Avassaladora Vingança (Cordero's Forced Bride) Kate Walker



Baixar 0.73 Mb.
Página8/10
Encontro29.07.2016
Tamanho0.73 Mb.
1   2   3   4   5   6   7   8   9   10

CONTO EXTRA

As Brumas Do Desejo

Sharon Kendrick

Tradução: Rodrigo Peixoto

CAPÍTULO UM

Começou com seus tornozelos, os mais lindos que já ti­nha visto, depois seus olhos passearam lentamente pelos joelhos, e além...

Do outro lado sala, fez uma lenta avaliação da cintura fina, dos lindos seios e do cabelo cor de fogo. Só no final olhou para o rosto, e quando viu aqueles enormes olhos cor de esmeralda e os lábios rosados, quase deixou cair a taça de champanhe.

— Josephine? — murmurou, sem acreditar no que esta­va vendo. E como ela não se movia, seguiu em sua direção. — Josephine?

O coração de Josephine estava acelerado, e suas mãos tremiam, mas não apenas por que se tratava do homem mais incrível da sala — na verdade, ele sempre causava o mesmo efeito nela.

— Claro que sou eu, Blake — respondeu. — Não me reconhece?

Blake ficou parado, depois disse:

— Não exatamente. — Na última vez em que a vira, usava aparelho nos dentes. Era uma menina. Na pequena cidade em que viviam acompanhou seu crescimento, sua transformação em uma adolescente. E naquele momento... engoliu em seco. —Você... você cresceu de repente.

— Tenho 23 anos, Blake — disse, suavemente.

— Está morando em Londres?

— Estou. E você?

— Também. — Meu Deus, ela estava linda, mais do que linda! — Há quanto tempo não nos vemos? Ela olhou diretamente nos seus olhos azuis, cor de gelo.

— Uns sete anos — disse, parecendo desinteressada. — Não nos vemos desde que você foi embora.

Ele não podia tirar olhos dela.

— Que tipo de trabalho você faz? — perguntou, casu­almente.

— Sou modelo.

Modelo. Claro. Isso explicava a transformação do pati­nho feio em um lindo cisne.

— Modelo de sucesso? Ela sorriu.

— Mais ou menos — disse, bebendo um gole de seu drinque e sorrindo para ele. — E você?

O sorriso o encantou.

— Trabalho com capital de risco.

— Parece coisa de bandido! Ele gargalhou.

— Parece?

Um bandido a teria levado para a cama imediatamente, algo que ele imaginava estar fazendo.

— Pareço um bandido?

Um pouco, ela pensou, mas fez que não com a cabeça.

— Não, parece um homem que trabalha com capital de risco.

— Que tal outro drinque? — propôs Blake, sorrindo. — Ou prefere dançar?

Não havia escolha! Mas ela deu de ombros, dizendo que tanto fazia, até admitir:

— Adoro dançar.

Normalmente, não era de dar muita escolha, e não se lem­brava da última vez em que dançara com alguém que não fos­se Kim. Mas não queria perder a oportunidade de abraçá-la.

— Eu também. Vamos?

Os deuses deveriam estar vigiando-a, pois naquele mo­mento a música ficou mais lenta, e ele tomou seus braços aproximando seu corpo do dela.

— Eu... eu adoro essa música — ela disse, tremendo um pouco.

— Ótimo — murmurou, sentindo o odor de seu perfume.

Aproximou-se ainda mais, cheirando seus lábios e ca­belos, e Josephine não estava preparada para o calor que invadiu seu corpo, fazendo seu coração acelerar.

Blake sentiu uma imediata corrente de desejo quando as curvas perfeitas de Josephine se misturaram ao seu corpo como manteiga derretida.

Talvez fosse melhor levá-la para casa, e se despedir.

Melhor terminar logo com aquilo tudo.

Mas fora seduzido pela luz da lua e pela forma como ela caminhava, como o fazia sorrir. Um passado em comum pode unir duas pessoas...

Aceitou um café. Depois outro, e os olhos de Josephine se perdiam nos seus.

— Melhor pensar em irmos embora — ele disse, re­lutante.

— Também acho. Mas foi... tão divertido.

— E verdade.

Continuava perdida em seu olhar.

