Avanços e desafios do atendimento a criança pequena no brasil nos últimos 100 anos daniela Pinheiro dos Santos; Ivanir Gomes da Silva 1 Uma caminhada pela história da Educação das Crianças pequenas



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AVANÇOS E DESAFIOS DO ATENDIMENTO A CRIANÇA PEQUENA NO BRASIL NOS ÚLTIMOS 100 ANOS

Daniela Pinheiro dos Santos; Ivanir Gomes da Silva 1
Uma caminhada pela história da Educação das Crianças pequenas

A Educação Infantil, hoje é compreendida como a primeira etapa da educação básica, e nela se estabelece a base para a compreensão da educação da criança. Está na Lei de Diretrizes e Bases para Educação Nacional (LDBEN, Lei n° 9394/1996) no art. 29° e 62° respectivamente: 

A Educação Infantil, primeira etapa da educação básica, tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade.(BRASIL,1996). 
A finalidade da Educação Infantil segundo a LDBEN é de promover o desenvolvimento integral da criança ate seis anos de idade, em complementação a ação da família e da comunidade. Aprovada em dezembro de 1996, surge com o caráter de regulamentar à educação no país, e assim também incluir a Educação Infantil em seus níveis (creche e pré-escola) dentro da Educação Básica. Também estabelece a formação mínima do profissional de Educação Infantil (magistério nível médio ou nível superior em Pedagogia ou equivalente), do mesmo modo, orienta que o atendimento a infância, tem que ser educativo no caráter de complementar a educação familiar.

No entanto, pudemos observar que nem sempre houve essa preocupação e valorização à essa etapa. Três modelos ‘destaques’ de atendimento à infância ocorreram no Brasil, antes de chegarmos a esse conceito atual acerca da Educação Infantil, todos baseados em princípios educativos como fundamenta a idéia de cuidar educar. 


Modelos Educativos de atendimento a criança no Brasil

Para discutir a Educação Infantil, é necessário compreender que podemos caracterizar modelos de atendimento à infância no Brasil como hegemônicos nas suas épocas, isto é, até a última década do século XX - pré LDBEN/96 -, no que se refere à Educação Infantil.

A ‘Educação’ em nosso país por muito tempo ficou a cargo da Igreja, ancorado no ensino dos Jesuítas, mas, ainda assim, não era para todos, as meninas, por exemplo, sequer iam à escola, ficavam em casa com suas mães, aprendendo os afazeres da casa, a bordar, cozinhar , nem os descendentes de escravos, nem os deficientes, nem os cegos iam à escola, ficavam em casa com suas mães, aprendendo os afazeres da casa, a bordar, cozinhar e etc, podendo adquirir o direito de ir à escola só mais tarde.

Após a expulsão dos Jesuítas, extinguiram suas escolas, e o ensino passou por uma reforma. Mas, ainda não se pensava na Educação para os pequeninos.

Consideradas um adulto em miniatura, eram totalmente ‘subordinados’ de seus pais. O pai por sua vez, podia matar, deixar morrer, ou até mesmo vender seus filhos.

O abandono era uma pratica comum utilizada. Principalmente durante os conflitos entre colonizadores e indígenas, onde os pais moviam esses conflitos.

No Brasil colônia, a sociedade era praticamente dividida em duas classes, a dos senhores e a dos escravos, a responsabilidade centrava-se na figura paterna. Os filhos legítimos eram cuidados por suas escravas, o que afastava a mãe do exercício materno e que por sua vez, provocava o abandono dos filhos das escravas, alugadas como amas de leite. Assim, o Brasil inicia seu primeiro modelo de atendimento a infância – o caritativo2.

Neste período também, se torna comum, o abandono das crianças relacionado à liberdade restrita imposta à mulher e a liberdade total do homem.

Com o índice de abandono crescendo, aumentava também o índice de mortalidade infantil, e para contê-la e legalizar o abandono dessas crianças, uma vez que o Estado se ausentava, a Igreja Católica, cria a ‘Casa dos Expostos3’ ou a ‘Casa da Roda’, um mecanismo cilíndrico oco de madeira com uma abertura que girava em eixo horizontal, de modo que ao colocar a criança e girar a roda, isto impedia de se identificar quem depositava.

A primeira roda foi fundada na cidade de Salvador em 1726, e a segunda no Rio de Janeiro em 1738, consequetemente difundidas para outras regiões do Brasil, com a finalidade de acolher e não asilar, não ser um internato, evitar o infanticídio, atendendo pela misericórdia e pena, sem nenhuma finalidade educativa.

