BÍblia em família e familiaridade com a bíblia encontro com leitores e com pais das crianças do 4º ano



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BÍBLIA EM FAMÍLIA

E FAMILIARIDADE COM A BÍBLIA

Encontro com leitores e com pais das crianças do 4º ano


João Paulo II, NIMI: 39. Desde o Concílio Vaticano II, que assinalou o papel proeminente da palavra divina na vida da Igreja, muito se avançou certamente na escuta assídua e na leitura atenta da Sagrada Escritura. Foi-lhe garantido o lugar de honra que merece na oração pública da Igreja. A ela recorrem já em larga medida os indivíduos e as comunidades, e há muitos entre os próprios fiéis leigos que dela se ocupam, habilitados com a ajuda preciosa de estudos teológicos e bíblicos. E sobretudo há a obra da evangelização e da catequese que se tem revitalizado precisamente pela atenção à palavra de Deus. É preciso, amados irmãos e irmãs, consolidar e aprofundar esta linha, inclusive com a difusão do livro da Bíblia nas famílias. De modo particular é necessário que a escuta da Palavra se torne um encontro vital, segundo a antiga e sempre válida tradição da lectio divina: esta permite ler o texto bíblico como palavra viva que interpela, orienta, plasma a existência”.
Bento XVI, Verbum Domini 85. “De facto, pertence à autêntica paternidade e maternidade a comunicação e o testemunho do sentido da vida em Cristo: através da fidelidade e unidade da vida familiar, os esposos são, para os seus filhos, os primeiros anunciadores da Palavra de Deus. A comunidade eclesial deve sustentá-los e ajudá-los a desenvolverem a oração em família, a escuta da Palavra, o conhecimento da Bíblia. Por isso, desejamos que cada casa tenha a sua Bíblia e a conserve em lugar digno para poder lê-la e utilizá-la na oração. A ajuda necessária pode ser fornecida por sacerdotes, diáconos e leigos bem preparados. Recomenda-se também a formação de pequenas comunidades entre famílias, onde se cultive a oração e a meditação em comum de trechos apropriados da Sagrada Escritura. Os esposos lembrem-se de que «a Palavra de Deus é um amparo precioso inclusive nas dificuldades da vida conjugal e familiar».


  1. COMO LER?




  1. Ler a Bíblia, como palavra divina e como palavra humana: Para uma boa leitura e interpretação da Bíblia, temos de ter sempre presente o que ela é, em si, o seu mistério: Palavra de Deus em linguagem humana (DV 12). «Toda a Escritura é divinamente inspirada, útil para ensinar, refutar, corrigir e educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e esteja preparado para toda a boa obra» (II Tim.3,16). «Inspirados pelo Espírito Santo, certos homens falaram em nome de Deus» (II Pe.1,21).




  1. Atender ao contexto, ao género literário e às finalidades próprias da Bíblia: “Para descobrir a intenção dos hagiógrafos, devem ser tidos também em conta, entre outras coisas, os «géneros literários». Com efeito, a verdade é proposta e expressa de modos diversos, segundo se trata de géneros históricos, proféticos, poéticos ou outros. Importa, além disso, que o intérprete busque o sentido que o hagiógrafo [escritor sagrado] em determinadas circunstâncias, segundo as condições do seu tempo e da sua cultura, pretendeu exprimir e de facto exprimiu servindo- se dos géneros literários então usados” (Dei Verbum 12). Este pressuposto, faz-nos recordar algumas evidências, que nem sempre respeitamos:




    1. A Bíblia não é um compêndio de Físico-Química. Mas a razão e a fé, a ciência e a fé iluminam-se reciprocamente!

    2. A Bíblia não é um Manual de História. Nem a história da carochinha. Ela narra uma história de salvação!

    3. A Bíblia não é um livro “edificante” mas também não é um “Manual de maus costumes” (Saramago).

“ No contexto da relação entre Antigo e Novo Testamento, o Sínodo enfrentou também o caso de páginas da Bíblia que às vezes se apresentam obscuras e difíceis por causa da violência e imoralidade nelas referidas. Em relação a isto, deve-se ter presente, antes de mais nada, que a revelação bíblica está profundamente radicada na história. Nela se vai progressivamente manifestando o desígnio de Deus, atuando-se lentamente ao longo de etapas sucessivas, não obstante a resistência dos homens. Deus escolhe um povo e, pacientemente, realiza a sua educação” (Bento XVI, Verbum Domini, 42)




  1. Olhar para Cristo, como chave de interpretação de toda a Bíblia: “«Toda a Escritura divina constitui um único livro e este único livro é Cristo, fala de Cristo e encontra em Cristo a sua realização» (Bento XVI, Verbum Domini, 39).




