Avassaladora Vingança (Cordero's Forced Bride) Kate Walker



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CAPÍTULO DEZ

Estaria Alexa Montague falando a verdade quando dizia que não sabia o que estava acontecendo ou participava de um jogo ainda mais complexo com sua família?

A pergunta não saía da cabeça de Santos ao dirigir de volta da casa de campo, distraindo-o de forma perigosa. Precisava de toda a atenção para conduzir através das pés­simas condições do tempo.

Mas, apesar de saber que deveria se concentrar em diri­gir, era impossível evitar que os pensamentos não se voltas­sem aos momentos na casa de Alexa.

Santos queria recordar-se das coisas que ela falara, como o fizera, e, o mais importante, como reagira à conversa de­las. Ele precisava ser capaz de interpretar Alexa, sua lin­guagem corporal, para entender o que estava acontecendo, mas o problema é que as lembranças que lhe vinham à ca­beça não eram as que ele procurava.

Em vez disso, as imagens que invadiam sua mente eram da erótica noite de Sevilha. Santos conseguia recordar-se da forma como Alexa o olhara quando se beijaram. E ainda con­seguia sentir o gosto da essência de seus lábios, como era prazeroso beijá-la. Lembrança que fazia o coração de Santos palpitar fortemente, e a fome sensual contrair sua pélvis.

Mais uma vez, ele revivia os momentos em que estivera na cama com Alexa. As longas mechas de cabelos sedosos espalhadas sobre o travesseiro, os olhos esverdeados e os lábios rosados. O suave aroma de sua pele ainda o envolvia, assim como o delicado perfume floral que permanecia no ar embora ela estivesse tão distante. Ele relembrava as curvas de Alexa, sob o peso de seu corpo, e como os seios dela ocupavam perfeitamente as palmas de suas mãos.

— Maldito seja, não!

Santos praguejou em voz alta, trazendo os pensamentos de volta ao presente e à estrada infernal, que tentava enxer­gar no meio da escuridão. Até a luz do farol estava enfra­quecida pela forte chuva e intensa tempestade de granizo.

E o foco de seus pensamentos não era claro. Santos queria poder pensar sem que a fome sexual o distraísse. Mas a verdade era que qualquer coisa relacionada a Alexa o fazia sentir uma sede carnal que ela despertava nele sim­plesmente por existir. Mesmo nesse momento de tensão na estrada, Santos estava quente e ereto só de pensar nela. Relembrando a forma como Alexa reagira a seu toque, soltando um suave gemido, a forma como ela se entregara a suas carícias.

Mas estaria ele deixando seu instinto mais primitivo, seu apetite masculino, cegar todo o resto? Seria Alexa realmen­te inocente como por vezes aparentava ou estaria fingindo não saber a possível armação que levou ao fracasso do ca­samento? E se esse fosse o caso, seria ela...?

— Maldição, inferno!

Um súbito rangido alto e forte o alertou a tempo. No úl­timo minuto Santos avistou uma grande árvore que balan­çava de forma perigosa na lateral da estrada. O ranger que se seguiu foi ainda mais alto, audível apesar do forte sopro do vento, e num terrível som de queda, parte do tronco se rompeu e começou a cair.

Madre de Dios!

Com seus dedos tensos contra o volante, Santos virou rapidamente para a esquerda, pisando fundo no freio. A única coisa que poderia fazer era rezar na esperança de que sua reação tivesse sido rápida o suficiente para desviar enquanto um carregado som de trovão cortava o ar.

Alexa desligou o telefone, colocando-o de volta na base. Era a segunda vez que tentava ligar e a chamada caía direto na caixa postal. Mas não havia como deixar um recado impessoal para o pai explicando o porquê de sua ligação. O máximo que conseguiu foi deixar gravado um pedido para que ele entrasse em contato assim que possível.

E Alexa esperava que ele desse um retorno imediato. Ela acreditava que Santos não se ausentaria por muito tempo, nem esperaria por seu telefonema para voltar. Santos Cordero era o tipo do homem que não esperava por autorização de ninguém para fazer o que queria.

O pensamento mal havia se formado em sua mente quan­do a porta da frente abriu subitamente, fazendo-a pular de susto. E como se ele tivesse se materializado, Santos entrou pelo hall da frente trazendo consigo um sopro de vento frio e granizo.

— O que está fazendo aqui?

A irritação que Alexa sentiu frente a petulante descon­sideração a seu pedido, de que ele não voltasse até que ela o permitisse, estava em guerra com uma indesejada, mas incontrolável, palpitação de alegria ao vê-lo. O conflito de emoções gerava um sentimento volátil que Alexa não sabia controlar.

— Estou fugindo do vento e da chuva — foi a resposta lacônica de Santos.