As Casas dos Expostos, eram mantidas pelas Câmeras Municipais, e por meio de esmolas da sociedade (caridade), sendo que o acolhimento era feito pelas amas de leite ou criadeiras4.

Logo, que chegadas a Santa Casa, as crianças eram batizadas e se fazia o registro no livro de chegada, registrando seus pertences.

Em uma sociedade onde cuidar do próprio filho era visto como algo sem prestigio, as criadeiras eram de modo geral mulheres livres e pobres ou escravas, e sem instrução alguma. Ao acolher as crianças expostas, as criadeiras recebiam um soldo5 até a criança completar seis (6) anos.

Pensada para proteger a vida e diminuir o índice de mortalidade infantil, o que se constatou foi que quase metade das crianças deixadas na roda morriam, sem contar as fraudes correntes. Um exemplo, era a falta de fiscalização, as criadeiras continuavam recebendo o soldo, mesmo a criança estando morta.

Em 1828, com a aprovação da Lei dos Municípios que oficializa as Casas dos Expostos, poderiam ser abertas Rodas em todas as Santas Casas do país, sendo mantida pela Assembléia Legislativa Provincial. Houve então, neste período, a preocupação com a criação de um número muito elevado destas instituições, contudo, foram criadas treze (13) instituições de acolhimento.

Esse modelo de atendimento à infância, concebido pela Igreja Católica e adotado por essas instituições, predominou até o século XIX, e a única semelhança que podemos fazer com o atendimento hoje se caracteriza pelo desprestigio de quem atende a criança nestas instituições.

Com inserção do dinheiro público no atendimento caritativo, após a aprovação da Lei em 1828, aparece a segunda forma de atendimento que vem a concorrer junto a Igreja Católica para as verbas das províncias que se destinava ao atendimento a infância, levando ao surgimento da filantropia6.

O atendimento à infância no modelo filantrópico, visava o controle e a higiene do corpo e do ambiente, visando assim, o controle da pobreza e da vida social dentro da nova ordem social, substituir a fé pela ciência, porém, a educação estaria centrada na alteração dos costumes familiares, todos deveriam cultivar o gosto pela saúde e higiene e tinha por principio também o de asilar as crianças e evitar a desordem.

Embora, seus conceitos se diziam diferenciados, continuavam-se apenas o atendimento. Seus preceitos se caracterizam pela influencia medico higienicista, sanitaristas e pela maior atenção dos adultos sobre as crianças, onde o pai ainda possuía o pátrio poder.

Estas instituições eram financiadas como dinheiro de terceiros (membros da sociedade) e do Estado.

Iniciam neste período disputas entre os dois modelos existentes. Nesta disputa de verbas entre caridade e filantropia, as Santas Casas de Misericórdia trouxeram irmãs de Caridade para assumirem a educação das crianças e lançaram críticas ao atendimento filantrópico, alegando que este modelo era destruidor da fé, impiedoso e de se intrometer nas relações familiares.

As criticas por sua vez, eram recíprocas. Os filantrópicos apontavam o atendimento caritativo como desorganizado e sem cientificismo, por isso, criticavam tanto as amas de leite e as criadeiras e buscavam fazer com que as mães assumissem a maternidade, alegando que as criadeiras eram uma das principais causas da mortalidade infantil.

A disputa inicial entre a caridade e a filantropia pela ‘tutela’ dos pobres e verbas públicas destinadas para o seu atendimento foi superada quando uma começa a ‘pegar’ características da outra. A filantropia abarca preceitos religiosos e a caridade inclue algumas características do modelo filantrópico, como prevenir a desordem familiar e social.

Dentre as iniciativas do atendimento filantrópico, como a prevenção do desvio social e a eliminação da desordem, a criança é vista como nociva à sociedade (e não a perigo). E é nesta perspectiva que se atendia as crianças, com o objetivo de guardar, tutelar e não educar. No lugar do professor havia um outro profissional, o médico higienecista, cuja finalidade era atender, orientar a mãe e não a criança. No entanto, para as crianças de classe média e alta, foram criados os Jardins de Infância, nos quais as crianças eram cuidadas e protegidas, recebiam também uma ‘educação’ pré-escolar.

Como a instituição era a responsável também por manter à ordem, onde as crianças perigosas (pobres) precisavam ser tuteladas e no principio de que as mães deveriam ficar mais próximas do seus filhos, criam –se as creches/instituições dentro das fabricas para atender mães trabalhadoras que tinham filhos pequenos. Já os jardins de infância são o inicio de um caráter educativo para as crianças de uma classe mais privilegiada.