  1. Conhecer e respeitar a unidade de ambos os Testamentos:O Novo Testamento está latente no Antigo, e o Antigo está patente no Novo”. “Por isso se vê claramente como é a pessoa de Cristo que dá unidade a todas as «Escrituras» postas em relação com a única «Palavra»” (Bento XVI, Verbum Domini, 39).




  1. Ler e interpretar a Bíblia, em comunhão com a Igreja: “O lugar originário da interpretação da Escritura é a vida da Igreja. São Jerónimo recorda que, sozinhos, nunca poderemos ler a Escritura. Encontramos demasiadas portas fechadas e caímos facilmente em erro. A Bíblia foi escrita pelo Povo de Deus e para o Povo de Deus, sob a inspiração do Espírito Santo. Somente com o «nós», isto é, nesta comunhão com o Povo de Deus, podemos realmente entrar no núcleo da verdade que o próprio Deus nos quer dizer” (Bento XVI, Verbum Domini, 30).




  1. Celebrar a Palavra, na liturgia e na Eucaristia: Por isso, na leitura orante da Sagrada Escritura, o lugar privilegiado é a Liturgia, particularmente a Eucaristia” (Bento XVI, Verbum Domini, 86).


II. COMO REZAR? A LECTIO DIVINA


  1. A Bíblia deve ser lida e interpretada em clima de oração: a importância do método da Lectio Divina


Bento XVI, Verbum Domini 85 “Nos documentos que prepararam e acompanharam o Sínodo, falou-se dos vários métodos para se abeirar, com fruto e na fé, das Sagradas Escrituras. Todavia prestou-se maior atenção à lectio divina, que «é verdadeiramente capaz não só de desvendar ao fiel o tesouro da Palavra de Deus, mas também de criar o encontro com Cristo, Palavra divina viva». Quero aqui lembrar, brevemente, os seus passos fundamentais:


  1. Começa com a leitura (lectio) do texto, que suscita a interrogação sobre um autêntico conhecimento do seu conteúdo: o que diz o texto bíblico em si? Sem este momento, corre-se o risco que o texto se torne somente um pretexto para nunca ultrapassar os nossos pensamentos.

  2. Segue-se depois a meditação (meditatio), durante a qual nos perguntamos: que nos diz o texto bíblico? Aqui cada um, pessoalmente mas também como realidade comunitária, deve deixar-se sensibilizar e pôr em questão, porque não se trata de considerar palavras pronunciadas no passado, mas no presente.

  3. Sucessivamente chega-se ao momento da oração (oratio), que supõe a pergunta: que dizemos ao Senhor, em resposta à sua Palavra? A oração enquanto pedido, intercessão, ação de graças e louvor é o primeiro modo como a Palavra nos transforma.

  4. Finalmente, a lectio divina conclui-se com a contemplação (contemplatio), durante a qual assumimos como dom de Deus o seu próprio olhar, ao julgar a realidade, e interrogamo-nos: qual é a conversão da mente, do coração e da vida que o Senhor nos pede?

São Paulo, na Carta aos Romanos, afirma: «Não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, a fim de conhecerdes a vontade de Deus: o que é bom, o que Lhe é agradável e o que é perfeito» (12, 2). De facto, a contemplação tende a criar em nós uma visão sapiencial da realidade segundo Deus e a formar em nós «o pensamento de Cristo» (1 Cor 2, 16). Aqui a Palavra de Deus aparece como critério de discernimento: ela é «viva, eficaz e mais penetrante que uma espada de dois gumes; penetra até dividir a alma e o corpo, as junturas e as medulas e discerne os pensamentos e intenções do coração» (Hb 4, 12).