A ventania havia despenteado seus cabelos e o frio havia feito sua pele brilhar, os olhos cinza se tornaram mais cintilantes ainda. Ele nunca parecera tão vivido, tão vibrante como agora. E aquela visão de Santos fez uma onda de lembranças invadir Alexa, trazendo de volta a recordação de seus beijos, do peso de sua mão ao acari­ciá-la. Ela conseguia sentir o sangue quente fluindo para seu rosto, e rezava para que ele achasse que o rubor fosse efeito de raiva.

— Eu disse a você para não aparecer de volta até que eu telefonasse. E eu não telefonei.

— Estou ciente disso... — Santos começou a se explicar, mas Alexa logo deixou evidente sua indignação, deixando que sua raiva tomasse conta, falando mais alto que ele sem escutá-lo.

— Então, o que está fazendo de volta? Entrando na casa como se fosse sua. Pensei que tivesse outras coisas para fazer. Telefonemas para dar...

— Tenho! — Santos declarou, irritado, enquanto Ale­xa respirava permitindo que ele encaixasse ao menos uma palavra em seu discurso. — E, acredite em mim, eu teria partido se fosse possível. Voltar, no meio dessa tempestade, não foi exatamente minha primeira escolha.

— Então por quê...?

— Não tive escolha, Alexa! — Santos retrucou de forma fria. — Não havia opção!

— Não havia opção? Você acha que vou acreditar nisso? Você entrou sorrateiramente aqui...

— Não fui sorrateiro.

— ... contrariando o que eu tinha dito. Provavelmente, com algum outro plano para me levar para a cama. Pensa que não vejo quem você é? Ah, por favor...

Mas Alexa não completou a frase, parando surpresa en­quanto Santos se movimentava para segurá-la pelo braço.

— Venha aqui!

Antes que ela pudesse entender o que acontecia Santos havia apanhado o casaco que estava pendurado na parede e a envolvera com ele.

— Está de sapato? Muito bem.

— Santos...

Ela lutou para desvencilhar-se, mas ele a segurava firme, puxando-a com uma mão e com a outra abrindo a porta em direção à tempestade.

— Santos! — Alexa protestou quando o vento gelado bateu contra seu rosto, fazendo-a encolher-se.

No entanto, um segundo depois ela percebeu que o des­conforto havia diminuído, Santos havia se colocado à sua frente, como um escudo protetor, cobrindo-a com parte de seu próprio casaco. Alexa sentiu-se segura como se estivesse numa redoma, aquecida pelo calor do corpo de Santos, e envolvida pelo aroma de sua pele, que parecia mais uma morna e deliciosa brisa.

Por um momento ela foi capaz de esquecer o desconfor­to, sua irritação, tudo, menos a maravilhosa segurança que sentia por tê-lo tão perto.

Mais alguns instantes e a sensação de segurança deu lugar a algo mais intenso. Apesar do tempo frio, Alexa es­tava quente, o corpo, ardendo, a pulsação, acelerada, em reação ao toque de Santos. A recordação da força da ereção de Santos pressionada contra sua pélvis fazia sua boca secar e seus olhos embaçarem. E ela só podia agradecer pelo controle que Santos exercia andando de forma firme, guiando-a. O impulso de parar, de virar-se em seus braços para beijá-lo, pressionando os lábios contra os dele, de for­ma sedenta, era quase incontrolável. E Alexa era grata pela chuva que batia em seu rosto e assim a mantinha presa à realidade.

— Aqui.


Santos parou de repente, tirando-a de seu devaneio, e enviando todos os seus pensamentos sensuais pelos ares.

— Está vendo...?

— O que estamos vendo... O quê...? Ah!

E logo Alexa engoliu a própria pergunta, ao perceber o que Santos lhe mostrava.

O carro que Santos dirigia estava metade para fora da es­trada, como se tivesse rodado violentamente na tentativa de ser desviado de algo. Algo que fez sua voz estremecer, ao perceber, horrorizada, que havia um tronco de árvore caído bem no meio da estrada, bloqueando por completo a passa­gem. Vários galhos menores estavam espalhados pela pista e um maior havia atingido a janela lateral do carro, estraça­lhando o vidro.

— É por isso que você... não podia continuar... Você bateu.

Sua voz sumiu na última palavra. De alguma forma, falar fazia tudo parecer ainda mais real e perturbador, trazendo de volta a sensação que sentira quando ele partiu, o medo de que algo poderia acontecer, algo como aquilo.

Alexa percebeu que tremia, e não só por causa do frio. Não mais!

Só de ver o carro percebia que Santos havia escapado por muito pouco. Um metro ou dois a mais e o carro te­ria sido atingido em cheio pela árvore. O peso do enorme tronco teria esmagado o veículo e o motorista. E só o pen­samento de ver o corpo de Santos ferido a fazia arrepiar-se de medo.

— Você está bem?

No meio da escuridão Alexa se virou na direção de San­tos e tentou lembrar-se de como ele havia chegado ao vol­tar para a casa. Desgrenhado, varrido pelo vento, molhado, mas não machucado.

Ele não estava ferido, certo? Ela estivera muito irri­tada para perceber. Não teria notado se algo estivesse errado.

