Avassaladora Vingança (Cordero's Forced Bride) Kate Walker



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Avassaladora Vingança

(Cordero's Forced Bride)

Kate Walker


Ela seria a vingança perfeita...

Alexa Montague está à beira da loucura. Afinal, ela foi obrigada a cancelar o casamento de sua irmã, e agora o arrogante noivo, Santos Cordero, exige que ela assuma o lugar da noiva fugitiva!

Os Montague roubaram não apenas sua fortuna, mas também uma noiva... Mesmo incapaz de amar Alexa, seu corpo arde por ela como por nenhuma outra mulher. Por isso, e ele a manterá cativa... até ela se render a seus desejos...




Digitalização: Simone R.

Revisão: Crysty
Eles querem amar... e depois casar.

CONTO DE PRESENTE!

As brumas do desejo, de Sharon Kendrick

Josephine, noiva de Luke, amava Blake, noivo de Kim...
Querida leitora,

Quando entrou na igreja para avisar ao noivo de sua irmã que ele havia sido abandonado no altar, Alexa Montague não imaginava que fosse tomar o lugar da noiva. Para ela, a lógica de Santos Cordero era absurda... Ele era irresistível, mas Alexa jamais se contentaria com um casamento de con­veniência. Santos precisaria se esforçar para obrigá-la a se casar, e para isso estava mais que disposto a chantageá-la... e seduzi-la...



Equipe Editorial Harlequin Books

PUBLICADO SOB ACORDO COM HARLEQUIN ENTERPRISES II B.V5'S.à.r.l.

Todos os direitos reservados. Proibidos a reprodução, o armazenamen­to ou a transmissão, no todo ou em parte.

Todos os personagens desta obra são fictícios. Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas é mera coincidência.

Título original: CORDERO’S FORCED BRIDE

Copyright © 2009 by Kate Walker

Originalmente publicado em 2009 por Mills & Boon Modern Romance

Título original: IN BED WITH THE BOSS

Copyright © 2001 by Harlequin Books S.A.

Originalmente publicado em 2001 por Mills & Boon Internet Titles

Arte-final de capa: Isabelle Paiva

Editoração Eletrônica:

ABREU'S SYSTEM

Tel.: (55 XX 21) 2220-3654/2524-8037

Impressão:

RR DONNELLEY

Tel.: (55 XX 11) 2148-3500

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Aos cuidados de Virgínia Rivera



virginia.rivera@harlequinbooks.com.br

CAPÍTULO UM

Se ela pretendia fazer aquilo, então deveria começar logo, Alexa se convenceu. Na verdade, deveria começar imedia­tamente, sabendo que não havia opção.

Porque a verdade era que tinha de fazer aquilo. Com certeza, alguém deveria. E ninguém mais faria. Definitiva­mente, não Natalie.

Natalie jamais teria suportado. Teria desistido, cedido à pressão e diria o oposto do que estava ali para dizer — do que precisava dizer.

Se Natalie fosse obrigada a enfrentar Santos Cordero, teria aceitado o casamento que não queria, como aceitou, desde o início. E assim perderia a chance de viver um ver­dadeiro amor. Não, era melhor para Natalie seguir para o aeroporto, para sua nova vida. Que sua meia-irmã, mais velha, resolvesse tudo. Agora era problema de Alexa con­sertar, pedir desculpas, explicar.

Esse pensamento bastava para fazer reduzirem o rit­mo dos passos de Alexa ao sair do carro que acabara de deixá-la em frente à porta principal da enorme e elegante catedral de Santa Maria de Ia Sede, no centro de Sevilha. Olhando para cima, em direção à torre conhecida como La Giralda, ela deu um suspiro profundo. Atrás dela, uma multidão de fotógrafos se amontoava para registrar o evento. Os flashes das câmeras disparavam como balas de fuzil, e ela se esforçava para ignorá-los enquanto subia os velhos degraus de pedra até chegar ao portal e pegar a pesada maçaneta de ferro da grande porta de madeira talhada.

— Você não cairá nessa armadilha, Nat. Não mais.

Alexa pronunciou as palavras em voz alta, para enfati­zá-las. Mas, ao escutá-las, sabia que faltava a convicção tão necessária. Não era o suficiente para fazê-la entrar na catedral e anunciar o que acabara de acontecer.

— Vamos lá, Alexa. Você sabe que deve fazer isso! Suspirando com resignação, ela aceitou a verdade, em­purrando com força a grande maçaneta de ferro.

