AvaliaçÃo química e antimicrobiana “in vitro” do extrato etanólico de



Baixar 57.39 Kb.
Encontro20.07.2016
Tamanho57.39 Kb.






AVALIAÇÃO QUÍMICA E ANTIMICROBIANA “IN VITRO” DO EXTRATO ETANÓLICO DE EUGENIA UNIFLORA L.
Luciana de Souza Lorenzoni1, Tércio da Silva de Souza2
Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Espírito Santo, Campus de Alegre / DDE, Rua Principal s/n, Distrito de Rive – CEP: 29.520-000, Alegre – ES,
Instituto Federal do Espírito Santo - Ifes
lucianaloren27@gmail.com1, tssouza@Ifes.edu.br2
Resumo – Este trabalho buscou analisar a composição química do extrato etanólico de Eugênia uniflora L., bem como, determinar a CIM e CBM frente Staphilococcus aureus ATCC 25923, Escherichia coli sp. e Salmonella. Para a determinação da CIM utilizou-se a técnica de difusão em discos de papel-filtro, com 6mm de diâmetro, impregnados com 0,7µL de extratos de Eugênia uniflora L. Em concentrações diferentes e colocados em placas de Petri, antes inoculadas com as respectivas bactérias. O controle positivo estava contido com 0,7µL de amoxicilina na concentração de 50mg/mL e o controle negativo utilizou álcool hidratado (96ºGL). Para verificar a CBM o procedimento utilizado foi de diluições do extrato testado em diferentes concentrações e acrescido de 1 mL do inoculo com as bactérias testadas. Através da análise dos resultados verificou-se que o extrato apresentou em sua composição 2.8±0.5 µg/100g de antocianinas, 31.9±0.8 µg/100g de flavonóides, 412.2±23.8 mg/100g de taninos condensados e 1934.0±7.2 mg/100g de fenólicos totais. Para a CIM a menor concentração que demonstrou inibição foi de 12,5% para as três bactérias testadas, quanto a CBM, 12,5% foi tida como antibacteriano para S. Aureus e E. coli, para Salmonella a menor concentração foi de 25%.
Palavras-chave: Extrato vegetal, Eugênia uniflora L., Antibacteriano, Metabólicos secundários
Abstract - - This study aimed to analyze the chemical composition of the ethanol extract of Eugenia uniflora L., as well as to determine the MIC and MBC against Staphylococcus aureus ATCC 25923, Escherichia coli sp. and Salmonella. For determination of MIC used in disk diffusion method of filter paper with a diameter of 6 mm, impregnated with 0.7µL extracts of Eugenia uniflora L. In various concentrations and placed in petri dishes inoculated with the bacteria prior thereto. The positive contains control up to 0.7µL amoxycillin concentration of 50mg/mL negative control hydrous ethanol used (96°GL). To ascertain the MBC, the procedure dilutions of the extracts was tested at several concentrations and added to 1 mL of the inoculum with the test bacteria. By analyzing the results, it was found that the extract present in the composition 2.8±0.5μg/100g of anthocyanins, flavanoids 31.9±0.8μg/100g, 412.2 ± 23.8 mg /100 g of condensed tannins and 1934.0±7.2 mg/100 g phenolics compounds. For MIC is the lowest concentration which showed inhibition was 12.5% for the three bacteria tested, as CBM, 12.5% was considered to antibacterial S. aureus and E.coli, Salmonella to the lowest concentration was 25%.
Key-words: plant extracts; Eugenia uniflora L; antimicrobial; metabolic secondary

INTRODUÇÃO


A vida útil de muitos antibióticos vem sendo reduzida devido à resistência que algumas cepas estão desenvolvendo, sendo de grande importância quando uma cepa adquiri resistência a mais de um antibiótico [2]. Uma das grandes preocupações da medicina é o desenvolvimento de superbactérias [6]. Dentre estas bactérias encontram-se a S. aureus, E. coli e Salmonella, onde estas se ingeridas através de alimentos contaminados podem acarretar sérios prejuízos a saúde [24].

A S. aureus são cocos Gram positivos, encontradas principalmente nos seres humanos e em animais de sangue quente, onde doença transmitida por esta bactéria é uma intoxicação[26].