— Santos, você está ferido? A árvore...?

As possíveis conseqüências do acidente começaram a invadir a mente de Alexa fazendo-a lacrimejar e piscar na tentativa de focar no lindo rosto de Santos. Agindo instin­tivamente, tocou o rosto dele com os dedos trêmulos, que­rendo sentir o calor de sua pele e constatar, de fato, que nada havia acontecido.

— Diga-me que não se machucou.

— Estou bem... de verdade. Saí do carro a tempo. Alexa... A mão de Santos, morna, firme e reconfortante, segurou a de Alexa, que ainda repousava sobre seu rosto.

Alexa precisava tocá-lo, sentir a força e o calor de San­tos sob suas mãos, sentir a vida pulsante. Só de pensar que ele poderia estar ferido, ou que ela poderia tê-lo perdido antes mesmo de saber o quanto ele representava de verda­de, era terrível, tão aterrorizante que Alexa não conseguia controlar sua reação.

— Alexa?— O tom de Santos era suave, preocupado, mas ligeiramente duro, como se não soubesse dosá-lo. Mas isso não era possível, Santos sempre sabia o que fazia, nun­ca abria a boca sem saber o que dizer. — Alexa, estou bem. Nada aconteceu. Nada me atingiu.

Talvez, se ele não tivesse sido gentil, se sua mão não tivesse segurado a dela com tanta firmeza, ela não teria se entregue. Mas sua ternura era imensa, destruindo por com­pleto as barreiras que a controlavam. Alexa sentiu as lágrimas surgirem, mas conseguiu resistir e não chorar. Em vez disso, teve que liberar seus sentimentos de outra forma, e então jogou-se nos braços de Santos, capturando sua boca, beijando-o com toda a emoção que possuía.

— Alexa!


Santos pronunciou seu nome de forma ríspida e por um segundo Alexa sentiu-o enrijecer, e temeu que ele a afas­tasse. Mas, de repente, seus lábios ficaram mais suaves, e seus braços a envolveram de forma diferente, puxando-a ainda mais para perto, retribuindo cada beijo de forma de­vastadora.

Por longos e calorosos momentos eles ficaram indife­rentes à tempestade que aumentava, cientes tão somente da tempestade de sensações que os assolava. Mas, então, um sopro de vento gelado e granizo fez com que Santos se afas­tasse por um segundo.

— Não... — Alexa sussurrou em protesto, tentando al­cançá-lo ainda com os olhos entreabertos.

— Alexa — Santos a repreendeu. — Vamos congelar se continuarmos aqui fora.

Congelar? Na privacidade de seus pensamentos Alexa questionou a veracidade do comentário. Ela nunca sentira tanto calor em toda a vida, seu sangue estava em ebulição, nem mesmo o vento ou a chuva a afetavam.

— Não... — Alexa murmurou de novo, e Santos deixou escapulir uma pequena risada.

— Sim, querida, você está ensopada... temos que entrar em casa.

Querida, ela registrou esta palavra. Ele a usara uma vez antes, mas com um tom irônico. Agora era suave, quase como se estivesse sendo sincero, preocupado com ela. Como se quisesse bem a ela... E a cabeça de Alexa rodava só de pensar nessa possibilidade.

— Então vamos entrar. — A voz de Santos saiu tão gra­ve e provocadora quanto Alexa poderia imaginar. — E nos aquecer.

Poderia o coração dela bater tão forte? Ou seria o som do vento que causava aquele efeito? Ela não conseguia distin­guir, e não se importava. Só pensava em entrar, fechar a porta e trancar-se com Santos para que pudessem ficar sozinhos.

Alexa não conseguia definir se andava ou flutuava. San­tos a segurava de forma tão firme, com o braço em volta da sua cintura, que parecia carregá-la. E assim que passaram pela porta Santos levou sua boca contra a dela e a pegou no colo, levando-a em direção à escada, como fizera na noite do casamento.

— A primeira à esquerda... — Foi a única coisa que Alexa conseguiu dizer, com a boca contra o pescoço de Santos, saboreando sua pele levemente salgada.

— Sim...


O quarto estava escuro, mas com as cortinas abertas o luar clareava o suficiente para que Santos pudesse ver onde estava a cama, colocando-a gentilmente sobre as cobertas. Mas no momento em que Alexa o puxou para que se deitas­se com ela, ele resistiu e se afastou.

— Santos!

Era um grito de protesto, a perda do calor de seu corpo era demais para ela suportar.

— O quê...?

— Estava à procura de uma toalha... — A inquietação em sua voz demonstrava o quanto ele também lutava para controlar os instintos. — Você precisar secar-se...

— Não preciso de nada!

Era impossível dizer se Alexa estava sem fôlego de feli­cidade, de frio ou pela intensa sensação de sentir o desejo a consumindo.