Ninguém mais poderia resolver o problema. Se ela não fizesse algo a respeito, toda a terrível bagunça permanece­ria como estava — ou ficaria pior. O mínimo que poderia esperar era a conseguir reduzir a confusão para que as re­percussões não fossem tão intensas.

O nervosismo a deixou com as mãos tão suadas que seus dedos não conseguiram girar a maçaneta, frustrando sua tentativa de abrir a porta.

— Ai, droga!

Ela não teve escolha a não ser secar o suor das mãos na longa saia de seu vestido. Seu gesto afetou a aparência do caro cetim rosa, mas, naquele momento, isso era uma pre­ocupação irrelevante. O vestido tinha sido feito para uma cerimônia que não aconteceria mesmo, então a aparência não importava.

Além do mais, o vestido não combinava com seu estilo. Fora escolhido por sua madrasta para o casamento de alta sociedade que sempre sonhara para a filha. E Alexa sabia muito bem que a cor não era a mais adequada para realçar o tom de seus cabelos e de seus olhos. Mas ela não se preocu­para com esses detalhes, pois acreditava que Natalie estava feliz por se casar. Nada iria atrapalhar o casamento de sua meia-irmã.

Com pesar, Alexa se lembrou de que estava lá para aca­bar com a cerimônia de casamento, e mais uma vez agarrou a maçaneta. Ela precisaria de toda a coragem do mundo para entrar na igreja e fazer a grande revelação a todos.

Sua madrasta, provavelmente, teria uma síncope. Seu pai — e de Natalie — se tornaria ainda mais duro e retraí­do. E o noivo...

A idéia fez a sensação de frio na barriga subir até a gar­ganta de Alexa, enquanto a porta era aberta lentamente, parando com um som fúnebre contra a parede de pedras, fazendo todos dentro da igreja se virarem e a olharem com expectativa.

Ela não fazia idéia da reação da noiva. Nem de como Santos Cordero reagiria à notícia de que sua noiva o aban­donara no altar, fugira do próprio casamento e seguira para o aeroporto, onde encontraria outro homem. Só de pensar ela já sentia calafrios. O sangue corria gelado por suas veias.

Alexa conhecera o noivo de sua meia-irmã havia so­mente dois dias, durante um jantar de família na bela residência de estilo mouro de Santos, a apenas alguns quilômetros de Sevilha. Ela chegara à Espanha dois dias antes, mas já ouvira falar muito dele. Não demorou a no­tar os efeitos da influência que ele exercia sobre seu pai desde que os dois haviam se tornado sócios. E agora, toda vez que olhava para Stanley Montague, ele parecia velho, magro e grisalho devido ao estresse e ao desespero. Seu pai não estava preparado para lidar com leões financei­ros, e Santos Cordero era um dos maiores. Afinal, era conhecido como El brigante. Um apelido com diversos significados.

— Espere até conhecê-lo! Ele é um pedaço de homem! E rico demais! — Natalie dissera, entusiasmada.

Entusiasmada demais, Alexa agora recordava, notando que o tom de sua irmã era forçado, como se quisesse con­vencer-se de que estava apaixonada pelo noivo.

Apesar de estar escondendo seus verdadeiros sentimen­tos, Natalie estava certa sobre uma coisa: Santos era, de fato, um belo homem. Alexa vira poucos homens como ele: alto, cabelos sedosos, corpo perfeito e musculoso, com tra­ços marcantes. A descrição "bonito e perigoso" tinha sido criada para ele.

E também era bem machão, Alexa percebeu logo após ser apresentada. Quando chegou perto o suficiente para olhar em seus olhos, sentiu que "perigoso" era uma defini­ção bastante apropriada.

Sua mão era poderosa e firme, o sorriso, cuidadoso, educado, ensaiado. Alexa percebeu ter sido dominada por aqueles olhos gélidos, que a atravessaram com a cruel força de um laser. E sentiu sua pele entrando em erupção, ora fervendo ora tremendo de frio, como se estivesse à beira de uma febre terrível. Murmurando algo tolo, ela escapou e tentou evitar ao máximo a presença de Santos durante o resto da noite. Mas o tempo todo sentia seu corpo ainda sofrendo com o impacto daquele olhar devastador.

— Alexandra?