— Adeus, Blake.

— Adeus, Josephine.

Ela ficou imaginando se voltaria a vê-lo, e quando se pôs na ponta dos pés para beijá-lo, seus lábios de alguma maneira tocaram o queixo de Blake, um encontro tão forte que todo o seu corpo tremeu, imediatamente.

Algo inexplicável aconteceu no corpo de Blake, que vi­rou o rosto e beijou-a, sabendo claramente que o seguinte passo seria a busca por um quarto.

— Não costumo fazer esse tipo de coisa — ele murmu­rou, e o beijo ficou mais e mais ardente.

Nem ela, mas a boca de Blake parecia querer engolir a sua, e as palavras de Josephine se perdiam.

Fora a melhor noite da vida de Josephine, mas na manhã seguinte ele a deixou sem perguntar quando poderiam se ver novamente. Muito tempo depois, ela ficou sabendo que fugira com Kim, e que estavam noivos.

Não demorou muito até que ela encontrasse Luke, primo de Blake, e em três meses já estavam casados.

CAPÍTULO DOIS

Luke fora embora.

Tinha deixado tudo, até sua escova de dentes, mas ela sabia que tinha ido embora. A certeza era tão definitiva quanto a luz do dia, que invadia o quarto com seus raios de um azul pálido. Josephine logo percebeu o impacto, e tremeu.

A escova de dentes ainda estava por ali, é verdade, mas, após uma pequena inspeção, ela percebeu que o homem que fora seu marido por um ano tinha limpado o resto da casa como um furacão.

Não encontrava seus ternos caros e os sapatos italianos feitos à mão. Nem os objetos de arte de valor incalculável, que ele sempre insistia em comprar.

Ou melhor, que ela comprava, lembrou a si mesma arrasada.

O raio foi seguido de um trovão que parecia vir da pro­fundeza dos infernos. E a chuva começou — uma chuva tão pesada que ela não percebeu as batidas na porta da frente.

Quando finalmente percebeu, ficou gelada com a estra­nha sensação.

Ele tinha ido, para logo depois voltar?

Foi até a entrada da casa, abriu a porta e viu uma figura alta e encharcada que fez seu coração parar de bater por alguns segundos.

Não era Luke quem estava parado ali, como um anjo negro, era seu primo Blake. Blake. O homem que não via há mais de um ano... desde o momento em que a deixara sozinha naquele hotel, e que a fizera casar-se com alguém como Luke.

— Blake! — murmurou, o nome parecia engasgado em sua garganta.

— Não queria me ver, certo? — ele disse, mas ficou tranqüilo ao notar que ela estava em casa, e parecia bem. — Estava esperando por seu marido?

Ela fez que não com a cabeça, não queria ouvir aquela palavra.

— Ele levou todas as suas roupas. Foi embora.

— Eu sei — respondeu, de forma um tanto sinistra. Ela franziu a testa.

— Como você pode...

Mas Blake não a escutava. Abrira caminho e estava pa­rado, pingando, no lindo e polido piso de madeira.

— Feche a porta — ordenou ele, tentando fazer com que seus olhos não ficassem pregados na camisola de Josephine. Sentiu uma pulsação em sua garganta. Ela estava vestida para matar. — Ou quer morrer de frio? Feche a por­ta, Josephine! Agora!

Ela obedeceu, muda. Havia algo naquele tom de voz que não poderia ser ignorado. E a verdade é que, se o tivesse escutado da última vez, não estaria nessa situação.

Ficou olhando para ele. Dizem que o tempo cura, mas nem sempre muda a forma como reagimos a certas pessoas. Não o via há mais de um ano, mas sua personalidade ain­da a devastava. Assim como sua aparência. Os olhos azuis eram tão vibrantes quanto um céu de verão, e seu corpo era o mais bonito que jamais vira.

Que sorte teve Kim, pensou, forçando-se a lembrar que aquele homem tinha uma noiva, ainda que a idéia fosse dura.

— O que está fazendo aqui? — ela murmurou. — E como sabe que Luke me deixou, se só descobri agora?

Ele deu um sorriso cínico, que a deixou gelada.

— Ele me ligou do aeroporto.

— Aeroporto? Para onde está indo?

— Não me falou.

