do professor; garante uma atenção mais permanente do professor em relação a cada aluno; ajuda-o a dar seu curso com mais segurança e de forma mais adequada; e leva os seus alunos a participarem e aprenderem muito mais.

Essas recomendações servem muito bem para a modalidade presencial porque é uma excelente forma de ensinar, exercitar e ajudar os alunos a reterem sua aprendizagem. Um sistema de avaliação aplicado em EAD deve ser planejado e organizado de forma que possa desenvolver diversas modalidades de avaliação para serem realizadas em diferentes momentos, utilizando diversas técnicas e instrumentos sempre adequados aos objetivos e aos conteúdos de ensino e aprendizagem. Deve, também, ser contínuo porque é necessário ter várias amostras do seu comportamento durante o curso, para se dar os comentários apropriados de forma que possam ajudá-lo. Mesmo sabendo que o ambiente informacional baseado na apresentação para recepção prevalece nas salas de aula. (SILVA, 2006).

Na EAD, o professor deve entender que precisamos assumir uma postura diferenciada no que diz respeito à avaliação da aprendizagem. Uma das preocupações é com a objetividade e clareza dos critérios e à adequação dos instrumentos porque os professores trazem consigo a prática vivenciada no modelo presencial de educação. É importante a obtenção de informações válidas, objetivas e confiáveis. Isto é possível quando o professor passa a ter um novo olhar da avaliação primando pela qualidade mas provavelmente outros fatores de ordem emocional, por conta da intersubjetividade irá impedi-lo no diálogo permanente com o aluno. O diálogo num AVA pode possibilitar a “criação de um vínculo relacional que incentiva a partiipação dos implicados e a presença de uma avaliação participativa. Quando o grupo está em sintonia colaborativa e se permite o diálogo, se retroalimenta”. (opcit, p.58).

Hoffmann (2006, p. 59) propõe a “perspectiva de ação avaliativa como uma das mediações pela qual se encorajaria a reorganização do saber (...) nos ambientes online, o processo de mediação é articulado com o processo avaliativo”. Essa articulação dá-se pelas ferramentas que estão disponibilizadas no AVA adotados nos curso de EAD. O próprio fórum é uma da ferramenta que propicia o diálogo entre o aluno, o professor-autor e o tutor interligando o conteúdo de ensino e o comportamento observável das respostas e/ou encaminhamentos às questões avaliativas propostas.

Nos discursos dos professores envolvidos na EAD percebemos que eles defendem a construção de várias atividades avaliativas que favoreçam a expressão de ideias e de diferentes estratégias de solução das atividades pelos alunos porque, para Hoffmann (2001, p. 183) “possibilita ao professor investigar hipóteses construídas por eles até aquele momento, ou os processos de raciocínio de que se utilizaram”.

O processo de avaliação aplicado no modelo de EAD propicia práticas de avaliação mediadora defendidas por Hoffmann (opcit) porque as ferramentas disponibilizadas no AVA provocam diálogos dos participantes, potencializando a aprendizagem.

Cada professor precisa reflitir sobre sua prática avaliativa e esteja sempre se questionando quanto à melhor estratégia de verificação da aprendizagem no modelo a distância que permita a definição de instrumentos avaliativos mais apropriados no AVA para a garantia da qualidade da educação.

O Curso de Pedagogia a distancia da UFAL teve início em 29/09/2007, foi autorizado/credenciado pela Portaria nº: 2.687/05 – MEC, publicado pelo DOU em 02/08/2005 e retificada em 12/08/2005, para funcionamento no sistema de Regime Seriado Semestral nos Pólos de EAD nos municípios alagoano de Maceió, Santana do Ipanema, Olho D´Água das Flores e Maragogi. Depois foi criado o pólo de São José da Laje. Entretanto, o curso já existia na modalidade semi-presencial, híbrida, desde 1998 e em 2002 foi credenciada na modalidade a distância. A Licenciatura Plena em Pedagogia da UAB/UFAL habilita os licenciados para exercerem funções de magistério na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental, nas disciplinas pedagógicas dos cursos de Ensino Médio, na modalidade Normal, na Educação Profissional na área de serviços e apoio escolar, bem como para exercerem atividades de organização e gestão de sistemas e instituições de ensino, englobando planejamento, execução, coordenação, acompanhamento e avaliação de tarefas próprias do setor da educação e produção e difusão do conhecimento científico-tecnológico do campo educacional, em contextos educacionais, conforme as Diretrizes Curriculares Nacionais da Pedagogia.