A voz embargada de seu pai ecoou por toda a igreja, en­coberta pelo murmúrio de surpresa dos convidados. Todos esperavam ver a noiva chegando, não a dama de honra, pá­lida e apavorada. Natalie dera a desculpa de não querer can­sar seu pai, e insistiu para que ele fosse na frente, em vez de seguir a tradição de acompanhar a noiva no mesmo carro.

— Alexandra...

— O que aconteceu?

Outra voz se somou aos murmúrios, era a do noivo. A cada passo que dava, alguém silenciava.

— O que aconteceu? — ele perguntou de novo, e os olhos relutantes de Alexa se viraram para o altar onde San­tos estava: alto, belo, imponente e perigoso.

Ele estava tão deslumbrante no fraque que deixou Alexa tonta. No momento em que os olhos dela encontraram os dele, o mundo parecia ser apenas de Santos e Alexa. Ela não via mais nada, apenas aquele homem moreno, de fei­ções fortes, lábios quentes e olhos profundos.

— Responda!— Santos Cordero insistiu, autoritário, como se uma flecha tivesse sido disparada na direção de Alexa.

Per favor — ele acrescentou, esforçando-se ao máxi­mo para manter-se sob controle.

Mas Santos não dissera "por favor", ela pensou com rai­va. Fora apenas uma outra forma de disfarçar uma exigên­cia. E Alexa sentiu-se tentada a agredi-lo, dar as costas e ir embora. Ou revelar a verdade nua e crua somente para observar aquela expressão arrogante se desfazer, a postura do "Eu sou o Deus todo-poderoso" vacilar o suficiente para que seu nariz não permanecesse tão empinado.

No entanto, mesmo com tantos pensamentos de raiva cruzando sua mente, um senso de decoro e uma relutante pitada de compaixão a fez se afastar.

Embora arrogante e bruto, Santos Cordero ainda era um noivo no dia de seu casamento. E acreditava que iria se ca­sar. Mas sua noiva o abandonara no altar e partira para o ae­roporto ao encontro do homem que ela realmente amava.

E agora Alexa tinha de ser a mensageira das más notícias.

A situação fez sua boca secar, ela sentiu um bolo na gar­ganta e por um momento pensou em sair dali correndo, para o lugar mais distante possível. O problema não era dela.

Nem o casamento! Deixe para outra pessoa explicar a esse espanhol arrogante que sua noiva reconsiderou a possibili­dade de se tornar sua esposa. Deixe outra pessoa...

Mas não havia mais ninguém.

No fundo da igreja Alexa via sua madrasta, resplande­cente em verde-esmeralda, com um chapéu rodeado de penas de pavão, inquieta em seu assento. O rosto longo e pálido agora também estava tenso, como se já suspeitasse que algo terrível acontecera. E seu pai...

Não, ela não ousou olhar para o pai, pois tinha certeza de que ele já sabia que as notícias eram ruins. E explodiria de raiva.

Senorita...

Santos Cordero ainda insistia polidamente para que ela prosseguisse. Mas olhando para seu rosto duro e moreno Alexa soube que gentileza era o oposto do que ele sentia naquele exato momento. Ele mal conseguia controlar a im­paciência. Suas feições emolduravam lábios sensuais que não escondiam o profundo desapontamento. Fale a coisa errada e ele explodirá, Alexa pensou.

Agora ela estava frente a frente com El brigante, cuja reputação e arrogância implacáveis eram conhecidas até mesmo em Yorkshire, onde ela vivia, há quilômetros de distância da residência da família em Londres.

Seu pai parecia animado quando anunciara que estava iniciando negócios com Santos. Confiante de que a parceria renderia fortuna e acabaria com os problemas financeiros. Mas pouco tempo se passou antes de o cenário mudar. O negócio não se revelara tão próspero, pelo contrário, se tornara uma fonte de estresse. Mas as preocupações foram esquecidas devido ao ritmo apressado para organizar o ca­samento de Natalie.

Senorita...

Mais uma vez aquele tom suave e mortal a obrigou a focar sua visão na hipnótica força do homem que deveria se casar com sua meia-irmã. E a única coisa que ela conseguia perceber era a presença alta e imponente de Santos Corde­ro, com toda a sua atenção direcionada para ela.

— O que veio dizer? Porque imagino que tenha vindo aqui para falar alguma coisa!

Respirando fundo, Alexa lutou para ignorar a censura daquele tom sarcástico, que a atingiu como uma chicotada.