— Não entendo — disse, respirando fundo.

— Imaginei que soubesse de algo... — falou, entre os dentes. — Ele está saindo com uma mulher chamada Sadie. — E seus olhos tomaram uma forma questionadora, quan­do perguntou: — Você a conhece?

Josephine fez que sim.

— Sim, a conheço — disse, cheia de pena. Eram melho­res amigas e, na verdade, ele não a estava contando algo que Josephine nunca imaginara.

Mas, apesar do fato de Luke ter ido embora, apenas uma questão rondava sua cabeça.

— Por que exatamente você veio até aqui, Blake?

CAPÍTULO TRÊS

— Acho que vim até aqui para juntar os caquinhos...

Ainda imaginando estar no meio de um pesadelo, Josephine olhou para ele, com cara de quem não está entenden­do nada.

— E o que isso significa?

Blake ficou olhando para ela, para a linha angulosa de seu peito, e para a forma como os ossos de sua cintura se revelavam por baixo da camisola.

Sendo modelo, sempre fora magra, mas naquele mo­mento parecia pronta para ser carregada pelo vento. Aque­le casamento a teria transformado em uma sombra do que fora?

— Como foi capaz de fugir dessa maneira? — perguntou Blake.

Josephine estava pálida, as palavras que escutava não faziam sentido. Na verdade, nada parecia fazer sentido.

— O quê?

— Acho que seria boa idéia dar uma olhada nas suas contas bancárias.

Tudo o que enxergava eram os olhos azuis de Blake em cima dela.

— Contas?

Era apenas uma suposição, mas Blake sabia que seu pri­mo poderia ter sido capaz de levar mais coisas que apenas suas roupas.

— Sim, as contas — respondeu, calmo. — Duvido que Blake tenha financiado essa viagem com o fruto do próprio trabalho.

O pânico que sentia fazia o sangue correr apressado e frio nas veias de Josephine. Mesmo negando com a cabeça, ela não podia parar de pensar no pior. Seria capaz de ter levado seu dinheiro? Já não era terrível o suficiente que tivesse ido embora com uma de suas supostas amigas, ou poderia ser ainda pior?

Sentia os olhos de Blake sobre si enquanto seguia para o escritório, buscando o telefone do banco. Discou os nú­meros e disse:

— Gostaria de saber o saldo de minha conta corrente, por favor. E da poupança, também.

Os valores que escutou a deixaram sem ar, seus dedos tremiam quando voltou a olhar para Blake.

—As duas contas estão zeradas — disse, com voz fraca. — Ele levou tudo.

— Parece que seu querido Luke não passa de um ladrãozinho.

O pânico se transformava em uma onda de raiva.

— Meu Deus, ele foi capaz de tudo isso!

— Parece que sim — respondeu Blake, demonstrando certa frustração. — Eu disse que você estava cometendo um erro ao casar-se com ele, Josephine! Conheço meu pri­mo... sei como ele é! Você deveria ter me escutado!

Sim, deveria ter escutado, mas o que poderia ter feito quando Blake havia acabado de abandoná-la?

— Você se sente melhor dizendo "eu avisei"? — ela per­guntou, com voz trêmula de raiva e vergonha.

Ele fez que não com a cabeça.

— Você sabe que deve avisar à polícia.

— Polícia? — entregar seu marido à polícia era algo im­pensável para ela.

— Claro! — disse, impaciente. — Seu querido Luke não pode sair dessa tão facilmente! Imagino que muito daquele dinheiro era seu?

Claro que sim. A carreira de "ator" de Luke estava para­da desde o casamento. Viviam com a pequena fortuna que ela conseguira como modelo. E quando ela decidiu estudar tentar uma nova carreira, gastou uma boa soma nas mensa­lidades da escola de administração, sem ganhar nada nesse meio tempo.

— Sim, era meu.

— Eu já imaginava — murmurou ele.

Com lágrimas que deixaram sua boca salgada, ficou olhando para o lindo homem parado à sua frente.

— Ah, Blake... — murmurou, pois a noite poderia ter sido horrível, mas ele parecia tão forte. — O que vou fazer agora?



CAPÍTULO QUATRO

— Poderá voltar às passarelas — murmurou Blake.