A E. coli é uma bactéria Gram negativa, sendo que no Brasil a incidência não é conhecida, mas segundo os dados da Organização Nacional de Saúde, há vários anos tem sido a causa mais comum de insuficiência renal em crianças na Argentina e a taxa de mortalidade encontra-se na faixa de 7% [28].

A Salmonella é definida como bastonetes Gram negativos não esporogênicos, sendo responsável de acordo com Eduardo et al (2003), entre 1999 e 2003 por notificações de 1.024 surtos de diarreia ao centro de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo (CVE). Nos Estados Unidos, a cada ano são reportados aproximadamente 40.000 casos de salmonelose [8]. Os fitoterápicos podem ser uma alternativa na produção de antimicrobianos, uma vez que a maioria dos antibióticos usados na clínica é produzida por bactérias do gênero Streptomyces e por alguns fungos dos gêneros Penicillium e Cephalosporium”[2]. Além disso, o desenvolvimento de pesquisas no sentido de descobrir novos princípios ativos (PA) é essencial na batalha contra a resistência bacteriana. Atualmente pesquisadores tem direcionado suas atenções a flora brasileira [5], onde inserido nesta encontra-se a Eugênia uniflora, conhecida popularmente como pitangueira. Esta planta vem sendo inserida na medicina popular há muito tempo através dos índios e encontra-se em posição de destaque pelo seu uso em fármaco anti-hipertensivo, diurético [5], adstringente [4], antipirético e para o tratamento de desordens digestivas [1]. Na Ilha da madeira, esta planta é utilizada no combate de bronquites, gripes e problemas intestinais e na Nigéria como um febrífugo [8]. Tais potencialidades ocorrem a partir de substâncias produzidas pela planta conhecidas por metabólicos secundários, onde estes são afetados pelo meio externo e interno do vegetal. Graças à atividade destes metabólicos secundários, os vegetais superiores são capazes de produzir substâncias antibióticas utilizadas como mecanismo de defesa contra predação por micro-organismos, insetos e herbívoros [17]. Alguns pesquisadores preferem dar a essas substâncias inibidoras, de origem vegetal, a denominação de fintocidas ou de substâncias semelhantes a antibióticos "Antibiotic Like-Substances" [14]. O autor Panizza (1998), registrou nas folhas de E. uniflora, além de taninos e flavonóides, a presença de saponinas, sais minerais e um pouco de vitamina C. As saponinas são componentes importantes para ação de muitas drogas vegetais, os flavonóides por sua vez, são utilizadas para o tratamento de anti-inflamatórios e antimicrobianos [13]. Os compostos fenólicos correspondem a um grupo formado por moléculas muito distintas entre si que estão divididas, em função da estrutura química, em duas classes, flavonóides e não-flavonóides, e estas duas classes dividem-se em várias subclasses em função do padrão de substituição e das estruturas químicas.

A classe dos não flavonóides não apresenta uma estrutura básica em comum e, portanto, é uma classe muito heterogênea, conforme ilustra a Figura 1 (CHEYNIER, 2005).

Figura 1. Exemplos de estruturas dos compostos da classe dos não flavonoides.


Os flavonóides caracterizam-se por apresentar uma estrutura comum composta por dois anéis aromáticos ligados por três carbonos e um átomo de oxigênio formando um heterociclo oxigenado denominado núcleo flavano (Figura 2). O grau de oxidação e o padrão de substituição do anel C, heterociclo, definem as classes de flavonóides e dentro destas o padrão de substituição nos anéis A e B determinam os compostos específicos [31].

Figura 2. Principais classes de compostos flavonoides.

Estes metabólitos estão presentes nas plantas e são sintetizados em resposta a condições de estresse. Podem agir como fitoalexinas, como atrativo para polinização, por contribuírem para a pigmentação do vegetal, como antioxidantes e, similarmente ao sistema imunológico humano, protegendo a planta de raios ultravioleta e de patógenos, dentre outros. Nos alimentos são os principais compostos responsáveis pelas características sensoriais tais como adstringência, amargor e aroma, além da estabilidade oxidativa dos produtos derivados de vegetais. No entanto, vários estudos recentes têm demonstrado seus efeitos plurifarmacológicos (bactericida, antiviral, antialérgico, antitrombótico, antiinflamatório, anticarcinogênico, hepatoprotetor, vasodilatador), despertando grande interesse principalmente por sua alta prevalência nas dietas já que são compostos onipresentes nos vegetais [29 e 30].