O curso está organizado em módulos, na modalidade a distância, com momentos presenciais no início e término de cada módulo, com avaliação presencial. Cada módulo é planejado pela equipe docente do curso, articulando o programa de ensino em cada eixo curricular e entre estes. São eleitos temas integradores e atividades conjuntas (seminários, visitas, oficinas, trabalhos acadêmicos) com o objetivo de atingir essa articulação com contextualização mais ampla possível em cada unidade e em cada módulo.

Todos os módulos são preparados e inseridos no Moodle (www.ead.ufal.br) criado para a organização dos conteúdos de cada disciplina e para o acesso pelos alunos, tutores e professores bem como para o acompanhamento da Coordenação do Curso. Por meio do Sistema de Acompanhamento do Moodle, o tutor online acessa a plataforma através de sua senha e tem a oportunidade de visualizar as atividades enviadas por cada aluno. Faz a leitura da atividade postada, faz uma análise a partir do plano de tutoria que o professor-autor disponibilizou para conhecer os critérios de correção em cada atividade e atribuir a devida nota/conceito. Dependendo do plano de tutoria o aluno recebe o retorno individualizado sobre o seu desempenho, bem como orientações e trocas de informações complementares relativas a conteúdos abordados, de exercícios desenvolvidos, e principalmente dos que tenham sido respondidos de forma incorreta, propiciando-se novas elaborações e encaminhamentos de reavaliações.

Através da tutoria é possível garantir o processo de interlocução necessário a qualquer projeto educativo. O aluno é acompanhado no Moodle pelo tutor online. Realiza a mediação do processo de ensino-aprendizagem entre aluno, professor e coordenação. O professor-autor é que ministra as aulas e prepara o instrumento de avaliação da aprendizagem para ser aplicado no momento presencial pelos tutores presenciais. O tutor presencial de cada pólo acompanha o desenvolvimento das aulas-atividades, encaminhando as dúvidas dos alunos aos professores e tutores online. Os alunos recebem informações sobre quem é seu tutor online e seu e-mail no inicio do curso para acontecer a devida interação.

No Moodle são inseridos os conteúdos das diversas disciplinas da matriz curricular, à medida em que são ofertadas em cada semestre, possibilitando a interação entre os alunos, tutor, professor, membros da equipe pedagógica e a e instituição, através da Internet. Para acesso a este recurso, o aluno tem à disposição nos pólos, computadores conectados à Internet para o uso do AVA. O professor-autor prepara o material didático que possibilite a um maior número de ferramentas dispostos no Moodle, dentre elas: fóruns, chats, ou em atividades extra-curriculares. No AVA, o professor disponibiliza propostas de atividades para discussão entre os alunos, com a presença ou não do professor-autor ou dos tutores. Na página virtual do curso, o professor de cada módulo também disponibiliza materiais complementares para acesso aos alunos, tais como links para acesso à página na internet ou outros materiais.

A partir da análise das disciplinas que compõem o primeiro semestre do curso em estudo no Moodle utilizado pela UFAL, com acesso autorizado pela coordenação do curso em estudo, constatamos a ausência dos planos de ensino no ambiente. Por sua vez, conseguimos visualizar os objetivos descritos na introdução de cada módulo, seguidos de textos e das atividades avaliativas.

Os fóruns de discussão do Moodle são organizados e mediados pelos professores-autores e tutores tendo em vista a troca de ideias e o aprofundamento de conteúdos que estão sendo estudados pelos alunos ou das atividades que estão sendo por eles desenvolvidas.

O aluno tem um acompanhamento sistemático e contínuo em seu processo de estudo e em suas atividades escolares, feito pelo tutor presencial e online, que anota suas observações em fichas próprias de registro, e pelo coordenador, através das ferramentas de avaliação oferecidas no Moodle. São observados e analisados, entre outros: os métodos de estudo do aluno; o empenho na realização das atividades propostas; o interesse e a iniciativa para a leitura, estudo e a pesquisa; a participação nas atividades presenciais; a participação nos fóruns; a capacidade de questionar, refletir e criticar os conteúdos e abordagens propostas na disciplina; a interlocução com os tutores e colegas de curso; o acompanhamento das discussões e abordagens propostas no material didático. Se necessário, o aluno é aconselhado a reavaliar seu método de estudo. Neste caso, os tutores providenciam aconselhamento e/ou providenciam intervenções para ajudá-lo a superar as dificuldades de aprendizagem identificadas.

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