Mas Josephine fez que não com a cabeça. Seus dias de ser julgada pelo tamanho das pernas e pelo volume de seus seios tinham passado.

— Estou cansada disso.

Os olhos de Blake brilharam.

— Você sabe que pode vir trabalhar comigo, quando quiser.

— Com você? — perguntou Josephine, olhando para aquele rosto lindo. — Me daria um trabalho? Assim, de repente?

— Não, não é bem assim. Mas acho que você voltou a estudar, certo? Que estava planejando uma nova carreira no mundo dos negócios?

Não sabia se o tom de Blake era de sarcasmo, mas não era hora de ficar pensando muito.

— A verdade é que não sei nada sobre capital de risco.

E neste momento os olhos de Blake brilharam ainda mais.

— Então você se lembra do meu trabalho? — perguntou, doce.

Ela se lembrava de muito mais, mas não estava disposta a pensar tanto no passado.

— Como eu disse, não estou familiarizada com o ramo.

— Não se trata de fazer cirurgias cerebrais... e você aprende rápido, não?

Suas bochechas coraram quando ela imaginou que se re­feria às coisas que lhe ensinara na cama, mas afastou esse pensamento.

— Por quê? — murmurou. — Por que está tão disposto a me ajudar?

Blake fez uma careta. Estaria ela imaginando que, ape­nas olhando para ele com aqueles lindos olhos verdes, seria capaz de agarrá-lo mais uma vez, e fazer com que agisse como um idiota? Além de Josephine, nunca dormira com alguém por apenas uma noite.

— Não fique feliz porque o seu drama está fazendo com que meu coração se derreta por você — ele murmurou. — Você mesma se meteu nessa confusão, e parte de mim gostaria de resolver tudo isso, mas...

— Mas o quê?

— Luke pode ser um idiota, mas ainda é meu parente... e o que ele fez me faz sentir muito mal.

—Além do mais, um escândalo não seria nada bom para a sua reputação, certo? Ele sorriu, gélido.

— Não me preocupo com isso. Minha reputação é ina­tingível... e uma separação não seria suficiente para afetá-la. Eu simplesmente estou numa posição que me deixa à vontade para oferecer um trabalho a você. E ofereço, até que decida o que fazer.

— Que tipo de trabalho? — perguntou, olhando fixa­mente para ele.

Ele levantou a curva elegante de suas sobrancelhas.

— Fazendo que você sabe melhor... sendo decorativa. Algumas mulheres tomariam isso como um elogio, mas não Josephine. Os homens sempre a admiraram pelo físico, nunca olharam o que ela carregava por baixo, e isso fez com que algumas vezes pensasse não passar de uma mulher bonita, glamourosa, sem qualquer substância.

— Decorativa de que maneira?

Estaria imaginado que ele a queria para satisfazer suas necessidades? Para caminhar por seu escritório, pratica­mente nua? Ele pensou nisso, e não pôde evitar uma leve sensação de desejo.

— Sallie, minha recepcionista, vai ser mãe e preciso de alguém para substituí-la. Alguém para sentar-se em uma mesa e atender ao telefone, com um sorriso bonito para os clientes. Você seria melhor que qualquer traba­lhadora temporária. Acha que poderia fazer esse trabalho, Josephine?

Recepcionista! Não era exatamente o que ela tinha em mente ao estudar assuntos de estratégias de negócios e pro­jetos a longo prazo, mas a empresa de Blake Devlin tinha muito prestígio... e talvez fosse uma maneira de entrar no mercado.

— O seu escritório fica no centro de Londres, muito longe para mim. — Mas ao mesmo tempo imaginava que não poderia seguir vivendo na mesma casa, com aqueles quartos vazios e assombrados, que a fariam lembrar todo o tempo do casamento vergonhoso que tivera. — Onde eu poderia ficar?

— Por que não na minha casa? — disse, dando de om­bros, ainda que o batimento de seu coração revelasse o nervosismo. — Moro num apartamento grande... com muito espaço.

Josephine sentiu um vazio no estômago. Algum tempo antes, daria tudo para ouvir aquilo, mas respondeu:

— Eu poderia ficar na casa de uma das minhas amigas... — Sua voz falhou. A maior parte de suas amigas morava em apartamentos mínimos, e Blake vivia em um enorme, bem no centro de Londres, ao lado dos escritórios. E seu coração bateu apressado ao pensar em dividir uma casa com Blake. — Não sei...