Os teores e o perfil dos compostos fenólicos em plantas variam em função da espécie, variedade, estresse ambiental a que foi submetida a planta, estágios de crescimento e maturação, além da metodologia analítica empregada na determinação dos mesmos.



Este trabalho buscou analisar a composição química do extrato etanólico de Eugênia uniflora L. bem como a determinação da CIM E CBM frente Staphilococcus aureus ATCC 25923, Escherichia coli sp. e Salmonella. Para a determinação da CIM utilizou-se a técnica de difusão em discos de papel filtro, com 6mm de diâmetro, impregnados com 0,7µL de extratos de Eugênia uniflora L.

METODOLOGIA



Coleta do material botânico: A coleta das folhas de Eugênia uniflora L. foi realizada durante o mês de agosto do ano de 2012, na área do IFES – Campus de Alegre, cidade de Alegre, ES. O material botânico foi seco a temperatura ambiente durante sete dias. Foram coletados também, três espécimes, como material testemunha para a identificação botânica [11]. A identificação botânica foi feita tomando-se como referência a descrição da literatura botânica [3,20] e dados coletados na internet em saits apropriados e consultas a especialistas. O material herborizado foi depositado em acervo do Herbário Central da UFES - Subcuradoria Alegre/Jerônimo Monteiro, ES, sob a seguinte numeração: Eugênia uniflora registro nº 21907.
Preparação do extrato: Os extratos brutos foram obtidos a partir dos materiais triturados por percolação a frio, utilizando como solvente etanol hidratado (96ºGL), onde permaneceram em repouso, sob o abrido da luz, por quatro dias. As amostras foram filtradas em papel-filtro e concentradas em rotoevaporador [6] a 60º C e 40 rpm até a redução de 1/4 do volume do solvente. Paralelamente à extração, foi determinado o peso seco das amostras de planta seca, resultando em 3g/mL de álcool. Em seguida, o extrato foi diluído com etanol e dividido em quatro frascos com as seguintes concentrações: 12,5% (v/v); 25%(v/v); 50%(v/v); 50%(v/v) e 100% de extrato.
Determinação dos diferentes grupos de metabólicos secundários: para determinar o teor de antocianinas e flavonóis totais utilizou-se o procedimento proposto por Lees e Francis (1972). Para o teor das proantocianidinas foi adotado o procedimento proposto por Tiitto-Julkunem (1985). O teor de compostos fenólicos totais foi feito segundo Wettasinghe e Shahidi (1999).
Testes de Concentração Inibitória Mínima (CIM): Para o teste antimicrobiano, utilizou-se da cepa padronizada Staphilococcus aureus ATCC 25923, Escherichia coli sp. e Salmonella, onde estas foram isoladas segundo Silva et al (2010) a partir de amostras de água coletadas em uma lagoa contaminada com dejetos suínos. As bactérias foram reativadas em meio TSB (Triptic Soy Broth) e cultivada até atingir à concentração de 108 UFC/mL. Este número de células por mL foi quantificado utilizando-se uma curva padrão, sendo o crescimento monitorado por espectrometria a 600nm e feita contagem em placas. A metodologia empregada para a determinação da atividade antibacteriana do extratos bruto etanólico e da concentração mínima inibitória (CMI) foi a de difusão em disco (NATIONAL COMMITTEE FOR CLINICAL LABORATORY STANDARDS - NCCLS, 2000), na qual meio Ágar Padrão de Contagem (PCA) foi inoculado com 108 UFC/mL, e depositado em placas de Petri estéreis com diâmetro de 140mm. Após a inoculação, discos de papel filtro estéreis, com 6mm de diâmetro, foram posicionados sobre o meio. Com o auxilio de uma micropipeta 7μl dos extratos bruto etanólicos de Eugênia uniflora L. nas concentrações (100; 50; 25; 12,5% v/v) foram depositados sobre os discos de papel. Em