— Temos que conversar — ela conseguiu sussurrar com palavras quase inaudíveis. — Por favor... — ela com­pletou, alarmada ao ver o semblante dele fechar-se peri­gosamente.

— Então fale. — Santos enfatizou a exigência estalando os dedos, com toda a arrogância de um imperador. — Que­ro ouvir logo o que tem a dizer.

Ele realmente estava impaciente. Não poderia demons­trar isso de forma mais clara. E Alexa diria isso a ele. Só que no momento certo, de preferência longe dos 600 con­vidados que observavam atentamente, fascinados com o acontecimento e ansiosos para saber qual seria o próximo capítulo daquele drama de novela da vida real.

Com o coração acelerando e dificuldade para respirar, ela se obrigou a se aproximar mais dele. A cada passo, pen­sava em todas as explicações possíveis, descartando uma a uma por serem muito estúpidas ou incorretas. E mesmo que alguma idéia surgisse, bastava encarar o rosto sombrio e fechado de Santos para o argumento morrer na hora.

Alexa sabia que não era possível, mas ele parecia ainda maior e mais forte do que quando o conhecera. O corte de seu fraque destacava a largura de seus ombros e de seu pei­to forte. E contra o imaculado branco de sua camisa, o tom dourado de sua pele sobressaía em poderoso contraste.

— Podemos conversar em algum lugar mais discreto, por favor?

Sua voz estava fina e fraca, mas Alexa sabia que ele a havia escutado.

Perdon?

Santos deu um passo à frente, e agora ela estava perto o suficiente para sentir o calor de seu corpo, e o sutil aroma de colônia cítrica realçada pelo odor de sua pele. O coração de Alexa batia ainda mais forte, e ela percebeu quase em choque, que não era só devido à apreensão, mas a uma súbita reação de seu corpo à presença de um ho­mem sexualmente tão atraente! E esta era a última coisa que gostaria de sentir pela pessoa predestinada a trazer problemas para sua família.

— Podemos conversar em algum lugar mais reservado, por favor? — Alexa repetiu, porém mais alto e com mais firmeza, ainda que seu desejo fosse sussurrar no ouvido dele. — Algum lugar onde possamos ficar a sós.

— A sós?

Dessa vez as escuras sobrancelhas de Santos se aproxi­maram de forma ameaçadora. Era impossível não entender o que lhe passava pela cabeça. Alexa sentia seu corpo cada vez mais quente, devido ao constrangimento.

Senorita, estou prestes a me casar.

— Não é isso! Não foi o que eu quis dizer! — ela expli­cou. — E você...

Considerando a ameaça, Alexa mediu suas palavras e desistiu de fazer de uma vez por todas a terrível declaração: "Você não vai se casar." Ela não podia falar assim, tampou­co dar-lhe tal notícia na presença de todas aquelas pessoas.

Afinal, ele ficaria arrasado, não é mesmo? Apesar de ser grande e forte, implacável e ameaçador, pedira a mão de Natalie em casamento, queria que ela fosse sua mulher, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, até que...

— Você realmente precisa ouvir o que tenho a dizer. — Alexa disse, rezando para que a ênfase que colocara nas palavras ocultasse a súbita rouquidão que havia afetado sua voz.

— Você acha que preciso. — Ele a olhava de cima, com a testa franzida, o semblante reprovador, os olhos prateados escurecidos pelo total ceticismo. — Você afirma que devo escutar algo que tem a dizer, mas não esclarece o motivo de ter entrado aqui dessa forma, sem ao menos uma explicação. Eu exijo...

— Estou tentando explicar! — Alexa retrucou, exas­perada.

Santos não conseguia notar que era importante? Que ela não teria invadido a catedral se não fosse sério?

Não, ele não conseguia notar nada de estranho. A verda­de era a última coisa que ele pensaria.

É claro que El brigante nunca teria imaginado que a noi­va não apareceria. Que o abandonaria no altar sem a menor piedade. Ao contrário, estava convicto de que ela se torna­ria sua mulher, como havia planejado — porque era o que ele queria.

Sua intolerável arrogância estava começando a irritar Alexa, de tal forma que ela fazia força para evitar uma de­claração furiosa e definitiva.

— Acho que você iria preferir ouvir a explicação em um lugar mais discreto.

— O que eu prefiro não estar a sós com uma des­conhecida antes da minha cerimônia de casamento. Você pode imaginar a repercussão na imprensa se isso se tor­nasse público?