— Santos, só preciso de você! Você pode me aquecer! Por um segundo ela pensou que fosse ter que se levantar e arrastá-lo para a cama, mas antes que pudesse se movi­mentar ele havia tirado o casaco, arremessando-o longe, e jogava-se na cama.

Se Alexa sentira frio em algum momento, já não era mais perceptível. Seu corpo inteiro ardia em chamas, de desejo. E o calor só aumentava enquanto Santos tirava a roupa, os dedos famintos ocasionalmente sem jeito ao ten­tar lidar com botões e zíper. A verdade é que cada toque de Santos, cada pincelada de seus dedos, fazia o coração de Alexa pulsar com mais vigor. Atiçando um ansioso desejo que crescia na parte inferior de seu corpo, deixando-a mo­lhada e latejando entre as pernas.

Sua boca se prendeu à dele. E em seguida Alexa, sen­tindo a necessidade de tocá-lo, arrancou com satisfação a camisa de Santos arremessando-a longe. Enfim, ela con­seguia trilhar seus dedos pela pele quente e acetinada dele, acariciando seus pelos, inalando o aroma almiscarado de seu corpo, um perfume tão inebriante que a deixou perto de entregar-se por completo ao prazer erótico.

— Eu quero você — Alexa sussurrou, com a boca contra o peito de Santos, provando mais uma vez seu gosto, pas­sando a língua por seu mamilo, sentindo-o enrijecer com seus beijos. — Meu Deus do céu, Santos, como eu...

As palavras se perderam num longo e frágil gemido de prazer enquanto Santos retribuía suas carícias. Pegando cada seio em uma das mãos, ele apertou-os suavemente, levantando um, depois o outro, em direção à sua boca, lam­bendo primeiro os sensíveis e ansiosos bicos, depois soprando-os, enviando uma sensação de frisson por todos os nervos de Alexa, culminando na área mais sensível entre suas pernas.

A calça jeans parecia aprisioná-la, apertada demais, fazendo com que Alexa esfregasse sua pélvis contra a quente ereção de Santos.

— Sua bruxa! Tentadora... atormentadora...

E enquanto falava Santos libertava Alexa do resto de sua roupa, passando as mãos por suas esbeltas pernas, pela parte interna de suas coxas, chegando à virilha e, enfim, tocando seus pelos encaracolados, acariciando-a intimamente.

— Santos...

Seu nome saiu como um suspiro de entrega, e Alexa abriu-se para ele. Ela segurou Santos pelos cabelos, arque-ando as costas a ponto de seus seios estarem imprensados contra o tórax dele.

Mas ainda não era o suficiente, Alexa queria mais. Ela o queria por inteiro, que a possuísse por completo. Mas a fivela do cinto de Santos estava presa, resistindo a todas as tentativas de abri-la. Alexa estava quase à beira do desespe­ro quando a mão de Santos entrou em ação.

— Deixe-me fazer isso... — ele sussurrou, sua voz grave demonstrando tanto desejo quanto ela, cada movimento tão urgente e impaciente quanto os dela.

Mas no momento em que Alexa sentiu o calor da carne de Santos contra a dela, quis desacelerar. Ela sentia tanta ânsia e desejo quanto antes, talvez ainda mais, no entan­to, no momento em que sentiu o duro poder da ereção de Santos contra sua coxa tivera a nítida sensação de que nada mais seria como antes. Não que essa seria a primeira vez que eles chegariam ao orgasmo juntos, mas...

A primeira vez que eles fariam amor.

Essa constatação a atingiu como um golpe, fazendo-a engasgar. Assim que esse pensamento a invadiu, Alexa soube que deveria ter percebido o que estava acontecendo desde o momento em que se desesperara ao ver o carro de Santos fora da estrada. Naquele instante, ela fora incapaz de lidar com a idéia de ver Santos machucado, ferido.

E isso acontecera porque ela havia se apaixonado por ele. Estava tão intensamente envolvida nesse sentimento que imaginá-lo ferido era pior do que ela própria se ma­chucar.

Alexa estava apaixonada e prestes a fazer amor com o homem a quem entregara seu coração, mesmo que ele ainda não soubesse disso. E era exatamente porque Santos ainda não sabia disso — e provavelmente nunca saberia — que agora ela hesitava.

Por que ele deveria saber como ela se sentia se não acre­ditava no amor? E ele nunca seria capaz de aceitar o que Alexa poderia oferecer ou dar-lhe o que ela necessitava — seu amor, em troca.

Mas mesmo com esses pensamentos inundando sua ca­beça ela sabia que não se importava.

Santos não podia dar-lhe amor, mas podia oferecer pai­xão física. E isso era tudo. Por isso, Alexa precisava apro­veitar cada segundo, degustar cada momento, e guardá-los em sua memória para que um dia, quando tudo o que lhe restasse fossem lembranças...

— Alexa?


Santos notara o distanciamento de Alexa, a forma como se perdera nos próprios pensamentos. E a olhou nos olhos, dentro de seu coração, fazendo-a quase acreditar que ele conseguia enxergar o que havia lá dentro.