Segundo a concepção de Froebel7 os Jardins de Infância deveriam desenvolver atividades coordenadas por uma professora especializada.

No entanto, o que diferenciava jardins de infância de creches não foram suas origens, nem sua ausência de propósitos educativos, muito menos a natureza pública ou privada, mas sim a quem se destinava cada qual.

A partir do momento em que o Estado ‘toma’ os preceitos e o financiamento, passa a existir o terceiro modelo de atendimento à infância – o Assistencialismo8, ou seja, o estado assume a guarda, a tutela e passa a velar pelos menores em conformidade com a aprovação em 1927 do código dos menores.

O estado passa a fiscalizar e promover o atendimento a infância, com a criação do Ministério da Saúde e Educação, porém, o atendimento continua calcado num ideário filantrópico.

O surgimento desse modelo assistencialista estatal se diferencia dos outros por ser o Estado agora o agente regulador das instituições, o mantenedor. Porém, não era nem obrigatório e nem educacional para o desenvolvimento integral.

Surge também nesse período, alguns órgãos que regularizaram as instituições de atendimento a criança pequena, mais especificamente, três órgãos que atuariam junto à infância. O primeiro órgão é o Departamento Nacional da Criança – DNCr, criado para atender a infância, a maternidade e o adolescente, formulando políticas no âmbito oficial para a infância, sendo este departamento em sua origem, vinculado ao Ministério da Educação e Saúde, tinha como objetivo estimular a puericultura9 (o cuidado higienecista) a meta de reduzir a mortalidade infantil etc. Sua concepção se pautava no caráter médico preventivo, que culminou em dois programas: o da vacinação e o de complemento alimentar (a merenda).

O segundo órgão instituído foi o Sistema de Assistência ao Menor – SAM, criado em 1941, durante a ditadura militar, possuía seu caráter corretivo e repressor, que atuava juntamente com juizado de menores, atendendo menores de 18 anos abandonados e delinqüentes. Contudo, o SAM foi extinto em 1964, sendo substituído pela Fundação do Bem Estar do Menor – FUNABEM e pela Fundação do Bem estar ao Menor – FEBEM, todas com a visão de que o menor precisava ser disciplinado e controlado para não tornar-se um problema ou ameaça à sociedade.

Recentemente, foram ambos‘extintos’, substituídos os nomes, pois ainda carrega o caráter de disciplinar.

O último órgão a ser criado foi a Legião Brasileira de Assistência – LBA, órgão ligado ao Ministério da Previdência e Assistência Social, que ofertava apoio técnico e financeiro às instituições comunitárias, filantrópicas e confessionais que atendiam às crianças. Organizado pela primeira Dama do Governo Getulio Vargas – teve por finalidade assistir/tutelar os filhos das famílias de homens (pais) convocados para a guerra, tendo como intuito proteger a infância e a maternidade, oferecer amparo e guardar as crianças e a família. No entanto, com o fim da Segunda Guerra Mundial, a LBA passa a executar políticas governamentais de cunho assistencialista, entretanto, podemos destacar como mérito a expansão das creches.

Contudo, no período de 1960 a 1970, as políticas de atendimento a infância visavam promover um atendimento compensatório, no qual se propunha ao pré-escolar uma educação compensatória e preparatória para o ingresso na escola formal, com o objetivo de sanar as deficiências das crianças, a fim de evitar um fracasso futuro em sua escolaridade.

Em 1974, a LBA inicia o Projeto Casulo, um de seus últimos projetos, ofertando um atendimento de cuidados higiênicos, nutricionais, médico e odontológico para crianças até seis (06) anos. Pode se dizer que a finalidade do projeto não era apenas assistir a infância, mas também, o de prevenir a luta de classes, e ao invés de promover a formação intelectual e social das crianças, contemplava apenas a sua formação moral, ou seja, não havia objetivos pedagógicos nessa proposta de atendimento.

Com o tempo, começam a surgir algumas discussões quanto ao atendimento à infância. Primeiro que o número de crianças com idade para egresso a educação pré-escolar ia crescendo a todo ano e essa demanda impulsionava discussões em vários níveis, na escola, no governo e na própria sociedade civil.

