Basta de invasões!



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Encontro21.07.2016
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Basta de invasões!

A Sociedade Rural do Paraná, consciente de sua responsabilidade, é contra toda e qualquer invasão de propriedade, sendo inaceitável quando se tratar de terras produtivas. O Paraná sofre invasões lideradas pelo MST e também por grupos indígenas, com índios até importados do Paraguay e Bolívia, que pleiteiam terras com documentação centenária. Os índios já conseguiram 1.106 milhões de km2, equivalentes a 13% do território nacional. Alguns recebem até Bolsa Família, montam cancelas e cobram pedágios em algumas regiões do Brasil para o transporte até de alimento. Colocam fogo em suas reservas para facilitar a caça de animais. Índios e assentados do MST, a maioria não consegue produzir o suficiente para o próprio sustento. Muitos dos assentados pleiteiam seus lotes e depois vendem para terceiros. Porque não exigir produtividade dos assentados como o governo exige dos verdadeiros produtores rurais?

As últimas propriedades rurais invadidas pelo MST no Paraná foram a Fazenda Figueira, localizada a 60 km de Londrina, entre os distritos de Paiquerê e Guairacá e a Fazenda Capão Cipó a sete quilômetros de Castro. A Fazenda Figueira possui uma rica história. Ao morrer, em 2000, o engenheiro agrônomo Alexandre Von Pritzelwitz, mais conhecido como Alexandre Barão, pecuarista e sócio da Sociedade Rural do Paraná, deixou em testamento a propriedade com 3,7 mil hectares para a Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz (FEALQ), sob duas condições: 1) que a fazenda mantivesse seu foco principal em atividades pecuárias; 2) que no local fosse criado um centro de pesquisas com o nome de sua mãe, Hildegard Georgina Von Pritzelwitz.

As duas exigências foram rigorosamente cumpridas. Em 15 anos, a Fazenda Figueira, através da Estação Experimental Agrozootécnica Hildegard Georgina Von Pritzelwitz, tornou-se referência em pesquisas de ponta em produção animal, realizando parcerias com diversas universidades brasileiras, inclusive a USP e a UEL. Vale ressaltar que a FEALQ é uma fundação de direito privado, sem fins lucrativos, que atua no apoio a pesquisas de desenvolvimento científico, econômico, social e ambiental. A fazenda possui e protege 1,2 mil hectares de mata nativa, 32,4% de sua área total com grande diversidade biológica, A presença de invasores é um fator de extremo risco para o meio ambiente.

Na Fazenda Capão Cipó, de 300 hectares na região dos Campos Gerais do Paraná, a invasão aconteceu na segunda-feira de manhã, dia 24 de agosto. Na propriedade está instalada a Fundação ABC com pesquisas agropecuárias para o cooperativismo (Capal, Batavo e Castrolanda). Em outra parte da fazenda está o Centro de Treinamento de Pecuarista (CTP).

A Fundação ABC tinha um convênio firmado com o Ministério da Agricultura (MAPA) e a Cooperativa Central do Paraná (Frísia, Castrolanda e Capal), para pesquisas e realizam os serviços há 30 anos. A União solicitou que a Fundação ABC deixasse as terras por ter encerrado o período de comodato através de medida liminar. O acordo de comodato venceu em abril de 2014 e as negociações de prorrogação estavam em curso.

Há um outro aspecto, o ambiental, que muito nos preocupa. Na maioria dos casos, os ambientalistas cobram constantemente dos produtores rurais as boas práticas de produção e conservação do solo – mas raramente se manifestam a respeito dos abusos de péssimos exemplos de moradores urbanos, entre os quais podemos citar o Rio Tietê (em São Paulo); o Rio Arroio Dilúvio (em Porto Alegre); a Baía de Guanabara (no Rio de Janeiro); o Rio Negro (em Manaus); e tantos outros pequenos rios e lagos de cidades brasileiras, em que até esgoto é despejado sem o mínimo cuidado, pontos de lixo a céu aberto, construções de casas em margens de rios e em encostas e nos altos de morros. Mesmo assim, para muitas organizações ambientalistas, é o agronegócio, e não o crescimento desordenado das grandes cidades, o inimigo do meio ambiente.

O verdadeiro produtor rural é um aliado – jamais um inimigo – das boas práticas de conservação ambiental, vem se adequando de acordo aos projetos do Governo. A sociedade precisa estar atenta e cobrar também dos gestores públicos o respeito à propriedade e as boas práticas ambientais urbanas. As Nações Unidas já consideram o Brasil o celeiro do mundo e esperam que até 2050 estejamos produzindo 40% de todo alimento necessário para alimentar 9,2 bilhões de pessoas no planeta.

Nós acreditamos no trabalho e na capacidade do produtor brasileiro, sempre fomos e continuaremos sendo absolutamente contra invasões, demarcações indígenas abusivas e roubos em propriedades particulares.



Moacir Norberto Sgarioni,

Presidente da Sociedade Rural do Paraná.



30/08/15 

 


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