— O que foi? Não quer continuar?

— Não...

Não, não, não! Nunca! Mas pela forma como Santos franziu as sobrancelhas Alexa percebeu que ele esperava alguma explicação.

— É só que... você tem alguma proteção? Ela conseguiu distraí-lo com outra pergunta.

— Sempre, é claro...

Pegando o casaco que estava do lado da cama, ele apa­nhou a carteira de couro e de lá tirou um pequeno pacote.

— Tão sensata, guapa... — Santos sussurrou, beijando-a na testa. — Tão cuidadosa.

Ah, se ele soubesse como a última coisa que Alexa que­ria era ser cuidadosa! Tudo que queria era jogar o cuidado longe, como fizera uma vez antes, e entregar-se a ele sem reservas, sem proteção — sem nada entre o amor dos dois.

Mas é claro que para Santos eles não iriam fazer amor. Para ele era apenas sexo, paixão puramente física, nada mais. E, nesse caso, ele sempre preferiria ser cuidadoso, pois não iria querer que ocorresse alguma conseqüência indesejada, afinal isso não passava de um prazer sensual passageiro. O simples fato de Santos ter camisinhas na car­teira já revelava suas intenções.

Ao ouvir o som do pacote ser rasgado e ter a certeza de que ele se protegia — e a protegia também —, Alexa se tranqüilizava. De olhos fechados, poderia esconder-se por um instante, sabendo que sua decepção não seria perceptí­vel. Por trás de suas pálpebras ela poderia engolir o tênue choro, respirar fundo e voltar a aceitar a forma como as coisas seriam.

Não, calma não. Não havia calma alguma no que Ale­xa sentia. Ela estava sedenta, ansiosa tanto mental quanto fisicamente. Não havia nada que pudesse fazer a respeito do desejo que vinha do coração e a dominava, mas poderia apaziguar a sede física, poderia se entregar a Santos e sa­tisfazer seu desejo físico. E se essa fosse a única forma de amor na qual ele acreditava, então isso teria que satisfazê-la. Ela poderia aceitar isso e quase ser feliz.

Então, Alexa segurou os musculosos braços de Santos e o puxou para perto. E pressionando os lábios contra os dele abriu a boca e permitiu que as línguas se entrelaças­sem. Enquanto isso, Santos abria as pernas de Alexa com sua própria coxa, fazendo-a entregar-se para ele com uma excitação renovada.

Mas, quando ele finalmente a penetrou, saciando a espe­ra de seu corpo num longo, lento e controlado movimento, ela sentiu a fome e a necessidade de fazê-lo se inflamar mais uma vez. Seus nervos ardiam, sua cabeça rodava, seus sentidos estavam inebriados pelo cheiro de Santos, que a invadia completamente. Os dedos, fincados nos fortes, rí­gidos músculos de suas costas, acompanhavam cada movi­mento, e ela se arqueava cada vez mais, para senti-lo bem dentro dela.

— Eu precisava disso — Santos sussurrou, contra a boca de Alexa. — Precisava de você...

Não havia como duvidar da veracidade das palavras dele, que saíam em meio ao brilho febril que dominava seus olhos. Estava também em sua voz, no tom rouco que acentuava ainda mais seu sotaque, fazendo com que so­asse sexy e embargado, longe da natural clareza de sua fala.

— E agora você me tem — Alexa respondeu, beijan­do cada palavra nos lábios dele. Sabendo que isso seria o mais perto possível que chegaria de declarar seu verdadeiro amor. — Você me tem por inteira, cada pedaço meu...

As palavras se dissiparam num engasgo de puro deleite quando ele pressionou ainda com mais virilidade seu corpo contra o dela, tirando-a do controle e a levando ao limite do êxtase. Sem consciência de mais nada à sua volta, Alexa se concentrou puramente na sensação selvagem que experi­mentava, o crescente prazer, a ânsia pelo auge...

E Santos a penetrou de novo, de novo, levando-a ao má­ximo do prazer, até que juntos mergulharam na queda livre sensual que fez com que todos os seus sentidos aflorassem e o mundo à volta deles ficasse de cabeça para baixo. Mo­mentos depois, Alexa já estava envolvida nos braços de Santos, seu coração batendo forte, e era possível sentir a entrega dele também, permitindo-se ficar completamente aconchegado ao corpo dela.

CAPÍTULO ONZE

Os raios de sol do amanhecer que atravessavam as jane­las foram aos poucos despertando Alexa do sono profundo em que ela havia mergulhado algum momento na noite an­terior. Seus olhos se abriram devagar, olhando, primeiro, para o teto branco logo acima, ainda com dificuldade em reconhecer onde estava.

Estava em casa, em seu quarto, é claro. Todos os seus instintos confirmavam que estava num lugar mais do que familiar: reconhecia o papel de parede, a cama, os lençóis... Mas, ao mesmo tempo, tudo parecia tão diferente que era como se tivesse acordado num lugar estranho, que não re­conhecia.