  1. Há que recordar ainda que a lectio divina não está concluída, na sua dinâmica, enquanto não chegar à ação (actio), que impele a existência do fiel a doar-se aos outros na caridade”.



III. MARIA E A FAMILIARIDADE COM A BÍBLIA
Bento XVI, Verbum Domini 85 “Estes passos encontramo-los sintetizados e resumidos, de forma sublime, na figura da Mãe de Deus. Modelo para todo o fiel de acolhimento dócil da Palavra divina, Ela «conservava todas estas coisas, ponderando-as no seu coração» (Lc 2, 19; cf. 2, 51), e sabia encontrar o nexo profundo que une os acontecimentos, os atos e as realidades, aparentemente!
Bento XVI, Verbum Domini 124 “Jesus manifesta a verdadeira grandeza de Maria, abrindo assim também a cada um de nós a possibilidade daquela bem-aventurança que nasce da Palavra acolhida e posta em prática. Por isso, recordo a todos os cristãos que o nosso relacionamento pessoal e comunitário com Deus depende do incremento da nossa familiaridade com a Palavra divina. O Senhor diz a cada um: «Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele comigo» (Ap 3, 20)”.

EXERCÍCIO DE BUSCA NA BÍBLIA


1. “ Nem só de …………. vive o Homem, mas de toda a Palavra que sai da boca de Deus! (cf. Deut.8,3)! Precisamos da Palavra de Deus, como de Pão para a boca.

2. Porque a Palavra é pão que se come, Deus deu ordem ao profeta Ezequiel para que comesse o rolo, onde estava escrita a Palavra de Deus. O profeta comeu-o e ele foi, na sua boca, doce como o ………………(cf. Ez. 2,8-3,7).

3. Se Deus é luz, a sua Palavra torna-se um raio de luz, que vem sobre aqueles que estão abertos a ela. Por isso se diz ainda que a Lei do Senhor é como uma luz que ilumina os nossos passos no caminho da vida: «A tua palavra é farol para os meus passos e ………… para os meus caminhos» (cf. Sal. 119,105).

4. A Palavra de Deus é como um fogo que arde e aquece os corações (cf. Lc. 24,32). O profeta Jeremias (Jer. 20,7-9) falava do …………… devorador da Palavra, dentro do seu coração! «Assim como da pedra fria, talhada pelo martelo, saltam faíscas, da leitura da Bíblia, por inspiração do Espírito Santo, brota fogo».
5. «Todo aquele que escuta estas minhas palavras e as põe em prática é como o homem prudente que edificou a sua casa sobre a ……………... Caiu a chuva, engrossaram os rios, sopraram os ventos contra aquela casa; mas não caiu, porque estava fundada sobre a rocha (cf. Mt. 7,24-28).
6. A ação da Palavra é comparada à da água da ………………. que torna a terra fértil. «Assim como a ……………e a neve descem do céu, e não voltam mais para lá, senão depois de irrigar a terra, de a fecundar e fazer germinar, para que dê semente ao semeador e pão para comer, o mesmo sucede à palavra que sai da minha boca: não voltará para mim vazia, sem ter realizado a minha vontade e sem cumprir a sua missão» (cf. Is. 55,10-11).
7. Em ligação com a chuva, a semente sim­boliza o poder da vida, manifestado na germi­nação e no crescimento. A parábola do se­meador mostra Jesus como Semeador, e a ………..…….. como a sua Palavra (cf.Lc.8,11-15).
8. “Na verdade, a Palavra de Deus é viva, eficaz e mais afiada que uma …………………..de dois gumes; penetra até à divisão da alma e do corpo, e distingue os sentimentos e intenções do coração” (cf. Heb.4,12).

CHAVE: Espada, mel, chuva, semente, pão, rocha, luz



Habite em vós com abundância a Palavra de Cristo, para vos instruirdes e aconselhardes uns aos outros com toda a sabedoria” (Col.3,12-21).


Educai os vossos filhos com os conselhos inspirados pelo Senhor” (Ef.6,1-9).


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