— Ah, se seu interesse é preservar sua reputação, então não se preocupe! Posso lhe assegurar que não tenho nenhu­ma intenção...

A voz de Alexa diminuiu no momento em que sentiu o olhar cínico que ele lançou para ela. Santos realmente acreditava que ela estava ali a fim de destruir sua reputa­ção? Por que ele era tão desconfiado? Acreditava ele que Alexa estaria planejando uma chantagem?

Ela não tinha intenção alguma de beijá-lo...

O breve pensamento levou-a a olhar para a boca de Santos, sua sensualidade acentuada pelo cético sorriso no canto dos lábios. O coração de Alexa deixou de bater por um se­gundo. Beijar aqueles lábios seria uma experiência e tanto, do tipo que só de imaginar já a deixava com os pensamen­tos em alvoroço.

Mas "beleza não é tudo", como sua mãe costumava falar. E considerando o currículo de Santos Cordero, as palavras maternas faziam sentido.

— Prefiro não saber quais são suas intenções...

O tom frio do sotaque espanhol a trouxe de volta para o presente, dando-lhe um vislumbre do possível motivo pelo qual sua meia-irmã havia decidido não se casar com Santos.

— Pelo amor de Deus, você é muito convencido — Alexa explodiu. — Estou tentando salvá-lo de um cons­trangimento.

— Alexandra...

Seu pai se aproximou, pronto para intervir. E repetiu seu nome inteiro, com voz crítica.

— Alexandra, por favor...

Mas foi interrompido por um súbito movimento de mão do espanhol, um sinal autoritário para que parasse e se afas­tasse. Naturalmente, alguma coisa que ela dissera chamara a atenção de Santos Cordero. Talvez o "você é muito con­vencido", Alexa pensou. Ela suspeitava que ele nunca rece­bera uma crítica tão contundente — se é que ouvira alguma crítica em toda a vida.

— Se está com medo de ficar a sós comigo, podemos sair agora mesmo pela porta para que todos possam ouvir seus berros quando eu...

Agora ela havia ido longe demais. Se Alexa pretendia provocá-lo, então conseguira. Podia perceber os primeiros indícios da ira de Santos no frio fogo de seus olhos e na forma com que seus lindos lábios se contraíam numa dura linha.

Agora seu coração disparara, e não era por conta de uma resposta feminina à presença de um homem atraente. O chão abrira-se sob seus pés e ela sentia que afundava cada vez mais, como se estivesse em areia movediça.

— Acredite em mim, seria melhor se pudéssemos con­versar a sós, talvez ali...

Alexa apontou para uma porta onde acreditava ser a sacristia.

Ela não tinha a menor idéia do que faria se ele se recu­sasse a ir. Mas parecia que nem precisaria considerar essa hipótese porque, apesar da recusa inicial, Santos decidiu se movimentar, com súbita rapidez. Veloz como uma cobra ao dar o bote, ele a pegou pelo braço, cravando os dedos em sua pele.

— Você quer conversar? — A voz grave e o sotaque cada vez mais carregado revelavam toda sua ira. — Então vamos conversar.

Santos a empurrou na direção da porta, girou a maçaneta e sem cerimônia jogou Alexa lá dentro, chutando a porta para fechá-la.

Naturalmente, já não se importava mais com o que a im­prensa poderia noticiar. Encostou-se na porta e cruzou os braços com firmeza. A mandíbula contraída demonstrava tensão, porém não era nada, comparado à dureza de seu semblante.

— Fale. — Ordenou, após olhar o relógio de ouro no pulso esquerdo. — Você tem três minutos para me expli­car o que está acontecendo, e é melhor que a explicação seja boa, senão... — Santos deixou a ameaça no ar, fazendo Alexa sentir calafrios. — Então? O que tem a me dizer de tão importante?

— Eu...


Ela tentou dizer, por duas vezes, mas sua voz falhou. Olhar para o rosto de Santos só piorava. As palavras fica­vam presas em sua garganta e ela mal conseguia respirar. Desviar o olhar tampouco ajudava. Como poderia dizer a um homem que seu futuro havia sido alterado sem olhar em seus olhos?

— Você já desperdiçou 30 segundos — Santos zombou. — Mais alguns minutos e voltarei para lá e...

— Natalie não vem!

As palavras foram proferidas descontroladamente. Não havia maneira certa para revelar a verdade. Agora precisava planejar uma saída tática para se afastar a tempo da explo­são violenta.