Assim, podemos dizer, que o caminho percorrido pelo atendimento a infância no Brasil, até chegar a Educação Infantil, passou também pela luta dos movimentos por creches mobilizadas por mães trabalhadoras e mães de classe média, vinculadas ao processo de redemocratização do país. Sendo que durante as décadas de 1970 e 1980, a luta girava em torno da necessidade de se tornar direito a educação infantil.

A década de 80, pode ser caracterizada como o período de grande instabilidade e de desencontros nas políticas e nos financiamentos de programas à pré-escola e à creches.

Segundo Rossetti Ferreira, Fabiola Ramos e Ana Paula Soares Silva (2002) ,em sua pesquisa sobre a Política de atendimento à criança pequena nos países desenvolvidos, indica que “mudanças culturais e econômicas (exemplo:crescente processo de industrialização, mudanças na concepção sobre a importância e influencia doa primeiros anos de vida) que causaram transformações no funcionamento e organização das famílias”. Também que nos países em desenvolvimento o discurso para os ricos e pobres é diferenciado. E que as políticas são justificadas por fatores econômicos e científicos.

Segundo as autoras, podem ser destacados três fatores que impulsionaram a institucionalização da Educação Infantil no Brasil: o primeiro refere se ao aumento da demanda, resultado das intensas transformações sociais, econômicas e culturais, o maior número de mulheres no mercado de trabalho, e a preocupação dos pais em ter uma instituição para compartilhar o cuidado e a educação da criança. O Segundo fator deve se à profusão na construção de conhecimentos sobre o desenvolvimento e a educação da criança, sobretudo, relacionadas a psicologia infantil.

O último fator foi o desenvolvimento de legislações na área da educação, proveniente da Constituição Federal de 1988 que atribuiu como dever do Estado a educação, garantindo o atendimento em creche e pré-escola dentro da faixa etária de 0 a 6 anos. Ou seja, a Constituição de 88 reconhece o aumento da taxa de escolarização na sociedade e inclui o direito a educação em creche e pré-escola. Essa ‘oferta’ passa a ser dever do Estado;

Não que todas as crianças tenham ido à escola a partir da Constituição, mas, sua aprovação também representa um avanço para a Educação Infantil.

No inicio da década de 1980, o Brasil sofreu um agravamento da crise econômica, assim como a maioria dos países da América Latina, o que para Rosemberg fez dessa região o paraíso para a implementação de políticas do Banco Mundial, que para à Educação Infantil apresentava propostas no sentido do cuidado.

Já na década de 90, a educação Infantil passou a fazer parte da atenção do Banco Mundial. A medida que o Brasil ‘solicitava’ financiamento do Banco e recebia auxilio, em contrapartida, precisava executar e disseminar os programas exigidos pelo Banco. Assim, o Brasil passou a desenvolver programas de cunho internacional proposto pelo Banco Mundial.

Os objetivos destes programas são de cunho compensatório, contensão e diminuição dos dados.

À medida que o Brasil busca estruturar a Educação Infantil, sofre pressão de que ‘modelo’ adotar entre o europeu e o americano, segundo os dados analisados acima, não há duvida de qual modelo seguimos hoje.

O modelo americano, desorganizado, sem um órgão que regulamentasse a educação no país, provindo de uma realidade totalmente diferente ao Brasil, foi nossa ‘inspiração’ tanto nos modelos das instituições, como oferta ao ensino, programas e leis.



As legislações

Sendo a Educação Infantil um resultado de lutas populares que girava em torno da necessidade de se tornar direito a educação infantil. Temos como resultado a aprovação da Constituição Federal no ano de 1988 na qual é posto a Educação Infantil como direito da criança, porém, não de caráter obrigatório.

E no ano de 1993 é aprovado Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA, a criança é posta como possuidora de direitos quanto cidadã, e este documento vem para reafirmar o direitos da criança expressos na Constituição Federal de 1988.

Em 1996, com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDBEN, Lei nº 9394/96, regulamenta à educação no país, e assim também passa a incluir a Educação Infantil dentro da Educação Básica. Sendo a Educação Infantil em seus níveis (creche e pré-escola). Também estabelecendo a formação mínima do profissional de Educação Infantil (magistério nível médio ou nível superior em pedagogia ou equivalente), e que o atendimento a infância tem que ser educativo e de caráter de complementar a educação familiar. E na LDB, fica estabelecido que a avaliação seja feita por registros do seu desenvolvimento, e sem o objetivo de ser pré-requisito para acesso ao ensino fundamental.

