Avaliar numa perspectiva formativa: o que pensam e o que fazem os professores do ano II do ensino fundamental? Autora



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AVALIAR NUMA PERSPECTIVA FORMATIVA: o que pensam e o que fazem os professores do ano II do ensino fundamental?


Autora: SIMONE LINDOLFO DA SILVA

Introdução

O presente trabalho objetiva compreender qual a concepção de avaliação formativa desenvolvida pelos professores do ano II do 1º Ciclo do ensino fundamental. O interesse por essa temática surgiu a partir de experiências vividas na Rede Municipal de Ensino de Jaboatão dos Guararapes, nas quais conhecemos relatos de professores sobre a dificuldade em desenvolver uma prática avaliativa numa perspectiva formativa.

Para discutir essa temática elencamos alguns autores que abordam o assunto. Dentre eles: Scriven e Bloom (1967), que discutem sobre as modalidades de avaliação formativa e somativa; Perrenoud (1999), que enfoca os obstáculos da regulação das aprendizagens na perspectiva da avaliação formativa; Zabala (1998), que irá trabalhar a prática avaliativa; entre outros.

Nesse sentido, a pesquisa tem como objetivo geral apreender a compreensão dos docentes sobre o processo avaliativo das aprendizagens, tendo especificamente o interesse em identificar o significado da avaliação formativa para os docentes, no contexto próprio do Ensino Fundamental. Como objetivos específicos buscamos compreender as informações e o tratamento utilizado pelos registros na proposta avaliativa; e entender a percepção dos professores sobre a importância do ato avaliativo para prática pedagógica.

Tendo em vista esse cenário, sentimos a necessidade de se ampliar e debater sobre o tema da avaliação promovendo assim uma reflexão no meio acadêmico, bem como, na contribuição das práticas pedagógicas dos docentes que estão em sala de aula.
Referencial Teórico

Ao tratarmos da prática avaliativa na escola, é importante analisarmos quais são as concepções de avaliação que caracterizam tais práticas. Os estudos no campo do ensino sobre avaliação da aprendizagem nos mostram que, durante muito tempo, predominou a concepção de avaliação enquanto sistema classificatório e excludente. Zabala (1998). No entanto, novos paradigmas apontam uma mudança no processo avaliativo, uma concepção de avaliar, em que o educador tem a oportunidade de ver-se como um indivíduo que também passa por processos de aprendizagem, assim como seus alunos. Afinal, de acordo com Arroyo apud Silva (2004) “não nascemos humanos, nos fazemos e aprendemos a ser a partir dos processos de aprendizagem ao longo da vida”. (p.31).

Na perspectiva de Bloom e de seus colaboradores, a avaliação formativa tem o sentido de indicar “como os alunos estão se modificando em direção aos objetivos desejados” (p.72). Já para Zabala (1998), a avaliação tem como finalidade a formação integral das pessoas e para isso requer mudanças no currículo de forma a ressignificar o sentido da avaliação, enquanto, Casanova Rodrígues (2002), entende a avaliação formativa como uma etapa processual que permite tomada de decisões durante toda a trajetória do ensino e de construção das aprendizagens.

Nesse processo, um dos seus objetivos centrais é o fornecimento de feedback que consiste na comunicação, ou na informação, a respeito do desempenho do ensino e das aprendizagens tanto para os professores quanto para os alunos. Para Perrenoud (1999), a avaliação formativa permite que no processo de desenvolvimento do ensino e de construção das aprendizagens haja ajustes e regulações para ter êxito na sua efetivação.

Portanto, acreditamos que práticas escolares de avaliação numa concepção formativa como proposta avaliativa que norteia o Ensino Fundamental visa o desenvolvimento do aluno nos aspectos social, cognitivo e afetivo, ou seja, no seu aspecto integralizador em sua formação.

Metodologia

A pesquisa foi realizada em uma escola da Rede Municipal de Ensino de Jaboatão, situada no 1º Distrito, escolhemos essa escola pelo fato de a mesma ter um alto índice de reprovação em turmas do ano II (antiga 1ª série), dados do senso escolar de 2008, fornecidos pelo Dept. de Ensino Fundamental da Secretaria de Educação do mesmo município. As professoras investigadas serão aqui chamadas de Professora A e Professora B.

Norteadas pelos objetivos da pesquisa já mencionado anteriormente no item 1, utilizamos dois procedimentos de coleta de dados: entrevistas semi-estruturadas e questionários. Analisamos a concepção e as práticas avaliativas numa perspectiva qualitativa (ALVES-MAZZOTTI & GEWANDSZNAJDER, 1998; LÜDKE & ANDRÉ, 1986). Em termos de critérios de análise utilizou-se o processo de categorização que implica em agrupar o material coletado, distribuindo-o em categorias, conforme a proximidade e/ou homogeneidade dos significados das idéias.

Resultados e Discussão

Todos os depoimentos, após uma leitura cuidadosa, foram organizados em categorias temáticas, e realizada uma análise dos conteúdos indicadas por Bardin (2002). Vejamos abaixo alguns fragmentos da entrevista:



  • Que você entende por avaliação formativa?

PROF.ª A: Turma B – “Para mim, é uma avaliação que se preocupa em como esse aluno aprende, de que forma, o que ele já sabe sobre o assunto... Né?! Na verdade ela estar preocupada como o processo de construção do conhecimento desse aluno.”.

PROF.ª B: Turma C – “Para mim essas novidades, esses modismo não muda em nada minha prática, sempre fiz minhas avaliações assim, realizando provas e atribuindo notas. Porque quando vamos ver na prática isso não muda muita coisa não.”.