Então, ela piscou os olhos mais uma vez, se espreguiçou, e sentiu braços e pernas encostarem num corpo forte e mor­no a seu lado. Alexa reconheceu, era um longo, musculoso e relaxado corpo masculino, e só aí entendeu que não era o ambiente que parecia estranho, ela havia mudado. Os even­tos na noite anterior e a forma como se sentira em relação a Santos significavam que ela nunca mais seria a mesma.

— Santos...

Pronunciar seu nome foi quase como um teste, como se quisesse saber se ainda conseguia sentir sua essência. E nes­se momento não era necessário se virar para olhar o homem que amava, dormindo, sua mente ainda estava inundada pelas imagens da noite e precisava de tempo para absorvê-las antes que pudesse aceitar a presença de Santos.

Então, Alexa permaneceu deitada por mais algum tem­po, olhando para o teto, revivendo os momentos em que ar­dera de paixão. Ela havia perdido a conta de quantas vezes eles levaram um depois o outro ao prazer, quantas vezes sentiram o completo deleite do orgasmo e depois caíram exaustos. Só sabia que a noite havia passado como uma onda de gozos sensuais e emocionais, e agora ela encarava a idéia do dia por vir com um sorriso e brilho nos olhos.

É claro que não havia como esquecer a única falha no seu prazer, não havia maneira de evitar a dura realidade de que Santos jamais diria que a amava. O prazer que ele demonstrara durante a noite era a única expressão de senti­mento que se permitiria evidenciar. E ela seria uma tola se exigisse mais.

Mas ele dissera que a queria, que necessitava dela. E havia deixado claro o quanto era verdadeiro, pela força de, seu desejo. E por enquanto isso era o suficiente. Teria que ser, pois seria tudo o que ele daria a ela.

A lembrança fez Alexa sorrir, um sorriso que permane­ceu em seu rosto enquanto se virava lentamente no calor da cama, aproveitando o conforto e até as suaves dores que sentia após uma noite de esforço físico. Tudo o que preci­sava era despertar Santos de seu sono e começaria tudo de novo...

— Santos!

O sorriso desapareceu de seu rosto, seu nome escapou como um grito de horror, fazendo-a despertar por completo.

Santos estava deitado de barriga para baixo, seu rosto enterrado no travesseiro. A coberta havia caído e estava na altura da sua cintura, deixando suas longas e musculosas costas expostas. E o que a chocou foi a visão de várias cicatrizes que marcavam sua linda pele morena. Havia uma marca em seu ombro direito, outra logo abaixo, e mais uma perto da espinha. Eram todas idênticas: circulares e perfu­radas. Alexa estremeceu, e mesmo o fato de serem antigas não amenizaram sua reação.

— Santos! — ela repetiu, estendendo a mão para tocá-lo. Alexa sabia que Santos estava acordado e que a escutara, pois mexera a cabeça. Mas ele não se virou, não a olhou.

— O que aconteceu?

Por dois longos segundos Alexa temeu que ele não fos­se responder, e seu coração disparou enquanto esperava, tensa, por uma reação. Mas logo em seguida Santos soltou um longo e profundo suspiro e se levantou, sentando-se recostado na cama.

— Se você não quiser... — Alexa começou a argumen­tar, temerosa de que houvesse se intrometido em algo que Santos não quisesse expor.

— Não... Ele a tranqüilizou, mas seu olhar permaneceu perdido em algum ponto na parede à sua frente.

— Tudo bem. Aconteceu há muito tempo. Há quase 30 anos.

— Trinta? Você era uma criança.

Santos concordou em silêncio, ainda sem olhá-la. Alexa estava certa de que seu olhar estava perdido, revendo os fatos.

E, se os acontecimentos eram o que causavam o franzir de sua testa, então estava claro que não eram lembranças felizes.

— Você se lembra quando eu disse que minha mãe não sabia quem foi meu pai?

Alexa confirmou apenas com um movimento de cabeça, com medo de falar e assim distraí-lo.

— Ela não tinha como saber qual dos homens com quem estivera era meu pai. Mas queria continuar sua vida, a vida que tinha certeza que poderia ter na Argentina, com o ho­mem que ela vivia na época. Um homem que não queria fi­lhos, principalmente um que não fosse seu, legítimo. Então, minha mãe me deixou com meu pai.

— Mas você disse que ela não sabia... — A frase saiu antes que Alexa pudesse perceber o que dissera, antes de notar o cinismo com que Santos enfatizara as palavras meu pai.

— E ela não o conhecia — Santos acrescentou. — Esco­lheu um homem aleatoriamente, qualquer um com os quais ela se deitara, o que estava mais próximo. E me deixou na porta dele, com um bilhete.

— Ela deixou você...

Apesar do calor do quarto, do conforto do edredom, Ale­xa arrepiou-se, suas veias estavam geladas. Ela tentou ima­ginar um menino pequeno, sozinho, abandonado, sentado na calçada esperando um homem que poderia ser seu pai abrir a porta. Observando sua própria mãe partir. E de repente Alexa começou a compreender o motivo de Santos declarar de forma tão implacável que não acreditava no amor.

— Como ela pôde fazer isso?

— Tenho certeza de que ela viu isso como uma solução perfeita.

Santos respondeu de forma fria e insensível. E seu total distanciamento, sua falta de envolvimento, tornava tudo aquilo ainda mais difícil para Alexa compreender.

— Foi uma pena que o safado com quem ela me deixou não pensava da mesma maneira.

Retirando a coberta, Santos levantou-se. E enquanto caminhava pelo quarto Alexa não conseguia deixar de ad­mirar seu longo e belo corpo, as pernas poderosas, as nádegas duras, a coluna esguia. Na noite anterior ela acariciara aquele corpo em êxtase.

Na noite anterior, não percebera as cicatrizes.

E hoje não conseguia ignorá-las.

— O que aconteceu?

Sua voz falhou, constrangida. Não queria de fato saber, mas pretendia descobrir. Agora que chegara até aquele pon­to, o resto era inevitável.

— O que aconteceu?

Santos retrucou como se pensasse na pergunta. Como se tentasse se recordar o que acontecera, de tão enterrado que estava pelo tempo. Mas Alexa sabia que ele lembrava muito bem o que acontecera. E por isso sua hesitação a fez imaginar algo macabro.

— Santos... não. — Ela queria pará-lo, mas ele não a escutava.

— Ele me manteve por algum tempo. Achou que eu pu­desse ser útil na casa.

— Mas como? Você tinha apenas 3 anos, não era?

— Sim. Mas ele não sabia nada sobre crianças. Achava que eu poderia ser bom nas tarefas domésticas, mais do que era possível. Odiava quando eu era lento ou desajeita­do. E a raiva aumentava ainda mais quando ele bebia. Ele se tornava impaciente e malvado.

— Santos, o que ele fez?

Santos se virou de forma que Alexa não conseguisse mais ver suas cicatrizes. Mas ainda assim ela conseguia imaginá-las.

— Quando ele bebia, fumava muito também. Se eu esti­vesse no caminho dele, ou fosse lento demais...

Santos não terminou a frase. Não era necessário. Alexa sabia o que sua expressão revelava. E entendeu exatamen­te o que ele queria dizer, mas não conseguia acreditar.

Não, não, não!

Era bem possível imaginar como aquelas feridas arre­dondadas tinham sido feitas com cigarros.

— Meu Deus! E a outra cicatriz, na sua mão...? — Alexa não conseguiu terminar a frase.

— Sim — Santos respondeu. E era tudo o que precisava dizer. Ela não queria que ele esclarecesse ainda mais.

Não era à toa que ele não acreditava no amor. Por isso, não confiava ou acreditava em ninguém. Como poderia acreditar em algo que nunca conhecera? Algo que nunca soubera que existia? Depois de ser enganado desse modo, provavelmente acreditava não ser digno de ser amado, que alguém nunca o amaria.

Alexa se lembrou da declaração de Santos de que ela deveria se casar com ele, mas que aquilo não era uma pro­posta. Agora percebia que, naturalmente, ele nunca conse­guiria relacionar casamento a amor.

— O que você fez?

— Fugi assim que pude. E acabei num orfanato.

— E nunca contou isso a ninguém?

— Para quê? É parte do passado, deixei para trás.

Santos caminhava pelo quarto, recolhendo suas roupas, colocando tudo em ordem. E Alexa não conseguia deixar de pensar que ele também tentava organizar seus pensamentos.

— Depois soube que ele morreu, de overdose. Eu não ganharia nada voltando àquele lugar. Segui em frente.

E ele seguiu em frente, mas carregou as cicatrizes consi­go. Cicatrizes no corpo e na mente. E embora dissesse que havia deixado tudo para trás, ainda pesava em sua vida, impossibilitando-o de estabelecer uma relação amorosa. Mas agora ele se abrira para Alexa. Santos contara a ela a terrível história de sua infância. Estaria ela sendo tola acreditando que havia algo por trás disso?

— Eu gostaria de tomar um banho. — A voz prática de Santos invadiu seus pensamentos.

Enquanto Alexa estivera absorvida pelos próprios pen­samentos, repensando o que ele dissera, tentando descobrir as possíveis repercussões do que acontecera, Santos estava retomando o controle de sua vida, mais uma vez. Ele havia recolhido todas as roupas e já estava pronto para entrar no banho. Parecia que seu dia seguiria normalmente, com to­das as revelações guardadas de volta em seu subconscien­te.

— É claro...