Ainda na LDB/96 a Educação Infantil e subdividida por faixas etárias e o atendimento institucional educativo à criança deixa de ter o caráter de substituir a família para ser complementar a ela.

Logo após a promulgação da LDB/96 um documento específico para a orientação pedagógico curricular para a Educação Infantil é publicado, trata se do Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil – RCNEI/1998, o qual é composto por 3 volumes.

Primeiro: introdução – da ênfase a criança e ao seu processo de formação como ser humano.

Segundo: Formação pessoal e social – destaca o proceso de formação da identidade e autonomia da criança.

Terceiro: Conhecimento do Mundo – está dividido em eixos, música; movimento; artes visuais; linguagem oral e escrita; natureza e sociedade e por último a matemática.

Observa se que o RCNEI da ênfase na criança com a concepção do cuidar e educar, além de observar a importância do brincar, das relações entre a instituição educativa e a família, e a organização do espaço.

Neste mesmo ano institucionaliza-se o FUNDEF, que consiste no programa de financiamento do Ensino Fundamental, mas torna-se um problema, pois este programa de financiamento não contemplava o financiamento da Educação Infantil o que causou a estagnação da ampliação do atendimento.

Entretanto, são as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil – DCNIs/1999 que norteia a proposta pedagógica para a Educação Infantil, definindo os princípios que devem ser contemplados.

A política nacional de Educação Infantil, pelo direito das crianças de 0 a 6 anos à educação, busca estabelecer as diretrizes da política nacional, assim como as metas, os objetivos e as estratégias da educação.

Houve a ampliação da obrigatoriedade escolar de 9 anos, abrangendo crianças de 6 a 14 anos, o que gera um acréscimo nas obrigações do Estado no que diz respeito a educação. As crianças tem a sua vaga garantida na escola mais cedo. Porém nas creches (centros de Educação Infantil) a vaga continua condicionada a mãe.

No de 2000, é aprovada uma Emenda Constitucional , sobre a Lei de Responsabilidade Fiscal, regulamentando a utilização das creches conveniadas10 (publico não estatal), para ampliar o número de atendimento público e não o aumento das vagas públicas estatais (visto que é pago por aluno a estas instituições que ofertam este atendimento).

Contudo, em 2007 aprova-se o FUNDEB (lei n°11.494) que regulamenta o financiamento da educação básica contemplando agora a Educação Infantil, sendo pago as verbas referente a matricula, aos alunos da creche pública integral paga-se R$ 1,10, e ao pré-escolar público integral R$ 1,15.

Em conformidade com a LDB/96, a educação infantil atende crianças de 0 a 6 anos, porém com a deliberação 05/2006 do CEE-PR que da as orientações para o ensino de 9 anos, e também prevê que as crianças de 6 anos agora devem freqüentar o ensino fundamental de 9 anos.

Na deliberação do CEE-PR 03/2006, estabelece que o ensino fundamental com duração de nove anos de caráter obrigatório, tem sua estrutura de 5 anos iniciais e 4 anos finais, contemplando alunos de 6 aos 14 anos de idade. E ficando a educação infantil estruturada em creche de 0 aos 3 anos, e pré-escola de 4 a 5 anos de idade. Ainda nesta deliberação e dada três justificativas para a implementação do o ensino de 9 anos. A primeira diz respeito aos direitos e a contemplar a equidade social, o acesso, permanência e continuidade de estudo; a segunda envolve a parte política, no que tange ao desenvolvimento econômico, social do país. E por último e colocado a questão pedagógica no que se refere à maior tempo e continuidade para o ato de educar e cuidar.

No que se refere à idade para ser matriculado a criança no 1° do ensino de 9 anos, segundo a deliberação do CEE/CEB n°02/07 que altera o art. n°12 da deliberação 03/06, prevê que a criança deve ter 6 anos completos ou a completar nos inicio do ano letivo, (não mais a completar até 1° de março) para efetuar a matricula no ensino fundamental.

Podemos identificar no decorrer do desenvolvimento da educação infantil no Brasil, no que tange a suas políticas esta explicito as recomendações do Banco Mundial, uma delas e o preço que se paga por aluno, confirmando que se tem que atender pobremente a pobreza, e assim também como a recomendação de intervir o quanto antes na educação para evitar gastos futuros com saúde e educação.