— Natalie não vem. Ela desistiu do casamento.

Para seu total espanto, a explosão que ela havia aguar­dado não ocorreu. Mas, como se ainda fosse possível, o súbito silêncio que seguiu sua declaração foi ainda pior. Foi tão longo e profundo que Alexa sentiu os nervos ficando doloridos.

— Desistiu do casamento? — Santos finalmente repetiu as palavras, como se não pudesse acreditar no que acabara de escutar, ou como se não entendesse o que elas significa­vam. — Explique-me! — ele gritou, uma fria exigência.

Bom, já que ele pedira, Alexa tentou ser justa e ter consideração. Mas talvez justiça e consideração fossem conceitos incompreensíveis para Santos Cordero.

— Natalie não virá. Ela não quer mais se casar com você.

— Onde...? — Santos começou a fazer outra pergunta, de modo abrupto, as sílabas inflamadas pela raiva. — Onde está minha noiva?

Alexa não podia acreditar que era possível que seu sem­blante ficasse ainda mais tenso ou seus olhos aparentassem mais fúria sem que ardessem em chamas e enchessem a sala de fumaça. Mas de alguma forma Santos conseguiu controlar-se, ainda que fosse possível sentir sua ira.

— E por que ela não está aqui, ao meu lado, no altar, como deveria estar?

— Ai, por favor!

Alexa não agüentava mais. Quando ele falava "minha noiva", quase a destruía.

Minha noiva. Uma palavra que deveria significar uma promessa de amor, alegria e felizes para sempre. Mas ele fazia soar tão possessivamente.

— Desculpe-me, mas ela jamais estará aqui, do seu lado, diante daquele, daquele...

A palavra escapou de sua mente e tudo que conseguiu foi apontar na direção do altar, onde todos — as duas famílias e os amigos — ainda estavam à espera.

— Ela não virá. Não vai se casar com você. Ela foi para o aeroporto, mas neste momento já deve estar no portão de embarque. Ela vai pegar um avião para os Estados Unidos, com o homem que ama. O homem com quem ela quer se casar de verdade.

— Natalie se foi.

Uma reação fria estava de volta à voz dele, fazendo-a es­tremecer com aflição ao escutá-lo. Ela nunca havia se sen­tido tão degradada quanto naquele momento, e não era nem sua própria batalha que lutava. Mas Alexa não poderia ter permitido que Natalie levasse adiante esse casamento, que fazia tão infeliz.

— Sua irmã... fugiu do próprio casamento.

Havia uma estranha força na palavra "irmã", que atingiu Alexa no coração, ferindo-o com crueldade e dor. Mas ela não ousou absorver o impacto, entender o que ele estava querendo dizer. Nem havia tempo. Ela estava finalmente prestes a completar a missão que a levara até aquele local. Já dissera a Santos a verdade, e estava pronta para partir, o mais rápido possível.

— Ela me abandonou... Deixou-me por outro homem?

Infelizmente, sim.

— Ela não deveria ter feito isso.

— Eu sei, desculpe-me... Ela deveria ter conversado com você, ter admitido que não o amava o suficiente para casar-se. Sei que você deve estar magoado...

As palavras de Alexa se precipitavam num ritmo nervo­so, mas subitamente congelaram, ela se calou em choque, quando a resposta de Santos saiu.

Porque não era a resposta que ela esperava. Na realida­de, era o oposto do que havia imaginando, e Alexa só con­seguiu arregalar seus olhos amendoados, surpresa.

Porque Santos riu.

Quando Alexa disse que compreendia como ele deveria estar magoado, Santos jogou a cabeça para trás, fechou os olhos e riu alto. E não foi um riso agradável. Não havia humor, nem calor. Foi um riso frio, duro e amargo, que fez com que um milhão de pequenos arrepios tomassem conta de Alexa e fizessem suas veias congelarem.

— Santos? — ela falou, imaginando se por fim teria conseguido se expressar.

Em seu nervosismo, teria ela confundido o ex-noivo de sua irmã? Seria possível que pudesse tê-lo feito acreditar que aquilo não passava de uma piada — doente e insensata?

— Santos... ouviu o que eu disse? Você tem que en­tender...

— Ah, escutei, entendi direitinho. Sua irmã quebrou sua promessa e fugiu, deixando-a para catar os cacos. Isso eu entendi muito bem. O que não entendo é porque você acha que eu deveria me importar.


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