Observa-se na fala da professora A uma preocupação em como seu aluno aprende e o respeito a sua individualidade. A esse respeito refere-se Silva (2004) em relação ao princípio da Educabilidade que consiste na certeza de que todos os alunos aprendem o que irá diferenciar são os ritmos de aquisição de cada aprendente.

Enquanto que na fala da pofessora B uma forte resistência quanto esta nova concepção de avaliar a aprendizagem. Uma vez que, o procedimento tradicional ainda é muito marcante na sua prática. Assim Luckesi (2000) e Haydt (1995) dizem que a avaliação só tem sentido quando for instrumento auxiliar da aprendizagem e não um instrumento de aprovação ou reprovação dos alunos.



  • De que forma, você sistematiza a avaliação dos alunos?

PROF.ª A: Turma B – “Sempre realizo avaliação sistematicamente, no dia-a-dia deles. Na participação, na oralidade, atividades em grupo, sempre aplico uma diagnose no final de cada bimestre, para ver o nível de aprendizagem deles e também onde devo melhorar”.

PROF.ª B: Turma C – “Elaboro sempre atividades de sondagem mais individualmente, através, de produção de texto, de leituras orais, testes de cada assunto novo que ensino. Às vezes, realizo atividades em dupla, mas prefiro mesmo, avaliar o aluno no que ele produz individualmente”.

Quanto à sistematização da avaliação, observamos na fala da professora A, que a mesma, utiliza-se de vários métodos avaliativos que por sua vez, favorecem melhor conhecer as etapas de evolução de seus alunos. Já a professora B, percebemos uma prática avaliativa mais centralizada individualmente, mais fechada. Declara Vasconcellos (1994) incluir instrumentos e procedimentos diversificados no processo de ensino aprendizagem permite ao professor acompanhar a construção do conhecimento pelo educando.



  • Que finalidade você trata os registros da avaliação?

PROF.ª B: Turma C – “A nota que dou aos meus alunos sempre anoto em meu diário de classe, lá também, anoto os pareceres descritivos. Sempre coloca no diário, até porque, os pais sempre cobram da gente esses registros”.

Percebemos neste fragmento, que a professora B, não utiliza os registros com uma finalidade significativa, apenas prescritiva. Portanto, não há uma compreensão da história evolutiva do conhecimento do aluno.

Considerações

Considerando a pesquisa teórica realizada, como também, a análise dos dados coletados na pesquisa de campo, buscou-se compreender a concepção dos docentes que ensinam no ano II sobre avaliação numa perspectiva formativa e como vêem sendo refletido na prática pedagógica. Dessa forma, percebemos nas falas, da maioria, das professoras investigadas que a avaliação formativa se torna instrumento extremamente útil para o norteamento do trabalho docente, sendo, utilizada como parte integrante do processo educativo e não apenas com a finalidade de mensurar.

Entretanto, tradicionalmente privilegia-se uma avaliação quantitativa e classificatória (aluno nota); mas aos poucos estão sendo introduzidos nos sistemas de ensino novos paradigmas de avaliação de características mais formativa, em que sobressaiam aspectos qualitativos da aprendizagem.

Portanto, conclui-se que a avaliação formativa deve ocorrer durante o processo de ensino e aprendizagem nas relações dinâmicas da sala de aula que orientam as tomadas de decisões e o tratamento do conteúdo. Nesse sentido, é de extrema importância que paremos para refletir nas questões educacionais e especificamente na ideologia que está por trás de um determinado processo avaliativo no intuito de se lutar contra práticas que inibam o crescimento do aluno.


Referências


ALVES-MAZZOTTI, A. J. & GEWANDSZNAJDER, F. (Org.). O método nas ciências naturais e sociais: pesquisa quantitativa e qualitativa. São Paulo, Pioneira, 1998.

BARDIN, Laurence. Análise de conteúdo. Tradução Luís Antero Reto e Augusto Pinheiro. Lisboa: Edições 70, 2002.

BLOOM, Benjamin S. et alii. Handbook on formative and Summative Evoluation of Student Learning. New York, McGraw – Hill Company, 1971.

CASANOVA RODRÍGUEZ. Maria Antonia. Avaliação no Sistema Educativo. In IV Congresso de estratégias de intervenção na educação primária e secundária. Salamanca: INICO, 2002, p. 13-16.

HAYDT, Regina Cazaus. Avaliação do processo ensino-aprendizagem. São Paulo: Ática, 1995.

LUCKESI, C. C. Avaliação da Aprendizagem Escolar: estudos e proposições. 10 ed. São Paulo: Cortez, 2000.

LÜDKE, M..; ANDRE, M. E.D.A. Pesquisa em Educação: abordagens qualitativas. São Paulo: E.P.U., 1986.

PERRENOUD, Philippe. Avaliação. Da excelência à regulação das aprendizagens: entre duas lógicas. Porto Alegre: Artmed, 1999.

SILVA, Janssen Felipe da. Avaliação na perspectiva formativa-reguladora: pressupostos teóricos e práticos.Porto Alegre: Mediação, 2004.

SCRIVEN, M. The Metodology of Evaluation. In: Stake, R. (dir.) Perspectives of curriculum evaluation, Chicago, Rabd McNally, 1967.

VASCONCELLOS, Celso dos S. Avaliação: concepção Dialética libertadora do processo de avaliação escolar. 4a ed. São Paulo. Libertad, 1994.

ZABALA, ANTONI. A avaliação. In: ___. A prática educativa: como ensinar. Porto Alegre: Artmed, 1998.




III ENCONTRO DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO DA FACULDADE SENAC PE 18 e 19 de novembro de 2009




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