Considerando a forma como ela se sentira quando acor­dara, Alexa teria sugerido banhar-se com ele, como uma maneira de dar continuidade ao prazer sensual da noite anterior. Mas agora não ousaria. O clima havia mudado, qualquer toque de sensualidade entre eles havia evaporado. Santos nem mais sorria. Na realidade, nem a olhava direito. Momentos depois Alexa escutou o som do chuveiro e pen­sou se ela também deveria lavar-se, esfregando todos os traços da noite anterior, apagando assim as lembranças do que acontecera também. Mas, ao mesmo tempo, ele havia se aberto para ela...

Mas por que diabos se abrira?

Santos permaneceu no chuveiro, a água com força total massageando sua cabeça enquanto repensava o que aca­bara de acontecer: Alexa vira suas cicatrizes e inevitavel­mente perguntara sobre elas. Essa situação já acontecera antes. Outras mulheres viram as marcas e algumas até in­dagaram sobre o que havia ocorrido.

Mas ele nunca falara a verdade.

Todas as outras vezes, Santos as despistara com alguma mentira, nada preciso ou revelador. E todas se satisfizeram com a explicação. Assim como ele ficava satisfeito em não revelar a verdade.

Mas dessa vez fora diferente, ele sentira necessidade de contar a história inteira. A história que ninguém nunca sou­bera. Alexa não se deixaria enganar, Santos sabia disso. E se chocou ao perceber o quanto queria contar a ela, o quan­to queria se abrir para Alexa.

Nunca se sentira tão exposto em toda a sua vida.

Estar nu no quarto de uma mulher não era uma experi­ência nova. Santos tivera uma boa quantidade de amantes, mas essa era a primeira vez que se sentira verdadeiramente nu. E não era um sentimento do qual gostava.

Mas, verdade seja dita, Santos se sentira assim desde o momento em que conhecera Alexa. Ela não era o que ele esperava, e apenas uma visão dela já o havia despido de todo o seu senso de realidade, mudado a forma como se sentia em relação à vida.

Se ao menos ela fosse a filha com quem ele deveria ca­sar-se! O pensamento lhe ocorreu desde o instante em que estendeu a mão para cumprimentá-la. Tudo teria sido dife­rente! Mas eleja estava comprometido, por isso se forçara a prosseguir e não revelar nada.

E agora Alexa era a irmã cuja mão estava sendo ofe­recida como parte do negócio. Seu pai havia substituído uma filha pela outra. E se Alexa fosse inocente de verdade, como suspeitara, então descobrir sobre seu pai seria tão de­vastador para ela assim como foi para ele ser deixado pela mãe.

Santos levantou a cabeça, deixando a água cair sobre seu rosto, tentando, desse modo, eliminar da sua mente os inquietantes pensamentos que o atormentavam, dia e noite. Só uma coisa era certa: não tinha a intenção de deixar essa outra filha Montague fugir.

Essa ele seguraria. Essa ele queria com todas as forças. E depois da noite que passaram, estava seguro de que ela também o queria.

O telefone tocava no andar de baixo, e, quando Santos abriu a porta do banheiro, escutou Alexa correndo pelas escadas para atendê-lo. Ele a seguiu, vestindo a camisa ao descer.

— Café? — Santos perguntou a Alexa, que vestia um robe de algodão azul enquanto corria para atender a ligação.

— Humm...

Sua resposta foi distraída, prestava atenção no telefone.

— Pai!


É claro. Ele dissera para ela conversar com o pai. Mas, maldito seja, Santos pensava que ela havia conversado com ele na noite anterior. Alexa estava ao telefone quando ele voltou para a casa. E por isso acreditara que tudo havia sido dito. Mas agora parecia que sua suposição estava errada.

Alexa sabia que era seu pai ao telefone. Ela pedira para que ele ligasse assim que ouvisse sua mensagem, e agora ele fazia isso.

Fale com seu pai, Santos dissera. E era o que ela plane­jara fazer, o que estava determinada a fazer antes de vê-lo novamente. Mas na noite passada o destino se intrometeu; ela não conseguira falar com o pai e Santos tivera que vol­tar, de forma inesperada...

Mas teria sido diferente se ela tivesse conseguido falar com o pai antes de tudo? O coração de Alexa palpitou ao se fazer esta pergunta. Ela deixou as coisas seguirem seu rumo na noite anterior. Se arrependeria de ter sido tão impulsiva? Havia cometido um grande erro? Não poderia ser tão mau assim.

— Pai, preciso conversar com você...

Mas o pai dela não a escutava.

— Você já o encontrou? Já viu Santos Cordero? Ele dis­se que estava a caminho da sua casa.

— Ele... — Alexa começou a explicar, mas o pai a inter­rompeu, falando antes que ela pudesse continuar, determi­nado a fazê-la escutá-lo.

Então, ela o escutou. E, com cada palavra que saía de sua boca, Alexa sentia seu sangue esfriar, deixando-a sem força, até que se recostou contra a parede.

Não poderia ser tão mau assim. Fora o que ela dissera para si mesma. Mas o fato é que poderia ser ainda pior. Muito pior!


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