O sorriso de Blake a deixou sem graça.

— Não estou oferecendo que durma na minha cama, se está preocupada com isso.

As bochechas de Josephine coraram enquanto sua mente imaginava várias cenas sensuais.

— Claro que não! Aliás, onde está Kim? — perguntou, forçando a si mesma a pronunciar aquele nome sem a voz falhar. — Ela gostaria de ver outra mulher morando no seu apartamento?

— Kim não tem nada a ver com o que eu faço.

— O que você quer dizer? — perguntou, olhando fixa­mente para ele.

— Nada, é que na verdade eu e Kim já não somos noivos.

CAPÍTULO CINCO

Josephine ficou olhando para Blake, descrente.

— Não são noivos?

— Exatamente o que você ouviu.

— Mas, por quê?

Blake ficou olhando para ela, pensando que deveria se preocupar mais com a confusão em que se transformara sua vida antes de perguntar sobre a dos outros.

— Acho que você não tem nada a ver com isso, certo? Por que não vai preparar sua mala, antes de seguirmos para Londres?

Ainda desconcertada com o que passara, Josephine ten­tou reunir suas melhores roupas, enquanto Blake a esperava na sala de estar.

— Será fácil alugar esta casa — disse, quando termi­nou de arrumar a mala. — Isso talvez pague minhas contas. — E poderia mesmo oferecer a ela alguma independência financeira, junto ao dinheiro que receberia dele.

— Vamos? — disse, pegando a mala de Josephine, en­quanto ela fechava a porta da casa, para depois entrar no luxuoso carro com poltronas revestidas de couro.

Blake olhou rapidamente para ela antes de virar a chave na ignição, mas logo voltou os olhos para a estrada, com as mãos firmes no volante.

Tinha pedido que trocasse aquela camisola tão provo­cante, mas mesmo vestida em jeans e suéter ela continuava perturbadora. Como foi capaz de se esquecer daquela mu­lher tão linda?

Mas o melhor a fazer é mesmo se esquecer, disse a si mesmo. Esqueça.

Josephine tentou relaxar na viagem a Londres, mas sua cabeça não parava de dar voltas. Luke tinha roubado seu dinheiro e sua amiga, dera um tapa final no seu rosto.

— Posso encontrá-lo, sabe? — disse Blake, com cuidado. Ela abriu os olhos e olhou para ele.

— Como?


— Sempre existe uma forma.

Claro, mas para isso é preciso ser rico.

— Como?

Ela não o conhecia? O que ainda faltava ser dito entre eles?



Blake olhou para os ombros tesos de Josephine e imagi­nou o que acontecera com o fogo e a luz que antes emanava de seu corpo? Teria Luke apagado tudo isso? E como ela pôde permitir?

— Talvez você esteja esperando que ele retome a cons­ciência e volte correndo para casa, para os seus braços? — perguntou. Mas não esperou por uma resposta, paran­do o carro em frente a um lindo prédio de apartamentos.

— Chegamos — disse.

dentro da luxuosa casa, Josephine começou a pensar no que estava fazendo, onde se achava, e com quem. Es­taria louca quando concordou em ir à casa de um homem com quem dormira por apenas uma noite, e que na manhã seguinte a deixara sem dizer nada?

Olhou a sua volta, buscando um lugar para dormir.

— Onde vou dormir?

Blake a colocaria o mais longe possível dele. Mas a pre­sença desafiadora de seus seios o faziam lembrar-se de algo mais básico, sentia o fogo do desejo.

— Vou lhe mostrar — disse, fazendo sinal para que o seguisse ao quarto de hóspedes, onde uma enorme cama pa­recia dominar o espaço. Quando Blake deixou sua mala no chão, ela ficou imaginando que roupa usaria para dormir aqueles dias.

Josephine olhou em torno, faria qualquer coisa para não olhar diretamente nos olhos de Blake.

— É lindo, obrigada.

— Quer se deitar? — perguntou, com voz suave.

CAPÍTULO SEIS

Sentindo fogo em seus olhos, Josephine olhou para a cama, mas a realidade da situação a deixou confusa.