Hoje em dia, o atendimento nas instituições de Educação Infantil pode ser ofertado em centro de educação municipal11, em creches conveniadas (publico não estatal/PPP- Parceria Público Privado), em instituições privadas, ou ainda em instituições clandestinas e domiciliares (existentes, em tramites de aprovação para sua legalização).
Conclusão

Ocorreram avanços significativos nas últimas décadas acerca da Educação Infantil, mas, alguns desses saltos estão apenas nas leis, no plano formal e ainda não chegaram de fato ao cotidiano dos centros de educação infantil. Contudo há ainda o problema no âmbito político, no que tange a proteção de um direito social plenamente justificado, mas, insistentemente negligenciado/negado pela política pública.

Entretanto, podemos sim dizer que avançamos no sentido educativo para os pequeninos me nosso pais. No entanto, ainda não há o reconhecimento social do caráter educativo, e a desvalorização do profissional, fruto da herança cultural posta acima.

Desde muito cedo, as mães ‘deixam’ seus filhos nos Centros de Educação, com o intuito de serem cuidados, ainda antes de completarem um ano de idade, e pode se dizer que realmente estão sendo cuidados, pois pouco há de educativo nessa etapa. Precisamos estabelecer a relação entre o cuidar e educar, dois fatores presentes nessa relação, para que se estabeleça de fato uma relação pedagógica com essa etapa, claro que dentro das possibilidades de cada individuo, mas pensando no seu desenvolvimento físico, psíquico e social. E claro também, que para obtermos uma Educação Infantil de fato de qualidade, preocupada com o desenvolvimento da criança, precisamos de profissionais capacitados.

Diferentes de outras épocas, hoje temos curso de formação para atuação na área, o que impede o mesmo de ser de qualidade é o tipo dessa formação, muitas vezes sem um controle rigoroso, feito a distancia (não presencial) e a má valorização profissional também se incorpora, pois os profissionais qualificados muitas vezes optam por outra área, por considerar a Educação Infantil de menor valor.

Como parece ser de não importância a mudança de postura governamental, espera se a reflexão dos profissionais em formação.

Na lei já temos garantido, precisamos valer o direito. Mas o direito com qualidade.
Referência Bibliográfica

BRASIL, Conselho Nacional de Educação. Resolução CEB 1/99. Diário Oficial da União, Brasília, 13 de abril de 1999.

BRASIL, MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E CULTURA. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília, 1996.
BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental. Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. Brasília: MEC/SEF, 1998. v.1, v.3.

 PARANÁ. Deliberação CEE/PR nº 03/2006. Curitiba, 2006.



ROSSETTI-FERREIRA, Maria Clotilde; RAMON, Fabiola  and  SILVA, Ana Paula Soares. Políticas de atendimento à criança pequena nos países em desenvolvimento. Cad. Pesqui. [online]. 2002, n.115, pp. 65-100. ISSN 0100-1574.  doi: 10.1590/S0100-15742002000100003. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0100-15742002000100003&script=sci_arttext (data do acesso: 26/09/2009 às 12:53).



1 Acadêmicas do 4º ano do Curso de Pedagogia, Membros do Grupo de Estudo e Pesquisa em Práticas Educativas - MEDIAR


2 O modelo de atendimento caritativo surge no manto do catolicismo, baseado na benevolência e na fé. Se caracteriza pela criação das Rodas em Santa Casas de Misericórdia para acolher crianças abandonadas, uma forma garantia a preservação do anonimato, que gerava lucros para ambos os lados: a salvação da alma do atendido e o recebimento das indulgências religiosas por quem recebia as crianças ou fazia as doações de esmolas.

3 Uma casa de acolhimento de crianças abandonadas financiada pelas câmaras municipais e por meio de esmolas da sociedade.

4 Mulheres contratadas pela câmara municipal, que levavam as crianças para suas próprias casas após os primeiros atendimentos na Roda (registro no livro de chegada, os pertences e o batizado).

5 Salário pago às amas para cuidarem das crianças até que completassem 6 (seis) anos.

6 O modelo filantrópico baseava se no principio do controle e a higiene do corpo e do ambiente, ou seja, primava pelos princípios da higiene e eugenia.

7 idealizador dos jardins de infância

8 Modelo que se caracteriza pela transferência das responsabilidades. O Estado passa a ser o mantenedor das instituições.

9 Puericultura foi uma atualização do movimento higienecista, e sua meta era de reduzir a mortalidade infantil e com ideário de formação do novo homem brasileiro frente à nova organização social.


10 Creche conveniada: sem fins lucrativos podendo ser filantrópica, assistencial, comunitária, caritativa e de caráter confessional.

11 Subordinada a Secretaria Municipal de Educação.


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