Banco de dados acabará com exumações Para geneticista Luiz Antônio, cemitério Divina Pastora, que é destinado indigentes, será uma página virada na história de Alagoas



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Encontro28.07.2016
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Banco de dados acabará com exumações
Para geneticista Luiz Antônio, cemitério Divina Pastora, que é destinado indigentes, será uma página virada na história de Alagoas
A exumação indiscriminada de pessoas enterradas como indigentes no Cemitério Divina Pastora deve virar coisa do passado com a implantação do banco de dados. O que não faltam são mandados judiciais para desenterrar cadáveres, a pedido de pessoas a procura de parentes desaparecidos. O mais recente deles chamou a atenção, no último mês de dezembro, quando 34 corpos foram exumados busca de Carlos Roberto Rocha Santos, sequestrado e assassinado em 2004.
Para o geneticista Luiz Antonio, estas buscas desesperadas estão com os dias contado: Divina Pastora será uma página virada na história de Alagoas afirma o professor, destaca a importância social do projeto que dará o direito às pessoas de encontrarem e enterrarem seus entes queridos. Isso porque garante o cientista, não haverá mais o enterro de indigentes sem o armazenamento de amostras que possam identificá-lo.
Luiz Antonio destaca que com a parceria firmada entre secretário Rubim e a reitora Ufal, Ana Dayse Dórea, a coleta desse material passa a ser uma obrigação formal do IM "O banco de dados já existia há anos, mas nós estávamos sozinhos, agora o secretário já se engajou, vamos ter um encontro com todos os delegados de polícia para que eles saibam como funciona o banco de dados".
A partir do momento que uma pessoa comunique o desaparecimento de um parente numa delegacia, a informação deve ser inserida no banco de dados via internet. Neste mês de fevereiro o governo deve promover uma solenidade de apresentação com integrantes da SDS, reitoria da Ufal, laboratório de genética, delegados, oficiais da PM, CPFor, IML, IC, conselheiros tutelares, integrantes de ONGs e outros representantes da sociedade civil organizada.
Apesar de idealizar o projeto sem receber nenhum retorno financeiro, de lutar por ele sem respostas há quase uma década e de fechar o convênio sem qualquer ônus pelo Estado, o geneticista nunca desanimou. Para se ter uma idéia, mais de três anos após sua criação, o banco só conta com o cadastro de nove desaparecidos em Alagoas.
O secretário Paulo Rubim destaca o empenho do geneticista para que o projeto pioneiro saisse do papel e virasse referência em todo o País. "Isso é um trabalho quase pessoal do professor Luiz António. Eleja vem propondo esta parceria desde 2003, quando eu ainda estava na superintendência da Polícia Federal. Não tínhamos condições de fazer exames de DNA e agora podemos prestar este serviço para as famílias que procuram por alguma pessoa desaparecida", explica o titular da SDS.
O secretário lembra do drama vivido pelo pai de Carlos Roberto, Sebastião Pereira, que além de sofrer com o desaparecimento do filho há mais de cinco anos, foi submetido a acompanhar de perto a putrefata, esdrúxula, sofrível e agonizante exumação de 34 restos cadavéricos. Já que Aurélio Buarque de Hollanda define o adjetivo fuleiro como "sem valor, ordinário, reles", nada impede de concluir que estas exumações no Divina Pastora não passam de fuleiragem.
Com a coleta e armazenamento de DNA, a tecnologia genética poupará outros Sebastiões da violência dramática de acompanhar o movimento das pás dos coveiros na vil esperança de reencontrar o filho amado. "Hoje você tem a possibilidade de guardar certas evidências (de pessoas enterradas como indigentes), que facilitam a localização daquele corpo a partir do cruzamento genético", simplifica o secretário Rubim.


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