— Cama? — engoliu em seco, e sentiu seu coração acelerar.

Será que ela era sempre assim? Tão à vontade com sua própria sexualidade que sentia desejo por todos os ho­mens que se aproximassem? Resistiria se ele a pegasse nos braços e começasse a fazer amor com ela, naquele exato momento?

— Sim, cama — ele respondeu, fazendo uma careta, e virou-se para ir embora. — Está ficando tarde, estou morto de cansaço. Boa noite, Josephine... nos vemos amanhã de manhã.

E a porta se fechou.

Após uma noite bem dormida, Josephine se levantou cedo, vestiu um suéter e uma camiseta, sentindo-se inespe­radamente à vontade, apesar de sua real situação.

Percebeu o quanto foi dura a influência de Luke sobre ela. Sempre reclamando de suas roupas — só gostava das que deixavam em evidência as curvas de seu corpo.

Por que fora tão dedicada a ele?

Porque queria que o relacionamento funcionasse. Queria um casamento como o dos seus pais. Roupas reveladoras pareciam um preço baixo para garantir harmonia, que na verdade nunca esteve presente.

Foi até a sala de estar, e Blake piscou os olhos ao ver uma imagem de Josephine que não conhecia.

Vestia uma camiseta larga, em tons suaves de púrpura e azul, e um suéter verde, que realçava a cor de seus olhos. O cabelo estava preso num coque bem atrás do longo pescoço, porém o mais impressionante é que usava óculos.

Parecia limpa, doce e incrivelmente eficiente.

— Óculos?

Tinha alguma dificuldade em se concentrar, pois tam­pouco tinha visto Blake com um lindo terno antes, um terno que fazia com que suas pernas parecessem infinitas. Ho­mens nunca se aproximam de mulheres que usam óculos, ela pensou.

— Você não gosta?

— Eu não disse isso — respondeu, imediatamente. — Mas não sabia que você usava.

— Eu prefiro. Mas Luke gostava de me ver com lentes de contato, então eu nunca usava óculos.

É certo que os óculos a deixavam com aparência um pouco distante, diferente da mulher que se escondia por trás deles. Blake engoliu em seco, pois mesmo assim não estava nem um pouco menos atraente.

— Tem café pronto. E bolo na mesa.

— Obrigada.

Ela se forçou a comer algo, mas não foi nada fácil, não com as longas pernas de Blake estendidas debaixo da mesa, quase tocando as suas.

Ficou imaginando em que tipo de recepção trabalharia, mas preferiu esperar até entrarem no carro para perguntar.

— O que exatamente você disse aos seus empregados sobre mim?

— Que se trata de uma velha amiga, e que ficará conos­co por um tempo.

Amiga? Ele não a fazia sentir-se como uma amiga.

— Não disse nada sobre ter sido abandonada e roubada pelo meu ex-marido?

Ele fez que não com a cabeça, impaciente.

— Isso seria arriscar que soasse como vítima. Ou será que você se vê assim?

— Talvez tenha permitido ser vítima, no passado — dis­se, em voz baixa. — Mas agora não.

— Meu Deus — ele murmurou, mas lutava para não ti­rar os olhos do caminho. Com seus joelhos pressionados um contra o outro, ele notou que Josephine ainda tinha o par de pernas mais bonito que vira em uma mulher.

— Você provavelmente poderia voltar às passarelas, sabe? Se quisesse... — disse, pensando que seria um crime ocultar tanta beleza do mundo. — Não sentiu falta quando Luke pediu que deixasse de desfilar?

Josephine fez que não com a cabeça. Passara tanto tem­po tentando ver as vantagens da exigência de Luke que não teve oportunidade de sentir falta. Parecia uma boa idéia — mas já não pensava bem assim, talvez não tivesse mes­mo sido a sua escolha. E talvez Luke tenha pedido tantas coisas por ciúmes de ver que sua carreira não ia tão bem como a dela.

— Não... — respondeu, imaginando por que tinha sido tão cega.

E ouvindo tal resposta Blake pensou que ela ainda es­tivesse sendo fiel a Luke, talvez ainda estivesse apaixo­nada por ele. Mas, se fosse verdade, por que o chamava de "ex"?