seguida, as placas foram incubadas a 37ºC/24 horas. Posteriormente, com o auxílio de paquímetro, foi aferido o diâmetro (mm) dos halos inibitórios formados e determinada a concentração mínima inibitória (CMI). A menor concentração em que se formou este halo de inibição foi definida como a CMI. O teste de controle negativo foi realizado com disco contendo 7µL etanol hidratado 96ºGL e o teste controle positivo com o disco contendo 7µL do antibiótico amoxilina na concentração de 50mg/mL. Os testes foram realisados em triplicatas por bacteria, e os resultados expressos em mm pela estatística descritiva do diâmetro dos halos de inibição formado ao redor dos discos nas três repetições, sendo possivel identificar a sensibilidade de Stafilococcus aureus ATCC 25923, Escherichia coli sp e Salmonella frente ao extrato testado.
Testes de Concentração bacteriana Mínima (CBM): Em seis tubos de ensaios esterilizados, de 13 x 100 mm foram preparados volumetricamente 1 mL das diluições de 1 até 1/32 de extrato em Água Peptonada Tamponada (BPW) [25, 14]. As colônias de Staphilococcus aureus ATCC 25923, Escherichia coli sp. e Salmonella, que estavam sendo mantidas sob refrigeração, foram reativadas em meio TSB (Triptic Soy Broth) e cultivada até atingir à concentração de 108 UFC/mL. Este número de células por mL foi quantificado utilizando-se uma curva padrão, sendo o crescimento monitorado por espectrometria a 600nm e feita contagem em placas. Acrescentou-se 1 mL do inoculo bacteriano a cada tubo contendo 9 mL de extrato na série de diluições (e a um tubo de controle negativo contendo apenas Água Peptonada Tamponada (BPW)) até 15 minutos após o ajuste do inóculo, hogenizando a seguir. Isso resultou numa diluição de 1/9 do inoculo de cada bactéria testada e 8/9 de cada concentração de extrato, ficando as séries de diluições com 1/1, 1/2, 1/4, 1/8, 1/16, 1/32. O experimento foi controlado por uma sequência de diluições com o extrato vegetal e meio de cultura em Água Peptona estéril e o controle negativo somente com Água Peptona inoculada e feita, a partir desta, 2 diluições seriadas. A CBM é a redução de 99,9% do crescimento bacteriano. No nosso estudo, valores menores ou iguais a três colônias, representam 99,9% de morte bacteriana [14]. Todos os tubos, após 24 horas de incubação, tiveram uma alíquota de 100 µL plaqueados em ágar Padrão de Contagem (PCA) e permaneceram por 24 horas em estufa a 37ºC para a determinação da CBM. Os tubos controles também foram plaqueados desta forma. O menor plaqueamento que demonstrou um valor igual ou inferior a 3 colônias representa 99,9% de redução e, portanto, é a CBM do agente testado.

Critérios de avaliação: considerou-se como antibacteriano o extrato que frente as bactérias testadas apresentou halos de inibição de no mínimo 7 mm, com CBM suficiente para eliminar pelo menos 99,84% (5 UFC) das bactérias testadas nos experimentos. Para a análise dos resultados utilizou-se da estatística descritiva.

RESULTADOS


Os resultados obtidos para a determinação dos teores de compostos fenólicos presentes no o extrato etanólico bruto de Eugênia uniflora L. estão apresentados na Tabela 1.

A atividade antibacteriana frente Staphilococcus aureus ATCC 25923, Escherichia coli sp. e Salmonella foi positiva para as concentrações testadas. A menor concentração que demonstrou resistência frente aos microrganismos testados foi de 12,5%, tanto para a CIM (tabela 1) quanto CBM (tabela 2). Para o controle negativo com etanol, as placas apresentaram halos vestigiais de inibição, ou seja, halos com presença de colônias. A análise dos resultados foi verificada em tabela abaixo.


Tabela 1- Média do diâmetro dos halos de inibição em mm do extrato bruto de Eugênia uniflora L.


Concentrações e Controles

% (v/v)




Bacterias

S. aureus

Salmonella

E. coli sp.

12,5

12,33

10,83

10,66

25,0

11,16

13,33

08,00

50,0

13,00

11,00

13,33

100,0

12,00

12,33

11,66

Amoxilina

40,00

16,33

33,66

Etanol

03,00*

09,00*

07,00*

* = halos vestigiais.
Quanto às concentrações para a determinação da CBM, a menor concentração que inibiu o crescimento em placas contidas com S. aureus ATCC25923 é de 25% correspondente a diluição de ¼. Para E. coli sp. 12,5% que corresponde a diluição de 1/8 foi a menor concentração tida como antibacteriana, as placas contendo 50% apresentou 21,4% de inibição bacteriana. Para Salmonela a menor concentração que demonstrou inibição do desenvolvimento de colônias em placas foi de 25% correspondente a diluição de ¼, as placas contidas com a concentração de 12,5% apresentou inibição de apenas 2,17% da bactéria (placa com 138 UFC). O controle negativo apresentou grande crescimento bacteriano.
Tabela 2- Número de colônias em placas de acordo com as respectivas diluições do extrato de Eugênia uniflora L.


Concentrações e Controle

% (v/v)




Número de colônias em placas

S. aureus

Salmonella

E. coli sp.

03,12

-

-

-

06,25

-

-

14

12,50

0

138

0

25,00

0

0

0

50,00

0

0

0

100,0

0

0

0

Controle

-

-

-

- = número incontável de colônias.


DISCUSSÃO E CONCLUSÕES

O extrato de Eugênia uniflora L. utilizado neste estudo apresentaram resultados positivos frente S. aureus ATCC 25923, E. coli sp. e Salmonella, o autor Almeida Alves et al (2000) descreve em seu trabalho que esta planta é citado na literatura como tendo atividade antibacteriana frente Bacillus cereus, Escherichia coli, Streptococcus e resistência a Pseudomonas aeruginosa. Igualmente Gonsalves (2005) afirmou que esta planta, E. uniflora, apresenta um alto potencial nos extratos hidro-alcoólicos quando testados como inibidor de microrganismos isolados a partir de inóculos obtidos de focos de infecções clínicas. Igualmente, Castro (2010), identificou a atividade antimicrobiana do extrato hidroalcoólico das folhas de pitangueira frente bacterias responsáveis pela produção das cáries dentárias nomeadas como Lactobacillus casei, neste teste a bacteria mostrou-se sensível, onde formou-se halos de inibição de 10mm.

Fadey (1989) verificou a atividade contra algumas leveduras, bem como, atividade antibacteriana dessa planta contra alguns germes patogênicos, a atividade moderada tanto para S. aureus quanto para E. Coli[18]. A partir de uma avaliação realisada com 13 plantas utilisadas na medicina popular para o tratamento de doênças infecciosas [23], a Eugênia uniflora L. destacou-se pela sua ação antimicrobiana contra algumas cepas de bactérias. Em um estudo preliminar foi avaliado o extrato de pitanga e foi verificado que possui a mesma eficácia que um dentifrício comercial nos índices de saúde bucal[19]. Discordando com o presente estudo, Paroul (2006), vericou em seu estudo que a aplicação do extrato proveniente de Eugênia iniflora L. não apresenta eficácia sobre bactérias Gram-negativas, sendo assim determinou a atividade antimicrobiana desta planta como baixa quando comparada a outros óleos, principalmente em relação ao espectro de ação.

De acordo com Já [14] os extratos das folhas de pitanga atuam nos micro-organismos como reguladores do metabolismo intermediário, ativando ou bloqueando reações enzimáticas seja agindo no núcleo do micro-organismo ou no ribossomo, ou mesmo alterando estruturas presentes na membrana, sendo difícil determinar o mecanismo exato de ação, para a obtenção do efeito antibacteriano, de cada composto fenólico sobre as várias bactérias [5].

Conclui-se que o extrato apresentou em sua composição 2.8±0.5 µg/100g de antocianinas, 31.9±0.8 µg/100g de flavonóides, 412.2±23.8 mg/100g de taninos condensados e 1934.0±7.2 mg/100g de fenólicos totais. Para a CIM a menor concentração que demonstrou inibição foi de 12,5% para as três bactérias testadas, quanto a CBM, 12,5% foi tida como antibacteriano para S. Aureus e E. coli, para Salmonella a menor concentração foi de 25%.

AGRADECIMENTOS

PIBIC/IFES



REFERÊNCIAS

[1] ALICE, C. B. et al. Screening of plants used in south Brazilian folk medicine. Journal of Ethnopharmacology. v.35, p.165–171, 1991.


[2] Alterthum F. Mecanismos de resistencia bacteriana in Trabulsi LR, Alterthum F (Editores). Microbiologia – 4a ed. Ed. Atheneu, 2005.
[3] ARANHA C, BACCHI O, LEITAO-FILHO H DE F. Plantas Invasoras de Culturas. HCITEC: Min Agr Agiplan, 1972; (2), p. 299-335, .
[4] BANDONI, A. L. et al. Survey of Argentine medicinal plants. I. Folklore and phytochemical screening. Lloydia. v.35, p. 69–80, 1972.
[5] BURT, S. Essential oils: their antibacterial properties and potential applications in foods. International Journal of Food Microbiology, Amsterdam, v. 94, n. 3, p. 223-253, May 2004
[6] CARVALHO, J. L. S. Contribuição ao estudo fitoquímico e analítico de Nasturtium offi cinale R. BR., Brassicaceae. Curitiba. Dissertação de Mestrado em Ciências Farmacêuticas - Setor de Ciências da Saúde, Universidade Federal do Paraná, 2001.
[7] CDC (Center for Disease Control and Prevention). Salmonellosis. National Center for Infectiouns Diseases/Division of Bacterial and Mycitic Diseases, October 13, 2005.
[8] CONSOLINI, A. E.; SARUBBIO, M. G. Pharmacological effects of Eugenia uniflora (Myrtaceae) aqueous crude extract on rat’ heart. Journal of Ethnopharmacology. v. 81, p. 57-63, 2002.
[9] DUCATI RG, BASSO LA, SANTOS DS in Trabulsi LR, Alterthum F (Org.) – 4a ed. Ed. Atheneu, 2004, p. 409-421.
[10] EDUARDO, M. B. P., KATSUYA, E. M., BASSIT, N. P. & MELLO, M. L. R., Salmonella Enteritidis-uma importante causa de surtos bacterianos veiculados por alimentos e a necessidade de uma nova regulamentação sanitária para os alimentos implicados, São Paulo, Brasil, 1999-2003. In: Boletim Epidemiológico Paulista (BEPA), agosto 2004.
[11] FALKENBERG M DE B, SANTOS RI DOS, SIMOES CMO. Introdução a Análise Fitoquimica. In: Simoes CMO et al. (org.). Farmacognosia: da planta ao medicamento. Ed. UFRG/UFSC, 2003, p. 228.

[12] FADEY, M.O.; AKPAN, U.E. Antibacterial activities of the leaf extracts of Eugenia uniflora Linn. (synonym, Stenocalyx michelii Linn.), Myrtaceae. Phytotherapy Research, v.3, n.4, p.154-5, 1989.


[13] FIUZA T. S., REZENDE M. H., SABÓIA-MORAIS S M. T., BARA M. T. F.,. TRESVENZOL L. M. F., PAULA J. R. Caracterização farmacognóstica das folhas de Eugenia uniflora l. (myrtaceae). in: Pharmacognostic characterization of the leaves of Eugenia uniflora L. (Myrtaceae), 2008.
[14] GARCIA, C. S.; MÍMICA, L. M. J.; UEDA, S. M. I.; Ação antibecteriana in vitro de extratos hidroetanólicos de plantas sobre Stafilococcus aureus MRSA E MSSA. in: Dissertação de mestrado. Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. São Paulo, 2010.

[15] GEISSMAN , T.A. Flavonoid compounds, tannins, lignins, and related compounds. New York: Elsevier, 1963. 265p.


[16] GONÇALVES, A.L., ALVES FILHO A., MENEZES H.; Estudo comparativo da atividade antimicrobiana de extratos de algumas árvores nativas. in: arq. inst. biol., são paulo, v.72, n.3, p.353-358, jul./set., 2005.
[17] GOTLIEB, O. New and underutilized plants in the Americas: solution to problems of inventory through systematics. Interciência, v.6, n.1, p.22-29, 1981.

[18] HOLETZ, F.B. et al. Screening of some plants used in the Brazilian folk medicine for the tratment of infectious diseases. Memórias do Instituto Oswaldo Cruz, v.97, n.7, p.1027-31, 2002.


[19] JOVITO, V.C.; ALMEIDA, L.F.D; FERREIRA, D.A.H.; MOURA, D.; PAULO, M.Q.; PADILHA, W.W.N. Avaliação in vivo de Dentifrício contendo extrato da Eugenia uniflora L. (Pitanga) sobre indicadores da saúde bucal. Pesq. Bras. Odondoped. Clin. Integr, João Pessoa, 9(1): 81-86, jan/abr 2009.

[20] LORENZI, H.; MATOS, F. J. A.; Plantas medicinais no Brasil: nativas e exóticas. In: Inst Plantarum, 2002. 512p passim.

[21] LEES, D. H.; FRANCIS, F. J. Standardization of pigment analyses in cranberries. HortScience, v.7, p. 83-84, 1972.

[22] PAROUL N., MOSSI A., CANSIAN R. L., Emmerich D., MALVESTI A. L., Boschetto A. L., RIGO J. Avaliação química e antimicrobiana do óleo essencial de Pitanga (Eugenia uniflora L.). in: Sociedade Brasileira de Química ( SBQ) 30a Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Química, 2006.


[23] PESSINI, G.L.; HOLETEZ, F.B., SANCHES, N.R.; CORTEZ, D.A.G; DIAS-FILHO, B.P.; NAKAMURA, C.V. Avaliação da atividade antibacteriana e antifúngica de extratos de plantas utilizados na medicina popular. Rev Bras Farmacogn 13(Supl. 1): 21-24, 2003.
[24] SILVA, N.; JUNQUEIRA, V. C. A.; SILVEIRA, N. F. A.; TANIWAKI, M. H.; SANTOS, R. F. S.; Manual de métodos de análise microbiológica de alimentos e água. Varela, 4º edição, p.256, 2010.

[25] SOUZA, C. A. S.; AVANCINI, C. A. M.; WIEST, J. M. Atividade antimicrobiana de Tagetes minuta L. - Compositae (Chinchilho) frente a bactérias Gram-positivas e Gram-negativas.in: Scielo, 2010.

[26] TIITTO-JULKUNEM, R. Phenolic constituents in the leaves of Northem Willows: methods for the analysis of certain phenolics. Journal of Agricultural of Food Chemistry, v.33, p.213-217, 1985.

[27] WETTASINGHE, M., SHAHIDI, F. Evening Primrose Meal: A Source of Natural Antioxidants and Scavenger of Hydrogen Peroxide and Oxygen-Derived Free Radicals. J. Agric. Food Chem, v. 47, p. 1801-1812, 1999.


[28] WHO (WORLD HEALTH ORGANIZATION), 2005. Drung-resistant Salmonella. Fact Sheet Nº 139, Revised April 2005.

[29] CHEYNIER, V. Polyphenols in foods are more complex than often thought. Am. J. Clin. Nutr., v. 81, 0. 223S-229S, 2005.


[30] SOOBRATTEE, M. A.; NEERGHEEN, V. S.; LUXIMON-RAMMA, A. e ARUOMA, O. I., BAHORUN, T. Phenolics as potencial antioxidant therapeutic agents: Mechanism and actions. Mutation Resarch, v. 579, p. 200-213, 2005.
[31] RHODES, M. J. C. Physiologically-active compounds in plant foods: an overview. Proceedings of the Nutrition Society, v. 55, p. 371-397, 1996.





Compartilhe com seus amigos:


©principo.org 2019
enviar mensagem

    Página principal