— Então você ainda está apaixonada por Luke, Josephi­ne? — perguntou, enquanto estacionava o carro.

CAPÍTULO SETE

Essa pergunta trouxe lembranças dolorosas e Josephine olhou profundamente nos olhos de Blake. O que sentia por Luke, naquele momento?

— Não sei — respondeu.

Ele não estava pronto para sentir ciúme.

— Vamos, Josephine, você pode se sair melhor...

Ela fez uma careta, talvez fosse mesmo capaz.

— Você já percebeu que o nosso casamento foi um de­sastre... fato confirmado pela forma como ele me deixou, de repente.

— Isso não responde a minha pergunta. As mulheres são capazes de continuar amando homens que as tratam mal.

Ele parecia não perceber a ironia, já que o seu próprio comportamento refletia o que estava dizendo. Voltando a si, Josephine colocou toda a sua energia num sorriso.

— Espero que eu tenha um pouco mais de orgulho, Blake. Nunca fui fã de masoquismo. Mas não é melhor se­guirmos nosso caminho?

Ele notou como ela evitava falar do assunto.

— Claro — disse, olhando a forma como ela subia as escadas a sua frente. Talvez fosse culpa do tamanho da saia, mas a verdade é que não fazia nada para esconder a linda curvatura de sua bunda.

Ele a seguiu pela recepção.

— Essa é Sallie! — disse, sorrindo para a loura grávida atrás da mesa. — Sallie, esta é Josephine... que vai ficar no seu lugar enquanto você estiver fora. Pode mostrar a ela o trabalho?

— Claro, Blake. Ele sorriu.

— Nos vemos mais tarde, Josie — disse, suavemente. Depois saiu, e Josephine não conseguiu deixar de olhar para ele, enquanto caminhava. Mas já tinha voltado a si... e chegara o momento de mostrar não só a Blake, mas a todos na empresa, que não era apenas um rostinho bonito, mas sim uma pessoa capaz de cuidar de sua tarefa perfeitamente.

Sallie fez um gesto para que ela se sentasse.

— Então você sabe tudo sobre capital de risco? — per­guntou.

Josephine fez que não com a cabeça.

— Não sei nada! Mas estou pronta para aprender!

— Deveria mesmo estar pronta — disse Sallie, sorrindo. Há muito tempo Josephine não trabalhava uma jornada inteira, e nunca antes trabalhara em escritório, por isso, no final da tarde, estava exausta.

Na hora de ir para casa, ela já tinha aprendido a usar o complicado sistema de telefonia e começava a entender o funcionamento do terminal de computador.

Também estava começando a entender como funcionava o império de Blake... e como ele trabalhava duro... e podia ver também o contraste entre Blake e seu primo, que não poderia ser maior.

— Então você é amiga de Blake, certo? — perguntou Sallie, educadamente, na hora do chá. — Não uma namo­rada, ou algo assim?

Josephine fez que não com a cabeça. Uma noite de sexo apaixonado, anos antes, não a colocaria nessa categoria.

— Não. Por quê?

— Ah, nada. Ele não saiu com mais ninguém desde que deixou Kim... — disse Sallie. — Nós todos imaginamos que ainda está apaixonado por ela.

— Ah... — fez Josephine, sentindo seu coração murchar de desapontamento.

Talvez Kim não fosse coisa do passado.

Mas pelo menos o comentário de Sallie reforçava a idéia de que nutrir esperanças falsas com um homem que a dei­xara seria uma completa perda de tempo.

Era mesmo um mau momento, após um dia cheio de trabalho, que surgisse uma sombra na sua mesa exatamen­te quando ela passava batom nos lábios. Josephine piscou os olhos quando uma cintura fina chegou perto de sua li­nha de visão, e levantou a vista, encontrando um par de olhos azuis.

Seu olhar era frio e de poucos amigos — mas claro, na­quele momento, ela era apenas mais uma pessoa que ele enxergava como uma perdedora, alguém para quem fazia um favor.

E Josephine percebeu que talvez jamais conseguisse ar­rancar qualquer afeto dele, mas estava disposta a conseguir seu respeito. O problema era como...

1   2   3   4   5   6   7   8   9   10


©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal